sábado, julho 4, 2026

Autor: Redação

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Governo melhora condições e dobra crédito para compra de caminhões


O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) uma segunda etapa do programa Move Brasil, que financia a renovação da frota de caminhões em condições favoráveis para empresas de transporte rodoviário de carga, cooperativas e caminhoneiros autônomos.

O valor total disponibilizado chega a R$ 21,2 bilhões, mais que o dobro dos R$ 10 bilhões da primeira fase do programa, lançado no fim do ano passado, que foram totalmente consumidos com mais de mil contratos de financiamento em poucos mais de três meses.

A nova fase passa a incluir também o financiamento de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias. Do valor de R$ 21,2 bilhões, serão R$ 6,7 bilhões aportados diretamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 14,5 bilhões oriundos do Tesouro Nacional.

O BNDES será o operador do programa, que será oferecido em parceria com outras instituições financeiras. O valor máximo financiável por beneficiário continua sendo de R$ 50 milhões.

“Nós resolvemos melhorar as condições, aumentar os prazos de carência, a quantidade de anos para vocês poderem pagar e diminuir a taxa de juros, que ainda é alta”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia de assinatura de duas Medidas Provisórias (MPs) que viabilizam o novo Move Brasil. 

Lula pediu celeridade no ritmo de liberação de crédito para os caminhoneiros autônomos pelos bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES). Segundo Lula, de R$ 1 bilhão disponibilizado inicialmente, apenas R$ 200 milhões haviam sido liberados, devido à preferência dos bancos por grandes empresas transportadoras.

“Para o gerente de um banco, é muito melhor receber um cliente só para pedir R$ 2 bilhões, do que receber 1 mil clientes para pegar R$ 2 mil, cada um. Eu quero pedir aos bancos públicos: vamos ver se a gente consegue dar um exemplo de que, uma vez na vida, os mais pobres são tratados como os mais ricos”, cobrou Lula.

O presidente destacou especificamente as condições especiais destinadas aos caminhoneiros autônomos, que agora poderão parcelar o financiamento em até 10 anos (120 vezes), com carência de 12 meses. Até então, a carência era de seis meses e o prazo máximo de pagamento era de cinco anos. 

Os autônomos contarão com R$ 2 bilhões na nova fase do programa. A taxa de juros, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi reduzida para 11,3%. Antes, eram superiores a 14%. 

Ele disse esperar que os fabricantes de ônibus e caminhões consigam reduzir os preços dos veículos e assegurar empregos na indústria, como contrapartidas.

“É fundamental que a gente veja as contrapartidas, a redução no valor dos caminhões, o emprego garantido dos trabalhadores. Na minha analogia do corpo humano, o corpo da economia do país fica saudável em todos os sentidos”, disse.

Para o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, o programa promove uma política industrial que não favorece apenas o setor automotivo, mas toda a cadeia econômica do país.

“O caminhão, o ônibus, eles são meios. É uma cadeia muito grande. O caminhão é a carne que chega na mesa do trabalhador e das famílias brasileiras, a fruta fresca que chega no Ceasa. O caminhão é a soja que vai para o porto para a gente exportar. O caminhão é a cana que vai para a usina e a gente faz o etanol”, destacou.

Pelas regras do programa, os financiamentos estarão condicionados ao cumprimento de critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, incentivando a aquisição de veículos com menor consumo de combustíveis e menores emissões.

“Quem entregar um veículo velho para a reciclagem consegue taxas ainda mais reduzidas”, observou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

O transporte rodoviário move cerca de 60% das cargas do Brasil, segundo o governo federal, e é considerado crucial para a integração nacional e para o acesso da população a bens e serviços essenciais. 

O setor enfrenta, atualmente, elevado grau de obsolescência da frota, o que aumenta custos de manutenção, reduz a eficiência energética, agrava a emissão de poluentes e aumenta riscos operacionais e de segurança. Também vinha experimentando queda expressiva nas vendas nos últimos anos, números que vêm sendo revertidos com o sucesso do novo programa.

Durante o evento no Palácio do Planalto, Lula assinou duas Medidas Provisórias.

A primeira, além de viabilizar a ampliação do Move Brasil, autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões. O objetivo é ampliar a capacidade do fundo de oferecer garantias em operações de crédito, principalmente para micro, pequenas e médias empresas, além de estender os prazos de carência e de pagamento dessas operações.

O FGI tem por finalidade facilitar a obtenção de crédito por micro, pequenas e médias empresas, por meio do compartilhamento do risco das operações com os agentes financeiros. O reforço patrimonial do fundo amplia a capacidade de concessão de garantias, preservando o acesso ao financiamento para empresas viáveis.

A segunda MP, de acordo com o MDIC, cria Crédito Extraordinário, no valor de R$ 17 bilhões, com o intuito de dar cobertura ao aporte de R$ 2 bilhões no FGI, à ampliação do Move Brasil, com recursos de R$ 14,5 bilhões e ao aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), com o propósito de viabilizar a ampliação da oferta de garantias públicas às exportações.





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Após altas recordes, cotação do boi gordo perde força


boi gordo mercado
Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

O mercado físico do boi gordo encerrou abril com preços variando de estáveis a mais altos, embora abaixo dos patamares observados no início do mês. Na primeira quinzena, a restrição de oferta impulsionou as cotações e levou o boi a máximas no período.

A partir da segunda metade do mês, porém, os frigoríficos avançaram nas escalas de abate e passaram a exercer maior pressão sobre o mercado, reduzindo o ritmo de alta. O cenário também foi marcado por especulações sobre o esgotamento da cota de exportação para a China, o que pode indicar demanda menor no terceiro trimestre, justamente quando aumenta a oferta de animais confinados.

No dia 29 de abril, os preços da arroba a prazo apresentaram comportamentos distintos nas principais praças pecuárias. Em São Paulo, a cotação ficou em R$ 360,00, estável frente ao fim de março. Em Goiânia, houve alta para R$ 345,00, enquanto em Uberaba o valor recuou para R$ 340,00. Já em Dourados, o preço se manteve em R$ 350,00, e em Cuiabá subiu para R$ 360,00. Em Vilhena, a arroba avançou para R$ 330,00.

Atacado

No atacado, o mês foi marcado por valorização expressiva da carne bovina, com destaque para o quarto dianteiro, que atingiu R$ 23,50 por quilo, alta de 7,80% frente ao fim de março. Os cortes do traseiro também subiram, chegando a R$ 28,50 por quilo.

Exportações

O bom desempenho das exportações contribuiu para esse movimento. O Brasil embarcou 216,266 mil toneladas de carne bovina em abril (até 16 dias úteis), gerando receita de US$ 1,340 bilhão. O preço médio ficou em US$ 6.200,70 por tonelada.

Comparações

Na comparação com abril de 2025, houve crescimento. Foi registrada alta de 38% na receita média diária, avanço de 11,9% no volume embarcado e valorização de 23,2% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

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Clima favorece algodão, mas exige atenção



“Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura”


"Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura"
“Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura” – Foto: Canva

O avanço da safra de algodão 2025/2026 tem sido favorecido pelas condições climáticas em áreas importantes de produção, mas a maior umidade também acende alerta para o controle de pragas e doenças. O cenário exige monitoramento constante das lavouras e adoção de estratégias de manejo para reduzir riscos de perdas.

De acordo com o 7º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento, as condições climáticas adequadas nos Cerrados têm beneficiado o estabelecimento da cultura. Ao mesmo tempo, o excesso de chuvas em algumas regiões tem criado ambiente favorável ao aumento de doenças fúngicas, o que demanda atenção dos produtores.

Na Bahia, principal estado produtor de algodão do MATOPIBA, as chuvas registradas na primeira quinzena de abril foram bem distribuídas e contribuíram para o bom desenvolvimento das lavouras. Apesar disso, a incidência de bicudo e mosca-branca tem exigido maior acompanhamento. No Maranhão, o volume excessivo de chuvas em algumas áreas levou produtores a reforçarem o controle de doenças fúngicas, com aplicações mais frequentes de fungicidas no início dos problemas.

Segundo Bruno Vilarino, gerente de produto da ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL, o produtor precisa acompanhar de perto a lavoura e observar os primeiros sinais de doenças para evitar a disseminação. “Na prática, o produtor precisa estar mais presente no dia a dia da lavoura e ficar atento aos primeiros sinais das doenças para evitar que o problema se espalhe. Bruno alerta que “quem acompanha de perto a lavoura e age rápido consegue segurar melhor as doenças e evitar perdas”. Segundo ele, o aumento das chuvas e da umidade tem colocado o produtor de algodão em posição mais delicada nesta safra, exigindo planejamento.”

 





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Novo manual pode mudar ações por dano ambiental no campo; entenda


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O Giro do Boi desta semana trouxe um debate essencial para a segurança jurídica no campo. O advogado e professor Pedro Puttini Mendes analisou o novo manual lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado para padronizar a quantificação de danos ambientais complexos e orientar magistrados em decisões técnicas.

Para o produtor rural, essa mudança eleva o padrão de responsabilidade, mas também oferece ferramentas para evitar condenações desproporcionais e indenizações automáticas que não possuem embasamento técnico. O ponto mais relevante do manual do CNJ é o reforço à hierarquia da reparação ambiental, onde a prioridade deve ser sempre a recomposição in loco antes de se falar em pagamento de multas pecuniárias.

Confira:

Responsabilidade solidária e evidência científica

Puttini destaca que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) não deve impor indenizações financeiras imediatas quando a recuperação vegetal é monitorável. Se o produtor prova que a área está em processo de regeneração, a cobrança em dinheiro pode ser vista como um “mecanismo de arrecadação” indevido. O foco do produtor deve ser provar a recuperação efetiva, sendo que a indenização financeira só deve ocorrer se houver um dano irreversível tecnicamente comprovado.

O manual toca em um tema sensível: a responsabilidade solidária, onde comprador e vendedor podem responder juntos pelo dano. O advogado alerta para a confusão jurídica comum entre a obrigação de recuperar e a de indenizar. Com parâmetros de valoração mais rígidos, o Judiciário exigirá menos retórica e mais evidência científica. A documentação técnica passa a ser o principal escudo do produtor rural.

O novo manual do CNJ sinaliza um Judiciário mais técnico e menos ideológico. No entanto, o produtor deve ser proativo: “quem não documenta, não se defende”. A segurança jurídica da fazenda agora será decidida na ponta do laudo pericial e na organização da gestão ambiental da propriedade.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Alta do petróleo impulsiona soja em Chicago


A escalada do preço do petróleo, em meio à falta de consenso para o fim da guerra no Oriente Médio, influenciou o mercado internacional de grãos na última semana. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, a commodity atingiu US$ 120 por barril, um dos níveis mais elevados dos últimos anos.

O movimento teve reflexo direto nas cotações do óleo de soja na Bolsa de Chicago, que registraram novo recorde recente ao fechar em 76,36 centavos de dólar por libra-peso no dia 30 de abril. O avanço também foi sustentado pela valorização do farelo de soja, influenciado por problemas na Argentina, principal exportadora mundial do subproduto. Com isso, o preço do grão avançou, e o bushel encerrou o mesmo dia a US$ 11,82, ante US$ 11,59 na semana anterior.

Apesar da alta, a Ceema avalia que os fundamentos do mercado seguem com tendência de baixa, com exceção do reposicionamento dos fundos de investimento, que voltaram à ponta compradora. O movimento ocorre em meio às incertezas geopolíticas e ajustes nas carteiras.

Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra avança em ritmo acelerado. Até 26 de abril, 23% da área prevista já havia sido semeada, percentual superior à média histórica de 12%. Na mesma data, 8% das lavouras já haviam germinado, acima do padrão médio de 1%.

No comércio exterior, os embarques norte-americanos somaram 628.826 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, elevando o total exportado no atual ano comercial para 32,8 milhões de toneladas, abaixo das mais de 43 milhões registradas no mesmo período do ciclo anterior.

A demanda global por farelo de soja também tem sustentado os preços. Compradores europeus ampliaram aquisições, enquanto a oferta argentina enfrenta restrições. Durante a semana, a Holanda rejeitou dois navios com farelo argentino após identificar material genético não aprovado. Há registros semelhantes envolvendo cargas brasileiras, o que gera preocupação sobre possíveis restrições em outros países da União Europeia.

Esse cenário tem levado à expectativa de aumento das compras de farelo dos Estados Unidos, contribuindo para a valorização do produto em Chicago. Entre 17 de março e 15 de abril, o farelo acumulou alta de 7,2% e se mantém em patamares elevados.

No Brasil, o câmbio entre R$ 4,95 e R$ 5,00 por dólar contribuiu para manter os preços da soja em níveis mais baixos no mercado interno. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram cerca de R$ 114 por saca, enquanto em outras regiões os valores oscilaram entre R$ 107 e R$ 113.

As exportações brasileiras seguem em ritmo forte. Até a quarta semana de abril, a média diária de embarques cresceu 12,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O volume acumulado no período alcançou 13,7 milhões de toneladas, e a expectativa é de que o total mensal atinja 16 milhões, o que pode representar um novo recorde para abril.





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Biodiesel ganha força com crise do petróleo e pode evitar falta de diesel no Brasil


biodiesel
Foto: Abiove

O aumento da tensão no Oriente Médio e a alta do petróleo ampliaram o debate sobre o uso de biodiesel no Brasil. O tema inclui a elevação da mistura obrigatória ao diesel e o papel dos biocombustíveis no abastecimento.

Em entrevista ao Rural Notícias, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, afirmou que o biodiesel reduz a dependência externa, já que o país utiliza o B15, uma mistura de 15% do biocombustível no diesel fóssil.

“O Brasil hoje importa 25% do diesel [que consome]. Se não tivesse o biodiesel, a gente teria que importar mais os 15% [que entram na mistura de diesel]. A gente estaria numa situação crítica, já haveria falta de diesel no país”, disse.

Confira:

Capacidade de produção

Segundo Nassar, o setor possui capacidade para ampliar a mistura. Ele informou que há margem na produção e nas matérias-primas. “O setor hoje ele tem mais ou menos 40% de capacidade ociosa do lado da produção de biodiesel e do lado das matérias primas”, afirmou.

De acordo com ele, aumentos na mistura não impactariam o preço no cenário atual. “Subir para B16 ou B17 não gera nenhum impacto do ponto de vista de preço, porque tem disponibilidade e o setor está preparado para responder na mesma hora”, disse.

Regulação e testes

A ampliação da mistura depende de testes previstos na lei do combustível do futuro, que autoriza percentual de até 25%.

“É preciso fazer estudos de viabilidade, que na verdade são testes em laboratório em alguns motores”, afirmou. Os testes devem começar em maio e seguir até o próximo ano, disse Nassar.

Matérias-primas

O biodiesel é produzido, em sua maior parte, a partir da soja. Nassar também citou o uso de resíduos e outras fontes. “O biodiesel ele é muito importante no reaproveitamento de resíduos”, disse.

Entre os insumos estão sebo bovino, gorduras animais e óleo de cozinha usado, além de oleaginosas como algodão e palma.

Previsibilidade

O presidente da Abiove afirmou que a definição de regras para a mistura é um ponto para o setor. Ele citou impactos de mudanças no percentual de mistura sobre investimentos e oferta de insumos. “Define uma estratégia, coloca lá como vai aumentar o percentual e segue”, afirmou.

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De funcionários a donos de 250 mil aves: a virada da família de produtores do Paraná


Família de produtores de aves deixa de ser empregados para se tornar dona do próprio negócio
Foto: Canal Rural/Interligados

A história da família Grosso é um exemplo de ascensão social e econômica através da avicultura. Na década de 80, o pai de Éder Grosso trabalhava como funcionário em aviários alheios, cuidando de lotes que não eram seus. O sonho da terra própria levou décadas para amadurecer, passando pelo sistema de parceria por porcentagem até a conquista definitiva: em 2007, a família conseguiu adquirir a propriedade onde já trabalhava. O que era um emprego virou um patrimônio que hoje caminha para atingir a marca de 250 mil aves por ciclo.

A evolução não parou na posse da terra. A família quitou os primeiros financiamentos e iniciou uma modernização agressiva em 2018, substituindo os antigos galpões convencionais por estruturas climatizadas de última geração. Atualmente, a capacidade está em 195 mil aves, mas novos projetos já estão em andamento para elevar a escala e consolidar a família como uma das referências de produtividade em Astorga, cidade do norte do Paraná.

Sucessão familiar une tecnologia e tradição

A gestão da granja é um esforço coletivo onde cada membro da família assume a responsabilidade por um aviário. Éder e seus irmãos lideram a parte tecnológica, operando painéis de controle e sistemas automatizados que garantem a ambiência perfeita para os lotes. No entanto, o coração da propriedade ainda guarda espaço para a tradição: o patriarca, hoje com 80 anos, faz questão de manter um aviário convencional sob seus cuidados, onde seu manejo manual frequentemente entrega resultados que desafiam a performance dos galpões modernos.

Essa convivência entre o novo e o antigo fortalece a sucessão. A terceira geração já acompanha a rotina de alojamento e retirada, aprendendo que a avicultura exige presença constante e atenção aos detalhes. Para os Grosso, a transição do trabalho manual para o automatizado exigiu suporte técnico da integração e muita resiliência, mas o resultado é uma operação eficiente que garante a permanência de todos na mesma propriedade.

Dedicação total sustenta o orgulho de produzir 

A rotina começa na madrugada e não termina antes de o último painel ser conferido. Para a família, a avicultura não é apenas um negócio, mas a fonte de tudo o que conquistaram nos últimos 40 anos. A satisfação de ver o frango produzido na granja ganhando o mercado interno e exportações para o mundo é o que motiva os turnos ininterruptos e o cuidado rigoroso com cada pintinho que chega.

Olhando para o futuro, os planos de expansão para 250 mil aves mostram que a família não teme o crescimento. Com a base sólida de quem conhece o setor desde o tempo em que não havia ventilação ou aquecimento, os Grosso seguem investindo em inovação sem abrir mão da união familiar. A trajetória que começou com o trabalho assalariado hoje é um legado de prosperidade e orgulho no campo paranaense.

Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Cotação do trigo atinge maior nível em meses


A cotação do trigo voltou a subir no mercado internacional na última semana, impulsionada por fatores geopolíticos e climáticos. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, o contrato do cereal na Bolsa de Chicago atingiu US$ 6,49 por bushel no dia 28, o maior nível desde 4 de junho de 2024. No encerramento de quinta-feira (30), a cotação recuou para US$ 6,23, ainda acima dos US$ 6,10 registrados uma semana antes.

De acordo com a entidade, a alta está ligada à continuidade da crise no Oriente Médio e às dificuldades para uma solução do conflito, além das preocupações com o clima nas regiões produtoras do Hemisfério Norte. A atuação dos fundos de investimento, que voltaram a ampliar posições compradas, também contribuiu para sustentar os preços.

Nos Estados Unidos, as condições das lavouras indicam cenário misto. Até 26 de abril, 35% das áreas de trigo de inverno eram classificadas entre ruins e muito ruins, enquanto 30% estavam entre boas e muito boas. Já o plantio do trigo de primavera alcançava 19% da área prevista, abaixo da média histórica de 22%, com 5% das lavouras já germinadas.

As exportações norte-americanas somaram 365.156 toneladas na semana encerrada em 23 de abril, elevando o total embarcado no atual ano comercial para 21,8 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

No Brasil, a valorização externa começa a influenciar o mercado interno em um momento de entressafra e de redução da área prevista para o próximo plantio. Ao mesmo tempo, moinhos buscam recompor estoques, o que sustenta a demanda. Ainda assim, o cenário é de volatilidade, com aumento expressivo nos custos de produção, especialmente de fertilizantes, que acumulam alta superior a 60% desde o início da guerra no Oriente Médio.

Segundo analista da StoneX, o avanço desses custos tem impacto direto sobre a rentabilidade do produtor. “o aumento dos custos com fertilizantes nitrogenados reduz de forma direta a margem de lucro da produção de trigo. Com isso, muitos agricultores começam a reavaliar suas estratégias e, em alguns casos, optam por migrar parte da área para culturas que exigem menos insumos ou oferecem melhor retorno financeiro”.

As dificuldades logísticas e restrições de exportação de insumos em alguns países também afetam o abastecimento global, ampliando as incertezas. Diante desse cenário, estimativas apontam para uma possível queda de 16% na produção brasileira de trigo, que pode chegar a 6,6 milhões de toneladas, caso as condições climáticas sejam favoráveis.

Com menor oferta interna, a tendência é de aumento nas importações. Projeções indicam que o Brasil poderá importar até 8,2 milhões de toneladas na safra 2026/27, superando o recorde anterior. A demanda nacional é estimada em 13,3 milhões de toneladas, conforme dados de Conab e consultorias do setor.

Analistas de Bunge e da Abitrigo destacam que o aumento dos custos pode afetar tanto o volume quanto a qualidade da produção nacional. “o aumento dos custos, especialmente de fertilizantes, tende a pressionar as margens do produtor, o que pode levar à redução de área plantada e menor investimento em tecnologia. Isso pode impactar tanto o volume quanto a qualidade do trigo produzido no Brasil, reforçando a dependência estrutural de importações. Soma-se a isso o fato de que a capacidade das empresas moageiras de estocar trigo também é historicamente limitada, fato que as obriga a importar continuamente”.

A qualidade do trigo importado também preocupa o mercado. O produto argentino, principal fornecedor ao Brasil, tem apresentado teor de proteína inferior ao necessário para panificação, o que pode limitar sua utilização. Diante desse quadro, o mercado brasileiro deve enfrentar desafios nos próximos meses, relacionados a custos, qualidade e regularidade no fornecimento.





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Milho fecha abril em alta no mercado global


A cotação do milho registrou alta na última semana de abril no mercado internacional. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 24 a 30 de abril, o contrato do cereal na Bolsa de Chicago encerrou o dia 30 em US$ 4,64 por bushel, ante US$ 4,55 uma semana antes.

De acordo com a entidade, o movimento foi influenciado por fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, além do reposicionamento dos fundos de investimento, que voltaram à ponta compradora. Apesar da alta, os fundamentos de oferta seguem pressionados pelo bom andamento do plantio nos Estados Unidos.

Até 26 de abril, o plantio da nova safra norte-americana alcançava 25% da área prevista, acima da média histórica de 19%. No mesmo período, 7% das lavouras já haviam germinado, superando os 4% registrados na média para a data.

No comércio exterior, os embarques dos Estados Unidos também contribuíram para sustentar as cotações. Na semana encerrada em 23 de abril, as exportações somaram 1,6 milhão de toneladas, elevando o volume acumulado no atual ano comercial para 53,4 milhões de toneladas, acima das pouco mais de 40 milhões embarcadas no mesmo intervalo do ciclo anterior.

Outro fator de suporte aos preços vem da Europa. A perspectiva de redução da área cultivada com milho em países da União Europeia, diante do aumento dos custos de fertilizantes e energia, limita a oferta global. Estimativas indicam que a área semeada pode ficar abaixo de 8 milhões de hectares em 2026, o que seria o menor nível neste século.

O cenário de custos elevados e maior risco climático tem reduzido as margens dos produtores europeus. Na França, a área destinada ao milho pode recuar entre 10% e 15%, enquanto na Polônia a expectativa é de leve redução, para cerca de 1,25 milhão de hectares. Na Alemanha, a projeção aponta crescimento de 3,5%, embora sobre uma base menor, com área total próxima de 507 mil hectares.





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Compostos da copaíba-vermelha mostram eficácia contra vírus da Covid-19, revela estudo


árvore
Foto: reprodução/redes sociais

Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha (Copaifera lucens Dwyer), árvore endêmica do Brasil encontrada especialmente em áreas de Mata Atlântica, têm ação contra o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, revelou estudo conduzido por uma equipe internacional de cientistas.

A escolha da espécie ocorreu porque o farmacêutico Jairo Kenupp Bastos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), possui ampla experiência em fitoquímica e farmacologia de espécies de Copaifera.

Investigações anteriores já tinham relatado diversos benefícios biológicos e farmacológicos dos chamados “ácidos galoilquínicos”, retirados das folhas da copaíba-vermelha, entre eles atividades antifúngicas e anticancerígenas in vitro e in vivo, além de propriedades antivirais de amplo espectro.

Segundo os pesquisadores, derivados da substância mostraram até mesmo inibição significativa contra o HIV-1 em ensaios bioquímicos e cultura de células, com menor toxicidade do que outras moléculas testadas para esse fim.

Etapas

Para iniciar o trabalho, os cientistas prepararam e caracterizaram frações ricas em ácidos galoilquínicos derivados das folhas da espécie. Em seguida, foram realizados ensaios de citotoxicidade para determinar a segurança da sua introdução nas células dos hospedeiros.

A avaliação da atividade antiviral foi feita por meio de ensaios de redução de placas, método usado para quantificar a capacidade de anticorpos ou compostos antivirais neutralizarem vírus. Os resultados indicam forte ação contra o SARS-CoV-2.

Também foram estudadas as expressões de proteínas virais e as interações com alvos-chave, como o domínio de ligação ao receptor da proteína Spike, que permite a entrada do vírus nas células humanas, a protease tipo papaína (PLpro) – enzima importante para a evasão viral – e a RNA polimerase – enzima essencial para a replicação do vírus.

Resultados

Os resultados revelaram que ácidos galoilquínicos apresentaram forte ação contra a variante do coronavírus, inibindo a entrada viral nas células, a replicação do patógeno e a expressão das proteínas virais.

Além disso, as atividades anti-inflamatórias e imunomoduladoras da substância podem contribuir para a regulação da resposta imune do indivíduo infectado, o que é particularmente relevante em casos mais graves da doença.

“Um aspecto importante é o mecanismo multialvo do composto, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência. Isso porque muitos antivirais atuais agem apenas sobre uma proteína viral, o que favorece esse efeito”, diz Bastos.

“A abordagem integrada nos permitiu compreender não apenas como os compostos funcionam, mas também como atuam em nível molecular”, conta Mohamed Abd El-Salam, professor da Delta University for Science and Technology (Gamasa, Egito).

Próximos passos

Ainda existem alguns passos para que a substância seja transformada em medicamento contra a COVID-19, como ensaios in vivo e clínicos, mas, segundo os autores, a pesquisa reforça a importância da biodiversidade e da pesquisa com produtos naturais como fontes de candidatos terapêuticos inovadores, além de reforçar que a flora brasileira continua sendo um reservatório rico e estratégico para a descoberta de novos fármacos.

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