O produtor rural Diemerson Borghardt, de Victor Graeff, norte do Rio Grande do Sul, está com 700 hectares de soja para colher e sem estoque de diesel para abastecer suas máquinas.
Em sua opinião, o exponencial aumento do combustível observado em diversos municípios brasileiros por conta da guerra no Oriente Médio é fruto de especulação de mercado.
“A guerra ‘estourou’ do outro lado [do globo], mas um navio para vir de lá [no Oriente Médio] até aqui demora de 30 a 40 dias, mas em questão de dois a três dias o mercado veio dizer que não tinha mais diesel. Isso a gente entende como uma mera especulação de uma meia dúzia querendo ganhar uma fortuna de dinheiro”, considera.
Segundo ele, a atual crise somada à questão das dívidas rurais e aos royalties que precisam ser pagos a empresas de biotecnologia farão a “agricultura cair por terra”.
Entidades do agro, como a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), afirmam que produtores relatam escassez de combustível em alguns postos e aumento de até R$ 2 o litro em centrais de distribuição.
O depoimento de Diemerson Borghardt foi colhido pela repórter do Canal Rural RS Eliza Maliszewski, durante a Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque, no Planalto Médio gaúcho.
Monitoramento governamental
O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou nesta quarta-feira que criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar, diariamente, as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis em articulação com órgãos reguladores e com os principais agentes do setor nos elos de fornecimento primário e distribuição.
Segundo o governo, a iniciativa intensifica o monitoramento das cadeias de suprimento globais de derivados de petróleo, da logística nacional do abastecimento de combustíveis e dos preços dos principais produtos, em razão do Conflito no Oriente Médio – maior região exportadora de petróleo do mundo, com cerca de 60% das reservas globais.
“A pasta também ampliou, nos últimos dias, as interlocuções junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a agentes de preços e de mercado que atuam na produção, na importação e na distribuição de combustíveis no país”, diz nota do ministério.
A estiagem segue pressionando as lavouras de soja no Rio Grande do Sul e já provoca perdas em algumas regiões produtoras, justamente em um momento decisivo do ciclo da cultura. No início da colheita, produtores relatam grande variabilidade de produtividade entre áreas, reflexo da distribuição irregular das chuvas ao longo da safra.
O Soja Brasil conversou com o produtor rural Maicon Abel Kummer, de Tapera (RS), que relata que as lavouras semeadas entre a segunda quinzena de novembro e dezembro estão atualmente na fase de enchimento de grãos (R5.1 a R5.4), período decisivo para a definição da produtividade, e já começam a sentir com mais intensidade os efeitos da falta de umidade no solo.
“A situação é muito variável. Teve lugar que recebeu 50 milímetros de chuva, outro pegou 20, outro só 5 e tem área que não recebeu nada. Então dentro do mesmo município, tem lavoura quase sem perda e outras com quebra muito grande”, afirma.
De acordo com ele, produtores da região de Tapera e Espumoso já começam a contabilizar perdas relevantes, embora o impacto dependa muito das chuvas localizadas registradas ao longo do ciclo.
“Tem produtor que vai perder de 0% a 10% porque pegou chuva melhor, mas também tem áreas com mais de 50% de quebra. Se fizer uma média das lavouras do município, acredito que a perda fique acima de 40%”, relata.
A irregularidade das precipitações acabou criando um cenário de forte contraste entre áreas dentro de um mesmo município. Em algumas micro-regiões, as chuvas garantiram desenvolvimento razoável das lavouras, enquanto em outras praticamente não houve reposição de umidade.
“Tem locais que receberam 50 milímetros de chuva, outros 20, outros apenas 5 e alguns não receberam nada. Por isso a variabilidade é muito grande. Dentro do mesmo município tem produtor quase sem perda e outros com quebra muito forte”, reforça.
Diante da condição de seca, muitos agricultores suspenderam parte dos manejos nas lavouras. Segundo Kummer, aplicações estão sendo feitas apenas quando há risco efetivo de prejuízo por pragas.
“A maioria dos produtores está parada com manejo. Só estão entrando na lavoura quando pragas como ácaros, tripes ou percevejos atingem nível de dano econômico, para evitar perdas ainda maiores”, explica.
Situação no RS
Levantamento da Emater/RS-Ascar confirma o cenário de estresse hídrico em diferentes regiões do estado. De acordo com a entidade, 42% das áreas de soja estão em fase de florescimento e 39% em enchimento de grãos, etapas consideradas críticas para a definição da produtividade.
O déficit hídrico, aliado a temperaturas que chegam a 40 °C, tem provocado sintomas como murchamento das plantas, senescência foliar precoce e abortamento de flores e vagens, comprometendo o potencial produtivo das lavouras.
A entidade também aponta dificuldades no estabelecimento das áreas semeadas mais tardiamente ou em sucessão. A falta de umidade tem provocado emergência irregular nas lavouras de sequeiro, aumentando a desuniformidade dos estandes e elevando o risco de replantio.
Colheita no Brasil
No Brasil, o andamento da colheita de soja apresenta atraso. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os trabalhos alcançam atualmente 50,6% da área, enquanto no mesmo período do ano passado estavam em 60,9%, o que representa um atraso de 16,9%.
O mercado de arroz no Rio Grande do Sul está travado neste início de mês. A baixa oferta e a reduzida liquidez têm marcado as negociações na região no período. Segundo o Cepea, alguns compradores com necessidade imediata de aquisição chegaram a influenciar uma leve alta nos preços. No entanto, esse movimento ainda não tem sido suficiente para estimular parte dos produtores, que seguem segurando a comercialização na expectativa de novas valorizações.
Outro ponto que tem influenciado a baixa oferta é o foco de parte dos produtores na colheita do cereal, especialmente em regiões onde o volume produzido ainda é menor neste momento.
Agentes do mercado também destacam outro ponto de preocupação: a alta do diesel. O combustível vem registrando aumento nos preços e há relatos de dificuldades no abastecimento, influenciados pelas recentes tensões geopolíticas. A colheita da soja, que ocorre simultaneamente, também tem pressionado a demanda na Região Sul.
Mais de 40 entidades representativas do agronegócio e da agroindústria brasileira solicitaram ao governo federal a elevação imediata da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17% (B17). O pedido foi feito em documento conjunto divulgado pelas organizações do setor produtivo.
Segundo as entidades, a medida se torna ainda mais relevante diante do cenário internacional de instabilidade geopolítica e forte volatilidade nos preços do petróleo, fatores que podem afetar diretamente os custos da economia brasileira.
Para o setor, ampliar o percentual de biodiesel na mistura com o diesel seria uma forma de fortalecer a segurança energética do país, reduzir a dependência da importação do combustível fóssil e estimular o uso de fontes renováveis.
Medida pode reduzir dependência de diesel importado
No documento, as organizações afirmam que a adoção do B17 pode ajudar a diminuir a dependência brasileira do diesel importado, além de impulsionar cadeias produtivas ligadas aos biocombustíveis, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional.
Outro argumento apresentado é o momento estratégico para o setor produtivo. Com o escoamento da safra em andamento, o transporte rodoviário ganha ainda mais importância para garantir o fluxo da produção agrícola e o abastecimento da economia.
Segundo as entidades, medidas que ampliem a oferta de combustível e reduzam pressões sobre o mercado são consideradas estratégicas nesse período.
Capacidade produtiva para ampliar mistura
As organizações destacam ainda que o Brasil possui capacidade instalada na indústria de biodiesel, disponibilidade de matéria-prima e logística estruturada, o que permitiria elevar o percentual da mistura com segurança e rapidez.
A ampliação para B17 também contribuiria, segundo o setor, para fortalecer a indústria nacional de biocombustíveis e aumentar a previsibilidade para o planejamento do setor produtivo.
Do ponto de vista técnico, as entidades afirmam que o biodiesel brasileiro segue rigorosos padrões de qualidade e pode ser utilizado em proporções maiores sem necessidade de adaptações relevantes na frota ou na infraestrutura de abastecimento.
Medida urgente
Diante do cenário internacional e da necessidade de garantir segurança energética, as entidades pedem que o governo federal edite, em caráter de urgência, a normativa que permita elevar a mistura obrigatória para B17.
Na avaliação das organizações, a decisão ajudaria a proteger a economia brasileira de choques externos, além de reforçar o papel do país na transição energética baseada em combustíveis renováveis.
Entre os signatários do documento estão entidades como CNA, ABAG, ABIOVE, ABPA, Aprosoja Brasil, Fiesp, OCB e Sociedade Rural Brasileira, além de associações de produtores, cooperativas e representantes da indústria ligada ao agronegócio.
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No Rio Grande do Sul, a movimentação perdeu força – Foto: Divulgação
O mercado de trigo no Sul do país iniciou a semana com ritmo mais moderado de negociações, após o movimento mais intenso observado nos últimos dias. Levantamento da TF Agroeconômica indica que a segunda-feira foi marcada por menor volume de negócios e por ajustes nas expectativas de preços entre vendedores e compradores.
No Rio Grande do Sul, a movimentação perdeu força depois das operações registradas na semana anterior. Mesmo com altas nas cotações em Chicago, vendedores passaram a pedir valores mais elevados, enquanto compradores apontam dificuldade para fechar a conta das farinhas nos níveis atuais. Foram reportadas negociações de cerca de 3 mil toneladas ao longo do dia, com algumas ofertas mantidas para esta terça-feira. No mercado futuro, apareceu comprador para trigo da safra 2026/27 no porto a R$ 1.200 sobre rodas. No interior, o preço da pedra pago ao produtor subiu para R$ 55 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, a semana começou estável, com negócios pontuais e pressão por liberação de espaço nos armazéns. Lotes de trigo melhorador foram negociados a R$ 1.250 FOB, embora com volumes pouco expressivos. Também houve saída de 150 toneladas de trigo tipo 2 a R$ 1.050. Moinhos continuam recorrendo ao trigo gaúcho para abastecimento. Nos preços de balcão, as cotações permaneceram em R$ 59 por saca em Canoinhas, R$ 60 em Chapecó, R$ 61 em Joaçaba e R$ 62 em Rio do Sul. O valor caiu para R$ 62,75 em São Miguel do Oeste e subiu para R$ 64 em Xanxerê.
No Paraná, o mercado apresentou maior atividade, com consolidação do patamar de R$ 1.300 CIF no início da semana. No Oeste, o movimento foi mais fraco devido à concorrência do trigo paraguaio, que chega com preços mais competitivos. Já no Norte houve negócios a R$ 1.250 FOB à vista e ofertas a R$ 1.300 FOB. Na região de Curitiba, as negociações ocorreram entre R$ 1.280 e R$ 1.290 CIF. Trigo do Rio Grande do Sul também foi negociado no Oeste paranaense entre R$ 1.170 e R$ 1.180 CIF. No porto de Paranaguá, dois vendedores ofertaram trigo argentino a US$ 275 por tonelada para retirada até 15 de abril, valor considerado competitivo em relação ao custo estimado de reposição, calculado em torno de US$ 286 por tonelada.
A economia brasileira atravessa um momento de desaceleração em meio a um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e incertezas nos mercados. Segundo análise do Rabobank, o cenário global tem sido impactado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que completou uma semana sem sinais de trégua, com escalada regional, retaliações iranianas e alta do petróleo.
Esse contexto eleva o risco de um conflito prolongado e amplia a volatilidade nos mercados internacionais. Para a instituição, a combinação de incerteza tarifária e geopolítica tem levado investidores globais a diversificarem posições fora dos ativos americanos, movimento que tende a favorecer moedas de países latino-americanos, como o real, mesmo diante das incertezas fiscais e políticas no Brasil.
Na semana anterior, o dólar encerrou cotado a R$ 5,2381, o que representou uma depreciação de 2,2% do real frente à moeda americana no período. O desempenho foi o oitavo pior entre uma cesta de 24 moedas emergentes. Ainda assim, o Rabobank mantém a estimativa de que a moeda americana termine 2026 em torno de R$ 5,55.
No cenário doméstico, os dados do Produto Interno Bruto confirmaram a perda de fôlego da economia. Em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, abaixo da expansão de 3,4% registrada em 2024. No quarto trimestre do ano passado, a atividade avançou 0,1% em relação ao trimestre anterior e 1,8% na comparação anual.
Apesar da desaceleração, alguns indicadores mostraram desempenho positivo no início de 2026. A produção industrial registrou alta de 1,8% em janeiro frente ao mês anterior, o maior avanço desde junho de 2024. No comércio exterior, a balança comercial teve superávit de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, com recorde de exportações para o mês e recuo das importações.
No mercado de trabalho, foram abertas 112,3 mil vagas formais em janeiro, segundo o Caged. Já a taxa de desemprego subiu para 5,4%, interrompendo uma sequência de dez meses de queda. Nos próximos dias, o foco do mercado estará na divulgação do IPCA de fevereiro, além dos dados de varejo e volume de serviços referentes a janeiro.
Enquanto a atenção do público se concentra naturalmente na cotação do petróleo e do gás natural, outro insumo estratégico vem sofrendo um choque de oferta silencioso: o metanol. Essencial para diversos processos industriais, ele também é uma peça-chave na produção de biocombustíveis, especialmente no Sudeste Asiático, onde a pressão sobre os preços já começa a aparecer.
O metanol é utilizado no processo químico que transforma óleos vegetais em biodiesel. Na Indonésia, maior produtora mundial de óleo de palma, esse insumo tem um papel central para cumprir as metas agressivas de mistura de biocombustíveis adotadas pelo governo. Grande parte do óleo de palma produzido no país não é destinada à alimentação, mas sim convertida em combustível, e o metanol é indispensável para quebrar a estrutura do óleo vegetal e permitir sua transformação em biodiesel.
O problema é que a guerra no Oriente Médio começou a afetar diretamente o fluxo global dessa commodity. Com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o tráfego marítimo na região foi drasticamente reduzido, interrompendo rotas logísticas fundamentais para o transporte de produtos químicos e energéticos rumo à Ásia. Ao mesmo tempo, a QatarEnergy anunciou a suspensão da produção de produtos downstream, incluindo metanol, após o fechamento de uma de suas grandes instalações ligadas ao processamento de gás natural liquefeito. Como a maior parte do metanol do mundo é produzida a partir do gás natural, qualquer interrupção nesse elo da cadeia rapidamente se traduz em escassez no mercado.
O impacto nos preços foi imediato. O metanol destinado ao Sudeste Asiático subiu cerca de 24% em apenas uma semana, atingindo US$ 402 por tonelada, o maior salto desde 2007, segundo dados da consultoria Polymer Update. Para um mercado que depende fortemente de fluxos logísticos estáveis, uma alta dessa magnitude em tão pouco tempo revela o grau de sensibilidade da cadeia global de energia.
Se a interrupção persistir, os efeitos podem aparecer rapidamente na produção de biocombustíveis da Indonésia. Traders que acompanham o setor já alertam que os estoques de metanol no país podem começar a cair nas próximas semanas, colocando em risco o cumprimento das cotas mensais de produção de biodiesel estabelecidas pelo governo já a partir de abril.
Esse cenário preocupa porque o Sudeste Asiático já enfrenta uma situação energética delicada. A região depende significativamente de importações de petróleo e gás e vem sofrendo com a desaceleração dos embarques desses combustíveis desde o início do conflito. Dentro dessa estratégia de segurança energética, os biocombustíveis sempre foram vistos como uma forma de reduzir a dependência externa e ampliar a produção doméstica de energia. A atual pressão sobre o metanol ameaça justamente essa alternativa.
Os efeitos indiretos já começam a aparecer também no mercado agrícola. Desde o início da guerra, os preços dos óleos vegetais subiram, com o óleo de palma registrando um salto momentâneo de até 10% em um único dia. Isso ocorre porque qualquer risco à produção de biodiesel altera as expectativas de demanda por matéria-prima agrícola.
Por enquanto, o setor indonésio tenta manter a calma. A produção de biocombustíveis segue estável e as empresas procuram alternativas caso o conflito se prolongue. Uma das saídas consideradas é recorrer a fornecedores alternativos de metanol, especialmente na Malásia e em Brunei.
Ainda assim, o risco estrutural permanece. A Indonésia importa a maior parte do metanol que consome, e uma parcela significativa dessas importações vem justamente do Oriente Médio. A produção doméstica é insuficiente para suprir as necessidades do setor. Se o conflito se prolongar e continuar afetando as rotas logísticas e a produção na região, a pressão sobre o mercado de biocombustíveis pode aumentar rapidamente — lembrando que, no sistema energético global, muitas vezes são os insumos menos visíveis que acabam revelando onde estão as fragilidades da cadeia.
Esse tipo de choque também reverbera no mercado global de grãos, especialmente na soja. Embora a ligação não seja imediata, o elo aparece no mercado de óleos vegetais. Caso o custo elevado do metanol reduza a produção de biodiesel no Sudeste Asiático, a demanda por óleo de palma pode diminuir, aumentando a oferta disponível para o mercado alimentar. Como os óleos vegetais competem globalmente entre si, esse movimento tende a pressionar também os preços do óleo de soja.
Por outro lado, há uma força que pode atuar na direção oposta. Conflitos que pressionam o mercado de petróleo frequentemente aumentam o interesse por biocombustíveis como alternativa energética doméstica. Se o preço do diesel permanecer elevado, governos podem reforçar políticas de mistura obrigatória, elevando novamente a demanda por óleos vegetais — incluindo o óleo de soja.
No fim das contas, crises energéticas acabam transformando o complexo soja em algo mais do que apenas uma commodity agrícola. Em momentos como estes, ele passa a se comportar também como um ativo energético, sensível às mesmas tensões geopolíticas que movem petróleo, gás e combustíveis. É justamente nesses momentos de interseção entre agricultura e energia que os mercados costumam produzir valor.
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Os vinhos de Portugal seguem ampliando espaço no mercado brasileiro. Para fortalecer essa presença e estreitar relações comerciais com importadores, profissionais do setor e consumidores, a associação ViniPortugal promove, ao longo do mês de março, um roadshow em três capitais brasileiras: Recife, Curitiba e Florianópolis.
A iniciativa marca o início da agenda de atividades de 2026 da entidade no país e reforça o Brasil como um dos mercados mais relevantes para a indústria vitivinícola portuguesa.
Segundo a organização, o objetivo é aproximar produtores e compradores, estimular novas parcerias comerciais e ampliar o consumo de vinhos portugueses no país, que apresenta potencial de crescimento contínuo.
Brasil é mercado estratégico para os vinhos de Portugal
De acordo com o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, o Brasil tem papel estratégico para o setor.
“O Brasil é hoje um mercado absolutamente estratégico para os vinhos portugueses. Portugal já tem uma presença forte e consolidada no país e, em 2023, o Brasil afirmou-se como o principal mercado de exportação para os vinhos nacionais, quando excluímos o Vinho do Porto”, afirma.
Segundo ele, a estratégia da entidade é manter investimentos em promoção e relacionamento com o mercado brasileiro, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo vínculos de longo prazo com importadores e distribuidores.
Degustações apresentam diversidade de castas portuguesas
Cada etapa do roadshow contará com a participação de 15 a 17 produtores portugueses, que irão apresentar ao público a diversidade das mais de 250 castas autóctones de Portugal.
Entre as variedades em destaque estão as tintas Touriga Nacional, Baga e Castelão, além das brancas Alvarinho, Arinto e Encruzado, que ajudam a revelar a identidade regional e a tradição vitivinícola portuguesa.
Durante os encontros, os participantes poderão conhecer e degustar rótulos de importantes produtores portugueses. Entre os destaques estão nomes consolidados no cenário internacional, como Aveleda, Esporão, Cartuxa – Fundação Eugénio de Almeida, J. Portugal Ramos Family Estates, Niepoort, Real Companhia Velha e Sogrape, grupo responsável por marcas tradicionais como Casa Ferreirinha, Azevedo e Herdade do Peso. A presença dessas vinícolas reforça a diversidade e a qualidade dos vinhos de Portugal, que combinam tradição, inovação e identidade regional.
Especialistas conduzem degustações comentadas
Além das chamadas Grandes Provas, o roadshow também contará com degustações comentadas conduzidas por especialistas do setor.
As apresentações serão lideradas por Alexandre Lalas, editor-chefe da revista Gula, acompanhado por especialistas locais em cada cidade: Amanda Loyo, em Recife; Sandra Zottis, em Curitiba; e Eduardo Araújo, em Florianópolis.
Os encontros terão degustação guiada, material didático e espaço para debate, permitindo que os participantes conheçam com mais profundidade as características das regiões produtoras e dos vinhos apresentados.
Agenda do roadshow Vinhos de Portugal no Brasil
O roadshow será realizado em três capitais brasileiras ao longo de março:
Recife — 24 de março Mar Hotel Conventions
Curitiba — 26 de março Bourbon Hotel & Suítes
Florianópolis — 30 de março LK Design Hotel
Horários:
Trade e imprensa: 14h30 às 17h30 Consumidor final: 17h30 às 19h30 Masterclasses: 14h (trade) e 17h30 (imprensa e consumidores)
Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia decidiram, por unanimidade, disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas ao mercado internacional. A medida busca reduzir os impactos das interrupções no fornecimento provocadas pela guerra no Oriente Médio.
A decisão foi tomada após uma reunião extraordinária dos governos membros da agência, convocada pelo diretor-executivo da entidade, Fatih Birol, para avaliar a situação do mercado global de energia diante da escalada do conflito na região.
Segundo Birol, a magnitude da crise exigiu uma resposta coordenada entre os países consumidores de petróleo. “Os desafios que enfrentamos no mercado de petróleo são de uma escala sem precedentes. Por isso, é fundamental uma ação coletiva global para enfrentar grandes interrupções de oferta”, afirmou o diretor-executivo da AIE.
Estoques emergenciais superam 1,2 bilhão de barris
Os países membros da agência possuem mais de 1,2 bilhão de barris em reservas estratégicas de petróleo, além de aproximadamente 600 milhões de barris mantidos pela indústria por obrigação governamental.
A liberação dos 400 milhões de barris será feita conforme as condições e a capacidade de cada país, podendo ser acompanhada por outras medidas emergenciais adotadas individualmente pelos governos.
Esta é a sexta vez na história que a agência coordena uma ação coletiva desse tipo. Medidas semelhantes ocorreram em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022.
Estreito de Ormuz é ponto crítico do conflito
O conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro de 2026, tem afetado diretamente o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.
Atualmente, as exportações de petróleo bruto e derivados pela região estão abaixo de 10% dos níveis registrados antes do início da guerra, obrigando empresas petrolíferas a interromper ou reduzir significativamente a produção.
Em 2025, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo e derivados passaram pelo Estreito de Ormuz, o equivalente a aproximadamente 25% do comércio marítimo mundial de petróleo.
Como as alternativas logísticas para contornar a rota são limitadas, o bloqueio parcial do estreito tem ampliado a volatilidade no mercado internacional.
Falei com o presidente executivo, João Dornellas, da ABIA – Associação Brasileira de Alimentos e Bebidas, que fez uma apresentação sobre os resultados da indústria de alimentos em 2025.
Perguntei ao João Dornellas como foi a performance do setor de alimentos no ano que se encerrou e ele me disse: “Em 2025 a indústria manteve o seu crescimento no Brasil. Pela primeira vez chegamos a um nível de faturamento de R$ 1,388 trilhões, somando os dois mercados interno e externo, é um número muito expressivo e que nos faz chegar também pela primeira vez a 10,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
São 42 mil empresas, de Norte a Sul do país, que geraram mais empregos no ano passado. Estamos falando de 51 mil novas vagas de emprego onde somadas as aquelas que nós já tínhamos chegamos agora a um número de 2 milhões, 125 mil pessoas que trabalham dentro da empresa, dentro das fábricas, dentro da indústria de alimentos. Algo muito importante é que esse número é um número de pessoas nas fábricas formais, carteira assinada. Fora isso, segundo previsões do IBGE, para cada um trabalhador nosso, nós temos mais quatro na cadeia. E as cadeias são diferentes. Laticínios, por exemplo, é um para 11. Mas se a gente toma um para quatro nós estamos falando que nesse total nós temos 10,6 milhões de pessoas dentro das fábricas transportando produtos do campo até a mesa, da fábrica para o supermercado, produzindo embalagens, ou seja, todos trabalhando em função da produção de alimentos”.
10,9% do PIB do Brasil é efetivamente a locomotiva do agronegócio com crescimento em 2025 mesmo com todos os impactos que tivemos de tarifaço.Perguntei ao João Dornellas qual é a perspectiva do setor de alimentos perante o ano com todas as confusões que estamos enfrentando e ele me respondeu: “Nós estamos vivendo agora um momento diferente, delicado, preocupante esse conflito no Oriente Médio que pode afetar, por exemplo, o preço das energias, o mundo inteiro utiliza muito petróleo como fonte de energia. O Oriente Médio é uma área, uma região, que produz muito petróleo, então todos nós acompanhamos com apreensão essa situação. Esperamos que se resolva o mais rápido possível. Agora pensando no crescimento previsto em nosso mercado, Brasil, e pensando no crescimento da economia global para 2026, nos faz apostar mais uma vez em um crescimento próximo a 2% real em 2026, o que seria muito bom. Pensando em PIB brasileiro e PIB global o crescimento de 2% da indústria seria muito bom.”
E o setor da indústria, 62% de tudo que é produzido na agropecuária brasileiro o grande cliente é a indústria de alimentos e bebidas. Então perguntei ao João Dornellas sobre o acordo União Europeia Mercosul se é positivo para a indústria de alimentos e ele me disse: “é muito bom porque quando você junta mercado europeu e mercado sul-americano, Mercosul, nós estamos falando de um contingente de 120 milhões de pessoas, é muita gente, é um mercado muito grande e, principalmente, nós estamos falando de acesso a uma região do planeta onde se tem 27 países desenvolvidos, provavelmente com uma renda mais alta, com busca de alimentos mais alta, e tendo uma indústria brasileira que já exporta para 190 países, que é respeitada em 190 países, porque cumprimos a legislação sanitária, cumprimos as exigências desses 190 países, poder entrar e contar com tarifas menores na Europa para nós é muito satisfatório. E também para o consumidor brasileiro ter acesso a produtos que são fabricados na Europa hoje”.
Para encerrar perguntei a ele sobre o custo do alimento brasileiro que no ano passado cresceu 1.8%, perante uma inflação de 4.3%. João Dornellas me respondeu: “sem dúvida, a indústria foi capaz de absorver grande parte dos custos de energia, de material de embalagens, de matéria-prima e como se faz isso? Investindo em produtividade, eficiência, tecnologia, de maneira que não necessitemos repassar tanto esses custos para o consumidor”.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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