sábado, março 14, 2026

Autor: Redação

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Arroba do boi gordo: veja como o mercado encerrou mais uma semana


preços do boi
preço do boi

O mercado físico do boi gordo apresenta preços em predominante acomodação no decorrer desta sexta-feira (13).

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias destaca que, sob o prisma da oferta, as indústrias ainda operam com escalas de abate encurtadas em um ambiente pautado pela restrição de oferta.

“Durante o dia o mercado voltou a especular sobre a cota chinesa. Há rumores que, nos próximos dias, haveria a suposta confirmação por parte do governo chinês de que a cota seria contabilizada a partir da chegada do produto nos portos chineses, ou seja, os embarques realizados pelo Brasil em outubro, novembro e dezembro de 2025 fariam parte da composição da cota de 2026″, alerta.

Além disso, o analista pontua que o conflito no Oriente Médio permanece no radar, com o encarecimento dos custos logísticos ainda em pauta. “A movimentação do petróleo também é agressiva sugerindo por novos reajustes dos preços dos combustíveis”, disse.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 349,08 — ontem: R$ 348,75
  • Goiás: R$ 334,64 — ontem: R$ 334,11
  • Minas Gerais: R$ 339,41 — ontem: R$ 344,41
  • Mato Grosso do Sul: R$ 336,02 — ontem: R$ 336,02
  • Mato Grosso: R$ 339,05 — ontem: R$ 338,65

Mercado atacadista

O mercado atacadista segue com manutenção do padrão dos negócios ao longo da sexta-feira. “Mesmo a entrada dos salários na economia tem sido insuficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina”, ressalta.

Segundo ele, a proteína já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial as famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos e que priorizam frango, ovos e embutidos.

  • Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 20,50 por quilo;
  • Quarto traseiro: segue cotado a R$ 27,00 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 1,35%, sendo negociado a R$ 5,3168 para venda e a R$ 5,3148 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2158 e a máxima de R$ 5,3243. Na semana, a moeda subiu 1,47%.

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Alerta de perigo: chuva de até 100 mm é prevista pelo Inmet; saiba onde e quando


chuva
Foto: Pixabay

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja, que indica perigo, para chuva elevada em estados de quatro regiões brasileiras: Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

O aviso é válido para todo este próximo sábado (14), em áreas de: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Amapá.

De acordo com o órgão, nessas regiões (veja os mapas para mais detalhes), há risco de chuva de até 100 mm ao longo do dia e ventos intensos que podem variar entre 60 km/h e 100 km/h.

área chuva 1
Foto: Reprodução

O Inmet alerta que os eventos climáticos podem atingir mais de 1.300 municípios (veja a relação completa aqui e aqui), trazendo, como consequência, risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas nas áreas afetadas.

área chuva Inmet
Foto: Reprodução

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AgroNewsPolítica & Agro

inovação e sustentabilidade para o futuro do setor leiteiro


Na manhã do terceiro dia da 26ª Expodireto Cotrijal, em 11 de março, o Auditório Central recebeu autoridades, produtores rurais, técnicos e lideranças da cadeia leiteira para o 21º Fórum Estadual do Leite. O encontro promoveu debates sobre responsabilidade ambiental, desempenho produtivo e gestão eficiente, pilares fundamentais para garantir a competitividade da atividade frente às exigências do mercado internacional.

Na sequência, o presidente da CCGL – Cooperativa Central Gaúcha Ltda, Caio Cezar Vianna, destacou a relevância da participação do setor em uma das principais feiras do agronegócio brasileiro. “A produção nacional de leite vem crescendo, mas o país ainda depende de importações, muitas vezes subsidiadas ou vendidas a preços inferiores aos praticados internamente. Diversas entidades e lideranças políticas defendem a luta contra essas importações desleais. A entrada de produtos com valores 25% a 30% abaixo do mercado nacional provoca um forte desequilíbrio nos preços”, avaliou. Viana lembrou que o produtor enfrenta ciclos de dificuldade ligados a preços e clima, mas apontou a falta valorização da atividade com um dos maiores desafios.

Manejo sustentável de dejetos orgânicos e biogás

A programação começou com a palestra “Manejo sustentável de dejetos orgânicos dos bovinos de leite”, ministrada por Marcelo Henrique Otenio, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora/MG). O objetivo foi mostrar como o tratamento e o aproveitamento desses resíduos podem transformar um problema em oportunidade de valor econômico. “Trago uma abordagem mais transversal com relação ao licenciamento ambiental de propriedades leiteiras referente ao manejo adequado de dejetos, mostrando o resíduo como uma oportunidade para o produtor melhorar e aprimorar sua produção”. Ele apresentou inovações no uso de biodigestores para transformar resíduos da produção leiteira em biogás e biofertilizante. Desta forma, o manejo adequado dos dejetos pode ser visto como uma chance para o produtor aprimorar sua produção.

Pastoreio direto no Mercosul

Na sequência, ocorreu a palestra “Diferenciais Competitivos dos Produtores de Leite no Mercosul”, apresentada por Alejandro Galetto, consultor da La Federación Panamericana de Lechería – FEPALE. Ele fez uma análise regional do mercado e apontou caminhos para ampliar eficiência e rentabilidade. Segundo Galetto, os diferenciais produtivos e competitivos entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai passam por uma mudança estrutural: menos produtores e fazendas cada vez maiores. Para Galetto, “a pecuária leiteira do Mercosul será, por bastante tempo, voltada ao próprio Mercosul e não ao mundo” segundo ele, o pastoreio direto vem perdendo relevância na produção de leite, especialmente nos países do Mercosul, que enfrentam dificuldades de competitividade frente à “primeira liga” mundial.

Gestão e Tecnologia

Encerrando os painéis técnicos, o médico veterinário Matheus Balduino Moreira, da Rehagro Consultoria, apresentou a palestra “Gestão: o que os melhores produtores fazem para ganhar dinheiro na crise”. Ele destacou práticas de propriedades de alto desempenho, mesmo em cenários adversos, reforçando a necessidade de aumentar a produtividade, reduzir custos e adotar uma visão integrada da produção.

Moreira enfatizou que é essencial trabalhar com produtos que tragam resultados, produzindo mais leite com menor custo e maior eficiência. Segundo ele, as mudanças no cenário competitivo internacional exigem das empresas uma postura voltada para produtividade e gestão estratégica.

Como novidade, apresentou estudos sobre o impacto da vida reprodutiva na taxa de concepção e na perda de prenhez, mostrando como tecnologia e genética podem transformar os rebanhos leiteiros. “Animais geneticamente superiores produzem mais leite, o que se traduz em maior lucro”, afirmou, concluindo que a pecuária leiteira já dispõe de diversas tecnologias e práticas capazes de otimizar a produção e gerar ganhos financeiros significativos.

Após as apresentações, os temas foram debatidos com o público. A produção leiteira volta ao foco no último dia de feira, 13 de março, às 9h, quando será promovida, no Auditório Central da Expodireto Cotrijal, uma audiência pública voltada à lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado. O tema será tratado ainda este mês na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

O 21º Fórum Estadual do Leite é promovido pela Cotrijal e Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL), com patrocínio Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), 3R Ribersolo e apoio do Sistema Ocergs Sescoop/RS, Rede Técnica Cooperativa (RTC) e Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FECOAGRO/RS).





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Sojicultores mantêm cautela nas negociações e mercado de soja encerra com pouco movimento


Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com pouca movimentação comercial e negociações limitadas. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente foi marcado pela ausência de tradings no mercado e pela baixa formação efetiva de preços. Muitas das indicações observadas ao longo dos últimos dias, segundo ele, foram apenas nominais.

Silveira explica que o cenário externo também trouxe volatilidade. A soja terminou o dia em queda na Bolsa de Chicago, enquanto o dólar avançou com força e os prêmios voltaram a recuar. Para o analista, essa combinação acabou reduzindo o ritmo dos negócios no mercado doméstico.

O produtor segue adotando uma postura cautelosa. De acordo com Silveira, muitos agricultores estão concentrados nos trabalhos de campo e acompanham com atenção os movimentos dos formadores de preços antes de realizar novas vendas.

Mesmo com a cautela nas negociações, algumas regiões registraram ajustes nas cotações ao longo da semana.

Preços da soja no Brasil:

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 120,00 para R$ 121,00
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 110,00 para R$ 108,00
  • Dourados (MS): permaneceu em R$ 112,00
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 112,00 para R$ 111,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 131,00 para R$ 132,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 131,00 para R$ 132,00

Soja em Chicago

No cenário internacional, os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta sexta-feira (13) na Bolsa de Mercadorias de Chicago, reduzindo os ganhos acumulados ao longo da semana. Após atingir o maior patamar em dois anos, o mercado passou por um movimento de realização de lucros, com investidores ajustando posições antes do fim de semana.

Apesar da pressão de uma oferta global ampla da oleaginosa, o saldo semanal foi positivo. O mercado acompanhou a forte alta do petróleo no cenário internacional. O conflito no Oriente Médio segue sem solução imediata e alimenta expectativas de preços elevados para o barril, movimento que acaba influenciando outras commodities, como a soja.

Projeção para o Brasil

No Brasil, a produção da oleaginosa na temporada 2025/26 deve alcançar 177,847 milhões de toneladas, segundo o sexto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento. O volume representa aumento de 3,7% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas. Na estimativa anterior, a projeção estava em 177,99 milhões de toneladas.

Contratos futuros de soja

Na Bolsa de Chicago, os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com baixa de 2,00 centavos de dólar, ou 0,16%, a US$ 12,25 1/4 por bushel. A posição julho terminou cotada a US$ 12,37 1/2 por bushel, com recuo de 2,50 centavos ou 0,20%.

Entre os subprodutos, o farelo de soja para maio encerrou com alta de US$ 2,50, ou 0,78%, a US$ 322,70 por tonelada. Já o óleo de soja com vencimento em maio terminou cotado a 67,44 centavos de dólar por libra-peso, com leve ganho de 0,02 centavos, equivalente a 0,02%.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou o dia em alta de 1,35%, negociado a R$ 5,3168 para venda e R$ 5,3148 para compra. Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2158 e a máxima de R$ 5,3243. No acumulado da semana, a valorização foi de 1,47%.

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Biofungicidas ganham espaço no combate às doenças foliares nas lavouras


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Foto: Governo Federal

As doenças foliares continuam entre os principais desafios para a produtividade agrícola no Brasil. O problema tem se agravado com o aumento da resistência de fungos aos defensivos tradicionais, o que exige novas estratégias de manejo nas lavouras.

Pesquisas brasileiras têm buscado alternativas mais sustentáveis usando microrganismos nativos para ampliar o controle das doenças nas lavouras.

Estudos realizados em diferentes regiões do país indicam que biofungicidas produzidos a partir de bactérias do gênero Bacillus podem ajudar a reduzir a incidência de doenças em culturas como soja, feijão, cana-de-açúcar e hortaliças. Em alguns ensaios de campo, o uso desses bioinsumos também foi associado a ganhos de produtividade.

“Esses produtos são formulados à base de microrganismos e compostos biológicos que vão atuar em vários pontos do metabolismo dos fungos, reduzindo o surgimento da resistência e levando ao melhor controle das doenças”, explica a gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Apoena Agro, Erika Silveira.

Doenças foliares

As doenças foliares estão entre as principais responsáveis por perdas nas lavouras brasileiras, já que comprometem o potencial produtivo das plantas e aumentam os custos com manejo. O cenário se torna ainda mais desafiador quando os patógenos passam a apresentar resistência aos fungicidas convencionais.

Nesse contexto, os bioinsumos têm ganhado destaque por atuarem de forma multissítio, ou seja, interferindo em diferentes processos do metabolismo dos fungos. Essa característica reduz o risco de desenvolvimento de resistência e melhora o controle das doenças.

Os microrganismos presentes nesses produtos podem agir de diferentes maneiras: produzindo metabólitos com ação antifúngica, competindo por espaço e nutrientes na superfície das folhas, formando uma barreira protetora por meio de biofilmes e estimulando mecanismos naturais de defesa das plantas.

Sistemas produtivos

Além do controle das doenças, a proposta dos bioinsumos é contribuir para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis, reduzindo perdas e ampliando o potencial produtivo das lavouras.

Entre as doenças analisadas nos estudos estão a pinta-preta, antracnoses da cana-de-açúcar e do feijão e problemas recorrentes na soja, como mancha-alvo, septoriose, mofo-branco e mofo-cinzento.

Segundo Erika Silveira, além de contribuir para o controle fitossanitário, a proposta dos bioinsumos é tornar os sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

“Quando conseguimos reduzir as perdas por doenças e aumentar o sistema produtivo, isso se traduz em uma maior produtividade e, consequentemente, maior eficiência na produção. E é desta forma que os bioinsumos ganham espaço na agricultura moderna”, conclui.

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Gestão de risco vai além da Bolsa de Chicago


tela de computador com gráfico de cotações
Foto: Pixabay

O tema é a instabilidade, a insegurança, a incerteza. Eu conversei com a especialista brasileira Roberta Paffaro, com larga experiência nos Estados Unidos e que foi por muitos anos representante da Bolsa de Chicago no Brasil. Perguntei, em sua visão, como ficam os grãos, os preços e as commodities.

Segundo ela, essa é uma pergunta que “vale milhões”. Hoje, afirma, há muita instabilidade e custos em alta, o que certamente acaba sendo repassado, embora não da forma que se gostaria.

Roberta explica que, mesmo quando os preços sobem em Chicago, é preciso considerar a forma como essa referência chega ao Brasil.

“A base de precificação no Brasil é em reais. Então ela tem o desconto ou o acréscimo dependendo da região, então logística tem um peso muito grande.”

Ela destaca que a formação de preços passa por um tripé: a cotação internacional, a conversão para o real e os custos logísticos até o porto. Por isso, trazer o valor da soja negociada em Chicago para regiões produtoras como Mato Grosso ou Goiás pode resultar em preços bastante diferentes.

Ainda assim, a especialista observa que podem surgir oportunidades de mercado.

“Nós temos janelas de oportunidades onde é importante fazer uma gestão de riscos, ter uma estratégia financeira em que você pode realmente utilizar o mercado futuro para fazer uma trava de preços e aproveitar essa janela de oportunidades.”

Nesse contexto, o momento exige planejamento financeiro e também estratégias no mercado futuro para aproveitar eventuais altas.

Então questionei Roberta se a valorização da soja, do milho ou de outros grãos em Chicago automaticamente beneficia o produtor brasileiro que vende aqui. A resposta foi direta:

“Não é uma conta direta.”

Ela explica que a logística pesa muito na equação e lembra que o frete vem aumentando, influenciado pela guerra e pelos impactos no combustível. Com isso, o desconto aplicado ao preço pode ser maior.

“Então não adianta pensar que o preço subiu lá e que vai ser um efeito cascata e vai subir aqui também.”

Ainda assim, reforça que existem momentos favoráveis para travar preços e garantir resultado financeiro.

“Então existem, sim, janelas de oportunidades de que temos de aproveitar para poder fazer uma trava de preços e aproveitar financeiramente essa estratégia.”

Com essa estratégia financeira, afirma, é possível garantir a rentabilidade. Cada vez mais gestão. Gestão de risco. E Roberta acrescenta:

“Exatamente. Uma gestão de risco de preços.”

Segundo ela, existe um trabalho prévio de gestão financeira para entender os gastos e o aumento dos custos, fazer um “raio X” da empresa e, na hora da comercialização, definir as melhores estratégias para garantir rentabilidade, principalmente em tempos de incerteza.

Agradeço muito a Roberta Paffaro, que hoje é gestora e analista desse mundo com muitos anos na Bolsa de Chicago. E fica claro aqui: além de agronomia, zootecnia, veterinária, cada vez mais o agro é gestão, administração.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Novas regras para importação de cacau protegem o produtor brasileiro, comemora setor


Foto: Freepik

A redução do prazo para importação de amêndoas de cacau em regime de drawback, de dois anos para seis meses, foi estabelecida via Medida Provisória (MP) 1341/2026, publicada nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial da União.

Na visão avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e das Federações de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Espírito Santo (Faes), Pará (Faepa) e outros estados produtores de cacau, a medida vai garantir proteção e competitividade à cacauicultura nacional.

O drawback é um instrumento que permite a suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados quando destinados à produção de bens no país para a exportação, ou seja, os efeitos da MP dificultam que a indústria substitua o cacau brasileiro por amêndoas importadas.

O diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, ressalta que o mecanismo, adotado em todo o mundo, serve para evitar a cumulatividade de impostos na cadeia produtiva, melhorando a competitividade dos exportadores brasileiros.

“Como as importações de amêndoas são realizadas predominantemente via regime de drawback, o instrumento pode estar associado ao aumento dos estoques da indústria no mercado interno e prejudica o produtor com baixa remuneração”, detalha.

Como era antes

Antes da edição da MP, as operações de drawback vinculadas à importação de amêndoas de cacau seguiam a regra geral aplicada ao regime. O prazo era de 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses, para que as empresas realizassem a exportação dos produtos industrializados a partir da aquisição de insumos de outros países.

Com a nova medida, o prazo máximo para as operações de importação de amêndoas de cacau com isenção do Imposto de Importação pelo regime de drawback passa a ser de seis meses.

“Ao reduzir o prazo dessas operações para até seis meses, a MP procura limitar distorções no abastecimento e compatibilizar o uso do regime com a necessidade de maior equilíbrio entre a demanda industrial e a sustentação da produção nacional”, completa.

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El Niño no radar com mais de 60% de probabilidade; Brasil pode sofrer com temperaturas elevadas


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Foto: Unsplash/reprodução

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico indica o enfraquecimento da La Niña e aumenta a probabilidade de retorno do El Niño nos próximos meses. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a chance do fenômeno climático superar 60% entre o fim do outono e o inverno no Hemisfério Sul, podendo se consolidar entre a primavera e o verão, período que coincide com o desenvolvimento da próxima safra de soja no Brasil.

Nos próximos meses, porém, a tendência é de neutralidade climática. Nesse cenário, as chuvas devem se estender até o fim de abril e início de maio em parte das áreas produtoras, sem impactos negativos imediatos para as atividades no campo, especialmente para a retirada da soja e o avanço do milho segunda safra.

O maior ponto de atenção, segundo as previsões, está voltado para o início do plantio da safra 2026/27. A expectativa é de atraso no retorno das chuvas no Brasil central, acompanhado de temperaturas elevadas e possíveis ondas de calor no início da semeadura. Além disso, o Matopiba pode registrar precipitações abaixo da média.

No curto prazo, a chuva deve continuar concentrada em áreas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, com volumes que podem ultrapassar 50 milímetros nos próximos cinco dias. Já em estados como São Paulo, Paraná e parte da região Sul, além da Bahia, o tempo tende a ficar mais firme, favorecendo o avanço das operações no campo.

Mesmo assim, os produtores devem aproveitar as janelas de tempo seco. Entre os dias 19 e 23 de março, um novo sistema deve provocar o avanço de áreas de instabilidade, trazendo volumes elevados de chuva para diversas regiões produtoras.

Na sequência, entre os dias 24 e 25 de março, a chuva volta a ganhar força na região Sul do país, com acumulados que também podem superar 50 milímetros em cinco dias. Esse cenário mantém o ritmo das lavouras dependente das condições climáticas nas próximas semanas.

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Com alta do petróleo, governo eleva projeção de inflação para 2026


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Dinheiro, Real Moeda brasileira

A volatilidade no mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio fez o Ministério da Fazenda revisar para cima a projeção de inflação para 2026.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 3,7%, ante estimativa anterior de 3,6%.

Apesar da revisão na inflação, a pasta manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026.

Segundo o governo, a atualização reflete principalmente o impacto do aumento no preço do petróleo no mercado internacional, que elevou as projeções de custos de combustíveis no Brasil.

Petróleo

A SPE elevou a estimativa do preço médio do petróleo para US$ 73,09 por barril em 2026, contra projeção anterior de US$ 65,97, alta de cerca de 10,8%.

O aumento foi incorporado às projeções macroeconômicas considerando que parte da elevação dos preços nas refinarias será repassada ao consumidor final.

De acordo com o estudo, o cálculo considera um repasse de 20% a 30% do preço praticado pelas distribuidoras para o valor final dos combustíveis.

Por outro lado, a valorização do real em relação ao dólar ajuda a reduzir parte dessa pressão inflacionária.

Inflação

A atualização das projeções considera também o comportamento recente do câmbio. A estimativa para a cotação média do dólar em 2026 caiu de R$ 5,43 para R$ 5,32, o que contribui para moderar parte do impacto inflacionário.

Segundo a SPE:

  • Cada alta de 1% no preço do petróleo pode elevar o IPCA em 0,02 ponto percentual
  • Cada apreciação de 1% do real frente ao dólar pode reduzir a inflação em 0,06 ponto percentual

Além do IPCA, outros indicadores também tiveram revisão:

  • INPC: passou de 3,7% para 3,8%;
  • IGP-DI: subiu de 4,6% para 4,9%.
  • O IGP-DI é mais sensível ao petróleo porque inclui itens do atacado, como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e fertilizantes.

Crescimento

Mesmo com o choque de preços, o governo manteve a projeção de crescimento econômico de 2,3% para 2026.

Segundo a SPE, a alta do petróleo tende a estimular a atividade econômica brasileira porque o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados.

A valorização da commodity pode ampliar o superávit comercial, elevar a arrecadação com royalties e tributos do setor e impulsionar a atividade extrativa e segmentos relacionados.

Em cenário de choque mais intenso, as simulações da SPE indicam que o PIB poderia ganhar até 0,36 ponto percentual adicional, embora com pressão maior sobre a inflação.

Projeções por setor

As estimativas de crescimento para os principais setores da economia em 2026 foram mantidas com pequenas alterações:

  • Agropecuária: crescimento de 1,2%
  • Indústria: alta de 2,2%
  • Serviços: expansão de 2,4%

Segundo a equipe econômica, o desempenho da indústria em 2025 ficou abaixo do esperado, o que reduziu o chamado “carregamento estatístico” para o crescimento do setor em 2026.

Cenários

A SPE também simulou cenários mais severos ligados ao conflito no Oriente Médio, incluindo impactos de uma guerra prolongada envolvendo o Irã.

No cenário mais extremo:

  • O PIB poderia crescer 0,36 ponto percentual adicional;
  • A inflação subir até 0,58 ponto percentual;
  • A arrecadação federal aumentar até R$ 96,6 bilhões.

Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, projeções mais adversas dependeriam de interrupções relevantes na oferta global de petróleo.

Medidas

As projeções divulgadas não consideram ainda as medidas anunciadas pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis.

Entre elas estão:

  • redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel;
  • subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores;
  • criação de imposto sobre exportação de petróleo.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o foco no diesel ocorre porque o combustível tem forte impacto sobre a inflação, já que é amplamente utilizado no transporte de cargas e no escoamento da produção agrícola.

O governo estima que as medidas podem impedir o preço do diesel de subir R$ 0,64 por litro nas bombas. Nesta sexta, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 no litro do diesel nas distribuidoras.

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