terça-feira, março 10, 2026
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China pode antecipar salvaguardas contra importações de carne bovina


Carne bovina, China
Foto: Liu Lei/Xinhua

A China pode antecipar a divulgação do resultado da investigação sobre possíveis prejuízos aos produtores locais causados pela importação de carne bovina. A apuração avalia a adoção de medidas de salvaguarda contra países fornecedores, entre eles o Brasil. A expectativa inicial era de que a decisão fosse anunciada apenas no fim de janeiro de 2026, mas rumores de mercado indicam uma possível antecipação.

O tema ganhou força nos últimos dias e passou a preocupar agentes do setor pecuário e da indústria frigorífica brasileira. A China é o principal destino da carne bovina do Brasil e concentra mais da metade das exportações do produto.

Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, fontes ligadas ao governo chinês indicam que o país pode anunciar medidas de salvaguarda de forma antecipada. Entre as alternativas em estudo estaria a imposição de uma cota anual de importação de carne bovina brasileira.

Possível impacto sobre as exportações brasileiras

De acordo com Iglesias, uma eventual limitação próxima de um milhão de toneladas por ano teria impacto relevante para o setor. Apenas em 2025, o Brasil embarcou volumes superiores a um milhão e quatrocentas mil toneladas de carne bovina para a China. A imposição de cotas reduziria de forma significativa o acesso ao principal mercado externo do produto.

O analista avalia que frigoríficos seriam diretamente afetados, com reflexos sobre preços, margens e planejamento de produção. A dependência do mercado chinês amplia a sensibilidade do setor a qualquer mudança nas regras comerciais.

Reações e cenário de reciprocidade

Iglesias destaca que, diante de uma medida considerada prejudicial, representantes da indústria poderiam pressionar o governo brasileiro por ações de reciprocidade. Uma das possibilidades seria a aplicação de tarifas sobre veículos elétricos chineses, que vêm ampliando presença no mercado brasileiro.

Essa reação, segundo o analista, faria parte de uma estratégia de negociação, mas também poderia elevar tensões comerciais entre os dois países, exigindo cautela diplomática.

Efeitos sobre a cadeia global de carnes

O analista alerta que a adoção de cotas mais restritivas não afetaria apenas o Brasil. Outros grandes fornecedores, como Austrália, Argentina e Uruguai, também poderiam ser impactados. Isso aumentaria a oferta de carne bovina em mercados alternativos.

Nesse cenário, haveria maior concorrência entre exportadores e risco de excesso de produto disponível. Iglesias avalia que esse ambiente dificultaria a repetição dos resultados expressivos registrados em 2025.

Segundo ele, a China vive um momento de incertezas econômicas, e decisões mais rígidas podem gerar desequilíbrios relevantes na cadeia global de proteínas, com efeitos diretos sobre preços e fluxos comerciais.

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