sexta-feira, junho 26, 2026

Autor: Redação

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Trump participa de posse de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve


Bolsas de Nova York abrem em queda após reunião entre Trump e Xi sem novos acordos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa nesta sexta-feira (22), às 12h no horário de Brasília, da cerimônia de posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, o banco central norte-americano. A informação consta na agenda divulgada pela Casa Branca. O ato marca formalmente a transição no comando da autoridade monetária dos Estados Unidos após o fim do mandato de Jerome Powell.

Warsh foi aprovado pelo Senado dos Estados Unidos no dia 13 de maio para um mandato de quatro anos à frente do Federal Reserve. Indicado por Trump em janeiro, ele assume o posto após o encerramento do mandato de Powell na última sexta-feira. Desde então, Powell permaneceu na chefia da instituição em caráter temporário, como presidente pro tempore nomeado pelo conselho do banco central.

A troca de comando ocorre em um momento de atenção do mercado financeiro internacional sobre a condução da política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve tem papel central na definição da taxa básica de juros da maior economia do mundo e suas decisões costumam influenciar o comportamento do dólar, dos títulos do Tesouro norte-americano e das cotações globais de ativos.

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Para o agronegócio, esse ambiente é relevante porque oscilações nos juros e na moeda norte-americana costumam afetar o fluxo financeiro internacional e a formação de preços de commodities negociadas em dólar, como soja, milho, café e algodão. O conteúdo disponível, no entanto, não informa quais serão as diretrizes de Warsh para juros, inflação ou balanço do banco central após a posse.

Warsh chega ao comando da instituição sob questionamentos sobre o grau de autonomia do Federal Reserve em relação à Casa Branca. Até o momento, o material de referência não traz declarações do novo presidente nem sinalizações formais sobre mudanças imediatas na estratégia da autoridade monetária.

A posse desta sexta-feira (22) formaliza a mudança institucional no Federal Reserve, mas o efeito prático sobre os mercados dependerá das próximas comunicações oficiais do banco central e das decisões de política monetária a partir da nova gestão. Sem essas indicações, não há base técnica para projetar alterações imediatas no cenário econômico.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Mapa debate regulação de novas tecnologias agrícolas com representantes da Corteva


Mapa debate regulação de novas tecnologias agrícolas com representantes da Corteva

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o ministro em exercício, Cleber Soares, se reuniu nesta quarta-feira (20), em Brasília, com representantes da Corteva Agriscience para discutir inovação no campo, insumos biológicos e desafios regulatórios para a aprovação de novas tecnologias agrícolas. Segundo a pasta, o encontro também incluiu temas ligados ao comércio internacional de commodities e à competitividade da agropecuária brasileira.

De acordo com o Mapa, a reunião abordou pontos ligados à produção agrícola e ao avanço de soluções tecnológicas voltadas ao campo, com destaque para biotecnologia e insumos biológicos. Entre os temas citados pela pasta estão os entraves regulatórios para aprovação de novas tecnologias, especialmente eventos genéticos direcionados às culturas de soja e milho, duas das principais cadeias produtivas do país.

No setor agropecuário, a tramitação regulatória de novas tecnologias é acompanhada de perto por produtores, indústrias de insumos e empresas de sementes, porque pode influenciar o ritmo de adoção de materiais com características agronômicas específicas, manejo fitossanitário e ganhos de eficiência produtiva. No entanto, o comunicado oficial não detalha quais processos regulatórios foram discutidos, nem informa prazos, medidas concretas ou eventuais encaminhamentos após a reunião.

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Segundo o ministério, Cleber Soares destacou a importância do diálogo entre o setor público e o setor produtivo para ampliar o ambiente de inovação e fortalecer a interlocução internacional. A agenda também mencionou o papel do Brasil no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a agricultura, sobretudo em áreas relacionadas à biotecnologia e aos insumos biológicos.

Participaram do encontro a vice-presidente Global de Assuntos Externos da Corteva, Shona Sabnis, o diretor de Relações Institucionais da empresa para a América Latina, Augusto de Moraes, além da assessora da Secretaria-Executiva do Mapa, Andrea Parrilla, e da chefe de gabinete Erika Santos.

A discussão reforça a centralidade do marco regulatório para a incorporação de novas tecnologias no campo. Sem detalhamento oficial sobre propostas, cronograma ou decisões, ainda não há base para projetar mudanças operacionais imediatas para produtores ou para a cadeia de insumos.

Fonte: gov.br

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‘Romantismo’ do governo freará produtividade, diz Tirso Meirelles sobre fim da escala 6×1


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Foto: Agência Brasil

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, acredita que o governo federal tem agido apenas com “romantismo” na política de derrubada da escala de trabalho 6×1.

“Não estão preocupados com a produtividade, com a saúde do trabalhador, com o transporte do trabalhador, com os problemas todos que ele tem para chegar ao trabalho. Não se trata simplesmente de mudar a carga de trabalho de uma forma abrupta”, considera.

Segundo ele, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional, os impactos para a economia do país podem ser ainda mais significativos do que os sentidos durante a pandemia de Covid-19.

“Na época da pandemia, nós perdemos 3,2% do produto interno bruto. Agora, se nós fizermos dessa forma que o governo federal está querendo, nós vamos perder 7%. Então, é muito significativo e a responsabilidade de toda essa mudança, ainda como já temos uma reforma tributária em andamento, é muito realmente complexo”, ressalta.

Meirelles ressalta que a Faesp tem se articulado com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para demonstrar que o país está em um momento que se deve olhar a longo prazo.

“Nós somos a favor e existem várias profissões que já são 5×2 [cinco dias trabalhados e dois de folga], mas temos que fazer um trabalho [de longo prazo para essa conquista]. Por exemplo, nos Estados Unidos, demorou 15 anos para realmente se diminuir a carga de trabalho, mas lá se continuou com a jornada de trabalho de 44 [horas], porque se puder trabalhar mais por uma necessidade, o trabalhador norte-americano pode assim fazer”, advoga.

Por fim, o presidente da Faesp diz que é importante que o governo deixe a política de lado e pense no trabalhador e no setor produtivo para que, em sua opinião, não haja aumento de desemprego ou de situações de informalidade.

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Durigan defende renegociação focada em inadimplentes do agro


Tereza Cristina diz que PL das dívidas rurais trata de R$ 170 bilhões

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (21), em entrevista à CNN Brasil, que o agronegócio enfrenta aumento da inadimplência, mas defendeu que eventuais medidas de renegociação fiquem concentradas nos produtores com dificuldades efetivas de pagamento. Segundo ele, ampliar o alcance para dívidas adimplentes pode gerar restrição de crédito e prejudicar o próprio setor.

Na entrevista, Durigan disse que a inadimplência no agronegócio, historicamente em torno de 2%, está em 6%. O dado foi apresentado por ele como indicativo de deterioração nas condições financeiras de parte dos produtores, embora tenha ressaltado que 94% das operações do agro seguem “em dia”.

A declaração ocorre em meio à discussão, no Congresso Nacional, de propostas para renegociação de dívidas rurais. Segundo Durigan, o texto em debate no Senado não deve incluir “toda e qualquer dívida agrícola”, inclusive contratos adimplentes ou de agentes que não necessitam de reestruturação. Na avaliação do secretário-executivo, uma formulação ampla poderia transferir custo ao sistema financeiro e reduzir a oferta de crédito ao campo.

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Ele também criticou a hipótese de limitar juros do crédito agropecuário de forma generalizada, em patamares como 10% ou 12%, afirmando que isso poderia levar instituições financeiras a restringirem concessões. A argumentação do Ministério da Fazenda é de que mudanças em prazo, carência e regras operacionais podem ser discutidas, desde que direcionadas aos casos de inadimplência e preservando a capacidade de financiamento do setor.

Durigan afirmou ainda que há espaço para reconstrução do projeto em discussão com o Congresso e com representantes do agro. Sobre garantias, mencionou a possibilidade de debate sobre um fundo garantidor, especialmente para arrendatários que têm dificuldade de apresentar garantias reais. Segundo ele, no entanto, não se trata de medida imediata, devido ao quadro fiscal do país.

O conteúdo da proposta em análise no Senado, os critérios de elegibilidade e os prazos de eventual renegociação não foram detalhados na entrevista.

A discussão sobre dívidas rurais deve continuar nas próximas semanas entre Fazenda, Congresso e representantes do setor. Até que haja definição sobre alcance, custo fiscal e regras operacionais, permanece em aberto o formato final de uma eventual renegociação e seus efeitos sobre o crédito agropecuário.

Fonte: Estadão Conteúdo

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El Niño deve impactar a região da Bahia com estiagem e calor


O fenômeno climático El Niño está de volta e deve afetar a região da Bahia, trazendo preocupações sobre a disponibilidade de água e as condições climáticas nos próximos meses. Especialistas alertam que a previsão é de chuvas abaixo da média e calor excessivo, o que pode impactar a agricultura local.

Previsões climáticas para a Bahia

De acordo com as análises, o El Niño deve continuar a aquecer as águas do Pacífico Equatorial, o que pode resultar em:

  • Chuvas abaixo da média na Bahia, especialmente entre setembro e outubro.
  • Calor excessivo na região, com temperaturas elevadas.
  • Possibilidade de estiagem, afetando a agricultura e a disponibilidade de água.

Impactos esperados

Os impactos do El Niño não se restringem apenas à Bahia, mas podem afetar todo o Brasil e outras regiões do mundo. Para a Bahia, as previsões indicam:

  • Chuvas que devem começar a normalizar apenas em novembro.
  • Necessidade de cautela por parte dos produtores rurais na escolha de sementes.
  • Valorização do uso de poços artesianos devido à escassez de água.

Os agricultores devem se preparar para um cenário desafiador, com a expectativa de um fenômeno que pode ser classificado como forte a moderado, trazendo consequências significativas para a produção agrícola e a gestão de recursos hídricos na região.

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Café deve ser a terceira principal cultura no VBP em 2026, aponta CNA


O café deve se consolidar como a terceira principal cultura no valor bruto da produção (VBP) agropecuária brasileira até 2026, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A receita bruta do café é projetada para alcançar R$ 111,7 bilhões, superando a cana-de-açúcar e ocupando uma posição de destaque entre as lavouras do país.

Projeções de receita

A receita bruta do café foi estimada em R$ 66 bilhões, ocupando atualmente o quarto lugar no ranking das principais lavouras brasileiras. A expectativa é que o faturamento bruto do café Arábica atinja R$ 87,6 bilhões, representando 78% do total do setor cafeiro nacional. Já a receita do café Conilon é estimada em R$ 24,2 bilhões, refletindo uma retração em relação ao ano anterior.

Fatores de crescimento e desafios

  • O crescimento de 5,1% no VBP do café é impulsionado pela expansão esperada de 23% na produção.
  • A queda de 15% nos preços reais na comparação anual impacta negativamente a receita do Conilon.
  • A recomposição dos estoques mundiais e a expectativa de uma safra cheia no Brasil são fatores que influenciam os preços.

Essas projeções são baseadas nos preços médios recebidos pelos produtores de janeiro a abril e nas expectativas de produção para o ano corrente.

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Produção de café no Brasil pode alcançar 66,7 milhões de sacas em 2026


A produção brasileira de café deve alcançar um recorde de quase 67 milhões de sacas de 60 kg em 2026, representando um crescimento de 18% em comparação com o ano anterior. Os dados são do segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Dados da produção

  • Produção estimada: 66,7 milhões de sacas
  • Crescimento em relação a 2025: 18%
  • Aumento em relação ao levantamento anterior: 0,8% (510 mil sacas)
  • Recorde anterior: 63 milhões de sacas em 2020

Exportações de carne bovina

As exportações brasileiras de carne bovina para a China também apresentaram crescimento, com 55,4% da cota anual já consumida no primeiro quadrimestre de 2026. O Brasil embarcou quase 613 toneladas de carne bovina em natura entre janeiro e abril, mantendo a liderança entre os fornecedores ao mercado chinês.

Produção de cana-de-açúcar

Estimativas da Canaplan projetam moagem entre 631 e 639 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/2027, com produtividade média de 77 toneladas por hectare e produção de açúcar em torno de 40 milhões de toneladas. Esse cenário é impactado por pressão climática e custos elevados.

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Câmara aprova projeto que garante defesa em embargos ambientais


A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que proíbe embargos ambientais aplicados exclusivamente com base em imagens de satélite. A proposta mantém a fiscalização, mas impede que medidas cautelares sejam usadas como punição antecipada, garantindo ao produtor o direito de defesa antes de qualquer sanção.

O texto também prevê que o produtor seja notificado previamente e possa apresentar esclarecimentos antes de restrições que impactem sua atividade ou o acesso ao crédito rural. O projeto segue agora para a análise do Senado Federal.

Objetivos da proposta

  • Garantir segurança jurídica ao produtor rural.
  • Impedir penalizações automáticas baseadas apenas em imagens de satélite.
  • Assegurar o direito à ampla defesa e fiscalização responsável.

Declarações de representantes

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária em Goiás, Marusa Boldrin, destacou que a proposta busca evitar prejuízos causados por sanções automáticas sem verificação presencial. Segundo ela, a tecnologia é importante, mas não deve ser a única base para decisões que afetam os produtores.

Impactos esperados

  • Redução de embargos injustos.
  • Facilitação do acesso ao crédito rural.
  • Promoção do desenvolvimento sustentável no setor agropecuário.

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AgroNewsPolítica & Agro

Fila nos portos pressiona contratos do agronegócio


O risco jurídico no agro ganhou força em 2026 com o avanço das filas de navios nos portos brasileiros e a instabilidade em rotas internacionais. O problema, que começa na logística, pode atingir diretamente produtores, tradings e operadores envolvidos nas exportações de commodities agrícolas, principalmente quando há atraso na entrega, cobrança de demurrage e divergência sobre quem deve assumir os prejuízos.

Atraso logístico vira problema contratual

A demora para embarcar commodities agrícolas deixou de ser tratada apenas como gargalo operacional. Em um mercado guiado por prazos, câmbio, frete e compromissos internacionais, cada dia de espera pode gerar efeito jurídico e financeiro sobre a cadeia exportadora. Quando o navio não é liberado no período previsto, surgem custos adicionais e aumenta a possibilidade de questionamentos entre as partes do contrato.

Esse ambiente preocupa porque a exportação agrícola depende de previsibilidade. Produtores, tradings e operadores logísticos assumem compromissos com base em datas de entrega, disponibilidade portuária e capacidade de escoamento. Quando esses fatores falham, contratos que pareciam seguros passam a depender da interpretação de cláusulas sobre responsabilidade, atraso e eventos excepcionais.

Quem paga a conta do atraso?

Na avaliação do advogado Edemilson Wirthmann Vicente, a origem do atraso é decisiva para definir quem pode responder pelos prejuízos. Quando o problema ocorre dentro dos portos brasileiros, como em casos de congestionamento ou falhas operacionais, a responsabilidade tende a recair sobre os operadores portuários, conforme explicou o especialista durante a entrevista.

O cenário muda quando o atraso tem relação com fatores externos. Situações como o bloqueio do Estreito de Hormuz envolvem outros agentes da cadeia, entre eles armadores, seguradoras e importadores. Nesses casos, o exportador brasileiro fica em uma posição mais sensível, porque precisa observar não apenas o contrato firmado, mas também a legislação aplicável e a forma como os riscos foram distribuídos entre as partes.

Força maior pode ser contestada

A cláusula de força maior aparece como uma das principais dúvidas nesse tipo de conflito. Embora seja usada para situações imprevisíveis, Edemilson Wirthmann Vicente avalia que os atrasos portuários recorrentes no Brasil podem deixar de ser enquadrados nessa categoria. A razão é que, quando o gargalo se repete e já é conhecido pelo mercado, ele perde parte do caráter excepcional.

Em crises internacionais, a análise também não é automática. O advogado destaca que a caracterização de força maior depende da demonstração de que houve impossibilidade real de cumprir o contrato. Como as exportações seguem ocorrendo por rotas alternativas em muitos casos, a justificativa pode ser questionada por compradores, seguradoras ou demais partes envolvidas na operação.

Prejuízo vai além da multa portuária

A demurrage é uma das consequências mais visíveis dos atrasos, mas não é a única. O custo adicional pode vir acompanhado de variação cambial, despesas logísticas extras, renegociação de prazos e desgaste comercial. Para o exportador, isso significa que o impacto financeiro pode se ampliar rapidamente, sobretudo quando o contrato não define com precisão como lidar com congestionamento portuário ou interrupções externas.

Além do caixa, há um risco de imagem. Atrasos recorrentes podem afetar a reputação comercial do Brasil no exterior, especialmente em negócios que dependem de regularidade e confiança. Para o agronegócio, que atua em cadeias globais e altamente competitivas, a segurança jurídica passa a ser tão relevante quanto a capacidade de produzir e embarcar.

Revisão de contratos deve ser preventiva

Diante desse quadro, a orientação do advogado é que exportadores revisem contratos e seguros antes que o conflito se instale. Entre os pontos de atenção estão cláusulas específicas sobre congestionamento portuário, risco de guerra, prazos flexíveis, renegociação automática e mecanismos de resolução de disputas.

Edemilson Wirthmann Vicente também recomenda que atrasos sejam documentados de forma rigorosa. Registros de comunicação, notificações, comprovantes operacionais e histórico dos eventos podem ser decisivos em uma eventual defesa judicial ou arbitral. “Proteção contratual e cambial precisam caminhar juntas”, afirmou o advogado.

Competitividade depende de previsibilidade

A combinação entre gargalos internos e instabilidade externa reforça a necessidade de o setor exportador tratar logística e contratos como partes da mesma estratégia. Segundo Edemilson Wirthmann Vicente, o risco para a competitividade brasileira não está apenas na geopolítica, mas também na deficiência estrutural dos portos.

Para produtores, tradings, cooperativas e empresas do setor, a mensagem é direta: contratos pouco detalhados aumentam a exposição a perdas. Em um ano marcado por filas de navios e incertezas nas rotas internacionais, a prevenção jurídica pode ser o fator que separa uma renegociação administrável de uma disputa milionária.





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Mercado do boi gordo passa por ajuste com aumento das escalas de abate


O mercado do boi gordo está passando por um momento de ajuste de preços, impulsionado pelo aumento das escalas de abate e pela maior oferta de animais a pasto em diversas regiões do Brasil. As informações foram apresentadas pelo analista da Datágro, Guilherme Zulim, durante uma atualização no Canal Rural.

Contexto do mercado

Atualmente, o indicador do boi está em um processo de correção de preços, refletindo a transição de um período chuvoso para um mês de maio mais frio e seco. Essa mudança climática tem favorecido o aumento das escalas de abate, que se mantêm próximas de 10 dias corridos em média no Brasil.

Dados de abate e participação de fêmeas

  • Até o final de abril, os dados de abate mostraram uma redução de cerca de 2%.
  • A queda foi impulsionada pela diminuição na participação de fêmeas, a mais significativa desde outubro de 2021.
  • Esse cenário é resultado da retenção de fêmeas devido às chuvas e aos preços elevados das categorias de reposição.

Demanda interna e externa

No mercado interno, a carcaça casada do boi no atacado paulista registrou um recuo, cotada em torno de R$ 23,50 por quilo. Em contrapartida, as exportações brasileiras continuam em patamares recordes, impulsionadas pela demanda aquecida, especialmente da China.

  • Até abril, o Brasil representou 55% do total de carne bovina importada pela China.
  • Entretanto, os volumes totais desembarcados na China têm desacelerado desde o início do ano.

Esses fatores indicam um cenário complexo para o mercado do boi gordo, que deve ser monitorado nos próximos meses.

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