segunda-feira, março 9, 2026

Autor: Redação

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Bromélias ajudam a fertilizar a Mata Atlântica e explicam árvores gigantes em solo pobre


Foto: Rafael S. Oliveira/IB-Unicamp

Uma cena comum na Mata Atlântica chama a atenção de quem conhece o ambiente: árvores grandes e vistosas crescendo em solos arenosos e pobres em nutrientes, típicos da restinga. Um exemplo é o jacarandá-branco, também conhecido como caroba. Agora, pesquisadores brasileiros descobriram que as bromélias que vivem nas copas das árvores têm papel decisivo nessa história.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Estadual de Campinas com apoio da Fapesp, mostra que bromélias-tanque, aquelas que acumulam água entre as folhas, funcionam como uma espécie de fertilizante natural à distância.

Água da bromélia leva nutrientes ao chão da floresta

Essas bromélias acumulam água da chuva e também restos de folhas, insetos e pequenos animais. Com o tempo, esse material se decompõe. Quando os “tanques” transbordam, a água escorre pelos galhos e leva nutrientes direto para o solo, criando pequenas áreas mais férteis no meio da floresta.

Esses “pontos ricos” favorecem o crescimento de plantas que precisam de mais nutrientes para se desenvolver, como a caroba, algo raro em solos naturalmente pobres.

Os pesquisadores chamaram esse processo de “interação remota entre plantas”, já que a bromélia fica na copa, longe do solo, mas mesmo assim influencia o crescimento de outras espécies lá embaixo.

Plantas crescem mais quando recebem água das bromélias

Em experimentos, mudas de caroba irrigadas com água retirada das bromélias cresceram mais e ficaram mais saudáveis do que aquelas que receberam apenas água da chuva. Elas produziram quase o dobro de folhas e apresentaram níveis mais altos de nutrientes importantes para o desenvolvimento.

“A bromélia não ajuda só quem vive na copa. Ela muda o ambiente lá embaixo também”, explica Tháles Pereira, primeiro autor do estudo.

Curiosamente, nem todas as espécies da restinga reagem bem a esse “reforço nutricional”. Algumas plantas são tão adaptadas à pobreza do solo que o excesso de nutrientes pode até atrapalhar seu crescimento.

Mesmo assim, os pesquisadores destacam que essas áreas fertilizadas pelas bromélias ocupam apenas uma pequena parte da floresta. O efeito final é positivo, pois aumenta a diversidade de tipos de plantas, permitindo que espécies diferentes coexistam no mesmo ambiente.

Estudo foi feito no litoral de São Paulo

A pesquisa analisou áreas do Parque Estadual da Serra do Mar, no litoral norte paulista, região conhecida por suas matas de restinga bem preservadas.

Para confirmar os resultados, os cientistas coletaram água de bromélias e da chuva e irrigaram mudas de caroba em estufa, em Campinas. Em parte dos testes, foi possível rastrear quimicamente os nutrientes, comprovando que eles realmente saíam das bromélias e chegavam às plantas do solo.

Importância para a conservação da floresta

Para o coordenador da pesquisa, Gustavo Quevedo Romero, o trabalho revela um papel pouco conhecido das bromélias. “Elas sustentam pequenos ecossistemas na copa e ainda ajudam a manter a diversidade da floresta no chão. Proteger essas plantas é fundamental para evitar perdas em cadeia na Mata Atlântica”, afirma.

A descoberta reforça que, na floresta, nem tudo acontece perto do solo. Às vezes, a chave para entender o crescimento das árvores está bem acima, nas copas, escondida dentro de uma bromélia.

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Governo Trump muda diretrizes alimentares e estimula o consumo de carne nos EUA


churrasco consumo de carne
Foto: Pixabay

Os Estados Unidos divulgaram novas diretrizes alimentares federais que reintroduzem a pirâmide alimentar em formato invertido, com ênfase no consumo de proteínas, laticínios integrais e alimentos minimamente processados, ao mesmo tempo em que colocam grãos e carboidratos refinados na base menor da pirâmide, sinalizando menor prioridade. A mudança foi anunciada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e pelo Departamento de Agricultura (USDA) e faz parte das Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030.

A nova pirâmide, apresentada no dia 7 de janeiro, destaca frutas, vegetais, proteínas de alta qualidade, gorduras saudáveis e laticínios integrais como componentes centrais de uma dieta saudável. Ao mesmo tempo, recomenda redução drástica de açúcares adicionados, alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados, como pão branco e snacks industrializados.

As diretrizes reforçam ainda uma recomendação de ingestão proteica entre 1,2 e 1,6 grama por quilo de peso corporal por dia, acima dos padrões anteriores, e sugerem que gorduras provenientes de alimentos verdadeiros, como azeite, nozes e até manteiga, tenham lugar na alimentação diária.

Críticas de especialistas

A atualização gerou debates entre especialistas em saúde e nutrição. Alguns apontam que a ênfase em carne vermelha e produtos lácteos integrais pode contrariar décadas de pesquisas que associam o consumo excessivo de gorduras saturadas a um risco maior de doenças cardiovasculares, e que a pirâmide invertida pode enviar mensagens confusas sobre equilíbrio alimentar.

Organizações médicas como a American Heart Association reforçam que, embora a redução de açúcar e de alimentos ultraprocessados seja positiva, a recomendação de priorizar proteínas animais e gorduras saturadas deve ser analisada com cautela pelos consumidores.

Impacto nas políticas públicas

As diretrizes não são apenas orientações gerais. Elas norteiam programas federais de alimentação escolar, assistência alimentar e refeições em instituições públicas, o que pode influenciar o que milhões de americanos consomem diariamente.

A mudança sinaliza ainda uma nova abordagem das autoridades norte-americanas para a nutrição pública, focando na ideia de “comer comida de verdade” e reduzindo a dependência de alimentos ultraprocessados, enquanto especialistas debatem a coerência científica das recomendações.

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AgroNewsPolítica & Agro

Governo libera R$ 250 mi a estados prejudicados por chuvas


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, editou na quarta-feira (7) a primeira medida provisória de 2026: a MP 1.333 libera R$ 250 milhões em créditos extraordinários para atender diversos estados atingidos pelas fortes chuvas que começaram em novembro de 2025. O montante deve ajudar, principalmente, os seguintes estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Também devem ser atendidas cidades atingidas por estiagem prolongada, secas, enxurradas, granizo, vendavais e incêndios.

O dinheiro já está à disposição do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional — já que as medidas provisórias têm efeitos imediatos, ou seja, passam a vigorar no momento em que são editadas. O socorro será feito por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).  Os créditos extraordinários (que são extraordinários por se tratarem de gastos não previstos no Orçamento em execução) são sempre liberados por meio de medidas provisórias. Estas, por sua vez, devem ser editadas pela Presidência da República em casos de relevância e urgência para o país.

As medidas provisórias têm efeitos imediatos, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional para se tornarem lei.  De acordo com o governo federal, os recursos liberados pela MP 1.333 serão usados para despesas e investimentos em ações de proteção e defesa civil de resposta e recuperação frente a desastres causados pelas chuvas excessivas em vários municípios — como foi o caso da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná.

Em 7 de novembro de 2025, essa cidade foi atingida por um tornado e, segundo o governo, o fenômeno climático afetou quase 90% da sua área urbana, deixando mortos e centenas de feridos, além de pessoas desabrigadas. Também houve destruição de casas, comércios, redes de energia e escolas. Localidades que passam por seca também devem ser beneficiadas. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) será o responsável pela execução de obras para a segurança hídrica em áreas do semiárido com falta crônica de água. 

De acordo com o Executivo, serão feitos estudos e intervenções, como canais de adução de água bruta, pequenas barragens e adutoras, entre outras obras, para ampliar a oferta de água, em especial no estado de Minas Gerais. Segundo a justificativa do governo federal, “a perfuração e a instalação de poços profundos configuram solução estrutural emergencial, capaz de assegurar o abastecimento contínuo em localidades onde sistemas convencionais foram severamente impactados”.

 





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Chocolate indígena brasileiro integrará vitrine global de soluções sustentáveis


Chocolate Sidjä Wahiü
Foto: Divulgação / Norte Energia

A bioeconomia indígena do Médio Xingu ganha destaque no cenário internacional. A marca de chocolates artesanais Sidjä Wahiü (“Mulher Forte”, na língua Xipaya), idealizada pela liderança indígena Katyana Xipaya, foi selecionada pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) para integrar a vitrine global de soluções sustentáveis da entidade.

Criado em 2023, com apoio da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, o chocolate se consolida como um modelo de negócio que integra empreendedorismo feminino, conservação da floresta e valorização da cultura ancestral.

A moradora da comunidade ribeirinha de Jericoá 2, no município de Vitória do Xingu, no Pará, Katyana Xipaya, se tornou uma referência na região ao transformar o cacau nativo em um produto de alto valor agregado. Para a empreendedora, o reconhecimento é um marco coletivo.

“É a oportunidade de mostrar a força do empreendedorismo indígena, da nossa cultura e do protagonismo das mulheres. Estamos ocupando nossos espaços e mostrando que não andamos sozinhos”, afirma.

Katyana Xipaya
Foto: Divulgação / Norte Energia

O legado da ‘floresta em pé

A produção dos chocolates da marca preserva técnicas tradicionais herdadas do avô de Katyana Xipaya, que já trabalhava com o fruto às margens do Rio Xingu.

“O Sidjä Wahiü é mais do que um chocolate; ele carrega nossa raiz e a perseverança de manter o modo como meu avô fazia. Hoje, produzimos um chocolate fino com 72% de cacau e frutas como abacaxi e pitaia da nossa própria terra”, explica a empreendedora. 

Atualmente, o cacau e as frutas desidratadas são cultivados por três famílias indígenas ribeirinhas da comunidade. Após a colheita e o processamento inicial, a matéria-prima é enviada para a fábrica da Cacauway, em Medicilândia (PA), que atua na finalização e refino dos chocolates, garantindo que o padrão de qualidade artesanal da receita original ganhe o acabamento necessário para o mercado de chocolates finos.

Produção de cacau

O estado hoje concentra mais de 50% da produção nacional do cacau. Segundo dados da Embrapa, essa indústria movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões ao ano no país. Só em 2024, a safra das comunidades indígenas apoiadas pela Norte Energia somou 23 toneladas colhidas, representando um avanço crucial para a autonomia das famílias envolvidas.

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O acordo Mercosul-UE virou necessidade estratégica para a Europa


Pacto Verde europeu, importações, UE, Europa, antidesmatamento
Foto: Freepik

A União Europeia inteira agora quer o acordo com o Mercosul por motivos óbvios (évident, obviamente, évidemment). Há 10 anos coordeno um MBA em agronegócio internacional com aulas em Nantes e Paris, e presença constante no Salon du Agriculture. Quando conversamos com os setores do antes e pós-porteiras das fazendas, ou seja, 90% do PIB do agribusiness da França (cerca de 20% do complexo agroindustrial francês é a participação no PIB total do país, porém quando isolamos o dentro da porteira, a agropecuária francesa não ultrapassa 2% do PIB francês), ouvimos dos dirigentes de supply chain, das agroindústrias que processam e agregam valor nas matérias primas agropecuárias que, sim, para o crescimento industrial, comercial e de serviços da própria França precisam contar com suprimentos do Mercosul, hoje em qualidade, disponibilidade e custos fundamentais para a competitividade desse complexo do agronegócio francês.

Porém, as facções polarizadas e com fundamentos ideológicos conduzem os agricultores franceses para as avenidas parisienses contra os demais agricultores do mundo, como os próprios brasileiros, e como eu mesmo já vi, contra também agricultores ucranianos, ou de qualquer país da própria UE onde essas “lideranças” enxerguem a oportunidade de servirem aos seus fins eleitoreiros.

Os governos dos demais países, inclusive agora a própria Itália, está assumindo uma posição positiva para o acordo. Verbas e subsídios robustos e gigantescos que os nossos produtores aqui jamais sonharam de obter já foram prometidos agora como acesso antecipado a fundos agrícolas em montantes do patamar de 45 bilhões de euros mais de US$ 52 bilhões (só isso equivale a cerca de 30% de todas as exportações do agro brasileiro em 2025) e mais de R$ 282 bilhões. Assim a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, prometeu ao lado de outros protecionismos como paridade obrigatória de jamais produtos do Mercosul terem preços inferiores aos europeus, além de protecionismos ambientais.

Acima e além dessa questão em si, agora numa análise apenas fria de cadeias de suprimentos e valor com obviamente indústria, comércio e serviços querendo muito, sim, o acordo, a política Monroe de Trump, América para os norte-americanos, estimulando guerras geopolíticas de domínio de territórios, áreas de influência, também para a China e Rússia, um acordo neste momento União Europeia e Mercosul significaria criar um mercado com o 2º maior PIB do planeta na soma da Europa com Mercosul, atrás apenas dos Estados Unidos, com mais de 700 milhões de consumidores e daria efetivamente condições para o sistema do complexo agroindustrial europeu enfrentar seu maior concorrente, os Estados Unidos, bem como explorar os mercados chineses, indianos, asiáticos, Oriente Médio e a própria América Latina.

A agricultura europeia vive uma grave dificuldade de gerar sucessores, e enfrenta consolidação das propriedades. “Europa vazia” uma expressão que ouvimos lá, bem como impossibilidade de competir em escala. Porém possui oportunidades extraordinárias na gastronomia, turismo agrícola, e nos seus incontáveis e encantados “terroir”. A Itália por exemplo domina as mesas do mundo, a França os “spirits” e bebidas sensacionais, a Holanda um poder logístico único, Espanha, Portugal, etc…e cada país europeu tem oportunidades de vendas de originação de valor agregado, Denominação de Origem Protegida (DOP) de cada microrregião, além de turismo agro exponencial. E enquanto editávamos esta coluna recebemos a confirmação que o acordo UE Mercosul foi aprovado na Europa e agora segue para referendo do parlamento europeu.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Sazonalidade invertida: por que o Mercosul é estratégico para o abastecimento da Europa


Foto: Ricardo Stuckert/PR

A lógica é simples, mas poderosa. A Europa está no Hemisfério Norte, onde o inverno é longo, rigoroso e limitante para a produção agrícola. Em muitos meses do ano, o clima reduz drasticamente a oferta local de alimentos frescos, especialmente frutas, hortaliças e produtos mais sensíveis às variações de temperatura e luminosidade.

O Mercosul vive uma realidade oposta. Localizado majoritariamente em região tropical e subtropical, com clima continental e produção distribuída ao longo de todo o ano, o bloco consegue manter oferta contínua de alimentos. Essa diferença entre os calendários agrícolas dos dois hemisférios é chamada de sazonalidade invertida, e ela é um dos maiores trunfos estratégicos do Mercosul no comércio internacional.

Oportunidade natural: produzir quando o outro não consegue

Quando a Europa entra no inverno, o Mercosul está colhendo. Isso permite que produtos do bloco cheguem ao mercado europeu exatamente nos períodos de maior escassez local, ajudando a garantir abastecimento, estabilidade de preços e qualidade ao consumidor.

Essa complementaridade é especialmente clara no caso das frutas, cuja produção depende diretamente do clima e da região. Frutas frescas, tropicais ou de contraestação não competem com o produtor europeu em boa parte do ano, elas completam o que falta. Para a Europa, isso significa acesso a alimentos de qualidade a preços mais acessíveis. Para o Mercosul, significa mercado, escala e previsibilidade.

Não é concorrência direta. É encaixe produtivo.

Mas o acordo não é automático: exige preparo e investimento

Essa grande oportunidade, porém, não se materializa sozinha. A aproximação entre Mercosul e Europa, seja por acordos comerciais ou por integração de cadeias produtivas, obriga os dois blocos a olharem para o futuro.

Do lado europeu, há interesse claro em garantir fornecimento estável e confiável. Do lado do Mercosul, surge o desafio, e a necessidade de investir para ser competitivo em um mercado cada vez mais exigente.

Isso vale especialmente para a indústria. O acordo tende a facilitar a entrada, nos países do Mercosul, de produtos industriais e tecnológicos europeus, com alto nível de inovação. Para competir, as empresas do bloco precisam avançar em:

  • qualificação técnica,
  • tecnologia,
  • processos produtivos,
  • eficiência industrial.

A sinergia que gera desenvolvimento

Esse movimento cria uma dinâmica positiva. A expectativa de implantação e aprofundamento do acordo faz com que ambos os blocos planejem investimentos desde já, entendendo quais setores podem crescer, onde estão as oportunidades e quais ajustes são necessários.

No caso do Mercosul, o ponto central é claro: qualificação e tecnologia. Ao elevar o padrão produtivo, o bloco não apenas mantém sua vantagem natural no campo, como fortalece sua indústria e amplia sua capacidade de competir em produtos de maior valor agregado.

No fim das contas, essa sinergia gera um ciclo virtuoso:

  • o Mercosul oferece produção contínua, clima favorável e escala;
  • a Europa contribui com tecnologia, inovação e mercado consumidor;
  • o resultado é mais investimento, mais desenvolvimento e maior integração econômica.

A sazonalidade invertida não é apenas um detalhe climático. É um ativo estratégico. Quando bem aproveitada, ela transforma diferenças geográficas em vantagem econômica. Mas para que essa oportunidade se consolide, é preciso planejamento, investimento e visão de longo prazo.

Se Mercosul e Europa entenderem essa complementaridade não como disputa, mas como cooperação, o comércio entre os dois blocos deixa de ser apenas troca de produtos — e passa a ser trocar de desenvolvimento, tecnologia e crescimento sustentável.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Açaí é reconhecido em lei como fruta nacional



Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados


Foto: Divulgação

O açaí passou a ser reconhecido como fruta nacional. É o que determina a Lei 15.330, de 2026, publicada nesta quinta-feira (8) no Diário Oficial da União. A expectativa é que a lei reforce a identidade do açaí como produto brasileiro e evite a biopirataria. A nova norma teve origem em um projeto de lei do Senado: o PLS 2/2011, do ex-senador Flexa Ribeiro (PA).

Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados (onde tramitou como PL 2.787/2011) no final do ano passado. O texto alterou a Lei 11.675, de 2008, que já reconhecia o cupuaçu como fruta nacional.

Típico da Amazônia, o açaí é o fruto do açaizeiro. Sua polpa é usada como alimento e também em cosméticos. As sementes são usadas no artesanato e como meio de energia, substituindo a madeira. Do caule pode se extrair o palmito, enquanto as raízes podem ser utilizadas como vermífugo.

De acordo com os defensores da iniciativa, a nova lei pode reforçar a identidade do açaí como um produto brasileiro, beneficiando os produtores da Amazônia.

Além disso, eles argumentam que o reconhecimento em lei pode evitar a biopirataria. Em 2003, uma empresa japonesa chegou a patentear o açaí, mas em 2007 o governo brasileiro conseguiu cancelar esse registro.

 





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Brasil ainda tem perdas por abscessos e resíduos de medicamentos na carne; o pode ser feito?


Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

A pecuária no Brasil enfrenta desafios críticos que geram prejuízos milionários e comprometem o acesso a mercados internacionais.

Em entrevista ao Giro do Boi, Carlos Oliveira, médico veterinário e especialista em saúde e bem-estar animal da Friboi, destacou que os principais problemas são os abscessos vacinais e a presença de resíduos de medicamentos acima do limite permitido.

Segundo Oliveira, a manutenção da competitividade do Brasil no setor depende de boas práticas de manejo e do respeito rigoroso aos prazos de carência, evitando o descarte de carne nobre e o embargo de unidades frigoríficas. Atualmente, o Brasil possui três unidades frigoríficas (em São Paulo, Minas Gerais e Goiás) desabilitadas pela China há um ano e meio devido à detecção de Fluazuron.

Confira:

Impactos dos abscessos vacinais

Os abscessos são infecções resultantes de aplicações mal executadas. No frigorífico, eles exigem o “toalete” da carcaça, resultando no descarte de dois a cinco quilos de carne. Caso o abscesso estoure, a contaminação pode inutilizar a carcaça inteira.

A gestão profissional da saúde animal no Brasil deve eliminar o amadorismo, conforme destacado por especialistas. A detecção de substâncias químicas é a forma mais rápida de fechar mercados exigentes, impactando diretamente a exportação da carne brasileira.

Acompanhe todas as atualizações do site do Giro do Boi! Clique aqui e siga o Giro do Boi pela plataforma Google News.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Defesa Civil de São Paulo emite alerta para chuvas fortes e risco de granizo neste fim de semana


Foto: Pixabay

A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu um alerta para a ocorrência de chuvas fortes e isoladas em diferentes regiões do estado neste sábado (10) e domingo (11). A previsão está associada à chegada de uma frente fria pela região sul paulista, que pode provocar temporais acompanhados de rajadas de vento e queda de granizo.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foi publicado um aviso de Perigo Potencial para todo o estado. O alerta teve início às 10h40 deste sábado e segue válido até 11h de domingo. A previsão indica volumes de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo alcançar até 50 milímetros ao longo do dia.

Além da chuva intensa, o Inmet alerta para ventos fortes, com rajadas entre 40 e 60 quilômetros por hora, e possibilidade de granizo em pontos isolados. As condições aumentam o risco de transtornos como alagamentos, quedas de galhos e danos à rede elétrica.

Em situações de vento intenso, a orientação é evitar abrigo sob árvores, não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda, além de reduzir o uso de aparelhos eletrônicos conectados à tomada durante as tempestades.

Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193. As autoridades recomendam atenção aos avisos meteorológicos e acompanhamento das atualizações ao longo do fim de semana.

Com informações da Agência Brasil.

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Entenda o que ainda impede o sucesso do transplante de rim de porco em humanos


Rim; porco; cirurgia
Foto: pixabay

Uma pesquisa liderada por brasileiros, descreve em detalhes as reações do sistema imunológico do primeiro paciente vivo a receber um transplante de rim de porco geneticamente modificado, abrindo caminhos para a busca de terapias que possam evitar a rejeição de órgãos.

O estudo mostra que esse tipo de transplante é viável, mas controlar apenas a rejeição inicial não é suficiente. Mesmo com medicamentos que suprimem o sistema imunológico, a defesa natural do corpo, principalmente células chamadas macrófagos que atacam qualquer ameaça, continua ativa e pode comprometer a sobrevivência do órgão a longo prazo.

Estratégias necessárias

Os cientistas apontam que serão necessárias novas estratégias para alcançar a sobrevivência duradoura e desfechos clínicos favoráveis.

Sugerem combinar terapias direcionadas à imunidade inata dos pacientes e engenharia genética avançada nos porcos doadores, além de prevenir a rejeição precoce mediada por linfócitos T e implementar abordagens de monitoramento mais sensíveis.

O que é e como funciona o xenotransplante

O xenotransplante consiste em transplantar órgãos, tecidos ou células de uma espécie animal (principalmente porcos geneticamente modificados) para humanos. É considerado uma solução promissora para a escassez de órgãos, porém a rejeição tem sido um grande desafio.

O primeiro paciente vivo a receber um rim de porco foi um homem de 62 anos com doença renal em estágio terminal, que passou por cirurgia em março de 2024 no Hospital Geral de Massachusetts, ligado à Harvard Medical School, em Boston.

A equipe foi liderada pelo nefrologista brasileiro Leonardo Riella, um dos autores correspondentes do artigo, publicado nesta quinta-feira (8) na revista científica Nature Medicine. O paciente morreu dois meses depois, a causa provável foi fibrose miocárdica crônica prévia.

Alta demanda

O transplante de rim é o que tem maior demanda no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2025, foram 6.670 cirurgias desse tipo no país.

Além disso, estima-se que entre 10 milhões e 12 milhões de brasileiros tenham alguma doença renal, número que pode aumentar com o envelhecimento da população e de pessoas com diabetes, pressão alta e obesidade.

Em casos mais graves, um tratamento temporário pode ser a diálise, processo artificial para remover resíduos e excesso de líquidos do organismo quando os rins não funcionam adequadamente.

“Para o xenotransplante se tornar uma opção clínica segura e duradoura, não basta controlar apenas a imunidade adaptativa, como fazemos nos transplantes entre humanos. Será necessário também desenvolver estratégias específicas para modular a resposta imune inata”, afirma professor e pesquisador no Hospital Geral de Massachusetts, Thiago Borges.

Olhar múltiplo

Os pesquisadores observaram que na primeira semana após a cirurgia o organismo do paciente reconheceu o órgão transplantado como “estranho” e ativou um tipo específico de defesa chamado rejeição celular, conduzida principalmente por linfócitos T.

Apesar de não haver rejeição grave, a imunidade inata permaneceu ativa, causando inflamação contínua. Fragmentos de DNA do rim no sangue se mostraram um marcador sensível de lesão, permitindo monitorar o órgão sem biópsias.

Os resultados indicam que, mesmo com avanços, os tratamentos atuais ainda não controlam totalmente todas as respostas do sistema imunológico.

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