quinta-feira, julho 2, 2026

Autor: Redação

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Visitação recorde em unidades de conservação injeta R$ 20 bilhões no PIB e gera mais de 332 mil empregos


O turismo em Unidades de Conservação (UCs) federais atingiu, em 2025, um novo patamar de impacto econômico no Brasil. É o que aponta o estudo “Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira”, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que destaca o papel estratégico dessas áreas protegidas para o desenvolvimento econômico do país e confirma a visitação em UCs como política pública de Estado (Lei nº 15.180, de 25 de julho de 2025 e Portaria nº 3.689, de 11 de setembro de 2025).  

O estudo mostra que as UCs geraram R$ 40,7 bilhões em vendas, R$ 20,3 bilhões de contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 9,8 bilhões em renda para as famílias.  O levantamento do ICMBio mostra ainda que 175 Unidades de Conservação federais somaram 28,5 milhões de visitas — recorde histórico desde que os dados começaram a ser monitorados, no ano 2000.   

Os parques nacionais concentram a maior parte do fluxo de visitantes e lideram o turismo nas UCs. Em 2025, essas unidades somaram 13,6 milhões de visitas — recorde histórico, acima dos 12,5 milhões registrados no ano anterior. O resultado reflete melhorias no monitoramento da visitação, nos investimentos em infraestrutura e serviços, na inclusão de novas áreas no sistema e na valorização dos ambientes naturais no período pós-pandemia.  

O ranking mantém no topo o Parque Nacional da Tijuca (RJ), com mais de 4,9 milhões de visitas, seguido pelo Parque Nacional do Iguaçu (PR), com 2,2 milhões, e pelo Parque Nacional de Jericoacoara (CE), com 1,3 milhão de visitantes.    

O crescimento da visitação tem efeitos diretos na economia, com geração de emprego e renda nas regiões do entorno, fortalecimento do turismo sustentável e aumento da arrecadação local.   

João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), destaca que o Governo do Brasil tem se dedicado a esse tema, por meio de políticas públicas e investimentos em infraestrutura, serviços e pessoal, além de incentivos à visitação, a exemplo do programa Natureza com as Pessoas, lançado pelo ICMBio no ano passado. 

“Esse estudo comprova que as Unidades de Conservação não são fundamentais apenas para a regulação dos ciclos hidrológicos e do clima, proteção da biodiversidade e do controle do desmatamento, mas contribuem expressivamente para o desenvolvimento da nossa economia em bases sustentáveis. O cuidado com essas áreas protegidas, portanto, é essencial”, coloca Capobianco. 

“Desde 2023, o presidente Lula criou e ampliou 20 Unidades de Conservação, que totalizam mais de 1,7 milhão de hectares – cerca de três vezes a área do Distrito Federal. Também ampliamos significativamente o orçamento e o quadro de servidores do ICMBio”, também frisou. 

O levantamento também evidencia a eficiência do investimento público no setor. Para cada R$ 1 investido no Instituto Chico Mendes, são gerados R$ 16 em valor agregado ao Produto Interno Bruto (PIB) e R$ 2,30 em arrecadação tributária. Além disso, o turismo nas UCs federais sustenta mais de 332,5 mil postos de trabalho em todo o país.  

Outro destaque é o impacto fiscal: a atividade gerou quase R$ 3 bilhões em arrecadação tributária, valor que supera o dobro do orçamento total do órgão gestor, considerando apenas os impostos sobre consumo e remuneração.  

“Os resultados mostram que as unidades de conservação, como parques nacionais, por exemplo, são estratégicas para o desenvolvimento do Brasil. Tivemos recorde de visitação e dados robustos de geração de emprego, renda e arrecadação, o que só reforça que investir em conservação da natureza e na vivência das pessoas nas áreas naturais gera benefícios econômicos, saúde e qualidade de vida”, explica o presidente do ICMBio, Mauro Pires.   

“Cada real aplicado retorna de forma concreta para o desenvolvimento de nosso país, fortalecendo o turismo sustentável, valorizando os territórios e ampliando a conexão das pessoas com a natureza”, esclarece.   O estudo “Contribuições do Turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira” utiliza o Tourism Economic Model for Protected Areas (TEMPA), uma adaptação do modelo americano MGM2 para a realidade de países em desenvolvimento. O modelo é reconhecido internacionalmente pela Unesco e pelo Banco Mundial como referência científica.   Entre as categorias de manejo, os parques nacionais são os principais motores econômicos, gerando R$ 21,6 bilhões em vendas e 219,6 mil empregos. Já as reservas extrativistas se destacam pelo turismo de base comunitária, apresentando a maior arrecadação tributária por visita, de R$ 116,60, causando impacto direto nas arrecadações municipais.     

  Parques nacionais mais visitados do Brasil combinam natureza, turismo e experiências diversificadas   O Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado, abriga um dos principais cartões-postais do país, o Cristo Redentor. Seja para o turista nacional ou o internacional, o parque se destaca por oferecer a experiência de selva incrustada em uma grande metrópole, uma característica raramente encontrada em outros parques no mundo. Além disso, é forte a presença do público local, que busca cachoeiras, trilhas e cartões postais como a Pedra da Gávea (maior monólito à beira-mar do mundo), a Pedra Bonita, a Vista Chinesa e o Pico da Tijuca. A unidade funciona como ponto de partida para trilhas de longo curso, como a Transcarioca, a primeira do Brasil e inspiração para a criação da Rede Brasileira de Trilhas, além da recém-inaugurada Volta ao Rio, com 3,5 mil quilômetros de extensão.   Já o Parque Nacional do Iguaçu é mundialmente conhecido por abrigar as Cataratas do Iguaçu, reconhecidas como uma das Sete Maravilhas Naturais do planeta. O destino mantém uma oferta turística em constante evolução, com atividades como cicloturismo, astroturismo e passeios de barco. Experiências diferenciadas, como a contemplação do pôr do sol e da lua cheia nas Cataratas, têm ampliado o interesse dos visitantes. Entre as novidades está o Circuito da Usina São João, que combina imersão na Mata Atlântica, banho de cachoeira no Rio Iguaçu e visita à histórica usina de 1939, além de espaço para contemplação e serviços.   No Nordeste, o Parque Nacional de Jericoacoara consolida-se como um dos destinos mais procurados do país, impulsionado por atrativos naturais como a Pedra Furada, a Árvore da Preguiça, o Serrote e os manguezais do Rio Guriú, onde é possível observar o cavalo-marinho (Hippocampus reidi). A região também é referência para esportes náuticos, como o kitesurf, e teve sua acessibilidade ampliada com a implantação do aeroporto regional.   “As unidades de conservação mais visitadas do país não são destinos isolados, mas verdadeiros polos de irradiação do turismo em suas regiões. Os parques nacionais exercem um papel estratégico ao impulsionar o desenvolvimento regional, ao mesmo tempo em que promovem a conservação da natureza, ampliam o acesso a diferentes públicos e valorizam as economias locais”, afirma a coordenadora-geral de Uso Público e Serviços Ambientais do ICMBio, Carla Guaitanele.  

Visitação em Unidades de Conservação   O monitoramento do ICMBio também contempla outras categorias de unidades de conservação abertas à visitação, como Áreas de Proteção Ambiental (APAs), Reservas Extrativistas (Resex), Reservas Biológicas (Rebio), Florestas Nacionais (Flona) e Monumentos Naturais (Mona).  

Nesse conjunto, a liderança do ranking permaneceu com a APA da Baleia Franca (SC), com 9.054 milhões de visitas. A edição mais recente passou a incluir, pela primeira vez após adesão à metodologia do Instituto, o Monumento Natural do Rio São Francisco (BA e SE), com 1.170 milhão de visitas, enquanto a lista se encerra com a Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo (RJ), com 605.151 mil visitas.   

Além da recreação e do turismo, diversas outras motivações levam a população a visitar as unidades de conservação. Entre elas, destacam-se as atividades de educação e interpretação ambiental, a realização de pesquisas científicas, a vivência em comunidades locais e/ou tradicionais, e a busca por mais qualidade de vida, saúde e bem-estar, por meio de atividades como caminhadas, trilhas de bicicleta, escaladas, observação de aves e de vida silvestre, entre outras.  

O crescimento da visitação também traz desafios para a gestão dessas áreas, como a necessidade de equilibrar o uso público com a conservação, ampliar investimentos em infraestrutura e ordenamento, fortalecer ações de educação ambiental e aprimorar o monitoramento de impactos ambientais.  

Para garantir uma experiência segura e responsável, o ICMBio orienta que os visitantes planejem suas viagens e sigam as normas de cada unidade. Maiores detalhes sobre as estatísticas de visitação podem ser acessados no painel de gestão da Coordenação de Estruturação e Qualificação da Visitação.  





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Pesquisa inédita avalia adaptação do lúpulo às condições da região serrana do Espírito Santo


Lúpulo
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) está desenvolvendo um projeto inédito de pesquisa com cultivo de lúpulo, uma das principais matérias-primas das cervejas, no Espírito Santo.

Implantado na Fazenda Experimental Mendes da Fonseca, do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins, o estudo busca avaliar o desempenho agronômico, fitoquímico e fitossanitário de variedades da planta cultivadas em condições de altitude na região serrana capixaba.

Coordenado pela pesquisadora do Incaper Alessandra de Lima Machado, o projeto teve início em outubro de 2025 e representa o primeiro experimento científico conduzido pela instituição com a cultura no estado.

Estão sendo avaliadas, inicialmente, as variedades Cascade, Comet e Chinook, conhecidas pelo uso frequente na produção de cervejas artesanais devido às características de aroma e amargor.

“O principal objetivo do projeto é identificar variedades de lúpulo mais adaptadas às condições de clima e solo do Espírito Santo, além de gerar informações técnicas sobre manejo, produtividade, fitossanidade e qualidade química”, explica.

O lúpulo é uma planta perene estratégica para a cadeia produtiva da cerveja. Suas flores femininas, chamadas cones, concentram glândulas de lupulina, estruturas ricas em compostos bioativos, como alfa e beta-ácidos e óleos essenciais, responsáveis pelo aroma, sabor, amargor e estabilidade da bebida.

Cenário nacional

Apesar de o Brasil ocupar posição de destaque na produção mundial de cerveja, praticamente todo o lúpulo utilizado pela indústria nacional ainda é importado. Esse cenário tem impulsionado pesquisas voltadas à adaptação da cultura às condições brasileiras, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical.

“O cultivo de lúpulo no Brasil ainda é relativamente recente e existem muitos desafios relacionados ao manejo da cultura em condições tropicais, principalmente em relação ao fotoperíodo e à suplementação luminosa. Por isso, é importante desenvolver pesquisas adaptadas à realidade de cada região”, destaca a pesquisadora.

Segundo Alessandra de Lima Machado, o crescimento do mercado de cervejas artesanais e o interesse de produtores rurais motivaram o desenvolvimento do estudo no Espírito Santo.

“O estado tem um setor cervejeiro bastante dinâmico e é o terceiro em número de cervejarias artesanais por habitante do país. Isso cria uma demanda importante por matérias-primas e abre oportunidades para diversificação da produção agrícola”, afirma.

Alternativa

Além do potencial de abastecimento da cadeia cervejeira, o lúpulo também se apresenta como alternativa promissora para a agricultura familiar e para iniciativas ligadas ao agroturismo.

“É uma cultura de alto valor agregado, que pode ser cultivada em pequenas áreas e que, em condições adequadas, pode apresentar mais de uma safra por ano. Isso permite otimizar o uso da propriedade e criar novas possibilidades de geração de renda no meio rural”, observa Alessandra.

O cultivo do lúpulo também chama atenção pela estrutura característica da lavoura. Por ser uma planta trepadeira, a cultura necessita de sistemas de condução com treliças ou caramanchões que podem atingir entre cinco e sete metros de altura, formando corredores verdes semelhantes a vinhedos verticais, um aspecto que também favorece experiências ligadas ao turismo rural.

Experimento

No experimento conduzido pelo Incaper, é utilizado o sistema de condução em “V”, que favorece a entrada de luz solar e a circulação de ar entre as plantas, contribuindo para maior produtividade e redução da incidência de doenças. A estrutura também organiza o crescimento da cultura e facilita o manejo e a colheita dos cones.

As pesquisas avaliam tanto o desenvolvimento das plantas em campo quanto a qualidade química dos cones produzidos. Entre os aspectos estudados estão produtividade, manejo nutricional, fitossanidade, poda, adaptação das variedades e composição química relacionada à produção cervejeira.

As análises laboratoriais são realizadas em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus Venda Nova do Imigrante. O projeto também conta com apoio da Biohope, da Brazuca Lúpulos e de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

“A ideia é gerar conhecimento técnico que possa reduzir riscos para os produtores interessados na cultura e contribuir para a construção de uma cadeia produtiva do lúpulo no Espírito Santo”, destaca a pesquisadora.

Expectativa

A expectativa é que os resultados obtidos futuramente contribuam para fortalecer a produção rural, estimular o turismo de experiência ligado às cervejarias artesanais e impulsionar o desenvolvimento de produtos com identidade regional.

“Existe um potencial muito interessante para integrar produção agrícola, cerveja artesanal e agroturismo. No futuro, isso pode até contribuir para o desenvolvimento de cervejas associadas ao terroir capixaba”, pontua Alessandra de Lima Machado.

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São Paulo exige atualização de rebanhos para movimentação animal


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo iniciou o recebimento da atualização de rebanhos por meio do sistema de Gestão de Defesa Vegetal e Animal (Gedave).

A medida passa a ser exigida para a movimentação de animais a partir da próxima segunda-feira (11). A ação é conduzida pela Defesa Agropecuária e integra a campanha de atualização de rebanhos no estado.

Segundo a secretaria, mais de mil declarações foram registradas antes do início oficial da campanha. A atualização cadastral será condição para o trânsito de animais, com impacto direto sobre bovinos e bubalinos.

Além de bovinos e búfalos, a exigência inclui rebanhos de equinos, asininos, muares, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes e outros animais aquáticos. Também devem ser declaradas colmeias de abelhas e criações de bicho-da-seda.

Como fazer a atualização

A atualização pode ser feita pelo sistema Gedave ou presencialmente nas unidades da Defesa Agropecuária. Em 2026, produtores de bovinos e bubalinos também passam a contribuir com o Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária (Fundesa-PEC).

O valor previsto é de R$ 1,06 por animal. Além da atualização, será necessário quitar o Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (DARE) para manter a regularidade.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Explosão de moscas-das-frutas ameaça pomares no Distrito Federal


mosca-das-frutas
Foto: Embrapa

O Distrito Federal vive um paradoxo fitossanitário que pode frear uma das mais promissoras e atuais fronteiras da fruticultura brasileira. Se, por um lado, a vigilância rigorosa confirma que o DF é uma “área livre” de temidas pragas quarentenárias, como a mosca-da-carambola, por outro, os pomares locais enfrentam uma explosão populacional de espécies nativas e a chegada de uma nova invasora agressiva, a Drosophila suzukii.

O cenário é crítico para culturas sensíveis e de alto valor agregado, como o mirtilo, que corre o risco de se tornar economicamente inviável na região antes mesmo de consolidar sua recente expansão no Cerrado brasileiro.

O alerta é resultado de um projeto de pesquisa e de monitoramento iniciado em 2023 pelos pesquisadores Elisângela Fidelis e Marcelo Lopes, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria estratégica com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri).

Os dados levantados por Fidelis e Lopes revelam que a infestação atual é seis vezes superior ao limite tolerável para o mercado comercial, criando uma barreira invisível para a exportação e prejuízos para o produtor.

Medição do perigo

A ciência utiliza uma métrica rigorosa para medir o perigo nos pomares: o índice Mosca/Armadilha/Dia (MAD). Trata-se de um indicativo técnico que determina o momento exato em que o produtor precisa intervir. Para que uma produção seja considerada segura, lucrativa e de alta qualidade, o índice deve permanecer abaixo de 0,5 moscas capturadas por dia em cada armadilha.

Entretanto, o levantamento da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em cultivos de goiaba do Distrito Federal encontrou números alarmantes chegando a 2,5 e 3,0 moscas capturadas por dia em cada armadilha. “A diversidade de espécies não aumentou drasticamente desde a década de 1990, mas a quantidade de indivíduos cresceu muito”, afirma Marcelo Lopes.

Esse excedente populacional gera um ciclo vicioso de destruição. As fêmeas depositam os ovos dentro dos frutos, as larvas crescem consumindo a polpa e provocam a queda prematura da produção.

“Se o produtor deixa a fruta no chão, ele está mantendo um berçário para a praga. O fruto cai, a larva sai dele, entra no solo para virar pupa e depois emerge como uma nova mosca pronta para atacar o restante da plantação”, detalha Lopes.

Barreiras internacionais e a “área livre”

Além do prejuízo direto na colheita, a superpopulação de moscas é o principal entrave à produção local chegar a mercados fora do DF, inclusive para produtores de maior porte que pretendem chegar a compradores de fora do Brasil.

Isso porque países da União Europeia, Estados Unidos, China e Japão impõem restrições severas à importação de frutas oriundas de áreas com alta infestação. O temor desses países é que os frutos levem larvas “escondidas” que, ao chegarem ao destino, possam infestar seus próprios territórios.

Apesar desse desafio interno, a pesquisadora Elisângela Fidelis aponta um dado que é um positivo e estratégico para o país: o Distrito Federal permanece livre de pragas quarentenárias, como a mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) e a mosca-oriental (Bactrocera dorsalis).

Atualmente, a mosca-da-carambola está restrita a estados do Norte, como Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, sob um rígido programa de erradicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“O trânsito de pessoas e mercadorias em áreas urbanas é o maior risco para a introdução dessas pragas no Distrito Federal”, alerta Elisângela. Ela explica que o transporte informal de frutas em bagagens de viajantes é a principal via de dispersão. Uma única fruta infestada trazida de uma viagem pode destruir o status sanitário de toda uma região produtora em poucos dias.

Potencial da praga

A grande novidade negativa para a fruticultura do Cerrado é a detecção da Drosophila suzukii. Diferente das moscas-das-frutas comuns, que geralmente atacam frutos já feridos, podres ou caídos, esta espécie possui uma característica devastadora: ela consegue perfurar a casca de frutas intactas e de pele fina enquanto elas ainda estão no pé.

“Diferente das outras moscas que conhecemos, a suzukii consegue perfurar a casca de frutos perfeitamente sadios”, explica o pesquisador Marcelo Lopes. Segundo ele, a entrada dessa espécie exige uma mudança drástica de postura.

Os pesquisadores contam que o mirtilo e o morango são apostas de diversificação para o pequeno e médio produtor do Distrito Federal e entorno. Eles enfatizam que, sem um controle rigoroso, o valor comercial dessas frutas pode ser reduzido a zero, já que a presença de uma única larva inviabiliza a venda para grandes redes e mercados externos.

Monitoramento

Para manter o monitoramento em dia e garantir a detecção precoce de qualquer invasora, os pesquisadores instalaram armadilhas em pontos estratégicos de circulação, como as Centrais de Abastecimento (Ceasa), feiras permanentes e propriedades rurais.

Estas armadilhas contêm substâncias que atraem os machos das espécies para uma base colante, permitindo que os cientistas identifiquem rapidamente o que está circulando no ambiente.

Vigilância constante

Elisangela Fidelis e Marcelo Lopes são enfáticos: a consolidação dos dados levantados no projeto de monitoramento das moscas-das-frutas é como um alerta às autoridades, produtores e à própria sociedade. Segundo os pesquisadores, é possível reduzir os índices de infestação para que o polo de fruticultura do Distrito Federal não seja apenas produtivo, mas também competitivo em nível global.

Com a aplicação correta das técnicas de manejo e a vigilância constante, o Distrito Federal tem o potencial de superar a crise das moscas-das-frutas e se tornar uma referência na produção de frutas finas para o Brasil e para o mundo.

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Quais produtos do PGPAF recebem bônus em maio


Agricultores familiares de diferentes regiões do país já podem consultar os produtos contemplados com bônus nas parcelas de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) durante o mês de maio. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (8) e terá validade entre 10 de maio e 9 de junho.

O benefício é concedido por meio do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar, com base em cálculos realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento. O desconto é aplicado quando os preços de mercado ficam abaixo dos valores de garantia definidos para os produtos da agricultura familiar.

Os maiores bônus deste período serão destinados aos produtores de alho no Rio Grande do Sul, com desconto de 64,86%, de feijão-caupi no Amapá, com 56,85%, e de raiz de mandioca no Espírito Santo, com 54,94%. A laranja comercializada no Pará terá bônus de 52,07%, enquanto a manga na Bahia contará com abatimento de 49,57%. O feijão-caupi em Tocantins também aparece entre os maiores descontos, com 47,38%.

Além desses estados, produtores de diferentes culturas em diversas regiões do país terão acesso ao benefício. O bônus será concedido para produtos como alho, arroz, banana, batata, borracha natural, cacau, cana-de-açúcar, castanha de caju, feijão-caupi, feijão, erva-mate, juta, laranja, leite, maracujá, mel de abelha, milho, mandioca, sisal, sorgo, trigo e uva.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, a portaria com os valores é divulgada mensalmente para permitir que os produtores utilizem o desconto no pagamento ou amortização das parcelas contratadas no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

Os cálculos levam em consideração os custos de produção elaborados pela Companhia Nacional de Abastecimento, que servem de referência para definição dos preços de garantia. O objetivo do programa é apoiar agricultores familiares no financiamento da implantação, ampliação e modernização das estruturas produtivas e agroindustriais no meio rural.

O mecanismo busca reduzir os impactos da queda nos preços de mercado sobre a renda dos produtores, garantindo maior segurança financeira aos agricultores familiares em períodos de desvalorização dos produtos agrícolas. Confira a íntegra da lista com todos os produtos contemplados neste mês e os percentuais de bônus.





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Universidade de Pernambuco realiza primeira cirurgia em peixe divulgada no estado


cirurgia em peixe
Foto: divulgação/Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE)

Uma equipe do Hospital Veterinário Escola da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) realizou a primeira cirurgia em peixes divulgada no estado de Pernambuco.

No dia 14 de abril de 2026, chegou ao Hospital Veterinário um peixe betta (Betta splendens) com dois tumores cutâneos em uma de suas nadadeiras. Este tipo de procedimento é fruto do trabalho de pesquisa do médico veterinário e doutorando em Biociência Animal Samuel Lucas Pedrosa Diniz.

O tumor foi enviado para a análise histopatológica e o peixe betta vem se recuperando com sinais clínicos positivos após a cirurgia.

cirurgia em peixe
Foto: divulgação/Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE)

De acordo com Samuel Diniz, a incidência de tumores em peixes ornamentais vem crescendo cada vez mais. Alguns fatores podem ser atribuídos, como: alta incidência de raios UV, poluição na água, endogamia e agentes infecciosos.

“Esse tumor específico em que fizemos a cirurgia é comum somente na região Nordeste. Já viajei para o sul do Brasil e não peguei muitos casos, comparados aos daqui. A maior parte das mortes de peixes domésticos acontece devido à falta de preparo do tutor”, destaca.

cirurgia em peixe
Foto: divulgação/Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE)

Segundo Diniz, são necessários estudos mais apurados para criar o ambiente ideal em que o peixe sobreviva.

Médicos veterinários responsáveis

cirurgia em peixe
Foto: divulgação/Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE)

Para a intervenção, Samuel Diniz contou com a colaboração dos médicos veterinários e professores Filipe Sobral Fonseca e Grazielle Anahy de Sousa Aleixo na equipe de cirurgia, bem como do médico veterinário anestesista Rômulo Nunes Rocha e dos alunos de graduação Arthur Vinicius Lemos Vasconcelos, Raquel Jaeger Tenório e Israely Bezerra Nunes de Lima.

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Cocaína e analgésicos: pesquisa identifica contaminação no sangue de tubarões


tubarões
Foto: Pixabay

Grande vilão na cultura pop, o tubarão é um dos animais mais ameaçados pela ação humana. E a contaminação dos oceanos afeta da fisiologia à reprodução de diversas espécies, além de impactar ecossistemas inteiros, já que o animal ocupa o nível mais alto da cadeia alimentar.

Um artigo recém-publicado no periódico Environmental Pollution documentou, pela primeira vez, a presença de contaminantes de preocupação emergente no soro sanguíneo de tubarões das Bahamas.

A professora Natasha Wosnick, colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que integra o Instituto de Cabo Eleuthera, centro de estudos ambientais localizado na ilha de Eleuthera, nas Bahamas, coordenou a pesquisa.

Cientistas identificaram resíduos de cocaína, cafeína e analgésicos, como paracetamol e diclofenaco, no organismo de três espécies que habitam regiões costeiras: o tubarão-caribenho-de-recife (Carcharhinus perezi), o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e o tubarão-limão (Negaprion brevirostris).

Identificação

Wosnick e sua equipe coletaram e analisaram o soro sanguíneo de 85 tubarões de cinco espécies de habitats. As drogas foram identificadas por meio da técnica chamada de cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em série (LC–MS/MS).

Primeiro, ela separa as substâncias da amostra e depois identifica cada uma pelo peso e padrão, possibilitando o reconhecimento de compostos mesmo em quantidades pequenas.

A análise das substâncias coletadas nas Bahamas aconteceu no Brasil, em colaboração com a professora Rachel Ann Hauser-Davis, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Diante do risco para espécies ameaçadas, o estudo adotou métodos não letais e minimamente invasivos, como análises estatísticas para relacionar níveis de contaminantes a marcadores fisiológicos, em vez de experimentos tradicionais de exposição.

Estudo vai além da detecção de contaminantes

A pesquisa foi a primeira a relatar presença de cafeína e paracetamol em qualquer espécie de tubarão no mundo, além de ser o primeiro registro de diclofenaco e cocaína em tubarões nas Bahamas. O estudo não se limitou a demonstrar a presença desses contaminantes nos animais, mas buscou avaliar também o que a exposição tem causado na saúde deles.

“Grande parte dos estudos ainda está focada em identificar substâncias no ambiente e nos tecidos dos organismos. Embora esse seja um passo fundamental, ele não responde à pergunta mais importante do ponto de vista ecológico e de conservação: quais são os efeitos biológicos dessa exposição?”, argumenta Wosnick.

A pesquisadora explica que, embora os tubarões sejam organismos evolutivamente antigos, compartilham vias fisiológicas com outros vertebrados. Assim, substâncias desenvolvidas para o corpo humano também podem interferir em processos essenciais nesses animais.

“Em pessoas e modelos laboratoriais, já sabemos que esses compostos podem afetar o sistema endócrino, o fígado e o sistema nervoso, o que levanta preocupações sobre efeitos semelhantes em tubarões”, diz.

O estudo analisou estresse, função metabólica e saúde geral dos bichos. De acordo com o artigo, os contaminados apresentaram variações nos níveis de triglicerídeos, ureia e lactato em comparação aos não contaminados.

E será que contaminantes como a cafeína e a cocaína renderam algum efeito estimulante, como mostram filmes e documentários por aí? A pesquisadora afirma que não há evidências científicas robustas que sustentem essa associação.

“Ela só tende a reforçar um medo historicamente exagerado em relação aos tubarões, que contribui para a sua perseguição”, destaca.

Contaminantes no ambiente marinho

Analisar a presença de contaminantes no ambiente marinho é importante por várias razões. A começar pelo fato de que eles ainda não possuem regulamentação específica para monitoramento, limites seguros ou estratégias de controle e mitigação, diz Wosnick.

E, de acordo com a professora, a lista de substâncias encontradas em animais marinhos não para de crescer. Inclui fármacos, produtos de higiene pessoal, protetores solares e cocaína, detectada na costa do Rio de Janeiro por um grupo com o qual a pesquisadora colabora.

Em regiões costeiras dos Estados Unidos, pesquisas também já acharam tubarões com hormônios derivados de anticoncepcionais e antidepressivos.

“Eles chegam ao ambiente marinho por diferentes vias, como o tratamento inadequado de esgoto, descarte incorreto e até excreção humana, já que muitos químicos são eliminados pela urina”.

Problema pode terminar no prato

Além dos danos diretos à saúde dos animais e aos ecossistemas em que estão inseridos, esses contaminantes podem se concentrar ao longo da cadeia alimentar, levando ao acúmulo de substâncias em tubarões, predadores de topo, que, em algumas regiões, são consumidos por humanos. Ou seja, além de um problema ambiental, também se trata de um problema de saúde pública.

É nesse sentido que a pesquisadora reforça a importância de abordar o tema dentro do conceito de uma só saúde, para o qual é impossível dissociar a saúde humana da ambiental e da fauna.

No Brasil, por exemplo, muitas comunidades dependem dos recursos costeiros para subsistência e segurança alimentar. Nesse sentido, há impactos ecológicos, mas também de implicações sociais e de saúde pública.

“Mais do que um espelho, o cenário observado no Caribe pode ser um indicativo de um problema que, no Brasil, tende a ser ainda mais complexo e urgente, reforçando a necessidade de investimentos em saneamento, monitoramento ambiental e políticas públicas voltadas à redução da poluição química”, conclui.

*Sob orientação de Victor Faverin

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‘Sempre vi nessa cultura uma boa fonte de renda’, diz produtor de região que lidera cultivo de goiaba


goiaba
Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

A produção de goiaba está em ascensão em São Paulo, transformando o estado em um polo nacional de cultivo para esta fruta que ganha cada vez mais destaque no Brasil. A região de Jaboticabal, no interior paulista, é um centro de produção chave que tem atraído crescente atenção.

O setor de goiaba em São Paulo demonstra um forte desempenho, conforme o levantamento de safra de 2025 do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).

A goiaba destinada à indústria lidera em volume e estrutura, com 953.494 pés em produção e um total de 215.223 pés novos, projetando uma colheita robusta de 83 mil toneladas. Já o cultivo de goiaba para mesa registrou 579.539 pés em fase produtiva e 28.991 pés novos, com uma estimativa de produção de 45,5 mil toneladas no estado.

Nestes números, a região de Jaboticabal se destaca como a maior produtora da fruta do estado, se consolidando como o principal pólo produtor tanto da goiaba de mesa, como voltada para a indústria. 

Na goiaba de mesa, o polo registrou mais de 24 mil toneladas produzidas em 2025. Já na fruta para indústria, produção voltada para fabricação de doces, sucos e polpas, foram registradas mais de 75 mil toneladas.

Posição de liderança

Este volume coloca Jaboticabal em uma posição de grande liderança, registrando até 15 vezes mais do que a segunda regional mais forte na goiaba para indústria, que é Araraquara.

Técnico da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) em Jaboticabal, Francisco Maruca explicou alguns motivos que fazem a região ser uma potência na produção da fruta, e as condições que ajudam o cultivo no local.

“Jaboticabal e região consolidam-se como referência na produção de goiaba, unindo condições naturais privilegiadas a um parque industrial moderno e idôneo. O resultado é um modelo produtivo resiliente, que garante qualidade desde o cultivo sustentável até o processamento de excelência”, disse Maruca.

Relevância vista na lavoura

Segundo dados do último levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa) a regional de Jaboticabal conta com 549 propriedades dedicadas à cultura da goiaba.

Produtor de goiaba há mais de 30 anos, José Donizete de Grande viu na cultura uma boa oportunidade de aumentar sua renda com as plantações, destacando a excelência do fruto e as técnicas para garantir uma produção de alta qualidade.

“Sempre vi nessa cultura uma boa fonte de renda, pois frutos de qualidade sempre encontram um mercado que deixa margem. Mas, para isso acontecer, é preciso qualificação de mão de obra e conhecimento profundo”, disse José.

Ao priorizar a qualidade do fruto e a eficiência técnica, o setor e a região seguem contribuindo para manter a goiaba paulista como um pilar estratégico do agronegócio.

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AgroNewsPolítica & Agro

safra pode chegar a 8 mil toneladas no Brasil


A 8ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã foi realizada nesta sexta-feira (8) em Nova Pádua, reunindo produtores, pesquisadores e representantes do setor para discutir os desafios e perspectivas da pecanicultura no estado. A programação ocorreu no Salão Comunitário da Capela Sagrado Coração de Jesus, na comunidade de Travessão Bonito, e na propriedade do produtor Arlindo Marostica.

Durante o evento, foi lançado o livro “Nogueira-pecã”, produzido pela Embrapa, com participação de 82 autores. A obra está disponível gratuitamente na internet e terá versão impressa apresentada durante o Encontro Nacional de Pecanicultura, marcado para os dias 12 e 13 de novembro, em Bento Gonçalves.

O tema da irrigação em pomares de nogueira-pecã esteve entre os principais assuntos debatidos. O professor Ezequiel Saretta, da Universidade Federal de Santa Maria, destacou a importância da irrigação para a estabilidade produtiva da cultura. Segundo ele, o investimento em sistemas de irrigação impacta diretamente na produtividade dos pomares.

O produtor Arlindo Marostica apresentou os resultados obtidos em sua propriedade após a adoção da irrigação. Já o diretor técnico do Instituto Brasileiro de Pecanicultura, Jaceguay Bastos, ressaltou a importância do suporte técnico e científico para o desenvolvimento da atividade. Ele citou a atuação da Embrapa como referência no apoio aos produtores.

Durante a apresentação, Jaceguay Bastos também abordou os princípios da irrigação e a necessidade de projetos adaptados às características de cada propriedade. O especialista ainda tratou do ponto ideal de colheita da noz-pecã nos ciclos precoce, médio e tardio, além de aspectos ligados à qualidade da fruta.

O ex-presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura, Eduardo Basso, apresentou dados sobre custos, produtividade e preços da noz-pecã, destacando a relação entre aumento de produtividade e rentabilidade da atividade.

O presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura, Claiton Wallauer, afirmou que o crescimento do interesse pelo setor demonstra o fortalecimento da cultura no estado. “Ver muitas pessoas querendo conhecer mais o nosso IBPecan mostra o amadurecimento da cultura cada vez mais dentro do nosso estado”, ressaltou.

Wallauer também reforçou o papel do instituto no desenvolvimento da pecanicultura. “E faço um apelo a quem ainda não é sócio: que se associe, faça parte do IBPecan, que só é grande com vocês juntos fazendo parte, trazendo as suas demandas, os seus anseios, a sua cultura e um pouquinho do que vocês desejam junto com a produção da noz-pecã”, concluiu.

O secretário da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, destacou a relevância do Rio Grande do Sul na produção nacional da cultura. “É uma cultura que vem crescendo em produção e que não tenho dúvida de que vamos nos consolidar como um grande produtor no cenário mundial. E para isso é importante nos posicionarmos de forma efetiva perante o mercado. Precisamos colocar a pauta da noz-pecã nos acordos internacionais, porque o Estado tem potencial, e a Secretaria da Agricultura é parceira para essas discussões”, destacou o secretário.

Madalena também enfatizou a importância da irrigação e do programa Programa Irriga+RS no apoio aos produtores rurais. “A pecanicultura no Rio Grande do Sul está crescendo de forma organizada, com tecnologia e qualidade”, afirmou.

Após os debates e pronunciamentos, os participantes acompanharam o ato simbólico de abertura da colheita na propriedade de Arlindo Marostica. A expectativa do Instituto Brasileiro de Pecanicultura é colher até 8 mil toneladas de noz-pecã nesta safra.

A abertura oficial foi promovida pelo Instituto Brasileiro de Pecanicultura, pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e pelo programa Pró-Pecã, com apoio da Emater/RS-Ascar e da Embrapa.





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Certificação Hereford e Braford cresce 80% e aquece mercado


Certificação Hereford e Braford cresce e aquece mercado
Foto: Divulgação ABHB/Natacha Lüttjohann

A certificação de produtos de cruzamento das raças Hereford e Braford avançou cerca de 80% no Brasil até abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), o movimento acompanha a maior procura por animais com genética comprovada.

De acordo com a entidade, a demanda vem principalmente de confinamentos da região Centro do país. São Paulo também aparece entre os destaques na compra de fêmeas destinadas à exportação, especialmente para a Turquia.

A certificação é utilizada para comprovar a composição genética dos animais. Para receber o documento, o produto de cruzamento precisa ter ao menos 50% de genética Hereford ou Braford, condição confirmada por registros dos touros ou pela nota fiscal do sêmen utilizado na inseminação.

O processo inclui visita técnica à propriedade, seleção dos animais enquadrados nos critérios e identificação com brinco padrão. Depois dessa etapa, as informações são encaminhadas à ABHB, responsável pela emissão do certificado.

Valorização dos animais

Segundo a associação, o documento reconhece oficialmente a origem genética dos animais e traz mais segurança às negociações. A certificação também pode contribuir para a valorização dos lotes em remates e vendas diretas, já que comprova procedência e enquadramento racial.

Outro ponto destacado pela ABHB é o impacto econômico para os criadores. Assim como ocorre com animais registrados, os produtos de cruzamento certificados pela entidade contam com isenção de ICMS na comercialização.

A superintendente de registro genealógico da ABHB, Natacha Lüttjohann, afirma que a procura pelos certificados tem crescido de forma constante.

“A procura pelos produtos de cruzamento tem aquecido de forma consistente o mercado, refletindo o bom momento da pecuária e a valorização de animais com origem e genética comprovadas”, diz.

Conforme a superintendente, a entidade também tem trabalhado para agilizar o atendimento aos criadores.

“A ABHB está preparada para acompanhar esse crescimento, atuando com agilidade no processo de emissão dos certificados e oferecendo suporte direto aos criadores, para que possam aproveitar esse cenário com segurança e valorização dos seus produtos”, completa.

A certificação pode ser solicitada diretamente à ABHB, mediante apresentação da documentação que comprove a origem genética dos animais. O atendimento técnico é realizado conforme a demanda das propriedades interessadas no reconhecimento oficial dos produtos de cruzamento.

*Com informações da assessoria de imprensa

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