sábado, março 14, 2026

Autor: Redação

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Boi gordo: 2025 encerra com abate e exportações recordes, mas fator China segue no radar


boi gordo preço em alta
Imagem gerada por IA

O ano de 2025 foi marcante para a bovinocultura de corte brasileira. O analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias reforça que o setor foi pautado pelo maior abate da história.

O volume superou a marca de 441,044 milhões de cabeças, o que contribuiu para a maior produção de carne bovina de todos os tempos, de 11,392 milhões de toneladas.

“Tiveram destaque para esse resultado os abates nos estados de Mato Grosso, São Paulo e Goiás. Também é preciso mencionar a evolução da Região Norte como um relevante polo de produção de carne bovina”, avalia.

Para ele, a resiliência do valor da arroba do boi gordo também marcou o ano de 2025. Além disso, o setor conseguiu superar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, atingindo exportações também em níveis históricos, de 4,984 milhões de toneladas, com avanço de 19,04% ante 2024.

Exportações de carne em 2025

Iglesias ressalta que os embarques de proteína boniva não cresceram apenas em volume, mas também em receita de forma bastante significativa. Entre os maiores mercados compradores do Brasil ao longo de 2025, destacam-se: China, México, União Europeia, Rússia e, antes do tarifaço, os Estados Unidos.

“Grande parte dos abates neste ano foram absorvidos pela demanda externa, o que ajudou a manter os preços do boi em bons patamares”, sinaliza.

De acordo com o analista, a demanda interna, por outro lado, seguiu problemática, uma vez que o brasileiro tem sérios problemas em relação ao baixo poder de compra.

“Isso fez com que a disponibilidade interna de carne bovina caísse 1,96% em 2025, ficando em 6,445 milhões de toneladas. O nível de endividamento das famílias segue elevado, boa parte dos recursos de programas sociais do governo foram utilizados pela população para a realização de apostas em jogos de azar e não para a compra de alimentos, o que contribuiu para fazer com que a demanda por carne bovina ficasse reprimida”, afirma.

Desafios enfrentados por concorrentes

Concorrentes históricos do Brasil na exportação de carne bovina enfrentaram momentos delicados ao longo de 2025. Iglesias sinaliza que Estados Unidos e União Europeia vem apresentando recuos rotineiros em seus rebanhos no decorrer da década.

“A Argentina também enfrentou dificuldades, contando com encolhimento do abate, produção e exportação na atual temporada”, detalha.

Conforme Iglesias, o Brasil tem muitos predicados quando se trata de atender a demanda global, com condições de se adequar às especificações dos mercados mais exigentes.

“Precocidade e biosseguridade são os grandes diferenciais brasileiros neste momento. Além disso, o país trabalha de maneira firme pela rastreabilidade integral do rebanho de bovinos, diferencial que ampliaria a capacidade brasileira em fornecer produto para mercados que contam com maior grau de exigência.”

Ano encerra-se com apreensão

exportações empresas tarifaço

Exportadores globais de carne bovina encerram 2025 na expectativa sobre o resultado da investigação chinesa.

“Se por um lado o desempenho brasileiro se mostrou muito favorável ao longo de 2025, o setor encerra o ano com uma certa apreensão. O motivo é o resultado da investigação chinesa iniciada no final de 2024 que avalia os impactos da importação de carne bovina sobre a produção local”, especifica Iglesias.

O resultado das apurações chinesas estava marcado para ser divulgado ainda em novembro deste ano, mas a nova data limite para o anúncio de eventuais salvaguardas foi adiada para 26 de janeiro de 2026.

“Este é, sem dúvida, um dos fatores de maior preocupação para os exportadores de carne bovina do Brasil neste final de ano, dada a relevância da China nas compras da proteína”, finaliza o analista de Safras & Mercado.

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Após onda de calor, chuvas retornam na maior parte do país na última semana do ano


A última semana do ano será marcada por uma mudança no padrão do tempo em grande parte do Brasil, após dias de calor intenso e tempo mais aberto registrados durante o período do Natal. O enfraquecimento do bloqueio atmosférico que atuava sobre o país permite o avanço das instabilidades, favorecendo o retorno das chuvas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Norte, além da manutenção dos temporais no Sul.

Durante a semana do Natal, a presença do bloqueio atmosférico manteve as temperaturas elevadas e contribuiu para a ocorrência de recordes de calor, como os registrados na cidade de São Paulo. Nesse período, a chuva ficou mais concentrada sobre a região Sul.

Bloqueio atmosférico perde força e instabilidades avançam

Com a perda de intensidade do bloqueio atmosférico, as áreas de instabilidade passam a se organizar melhor e a se espalhar com mais facilidade pelo interior do país. Esse cenário representa uma transição importante em relação à semana anterior, quando o calor extremo limitou o avanço das chuvas para diversas regiões.

A tendência é de que a chuva se torne mais abrangente, especialmente no Sudeste, Centro-Oeste e Norte, enquanto o Sul segue com registro de temporais.

Frente fria e ventos aumentam a umidade

O deslocamento de uma frente fria pelo litoral e a circulação de ventos em diferentes níveis da atmosfera reforçam o transporte de umidade sobre o Brasil. Esse cenário cria condições favoráveis para a formação de pancadas de chuva mais intensas, que podem vir acompanhadas de raios e rajadas de vento.

No Sul, os temporais continuam frequentes. Já no Sudeste, a chuva ganha força principalmente entre as tardes e noites. No Centro-Oeste e no Norte, as instabilidades seguem características do verão, mas com maior organização e potencial para volumes elevados em alguns pontos.

Calor persiste, mas sem extremos

Apesar do aumento da nebulosidade e da chuva, o calor segue presente nesta última semana do ano. As temperaturas, no entanto, não devem atingir os extremos observados na semana do Natal.

A sensação de abafamento permanece elevada, sobretudo nas áreas com maior umidade do ar. A combinação entre calor e umidade mantém o risco de chuvas rápidas e intensas, especialmente no período da tarde, exigindo atenção para possíveis transtornos causados por temporais.

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AgroNewsPolítica & Agro

Goiás amplia VBP da suinocultura após dois anos de queda


A carne suína perdeu competitividade frente à carne de frango em novembro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), analisados na edição de dezembro do informativo mensal Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). No período, a carcaça especial suína foi comercializada a R$ 12,63 por quilo, com alta de 0,7% em relação a outubro. Já o frango resfriado apresentou média mensal de R$ 8,09 por quilo, queda de 0,9% na mesma base de comparação, resultando em uma diferença de R$ 4,54 por quilo entre as duas proteínas.

Apesar da perda de competitividade no comparativo mensal, a análise da Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa indica perspectiva de valorização adicional da carne suína no encerramento do ano, em função do aumento da demanda associado às festividades de fim de ano, tradicionalmente mais aquecida nesse período.

O informativo aponta ainda que a suinocultura brasileira retomou o crescimento do Valor Bruto da Produção (VBP) entre 2023 e 2025, após dois anos consecutivos de retração. Goiás acompanhou esse movimento, com destaque para 2024, quando registrou avanço de 25,1% em relação a 2023. O desempenho reflete a valorização da carne suína observada nos últimos três anos e estimulou a produção no estado, que alcançou recorde no número de carcaças abatidas em 2024.

O setor segue impulsionado, principalmente, pelo mercado externo. Em outubro, as exportações goianas de carne suína cresceram 60,3% em valor e 39,5% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço foi influenciado pelo aumento das compras de Singapura, principal parceiro comercial do estado, responsável por 51,1% do valor exportado no período, com embarques concentrados em carne suína in natura.

Esse desempenho reforça a expectativa positiva da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para as exportações brasileiras de carne suína, projetadas para alcançar 1,4 milhão de toneladas em 2025.





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Produção e exportação de carne bovina da União Europeia devem cair em 2026


carne bovina
Foto: Divulgação Mapa

A produção de carne bovina pela União Europeia em 2026 deve chegar a 6,425 milhões de toneladas, em equivalente carcaça, conforme estimativa da consultoria Safras & Mercado.

A projeção toma como base os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Departamento de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) e mostra que o volume deve ficar 0,77% abaixo do estimado para 2025, de 6,475 milhões de toneladas.

Quanto às exportações dos países membros do bloco, deverá recuar 2,44% no ano que vem e atingir 600 mil toneladas de proteína bovina, em equivalente carcaça. Em 2025, os embarques foram indicados em 615 mil toneladas.

Da mesma forma, as importações de carne bovina da União Europeia no próximo ano deverão somar 405 mil toneladas, em equivalente carcaça, 4,71% aquém das 425 mil toneladas previstas para serem adquiridas em 2025.

Os dados ainda mostram que devem ser consumidas 6,230 milhões de toneladas de carne bovina em 2026 pelo bloco, volume 0,88% inferior ao esperado para este ano, de 6,285 milhões de toneladas.

Quanto ao Brasil, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que foram produzidas 12,3 milhões de toneladas da proteína, recorde histórico. Para 2026, a entidade aponta que a tendência é de retração global, visto que em 2025 o ritmo de abate foi acelerado entre as principais nações produtoras.

Segundo o USDA, o país deve atingir 11,7 milhões de toneladas e ficar em pé de igualdade com os Estados Unidos, sendo que, em 2025, o Brasil superou os norte-americanos em produção pela primeira vez, com cerca de 500 mil toneladas a mais.

*Com informações de Safras News

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AgroNewsPolítica & Agro

colheita e secagem ganham ritmo no RS



Produtores intensificam colheita de tabaco no estado



Foto: Pixabay

A colheita do tabaco avança nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (25) pela Emater/RS-Ascar. O levantamento indica intensificação das atividades de campo, com foco na colheita, secagem das folhas e condução dos tratos culturais.

Na região administrativa de Pelotas, a colheita ocorre em todos os municípios, acompanhada da secagem das folhas nas estufas. Os produtores realizam capação, aplicação de produtos antibrotantes e adubações de cobertura. No cultivo do tabaco tradicional, as operações concentram-se nas etapas de colheita e secagem.

Em Santa Rosa, teve início a colheita da variedade Burley, conhecida como fumo de galpão. As lavouras encontram-se em fase final de desenvolvimento, com expectativa de produtividade estimada em 2.200 kg por hectare. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a cultura apresenta condição fitossanitária satisfatória.

Já na região administrativa de Soledade, especialmente no Baixo Vale do Rio Pardo, a colheita segue em ritmo intenso. Áreas implantadas mais cedo estão sendo liberadas para o plantio de soja ou milho. Os produtores mantêm os tratos culturais, com controle de plantas invasoras e finalização da salitragem em áreas mais altas, além da realização de desbrota química e colheita. A área cultivada com tabaco no estado está estimada em 67 mil hectares, conforme a Emater/RS-Ascar.





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Gramíneas consorciadas com leguminosas em ILP elevam ganho de peso dos bois e reduzem metano


consórcio entre gramíneas e leguminosas em ILP
Foto: Thais Rodrigues de Sousa/UnB

Sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) que combinam gramíneas forrageiras de alto potencial produtivo com leguminosas promovem ganhos expressivos de produtividade e reduzem a intensidade das emissões de metano entérico na pecuária. Além disso, essas estratégias aumentam o acúmulo de carbono no solo, reforçando o papel da atividade pecuária na mitigação das mudanças climáticas.

Essa é a principal conclusão de um estudo conduzido pela Embrapa Cerrados, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). O trabalho científico ganhou destaque em um simpósio internacional coordenado pelo Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon), da Universidade de São Paulo.

Avaliação de diferentes sistemas produtivos

A pesquisa integra a tese de doutorado da bolsista Thais de Sousa, desenvolvida com apoio de pesquisadores da Embrapa Cerrados e orientação acadêmica da UnB. O estudo avaliou como distintas estratégias de intensificação da pecuária, com bovinos da nelore BRGN, influenciam o desempenho animal, as emissões de metano entérico e o estoque de carbono no solo.

Foram analisados três sistemas de produção. O primeiro consistiu em pastagem contínua solteira de capim BRS Piatã. O segundo avaliou o consórcio do mesmo capim com a leguminosa feijão-guandu Iapar 43. Já o terceiro sistema envolveu a integração lavoura-pecuária, com rotação entre lavoura e pastagem de capim BRS Zuri.

Ganho de peso cresce com intensificação

Os resultados mostram uma relação direta entre intensificação produtiva e desempenho animal. No sistema de pastagem solteira, o ganho médio diário foi de 0,44 kg por animal. No consórcio com leguminosa, esse valor subiu para 0,69 kg. Já no sistema ILP em rotação com lavoura, o ganho médio diário alcançou 0,76 kg.

Segundo os pesquisadores, a melhoria da qualidade e da disponibilidade da forragem explica parte desse desempenho. Pastagens mais equilibradas nutricionalmente favorecem o consumo e a eficiência alimentar dos bovinos, refletindo em maior produção de carne por área.

Menor intensidade de emissão de metano

Além do ganho de peso, o estudo revelou redução significativa na intensidade de emissão de metano, indicador que relaciona a quantidade de gás emitida com o ganho de peso vivo por hectare. A pastagem solteira apresentou intensidade de 450 g de CH₄ por quilo de ganho de peso vivo por hectare.

No consórcio com leguminosa, esse índice caiu para 269 g de CH₄ por quilo. No sistema ILP com capim Zuri em rotação, a intensidade foi ainda menor, de 224 g de CH₄ por quilo de ganho de peso vivo por hectare. Os dados indicam que sistemas mais produtivos diluem as emissões, tornando a atividade mais eficiente do ponto de vista climático.

Solo mais rico em carbono

O acúmulo de carbono no solo acompanhou a mesma tendência observada para produtividade e emissões. Na camada de 0 a 30 centímetros, o estoque de carbono foi significativamente maior nos sistemas integrados.

O destaque ficou para o consórcio do capim Piatã com o feijão-guandu, que alcançou 83,17 toneladas de carbono por hectare. Na pastagem solteira, o estoque foi de 62,20 toneladas por hectare, o que representa um incremento superior a 20 toneladas de carbono no sistema consorciado.

Esse resultado reforça o papel das leguminosas na melhoria da fertilidade do solo e na ciclagem de nutrientes, além do efeito positivo sobre a captura de carbono atmosférico.

Intensificação com menor emissão de GEE

O estudo também demonstrou que intensificar a produção pecuária não significa, necessariamente, aumentar as emissões de gases de efeito estufa. Sistemas bem manejados, seja com a inclusão de leguminosas ou com a rotação lavoura-pecuária, possibilitam maior produção de carne com menor impacto ambiental.

Pesquisas anteriores realizadas na mesma área experimental já indicavam que os sistemas integrados reduzem as emissões de óxido nitroso em até 59%, outro gás de efeito estufa relevante no setor agropecuário.

Metano no centro do debate climático

O Brasil figura entre os maiores produtores de carne bovina do mundo, com mais de 90% da produção realizada em sistemas a pasto. Esse cenário oferece grande potencial de intensificação sustentável. A emissão de metano entérico, gerada no processo digestivo dos ruminantes, possui potencial de aquecimento global cerca de 27 vezes superior ao do dióxido de carbono em um horizonte de 100 anos.

O tema ganhou destaque nos debates sobre o papel da agropecuária brasileira na mitigação das mudanças climáticas durante a COP30, realizada em Belém (PA). Para a pesquisadora Arminda de Carvalho, da Embrapa Cerrados, reduzir emissões sem comprometer o desempenho animal é um dos principais desafios do setor.

“A integração lavoura-pecuária, o consórcio de pastagens e os sistemas intensivos bem manejados têm se mostrado alternativas viáveis para a descarbonização da pecuária”, afirma.

Os dados analisados foram coletados no experimento com sistemas ILP mais antigo do Brasil, implantado em 1991 na área experimental da Embrapa Cerrados. As avaliações ocorreram em maio, agosto e dezembro de 2024.

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O agro não agrava o calor extremo, ele mitiga a seca


onda de calor, altas temperaturas
Foto: Motion Array

Ondas de calor cada vez mais intensas voltam a colocar o agro no centro das críticas ambientais. Mas, mais uma vez, o debate escorrega para a narrativa fácil e ignora os fatos. O campo não compete com a população por água. Pelo contrário: o agro brasileiro ajuda a regular o ciclo hídrico e a reduzir os impactos da estiagem.

Calor extremo aumenta a evaporação e o risco de seca

Temperaturas elevadas aceleram a perda de umidade do solo e pressionam rios e reservatórios. O problema não é apenas quanto chove, mas como a água é absorvida, armazenada e devolvida ao ambiente.

O agro sequestra a água da chuva no solo 

Mais de 90% da água utilizada pela agropecuária brasileira vem da chuva. Essa água infiltra no solo, é retida pela matéria orgânica, pelas raízes e pela cobertura vegetal, reduzindo o escoamento superficial e ajudando a manter a umidade por mais tempo. Solo vivo funciona como esponja; solo exposto vira deserto.

A produção rural não concorre com o uso humano da água 

A legislação brasileira é clara: em situações de escassez, a prioridade é o consumo humano e o abastecimento de animais. A agricultura vem depois e depende de outorga. A ideia de que o agro “rouba” água das cidades não resiste à lei nem aos dados.

Vegetação produtiva ajuda a resfriar o ambiente 

Lavouras, pastagens bem manejadas e sistemas integrados aumentam a evapotranspiração equilibrada, reduzem ilhas de calor e melhoram o microclima. Áreas agrícolas bem conduzidas podem ser mais eficientes na regulação térmica do que solos degradados ou áreas urbanas impermeabilizadas.

O produtor é a primeira vítima da seca 

Quando falta chuva, não há produção, não há renda e não há alimento. Não faz sentido imaginar que o produtor destruiria o próprio recurso do qual depende para sobreviver.

O verdadeiro colapso hídrico começa fora do campo 

Enquanto o agro usa majoritariamente água da chuva, mais de um terço da água tratada nas cidades se perde em vazamentos. Água captada, tratada, bombeada e desperdiçada, sem debate, sem indignação e sem manchete.

Demonizar o agro em meio ao calor extremo não ajuda a enfrentar a seca. Preservar água exige solo protegido, vegetação viva, manejo correto e investimento em infraestrutura. O agro brasileiro não agrava o problema climático: ele é parte essencial da solução.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Inclusão do peixe na cesta básica deve impulsionar consumo no Brasil, aposta setor do pescado


Peixes; Semana Santa
Foto: Divulgação/Emater-MG

Após um ano marcado por excesso de oferta, queda brusca nos preços e desafios regulatórios, a piscicultura brasileira encerra 2025 mais resiliente e otimista em relação ao futuro. A avaliação é de Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, que projeta um cenário mais favorável para o setor em 2026, impulsionado pela recuperação do consumo, avanços na reforma tributária e maior competitividade do pescado nacional.

Segundo Medeiros, o ano foi de “águas turbulentas”, mas também de aprendizado. “O que tinha de acontecer em 2025 aconteceu. Passamos por muitas tormentas, mas chegamos ao fim do ano confiantes e com uma expectativa muito positiva para 2026”, afirmou em entrevista ao programa Planeta Campo.

Preços baixos ampliaram consumo

O dirigente reconhece que o primeiro semestre foi especialmente difícil, com preços pressionados pela alta oferta. No entanto, o cenário acabou contribuindo para ampliar a base de consumidores. “Esse período de preços mais baixos ajudou a fidelizar novos consumidores, o que é estratégico para o setor”, destacou.

A recuperação observada no segundo semestre reforça, segundo ele, a perspectiva de crescimento sustentado da piscicultura no país.

Reforma tributária deve impulsionar o pescado

Um dos principais pontos de otimismo para os próximos anos é a inclusão do peixe de cultivo na cesta básica, prevista na reforma tributária. Embora a implementação total da reforma esteja prevista apenas até 2033, Medeiros avalia que a decisão já representa uma conquista histórica para o setor.

“A entrada na cesta básica traz isonomia com outras proteínas. Hoje, algumas cadeias, como aves, não têm impostos sobre insumos como a ração, enquanto a piscicultura tem. Isso nos dá mais competitividade e permite oferecer melhores preços ao consumidor”, explicou.

Com isso, a escolha do pescado tende a deixar de ser pautada pelo preço e passar a considerar fatores como hábitos alimentares, qualidade e valor nutricional. “É algo pelo qual lutamos por muitos anos e que deve contribuir de forma significativa para o aumento do consumo de pescado no Brasil”, completou.

Baixo consumo per capita ainda é desafio

Apesar dos avanços, o presidente da Peixe BR lembra que o Brasil ainda tem um dos menores consumos per capita de pescado do mundo. “O continente africano, por exemplo, consome mais pescado por pessoa do que o Brasil”, afirmou, ressaltando que a competitividade tributária é um passo importante para mudar esse cenário.

Debate sobre espécies invasoras preocupa o setor

Outro tema sensível em 2025 foi a discussão sobre a inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras, tema que segue em debate e teve decisões adiadas para 2026. Medeiros criticou a abordagem adotada pelo Ministério do Meio Ambiente e alertou para possíveis impactos negativos sobre o consumo.

“O conceito de espécie invasora é questionado inclusive dentro da academia. Um grupo muito pequeno de pesquisadores não representa a realidade da piscicultura brasileira”, argumentou. Segundo ele, a classificação pode gerar estigmatização do produto, especialmente entre consumidores mais jovens, atentos às pautas ambientais.

“Não é preciso proibir para causar impacto. Quando o governo classifica um alimento como invasor, isso afeta diretamente a percepção do consumidor”, alertou.

Olhar para 2026

Apesar dos desafios regulatórios e do debate ambiental, Medeiros reforçou que o setor segue focado em produzir alimento de qualidade e contribuir para a segurança alimentar. “Invasora é a fome. Quem trabalha para combatê-la deveria ser valorizado, não criminalizado”, afirmou.

Para 2026, a expectativa é de mais trabalho, consolidação do consumo e fortalecimento da piscicultura nacional. “O consumidor pode confiar na tilápia, no tambaqui e nos peixes de cultivo brasileiros. Hoje eles estão presentes em todo o país e, no próximo ano, estarão ainda melhores”.

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AgroNewsPolítica & Agro

Citricultura enfrenta queda de preços e alívio nos EUA


A safra 2025 da laranja pera para indústria começou com preços elevados, sustentados por uma combinação entre oferta limitada e demanda firme por frutas de boa qualidade. No entanto, ao longo do ano, esse cenário sofreu mudanças importantes, impactando diretamente a rentabilidade do citricultor e o ritmo da indústria.

Segundo dados divulgados pelo Cepea, o segundo trimestre foi marcado por uma reversão nas cotações. Estoques de suco com padrão inferior de qualidade e o menor interesse da indústria por novos lotes pressionaram os valores pagos ao produtor. Esse movimento se intensificou com a divulgação, em maio, da estimativa do Fundecitrus, que projetava uma safra 2025/26 com 314,6 milhões de caixas de 40,8 kg, sugerindo um volume mais expressivo.

Na avaliação do setor industrial, a expectativa era de que a produção se concentrasse na segunda florada, com colheita intensificada entre agosto e setembro. Do lado dos produtores, entretanto, houve frustração com os preços propostos, em um cenário ainda marcado por elevada queda de frutos — reflexo do avanço de doenças como o greening e o cancro cítrico, além das condições climáticas adversas.

Esses fatores levaram o Fundecitrus a revisar a projeção inicial. Em novo relatório, a estimativa da safra 2025/26 foi reduzida para 294,81 milhões de caixas, revelando perdas relevantes e reabrindo o debate sobre os desafios fitossanitários da citricultura.

Outro fator que trouxe instabilidade ao mercado foi o risco de uma tarifa adicional de 40% por parte dos Estados Unidos sobre o suco brasileiro. A possibilidade de um tarifaço elevou a tensão entre exportadores durante boa parte do primeiro semestre. Contudo, em julho, veio o alívio: o governo norte-americano optou por isentar o suco de laranja do Brasil da medida, uma decisão considerada estratégica para manter o abastecimento no país.

Mesmo com a isenção, os embarques realizados entre julho e novembro de 2025 ficaram abaixo do volume exportado no mesmo período da safra anterior. Uma das mudanças observadas foi a nova composição dos destinos: Estados Unidos e União Europeia dividiram a liderança nas importações, com participações semelhantes — cerca de 48% cada.

A safra, que já se mostrava atrasada, também apresentou uma nova dinâmica contratual. A formalização de contratos ocorreu mais tardiamente e em volumes menores, o que reforçou a pressão sobre os preços no último trimestre do ano.

Com cenário ainda indefinido, a citricultura brasileira encerra 2025 entre a expectativa de recuperação produtiva, os desafios fitossanitários persistentes e a necessidade de reequilibrar as relações comerciais com a indústria.





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Plantas daninhas: manejo na cultura do sorgo é estratégico para o país; entenda


Plantação de sorgo no Oeste da Bahia
Plantação de sorgo no Oeste da Bahia | Imagem: Agência Script

A expansão da cultura do sorgo granífero no Brasil é um fenômeno agronômico e econômico robusto, diretamente ligado à otimização na rotação de culturas e à demanda industrial.

Para discutir esse assunto e as oportunidades do mercado de bioetanol, a Embrapa e a Inpasa Brasil realizaram dois eventos nas regiões do Oeste da Bahia e de Balsas, no Maranhão.

O “Simpósio do Sorgo”, em parceria com a Círculo Verde, ocorreu em Luís Eduardo Magalhães no início do mês, reunindo profissionais do agronegócio da região. Também no começo de dezembro, foi realizado o “Seminário da Cultura do Sorgo – a escolha certa para sua safrinha”, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindibalsas).

Oportunidades e desafios na produção de sorgo

As iniciativas fazem parte do acordo de cooperação técnica entre a Embrapa e a Inpasa no projeto “Transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável da produção de sorgo”. O engenheiro agrônomo Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, coordena o trabalho.

Nos últimos anos, a cultura do sorgo apresentou um crescimento significativo, com um incremento de mais de 400% na produção nacional, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citados por Botelho. “O sorgo é impulsionado por suas características complementares às culturas agrícolas atuais, especialmente em um cenário de mudanças climáticas”, declarou.

Importância do manejo de plantas daninhas

Durante o simpósio, o pesquisador Alexandre Ferreira da Silva abordou a importância do manejo de plantas daninhas na cultura do sorgo. Ele ressaltou que as boas práticas agrícolas são essenciais para a redução da pressão das plantas daninhas na lavoura. “O controle químico deve ser visto como um método complementar”, informou Silva.

Ele destacou o controle preventivo como a principal estratégia, buscando evitar a introdução de plantas daninhas nas áreas cultivadas. Silva recomendou o controle das plantas daninhas em áreas adjacentes, já que a ausência de controle pode levar à dispersão de sementes indesejadas nas lavouras.

Crescimento do cultivo de sorgo no brasil

O gerente comercial da Inpasa, Irineu Piaia Junior, destacou a relevância da produção de sorgo na segunda safra nas regiões de Balsas e Luís Eduardo Magalhães. “O simpósio traz debates técnicos fundamentais para o crescimento sustentável da cultura”, afirmou.

Com uma programação cuidadosamente elaborada, os eventos reforçaram o compromisso dos organizadores em fortalecer o conhecimento técnico e a inovação no agronegócio. As ações visam não apenas a transferência de tecnologia, mas também o fomento a práticas que fortaleçam o potencial produtivo da cultura do sorgo no Brasil.

Com informações de: embrapa.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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