O atraso na liberação dos recursos do Plano Safra, anunciado há três semanas, tem gerado preocupação entre os produtores rurais. A falta de publicação da portaria que autoriza a equalização de juros impede que os agricultores acessem os financiamentos necessários para a próxima safra.
Expectativa dos produtores
O Ministério da Agricultura informou que a situação é considerada um rito normal e que os créditos devem ser liberados ainda neste mês. No entanto, a demora tem causado apreensão, especialmente entre os produtores que dependem desses recursos para iniciar o ciclo agrícola.
Impacto do atraso
A agricultura possui janelas específicas para semeadura e colheita.
O atraso na liberação pode prejudicar o ciclo produtivo.
Produtores endividados enfrentam dificuldades para obter crédito no sistema financeiro.
Histórico de anúncios
O anúncio do Plano Safra foi feito antes do prazo permitido pela legislação eleitoral, o que levanta questionamentos sobre sua antecipação. Historicamente, planos anteriores já enfrentaram atrasos, mas a expectativa era de que a liberação ocorresse de forma mais ágil desta vez.
O Brasil segue fora do Mapa da Fome, segundo a edição 2026 do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI)”, lançado nesta terça-feira (21), em Roma, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O levantamento mostra que a prevalência de subnutrição no país permaneceu abaixo de 2,5% da população, patamar usado pela entidade para classificar os países fora do indicador.
O relatório também registrou avanço no acesso econômico da população brasileira a uma alimentação saudável. Entre 2021 e 2025, a proporção de pessoas sem condições financeiras de adquirir uma dieta saudável caiu de 31,2% para 21,1%. Em números absolutos, o contingente recuou de 65,3 milhões para 44,8 milhões de pessoas, o que representa mais 20 milhões de brasileiros com condições de acessar alimentação saudável no período.
A FAO define alimentação saudável como aquela capaz de promover saúde, crescimento, desenvolvimento e bem-estar, além de prevenir deficiências nutricionais, doenças crônicas e doenças transmitidas por alimentos. Esse padrão considera quatro critérios: adequação nutricional, equilíbrio entre energia e macronutrientes, diversidade de grupos alimentares e moderação no consumo de açúcares, sódio e gorduras prejudiciais. A segurança dos alimentos também integra esse conceito.
A experiência brasileira foi destacada pela FAO como exemplo de abordagem integrada, combinando políticas de proteção social, fortalecimento da agricultura familiar e ampliação do acesso a alimentos saudáveis. Durante a apresentação do relatório, o papel da agricultura familiar foi apontado como estratégico na produção de alimentos saudáveis e na construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis.
Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, as políticas da pasta incluem ampliação do crédito rural, assistência técnica, inovação, acesso aos mercados e investimentos em bioinsumos, pesquisa e sistemas agroflorestais. O relatório também destacou a atuação das mulheres rurais em espaços produtivos voltados à diversificação da alimentação, geração de renda e fortalecimento da autonomia econômica.
Na avaliação apresentada em Roma, o conjunto de políticas públicas brasileiras voltadas à segurança alimentar reuniu ações de geração de renda, produção de alimentos e apoio à agricultura familiar, eixo apontado como central para ampliar o acesso da população a uma alimentação saudável.
A decisão dos Estados Unidos de manter produtos da reciclagem animal fora da lista de isenções da tarifa adicional de 25% coloca em risco um mercado que responde por 42% das exportações brasileiras do setor, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). Após analisar os códigos tarifários contemplados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a entidade concluiu que o sebo bovino e as farinhas de origem animal seguem sujeitos à sobretaxa.
De acordo com a Abra, o principal produto exportado pelo setor aos Estados Unidos é o sebo bovino, responsável sozinho por 42% de toda a receita obtida pela reciclagem animal brasileira no mercado internacional.
Em 2025, o Brasil embarcou 424 mil toneladas de produtos da reciclagem animal para os Estados Unidos. Desse total, 389 mil toneladas corresponderam ao sebo bovino, o equivalente a 91,8% das vendas do setor para aquele destino.
A associação também destacou o peso desse insumo nas compras externas norte-americanas. Em 2025, os Estados Unidos importaram 1,07 milhão de toneladas de sebo bovino, volume equivalente a 83% de todas as suas compras externas de gorduras animais. No primeiro trimestre de 2026, essa participação subiu para 88%.
"Os dados mostram que essa não é uma questão pontual. Estamos falando de um mercado que absorve 42% de toda a exportação brasileira da reciclagem animal para o mundo na forma de sebo bovino e que também depende desse insumo para abastecer sua própria indústria", afirmou o presidente do conselho diretivo da Abra, Pedro Bittar. Segundo ele, "penalizar esse fluxo comercial significa criar barreiras para uma cadeia estratégica dos dois países".
A entidade informou que os códigos referentes às gorduras e às farinhas de origem animal ficaram fora da lista de exceções anunciada pelo governo norte-americano. Com isso, os produtos brasileiros permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%.
Segundo a Abra, a articulação com o governo federal será mantida para defender a retirada da sobretaxa nas negociações entre Brasil e Estados Unidos. "A Abra continuará empregando todos os esforços institucionais e técnicos para que a reciclagem animal seja retirada do escopo dessas tarifas e possa competir em igualdade de condições no mercado internacional", afirmou Bittar.
A oficialização da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia as incertezas para o setor sucroenergético. Embora o impacto imediato sobre as exportações de etanol seja considerado limitado, a avaliação da StoneX é que a medida reforça a necessidade de o Brasil diversificar seus mercados. Já para o açúcar, o cenário tende a aumentar a pressão sobre as vendas externas no curto prazo.
No caso do etanol, a nova tarifa foi justificada pelo governo americano com base na taxa de 18% cobrada pelo Brasil sobre o produto importado. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos avançam na ampliação do uso da gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano, medida que fortalece a indústria local de etanol de milho e reduz a necessidade de importações. Segundo estimativas da StoneX, esse movimento pode diminuir em cerca de 76% o potencial exportador americano até 2027.
Mesmo antes da nova tarifa, a balança comercial de etanol entre Brasil e Estados Unidos já havia mudado de direção. Depois de registrar superávit em 2024, o saldo encolheu em 2025 com a redução das exportações brasileiras e o aumento das importações do produto americano.
A mudança ganhou força após o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina brasileira, de 27% para 30%, em agosto de 2025. A medida elevou o consumo interno e reduziu os estoques, abrindo espaço para a entrada do etanol americano, favorecido por preços mais competitivos. No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 250,8 mil metros cúbicos de etanol dos Estados Unidos, enquanto as exportações brasileiras para aquele mercado caíram para 66,4 mil metros cúbicos.
Novos mercados entram no radar
Para a StoneX, o impacto das tarifas sobre as exportações de etanol tende a ser pequeno no curto prazo porque a demanda americana por importações já estava enfraquecida. Os estoques de etanol nos Estados Unidos permanecem elevados, reduzindo a necessidade de compras externas.
No médio prazo, porém, o Brasil terá de ampliar sua presença em outros mercados. A consultoria cita como alternativas países que já importam o biocombustível brasileiro, como Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas. Também destaca oportunidades na Ásia, impulsionadas pelo aumento da mistura de etanol à gasolina em países como o Vietnã.
Açúcar pode sentir efeito maior
Para o açúcar, a preocupação é diferente. O Brasil possui participação relevante na cota de importação de açúcar bruto dos Estados Unidos, com 156 mil toneladas previstas para 2026. A tarifa adicional tende a elevar o custo do produto brasileiro no mercado americano e pode até reduzir o aproveitamento dessa cota.
Na avaliação da StoneX, isso pode deixar mais açúcar brasileiro disponível para outros mercados justamente em um momento de oferta elevada, pressionando os preços internacionais no curto prazo. Ao mesmo tempo, usinas — especialmente do Nordeste, que tradicionalmente embarcam açúcar para os Estados Unidos — poderão ter de redirecionar seus embarques para novos destinos.
Apesar desse cenário, a consultoria avalia que o mercado pode ganhar sustentação no médio prazo caso se confirme um déficit global de açúcar na safra 2026/27, o que aumentaria a demanda por importações.
Durante décadas, o Brasil aprendeu a medir a força do agronegócio por indicadores que continuam fundamentais: produtividade, área plantada, safras recordes e exportações. Foi assim que nos tornamos uma potência agrícola reconhecida no mundo inteiro.
Mas tenho a impressão de que uma nova mudança já começou.
A pergunta não é mais apenas quanto alimento o mundo será capaz de produzir. A questão passa a ser outra: quais alimentos o mundo vai querer consumir?
Basta observar o comportamento das pessoas. Nunca se falou tanto em qualidade de vida, longevidade e alimentação saudável. O consumo de proteína cresce em praticamente todos os mercados. Ao mesmo tempo, medicamentos como Mounjaro e Ozempic estão mudando a relação de milhões de pessoas com a comida. Quem utiliza essas terapias costuma comer menos, mas passa a escolher melhor o que coloca no prato.
Cada refeição precisa entregar mais valor.
É justamente nesse cenário que alimentos como Feijões, lentilhas, ervilhas, grão-de-bico, gergelim e outras proteínas vegetais ganham importância. Não apenas porque são nutritivos, mas porque reúnem características que o consumidor moderno procura: proteína, fibras, minerais, versatilidade e sustentabilidade.
O Brasil está em uma posição privilegiada. Produzimos praticamente o ano inteiro, dominamos tecnologias para agricultura tropical e temos produtores altamente eficientes. Poucos países conseguem reunir tantas vantagens.
Mas existe um desafio que merece a mesma atenção que dedicamos às exportações.
Antes de convencer o mundo sobre o valor dos nossos alimentos, precisamos convencer os próprios brasileiros.
É curioso perceber que muitos jovens conhecem muito mais sobre alimentos ultraprocessados do que sobre a riqueza nutricional de um prato de Feijão. Falamos pouco sobre aquilo que produzimos de melhor. Talvez tenha chegado a hora de voltar a falar de comida. De explicar a importância das proteínas vegetais, de incentivar seu consumo e de mostrar que elas fazem parte de uma alimentação moderna, saudável e acessível.
É por isso que acredito que o próximo passo do agronegócio brasileiro seja o Agroalimento.
Não se trata de substituir um conceito pelo outro. O agronegócio continuará sendo a base da nossa força. O Agroalimento é uma evolução dessa visão. Significa integrar produção, ciência, nutrição, inovação, sustentabilidade e confiança. Significa entender que o verdadeiro valor não está apenas na quantidade produzida, mas também na capacidade de entregar saúde e qualidade de vida.
O Brasil já aprendeu a alimentar o mundo. Agora temos a oportunidade de mostrar que também sabemos alimentar melhor.
E essa transformação começa muito antes dos portos ou das grandes negociações internacionais. Ela começa no prato de cada brasileiro.
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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O dólar à vista abriu em leve alta nesta quarta-feira (22), em um ambiente de cautela nos mercados internacionais. O movimento ocorre enquanto o petróleo sobe mais de 3% com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, ao mesmo tempo em que investidores monitoram a política tarifária americana e a perspectiva para os juros nos Estados Unidos.
O índice DXY operava próximo da estabilidade no início do dia, refletindo uma postura mais cautelosa dos investidores diante do conflito no Oriente Médio. Os rendimentos dos Treasuries também mostravam estabilidade, mesmo com o avanço do petróleo e o aumento das preocupações com efeitos inflacionários da commodity.
Os contratos futuros do petróleo avançam após a 11ª noite consecutiva de ataques dos Estados Unidos contra o Irã, seguida por novas retaliações de Teerã contra aliados de Washington no Golfo e ameaças às rotas de escoamento da produção.
No Brasil, entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O mercado também acompanha a possibilidade de anúncio, na sexta-feira (24), de uma nova tarifa de 12,5%.
O governo brasileiro mantém reuniões com representantes dos setores afetados para discutir medidas de apoio e aguarda esclarecimentos das autoridades americanas sobre os próximos passos da política comercial. Ainda nesta manhã, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou em entrevista à Bandnews que a Lei de Reciprocidade não dá ao Brasil o direito de perder a razão e defendeu cautela para evitar efeito contrário.
Com agenda esvaziada de indicadores, os investidores acompanham também a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Vale e os balanços de Weg e Santander Brasil. No exterior, o foco recai sobre os resultados de Alphabet, Tesla e IBM, além dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos.
Na terça-feira (21), o dólar à vista recuou 0,31% e encerrou o pregão cotado a R$ 5,0737, no menor nível de fechamento desde 15 de junho.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) iniciou no Congresso Nacional uma articulação para derrubar o veto integral do presidente da República ao Projeto de Lei 4.497/2024, que trata da regularização de imóveis rurais localizados em faixa de fronteira. A bancada defende que a proposta é necessária para dar segurança jurídica aos produtores, ampliar o acesso ao crédito e estimular investimentos nessas áreas.
O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado após negociações entre o Legislativo, representantes do setor produtivo e órgãos do governo. A reação ao veto mobilizou parlamentares ligados ao agro, que passaram a defender a retomada da proposta na próxima sessão conjunta do Congresso Nacional, prevista para depois do recesso parlamentar.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) afirmou que a medida compromete a segurança jurídica em regiões de fronteira. No Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA e relatora da proposta na Comissão de Relações Exteriores, classificou o veto como um retrocesso para produtores instalados nessas áreas e disse que o texto unifica procedimentos de regularização fundiária.
Autor da proposta na Câmara, o deputado Tião Medeiros (PP-PR) afirmou que o projeto foi construído com diálogo e amplo debate no Parlamento. Já o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), relator da matéria na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, declarou que a proposta representa um avanço estrutural para regiões de fronteira.
O texto altera a Lei nº 13.178/2015 e a Lei dos Registros Públicos, nº 6.015/1973, para unificar os procedimentos de ratificação de registros imobiliários decorrentes de alienações e concessões de terras públicas em faixa de fronteira. A área abrange 11 estados e corresponde a uma faixa de até 150 quilômetros ao longo das fronteiras terrestres brasileiras, equivalente a 16,77% do território nacional.
Entre os pontos previstos, o projeto estabelece prazo de 15 anos para solicitar a averbação da ratificação dos registros. Para imóveis acima de 2.500 hectares, a regularização dependerá de manifestação do Congresso Nacional, considerada aprovada se não houver deliberação em até dois anos. O texto também prorroga até 31 de dezembro de 2028 a obrigatoriedade do georreferenciamento, com regras diferenciadas para pequenas propriedades.
A FPA trabalha para incluir a análise do veto entre as prioridades da próxima sessão conjunta do Congresso. Se deputados e senadores rejeitarem a decisão do Executivo, o texto será promulgado pelo Congresso Nacional e passará a valer sem nova manifestação presidencial.
Foto: Sebastião José de Araújo/Embrapa Arroz e Feijão
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul manteve a recuperação dos preços nos últimos dias, levando o Indicador Cepea/Irga-RS ao maior patamar desde setembro de 2025. Segundo o Cepea, a oferta restrita dos produtores, a necessidade de recomposição dos estoques pelas indústrias e o aquecimento do mercado externo sustentam as cotações.
Pesquisadores do Cepea afirmam que os vendedores seguem seletivos, à espera de novas altas, enquanto parte das indústrias elevou pontualmente as ofertas. Outras, porém, limitam as compras diante da dificuldade de repassar ao mercado de beneficiados o aumento dos custos da matéria-prima. Com isso, a liquidez permanece moderada.
No fechamento de terça-feira (21), o Indicador Cepea/Irga-RS do arroz em casca foi de R$ 65,59 por saca de 50 kg, com alta de 2,07% no dia. No acumulado do mês, o indicador registra avanço de 8,90%.
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No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques – Foto: Pixabay
O mercado de trigo no Sul do país segue com baixa liquidez, pressionado pelo custo elevado do cereal, pela lentidão nas vendas de farinha e por estoques ainda confortáveis nos moinhos. Segundo a TF Agroeconômica, esse cenário limita novos negócios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com diferenças regionais na oferta e nos preços.
No Rio Grande do Sul, as vendas raras de farinha prolongam os estoques e mantêm a comercialização em ritmo reduzido. O trigo argentino avançou, com indicação de US$ 286 por tonelada CIF Canoas, enquanto o produto com 11% de proteína para agosto subiu de US$ 230 para US$ 240 por tonelada FOB. Também há reclamações sobre problemas de qualidade no trigo local remanescente, especialmente por níveis elevados de DON. Em Panambi, o preço de balcão permaneceu em R$ 70,02 por saca.
Em Santa Catarina, a oferta de trigo local praticamente terminou. O último negócio foi registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB, mais frete, enquanto o trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400, além de frete e ICMS. A baixa demanda por farinha levou moinhos a reduzir a moagem e alongar estoques. No balcão, os preços ficaram estáveis em Chapecó, Rio do Sul e Xanxerê, subiram em Canoinhas e Joaçaba e recuaram em São Miguel do Oeste.
No Paraná, o encarecimento do trigo argentino também elevou os valores das farinhas importadas. O trigo disponível girou a R$ 1.450 por tonelada CIF moinho na região de Curitiba e Campos Gerais, com indicações entre R$ 1.530 e R$ 1.550 no Norte. Para a nova safra, as ideias ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420, mas vendedores seguem retraídos diante do receio com o El Niño, sem negócios reportados.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta quarta-feira (22) 41 casos de infestação por mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) no país. Do total, 40 registros estão no Texas e um no Novo México. Segundo o painel de monitoramento do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do USDA e órgãos locais, 12 animais seguem em tratamento ativo de feridas e mitigação.
Os demais casos foram classificados como inativos após recuperação completa dos animais ou descarte adequado de carcaças.
O primeiro foco em rebanhos norte-americanos desde a década de 1960 foi identificado em 3 de junho, no condado de Zavala, no Texas. Desde então, novas detecções foram confirmadas no estado, incluindo os condados de Schleicher e Starr. Neste último, o registro ocorreu em um bezerro no Vale do Rio Grande. Houve ainda confirmação de caso na divisa com o Novo México.
Como resposta à proliferação do inseto, o USDA acelerou a aplicação da técnica do inseto estéril, com a liberação de machos esterilizados para interromper a reprodução da praga. A estratégia integra o esforço sanitário conduzido pelas autoridades norte-americanas para conter a infestação.
O governo dos Estados Unidos também avança na construção de uma unidade em Edinburg, no Texas, avaliada em US$ 750 milhões. A estrutura foi projetada para produzir 300 milhões de moscas estéreis por semana quando atingir plena capacidade.
A iniciativa complementa o centro de dispersão aberto em Tampico, no México, no fim de 2025. As ações de monitoramento incluem ainda a distribuição de quase 600 armadilhas com adesivo e atrativo químico ao longo da fronteira com o México, em regiões como Chihuahua e Sonora.
Com 41 casos confirmados, o foco sanitário está concentrado no Texas, enquanto o USDA mantém tratamento dos animais afetados, monitoramento em área de fronteira e expansão da estrutura de produção de insetos estéreis para reforçar a contenção da mosca-da-bicheira.