O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à Reuters, nesta quarta-feira (1º), que o país deve deixar o conflito com o Irã “bastante rapidamente”, mas não descartou a possibilidade de novos ataques pontuais, caso considere necessário.
Segundo Trump, os EUA acreditam ter neutralizado a capacidade do Irã de desenvolver armas nucleares, afirmação que é negada por Teerã. O presidente também sugeriu que a recente mudança de regime no país pode abrir caminho para um eventual acordo com a nova liderança.
Ao mesmo tempo, Trump voltou a criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ele acusou aliados de não apoiarem os Estados Unidos durante o conflito e afirmou que considera “absolutamente” a possibilidade de retirar o país da aliança. O republicano classificou a relação como “uma via de mão única”, reforçando o descontentamento com a falta de suporte militar, especialmente no contexto da guerra no Oriente Médio.
No cenário interno, o presidente enfrenta pressão diante da alta nos preços da gasolina. Trump prepara um discurso à nação para detalhar os próximos passos do governo.
Apesar de ter afirmado anteriormente que não buscava uma mudança de regime no Irã, ele declarou que esse cenário acabou ocorrendo como consequência da guerra. Segundo o presidente, essa nova configuração pode facilitar negociações futuras, enquanto os Estados Unidos mantêm vigilância sobre o programa nuclear iraniano.
A votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 foi estendida! Agora, você pode escolher seus favoritos até o dia 19 de abril. Acesse o link da votação e vote no seu produtor e em um pesquisador que fazem a diferença na cadeia da soja no país.
Confira os indicados desta safra:
Pesquisadores
Ricardo Andrade O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca.
Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas. Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo.
Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.
Fernando Adegas Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola.
Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.
Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.
Leandro Paiola Albrecht O pesquisador Supra da UFPR, Leandro Paiola Albrecht, desenvolve estudos voltados ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja.
Seu trabalho vai além do uso de herbicidas, envolvendo práticas como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo. Ele também participa de pesquisas sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso.
Esses estudos ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas significativas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.
Produtores
João Damasceno Produtor rural do Tocantins, João Damasceno levou o sonho da soja para o Norte do Brasil e ajudou a consolidar a produção na região.
A história da fazenda começou ainda com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.
Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento.
Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.
Maira Lelis Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que une tradição, tecnologia e sustentabilidade.
A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Ao longo do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos.
Hoje a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.
Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.
Carlos Eduardo Carnieletto A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação.
Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão.
Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura. Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras.
Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor. Por isso investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.
A votação para escolher o Personagem Soja Brasil da safra 2025/26 vai até o dia 10 de abril. Participe!
A Ambiental, empresa da JBS voltada ao gerenciamento de resíduos sólidos, reciclou 7,6 mil toneladas de plástico em 2025. O volume é o maior desde o início das operações e representa aumento de 51% em relação ao recorde anterior.
Em 11 anos de atuação, a empresa informou que evitou o envio de quase 55 mil toneladas de plástico para aterros sanitários. O material passou por triagem, processamento e foi transformado em resina reciclada e outros produtos industriais.
“O crescimento no volume de plástico reciclado em 2025 não é somente um indicador ambiental, é eficiência operacional. Conseguimos transformar o que antes era um custo de descarte em um recorde de 4,4 mil toneladas de resina de alta qualidade”, afirmou a diretora da Ambiental, Thuany Taves.
Produção de resina reciclada
A produção de resina reciclada chegou a 4,4 mil toneladas em 2025, aumento de 8% em relação a 2024. Parte do material reciclado veio do reaproveitamento de big bags utilizados no transporte de insumos agrícolas e de resíduos plásticos gerados nas operações da JBS, como Friboi, Seara, Swift, Couros e Novos Negócios.
De acordo com a empresa, a resina reciclada é utilizada em produtos como sacos plásticos, bobinas, paletes, móveis, telhas e chapas usadas na construção civil.
Thuany afirma que o modelo também gera novos insumos para o setor industrial. “Na prática, estamos provando que a economia circular na JBS é um motor de valor, gerando insumos industriais que abastecem desde o setor moveleiro até a construção civil”, diz.
Além do plástico, a Ambiental também atua no gerenciamento de papel, vidro e metal, além da logística reversa de itens como lâmpadas, pilhas e baterias.
Em 2025, a empresa informou que administrou 34 mil toneladas de resíduos sólidos, aumento de 13% em relação ao ano anterior. Todo o volume teve destinação com certificação ambiental.
“Ao gerenciarmos 34 mil toneladas de resíduos, do papel ao vidro, passando por itens complexos como baterias, garantimos que nada se perca ou gere passivo. Esse crescimento de 13% reflete nossa capacidade de oferecer uma solução completa, em que 100% do que sai das fábricas tem destino certo e certificado”, afirma a diretora.
Estrutura e expansão
A Ambiental conta com 22 filiais em estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. As unidades fazem a triagem e o preparo do material, que depois é enviado para a matriz, em Lins (SP), onde ocorre a transformação em resina.
Em 2025, a empresa também ampliou as operações com uma nova unidade em um centro de distribuição na Anhanguera, em São Paulo. Segundo a companhia, a estrutura permite atender às metas de logística reversa previstas na legislação federal.
Thuany afirma que o modelo já está em operação. “Hoje, entregamos soluções que superam as exigências legais, alcançando até 100% de conteúdo reciclado em alguns filmes plásticos. Não estamos somente cumprindo uma norma; estamos ditando o ritmo de como a indústria pode se desvincular do uso de recursos virgens”, diz.
O primeiro trimestre de 2026 deve registrar uma movimentação recorde de soja em grão no Brasil, com forte avanço tanto nas exportações quanto nas importações. Segundo números do Agroexport, o cenário reflete o consumo em alta, que tem levado o país a importar volumes históricos mesmo diante de uma safra robusta.
A safra brasileira 2025/26 é estimada em mais de 170 milhões de toneladas, um novo recorde. Ao mesmo tempo, o consumo também atinge níveis inéditos, impulsionado tanto pela demanda interna, com destaque para a indústria de esmagamento, quanto pelas exportações de grão, farelo e óleo.
Soja em grão
Reprodução Canal Rural
No recorte entre janeiro e março, o Brasil deve exportar cerca de 23 milhões de toneladas de soja com a média diária de embarques, considerando uma projeção conservadora para o fechamento de março. Já as importações devem alcançar aproximadamente 340 mil toneladas no período, um volume sem precedentes na série histórica recente.
Grande parte da soja importada pelo Brasil vem do Paraguai, que responde por mais de 90% desse fluxo. O movimento reforça o aquecimento do mercado e a necessidade de complementar a oferta diante da demanda elevada.
O avanço também é visível no comparativo mensal. Em março de 2025, o Brasil importou cerca de 18 mil toneladas de soja. Para março de 2026, a estimativa varia entre 95 mil e 100 mil toneladas. Em termos diários, o volume saltou de menos de mil toneladas para mais de 5 mil toneladas.
No acumulado de 2025, o país exportou cerca de 108 milhões de toneladas de soja e importou menos de 1 milhão de toneladas. Para 2026, a expectativa é de superar ambos os números, com exportações acima de 110 milhões de toneladas e importações ultrapassando 1 milhão de toneladas.
No cenário internacional, o mercado acompanha o início do plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos. A tendência é de aumento da área destinada à soja, o que pode influenciar os preços e a dinâmica global da commodity.
Apesar da combinação de produção elevada e importações em alta, o principal destaque é a força da demanda. O mercado segue aquecido, sustentado tanto pelo consumo interno quanto pelas exportações, abrindo oportunidades para o Brasil, ainda que isso não signifique, necessariamente, preços mais elevados.
Mato Grosso é o coração do agronegócio brasileiro. Produz, exporta e sustenta o superávit do país. Mas, para que essa engrenagem funcione, o produtor aceita pagar o Fethab, um fundo criado para garantir infraestrutura, mas que, na prática, virou um pedágio permanente e cada vez menos transparente.
A arrecadação é bilionária, ultrapassando facilmente os R$ 4 bilhões por ano, dependendo da safra . O produtor paga. E paga muito. O problema é que a estrada, muitas vezes, não aparece.
Arrecadação alta, estrada precária.
O Fethab existe para garantir competitividade via diferimento do ICMS. Em troca, deveria entregar a logística. Mas o que se vê no campo é outra realidade.
A MT-240 e a MT-599 enfrentam dificuldades constantes. Em Paraitinga, o escoamento trava. No norte, a MT-322, entre Peixoto de Azevedo e Matupá, vira um teste de resistência nas chuvas. Já a MT-140, entre Campo Verde e Santa Rita do Trivelato, é o retrato da descontinuidade: começa asfaltada e termina na terra.
Não é exceção. É rotina.
O produtor paga duas vezes.
Sem estrada, o frete sobe, o tempo aumenta e o custo explode. O produtor paga o Fethab e paga novamente pela ineficiência logística.
E o mais grave: muitos trechos já tiveram previsão de obra, já passaram por licitação. O dinheiro existe. A execução não acompanha.
Quando o fundo perde o destino.
Ao longo do tempo, o Fethab deixou de ser exclusivo da infraestrutura. Parte dos recursos passou a atender outras despesas do Estado.
Se o produtor paga por estrada, mas o recurso financia outras áreas, há um descompasso evidente. A conta continua no campo, o retorno, não.
O jogo de empurra.
Uma parte relevante dos recursos vai para os municípios. A função é clara: manter estradas vicinais.
Na prática, o cenário se repete: falta máquina, falta manutenção, sobra justificativa. O recurso se perde entre repasses e execução, e o produtor segue sem estrada.
Sem logística, não há margem.
Estrada ruim encarece tudo. Frete mais caro, perda de eficiência, risco maior. Em um mercado competitivo, isso não é detalhe, é perda direta de renda.
Mato Grosso produz como potência, mas escoa com dificuldade.
A conta precisa fechar.
O problema não é arrecadar. É cumprir o destino do recurso. Sem transparência e sem execução eficiente, o Fethab deixa de ser solução e passa a ser custo.
Enquanto isso não mudar, o agro seguirá avançando com um freio invisível, pago por quem produz e travado na lama da má gestão.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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O PRODES, por sua vez, monitora a supressão de vegetação – Foto: Canva
A exigência de verificação ambiental para concessão de crédito rural passa a incorporar, a partir de abril de 2026, a consulta a dados de monitoramento por satélite, com o objetivo de coibir o financiamento de atividades associadas ao desmatamento ilegal. A análise é da advogada especialista em agronegócio Patrícia Arantes de Paiva Medeiros.
As Resoluções CMN nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025 determinam que instituições financeiras consultem o PRODES/INPE antes de liberar crédito para imóveis acima de quatro módulos fiscais, estendendo a exigência para propriedades menores a partir de 2027. Segundo a especialista, o modelo adotado cria uma inversão do ônus, ao tratar o produtor como irregular até que ele comprove o contrário com base em dados de satélite.
O Código Florestal já estabelece que o acesso ao crédito deve estar condicionado à regularidade ambiental comprovada por meio do Cadastro Ambiental Rural e validada por órgãos competentes. Instrumentos como Autorização de Supressão de Vegetação, Programa de Regularização Ambiental, Termo de Ajustamento de Conduta e Projeto de Recuperação de Área Degradada foram estruturados para diferenciar situações legais de infrações.
O PRODES, por sua vez, monitora a supressão de vegetação, mas não distingue se ela ocorreu de forma autorizada ou ilegal. Na prática, áreas com licença ambiental válida podem ser tratadas da mesma forma que desmatamentos irregulares, levando ao bloqueio prévio do crédito e à necessidade de comprovação por parte do produtor.
Com milhões de registros apontados e a maior parte dos cadastros ainda sem validação definitiva, o cenário gera sobreposição de sistemas e insegurança jurídica. Um imóvel regular pode enfrentar restrições, enquanto outro ainda não autuado pode acessar recursos normalmente.
A avaliação destaca que o problema não está no objetivo da norma, mas na forma de implementação. O uso do PRODES como base direta para bloqueio, sem mediação dos órgãos ambientais, amplia custos, cria incertezas e pode afetar o acesso ao crédito no início das safras.
O mercado de café encerrou o mês de março com movimentos distintos entre as principais variedades negociadas no Brasil. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o café arábica voltou a registrar valorização, enquanto o robusta seguiu pressionado ao longo do período.
A alta do arábica foi sustentada principalmente pela oferta limitada e pelas incertezas no cenário geopolítico, que continuam influenciando os preços no mercado internacional.
Oferta e geopolítica sustentam arábica
De acordo com pesquisadores do Cepea, a valorização do arábica em março foi significativa, superando até mesmo o impacto das projeções positivas para a safra brasileira 2026/27.
A colheita da nova temporada deve ganhar ritmo entre maio e junho e é aguardada com expectativa no setor. Isso porque há possibilidade de o Brasil registrar a primeira safra recorde da variedade após cinco temporadas consecutivas abaixo do potencial produtivo, cenário influenciado principalmente por adversidades climáticas nas principais regiões produtoras.
Robusta segue pressionado com maior oferta
Por outro lado, o café robusta apresentou trajetória de queda ao longo de boa parte de março. Segundo o Cepea, a maior disponibilidade da variedade em comparação ao arábica tem pressionado as cotações.
Além disso, a proximidade da colheita também reforça o movimento de baixa. A expectativa é de que os volumes da safra 2026/27 comecem a entrar no mercado entre abril e maio.
Com a chegada dessa nova oferta, a tendência é de continuidade da pressão sobre os preços do robusta no curto prazo.
Mercado dividido
O cenário atual evidencia um mercado dividido entre fundamentos distintos para cada variedade. Enquanto o arábica segue sustentado por restrições de oferta e fatores externos, o robusta já reflete o aumento da disponibilidade e a entrada da nova safra.
Esse descompasso deve continuar guiando o comportamento dos preços nas próximas semanas.
Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul registraram alta superior a 11% em março, na comparação com o fechamento de fevereiro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Apesar da valorização e de uma demanda considerada firme, o mercado seguiu com baixa liquidez ao longo de todo o mês. De acordo com os pesquisadores, a retração dos produtores foi o principal fator que limitou os negócios.
A cautela está relacionada ao descompasso entre os preços praticados e os custos de produção, o que tem levado muitos produtores a segurar as vendas na expectativa de melhores margens.
Com isso, as negociações ocorreram de forma pontual e em pequenos volumes, mantendo o ritmo lento no mercado spot.
Custos ainda pressionam rentabilidade
Mesmo com a alta recente, os valores atuais do arroz ainda estão abaixo do nível considerado ideal para garantir a rentabilidade do produtor, segundo o Cepea.
Esse cenário tem reforçado a postura mais conservadora dos vendedores, que evitam fechar negócios em um momento de margens apertadas.
Colheita também reduz presença no mercado
Outro fator que influenciou a dinâmica do mercado foi o avanço da colheita no estado. Com a redução das chuvas, os produtores passaram a priorizar os trabalhos no campo, reduzindo a participação nas negociações.
A presença no mercado ficou mais concentrada entre agentes com maior necessidade de caixa, ainda assim com volumes limitados.
A combinação entre preços em recuperação, custos elevados e foco na colheita mantém o mercado de arroz no Rio Grande do Sul travado, mesmo diante de sinais de demanda ativa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país pode deixar a guerra contra o Irã “muito em breve”, possivelmente dentro de duas a três semanas, mesmo sem um acordo formal. Segundo ele, a saída não depende necessariamente de um avanço diplomático.
Já o secretário de Estado, Marco Rubio, mencionou a possibilidade de negociações diretas com Teerã e afirmou que o fim do conflito está “se aproximando”.
As declarações indicam uma postura ainda incerta de Washington sobre como e quando encerrar o confronto, que já deixou milhares de mortos, se espalhou pelo Oriente Médio e provocou forte impacto nos mercados de energia.
Apesar do tom mais conciliador recente, os Estados Unidos haviam ameaçado intensificar a ofensiva caso o Irã não aceitasse um plano de cessar-fogo com exigências rígidas, incluindo restrições ao programa nuclear e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, os combates continuam. Ataques atingiram países do Golfo, como Kuwait e Bahrein, além de um petroleiro próximo ao Catar. O Irã também relatou bombardeios em diferentes áreas da capital, incluindo um terminal portuário de passageiros.
Ainda assim, sinais de possível desescalada impulsionaram os mercados asiáticos, que reagiram em alta diante da expectativa de um eventual fim da guerra.
O final do mês de março do açúcar ficou marcado pelo aumento das negociações no mercado spot de São Paulo. Compradores aproveitaram da reação dos preços para recuperar seu estoque, se prevenindo de um possível avanço a curto prazo.
Apesar disso, indicadores de preços do açúcar cristal indicam uma alta nos valores, chegando a números próximos a R$ 104,00/saca. Pesquisadores do Cepea apontam que a fase de entressafra torna a oferta mais restrita, o que favorece o avanço nos preços.
Segundo o centro de estudos, mesmo com a volta das negociações do mercado interno, a exportação do adoçante se manteve mais vantajosa aos produtores nesta última semana, seguindo a tendência das outras semanas de março.