O governo do Rio Grande do Sul concluiu a assinatura dos convênios do programa de recuperação de estradas vicinais rurais, beneficiando 356 municípios e totalizando cerca de R$ 105,2 milhões em investimentos em 2025. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (29), em nota, pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS (Seapi).
Executada pela própria pasta, a iniciativa destinou até R$ 300 mil por prefeitura, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado após os eventos climáticos extremos de 2024, acrescenta a nota.
O programa, segundo a Seapi, é voltado a municípios que decretaram situação de emergência e busca garantir a trafegabilidade nas áreas rurais, fundamentais para o escoamento da produção, o transporte escolar e o acesso a serviços básicos.
Os recursos podem ser usados na contratação de máquinas, serviços e aquisição de insumos, como brita e cascalho.
Desde 2019, o estado já soma cerca de R$ 290 milhões investidos em infraestrutura rural, no que o governo classifica como o maior esforço estadual já realizado para fortalecer o campo e a economia local.
O setor de frutas brasileiro começou 2025 em ritmo positivo, mas enfrentou um impacto inesperado com o tarifaço, imposto pelo governo dos Estados Unidos, em julho. Mesmo assim, o segmento reagiu e manteve o crescimento das exportações. A avaliação é da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Para Guilherme Coelho, presidente da entidade, a medida não era esperada e atingiu um momento sensível do calendário produtivo. “2025 foi um ano que começou bem, tudo tranquilo. Quando chegou no dia 9 ou 10 de julho, chegou o tarifaço. E, efetivamente, nós fomos pegos de surpresa”, afirmou.
Porém, a reação do setor passou por uma articulação rápida com o governo federal e com o mercado internacional. Nesse sentido, Coelho destacou o papel do vice-presidente Geraldo Alckmin na condução do diálogo.
O presidente da Abrafrutas afirmou também que o impacto foi maior porque coincidiu com a safra da manga, uma das principais frutas exportadas pelo Brasil. Segundo ele, houve negociação direta com importadores e redes varejistas dos Estados Unidos. “O bom senso e o equilíbrio prevaleceram. Dividimos a tarifa e conseguimos seguir”, disse.
Mesmo diante do tarifaço, o setor manteve crescimento no terceiro trimestre de 2025 na comparação com o mesmo período de 2024. Segundo Coelho, as exportações aumentaram 30% em volume e 16% em receita.
Diante disso, o presidente da Abrafrutas avalia que os números sustentam a expectativa de um novo recorde anual. “Eu estou muito convicto de que, por volta do dia 10 ou 15 de janeiro, vamos sentar e dizer: batemos um novo recorde de exportação de frutas”, afirmou.
Estratégia internacional e abertura de mercados
Coelho explicou que a ampliação das exportações passa por uma estratégia focada em promoção comercial e diversificação de destinos. “O que a gente tem priorizado, em primeiro lugar, é a presença nas feiras internacionais”, disse.
Nesse contexto, ele destacou a parceria com a ApexBrasil como parte desse esforço. “Essa parceria muito importante, porque ter um estande que chama a atenção do mundo faz diferença”, afirmou.
Além disso, a abertura de novos mercados tem sido decisiva para o crescimento do setor. Para o presidente da Abrafrutas, esse movimento ampliou o horizonte das exportações brasileiras. “Eu creio que 2026 vai ser um ano muito positivo”, concluiu.
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Ao longo de 2025, o mercado paranaense de milho foi marcado por baixo dinamismo – Foto: Nadia Borges
Em relação ao milho do estado do Rio Grande do Sul, a produção cresce em 2025 e o mercado encerra o ano travado, segundo informações da TF Agroeconômica. “O mercado de milho no Rio Grande do Sul ao longo de 2025 foi marcado por liquidez baixa e negociações pontuais, com preços sustentados regionalmente, mas sem ganho consistente de volume”, comenta.
O mercado catarinense de milho ao longo de 2025 foi marcado por forte desalinhamento entre pedidas e ofertas. “A liquidez permaneceu baixa durante praticamente todo o ano e, no encerramento de dezembro, as vendas se tornaram ainda mais escassas com o avanço das festas de fim de ano, mantendo o mercado spot praticamente parado”, completa.
Ao longo de 2025, o mercado paranaense de milho foi marcado por baixo dinamismo comercial. “A demanda interna sustentou os preços, mas não foi suficiente para garantir liquidez elevada, especialmente no segundo semestre. No fechamento do ano, as vendas praticamente cessaram com as festas de fim de ano, mantendo o mercado spot travado”, indica a consultoria.
O mercado sul-mato-grossense de milho foi marcado por forte volatilidade ao longo do ano. “Os preços atingiram o pico em março, com médias próximas de R$ 75,00/saca, impulsionados pela demanda aquecida das usinas e pela menor oferta pontual. No meio do ano, porém, o avanço da colheita pressionou as cotações, levando o milho a mínimos ao redor de R$ 48,00/saca em junho”, informa.
O mercado goiano de milho foi marcado por grande volatilidade ao longo do ano. “Os
preços atingiram o pico em março, com negócios próximos de R$ 80,00/saca, sustentados pela demanda aquecida e pelo ritmo ainda lento da colheita”, conclui.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) destaca para os últimos dias do ano um cenário de calor extremo (alerta vermelho) e pancadas de chuva sobretudo para as regiões Sudeste e Sul do país.
O Sistema de Avisos de Meteorologia do Inmet emite alertas por cores (amarelo, laranja e vermelho), conforme o potencial de risco.
Para os últimos dias de 2025, o Inmet mantém um alerta vermelho, ou seja, de grande perigo à saúde, devido à onda de calor ativo até as 18 horas desta terça-feira (30), para seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Nessas localidades, as ondas de calor são caracterizadas por temperaturas até 5 graus Celsius (°C) acima da média histórica por um período maior do que cinco dias.
A cidade de São Paulo registrou neste domingo (28) 37,2°C, a maior temperatura para dezembro desde 1961. Algumas cidades do interior paulista ultrapassaram os 42°C.
Nos últimos dias, a região Sudeste tem enfrentado uma onda de calor devido a uma massa de ar quente estacionada em toda a região, que abrange também partes de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e impede a chegada de frentes frias.
Na Região Centro-Oeste, o calor intenso continua com máximas próximas de 39°C no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, acompanhadas de pancadas isoladas de chuva.
Nas porções do sertão e do agreste de diversos estados da Região Nordeste, o risco à saúde é provocado pela baixa umidade relativa do ar que, de acordo com Inmet, pode variar entre 30% e 20%.
Tempestades
Para os últimos dias do ano, a tendência é de que o calor perca um pouco a intensidade com a chegada de uma frente fria com fortes chuvas, o que deve provocar instabilidades em diversas partes do país.
Todo o estado de São Paulo, o Sul do Rio de Janeiro e Sul/Sudoeste de Minas Gerais estão sob alerta amarelo de tempestades até às 10h desta terça-feira (30).
O volume de chuvas pode variar até 50 milímetros por dia (mm/dia), acompanhadas de ventos intensos (40-60 km/h) e de queda de granizo.
O risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de galhos de árvores e de alagamentos é baixo.
As chuvas intensas ainda vão atingir grandes partes do Norte, desde o Norte do Amapá, abrangendo o Amazonas, Pará, Maranhão e todo o estado de Tocantins. A área chuvosa engloba a região Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás), e desce até a região Sudoeste do país.
As tempestades devem ser mais críticas nos três estados da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), além do litoral Sul paulista e do Sudoeste de Mato Grosso do Sul. Para estes estados, o Inmet também emitiu alerta laranja para tempestades até 23h59 desta terça-feira.
Nestas localidades, as chuvas podem chegar a 100 mm/dia, com ventos intensos (60-100 km/h), e queda de granizo. O Inmet avisa que há risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.
Réveillon
Na Região Sudeste, o dia da virada deve ser abafado, com previsão de pancadas de chuva típicas de verão entre o fim da tarde e o horário da virada. Há risco de temporais isolados com raios e rajadas de vento nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
No Sul, a instabilidade persiste, especialmente na metade Norte do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde o ano deve terminar com chuvas e risco de temporais. No Sul gaúcho, o tempo tende a ficar mais firme.
No Norte e Nordeste, permanece o padrão de verão, com sol e calor. O litoral nordestino é a região com menor risco de chuva para o horário da queima de fogos.
Instruções
Em caso de rajadas de vento, o Inmet orienta o cidadão a não se abrigar embaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
Se possível, desligar aparelhos elétricos e quadro geral de energia.
Mais informações podem ser obtidas na Defesa Civil local (telefone 199) e no Corpo de Bombeiros (telefone 193).
Nos casos de ondas de calor e de baixa umidade relativa do ar, o Inmet orienta a ingestão de bastante líquido e evitar desgaste físico nas horas mais secas e não se expor ao sol nas horas mais quentes do dia.
Inmet
Para ver a temperatura máxima e mínima prevista para os próximos dias em todo país, é possível acessar a página do Inmet na internet. Também é possível verificar alertas para cidades específicas, no Sistema de Avisos de Meteorologia do Inmet.
Porto de Paranaguá, PR. Foto: Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina/ PR
A movimentação nos portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná, alcançou a marca de 70 milhões de toneladas entre janeiro e parte de dezembro deste ano, 5% a mais do que o registrado em 2024.
A expectativa é que, para 2026, a capacidade dos terminais deva aumentar em até quatro vezes graças ao moegão, obra orçada em R$ 592 milhões e prevista para ser entregue em fevereiro e que deve ampliar o recebimento de grãos por trem, passando de entre 5 e 6 milhões para 24 milhões de toneladas por ano.
O diretor de engenharia e manutenção da Portos do Paraná, Victor Kengo, conta que, atualmente, cada terminal é abastecido de forma individual pelo modal ferroviário, mas a nova obra permitirá centralizar o recebimento em um único ponto e distribuir as cargas por correia transportadora, o que dará mais eficiência ao sistema.
Com o moegão, considerado o coração de todo o complexo portuário, a capacidade diária para o recebimento de locomotivas passa de 500 para 900 vagões. Além disso, a mobilidade urbana será beneficiada com a redução de 16 para cinco passagens de nível dentro do porto, agilizando a circulação de caminhões.
O calado operacional, que é a distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação, nos berços de granéis sólidos, já foi ampliado de 13,10 cm para 13,30 cm, o que permite um crescimento médio de até 1.500 toneladas por navio.
Maior capacidade dos navios
A projeção da Portos do Paraná é que, no prazo máximo de quatro anos, o aumento do calado do canal de acesso deve chegar a 15,5m. Com isso, o porto de Paranaguá passa a operar porta contêiners do tipo 366 com carga máxima de 14 mil TEUs. Assim, os navios tanque poderão acessar o canal com até 74 mil toneladas, ao passo que os graneleiros passarão a embarcar 125 mil toneladas, 47 mil a mais do que a capacidade atual.
Como reflexo disso, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, destaca que o usuário terá menos gastos com a autoridade portuária. “Os navios cada vez mais aumentam seu tamanho, exigindo um calado operacional, uma profundidade adequada e segura. E nós responderemos isso, mas também precisamos ter terminal, precisamos do navio chegar e sair com profundidade, mas, ao mesmo tempo, precisamos que a rodovia ou a ferrovia correspondam […]. Não seremos um gargalo, nem a infraestrutura logística de acesso ao porto será um gargalo […]”.
Atualmente, o Porto de Paranaguá já é reconhecido como o maior exportador de proteína animal brasileira, sendo responsável por cerca de 40% de todos os embarques. Além disso, é o principal canal de escoamento de óleo de soja e possui o segundo maior fluxo de carregamento de grãos e farelo da oleaginosa.
O ano de 2025 foi marcado por elevada volatilidade nos mercados globais de commodities, influenciada por fatores macroeconômicos, geopolíticos e climáticos. A avaliação consta no relatório Mercado de Commodities: Retrospectiva 2025 e Perspectivas 2026, divulgado pela Hedgepoint Global Markets, que reúne análises sobre açúcar, cacau, café, complexo soja, milho, trigo e óleo de palma.
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Segundo o relatório, em 2026 o mercado global seguirá atento às políticas tarifárias do governo americano, com potencial para redesenhar fluxos comerciais, especialmente na relação entre Estados Unidos e China, que permanece como epicentro das tensões comerciais e geopolíticas. Em mercados emergentes, eleições podem alterar dinâmicas regionais. No Brasil, o pleito presidencial e legislativo em outubro tende a ser um dos principais vetores de volatilidade ao longo do ano.
No campo monetário, a Hedgepoint aponta que os bancos centrais buscarão equilibrar o controle da inflação e o estímulo ao crescimento econômico. Após cortes de juros em 2025, Fed e Banco Central Europeu se aproximam de uma estabilização das taxas. No Brasil, as análises indicam espaço para início de um ciclo de redução da Selic em 2026, com projeção de encerramento do ano em torno de 12%, condicionada à ancoragem das expectativas de inflação.
“Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico será determinante para os mercados de commodities, que também enfrentam desafios próprios ligados à oferta, demanda e clima”, afirma Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.
Complexo soja
O complexo soja em 2025 operou sob influência de fatores opostos. A América do Sul registrou safra recorde, enquanto os Estados Unidos caminharam para redução de área. A menor demanda pela soja americana durante a guerra comercial competiu com o crescimento do esmagamento e com a perspectiva de aumento da mistura de biocombustíveis nos EUA. Além disso, a trégua entre EUA e China trouxe sustentação aos preços no fim do ano.
Para 2026, o relatório aponta quatro pontos de atenção: o volume de compras de soja norte-americana pela China na temporada 25/26; os impactos do biodiesel nos EUA, cujas definições foram adiadas em 2025; a oferta sul-americana, condicionada ao clima no Brasil e na Argentina; e a decisão de área nos EUA para a safra 26/27.
Açúcar
Em 2025, o mercado de açúcar apresentou um cenário predominantemente baixista. A oferta foi abundante, com o Centro-Sul do Brasil registrando bons resultados de moagem e mix açucareiro elevado, resultando em produção robusta. No Hemisfério Norte, as perspectivas positivas de produção reforçaram o sentimento de pressão sobre os preços.
Para 2026, o relatório destaca que o clima no desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil será determinante para a moagem e a qualidade da cana. A paridade entre etanol e açúcar e a demanda por etanol no Brasil podem alterar o mix das usinas. Além disso, a colheita 25/26 no Hemisfério Norte e a decisão da Índia sobre cotas de exportação serão cruciais para os fluxos comerciais.
Cacau
O mercado de cacau em 2025 foi marcado por forte volatilidade. A oferta global permaneceu incerta, enquanto a desaceleração da demanda contribuiu para sustentar oscilações de preços. A safra 24/25 enfrentou restrições de produção na África Ocidental, associadas a clima adverso e problemas estruturais, o que reduziu a disponibilidade e impactou a moagem.
Para 2026, apesar da perspectiva de superávit na safra 25/26, o relatório aponta que o clima na África Ocidental continuará sendo um fator crítico. Períodos sem chuva podem afetar volume e qualidade entre o fim da safra principal e o início da safra intermediária, em abril de 2026. Preços historicamente elevados tendem a limitar o processamento nas principais regiões consumidoras.
Café
Em 2025, o mercado de café passou por um ano desafiador e dinâmico, com volatilidade extrema e recordes de preços no primeiro semestre, impulsionados por menor produção no Brasil e estoques globais apertados. Tarifas impostas pelos Estados Unidos em julho adicionaram ruído ao mercado. No fim do ano, a atenção se voltou para a safra brasileira 26/27.
Para 2026, a chegada ao mercado da safra 25/26 de países da América Central, Oeste Africano, Vietnã e Colômbia tende a aumentar a oferta e permitir leve recomposição dos estoques. Ainda assim, o mercado seguirá atento ao ritmo de comercialização do Brasil e a eventuais desafios na safra 26/27, como clima, logística e custos.
Milho e trigo
Em 2025, o milho foi marcado pela maior safra da história dos Estados Unidos, resultado de aumento de área e clima favorável, com exportações acima das expectativas devido à competitividade de preços. No trigo, grandes produtores ampliaram a produção, elevando a oferta global a níveis recordes e pressionando as cotações.
Para 2026, no milho, os pontos de atenção incluem o clima na América do Sul, especialmente sob influência do La Niña, o calendário do milho safrinha no Brasil e as decisões de área nos Estados Unidos. No trigo, as incertezas recaem sobre o clima para o desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte e a transição climática prevista para o início do ano.
Óleo de palma
Em 2025, Indonésia e Malásia registraram produções elevadas de óleo de palma, enquanto China e Índia reduziram importações, pressionando os preços e invertendo o spread em relação ao óleo de soja.
Para 2026, o relatório destaca três vetores principais: a expectativa de retomada das importações por China e Índia; a possível implementação do B50 na Indonésia, elevando o consumo doméstico; e os efeitos do clima no Sudeste Asiático, com chuvas acima da média podendo afetar a logística e a disponibilidade no início do ano.
A China pode antecipar a divulgação do resultado da investigação sobre possíveis prejuízos aos produtores locais causados pela importação de carne bovina. A apuração avalia a adoção de medidas de salvaguarda contra países fornecedores, entre eles o Brasil. A expectativa inicial era de que a decisão fosse anunciada apenas no fim de janeiro de 2026, mas rumores de mercado indicam uma possível antecipação.
O tema ganhou força nos últimos dias e passou a preocupar agentes do setor pecuário e da indústria frigorífica brasileira. A China é o principal destino da carne bovina do Brasil e concentra mais da metade das exportações do produto.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, fontes ligadas ao governo chinês indicam que o país pode anunciar medidas de salvaguarda de forma antecipada. Entre as alternativas em estudo estaria a imposição de uma cota anual de importação de carne bovina brasileira.
De acordo com Iglesias, uma eventual limitação próxima de um milhão de toneladas por ano teria impacto relevante para o setor. Apenas em 2025, o Brasil embarcou volumes superiores a um milhão e quatrocentas mil toneladas de carne bovina para a China. A imposição de cotas reduziria de forma significativa o acesso ao principal mercado externo do produto.
O analista avalia que frigoríficos seriam diretamente afetados, com reflexos sobre preços, margens e planejamento de produção. A dependência do mercado chinês amplia a sensibilidade do setor a qualquer mudança nas regras comerciais.
Reações e cenário de reciprocidade
Iglesias destaca que, diante de uma medida considerada prejudicial, representantes da indústria poderiam pressionar o governo brasileiro por ações de reciprocidade. Uma das possibilidades seria a aplicação de tarifas sobre veículos elétricos chineses, que vêm ampliando presença no mercado brasileiro.
Essa reação, segundo o analista, faria parte de uma estratégia de negociação, mas também poderia elevar tensões comerciais entre os dois países, exigindo cautela diplomática.
Efeitos sobre a cadeia global de carnes
O analista alerta que a adoção de cotas mais restritivas não afetaria apenas o Brasil. Outros grandes fornecedores, como Austrália, Argentina e Uruguai, também poderiam ser impactados. Isso aumentaria a oferta de carne bovina em mercados alternativos.
Nesse cenário, haveria maior concorrência entre exportadores e risco de excesso de produto disponível. Iglesias avalia que esse ambiente dificultaria a repetição dos resultados expressivos registrados em 2025.
Segundo ele, a China vive um momento de incertezas econômicas, e decisões mais rígidas podem gerar desequilíbrios relevantes na cadeia global de proteínas, com efeitos diretos sobre preços e fluxos comerciais.
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Ao longo do período, os preços oscilaram – Foto: Canva
O mercado internacional de trigo encerrou 2025 marcado por uma trajetória predominantemente negativa nos contratos negociados em Chicago, refletindo um ambiente de ampla oferta e dificuldades para sustentação de preços. Segundo análise da TF Agroeconômica, a tentativa de recuperação registrada no primeiro trimestre do ano não se sustentou e deveria ter sido aproveitada pelos agentes do mercado.
Ao longo do período, os preços oscilaram dentro de uma estrutura técnica claramente baixista, com topos e fundos descendentes. As máximas anuais foram observadas entre janeiro e fevereiro, na faixa de 670 a 680 cents por bushel, enquanto as mínimas ocorreram entre outubro e novembro, próximas de 510 a 520 cents. A perda do patamar de 600 cents no meio do ano funcionou como um divisor técnico, acelerando o movimento de queda e reforçando a pressão vendedora.
No campo dos fundamentos, a oferta global confortável teve papel central na limitação de qualquer reação mais consistente. Safras volumosas nos principais países produtores, estoques elevados e a ausência de perdas climáticas relevantes ao longo do ano impediram mudanças na dinâmica do mercado. No comércio internacional, a forte competitividade entre exportadores do Mar Negro e a sensibilidade dos compradores a preços reduziram a participação relativa dos Estados Unidos em diversos momentos, ampliando a pressão sobre os contratos futuros em Chicago.
Fatores geopolíticos chegaram a gerar episódios pontuais de volatilidade, especialmente ligados às tensões no Mar Negro, mas sem interrupções prolongadas nos fluxos comerciais. Essas reações foram rápidas e logo revertidas. O cenário macroeconômico também contribuiu para o viés defensivo, com dólar relativamente forte ao longo do ano, reduzindo a competitividade do trigo americano e desestimulando posições compradas de longo prazo no mercado financeiro.
No último trimestre, houve um repique técnico associado principalmente à cobertura de posições vendidas, sem entrada estrutural de novos compradores e sem alteração da tendência de médio e longo prazo. Para 2026, a leitura predominante aponta para um mercado operando em faixa lateral-baixista, com preços entre 500 e 580 cents por bushel, e possibilidade de alta consistente apenas diante de choques climáticos relevantes, eventos geopolíticos de maior impacto ou deterioração clara dos estoques globais.
A família Pereira escolheu Bofete, no interior de São Paulo, para recomeçar e investir na avicultura de corte. Há cinco anos, Edvaldo e Simone Pereira deixaram a rotina urbana e apostaram na criação de frangos como caminho para uma receita estável. O sítio, cercado pela serra e numa região de clima mais ameno, tornou-se o cenário de uma nova fase. Desde então, o casal construiu estruturas modernas, formou uma equipe sólida e conquistou segurança no manejo.
Edvaldo carrega uma ligação antiga com o campo, embora tenha passado a maior parte da vida na capital paulista. Natural de Minas Gerais, viveu a infância no sítio e conviveu com a produção rural antes da mudança para a cidade. Lá, buscou formação na área de projetos de máquinas e equipamentos, abriu a própria metalúrgica e construiu uma trajetória de sucesso no empreendedorismo.
A virada definitiva ocorreu quando a família adquiriu a propriedade e decidiu transformar o antigo plano em prática. Em 2021, iniciaram com o primeiro aviário, expandindo para o segundo em 2023 e o terceiro em 2024. Simone recorda que a mudança exigiu coragem, pois a distância e o trânsito da cidade pesavam na rotina. A decisão de morar no sítio trouxe a tranquilidade necessária para fortalecer o projeto.
Planejamento e investimento para sair da cidade com segurança
A família Pereira entrou na avicultura com o rigor de quem monta um negócio com metas claras. Edvaldo assumiu o perfil de gestor e buscou os parceiros certos para o dia a dia da produção. Ele compreende que o frango de corte exige dedicação constante, mesmo com o auxílio da tecnologia e da automação. Por isso, organizou a equipe e valorizou o suporte técnico para garantir padrão e regularidade.
O primeiro alojamento ficou marcado na memória do casal como o símbolo desse recomeço. Segundo Edvaldo, acompanhar a chegada do pintinho de um dia, com apenas 40 gramas, revelou a magnitude da responsabilidade assumida. Na prática, ele percebeu que o desempenho final é construído nos primeiros cuidados, especialmente no conforto térmico e na nutrição. Com aviários climatizados de pressão negativa, sentiu-se mais seguro para conduzir cada ciclo.
Atualmente, a produção gira em torno de três aviários e aproximadamente 130 mil aves por lote. Edvaldo conta que o ganho de escala ajuda a diluir custos fixos de energia, água e manutenção, equilibrando a conta do investimento. Ele destaca que a granja exige disciplina e rotina rigorosa, pois o desenvolvimento do frango é acelerado e não permite esperas. Assim, o planejamento torna-se a base para sustentar o crescimento e a alta performance.
Manejo e parceria técnica como pilares da eficiência
A família Pereira reforça que os bons resultados nascem de um conjunto bem ajustado. De um lado, atuam os colaboradores dedicados e organizados para seguir os protocolos. Do outro, surge o apoio técnico da integradora, que orienta, corrige rotas e mantém a propriedade dentro dos padrões de excelência. Quando o diálogo flui, a operação ganha consistência e as falhas são minimizadas.
Edvaldo faz questão de diferenciar liderança de interferência. Ele afirma respeitar o trabalho de quem está no galpão, pois a rotina exige precisão e um “olho clínico” constante. Ao mesmo tempo, acompanha os indicadores zootécnicos e mantém proximidade com a equipe e com os extensionistas. Dessa forma, a tomada de decisão torna-se ágil e os ajustes acontecem antes que eventuais problemas ganhem proporção.
O compromisso com o detalhe trouxe reconhecimento rápido. A família já recebeu prêmios voltados ao “frango pesado”, além de destaques em desempenho e conversão alimentar. Essas conquistas aumentam a motivação e confirmam que o caminho escolhido é promissor. Por isso, o casal mantém uma postura de aprendizado contínuo e evita a acomodação a cada novo lote.
Visão de longo prazo: futuro da próxima geração
Ao projetar o futuro, Edvaldo coloca a família no centro do negócio. Ele acredita que um empreendimento familiar necessita de continuidade, mas respeita a individualidade de cada filho. Atualmente, observa um interesse crescente no filho mais novo, que já atua na propriedade. O objetivo é consolidar uma base sólida para que a sucessão ocorra com segurança e entusiasmo.
Simone destaca que a mudança de vida trouxe ganhos imateriais. No início, sentiu o impacto de deixar a praticidade urbana para reorganizar a rotina. Com o tempo, percebeu o valor inestimável do silêncio e da calma do interior. Hoje, ao retornar a São Paulo, o barulho do trânsito causa desconforto, evidenciando o quanto a nova realidade transformou sua percepção de bem-estar.
Ao aconselhar quem deseja ingressar na atividade, Edvaldo insiste em três pilares: planejamento rigoroso, disponibilidade de água e disposição para o trabalho. Ele reforça que os primeiros 15 dias do lote definem o sucesso da produção e exigem atenção máxima. Além disso, destaca a ética, a responsabilidade e a humildade para seguir orientações técnicas. Para a família Pereira, produzir alimento tornou-se uma missão, e a avicultura, o caminho para prosperar com qualidade de vida.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
O Interligados – Vida no Campo já percorreu vários estados brasileiros para contar histórias de quem vive no campo. Agora, qual será a nossa próxima parada? Pode ser justamente aí, na sua propriedade!
A última semana do ano começa com uma notícia importante para o setor de proteína animal. O Japão deve realizar, em março de 2026, uma auditoria para avaliar o sistema sanitário da carne bovina brasileira. Segundo a Agência Safras, as informações foram confirmadas na última sexta-feira (26) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, também confirmou a decisão do governo do Japão. Vale salientar que o Brasil, apesar de ser o maior exportador de carne bovina do mundo, tenta acessar o mercado japonês há mais de 25 anos. Nesse sentido, a expectativa para a conclusão das negociações é enorme.
Na avaliação de Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, o Japão é um mercado consumidor de grande potencial. Porém, há muita burocracia envolvida. Segundo ele, a auditoria prevista para o final do primeiro trimestre de 2026 deveria ter ocorrido em novembro.
“Após a visita do presidente Lula ao Japão no começo deste ano, havia uma expectativa de avanço mais rápido nas negociações”, diz. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também reforçou essa expectativa algumas vezes. A última delas ocorreu em novembro, durante um evento em Brasília. Na ocasião, ele chegou a afirmar que o anúncio de abertura de mercado poderia ser feito ainda em 2025.
Ainda de acordo com o analista, o processo de habilitação dos frigoríficos deverá começar pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “O Brasil precisa dar esse último passo para que, de fato, consiga exportar boas quantidades de carne no longo prazo, uma vez que esse processo não será imediato”, afirma Iglesias.