quarta-feira, março 11, 2026

Autor: Redação

News

Quarta-feira com chuva forte e risco de temporais em boa parte do país; veja a previsão do tempo


Foto: Governo de São Paulo

A atuação de sistemas atmosféricos mantém o tempo instável em várias regiões do Brasil nesta quarta-feira. A combinação de cavados em médios níveis da atmosfera, áreas de baixa pressão, circulação marítima e grande disponibilidade de umidade favorece a formação de nuvens carregadas e pancadas de chuva em diferentes estados.

Sul

Na região Sul, a instabilidade é provocada principalmente por um cavado em médios níveis da atmosfera associado a uma área de baixa pressão sobre o Paraguai.

Desde o início do dia, áreas de instabilidade provocam chuva moderada a forte no norte e nordeste do Paraná. Ao mesmo tempo, a circulação marítima mantém precipitação mais fraca ao longo do litoral da região.

Durante a manhã, há possibilidade de chuva também no sudeste do Rio Grande do Sul e na Região Metropolitana de Porto Alegre, com momentos de intensidade moderada a forte.

Ao longo do dia, as instabilidades ganham força no norte e centro-leste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da metade norte gaúcha.

Há risco de temporais isolados, principalmente em:

  • litoral e leste do Paraná
  • litoral norte de Santa Catarina
  • litoral médio e sul do Rio Grande do Sul

Em áreas da Campanha Gaúcha, oeste catarinense e regiões centrais do Paraná, a chuva ocorre de forma mais fraca e irregular.

As temperaturas sobem mais durante a tarde em grande parte do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina e do Paraná. Já nas áreas litorâneas e de serra, o tempo permanece mais ameno.

Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h podem ocorrer no sul e na serra gaúcha, além do litoral e interior de Santa Catarina e do sul do Paraná. O mar permanece agitado ao longo da costa.

Sudeste

No Sudeste, a circulação marítima influencia as condições de tempo desde o começo do dia, principalmente no litoral de São Paulo.

Durante a manhã, há previsão de chuva em grande parte do estado paulista, com destaque para:

  • norte e noroeste de São Paulo
  • sul e interior paulista
  • Triângulo Mineiro
  • áreas do Rio de Janeiro e do litoral do Espírito Santo

A atuação de cavados de onda curta, combinada com a confluência de ventos e elevada umidade, intensifica as instabilidades ao longo do dia.

As pancadas se tornam moderadas a fortes em São Paulo e em grande parte de Minas Gerais, com risco de temporais na metade leste e no centro-norte paulista.

Também há previsão de chuva forte no sul e litoral de São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro.

No litoral norte de São Paulo, próximo à divisa com o Rio de Janeiro, há alerta para acumulados elevados de chuva, o que aumenta o risco de transtornos.

No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, as pancadas também podem ocorrer com intensidade moderada a forte, especialmente na metade sul e no noroeste fluminense.

Devido à influência de uma massa de ar frio, as temperaturas permanecem mais amenas em São Paulo, centro-sul do Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o tempo segue instável devido à combinação de calor, umidade e à área de baixa pressão posicionada sobre o Paraguai.

As instabilidades atuam principalmente em:

  • norte e interior de Mato Grosso
  • leste e interior de Mato Grosso do Sul
  • leste e interior de Goiás

Ao longo do dia, o calor favorece a formação de pancadas moderadas a fortes, com risco de temporais no extremo norte de Mato Grosso e no sul de Goiás.

Em Mato Grosso do Sul, as instabilidades permanecem mais organizadas, especialmente no leste do estado, onde podem ocorrer temporais isolados.

Nordeste

No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém o tempo instável principalmente no litoral norte da região.

Desde cedo, há chuva moderada a forte no litoral do Maranhão, Piauí e Ceará.

Entre o fim da manhã e o início da tarde, as instabilidades se intensificam e podem provocar temporais em:

metade norte do Maranhão

norte do Piauí

norte do Ceará

A aproximação de uma frente fria pelo sul da Bahia também contribui para o aumento das instabilidades no estado, onde há previsão de pancadas moderadas a fortes no oeste, sul e litoral baiano, além da faixa litorânea de Sergipe.

Norte segue com pancadas fortes e sensação de abafamento

Na Região Norte, a Zona de Convergência Intertropical influencia o tempo no litoral do Pará e no Amapá. Além disso, a atuação de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) reforça as instabilidades.

A elevada umidade favorece pancadas de chuva no:

sul e oeste do Pará

Amazonas

Roraima

Acre

Rondônia

Ao longo do dia, as instabilidades ganham força e podem provocar temporais no Acre, oeste de Rondônia, grande parte do Amazonas e Roraima, além do leste e sudoeste do Pará e do norte do Tocantins.

Apesar da chuva, a sensação de calor e abafamento predomina em grande parte da região.

O post Quarta-feira com chuva forte e risco de temporais em boa parte do país; veja a previsão do tempo apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

News

Após disparada no preço, petróleo recua e bolsas se recuperam


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a leitura mais construtiva sobre o conflito no Oriente Médio derrubou o petróleo, com o Brent caindo 11,2% a US$ 87,80 e o WTI recuando 11,9% a US$ 83,45. Em NY, bolsas fecharam mistas, com Nasdaq estável, Dow Jones em queda de 0,07% e S&P 500 recuando 0,21%.

No Brasil, o Ibovespa subiu 1,40% a 183 mil pontos, juros fecharam e o dólar caiu 0,13% a R$ 5,15. Hoje, atenção às vendas no varejo no Brasil e ao CPI dos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

O post Após disparada no preço, petróleo recua e bolsas se recuperam apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa amplia portfólio de baixo carbono e lança programas para milho e sorgo


O lançamento dos programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC) pela Embrapa representa um marco para o fortalecimento da produção agropecuária sustentável no Brasil. As iniciativas oferecem alternativas concretas frente aos impactos das mudanças climáticas e ampliam as oportunidades de inserção competitiva do milho e do sorgo brasileiros em mercados cada vez mais exigentes em termos de sustentabilidade.

O propósito é desenvolver e validar protocolos de certificação para as marcas-conceito Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, com base científica e alinhamento a padrões internacionais. Esses projetos são compostos por parâmetros que diferenciam e podem agregar valor ao milho e ao sorgo produzidos com uso de práticas e tecnologias sustentáveis.

O lançamento dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono acontecerá no dia 11 de março, data de comemoração do aniversário de 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

A abertura do edital público para seleção das instituições apoiadoras ocorrerá em agosto de 2026. Nesse intervalo, os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo estarão à disposição para conversar e esclarecer pontos específicos das atividades.

Os trabalhos serão, essencialmente, construídos com base em critérios técnico-científicos para mensurar a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por tonelada de grão produzida. “O cálculo será possível por meio da validação de diretrizes técnicas para o protocolo de certificação. Após a validação do protocolo, feita pela Embrapa com parcerias, poderá ocorrer a certificação, que será voluntária, privada e por terceiros, seguindo o sistema MRV (Medição, Relato e Verificação)” diz o pesquisador Arystides Resende Silva, da Embrapa Milho e Sorgo.

“Os editais dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono estimulam a adoção de sistemas produtivos mais resilientes e incentivam a transição para uma economia sustentável”, acrescenta o pesquisador Alexandre Ferreira da Silva.

“Nós sabemos que temos um grande desafio global pela frente, que são as mudanças climáticas. Nesse cenário, a Embrapa compreende que a descarbonização da produção agropecuária é um dos maiores desafios da agricultura brasileira”, diz Ferreira.

Atenta a essa necessidade, a Embrapa vem liderando o desenvolvimento de soluções  como a criação das marcas-conceitos Carne Baixo Carbono (CBC), Soja Baixo Carbono (SBC) e Trigo Baixo Carbono (TBC). Outros avanços compreendem a criação de ferramentas, calculadoras, para estimar a pegada de carbono por avaliação de ciclo de vida (ACV) de produtos agrícolas em sistemas de produção. As equipes responsáveis por essas iniciativas integram o desenvolvimento das marcas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC), garantindo celeridade, padronização e assertividade às ações. Junto com a Embrapa Milho e Sorgo estão pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Soja (PR).

As ações abrangerão duas fases. Na fase 1, que é a de desenvolvimento e inovação, o objetivo é desenvolver os protocolos Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, e registrá-los no órgão competente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Para esse fim, serão elaboradas diretrizes. “O objetivo é distinguir o milho e o sorgo que apresentam a maior eficiência produtiva por unidade de carbono emitida. Esse fator serve como incentivo à redução das emissões de gases de efeito estufa e não implica em prejuízo à produtividade da lavoura”, conta Resende.

A validação dessas diretrizes ocorrerá durante o ciclo produtivo de três anos em  unidades de observação, localidades a serem indicadas pelas instituições apoiadoras. “Cada área gerará as informações referentes a aporte de insumos e operações mecanizadas, além do balanço de carbono no solo, de forma a permitir o cálculo das emissões de gases de efeito estufa de todo o processo produtivo”, relata o pesquisador Ciro Augusto de Souza Magalhães.

Na segunda fase ocorrerá a implementação do selo de certificação no mercado por meio de certificadoras habilitadas, conforme modelo de exploração comercial a ser definido pela Embrapa.

Os programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono posicionam-se como marcas-conceito inovadoras por terem foco no produto e não na propriedade. Eles enfatizam o balanço das emissões e remoções de GEEs e a garantiar da redução das emissões, quantificada à luz do conhecimento científico.

Magalhães explica que os selos MBC e SgBC trarão um diferencial competitivo para os produtores e para os produtos derivados, atraindo consumidores cada vez mais exigentes em relação à origem e à sustentabilidade dos alimentos.

“A implementação bem-sucedida dessas iniciativas dependerá da definição de critérios claros e objetivos. Portanto, é imprescindível trabalhar com um sistema de certificação eficiente e acessível, viabilizar o engajamento de todos os atores da cadeia produtiva e fomentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento e em comunicação”, acrescenta o pesquisador.

A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Milho e Sorgo, Cynthia Damasceno, observa que a adesão de instituições apoiadoras aos programas MBC e SgBC, por meio de parcerias público-privadas, é fundamental, pois permite a construção coletiva das diretrizes técnicas, garantindo que os protocolos sejam robustos e, ao mesmo tempo, aplicáveis à realidade do mercado.

“Essas parcerias são essenciais para a validação dos indicadores de sustentabilidade em condições reais de campo, seguindo o rigoroso sistema MRV. O engajamento do setor privado, por meio do edital de chamamento, viabilizará a execução das atividades e a entrega do protocolo validado. Juntos, ciência e mercado constroem um futuro mais sustentável e resiliente para a agricultura brasileira”, conclui Damasceno.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Pesquisa avalia algas brasileiras como bioestimulante em grãos sob estresse hídrico


Pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF) estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante capaz de aumentar a tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico. Testes conduzidos em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado registraram incrementos de até 160% na formação de síliquas (vagens que abrigam as sementes da canola) e de até 12% no crescimento das raízes do trigo, características associadas à proteção da produtividade em condições de seca.

O projeto, batizado de Algoj (termo inspirado na palavra “alga” em esperanto), conta com a parceria da empresa CBKK e recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Enquanto na canola o impacto aparece na formação das síliquas, estruturas que definem o potencial produtivo, no trigo o efeito está associado ao crescimento radicular, estratégia que pode proteger o desempenho da cultura sob estresse hídrico.

Esses experimentos ainda precisam ser realizados em condições de campo, uma vez que em casa de vegetação, a temperatura e a umidade relativa do ar são controladas. Mas os resultados já são promissores, na opinião das pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, que lideram o projeto desde 2023.

O objetivo é desenvolver uma solução tecnológica eficiente e de qualidade com base em matéria-prima renovável, no caso as algas marinhas do Brasil. Além de poderem ser cultivadas em abundância em toda a costa do País, elas geram emprego e renda para pescadores brasileiros, configurando-se como alternativa de trabalho e renda financeira a partir de produtos da biodiversidade nacional. “É uma oportunidade para o produtor trabalhar com materiais da nossa biodiversidade e investir em ações que também contribuam para a adaptação às mudanças climáticas”, ressalta Mendonça.

Ao longo de dois anos de pesquisa, foram estudados quatro tipos de algas marinhas, das quais três foram selecionadas para a continuidade da pesquisa. O foco inicial foi na extração de metabólitos secundários, substâncias que potencializam comportamentos importantes no desenvolvimento e crescimento das culturas. “Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica a pesquisadora.

Chegar a esses metabólitos, chamados de fitormônios, não foi fácil. O primeiro desafio da pesquisa foi identificar métodos de extração que conseguissem retirar o máximo possível desses compostos das algas. De acordo com Mendonça, os primeiros estudos avaliaram o modo de secagem, pois, como as algas secam ao sol, era importante verificar se esse método destruía ou não os componentes. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, complementa.

“Foram selecionados quatro extratos a partir de testes com mudas de tomate”, conta a pesquisadora. Os primeiros experimentos aconteceram em casa de vegetação com a variedade de tomate grape (uva) BRS Zamir, uma cultivar da Embrapa, com todas as condições de nutrição e de água que a cultura exige. 

A pesquisa partiu então para experimentos com grãos de trigo e de canola, que são culturas em expansão no Cerrado para cultivo de inverno. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cujo período de estiagem, de maio a setembro, tem se tornado cada vez mais seco nos últimos 30 anos. O trigo e a canola foram selecionados porque passam por grande período de estresse hídrico durante a longa estiagem típica do inverno. Esses ensaios identificaram dois extratos de algas com potencial para aplicação nessas culturas.

Na canola, o uso de uma das formulações desenvolvidas não apenas antecipou o florescimento, como garantiu bom desempenho sob restrição de água, enquanto plantas tratadas com um produto comercial de referência não mostraram ganhos significativos.

O pesquisador Agnaldo Chaves alerta que, apesar da alta porcentagem de incremento na produção de síliquas por planta no cultivo da canola, é preciso discernir que esse número foi atingido em condições controladas de temperatura e umidade relativa do ar em casa de vegetação.

Segundo ele, não haverá a mesma proporção em testes de campo com 400 mil plantas por hectare, mas sinaliza que existe grande potencial de replicar uma boa produtividade nas lavouras. “Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, destaca.

O pesquisador conta que, entre as formulações testadas, duas tiveram bom desempenho com a canola e uma com o trigo de sequeiro (sem irrigação). No caso do cereal, foram registrados crescimento de volume e comprimento da raiz entre 10 e 12%. “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, diz.

Com a canola, os testes foram de aproximadamente 100 dias, e a planta chegou até a fase reprodutiva. Já o ensaio do trigo alcançou a fase vegetativa.

Chaves enfatiza que os resultados obtidos em casa de vegetação estimularam a continuidade do projeto, seguindo para validação em condições experimentais no campo e, posteriormente, em áreas de produtores de diferentes regiões.

Além da eficácia biológica, a pesquisa superou outros gargalos, como o transporte e a conservação do bioinsumo. Como o transporte de extratos líquidos é caro e pode propiciar a degradação, os cientistas investiram no desenvolvimento de um extrato seco (pó molhável) através do processo de spray dryer.

“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, observa Mendonça.

Com o ciclo de laboratório e de casa de vegetação concluído em janeiro de 2026, o projeto busca agora a renovação da parceria para a realização de experimentos no campo, com o objetivo de estabelecer recomendações de dosagem e períodos de aplicação.

A pesquisadora explica que ainda há muitas questões a serem respondidas pela pesquisa. Ainda não há definição, por exemplo, se o melhor método é fazer a mistura de algas ou recomendar usos diferentes para cada uma delas. Outra questão é avaliar o comportamento do extrato em regiões que apresentam boa distribuição de chuvas e em locais onde a chuva é irregular ao longo do ciclo de produção. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, explica.

Ela acredita no potencial das algas para oferecer uma recomendação pronta para o mercado, seja para regiões com pouca chuva ou como uma alternativa em caso de veranicos.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Zoneamento orienta crédito rural e políticas públicas


Do vinho gaúcho ao café amazônico e ao zoneamento do dendê, mapeamentos da Embrapa mostram como a ciência aplicada orienta decisões no campo e fundamenta políticas públicas. Em diferentes regiões do Brasil, dados sobre clima, solo e uso da terra antecipam riscos, fortalecem a produção e balizam crédito, seguro e investimentos, com impacto direto na expansão sustentável da agricultura.

A base técnica construída a partir desses levantamentos alimenta bancos de dados públicos, fundamenta zoneamentos e programas de regularização ambiental e orienta decisões que vão do crédito rural ao manejo de cultivos. Para além da geração de mapas, consolida-se como ferramenta de gestão territorial que ajuda o País a prever riscos climáticos, a definir o uso do solo e a conciliar produção e conservação.

Para a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial (SP), Lucíola Magalhães, os mapeamentos e os zoneamentos são ferramentas cruciais para o desenvolvimento agropecuário. “Eles expressam, de forma mais simples e direta, a complexidade de diferentes fenômenos que ocorrem em um território, onde as políticas e ações acontecem. A capacidade de retratar um fenômeno ou de sintetizar dados de múltiplas dimensões (ambientais, sociais, agrícolas, econômicas, fundiárias e de infraestrutura) é vital para apoiar o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional. Traduz-se em melhor governança e em aprimoramento do planejamento e gestão do uso das terras, e fornece a base essencial para a formulação, execução e monitoramento de políticas públicas”, afirma.

À medida que essas informações se consolidam como instrumentos estratégicos de planejamento, cresce a demanda por dados territoriais. Governos, bancos, cooperativas e empresas têm recorrido a esse conhecimento para planejar políticas públicas, avaliar riscos e orientar investimentos. Nesse cenário, os mapeamentos da Embrapa ganham cada vez mais importância como referências técnicas para influenciar decisões econômicas e de gestão.

Esse movimento aparece com clareza no crédito e no seguro rural. Boa parte dos financiamentos do campo só é aprovada quando o plantio segue as indicações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta desenvolvida pela Embrapa. Em 2023, o custeio agrícola movimentou cerca de R$ 143,9 bilhões, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e grande parte desse valor depende, direta ou indiretamente, do zoneamento.

Nesse contexto, o Zarc se tornou um elo entre produção, crédito e política agrícola. Lançada em 1996, inicialmente para o trigo, a ferramenta abrange atualmente mais de 40 culturas e orienta políticas de crédito e de seguro rural, influenciando milhares de produtores e dando suporte às principais decisões financeiras no campo.

Além disso, o Zarc tem impacto direto na pesquisa e na inovação. Ao identificar regiões sujeitas a excesso ou déficit hídrico, geadas ou temperaturas elevadas, direciona estudos para desenvolver cultivares adaptadas e práticas de manejo específicas. A ferramenta também subsidia modelos de simulação de culturas, indica janelas de semeadura e colheita de menor risco e valida novas tecnologias – de cultivares a insumos – em diferentes cenários agroclimáticos.

O funcionamento do Zarc depende de uma engenharia científica robusta, que combina dados de clima, solo e fenologia das plantas, séries históricas, capacidade de armazenamento de água no solo e exigências hídricas das culturas. A análise é probabilística e apoiada em décadas de registros, integrando dados meteorológicos e de solos harmonizados, além da calibração de milhares de cultivares.

Todo o processo envolve uma rede nacional de pesquisadores da Embrapa, instituições estaduais e universidades, com infraestrutura computacional sediada na Embrapa Agricultura Digital (SP) capaz de rodar milhões de simulações para culturas, tipos de solo e períodos de semeadura em mais de 5.500 municípios.

Nos próximos anos, a ferramenta deve passar por aprimoramentos significativos, segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc Embrapa. Ele acredita que o avanço da modelagem dinâmica – integrando cenários climáticos, modelos de crescimento de culturas e inteligência artificial – permitirá análises mais detalhadas. Além disso, a expansão de sensores de campo, imagens de satélite de alta resolução e drones ampliará o volume de informações disponíveis e permitirá uma diferenciação das recomendações para microrregiões e até talhões específicos, além do monitoramento quase em tempo real do estresse hídrico e do desenvolvimento das culturas.

Essas melhorias mostram como o Zarc pode transformar decisões no campo, oferecendo dados precisos que orientam produtores e políticas agrícolas.

No Vale dos Vinhedos (RS), os mapeamentos também exercem papel decisivo. Informações que antes eram apenas percepções — como declividade, altitude e exposição solar — ganharam precisão com as geotecnologias. “Do contrário, seriam apenas suposições”, afirma a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (RS) Rosemary Hoff.

A região ocupa cerca de 81 km² e concentra aproximadamente 1.760 hectares de vinhedos georreferenciados — 26% do território. Com variação de altitude entre 450 e 700 metros e encostas íngremes que influenciam drenagem e insolação, o relevo contribui para diferenciações de terroir — combinação de solo, clima e paisagem que confere identidade aos vinhos. Segundo Hoff, essas características só puderam ser reconhecidas e comparadas com o apoio dos levantamentos espaciais.

Esses levantamentos permitem comparar relevo, uso da terra e geodiversidade entre diferentes Indicações Geográficas (IGs) da Serra Gaúcha, revelando a diversidade real dos territórios. Mapas de relevo e uso da terra, por exemplo, foram fundamentais para definir limites tanto de Indicações Geográficas quanto de Denominações de Origem (DOs). “Altitude, declividade e Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem muito para delimitar uma IG”, explica a pesquisadora, que participou dos processos.

Os efeitos aparecem também no cotidiano dos produtores. Com a conquista dos selos de Indicação de Procedência (IP), em 2022, e de DO, em 2012, eles passaram a seguir normas mais rígidas de manejo, controle de doenças e identificação de cultivares. Também surgiram outros impactos menos visíveis, como maior fixação de pessoas no território, busca por qualificação e interesse crescente em pesquisa. O avanço do enoturismo, que hoje movimenta milhares de visitantes por ano no Vale, contribui para impulsionar a criação de novas escolas técnicas e superiores nas regiões de IG.

Essa transformação se distribui por todo o conjunto das cerca de 30 vinícolas registradas na DO e pelos diversos viticultores da região.

Para Hoff, o Vale dos Vinhedos é um exemplo de como ciência, tradição e gestão territorial podem caminhar juntas. “Os mapas nos permitiram entender melhor o que sempre esteve ali”, diz. Ela acredita que, à medida que novas tecnologias surgem, o território tende a se aperfeiçoar, não por mudar seus limites, mas por aprofundar o conhecimento sobre eles e fortalecer a identidade que sustenta a região.

O Zoneamento Agroecológico do Dendê (ZAE Dendê) é outro exemplo de mapeamento que originou uma política pública. Desenvolvido pela Embrapa Solos (RJ), Embrapa Amazônia Oriental (PA) e Embrapa Amazônia Ocidental (AM), o estudo identificou regiões aptas ao cultivo do dendê (palma-de-óleo) sem avançar sobre a vegetação nativa.

O zoneamento foi elaborado no contexto de expansão do biodiesel e da busca por alternativas energéticas sustentáveis.  De alta produtividade e adaptado ao clima equatorial, o dendezeiro foi escolhido por unir rendimento, aptidão climática e geração de empregos.

Publicado em 2010, o estudo apontou cerca de 32 milhões de hectares aptos ao cultivo, sendo 29 milhões na Amazônia Legal. As áreas indicadas para expansão estavam restritas a regiões desmatadas até 2007, conforme o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A partir desse diagnóstico, o Governo Federal estruturou o Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo.

O ZAE Dendê também orientou crédito agrícola e planejamento fundiário no Pará, principal estado produtor, e guiou a criação de protocolos socioambientais para empresas. Essas regras reduziram impactos sobre povos tradicionais, evitaram blocos contínuos de monocultura e consideraram infraestrutura e proximidade de usinas.

Para o pesquisador Wenceslau Teixeira, da Embrapa Solos, o zoneamento deixou um legado duradouro. “O estudo ajudou não somente a consolidar os plantios em monocultivos, mas também a abrir caminhos para sistemas agroflorestais com pequenos produtores. Isso fomentou a cadeia produtiva no nordeste do Pará, direcionando investimentos e políticas de incentivo sem estimular o desmatamento”, afirma.

Exemplo mais recente vem das Matas de Rondônia, região formada por 15 municípios e berço do Robusta Amazônico, uma variedade de café canéfora que vem ganhando espaço no mercado nacional e internacional ano a ano. O mapeamento de uso e cobertura da terra, elaborado a partir de imagens de satélite e análises comparativas entre os anos de 2020 e 2023, demonstrou que a produção de café não avançou sobre as áreas de florestas e que ainda pode se expandir para regiões de pastagem.

A comprovação de que a produção não está associada ao desmatamento tornou-se uma exigência de mercados internacionais, como o da União Europeia, que restringiu a compra de produtos associados à derrubada de florestas desde 2020. Nesse contexto, o estudo da Embrapa indicou que as áreas florestais convertidas para o cultivo de café nas Matas de Rondônia não ultrapassou 1%, o que reforça a imagem de uma produção alinhada à conservação ambiental.

O trabalho também revelou que as reservas indígenas contribuem para a preservação e conservação ambiental de grandes “blocos” de florestas nativas primárias, alcançando uma área de 1,2 milhão de hectares.

Para os produtores, o impacto vai além da imagem. As informações fortalecem a segurança comercial, facilitam o acesso a mercados mais exigentes e ajudam a rebater narrativas que associam a produção amazônica ao desmatamento.

O pesquisador da Embrapa Rondônia (RO) Enrique Alves acredita que, além de se beneficiarem das vantagens de manter a floresta, os produtores também usam esse resultado como valor adicional à marca Robustas Amazônicos. Para governos e compradores, por sua vez, os mapas oferecem uma referência confiável em decisões de compra, investimentos e políticas públicas.

O trabalho ganhou ainda mais relevância porque a região abriga a primeira Denominação de Origem do mundo para cafés canéforas sustentáveis, um selo que agrega valor ao produto e que depende de informações confiáveis sobre a origem da produção.

O estudo, fruto de parceria entre a Embrapa Territorial, Embrapa Rondônia e Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon), demonstra ainda balanço positivo da produção de café da região.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Reforma tributária pode ameaçar cooperativas?



Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário para cooperativas


Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas
Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas – Foto: Canva

As mudanças trazidas pela reforma tributária começam a redesenhar a organização financeira e operacional das cooperativas agrícolas no país. As novas regras exigem atenção à gestão tributária, ao fluxo de caixa e também à adaptação tecnológica dos produtores vinculados às cooperativas. Segundo análise da advogada e especialista em agronegócio Patrícia Arantes de Paiva Medeiros, as alterações criam um ambiente que demanda planejamento e avaliação constante das operações.

Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas, que passa a existir de forma opcional. A escolha entre permanecer no regime geral ou aderir ao modelo específico pode impactar diretamente o fluxo de caixa e a competitividade das operações. No regime geral, a base de cálculo considera a receita bruta da cooperativa. Já no regime específico, a tributação incide apenas sobre o valor agregado pela cooperativa, com previsão de crédito presumido e estrutura mais simplificada. Ainda assim, a adesão exige análise anual, já que os resultados podem variar conforme o perfil dos cooperados. Cooperativas com grande número de produtores com faturamento inferior a R$ 3,6 milhões tendem a se beneficiar mais desse modelo.

Outra mudança relevante envolve o sistema de split payment. Atualmente, a cooperativa recebe do comprador e recolhe o imposto apenas no mês seguinte, utilizando esse intervalo como capital de giro fiscal. Com o novo mecanismo, o imposto será descontado automaticamente no momento do pagamento, antes mesmo de o valor entrar na conta da cooperativa. A alteração elimina esse espaço de capital de giro e exige maior reserva de liquidez, além de possíveis revisões em contratos e prazos com cooperados, especialmente em operações com commodities de alta rotatividade.

A digitalização das operações também avança. A partir de 2026, produtores que ainda utilizam nota fiscal em papel deverão migrar para a Nota Fiscal de Produtor Eletrônica. Nesse processo, as cooperativas passam a ter papel importante no apoio aos associados, principalmente pequenos produtores, para garantir regularidade fiscal e evitar riscos nas operações.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Um detalhe no cadastro pode travar seu crédito rural



O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais


O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais
O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais – Foto: Canva

A regularidade ambiental passou a ocupar papel central no acesso ao crédito rural no país. Segundo Rafael Guazelli, sócio-fundador da Guazelli Advocacia, a análise do Cadastro Ambiental Rural ganhou peso decisivo nas avaliações feitas por instituições financeiras.

O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais, sociais e de governança e também com novas diretrizes do Banco Central. Nesse contexto, o CAR passou a ser analisado de forma mais rigorosa e automatizada. Situações como sobreposição de áreas ou déficit de reserva legal sem compensação podem bloquear imediatamente a liberação de financiamento.

Além disso, instituições financeiras passaram a utilizar sistemas de inteligência artificial capazes de cruzar informações declaradas no cadastro com imagens de satélite atualizadas. Quando há divergência entre os dados registrados e o que é identificado nas imagens, como indícios de desmatamento recente ou uso irregular da área, o impacto pode ser direto na classificação de risco do produtor, reduzindo a possibilidade de obtenção de crédito.

Outro ponto que tem preocupado produtores é a situação de cadastros que estão ativos, mas ainda não homologados pelos órgãos responsáveis. Com o aumento da demanda por custeio para a próxima safra em 2026, essa pendência administrativa pode se transformar em um obstáculo relevante no relacionamento com bancos.

Nesse ambiente mais rigoroso, a regularização ambiental deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a integrar a estratégia financeira das propriedades. A avaliação jurídica do CAR antes da busca por financiamento, a defesa administrativa em autos de infração que possam bloquear operações e o ajuste de termos de compromisso para evitar restrições são medidas que ajudam a preservar o fluxo de crédito. A orientação é não deixar a regularização para o momento em que o recurso já é necessário, já que o planejamento jurídico agrário pode ser determinante para garantir a continuidade da produção.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Falta de chuva reduz potencial da cana-de-açúcar



Falta de chuva reduz potencial da cana-de-açúcar



Foto: Canva

O desenvolvimento da cana-de-açúcar na região administrativa de Emater/RS-Ascar em Santa Rosa apresenta resultados distintos conforme as condições climáticas registradas nas últimas semanas. As informações constam no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado na quinta-feira (5).

De acordo com o relatório da Emater/RS-Ascar, nas áreas onde houve maior estabilidade climática o desenvolvimento vegetativo da cultura é considerado satisfatório. Já nas localidades com registro de chuvas insuficientes e temperaturas elevadas, o crescimento dos colmos e a absorção de nutrientes foram prejudicados, o que compromete o potencial produtivo das lavouras.

O documento também aponta atraso no desenvolvimento das áreas que passaram por corte e dos plantios mais recentes. Em função do menor porte das plantas, produtores já estimam uma leve redução na produção da cultura na região.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a cana-de-açúcar possui participação econômica limitada nos municípios atendidos pela regional de Santa Rosa. A produção ocorre, em sua maioria, em pequenas áreas destinadas à alimentação animal e ao processamento artesanal, principalmente para a fabricação de melado, rapadura e cachaça.

O levantamento indica ainda que o preço da cana-de-açúcar permanece em torno de R$ 136,60 por tonelada.





Source link

News

Produtor que sofreu com granizo no plantio da soja agora encontra diesel R$ 2 mais caro


soja, colheita
Soja. Foto: Embrapa

O produtor Eduardo Martins, de Alvorada do Sul, no Paraná, sofreu com chuva de granizo no início da semeadura de soja e, agora, relata escassez e aumento de preço do diesel em alguns postos e distribuidoras da região.

Segundo ele, que também é presidente do sindicato rural do município, o combustível foi encontrado entre R$ 1,50 e R$ 2,00 mais caro do que o habitual nos postos da cidade.

“Nas distribuidoras que a gente está acostumado a comprar diesel está faltando, tanto na particular quanto em outra através de uma cooperativa. Tivemos que ir atrás de uma outra distribuidora que a gente não era cliente ainda e conseguimos fazer a compra do diesel mediante pagamento antecipado. Agora eles já entregaram o diesel para a gente, mas nos postos do município ainda está faltando”, conta.

De acordo com Martins, a escassez do insumo em um momento crítico da colheita tem grande impacto nas finanças do produtor do município, que já está tendo que conviver com margens apertadas.

O relato do agricultor ganha eco nas manifestações de entidades do agro, como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), que divulgou nota nesta terça-feira (10) alertando sobre a possível interrupção de atividades mecanizadas no estado, além de impactos na logística do setor e elevação do custo do frete rodoviário.

O motivo da preocupação envolve a situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A instabilidade na região, gerada pelos ataques coordenados de Israel e Estados Unidos ao Irã, já começou a provocar turbulências no mercado internacional.

Falta nas transportadoras

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, destaca que desde terça-feira passada (3), há registros de redução de oferta de diesel, com falta de disponibilidade das transportadoras para carregar o combustível aos produtores.

“Após quinta-feira (5) até ontem (9), não tínhamos nem carregamento nos TRRs, que são os transportadores retalistas, para as propriedades rurais. E como nós estamos em plena colheita do arroz, perto de 900 mil hectares em andamento, vários produtores começaram a me chamar e avisar nesse sentido, que nós estávamos com problema de suprimento”, comenta.

Segundo ele, os agricultores relatam que contam apenas com o diesel estocado na propriedade, o suficiente para, no máximo, quatro dias.

A mesma situação é registrada em outras regiões do Paraná, como Ubiratã, Piraí do Sul, Lapa, Prudentópolis e Nova Esperança. Além da falta de combustível, há queixas sobre o aumento no preço do litro.

Resposta da ANP

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) nega irregularidades na importação do combustível e, tampouco, na distribuição interna. Sobre os preços, a autarquia lembra que o mercado é livre no Brasil desde 2002, ou seja, não há tabelamento. “O valor nas bombas depende exclusivamente das refinarias distribuidoras e da cotação internacional”, destaca.

Segundo a ANP, o consumidor que se sentir lesado deve procurar o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procom) e, se perceber a formação de cartéis, a responsabilidade é do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O post Produtor que sofreu com granizo no plantio da soja agora encontra diesel R$ 2 mais caro apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Cepea/Abiove: Avanço da agroindústria gera nova revisão positiva no PIB da…


Com um novo avanço da agroindústria no terceiro trimestre, o já expressivo crescimento do PIB da cadeia da soja e do biodiesel para 2025 passou por mais uma revisão positiva. No segmento de esmagamento, o resultado esteve em linha com a melhora das perspectivas para o ano indicada pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). No caso do biodiesel, o movimento foi impulsionado pela aceleração da produção observada no terceiro trimestre, associada à entrada do B15 em 1º de agosto.

Diante disso, os estudos realizados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abiove, apontam que o PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode crescer expressivos 11,66% em 2025. A estimativa atual supera em 0,37 ponto percentual a do relatório anterior, refletindo o avanço da agroindústria e seu impacto positivo sobre os agrosserviços da cadeia.

De modo geral, a colheita de uma safra 2024/25 de soja recorde no Brasil e a intensificação do processamento do grão por parte da indústria vêm sustentando a previsão de forte alta do PIB da cadeia da soja e do biodiesel em 2025. Com isso, o PIB da cadeia produtiva representaria 23% do PIB do agronegócio neste ano e 5,7% do PIB nacional.

Apesar desse desempenho, segundo pesquisadores do Cepea/Abiove, com novas quedas de preços no terceiro trimestre, a variação dos preços relativos tornou-se negativa para a cadeia produtiva. Entre janeiro a setembro de 2024 e de 2025, os preços da cadeia produtiva recuaram 7,27% – uma piora frente à estimativa anterior, que apontava estabilidade. Essa deterioração no terceiro trimestre decorreu exclusivamente das fortes elevações de preços observadas no mesmo período de 2024, uma vez que, em geral, houve alta de preços ao longo do terceiro trimestre de 2025 – caracterizando, portanto, um efeito de base de comparação. Esse movimento também levou à redução da estimativa de avanço da renda da cadeia da soja e do biodiesel, embora a expansão dos volumes produzidos ainda assegure crescimento. A estimativa atual indica alta de 3,54% na renda da cadeia em 2025, revertendo uma sequência de três anos consecutivos de queda. Ainda assim, essa projeção foi revisada para baixo pela segunda vez no terceiro trimestre (era de +11,19% no relatório anterior).

Com base nas informações levantadas até o encerramento do terceiro trimestre de 2025, estima-se que o PIB gerado por tonelada de soja produzida e processada poderá representar 4,2 vezes o PIB gerado pela soja produzida e exportada diretamente.

MERCADO DE TRABALHO – Houve aumento de 7,15% no número de pessoas ocupadas na cadeia produtiva da soja e do biodiesel no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,39 milhões de trabalhadores. Com isso, a participação da cadeia produtiva na economia brasileira foi de 2,34% e, no agronegócio, de 10,35%.

De acordo com pesquisadores do Cepea/Abiove, o avanço das ocupações no trimestre – refletindo o desempenho ao longo de 2025 – decorreu principalmente dos aumentos registrados antes da porteira e nos agrosserviços.

A maior área destinada à soja e o crescente uso de tecnologia levaram o segmento de insumos a registrar aumento de 7,09% no número de pessoas ocupadas, o que representa cerca de 10 mil trabalhadores adicionais. Nos agrosserviços, o crescimento foi de 12,08%, associado ao aumento da produção física e do processamento da soja, que amplia a demanda por serviços e aquece o mercado de trabalho nesse segmento.

Por outro lado, dentro da porteira e nas agroindústrias, o cenário foi de redução das ocupações. Na soja, houve queda de 30.291 pessoas ocupadas (-6,98%), com recuo observado na maioria dos estados produtores, indicando ganhos de produtividade do trabalho. Destaca-se, ainda, a perda expressiva de ocupações no Rio Grande do Sul (-26.655 pessoas), que teve uma quebra de safra por questões climáticas. Na agroindústria, as indústrias de rações e de esmagamento e refino reduziram suas ocupações, e o pequeno aumento observado na indústria de biodiesel não foi suficiente para reverter o resultado agregado do segmento.

COMÉRCIO EXTERIOR – As exportações brasileiras da cadeia da soja e do biodiesel totalizaram 35,54 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2025, avanço de 11,78% em relação ao mesmo trimestre de 2024. Com o crescimento dos volumes embarcados, a variação da receita passou a ser positiva na comparação trimestral: +4,47%, alcançando US$ 14,5 bilhões no período. O avanço mais moderado da receita frente ao crescimento dos volumes reflete os menores preços de exportação da soja e do farelo de soja.

A pressão sobre os preços de exportação do grão e do farelo decorreu da ampla oferta desses produtos no mercado internacional, apesar da demanda firme. Para 2025/26, as projeções indicam mudança na tendência de disponibilidade global, com expectativa de queda na produção.

No caso da soja em grão, o aumento dos embarques foi impulsionado principalmente pela China e pelo Sudeste Asiático. Para o farelo, destacaram-se como destinos com crescimento a União Europeia e o Leste Asiático. Já no caso do óleo de soja, diante da firme demanda doméstica, houve redução dos volumes exportados, com quedas sobretudo para a China e para o grupo de “outros destinos”.





Source link