Segundo o instituto, a pressão vem da expectativa de chuvas mais expressivas nas regiões produtoras do Brasil, da realização de lucros e da liquidação de posições de compra na Bolsa de Nova York (ICE Futures), após fortes altas, além da possibilidade de que os estados unidos retirem as tarifas dos sobre o café.
Pesquisadores ressaltam que, mesmo com a essa forte retração, os preços seguem em patamares elevados, ainda influenciados pela oferta restrita, pelos estoques reduzidos e pelo fato de o café brasileiro estar, até o momento, sobretaxado nos EUA.
Assim, entre 15 e 22 de setembro, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, caiu 10,2%, fechando a R$ 2.133,08/saca de 60 kg no dia 22.
Da mesma forma, o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, também recuou. A variedade registrou queda de 11,1% entre15 e 22 de setembro, fechando a R$ 1.313,22/sc de 60 kg.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) divulgou nesta segunda-feira (22) um comunicado em defesa do retorno do horário de verão no Brasil. Para a entidade, a retomada da medida é uma solução prática, de baixo custo e capaz de ajudar a reduzir o consumo de energia elétrica em um momento de seca nas principais bacias hidrográficas do país.
No documento, a Abrasel cita dados do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), que apontam para a severidade da estiagem em rios importantes, como Paraná, São Francisco e Tocantins. O cenário aumenta o risco de pressão sobre o sistema elétrico nacional.
“O horário de verão vigorou no Brasil por 34 anos, e foi uma medida extremamente exitosa. Ele ajudou a economizar energia, reduziu riscos sistêmicos e favoreceu o setor de comércio e serviços, especialmente bares e restaurantes. Este ano, o risco é ainda maior”, afirma a nota da Abrasel.
Horário de verão segue suspenso
Apesar da pressão do setor, o governo federal não prevê a volta do horário de verão em 2025. A medida foi suspensa em 2019 após avaliação de que mudanças nos hábitos de consumo da população teriam reduzido sua eficácia.
Segundo informações do site Ministério de Minas e Energia, o horário de verão tinha como objetivo aproveitar melhor a luz natural e reduzir o pico de consumo entre 18h e 21h. Com os relógios adiantados em uma hora, ocorria o chamado “achatamento da curva de consumo”, diminuindo a sobrecarga nas linhas de transmissão e nas subestações durante esse período crítico.
Sobre o pleito da Abrasel, o Canal Rural entrou em contato com a assessoria de imprensa do Ministérios de Minas e Energia, mas não obteve retorno até o momento.
O anúncio do presidente Lula de que o Brasil investirá US$ 1 bilhão no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) marca a entrada do país na COP de Belém com um gesto de impacto global. Mais do que um aporte financeiro, o movimento simboliza uma aposta estratégica: o Brasil quer mostrar que preservar e produzir podem ser caminhos complementares.
Essa narrativa ganha força justamente porque o país é, ao mesmo tempo, dono da maior floresta tropical do mundo e um dos maiores exportadores de alimentos. A imprensa terá, portanto, a missão de traduzir esse equilíbrio para o público: como o Brasil pretende consolidar sua imagem de guardiã ambiental sem perder competitividade no agronegócio.
Os desafios concretos
Agronegócio e clima – O Brasil é candidato a se tornar o maior produtor de alimentos do planeta, mas precisa enfrentar o avanço do CO 2 e os efeitos das mudanças climáticas. Calor extremo, secas e pragas podem comprometer safras e renda, afetando toda a economia. A imprensa deve observar como políticas públicas e ciência podem garantir resiliência no campo.
O ciclo do carbono na agricultura – Um argumento estratégico pouco explorado é que a agricultura não é apenas emissora de carbono, mas também sequestra CO2. Durante a fotossíntese, as plantas absorvem quase toda a quantidade emitida no processo produtivo.
Pesquisas da Embrapa e de universidades internacionais mostram que sistemas como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta e rotação de culturas podem até gerar saldo positivo de carbono, transformando o campo em aliado da agenda climática. Para o Brasil, esse é um trunfo político: provar que é possível alimentar o mundo e, ao mesmo tempo, reduzir gases de efeito estufa.
Economia verde – O TFFF inaugura uma lógica em que a preservação gera valor econômico. É fundamental investigar se o aporte brasileiro será convertido em programas efetivos de fiscalização, incentivo ao produtor e novas cadeias de valor, ou se ficará restrito a promessas.
Geopolítica ambiental – A COP em Belém é palco para que o Brasil assuma protagonismo. Cabe à imprensa acompanhar se o país terá firmeza para liderar negociações internacionais e construir pontes entre potências e países em desenvolvimento.
A COP em Belém não será apenas uma conferência: será um teste de credibilidade para o Brasil. O país chega com ativos únicos, terra, água, biodiversidade e tecnologia agrícola — mas também com a responsabilidade de provar que pode unir produção de alimentos e preservação florestal.
Se conseguir demonstrar que é capaz de alimentar o mundo sem destruir o mundo, o Brasil sairá de Belém fortalecido como potência ambiental e agrícola. Caso contrário, corre o risco de transformar um palco histórico em mera retórica diplomática.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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A menor oferta de bezerros em Mato Grosso tem elevado os preços e beneficiado o sistema de cria no estado, segundo análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgada nesta segunda-feira (22). De acordo com os dados, “o preço do bezerro de 12 meses deflacionado, média de janeiro a setembro de 2025, foi de R$ 12,88/kg para machos e R$ 9,92/kg para fêmeas, aumento de 42,19% e 43,24%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2024”.
O aumento nos preços está relacionado ao maior descarte de fêmeas registrado nos anos anteriores, que resultou em menor disponibilidade de animais jovens. Segundo o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), na parcial de maio de 2025, o rebanho de bezerros machos de 0 a 12 meses foi de 4,90 milhões de cabeças, enquanto o de fêmeas somou 4,20 milhões, representando redução de 3,29% e 5,39%, respectivamente, em relação a 2024.
A valorização do preço dos bezerros tende a estimular o sistema de cria no estado, incentivando a retenção de fêmeas e reduzindo o volume de abates de matrizes. Segundo o Imea, “o cenário atual favorece a produção de animais jovens, mantendo o rebanho mais estruturado para os próximos ciclos”.
O governo da Argentina anunciou na segunda-feira (22) a suspensão dos impostos de exportação sobre grãos e derivados até 31 de outubro. A medida reduz de 26% para zero a taxação sobre o complexo soja (grão, óleo e farelo), além de milho, trigo e carnes. O objetivo do presidente Javier Milei é aumentar a entrada de dólares no país, mas a decisão deve mexer diretamente com os preços internacionais da soja e trazer reflexos imediatos para o Brasil.
Segundo Alessandro de Lara, consultor em agronegócios, o impacto ocorre porque o produtor argentino, antes desestimulado pela carga tributária e pela volatilidade do câmbio, agora tende a liberar estoques represados. “Com a redução do imposto, o produtor vai colocar mais grãos no mercado. Isso aumenta a oferta e pressiona tanto os preços dos derivativos na Bolsa de Chicago quanto os prêmios de exportação na Argentina e no Brasil”, explica.
China antecipa compras na Argentina
A consequência prática já apareceu no mercado internacional. Rumores apontam que, somente na segunda-feira (22), a China teria reservado mais de 650 mil toneladas de soja argentina. O movimento ocorre porque, neste momento, os preços nos portos argentinos estão mais competitivos que nos brasileiros.
“Essa diferença pesa principalmente nos contratos spot. A China ganha maior tranquilidade no abastecimento para o fim de 2025 e início de 2026, sem precisar recorrer tanto aos Estados Unidos. Isso prolonga a guerra tarifária entre Pequim e Washington e muda o jogo no curto prazo”, afirma Lara.
Concorrência e reflexos para o Brasil
Embora o Brasil não deva perder espaço nas exportações à China, já que o país asiático precisa dividir suas compras entre diferentes fornecedores, a concorrência com a Argentina pressiona margens brasileiras. “O Brasil continuará vendendo, mas a entrada da Argentina neste momento reduz prêmios de exportação e aperta o mercado interno. A disputa é mais prejudicial aos EUA, mas o produtor brasileiro sente o impacto nos preços”, avalia o consultor.
Captação de dólares
A decisão de Milei está ligada à necessidade urgente de reforçar as reservas internacionais. “O peso não é uma moeda conversível, assim como o real. Como o governo precisou intervir para conter a escalada do câmbio, suspender os impostos de exportação é uma forma de acelerar a entrada de dólares no Banco Central argentino. É um alívio de curto prazo para a economia do país”, explica Lara.
Gargalos do Brasil aumentam a pressão
Para Lara, a medida argentina expõe ainda mais a fragilidade da infraestrutura brasileira. “O Brasil tem problemas logísticos graves. A limitação dos portos impede embarques acima de 16 milhões de toneladas por mês, mesmo quando há demanda maior. Além disso, as estradas são precárias em regiões como Mato Grosso e a malha ferroviária é insuficiente”, aponta.
Ele lembra ainda que, sem políticas públicas consistentes, o setor perde competitividade. “O plano safra deste ano não atendeu à necessidade de crédito do produtor, que está endividado. Precisamos de medidas de curto e longo prazo para reduzir custos logísticos e dar mais rentabilidade ao agronegócio brasileiro.”
A presença da área de alta pressão associada à massa de ar polar mantém o tempo firme na maior parte dos estados da região Sul nesta quarta-feira (24). Ainda nas primeiras horas da manhã, as temperaturas seguem significativamente baixas, e alguns pontos entre as serras gaúcha e catarinense, haverá condições para formação de geada isolada. No decorrer do dia, grande parte dos três estados seguem com predomínio de tempo aberto.
Excepcionalmente algumas cidades entre o litoral catarinense e paranaense, podem contar com a ocorrência de chuva isolada, devido à presença de umidade na atmosfera local, que pode vir a estimular a formação de nuvens carregadas. As temperaturas seguem mais amenas entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a metade sul e leste do Paraná. Na metade norte paranaense, os termômetros já começam a apresentar maior aumento.
No Sudeste, o deslocamento da frente fria sobre a costa e a presença do fluxo de umidade mantêm as instabilidades sobre boa parte dos estados da região. As pancadas de chuva mais fortes devem seguir concentradas entre Minas Gerais, Espírito Santo e o Rio de Janeiro – que devem ganhar força no período da tarde –, vindo acompanhadas por raios e rajadas de vento. Eventuais temporais podem ocorrer entre o triângulo mineiro e o extremo norte paulista.
Algumas cidades do norte e centro-leste paulista também podem contar com a ocorrência de chuva na parte da tarde – que podem vir fortes, acompanhadas por raios e ventos. Entre o leste e litoral paulista, a entrada de ventos úmidos do oceano mantém o céu mais encoberto e a condição para chuva ao longo do dia, que deve variar entre fraca e moderada intensidade.
Enquanto no Centro-Oeste, as instabilidades devem seguir concentradas entre Mato Grosso, Goiás e o Distrito Federal, ainda associadas ao fluxo de umidade que transita sobre a região. As pancadas de chuva começam a se espalhar ainda no início da tarde, variando entre moderada a pontual forte intensidade.
Temporais também não estão descartados, eventualmente, entre o sudeste de Mato Grosso e o sul de Goiás. No Mato Grosso do Sul, o tempo já deve seguir mais aberto, com predomínio de sol e termômetros começando a apresentar cada vez maior aumento durante o dia. Ainda assim, algumas pancadas isoladas e com fraca intensidade podem acontecer no período da tarde na porção oeste do estado.
Já no Nordeste, a circulação de ventos marítimos incidentes sobre o continente mantém as instabilidades sobre a costa leste da região. As pancadas de chuva seguem irregulares, variando entre fraca e moderada intensidade, entre o litoral da Bahia e do Rio Grande do Norte. Nas demais regiões do interior nordestino, o tempo deve seguir predominantemente firme, com sol e calor ainda marcando presença na parte da tarde. A umidade relativa do ar segue em níveis críticos nos horários mais quentes do dia.
E no Norte, os temporais continuam se espalhando sobre o Amazonas e o Acre, e a chuva começa a ganhar força ainda no final da manhã. Em Rondônia, no sul do Pará e no Tocantins, as pancadas de chuva podem variar entre moderada e forte intensidade, ainda incidindo de maneira irregular. Já na metade norte do estado paraense, em Roraima e no Amapá, o predomínio ainda será de tempo aberto, com sol e calor ganhando força durante o dia.
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Na região serrana de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo (ES), vive uma família que acredita nocafé especiale na tradição familiar. No cafezal da família Zandonade, em meio às montanhas, sucessão familiar e inovação se encontram para gerar renda e atrair turistas.
Manter a tradição e, ao mesmo tempo, inovar tem sido a receita desta família, que uni história e turismo de experiência.
“Meu pai mexia com café, depois meu sogro também, e os filhos cresceram nisso. Hoje a gente produz cafés especiais, bem diferente do que era antigamente”, conta Marli Zandonade, produtora rural.
Ao longo do tempo, o negócio se transformou. Antes, o café era colhido de forma simples e vendido como commodity.
“Antes o café era jogado no chão, ninguém separava os grãos madurinhos. Hoje não, tudo é feito de forma especial, com muito capricho. É mais trabalhoso, mas eu amo o que faço”, explica Zandonade.
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Marli Zandonade exibe com orgulho a versão especial que leva seu nome: “Café da Marli”. Foto: Fabiana Bertinelli.
Sucessão familiar
A quarta geração já assumiu funções estratégicas. Tatiane, por exemplo, é formada em engenharia, saiu da propriedade para estudar e trabalhar, mas, voltou para fortalecer a marca da família.
“Quase perdemos o café, passamos a trabalhar com hortaliças. Mas, o meu irmão percebeu que nosso terroir era perfeito para cafés especiais e retomamos o cultivo. E eu voltei para ajudar na gestão e no marketing”, conta Tatiane,
Com a retomada, a produção saltou de 10 para 400 sacas ao ano. “Trabalhar em família não é fácil, mas é gratificante. Cada um tem sua função e isso faz o negócio girar. A marca leva nosso nome porque a gente tem orgulho dessa história”, afirma Luiz Felipe, responsável pelo controle de qualidade da empresa ‘Zandonade: Cafés Especiais‘.
Assim, tradição e inovação caminham juntas. Além dos cafés especiais, a propriedade oferece experiências únicas aos turistas, que podem aprender sobre o cultivo do fruto, fazer um tour pelo cafezal, conhecer o processo de torrefação dos grãos e até degustar algo diferenciado, como um rodízio de cafés.
Mas, essa visão empreendedora, só foi possível com ajuda de quem entende de negócios. “O Sebrae/ES ajudou na gestão, no turismo de experiência e segue junto com a gente até hoje”, finaliza Marli.
Porteira Aberta Empreender
Quer saber mais sobre a família Zandonade? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta sexta-feira (26), às 18h, uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.
Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. Foto: Arte Divulgação | Canal Rural
No morning call desta quarta-feira (24), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que Powell reforçou cautela na política monetária dos EUA, levando bolsas de NY a perdas.
O Ibovespa rompeu recorde acima de 146 mil pontos com aproximação entre Lula e Trump e alta de estatais. O dólar caiu mais de 1% e o real liderou ganhos entre emergentes. Destaque para Sondagem do Consumidor da FGV, fluxo cambial e dados de moradia nos EUA.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
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A fiscalização pode ocorrer de forma presencial ou remota – Foto: Pixabay
O aumento da fiscalização ambiental no Brasil tem gerado preocupação entre produtores rurais, que muitas vezes se deparam com autuações consideradas abusivas. Erros em autos de infração, como coordenadas incorretas, volume de vegetação impreciso ou dados incompletos, podem ser usados como base para defesa, evitando multas indevidas.
A fiscalização pode ocorrer de forma presencial ou remota, por satélite, e o auto de infração deve respeitar requisitos formais previstos no Decreto Federal nº 6.514/2008, garantindo direito ao contraditório e à ampla defesa. A legitimidade do autuado também é um ponto crítico, especialmente quando fiscais identificam o responsável apenas pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR).
“Esse tipo de penalidade ocorre quando há algum tipo de violação aos recursos naturais ou às normas ambientais. O caso mais comum é o desmatamento ilegal ou o desenvolvimento de atividades sem a devida licença”, explica Karina Testa, advogada cível e ambiental, engenheira florestal e sócia da Álvaro Santos Advocacia e Consultoria no Agro, em Jataí/GO.
Ao ser autuado, o produtor deve agir rapidamente, reunindo documentação, licenças, certificados e, se necessário, laudos técnicos para construir uma defesa consistente. Outro ponto de atenção é a dosimetria das multas, que pode variar significativamente, exigindo análise criteriosa sobre os valores aplicados.
A organização preventiva é a melhor estratégia para reduzir riscos. Manter registros atualizados e planejar atividades com apoio técnico e jurídico aumenta a segurança do produtor, evitando autuações indevidas e garantindo que qualquer defesa seja apresentada dentro do prazo legal.
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O mercado de etanol permanece firme – Foto: Canva
A safra de cana-de-açúcar 2025/26 do Centro-Sul do Brasil avança com ritmo consistente, segundo relatório do Rabobank. Até o final de agosto, foram moídas 404 milhões de toneladas, correspondendo a cerca de dois terços do total previsto. A produtividade média no período de abril a agosto atingiu 79,3 toneladas por hectare, cerca de 8% acima da safra anterior, reacendendo projeções de uma colheita superior a 600 milhões de toneladas.
Em termos de qualidade, o ATR médio por tonelada de cana segue 4% abaixo do registrado na safra passada, enquanto a parcela de cana destinada à produção de açúcar chegou a 52,8%. Apesar do volume moído estar 5% inferior ao ano anterior, a produção de açúcar apresenta apenas 2% de queda em relação à safra anterior, enquanto a produção de etanol ainda registra um déficit de 10%.
O mercado de etanol permanece firme devido à perspectiva de estoques apertados até o final da safra em março. Já o açúcar apresentou queda em alguns estados, incluindo São Paulo, ficando abaixo da paridade com o etanol. Esse cenário pode impactar a decisão sobre o mix de produção no próximo ciclo, dependendo dos custos de liquidação dos contratos de açúcar.
Outro fator que chama atenção é o enfraquecimento do dólar, que atingiu o nível mais baixo desde junho de 2024. A valorização do real preocupa o setor, pois pode pressionar os preços da gasolina e afetar a competitividade do etanol brasileiro. No cenário do milho, a grande safra e os preços firmes do etanol de milho tornam a produção atraente, com produtores podendo adquirir matéria-prima a preços vantajosos, reforçando expectativas de recuperação da produção total de etanol em 2026/27. O clima seco recente também favoreceu altas taxas de moagem, permitindo ritmo intenso nas unidades canavieiras.