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Foto: Divulgação
O preço do leite pago ao produtor paranaense registrou alta em maio, segundo o Boletim Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Na média do mês, os produtores receberam R$ 2,64 por litro entregue à indústria, valor 11,4% superior aos R$ 2,37 registrados em abril.
De acordo com o levantamento do Departamento de Economia Rural, a valorização também reduziu a diferença em relação ao mesmo período de 2025, quando o litro foi comercializado, em média, por R$ 2,86. O movimento representa um alívio para os pecuaristas, que enfrentaram um ano de margens reduzidas. Apesar da recuperação, o boletim alerta que a alta pode estar relacionada a fatores climáticos e não necessariamente indicar uma manutenção dos preços em níveis mais favoráveis no longo prazo.
O avanço das cotações no campo também começou a ser refletido no varejo. Segundo o levantamento da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o leite longa vida é comercializado no Paraná por um preço médio de R$ 5,35 por litro, repassando parte do aumento registrado na remuneração dos produtores.
A análise do Departamento de Economia Rural aponta ainda que o mercado pode continuar registrando reajustes nos próximos meses. A expectativa é de que os preços permaneçam em trajetória de alta até que a captação de leite volte a apresentar maior estabilidade.
Um novo estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, analisa os sistemas de seguro rurais em sete países: Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.
Os resultados mostram que embora todos reconheçam a importância da ferramenta para mitigar as perdas climáticas e estabilizar as rendas agrícolas, existem diferenças substanciais nos modelos operacionais de cada nação analisada.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o programa federal combina operação privada, forte subsídio ao prêmio, custeio administrativo e suporte público ao resseguro. O resultado é uma cobertura próxima de 90% da área das principais culturas.
Já na Espanha, o sistema se apoia em parceria público-privada. Para o OCSR, essa governança compartilhada demonstra que a previsibilidade institucional e a coordenação entre Estado, seguradoras e produtores são tão importantes quanto o volume do subsídio financeiro.
A Índia, por sua vez, foca na inclusão com intensa intervenção estatal, assumindo a maior parte do prêmio. O programa atinge fortemente pequenos agricultores, embora enfrente alta complexidade operacional. Em contrapartida, o Observatório aponta que modelos com menor apoio mostram fortes fragilidades sistêmicas.
No México, a retirada dos subsídios reduziu a área segurada de mais de 50% para cerca de 16%, colapsando o sistema.
A Argentina conta com um mercado privado focado em granizo, o que resulta em baixa penetração de seguros multirrisco e severa dependência de ações emergenciais pelo governo pós-desastre.
Veja o resumo de todos os países analisados na tabela abaixo:
De acordo com os autores do estudo e pesquisadores do OCSR do FGV Agro, Renato Buranello e Anna Cortelin, o seguro rural tende a se fortalecer quando integrado como política pública estruturada.
“O seguro rural é um instrumento estratégico viável e valioso, desde que apoiado e bem desenhado. Os países que hoje colhem os benefícios da ampla cobertura securitária no campo, investiram nisso ao longo de décadas, aprendendo com os seus erros e aprimorando seus modelos”, declaram.
Segundo eles, para o Brasil fica a recomendação de que é preciso desenvolver um marco institucional claro; garantir apoio orçamentário compatível, envolver seguradoras privadas e agricultores na solução; começar cobrindo os riscos catastróficos-chave e públicos prioritários (pequenos agricultores) e expandir gradualmente.
“O seguro rural não evita desastres, mas mitiga seus impactos, permitindo que a agricultura seja mais resiliente e sustentável diante dos atuais desafios climáticos e do mercado”, concluem.
Lição ao Brasil
O estudo considera que a principal lição global é que o Brasil não deve opor Estado e mercado, mas coordenar suas funções.
“O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é o instrumento adequado para induzir a transferência de risco às seguradoras e resseguradoras, enquanto o Proagro cumpre uma função pública vital vinculada ao crédito, especialmente para pequenos produtores. O desafio é alinhar esses instrumentos para evitar sobreposições e alta pressão fiscal”, dizem os autores.
O estudo considera que, para funcionar, o PSR precisa urgentemente de previsibilidade orçamentária, já que sem um calendário financeiro estável de liberação de recursos, a instabilidade encarece a operação e impede a consolidação do mercado.
“O Proagro, por sua vez, deve ser uma camada pública bem focalizada, sustentada por bases técnicas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).”
Além disso, o estudo considera ser indispensável a estruturação de uma camada catastrófica, a exemplo do uso do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. “Sem isso, o sistema continuará oscilando entre falta de subvenção em anos normais e um forte impacto aos cofres públicos durante grandes desastres climáticos.”
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota neste sábado (6) em que repudia a decisão da União Europeia (UE) de criar barreiras à importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal vindos do Brasil. A entidade também defendeu uma resposta diplomática mais firme do Mercado Comum do Sul (Mercosul). O conteúdo disponível, no entanto, não detalha quais produtos foram atingidos, nem os critérios técnicos e os prazos de eventual aplicação das restrições.
Na manifestação, a Faesp afirma que a medida europeia foi adotada após 25 anos de negociações entre UE e Mercosul e sustenta que as novas exigências representariam mudança nas condições previamente discutidas entre os blocos. A nota também contesta o fundamento sanitário atribuído às restrições, com foco no uso de antibióticos, e alega tratamento desigual em relação a concorrentes como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.
Segundo a entidade, a decisão atinge diretamente produtos de origem animal com peso relevante na pauta exportadora brasileira e pode ampliar a incerteza para frigoríficos, pecuaristas, processadores e exportadores que operam com o mercado europeu. Como o texto divulgado não apresenta volume potencialmente afetado, valor de exportações, norma oficial da UE ou cronograma de vigência, ainda não é possível dimensionar com precisão o alcance econômico da medida.
A Faesp também cobrou posição coordenada do Mercosul. Na avaliação da federação, Brasil, Argentina e Uruguai deveriam adotar um posicionamento regional conjunto diante do bloco europeu. A entidade ainda defendeu atuação mais firme da diplomacia comercial brasileira.
Em temas de comércio exterior, a definição de barreiras sanitárias ou regulatórias costuma ter efeito direto sobre habilitações de plantas, custos de conformidade, fluxo de embarques e competitividade entre fornecedores. Por isso, a avaliação técnica do setor dependerá da publicação formal das regras, dos produtos abrangidos e do eventual período de adaptação exigido pelos importadores.
Até o momento, a reação divulgada é da Faesp, e o conteúdo disponível não informa manifestação oficial conjunta do Mercosul nem detalhamento regulatório da União Europeia. Sem esses elementos, o impacto prático sobre as exportações brasileiras de proteína animal e mel ainda depende de confirmação técnica e documental.
Para a entidade, os europeus agem com “profundo desrespeito”, tendo em vista os 25 anos de negociações entre o bloco e o Mercosul após todos os tramites terem sido alinhados entre as partes.
O texto, assinado pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirma que a UE decidiu mudar as regras do jogo de forma casuística. “Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, acusa.
Segundo ele, a Federação computa a medida como absolutamente desnecessária, desleal e flagrantemente discriminatória.
Além disso, Meirelles considera que o pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários que o Brasil.
“Convenientemente, [eles] não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade”, destaca a nota assinada.
Sanidade brasileira incontestável
O presidente da Faesp ressalta que quando o assunto é sanidade, o cenário é incontestável: “a sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de ‘vaca louca’”.
Meirelles enfatiza que a excelência, o status sanitário e o rigor científico da produção agropecuária brasileira são indiscutíveis e reconhecidos mundialmente.
“Diante desta grave agressão comercial e reputacional, cobramos do governo federal brasileiro pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas. O setor produtivo precisa urgentemente de segurança jurídica e respeito às regras e políticas claras de defesa comercial”, destaca Meirelles.
“Vizinhos devem se unir ao Brasil”
A nota da Faesp ainda ressalta que as grandes negociações globais hoje ocorrem estritamente entre blocos econômicos e, sendo assim, torna-se vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem ao Brasil para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul.
“Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, diz.
Por fim, a Faesp argumenta que o produtor rural brasileiro faz a sua parte com excelência e responsabilidade de dentro da porteira. “Cabe agora à nossa diplomacia e aos nossos aliados regionais impor o respeito e a soberania que a nossa agropecuária conquistou no cenário internacional, consolidando-se como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial”, finaliza.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estimou, neste sábado (6), que a produção global de combustível sustentável de aviação (SAF) deve alcançar 2,4 milhões de toneladas em 2026. Segundo a entidade, o volume representará 0,8% do consumo total de combustível da aviação comercial. A previsão também indica custo de US$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas, em um cenário de oferta ainda limitada e preços acima do querosene de aviação (QAV).
Na avaliação da Iata, o SAF segue como a principal rota tecnológica para a descarbonização do transporte aéreo, mas a expansão da oferta continua abaixo do necessário. O diretor-geral da entidade, Willie Walsh, afirmou que 2026 tende a ser “mais um ano decepcionante para a produção de SAF” e associou o quadro a políticas públicas mal sequenciadas e à baixa participação das empresas petrolíferas.
A entidade também relacionou o cenário energético internacional, em meio à guerra no Oriente Médio, à necessidade de acelerar fontes renováveis. Segundo Walsh, ainda não houve a criação de incentivos suficientes para formar um mercado viável de SAF em escala global.
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Para o Brasil, a leitura da associação é de potencial estrutural de crescimento. A Iata estima que o país possa produzir cerca de 60 milhões de toneladas de SAF até 2050. A avaliação considera instrumentos já existentes ou em desenvolvimento, como a Política Nacional de Transição Energética, o Programa de Aceleração da Transição Energética, o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.
Do ponto de vista do agro e da bioenergia, a expansão desse mercado pode abrir espaço para maior demanda por matérias-primas renováveis e para novos investimentos industriais ligados à cadeia de biocombustíveis. Esse avanço, porém, depende de escala produtiva, previsibilidade regulatória e competitividade de custos. A Iata não detalhou, no material divulgado, quais rotas tecnológicas ou insumos responderiam pela maior parte desse potencial brasileiro.
A projeção da Iata indica que o SAF seguirá com participação limitada na matriz da aviação em 2026, apesar do avanço esperado na produção. Para o Brasil, o potencial apontado pela entidade depende da consolidação do marco regulatório, da ampliação da oferta e da definição de condições econômicas que sustentem produção e exportação em escala.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou que mobilizou cerca de 10 mil pessoas em 15 estados durante a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, realizada entre a última segunda-feira (1º) e este domingo (7). Segundo a organização, foram plantadas mais de 5 mil mudas e semeadas cerca de 30 toneladas de sementes. A iniciativa integrou a programação da Semana Mundial do Meio Ambiente.
De acordo com o MST, as ações ocorreram em Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe. O movimento apresentou a mobilização como parte de uma campanha em defesa da biodiversidade e da reforma agrária.
Neste ano, a jornada adotou o lema “combater o agronegócio é cuidar da natureza”. No material divulgado, o MST também criticou o que classificou como “crimes ambientais do agro-hidro-minero-negócio” e associou o debate a propostas legislativas e ao uso de recursos naturais em larga escala. O conteúdo consultado não traz posicionamento de entidades do agronegócio sobre essas declarações.
Neste sábado (6), uma das ações ocorreu no bairro de Perus, na zona noroeste de São Paulo, com manifestação contra a instalação de um incinerador previsto no projeto EcoParque Bandeirantes. Segundo a prefeitura, o empreendimento no antigo Aterro Sanitário Bandeirantes prevê ainda biodigestor, unidade de compostagem, biossecagem e central mecanizada de triagem de resíduos, com foco em reciclagem, aproveitamento de subprodutos e geração de energia com baixa emissão.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mantém o local na lista de Áreas Contaminadas em Processo de Remediação. O MST afirma que o projeto contraria interesses de moradores da região, ambientalistas e indígenas do Pico do Jaraguá.
Os números de mudas, sementes e participantes foram informados pelo próprio movimento. O material disponível não detalha espécies plantadas, área recuperada nem metodologia de acompanhamento, o que limita uma avaliação técnica mais ampla sobre os resultados ambientais da mobilização.
Principal espécie da silvicultura de São Paulo, o eucalipto ocupa mais de 77% de toda a área de florestas plantadas do estado, com área superior a 1 milhão de hectares cultivados.
Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) divulgados na última quarta-feira (3) mostram que a cultura vive um momento de expansão em solo paulista: aumento de 14,6%% na produção em 2025 (23,9 milhões de metros cúbicos), com Valor da Produção Agropecuária (VPA) fechado em R$ 2,9 bilhões.
O cultivo da espécie abastece diferentes segmentos da economia, sendo destinado à fabricação de papel e celulose, à geração de energia por biomassa e carvão vegetal e ao fornecimento de matéria-prima para a construção civil e a indústria moveleira, além da utilização na produção de óleos essenciais.
As regiões que mais se destacam no cultivo do eucalipto em São Paulo são o sudoeste paulista, o centro-oeste e o Vale do Paranapanema, áreas que apresentam condições edafoclimáticas favoráveis e relativa disponibilidade de terras, em cidades como Agudos, Itapetininga, Itatinga, Angatuba, Botucatu, Lençóis Paulista, Bofete, Cabrália Paulista, Capão Bonito, Itararé e Paranapanema, importantes pólos da silvicultura no estado.
Balança comercial do agro
O produtos florestais ocupam a terceira maior participação nas exportações de São Paulo. O grupo é superado apenas pelo complexo sucroalcooleiro e pelo setor de carnes. Em abril de 2026, este setor alcançou US$ 1,14 bilhão em valor exportado, representando 13,6% do total dos embarques, com a celulose respondendo por 66,3% e o papel por 27,9% desta participação.
A presidente da Câmara Setorial de Produtos Florestais de São Paulo, Fernanda Abilio, ressalta que a indústria florestal paulista possui uma base produtiva consolidada, sustentável e altamente tecnificada, e majoritariamente de eucalipto.
“O crescimento observado no VPA e na produção reflete não apenas a competitividade do setor, mas também sua capacidade de agregar valor, gerar empregos, movimentar exportações e fornecer matéria-prima renovável para diferentes cadeias industriais.”
De acordo com Fernanda, além da produção e exportação, o eucalipto também tem sido aliado no desenvolvimento do agro paulista, principalmente na relação da espécie com o sistema Integração Pecuária, Lavoura e Floresta (ILPF).
Esses sistemas funcionam integrando o plantio de árvores de eucalipto com culturas agrícolas, criação de gado, agricultura regenerativa, como a recuperação de áreas biodegradadas, e o bem-estar animal, no qual o eucalipto aparece como aliado do conforto térmico animal, reduzindo impactos do calor e favorecendo melhores condições fisiológicas e produtivas dos rebanhos Nelore.
A produção de leite no Brasil segue dinâmica e competitiva. É o que mostram dados do Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) em reportagem produzida por Beatriz Gunthere uma das mais lidas da semana passada.
O texto mostra que as 100 maiores fazendas do país juntas representam cerca de 4,7% de todo o leite formal captado no país.
Nesse cenário, o relatório trouxe um marco histórico para o agronegócio nacional: pela primeira vez, as duas propriedades no topo do ranking superaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia.
Essa marca também vem acompanhada de uma reviravolta no topo da tabela. A Fazenda Colorado, de Araras (SP), que por 12 anos consecutivos manteve a liderança de produtividade, perdeu a primeira posição para a Fazenda São José, localizada em Tapiratiba (SP).
Ganhos impressionantes de escala
Em 2025, os 100 maiores produtores do Brasil comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite, volume 8% maior do que o registrado no levantamento anterior. Considerando a produção média das fazendas listadas no ranking, o crescimento foi de 8,7%, com 35.392 litros de leite produzidos por dia.
Esse avanço também supera o crescimento da produção leiteira no Brasil como um todo. Conforme estimativa da equipe MilkPoint Mercado, a produção formal de leite aumentou 107,4% no ano passado. Enquanto isso, a produção total cresceu aproximadamente 81,2%.
Ao comparar os dados de 2025 com os de 2001, primeiro ano de publicação do ranking, os ganhos de produtividade ficam ainda mais evidentes. A produção atual das propriedades leiteiras aumentou 444% frente ao primeiro levantamento.
Mapa do leite mostra MG no topo e PR na cola
Minas Gerais segue isolada como o estado com mais fazendas no ranking (39 propriedades) , seguida pelo Paraná (23) e São Paulo (12).
No recorte por municípios, Carambeí (PR) retomou a liderança nacional com 8 propriedades no Top 100 , desbancando a vizinha Castro (PR), que ficou com 7. Juntas, apenas as fazendas de Carambeí responderam por 9% de todo o volume do Top 100.
Entre as regiões, o Sudeste concentra 53,3% do volume total do levantamento, mas o Centro-Oeste foi o que mais cresceu percentualmente, expandindo sua produção em 16% em relação ao ano anterior.
O fim do pasto e a soberania da raça holandesa
O levantamento também revela que existe uma consolidação avassaladora dos modelos confinados entre as propriedades do ranking. Das 100 fazendas, 85 operavam em confinamento total em 2025. Em 2020, esse número era 70.
A raça holandesa domina amplamente o Top 100, estando presente em 82% das propriedades. O girolando, cruzamento de gir com holandês, aparece em segundo lugar, com 14%.
Do ponto de vista de produtividade, o destaque fica por conta da região Sul, que alcançou no ano passado uma média de 40,47 litros por animal/dia, contra a média nacional do Top 100 de 36,31 litros.
Custos, rentabilidade e desejos de crescimento
Segundo os dados, o custo médio de produção do grupo ficou em R$ 2,31 por litro. Já as grandes fazendas chegaram a receber em média R$ 2,77 por litro, uma remuneração 23% superior à de produtores de pequeno porte.
Apesar das margens pressionadas, o plano é expandir. Quase metade dos produtores (48%) declarou que a rentabilidade piorou em 2025 frente a 2024. Ainda assim, 91% das fazendas planejam crescer nos próximos três anos. Desse total, 19% delas projetam uma expansão ousada, superior a 50% no volume.
A agenda federal de concessões rodoviárias prevê 13 leilões em 2026, mas apenas dois certames foram realizados até esta sexta-feira (6). Com isso, cerca de 85% das disputas previstas para o ano ficaram concentradas no segundo semestre. O cronograma reúne novos projetos e repactuações em um cenário de restrição orçamentária para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação dos contratos.
Até o momento, foram a mercado as concessões Rotas Gerais, em Minas Gerais, e Rota dos Sertões, em Pernambuco e Bahia. Sem leilões federais programados para junho até esta sexta-feira (6), a agenda deve ser retomada em julho com a concessão da Régis Bittencourt, na BR-116 entre São Paulo e Paraná, único certame com data já definida.
Se a carteira for integralmente executada, o Ministério dos Transportes repetirá o recorde de 13 leilões alcançado em 2025. Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a atual gestão realizou 24 leilões rodoviários federais desde 2023, com mais de R$ 260 bilhões em investimentos previstos.
Após a Régis Bittencourt, a programação inclui projetos como Rota 2 de Julho, ViaBahia, Rota Vale do Café e os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. A carteira também contempla repactuações de contratos, entre eles Arco Norte e Transbrasiliana. Das 11 concessões rodoviárias previstas para este ano, cinco envolvem contratos já existentes.
O diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, afirmou que ainda há espaço para cumprimento da meta, embora o ritmo precise acelerar. Já Luís Felipe Valerim, sócio do VLR Advogados, avaliou que a consistência dos projetos é fator mais relevante que o número de leilões, porque a pressão sobre estudos e modelagens pode elevar o risco de problemas nos primeiros anos dos contratos.
Para o agronegócio, o avanço dessa agenda é acompanhado por seu efeito potencial sobre corredores de transporte, circulação de cargas e conexão entre áreas produtoras, indústrias e portos. Esse impacto, porém, depende da execução dos projetos, da qualidade regulatória e da capacidade institucional de levar os certames adiante.
O cenário segue condicionado a fatores operacionais e fiscais. O bloqueio de R$ 8,3 bilhões nas pastas de infraestrutura, com contingenciamento de R$ 1,7 bilhão no Ministério dos Transportes e perda de R$ 56 milhões na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mantém pressão sobre a estruturação dos projetos. Sem novas datas oficiais para a maior parte da carteira, a execução da meta ainda dependerá do andamento técnico e regulatório dos processos.
O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio passou a influenciar de forma mais intensa as projeções para energia, custos agropecuários e inflação de alimentos no Brasil. Segundo análise do Rabobank, os cenários para o Índice de Commodities do Banco Central, o IC-Br Energia e Agropecuário, o IPA-M agropecuário e a inflação de Alimentação no domicílio foram condicionados às estimativas de energia, insumos e commodities elaboradas pelas áreas de pesquisa do banco, considerando o conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz.
A principal mudança aparece no mercado de energia. O conflito elevou os prêmios de risco em petróleo e gás e impulsionou rapidamente o IC-Br Energia no início de 2026. Com o Brent em torno de US$ 107 por barril no segundo trimestre de 2026, a projeção é de nova alta do índice ao longo do ano, em um cenário no qual o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado durante todo o verão do hemisfério norte. A reabertura considerada mais provável ocorreria em setembro, seguida de normalização gradual em 2027.
O movimento já aparece nos números do IC-Br Energia. O índice saiu de queda de 22,9% em janeiro, na comparação anual, para alta de 7,1% em março, refletindo a disparada de petróleo e gás após o fechamento da rota. Para o fim de 2026, a estimativa é de crescimento de 41,6% na comparação anual. Em 2027, com a normalização esperada após a reabertura do Estreito, a projeção indica queda de 7,4% no fim do ano.
A pressão também se espalha pelos custos de produção agropecuária. Energia, frete e fertilizantes tendem a ficar mais caros, em um ambiente de maior risco geopolítico e petróleo em alta. Com isso, a análise antecipa reversão do IPA-M Agrícola, com avanço de 1,7% em 2026 e de 1,6% em 2027.
Na alimentação no domicílio, os impactos devem variar conforme o tipo de produto. Itens in natura tendem a apresentar maior volatilidade e sensibilidade a choques de custo. Já semi-elaborados e industrializados devem ter repasse mais gradual, amortecido por estoques, contratos e maior diversificação de custos. Esse comportamento indica efeitos diferenciados sobre o índice cheio nos próximos trimestres.