O mercado do açúcar brasileiro ficou marcado por baixas expressivas no todo do mês de abril. Apesar disso, a última semana do período conseguiu manter os preços firmes.
Pesquisadores do Cepea relatam que a liquidez baixa tem influenciado no recuo das cotações, visto que compradores seguem afastados no aguardo de preços ainda melhores. Já os vendedores seguem resistentes às pressões de demanda.
Destaque também para a predominância de açúcares mais escuros nas negociações, reforçando que o ritmo da safra 2026/27 ainda não chegou em seu estado pleno, o que tem limitado a qualidade e a oferta da mercadoria.
De acordo com o centro de pesquisas, as cotações na bolsa de Nova York apresentaram crescentes na semana passada, o que pode influenciar no mercado interno nos próximos dias.
Além disso, um fator importante que pode impactar a alta de preços internacionais é a valorização do petróleo, o que encarece os custos de energia em escala global. A alta do petróleo também deve influenciar o direcionamento da cana-de-açúcar brasileira para a produção de etanol, reduzindo a oferta do adoçante.
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O mercado do boi gordo iniciou o mês de maio em ritmo lento, marcado por baixa liquidez e postura cautelosa entre compradores e vendedores. Segundo análise do Cepea, muitos frigoríficos ainda não abriram preços, à espera de maior definição sobre oferta e demanda ao longo da semana.
Em importantes praças pecuárias, como Rio Verde (GO), Cáceres (MT) e Sorriso (MT), a estratégia predominante foi de cautela. Parte das indústrias optou por não divulgar valores, monitorando o comportamento do mercado antes de avançar nas negociações.
Já em Dourados (MS), houve recuo pontual de R$ 5 na arroba do boi gordo, com negócios registrados entre R$ 340 e R$ 350. As escalas de abate na região variam de 7 a 11 dias.
Em Rondônia, o cenário é de disputa. De um lado, frigoríficos pressionam por preços menores; de outro, pecuaristas seguram a oferta, tentando sustentar as cotações. Os negócios giram entre R$ 325 e R$ 330 para o boi macho.
Em Cuiabá (MT), parte das indústrias saiu das compras de machos e passou a priorizar fêmeas, que apresentam preços mais competitivos. Enquanto o boi gordo segue na faixa de R$ 350, as fêmeas são negociadas entre R$ 320 e R$ 325.
No Norte de Minas, a queda na qualidade das pastagens, causada pela estiagem e pelas temperaturas mais elevadas, começa a impactar o mercado. Com menor capacidade de retenção, produtores aumentam a oferta de animais.
As escalas de abate na região ganharam fôlego e avançaram para até 12 dias.
No Rio Grande do Sul, o mercado apresenta maior firmeza. As chuvas recentes ajudaram a manter as pastagens, o que limita a oferta de animais para abate.
As escalas seguem curtas, em torno de até quatro dias, enquanto os preços variam entre R$ 22,63 e R$ 25,30 por quilo de carcaça.
Consumo enfraquece e pressiona atacado
No atacado da carne bovina, especialmente na Grande São Paulo, o consumo mostra sinais de enfraquecimento. Após a alta registrada no último mês, o consumidor final tem dificuldade para acompanhar os preços.
Com isso, a carcaça casada do boi registrou leve queda de 0,11% no início de maio, sendo negociada, em média, a R$ 25,52 o quilo à vista.
O início do mês indica um mercado ainda em ajuste, com agentes testando preços e avaliando o comportamento das pastagens e do consumo.
A tendência, segundo o Cepea, é de atenção redobrada nos próximos dias, à medida que o mercado busca maior equilíbrio entre oferta e demanda.
O volume de soja inspecionado para exportação nos Estados Unidos caiu 29,5% na semana encerrada em quarta-feira (30), totalizando 450.145 toneladas.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em relatório semanal de inspeção de embarques. No mesmo período, milho e trigo registraram aumento nas inspeções.
Segundo o USDA, o milho somou 2,03 milhões de toneladas inspecionadas para exportação, alta de 22,4% frente à semana anterior. Já o trigo alcançou 434.204 toneladas, avanço de 17,4% na mesma comparação.
O relatório indica, portanto, comportamento distinto entre os principais grãos embarcados pelos Estados Unidos no fechamento de abril. Enquanto milho e trigo ganharam ritmo semanal nos portos, a soja apresentou desaceleração nas inspeções, dado que serve como referência para o fluxo efetivo de exportações.
No acumulado do ano comercial, o milho mantém desempenho acima do registrado no ciclo anterior. As inspeções do cereal estão 30,5% superiores às observadas no mesmo período do ano passado. No caso do trigo, o avanço acumulado é de 12%.
A soja segue em direção oposta. De acordo com o USDA, o volume inspecionado no ano comercial está 23,5% abaixo do verificado em igual intervalo da temporada passada. Esse resultado mostra perda de ritmo nos embarques do grão norte-americano ao longo do ciclo atual.
O ano-safra considerado pelo USDA começa em 1º de junho de 2025 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja. O relatório não detalha, neste recorte, os destinos das cargas nem os fatores específicos para a variação semanal por produto.
Os dados reforçam que o monitoramento semanal das inspeções segue relevante para medir a competitividade dos grãos dos Estados Unidos no mercado externo. Nas próximas divulgações, a atenção deve permanecer sobre a soja, diante do recuo semanal e da defasagem acumulada no ano comercial.
A safra de morango no Brasil deve avançar em 2026 e alcançar cerca de 200 mil toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento estimado de 2,6% reflete ganhos de produtividade e maior tecnificação, mas o clima irregular e o pulgão-da-raiz exigem atenção redobrada no campo.
A cultura do morango mantém trajetória de crescimento no Brasil em 2026. De acordo com levantamento do IBGE, a produção nacional deve atingir cerca de 200 mil toneladas, impulsionada por ganhos contínuos de produtividade. O avanço ocorre especialmente em polos tradicionais da cultura, como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Nessas regiões, a maior adoção de tecnologia tem contribuído para melhorar o desempenho das lavouras.
Apesar do cenário positivo, a expansão da cultura depende de manejo técnico constante. O morangueiro é sensível a variações climáticas e a problemas fitossanitários, o que exige planejamento desde o plantio até a colheita. Entre os principais desafios da safra de morango estão os episódios de calor fora de época. Essas condições têm impactado o desenvolvimento das plantas e podem alterar o calendário produtivo em algumas regiões.
De forma geral, o plantio do morangueiro em parte das áreas produtoras do país ocorre entre meados de abril e o fim de maio. Esse período é considerado ideal para garantir bom enraizamento e desenvolvimento das plantas.
Quando o clima altera esse padrão, o desempenho da safra pode ser comprometido. O risco aumenta em lavouras já expostas ao estresse hídrico ou com falhas no manejo.
Pulgão-da-raiz preocupa produtores de morango
Mesmo com o avanço tecnológico, o manejo fitossanitário segue como ponto crítico para a sustentabilidade da cultura. Entre as principais ameaças está o pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale). A praga é considerada de difícil controle porque atua de forma subterrânea e costuma ser identificada tardiamente. O inseto suga a seiva das raízes, provoca amarelamento, reduz o vigor das plantas e pode paralisar o crescimento.
Em casos mais severos, a infestação pode levar as plantas à morte. O problema tende a ser mais agressivo em períodos de seca, quando o campo já enfrenta estresse hídrico. A população do inseto é formada predominantemente por fêmeas. Tanto as formas jovens quanto adultas se alimentam continuamente, removendo fluidos das plantas e injetando toxinas, o que intensifica os danos ao sistema radicular.
O gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Fábio Kagi, alerta que o pulgão-da-raiz também pode atuar como vetor do vírus conhecido como mosqueado-do-morangueiro, ampliando as perdas na produção.
“O enfrentamento da praga exige uma estratégia integrada, que combine o uso de inimigos naturais com a nutrição equilibrada do solo, evitando o excesso de nitrogênio, que favorece a infestação. O controle químico deve ser criterioso e baseado no monitoramento, com uso de inseticidas durante a frutificação e a colheita, enquanto outros defensivos podem ser aplicados em diferentes momentos do ciclo, desde que respeitadas as recomendações técnicas e o período adequado”, explica.
Segundo Kagi, o crescimento da cultura precisa caminhar junto com boas práticas de manejo e uso correto de defensivos.
“O crescimento da produtividade precisa vir acompanhado de um controle fitossanitário eficiente. O monitoramento constante e o uso integrado de ferramentas de defesa vegetal são fundamentais para evitar perdas e garantir a qualidade da produção”, conclui.
Durante coletiva realizada em Florianópolis, o sistema Ocesc divulgou um novo balanço sobre a força do cooperativismo em Santa Catarina, que ultrapassou a marca de R$ 105 bilhões em faturamento em 2025. Este resultado representa um crescimento de mais de 15% em relação a 2024, superando a inflação do período e reafirmando a liderança do estado como o mais cooperativista do Brasil.
Dados do cooperativismo catarinense
Faturamento total: R$ 105 bilhões em 2025
Crescimento em relação a 2024: mais de 15%
Concentração de faturamento: mais de R$ 90 bilhões nos ramos agropecuário e de crédito
Faturamento do setor agropecuário: R$ 63 bilhões
Participação nas exportações: 17,9% das exportações catarinenses
Embarques de suínios e frangos: 38,9% do total do estado
Exportações totais: US$ 2,180 milhões
Investimentos e metas futuras
Para sustentar o crescimento, as cooperativas catarinenses investiram R$ 1,3 bilhões em 2025, com previsão de novos investimentos de R$ 1,6 bilhões para 2026. A meta do sistema Ocesc é ambiciosa: aumentar o faturamento do cooperativismo catarinense em 30% até 2028, alcançando R$ 8 bilhões.
Perspectivas do setor
O sistema cooperativo catarinense se destaca em um cenário econômico desafiador, apresentando crescimento em todos os ramos e atraindo a participação das pessoas. A união e a força do cooperativismo são vistas como fundamentais para o desenvolvimento contínuo do setor.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que espera que o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja pautado pelo diálogo. Lula embarca nesta quarta-feira (6) para se encontrar o líder norte-americana na quinta-feira (7) em Washington.
“Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente”, disse ele a jornalistas.
Para o vice-presidente, a reunião entre os dois presidentes será muito importante, principalmente porque os Estados Unidos são o principal investidor do país.
“Esse encontro é muito importante porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Mas ele é o primeiro investidor no Brasil. Então é [uma reunião] muito importante”, disse ele.
“A questão tarifária, nós sempre defendemos que tivesse uma relação melhor. Aquele tarifaço não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil”, ressaltou.
Para Alckmin, a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil será benéfica para ambos os países e deve discutir temas como big techs e terras raras.
“O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias.”
Segundo ele, há espaço para negociação em questões como big techs, terras raras, minerais estratégicos. “Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos”, destacou.
A terça-feira (5 ) será marcada por contrastes no clima em todo o Brasil. Enquanto áreas do Sul e do Nordeste enfrentam risco de chuva forte e temporais, o Centro-Oeste e parte do Sudeste seguem com tempo firme e baixa umidade relativa do ar.
Sul
A região Sul começa o dia com tempo firme, mas a condição muda ao longo das horas. A atuação de um sistema de baixa pressão na Argentina, associada à passagem de uma frente fria oceânica, provoca chuva no Rio Grande do Sul, com intensidade variando de fraca a forte.
As áreas mais afetadas incluem o sul, sudoeste, Campanha, Pampas e o litoral sul gaúcho. Nessas regiões, há risco de trovoadas e temporais, principalmente entre a tarde e a noite.
Em Santa Catarina e no Paraná, a chuva ocorre de forma mais isolada, influenciada pela umidade marítima, com volumes menores e períodos de abertura de sol.
Sudeste
No Sudeste, a frente fria atua mais afastada, na altura do litoral da Bahia, mas ainda influencia o tempo. Há previsão de chuva fraca a moderada em áreas de São Paulo, incluindo a capital, além do sul de Minas Gerais e da Zona da Mata.
Já no norte do Espírito Santo e nordeste mineiro, a chuva ganha mais intensidade ao longo do dia. Nas demais áreas da região, o tempo segue estável, com predomínio de sol.
As temperaturas entram em elevação, mas o dia fica mais ameno no litoral paulista, no sul de Minas e no Rio de Janeiro.
Outro destaque é a baixa umidade do ar no interior paulista e no Triângulo Mineiro, com índices abaixo dos 30%. Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h também são esperadas no norte de Minas e na Região dos Lagos (RJ).
Centro-Oeste
O Centro-Oeste terá predomínio de tempo firme na maior parte do dia. Apenas o norte e nordeste de Mato Grosso registram pancadas de chuva, que podem ser moderadas a fortes.
Nas demais áreas, a atuação de uma massa de ar seco mantém o tempo estável, com elevação das temperaturas.
A umidade relativa do ar fica baixa, especialmente em Mato Grosso do Sul e em Goiás, com índices abaixo dos 30%. Rajadas de vento também podem atingir até 50 km/h em pontos isolados.
Nordeste
A faixa litorânea entre o Rio Grande do Norte e Alagoas concentra os maiores volumes de chuva, com intensidade moderada a forte desde o início do dia. O cenário é influenciado pela circulação marítima e pelos distúrbios ondulatórios de leste.
No sul da Bahia, a aproximação de uma frente fria reforça as instabilidades, elevando o risco de temporais.
Também há alerta para acumulados elevados entre o litoral do Maranhão e Alagoas. No interior, o tempo segue mais estável e seco em algumas áreas.
Norte
Na região Norte, a alta umidade mantém o padrão de pancadas de chuva frequentes. Amazonas, Pará, Amapá e Roraima concentram os maiores volumes, com risco de temporais.
A atuação da Zona de Convergência Intertropical reforça as instabilidades no Amapá e no litoral do Pará.
Há alerta para acumulados elevados, especialmente no norte e litoral paraense e no Amapá. Já no Tocantins, o tempo permanece firme e seco.
Zé Silva, autor do projeto; e Arnaldo Jardim, relator; em entrevista coletiva
A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto estabelece diretrizes para a exploração e o processamento desses recursos no Brasil, com foco em agregar valor à produção e reduzir a exportação de matéria-prima bruta.
O relator da proposta, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que o objetivo é mudar o papel do país no mercado global. “Não nos sujeitaremos a ser exportadores de commodities minerais. Queremos processá-las, beneficiá-las e agregar valor aqui”, declarou.
A leitura do parecer foi apresentada na segunda-feira (4), e a votação pode ocorrer já no plenário, em regime de urgência.
Texto prevê incentivos e limita exportação de minerais brutos
A proposta cria mecanismos para estimular o beneficiamento dos minerais dentro do país. Entre as medidas está a limitação à exportação de produtos sem processamento e a concessão de incentivos fiscais progressivos.
Na prática, empresas que avançarem nas etapas de industrialização no Brasil terão acesso a benefícios maiores. O programa prevê créditos fiscais de até 20% dos valores investidos, com limite anual de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034.
Segundo o autor do projeto, deputado Zé Silva (União-MG), há articulação para aprovar a proposta ainda nesta semana. Ele avalia que o texto pode ampliar o protagonismo do Brasil no setor.
Proposta cria conselho e amplia controle do governo
O projeto também institui o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos. O órgão será responsável por definir a lista de minerais estratégicos, revisar critérios a cada quatro anos e avaliar operações consideradas sensíveis.
Entre as atribuições estão a análise de fusões, aquisições e entrada de capital estrangeiro no setor. O texto também prevê que projetos de exploração dependam de autorização prévia do poder público.
De acordo com o relator, a proposta fortalece o papel regulador do Estado. “Nenhum projeto de exploração vai se estabelecer sem anuência do governo”, afirmou.
Outro ponto do texto é a criação de um fundo garantidor para a atividade mineral, com capacidade de até R$ 5 bilhões. A União poderá aportar até R$ 2 bilhões, e o fundo será administrado por instituição financeira federal.
O projeto também obriga empresas do setor a investir parte da receita em pesquisa e desenvolvimento. Nos primeiros seis anos, o percentual mínimo será de 0,3%, passando para 0,5% posteriormente.
Além disso, será criado um cadastro nacional para reunir informações sobre projetos minerais em todo o país.
Os minerais críticos são considerados essenciais para setores como energia limpa, eletrificação e defesa. Entre eles estão lítio, cobalto e nióbio.
Já as chamadas terras raras, grupo de 17 elementos químicos, são usadas em tecnologias como turbinas eólicas e veículos elétricos, e podem ser classificadas como minerais críticos dependendo do contexto.
Entidades criticam tramitação acelerada
Representantes da sociedade civil criticaram a apresentação do parecer sem divulgação prévia do texto completo e a rapidez na tramitação.
O relator rebateu as críticas e afirmou que a proposta está em discussão há dois anos e já teve urgência aprovada anteriormente.
O Governo Federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova etapa do programa Desenrola Rural. Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, a iniciativa chega com condições ampliadas para atender mais produtores.
“O Desenrola Rural é retomado em condições ainda mais facilitadas, com maior abrangência”, afirmou a ministra. Ela destacou ainda a inclusão de novos públicos: “No caso dos assentados da Reforma Agrária, incluímos a possibilidade de renegociação de dívidas do Procera”.
A medida será formalizada por decreto previsto para publicação ainda nesta semana e amplia o prazo de adesão até 20 de dezembro de 2026.
A nova fase do Desenrola Rural amplia as condições de renegociação de dívidas. O programa oferece descontos, prazos mais longos e novas possibilidades de liquidação dos débitos.
Os parcelamentos podem chegar a até dez anos, conforme o valor e o tipo da dívida.
Outro ponto é a retomada do crédito rural. Agricultores com contratos firmados até 31 de dezembro de 2015, com risco integral da União, poderão acessar novas operações pelo Pronaf, mesmo inadimplentes, desde que não estejam inscritos na Dívida Ativa da União.
Quem pode aderir ao programa?
Podem aderir ao programa agricultores familiares, assentados da reforma agrária, pescadores artesanais, povos e comunidades tradicionais e cooperativas da agricultura familiar.
É necessário ter dívidas em atraso há mais de um ano.
As formas de renegociação variam conforme o tipo de débito:
Dívidas na Dívida Ativa da União devem ser negociadas pelo site Regularize;
Débitos do Pronaf ou com bancos devem ser tratados diretamente com as instituições financeiras;
Créditos de instalação podem ser quitados junto ao Incra, com condições específicas.
Mais de R$ 23 bilhões já foram renegociados
Criado em 2025, o Desenrola Rural já beneficiou mais de 500 mil agricultores familiares. Segundo o governo, mais de R$ 23 bilhões em dívidas foram renegociados.
Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger, a nova etapa amplia o alcance da política. “Estamos ampliando as condições para que mais agricultores regularizem sua situação, voltem a acessar crédito e sigam produzindo”, afirmou.
Após dois meses de forte valorização, cotações recuam em Brasil, EUA, China e Oriente Médio, pressionadas por demanda mais fraca, segundo a StoneX
A ureia acumula duas semanas consecutivas de queda no mercado brasileiro, com contratos fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada — recuo de cerca de 4% frente às referências registradas duas semanas antes. Segundo dados divulgados pela StoneX, o enfraquecimento da demanda passou a exercer influência maior do que as restrições de oferta sobre a dinâmica de preços do fertilizante.
Após dois meses de valorização intensa, o mercado global de ureia enfrenta uma inflexão. De acordo com o relatório semanal de fertilizantes da StoneX, as cotações atingiram patamares cada vez menos sustentáveis do ponto de vista da demanda, o que passou a exercer pressão baixista sobre os preços.
“Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior na dinâmica do mercado, pressionando as cotações para baixo após um período de alta intensa.” — Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX
O movimento não é restrito ao Brasil. Conforme levantamento da StoneX, recuos de preço também foram registrados nos Estados Unidos, na China, no Oriente Médio e no Egito, configurando um enfraquecimento global das cotações da ureia.
Gargalos logísticos ainda sustentam patamares elevados
Apesar da tendência de queda, a avaliação da StoneX é de que eventuais recuos adicionais devem ser limitados no curto prazo. Os gargalos logísticos no Oriente Médio — região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia — seguem restringindo a oferta internacional e funcionando como um piso para os preços.
Segundo Pernías, o cenário é ainda influenciado pelo período de menor consumo em países-chave, por relações de troca menos atrativas para o produtor e por uma postura mais cautelosa dos compradores, que têm evitado avançar em novas aquisições diante das incertezas do mercado.