sexta-feira, março 13, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Conflito no Oriente Médio eleva preço da ureia e pressiona custo da safra em Mato Grosso


A escalada das tensões no Oriente Médio já produz efeitos sobre o agronegócio brasileiro e vai impactar a formação dos custos da safra 2026/27 em Mato Grosso. Estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o agravamento do conflito na região e os gargalos logísticos no Estreito de Ormuz provocaram forte alta no preço futuro da ureia, com reflexos diretos sobre os custos da produção agrícola.

De acordo com o levantamento, a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes, elevou a incerteza sobre a oferta global, encareceu fretes e seguros marítimos e ampliou o risco de restrições no abastecimento. O bloqueio do tráfego na região já deixou embarcações retidas nas costas de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, agravando a pressão sobre o mercado internacional.

Os dados do estudo também mostram que a crise atinge o mercado em um momento sensível para o abastecimento brasileiro. No caso dos fertilizantes nitrogenados, as importações costumam ganhar força a partir de março e se concentram em maior volume no terceiro e no quarto trimestres. Já os fosfatados registram movimento mais intenso entre o segundo e o terceiro trimestres, também com aceleração a partir de março, quando começa a formação de estoques para atender a demanda das principais culturas. Na prática, a alta internacional ocorre justamente na janela em que o país intensifica a reposição desses insumos.

O efeito mais visível apareceu na ureia. O contrato futuro para março de 2026 chegou a US$ 618 por tonelada em 5 de março, alta de 30,65% desde o início do conflito. Em Mato Grosso, a principal preocupação imediata recai sobre o milho. Como a compra de insumos para a safra 2026/27 ainda está em estágio inicial, o produtor segue mais exposto às oscilações de preço. Segundo o Imea, apenas 5,95% das negociações de fertilizantes para a cultura haviam sido realizadas até o momento analisado.

Em simulação para o milho de alta tecnologia em Sinop, o instituto estima que uma alta de 30% no preço dos fertilizantes nitrogenados elevaria em 4,68% o Custo Operacional Efetivo (COE), o equivalente a 5,90 sacas de milho por hectare. O estudo também indica que, a cada 10% de aumento por ponto de nitrogênio, o impacto no COE é de 1,97 saca por hectare.

Os gráficos do estudo mostram um cenário ainda mais sensível para o milho. Em Mato Grosso, a comercialização de fertilizantes para a safra 2026/27 chegou a apenas 5,95% no período analisado, bem abaixo da média histórica para o momento. Como as aquisições costumam ganhar ritmo entre o primeiro e o segundo trimestres, a disparada dos preços internacionais atinge o produtor justamente no começo da janela de compra, o que pode elevar o custo da safra como um todo e até adiar parte das negociações.

Na soja, o sinal de alerta está concentrado nos fertilizantes fosfatados. O Brasil importou, em 2025, 40,01% desse tipo de insumo de Egito e Israel. Em Mato Grosso, a dependência é ainda maior, já que os dois países responderam juntos por 58,91% das compras estaduais de fosfatados. O cenário amplia a exposição do produtor a choques de oferta, atrasos logísticos e custos mais altos na formação da próxima safra.

Com isso, parte relevante do planejamento da próxima safra tende a ser construída em um ambiente mais caro e volátil. Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, têm peso maior no custo do milho, enquanto os fosfatados exercem impacto mais relevante sobre a soja, cultura mais sensível a esse tipo de insumo na formação da lavoura.

Para o coordenador de Inteligência Agropecuária do Imea, Rodrigo Silva, o risco vai além da alta pontual da ureia. “O Estreito de Ormuz ocupa posição estratégica no escoamento de petróleo, gás natural e no transporte de fertilizantes produzidos no Oriente Médio. Com navios retidos, seguros marítimos mais caros e risco de restrição de oferta, o agronegócio brasileiro pode enfrentar inflação no custo de produção e pressão sobre as margens”, afirma.

Na avaliação do Imea, a combinação entre dependência externa, gargalos logísticos e alta dos preços internacionais compromete a previsibilidade do planejamento agrícola e tende a reduzir a rentabilidade das próximas safras. Mantido o atual cenário geopolítico, Mato Grosso deve entrar no ciclo 2026/27 com insumos mais caros, maior pressão sobre os custos e menor margem para o produtor.





Source link

News

Cotação do boi gordo: mercado vai recuperando preços graças à oferta restrita


pecuária, gado , boi
Foto: Gilson Abreu/AEN

O mercado físico do boi gordo recuperou seus preços no decorrer da semana. O ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curtíssimo prazo, considerando o atual posicionamento das escalas de abate, ainda convivendo com restrição de oferta.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a guerra no Oriente Médio ainda gera instabilidades. “Entretanto, o entendimento é de uma logística mais complicada, com custos mais pesados sobre os exportadores, mas sem a disrupção total do fluxo de exportação”, sinaliza.

De acordo com ele, mesmo assim, a escalada do conflito e potenciais desdobramentos não podem ser descartadas de forma alguma.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 348,75
  • Goiás: R$ 334,11
  • Minas Gerais: R$ 344,41
  • Mato Grosso do Sul: R$ 336,02
  • Mato Grosso: R$ 338,65

Mercado atacadista

O mercado atacadista ainda se depara com preços acomodados. Iglesias destaca que nem a entrada dos salários na economia tem sido insuficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina.

“O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos. Nesse campo, a prioridade está no consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos”, avalia.

  • Quarto dianteiro: ainda é precificado a R$ 20,50 por quilo;
  • Quarto traseiro: segue cotado a R$ 27,00 por quilo;
  • Ponta de agulha: se mantém no patamar de R$ 20,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,67%, sendo negociado a R$ 5,2457 para venda e a R$ 5,2437 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1572 e a máxima de R$ 5,2502.

O post Cotação do boi gordo: mercado vai recuperando preços graças à oferta restrita apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Inspeções do Mapa paralisam exportações de soja e mercado apresenta retração; veja cotações


O mercado brasileiro de soja atravessa um período de retração nas negociações. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente atual é marcado por incertezas e baixa liquidez. Muitos players estão fora dos negócios e não há indicações claras de compra, o que deixa o mercado travado.

Silveira explica que a situação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afastou diversas tradings do mercado, criando ainda mais insegurança. Apesar de alguns indicadores terem apresentado alta, a falta de volume relevante negociado mantém a liquidez baixa.

O cenário internacional também contribui para dificultar as operações, com custos logísticos elevados, tradings restritas e condições adversas, enquanto os produtores continuam avançando com a colheita em suas propriedades.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): seguiu em R$ 125,00
  • Santa Rosa (RS): permaneceu em R$ 126,00
  • Cascavel (PR): seguiu em R$ 120,00
  • Rondonópolis (MT): recuou de R$ 111,00 para R$ 110,00
  • Dourados (MS): seguiu em R$ 112,00
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 111,00 para R$ 112,00
  • Paranaguá (PR): seguiu em R$ 131,00
  • Rio Grande (RS): seguiu em R$ 131,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (12) com preços mais altos. O mercado buscou suporte na disparada do petróleo, que subia cerca de 8% próxima ao fechamento, e na perspectiva de aumento de demanda de soja norte-americana por parte dos chineses.

Notícias de que a Cargill suspendeu embarques do Brasil para China devido às mudanças nas inspeções ajudou no ímpeto comprador. De qualquer forma, o grão se afastou das máximas do dia nos últimos negócios, reflexo da força do dólar frente a outras moedas.

A empresa suspendeu as operações de exportação de soja do Brasil para a China após mudanças nos procedimentos de inspeção adotadas pelo governo brasileiro, que tornam difícil para os traders cumprir as exigências, afirmou, nesta quarta-feira, o chefe da empresa para a América Latina, Paulo Sousa.
Sousa disse que o Ministério da Agricultura do Brasil adotou uma avaliação sanitária mais rigorosa para a soja destinada à China, com o objetivo de verificar a presença de pragas e ervas daninhas, após um pedido do governo chinês. Segundo ele, o novo sistema é algo incomum no mercado de grãos.
A Cargill também parou de comprar soja de produtores locais no Brasil, acrescentou Sousa, já que no momento não consegue exportar o produto para a China.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão para maio de 2026 subiram 13,25 centavos de dólar por bushel, chegando a US$ 12,27 1/4 por bushel, e julho de 2026 avançou 12,75 centavos, fechando a US$ 12,40 por bushel. No farelo, a posição maio de 2026 teve ganho de US$ 4,80 ou 1,52%, a US$ 320,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em maio fecharam a 67,42 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,26 centavo ou 0,38%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,67%, cotado a R$ 5,2457 para venda e R$ 5,2437 para compra, oscilando durante o dia entre R$ 5,1572 e R$ 5,2502.

O post Inspeções do Mapa paralisam exportações de soja e mercado apresenta retração; veja cotações apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Redução de PIS/Cofins sobre diesel pode mitigar alta dos combustíveis, avalia CNA


caminhão rodovia diesel combustíveis
Foto: Pixabay

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que a decisão de zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel pode ajudar a mitigar os efeitos do aumento dos combustíveis sobre a economia nacional.

Segundo a entidade, a medida, anunciada nesta quinta-feira (12) pelo governo federal, tem o potencial de reduzir custos de produção no campo, ajudando a frear o ritmo de alta do preço dos alimentos ao consumidor, além de aliviar pressões inflacionárias.

Na terça-feira (10), a CNA encaminhou ofício ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, solicitando a redução imediata e temporária das alíquotas sobre o insumo.

O pedido foi motivado pelos recentes aumentos nos preços do petróleo e de seus derivados no mercado internacional e pelos impactos desse cenário sobre a economia brasileira, decorrente da escala dos conflitos no Oriente Médio.

Para a Confederação, o momento exige medidas que reduzam custos e garantam maior previsibilidade para o setor produtivo. Desta forma, a redução dessas cobranças pode contribuir para aliviar custos logísticos e operacionais da agropecuária, especialmente em um período estratégico para a produção.

“O momento atual é sensível para o setor agropecuário, marcado pela colheita da primeira safra e pelo plantio da segunda safra, período em que o custo do combustível tem efeito direto sobre as despesas de produção e sobre a atividade econômica”, destaca a CNA.

PIS/Pasep e Cofins são tributos federais que, juntos, somam aproximadamente 10,5% no valor do diesel comercializado.

O post Redução de PIS/Cofins sobre diesel pode mitigar alta dos combustíveis, avalia CNA apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Tempestades atingem Sudeste e Centro-Oeste


Tempestades devem continuar atingindo áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste nos próximos dias, segundo informações divulgadas pelo Meteored. O fenômeno pode provocar transtornos em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

De acordo com o serviço meteorológico, chuvas intensas estão se formando sobre grande parte do Sudeste e do Centro-Oeste devido à circulação de ventos e à convergência de umidade. Segundo a análise, “essa combinação está gerando uma faixa de nebulosidade e precipitação intensa sobre o Brasil”.

Entre os estados afetados pelo fenômeno estão São Paulo, Rio de Janeiro, o sul do Espírito Santo, grande parte de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, além do sul de Mato Grosso e do sul de Goiás.

As previsões indicam que a faixa de nebulosidade e chuva intensa deve permanecer ao longo de toda a semana e pode ganhar força nos próximos dias. Conforme o Meteored, “essa faixa de nebulosidade e chuva intensa continuará presente ao longo de toda a semana”.

Entre quarta-feira (11) e quinta-feira (12), a probabilidade de chuva deve aumentar entre o Sudeste e o Centro-Oeste. O destaque fica para áreas do norte e leste de São Paulo, sul de Minas Gerais e Espírito Santo, regiões que devem concentrar os maiores volumes ao longo da semana.

A partir do sábado (14) e do domingo (15), a faixa de chuvas intensas pode se deslocar em direção ao norte. Com isso, as precipitações devem atingir com maior intensidade Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso, enquanto a atuação do sistema tende a diminuir em grande parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Mesmo com a mudança na área de atuação, os acumulados totais de chuva até o fim do domingo devem permanecer elevados. Segundo o levantamento, “os volumes podem ultrapassar 150 milímetros em municípios do norte de São Paulo e do norte de Mato Grosso do Sul”.

Outras áreas também podem registrar acumulados expressivos, como o sul de Goiás, o sul de Minas Gerais, a região do Alto Paranaíba, além do Rio de Janeiro e do sul do Espírito Santo, com volumes próximos de 100 milímetros.

Diante da previsão de tempestades, o serviço meteorológico recomenda cautela durante os episódios de chuva intensa. Conforme o alerta, “é importante evitar enfrentar o mau tempo ou transitar em áreas de risco, como avenidas próximas a rios, além de não enfrentar correntezas ou circular em locais com possibilidade de deslizamentos”.





Source link

News

Denúncia leva à apreensão de 250 kg de mel comercializado sem registro


Mel
Foto: divulgação/Polícia Civil Mato Grosso do Sul

Cerca de 250 kg de mel sem procedência e em situação irregular foram apreendidos na manhã desta quarta-feira (11), em ação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) em conjunto com fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) de Mato Grosso do Sul.

A ação se deu na avenida Nossa Senhora do Bonfim, no município de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, após uma denúncia anônima de que um homem de 42 anos estaria comercializando mel sem o registro no Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

A denúncia informava ainda que os produtos estariam acondicionados em uma camionete GM/S10, cor branca, e que o veículo teria saído da cidade de Rio Verde, com destino a Campo Grande.

O veículo foi abordado por fiscais da Iagro enquanto trafegava pela Avenida Nossa Senhora do Bonfim. Durante a fiscalização, os agentes solicitaram apoio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon).

Durante a vistoria, foram localizadas 46 garrafas de vidro de 1800g, 36 bisnagas de tamanhos variados e 34 potes de vidro, todos sem rotulagem. Além disso, também foram encontrados sete tonéis plásticos de 50 litros vazios, com resíduos do produto e sinais de sujeira.

O post Denúncia leva à apreensão de 250 kg de mel comercializado sem registro apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Incêndio atinge silo de soja em Minas Gerais; entenda por que esses ambientes são vulneráveis


Divulgação Corpo de Bombeiros

Acidentes em estruturas de armazenagem de grãos são considerados de alto risco e exigem protocolos rigorosos de segurança. Um incêndio registrado na última terça-feira (10) em um silo de soja no município de Arcos, em Minas Gerais, voltou a chamar atenção para os perigos presentes nesse tipo de instalação.

O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para atender a ocorrência em uma estrutura industrial destinada à armazenagem de grãos. Ao chegar ao local, as equipes constataram que o foco do incêndio atingia o chamado silo “pulmão” e o conjunto do secador de grãos interligado à estrutura.

De acordo com informações repassadas pelo gerente da empresa, antes da chegada dos bombeiros, o material que estava no interior da secadora já havia sido retirado pela própria equipe da unidade. Mesmo assim, ainda havia resíduos fumegantes e incandescentes, que geravam calor intenso e apresentavam risco de reignição.

Durante a avaliação da estrutura, os militares observaram que as chapas metálicas do secador estavam sob temperaturas elevadas e apresentavam sinais de empenamento devido à ação do calor.

As equipes realizaram o reconhecimento da área, a avaliação dos riscos e o isolamento do perímetro para garantir a segurança da operação. Na sequência, iniciaram o combate às chamas e o resfriamento da estrutura, utilizando linhas de combate abastecidas pelo sistema de hidrantes da própria instalação e pela viatura de incêndio.

A operação contou ainda com o apoio de oito brigadistas da empresa. Ao todo, foram utilizados cerca de 30 mil litros de água do reservatório do sistema de hidrantes da unidade e aproximadamente 4.500 litros da viatura do Corpo de Bombeiros. Após intenso trabalho de combate e rescaldo para eliminar focos residuais, o incêndio foi totalmente controlado e não houve registro de vítimas.

Ambientes vulneráveis

Mas, afinal, o que torna ambientes como silos e unidades de secagem tão vulneráveis a incêndios e explosões? Segundo Leandro Ducioni, especialista em Áreas Classificadas da Schmersal, episódios como esse seguem um padrão técnico conhecido.

“Muitas vezes existe a combinação de três fatores: poeira orgânica fina, ar e uma fonte de ignição. A poeira gerada na manipulação de grãos como soja, trigo ou arroz funciona como combustível. Quando ela fica suspensa no ar, formando uma nuvem dentro de um ambiente confinado, basta uma superfície quente, faísca ou choque elétrico para provocar uma explosão”, explica.

Em sistemas de transporte de grãos, como correias transportadoras, o risco pode ser ainda maior. O atrito lateral, motores operando além do limite e mancais superaquecidos por falta de manutenção podem gerar calor suficiente para iniciar a combustão. “O calor emanado desses equipamentos pode funcionar como ignitor”, afirma.

Prevenção

A prevenção passa por tecnologia e monitoramento constante. Sensores capazes de medir a temperatura de mancais, detectar desalinhamento de correias e sistemas de visão térmica ajudam a identificar problemas antes que se tornem críticos.

Outro ponto essencial é o controle da poeira. Camadas de resíduos acumuladas em equipamentos ou estruturas podem ser facilmente dispersas e formar nuvens explosivas.

Durante o período de safra, o risco tende a aumentar. Jornadas prolongadas de operação, máquinas trabalhando no limite, superaquecimento de motores e maior volume de grãos elevam significativamente a geração de poeira e o desgaste dos equipamentos.

No Brasil, ambientes com risco de explosão devem seguir normas específicas para atmosferas explosivas, como a série ABNT NBR IEC 60079, incluindo a norma 60079-10-2, que trata da classificação de áreas. Equipamentos elétricos, eletrônicos e eletromecânicos instalados nesses locais precisam possuir certificação conforme exigências do Inmetro.

Além das soluções de engenharia, a segurança também depende da capacitação dos trabalhadores.

Segundo Alex Sandro da Silva, supervisor de Segurança do Trabalho do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o uso correto de equipamentos de proteção individual é indispensável.

“Para atividades em silos são recomendados capacete com jugular, óculos de proteção, protetores auriculares, luvas, botas antiderrapantes e respiradores PFF2 ou PFF3. Já em espaços confinados, é obrigatório o uso de cinto tipo paraquedista com talabarte, dispositivos de ancoragem, detectores de gases e até respiradores autônomos”, explica.

Entre os principais riscos nesses ambientes estão o engolfamento — quando o trabalhador é soterrado por grãos , atmosferas tóxicas ou com baixo nível de oxigênio, explosões de poeira e quedas de altura.

Por isso, protocolos como sistema de permissão de trabalho, plano de resgate, uso de tripés com guincho, iluminação anti-explosão e linhas de vida são considerados essenciais.

Mesmo com equipamentos disponíveis, especialistas apontam que o maior desafio ainda é cultural. Muitos trabalhadores resistem ao uso de EPIs por desconforto ou por subestimarem os riscos.

Para mudar essa realidade, entidades como o Senar têm investido em treinamentos práticos, simulações e apresentação de casos reais para fortalecer a cultura de prevenção no campo e nas unidades de armazenagem.

O post Incêndio atinge silo de soja em Minas Gerais; entenda por que esses ambientes são vulneráveis apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Planejamento forrageiro: momento de organizar o pasto é agora, diz especialista


Foto: Reprodução/Giro do Boi.
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

As projeções para o mercado da pecuária em 2026 indicam um cenário de oportunidades raras. No Giro do Boi desta quinta-feira (12), o engenheiro agrônomo Wagner Pires trouxe um alerta decisivo: o planejamento forrageiro não é apenas uma melhoria, mas uma necessidade de sobrevivência.

Com a janela das chuvas ainda aberta em diversas regiões e margens favoráveis no ciclo pecuário, o momento de organizar a “lavoura de capim” é imediato. A recuperação de uma pastagem degradada leva anos e exige aproveitar os tempos de bonança financeira para financiar as melhorias.

Confira:

Investimentos estratégicos

O pecuarista moderno deve abandonar o amadorismo e tratar o pasto com o mesmo rigor técnico de um agricultor de soja. Wagner Pires sugere começar o investimento pelas áreas que estão em melhor estado, e não pelas piores. Isso garante um retorno sobre o investimento mais rápido.

“Antes de pensar em reformas caríssimas que exigem revolvimento de solo, foque na recuperação e manutenção”, afirmou o agrônomo. Aplicar fertilizantes no momento certo economiza recursos e mantém a produtividade.

A importância do monitoramento

Vale lembrar que o planejamento deve estar atrelado ao desempenho animal. Sem o uso de balanças para medir o Ganho Médio Diário (GMD), o produtor trabalha no “achismo” e perde a chance de ajustar o manejo.

O planejamento forrageiro eficiente para o período seco começa agora, enquanto ainda há umidade no solo. Em 2026, a pecuária competitiva está intrinsecamente ligada à integração e à saúde do solo.

O gado e a terminação no pasto

Com cercas elétricas e balanças eletrônicas acessíveis, a eficiência no pasto é obrigatória. Uma pastagem bem cuidada reduz a dependência de grãos caros e garante que o boi se pague no pasto. Como resume o agrônomo: “O gado faz a terminação no pasto. Se faltar fibra de qualidade, sua margem vai embora”.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

O post Planejamento forrageiro: momento de organizar o pasto é agora, diz especialista apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Fávaro faz duras críticas à Cargill após suspensão de envio de soja à China


Ministro Fávaro
Foto: divulgação/ Agência Gov

Em entrevista exclusiva à CNN Agro, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, criticou a postura da Cargill após a empresa suspender temporariamente exportações de soja brasileira para a China.

A empresa alega que tomou a decisão após mudanças na inspeção fitossanitária adotadas pela pasta. De acordo com o presidente da companhia no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, o Mapa passou a adotar uma fiscalização mais rigorosa para cargas destinadas ao mercado do gigante asiático após solicitação do próprio governo chinês.

Segundo o executivo, a nova metodologia tem dificultado o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização necessária para o embarque da soja.

Contudo, na entrevista, Fávaro afirmou que a Cargill não foi correta ao atribuir a situação a mudanças de procedimento do Ministério da Agricultura. O ministro afirmou que “não irá precarizar o sistema sanitário brasileiro” por uma postura empresarial, que classificou como “irresponsável”.

De acordo com ele, a soja é o segundo maior produto da balança comercial brasileira e, além de estar no padrão, precisa cumprir os protocolos fitossanitários estabelecidos no comércio global.

‘Empresa mentiu’

À CNN Agro, Fávaro ressalta que não gostou da postura da Cargill quando diz que o Ministério da Agricultura muda os procedimentos. “Isso é mentira. [A Cargill] sabe muito bem que há algum tempo o governo chinês reclama de que há algumas cargas de soja brasileira chegando sem o cumprimento do protocolo”, ressalta.

Para o ministro, o cumprimento do protocolo sanitário é imprescindível, especialmente em relação à presença de sementes de ervas daninhas proibidas pelo país importador. “Existe um protocolo sanitário que restringe sementes de ervas daninhas que não existem do lado comprador. O Brasil se tornou referência mundial no comércio agro pela excelência do seu sistema sanitário”, afirmou.

Segundo Fávaro, o padrão da soja brasileira tem sido cumprido com excelência, mas recentemente identificou-se 19 navios carregados com soja com sementes com ervas daninhas, o que não prejudica o padrão de qualidade, mas descumpre o protocolo fitossanitário acordado com a China.

‘Faltou responsabilidade’

O ministro afirmou que a solução para o impasse de novo padrão sanitário passa por negociações entre exportadores e compradores, além de diálogo entre os governos dos dois países sobre eventuais ajustes no protocolo.

“Compradores e vendedores brasileiros e chineses precisam intensificar as negociações, e os dois governos podem discutir eventuais ajustes no protocolo, como alguma tolerância. Isso faz parte do jogo”, detalhou à CNN Agro.

“A Cargill deveria ser mais responsável. A postura da empresa não foi legítima. O que precisa ser feito é ajustar a limpeza da soja brasileira”, reforçou o ministro.

O titular do Mapa também fez questão de ressaltar que não há questionamentos sobre a qualidade comercial da soja brasileira. Ele lembrou que o produto atende aos padrões internacionais de classificação, como limites de impurezas, grãos avariados e umidade.

“Não existe problema com a qualidade da soja brasileira no padrão comercial. O padrão é 1, 8, 14 — com tolerância de 1% de impurezas, 8% de avariados e até cerca de 13% de umidade, dependendo do país — e isso está sendo cumprido”, destacou.

Repercussão

A Cargill destacou que, diante das dificuldades para enviar o produto ao principal comprador mundial da oleaginosa, também suspendeu temporariamente a compra de soja no mercado brasileiro.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) ressaltaram que acompanham o assunto de forma atenta e com preocupação.

Diante do cenário, ambas reafirmam que seguem atuando de forma colaborativa e mantendo diálogo constante com as autoridades competentes e com as demais entidades da cadeia produtiva para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações, prezando pela segurança jurídica e fortalecimento das relações comerciais internacionais e pela garantia dos requisitos de fitossanidade.

“A suspensão de compras por parte de uma trading desse porte reduz a demanda por soja no interior e nos portos, o que pode pressionar os prêmios de exportação e os preços pagos ao produtor, justamente em um período em que a colheita avança no país e a oferta interna aumenta rapidamente”, dizem as entidades em nota conjunta.

Para o consultor de agronegócio Carlos Cogo, na prática, quando uma grande exportadora interrompe as compras, há menos compradores disputando a soja no mercado, o que diminui a demanda imediata pelo grão. Com mais oferta chegando da colheita e menos empresas comprando, os preços tendem a ficar pressionados.

Apesar disso, o especialista avalia que o impasse deve ser temporário. “Historicamente, esse tipo de questão técnica costuma ser resolvido por meio de ajustes operacionais e negociações entre autoridades sanitárias, governo brasileiro e tradings exportadoras. Por isso, a tendência mais provável é que a suspensão tenha caráter pontual, limitada a dias ou poucas semanas, até que os protocolos de inspeção sejam alinhados”, avalia.

O post Fávaro faz duras críticas à Cargill após suspensão de envio de soja à China apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link