segunda-feira, maio 4, 2026

Autor: Redação

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Governo investe em robô colhedor de açaí para aumentar produção do fruto na floresta amazônica



Técnica tradicional transmitida por gerações, a colheita de açaí é realizada pelos produtores conhecidos como peconheiros, que retiram os cachos escalando os caules dos açaizeiros uma técnica tradicional transmitida por gerações. Para modernizar e ampliar essa produção, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) tem investido na aquisição dos açaí bots, robôs desenvolvidos especialmente para a colheita do fruto na floresta amazônica.

A novidade foi apresentada na última segunda-feira (1º), durante a programação da 54ª Expofeira Agropecuária do Amapá, evento voltado à exposição e comercialização de produtos de manejo da sociobioeconomia, do agronegócio sustentável, da energia e transição energética, e de mercados inovadores como startups e tecnologias limpas.

O açaí bot pesa apenas 8 quilos, é operado por controle remoto e pode colher cachos de até 14 quilos. Em um único turno, o equipamento é capaz de retirar mais de 100 cachos, dez vezes mais que o método tradicional.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, reforçou que o investimento integra as ações do Governo Federal para fortalecer a Rota do Açaí — projeto do MIDR voltado a agregar valor ao fruto por meio de capacitação, financiamento e criação de polos produtivos na Amazônia.

“Este equipamento foi testado pelos peconheiros nas ilhas do Amapá e do Pará, em parceria com o ministério e as cooperativas. É uma tecnologia que oferece mais segurança e traz muitos outros ganhos para a produção do açaí”, declarou o ministro.



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O financiamento rural está repleto de fragilidades: é necessário modernizá-lo


A retração registrada no Plano Safra 2024/25, com desembolso de R$ 373,2 bilhões frente aos R$ 421 bilhões do ciclo anterior, evidencia fragilidades importantes no modelo atual de financiamento do agronegócio brasileiro.

Apesar de o governo ter anunciado um volume recorde de recursos, apenas 78,3% do total programado foi efetivamente aplicado, revelando entraves de acesso, execução parcial do orçamento e limitações na estrutura de crédito. Esse cenário coloca em debate a sustentabilidade do modelo vigente e aponta para a necessidade de modernização dos instrumentos de financiamento rural.

Um dos principais pontos críticos é a forte dependência de linhas de crédito subsidiadas, que acabam restritas pelo teto fiscal e pelas condições orçamentárias do governo federal. Em anos de restrição fiscal ou alta nas taxas de juros, como ocorreu recentemente, a capacidade de atender à demanda dos produtores é comprometida, gerando frustração nas expectativas do setor.

Essa limitação afeta tanto o pequeno produtor, que precisa de capital de giro imediato para o custeio, quanto o grande, que busca financiamento para expansão e modernização tecnológica. Além disso, a burocracia e a lentidão no acesso ao crédito representam gargalos que desestimulam os produtores. Muitos enfrentam dificuldades em atender às exigências documentais e garantias impostas pelas instituições financeiras, especialmente agricultores familiares e cooperativas.

Esse quadro cria desigualdades dentro do próprio setor agropecuário, privilegiando os grandes grupos já estruturados e dificultando a inserção plena de pequenos e médios produtores nas cadeias de valor.

Outro aspecto que evidencia a fragilidade do modelo atual é a falta de diversificação das fontes de financiamento. Embora o crédito rural oficial seja um instrumento essencial, ele não tem sido suficiente para atender ao crescimento do agronegócio.

A baixa integração com mecanismos de mercado de capitais, fundos privados, seguros agrícolas e títulos verdes limita a capacidade de mobilizar recursos em larga escala e de forma contínua. Essa concentração torna o sistema mais vulnerável a crises fiscais e políticas, prejudicando o planejamento de longo prazo no campo.

A retração também aponta para a urgência de alinhar o financiamento com os novos paradigmas de sustentabilidade e inovação. Muitos produtores têm buscado investir em agricultura de baixo carbono, energias renováveis e práticas conservacionistas, mas a falta de linhas específicas, com juros acessíveis e prazos compatíveis, trava avanços mais significativos.

Uma coisa é certa: sem incentivos claros, o Brasil corre o risco de perder competitividade frente a países que já articulam crédito verde e fundos internacionais voltados para a produção sustentável.

A retração no desembolso do crédito rural não pode ser vista apenas como um efeito conjuntural, mas como um sinal das fragilidades estruturais do modelo de financiamento vigente. Para garantir a continuidade da liderança do agronegócio brasileiro, será fundamental ampliar as alternativas de crédito, simplificar o acesso, estimular parcerias público-privadas e integrar de forma mais efetiva o setor financeiro às demandas do campo.

Somente com um sistema de financiamento robusto, diversificado e inovador será possível sustentar o crescimento produtivo, a modernização tecnológica e a transição para uma agricultura cada vez mais sustentável e competitiva.

Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação



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Preço do etanol cai em 15 Estados e no DF, diz ANP



Os preços médios do etanol hidratado caíram em 15 Estados e no Distrito Federal na semana de 24 a 30 de agosto, subiram em 5 e ficaram estáveis em 6 Estados. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Nos postos pesquisados pela Agência em todo o país, o preço médio do etanol recuou 0,48% na comparação com a semana anterior, a R$ 4,15 o litro.

Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 0,25% na comparação semanal, a R$ 3,98 o litro.

´A maior queda porcentual na semana, de 6,41%, foi registrada em Goiás. A maior alta no período, no Acre, foi de 13,66%.

O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo.

O maior preço, de R$ 6,49, foi observado em Pernambuco. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,86, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 5,99 o litro.



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Cotação do boi gordo sobe em São Paulo e Maranhão



Na Bahia, a oferta de bovinos esteve reduzida




Foto: Canva

De acordo com análise divulgada nesta terça-feira (2) no informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo registrou alta nas cotações em São Paulo. O preço da arroba do boi gordo e da novilha avançou R$ 1,00, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis em relação ao dia anterior.

Segundo o levantamento, “o cenário esteve dividido em dois movimentos. De um lado, ficaram os compradores, que anteciparam negócios para suprir as escalas de abate e negociar a preços mais favoráveis. De outro, a oferta de gado esteve justa, o que contribuiu para uma melhor margem de negociação para pecuaristas e sustentou os preços”. As escalas de abate atenderam, em média, a nove dias. Todos os preços foram brutos e com prazo.

Na Bahia, a oferta de bovinos esteve reduzida, a demanda seguiu firme e os preços ficaram sustentados. Na região Sul, o boi gordo teve alta de R$ 3,00/@, enquanto as fêmeas mantiveram os mesmos valores. No Oeste do estado, não houve alterações. O “boi China” não teve cotação. Em ambas as regiões, as escalas de abate atenderam, em média, a 13 dias, com preços brutos e a prazo.

No Maranhão, região Oeste, a menor disponibilidade de capim e a limitação das pastagens reduziram a oferta de bovinos. Houve registro de capim apenas em áreas beneficiadas por chuvas esporádicas em julho e agosto. Nesse cenário, a cotação do boi gordo subiu R$ 3,00/@, a da novilha avançou R$ 5,00/@ e a da vaca permaneceu estável. Não houve cotação do “boi China”. As escalas de abate atenderam, em média, a sete dias úteis. Todos os preços foram brutos e com prazo.





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Estado de Mato Grosso poderá plantar soja a partir deste sábado



Em Mato Grosso, o vazio sanitário da soja safra 25/26 vai até o dia 6 de setembro. Nesse período, o plantio é proibido para prevenir a ferrugem-asiática e, a partir dessa data, os produtores poderão iniciar a semeadura, conforme o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Confira todas as datas aqui.

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Vai ter chuva para ajudar o plantio de soja?

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que a reposição do déficit hídrico no estado é essencial para que os trabalhos a campo comecem de forma adequada. Segundo informações do NOAA, nas próximas duas semanas, o volume de chuvas deverá ser insuficiente para viabilizar a semeadura imediatamente após o fim do vazio sanitário em grande parte do território mato-grossense.

O cenário se assemelha ao do ano passado, quando o início das precipitações também foi atrasado, mas houve normalização ao final de setembro. A previsão para o fenômeno El Niño–Oscilação Sul (Enos) aponta neutralidade, condição que tende a favorecer uma melhor distribuição das chuvas no estado.

O Imea alertou que um atraso maior nas chuvas pode provocar concentração das áreas tanto na semeadura quanto na colheita, aumentando os riscos de atraso no ciclo agrícola. Para a safra 2025/26, a projeção é de 13,01 milhões de hectares plantados com soja.



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Antaq aprova píer flutuante no Amazonas que facilita escoamento de soja e milho



A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou, por unanimidade, a autorização para que o Super Terminais opere um píer flutuante em Itacoatiara (AM), município localizado a 175 quilômetros de Manaus. O projeto tem como objetivo atender ao transbordo de granéis sólidos, principalmente soja e milho, fortalecendo a logística da região amazônica e ampliando as alternativas de escoamento de cargas do país.

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O processo foi relatado por Wilson Pereira de Lima Filho, que concluiu que o terminal proposto é juridicamente adequado, tecnicamente viável, atende às normas ambientais e não gera conflitos concorrenciais ou operacionais. O voto foi acompanhado pelos demais diretores da agência reguladora: Caio César Farias Leôncio, Alber Furtado de Vasconcelos Neto e Flavia Morais Lopes Takafashi.

A nova unidade foi enquadrada como TUP (Terminal de Uso Privado), considerando que a estrutura será utilizada para escoamento de cargas por via marítima, com previsão de atendimento a navios graneleiros do tipo Panamax. Esses navios, de grande porte, já operam na região e terão no porto flutuante de Itacoatiara um ponto de apoio para a movimentação de grãos.

O píer flutuante será semelhante ao modelo utilizado emergencialmente para contêineres durante a seca de 2024. A diferença está na dimensão e no objetivo: com 240 metros de extensão, 18 metros de largura e área total de 4.320 metros quadrados, a estrutura contará com três guindastes, cada um com capacidade de até 2.100 toneladas por hora. O píer ficará fixado no leito do Rio Amazonas, exatamente no ponto onde funcionou o porto provisório durante a estiagem que afetou a navegação no ano passado.

A previsão é que o Porto Verde entre em operação em janeiro de 2026. A atividade será exclusivamente dedicada ao transbordo de granéis sólidos entre navios graneleiros e barcaças, sem necessidade de armazenagem das cargas.

Investimento

O investimento total previsto é de R$ 150 milhões. Com a construção e operação do novo píer, a expectativa é de criação de 130 empregos diretos e 250 indiretos em Itacoatiara e municípios próximos. Além da geração de postos de trabalho, a operação deve contribuir para dinamizar a economia local e consolidar a cidade como um polo logístico estratégico do Arco Norte.

Segundo o diretor do Super Terminais, Marcello Di Gregorio, a iniciativa reforça a busca da empresa por eficiência e pela ampliação das rotas de exportação. “Nosso objetivo é levar para Itacoatiara o padrão de eficiência operacional que já é marca registrada do Super Terminais, além de gerar empregos, movimentar a economia do município e impulsionar as exportações de granéis do arco norte, revolucionando as operações tradicionais.”

A cidade já abriga operações portuárias de grande porte e, com a entrada em funcionamento do Porto Verde, ampliará sua capacidade de atender à crescente demanda de exportação de soja e milho. O acesso ao Oceano Atlântico pelo Rio Amazonas fortalece a integração da produção agrícola nacional aos mercados internacionais, principalmente Europa e Ásia.



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Produção industrial recua 0,2% em julho, aponta IBGE



A produção da indústria no país recuou 0,2% na passagem de junho para julho. Com esse resultado, o setor chega a quatro meses seguidos sem crescimento, o que é explicado pelo ambiente de juro alto.

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (3) pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De abril a julho, a indústria acumula perda de 1,5%, sendo quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%) e estabilidade em junho (0%). A última vez que o parque industrial brasileiro somou quatro meses sem expansão foi entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. Em relação a julho de 2024, a produção da indústria nacional mostra avanço de 0,2%. Nos últimos 12 meses, o setor apresenta expansão de 1,9%.

O resultado de julho deixa o setor 1,7% acima do patamar pré-pandemia de covid-19 (fevereiro de 2020) e 15,3% abaixo do nível recorde já alcançado, de maio de 2011. Em relação ao patamar final de 2024, o setor teve expansão de 0,3%.

Efeito do juro alto

De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o cenário predominante negativo desde abril é explicado pela política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, ferramenta do Banco Central (BC) para tentar conter a inflação.

“Em termos conjunturais, destacam-se os efeitos de uma política monetária mais restritiva – que encarece o crédito, eleva a inadimplência e afeta negativamente as decisões de consumo e investimentos. Esses fatores contribuíram para limitar o ritmo de crescimento da produção industrial no período, refletindo-se em resultados mais moderados frente aos meses anteriores”, analisa Macedo.

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. Os juros altos têm o efeito de desestimular o consumo e o investimento para esfriar a economia e diminuir a procura por bens e serviços, consequentemente, tirando força da inflação.

Em julho, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta do governo ─ 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, indo até 4,5%.

A taxa está acima do teto desde setembro de 2024 (4,42%). Em abril, chegou a 5,53%, o ponto mais alto desde então.

Setores

Na passagem de junho para julho, o IBGE identificou queda em 13 das 25 atividades industriais. Os destaques negativos foram:

  • metalurgia (- 2,3%)
  • outros equipamentos de transporte (-5,3%)
  • impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
  • bebidas (-2,2%)
  • manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
  • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
  • produtos diversos (-3,5%)
  • produtos de borracha e de material plástico (-1%)

Entre as atividades com alta na produção, os principais impactos positivos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%), alimentícios (1,1%), indústrias extrativas (0,8%) e produtos químicos (1,8%).

Em relação às grandes categorias, bens de consumo duráveis (-0,5%) e bens de capital (-0,2%) registraram altas na passagem de junho para julho. Bens de capital são máquinas e equipamentos.

Por outro lado, bens intermediários, ou seja, que serão transformados em outros produtos, cresceram 0,5% e bens de consumo semi e não duráveis aumentaram 0,1%.

Tarifaço

De acordo com André Macedo, o resultado de julho teve reflexos também do tarifaço americano, que só começou na primeira semana de agosto. Isso se explica pelo fato de que a ameaça de taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos mexeu com expectativas e decisões futuras de empresários, principalmente os que têm atividades voltadas para o mercado externo.

Macedo ressalta que a predominância negativa desde abril é fundamentada pela política de juros. “Dentro do resultado geral, [o tarifaço] não tem muita importância no momento”, disse.



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AgroNewsPolítica & Agro

Painel do Agronegócio 2025 e novo BI do setor são lançados na Expointer


Na Expointer 2025, o Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), lançou nesta segunda-feira (1/9) a nona edição do Painel do Agronegócio do Rio Grande do Sul e apresentou o novo BI do Agronegócio, ferramenta interativa que permitirá acompanhar de forma dinâmica os indicadores de exportações e de emprego formal do setor. As duas iniciativas se complementam e reforçam o compromisso do DEE/SPGG em oferecer dados estratégicos para compreender a dinâmica do agronegócio do Rio Grande do Sul.

O lançamento contou com a presença do secretário-adjunto de Planejamento, Governança e Gestão, Bruno Silveira, e dos pesquisadores Sérgio Leusin Júnior, Mariana Lisboa Pessoa e Bruno Paim, que apresentaram os resultados do estudo, elaborado também com Rodrigo Daniel Feix e Adonnay Martins Barbosa.

“O objetivo é contribuir para uma análise estrutural do agronegócio, apresentando novos recortes e informações que ajudam a entender tanto a produção quanto os impactos de questões como a estiagem e o uso da irrigação”, destacou Silveira.

Visão mais ampla

Enquanto o Painel oferece informações consolidadas sobre produção, crédito rural, exportações e impactos climáticos, o BI amplia as possibilidades de análise. Além dos relatórios trimestrais sobre exportações e emprego formal do agronegócio divulgados pelo DEE, o novo BI passa a oferecer atualizações mensais desses dados, garantindo ao público uma visão mais ágil e completa da evolução do setor no RS e no Brasil. O BI do Agronegócio pode ser acessado nesta página.

Em 2024, o agronegócio seguiu sendo peça-chave para a economia gaúcha. O setor respondeu por 72,2% das exportações totais do RS, somando US$ 15,8 bilhões. Entre os principais produtos exportados estão soja, carnes (suína, frango e bovina), celulose e tabaco, reforçando o peso do setor na balança comercial e na economia estadual.

Temas inéditos

O Painel deste ano apresenta três novas seções. A primeira trata dos portos utilizados para exportações, mostrando que o Porto do Rio Grande concentrou 91,9% do escoamento em 2024, enquanto parte das carnes, dos óleos vegetais e do biodiesel foi embarcada em portos de outros Estados, como Itajaí, São Francisco do Sul e Paranaguá.

Outra seção aborda o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), no qual o RS concentrou 41,9% das adesões nacionais em 2024, somando 129,8 mil contratos e movimentando R$ 9,14 bilhões em crédito.

Também é destaque a análise sobre a recorrência das estiagens e o papel da irrigação no RS. Entre 2003 e junho de 2025, foram registradas 3.418 ocorrências de secas ou estiagens, equivalentes a 56% dos eventos climáticos extremos ligados à precipitação.

O Painel constata que, diante do cenário de aumento na frequência e na intensidade das estiagens, é importante adotar estratégias integradas para mitigar seus impactos no setor agropecuário, entre eles os sistemas de irrigação de alta eficiência. O impacto da irrigação é evidente: em 2021/2022, a soja irrigada produziu 82% a mais do que áreas não irrigadas, enquanto o milho irrigado apresentou rendimento 200% superior.

Esse histórico de vulnerabilidade, segundo o documento, ajuda a explicar a forte demanda do RS por políticas de crédito e seguro rural, como o próprio Proagro.

Características da agricultura gaúcha

O Painel atualiza as características da agricultura do Estado, destacando a relevância de culturas como soja, arroz, milho, trigo e tabaco, que compõem a base da produção agrícola estadual. Além disso, o estudo revela que a agricultura familiar é característica de 80,5% do total de estabelecimentos agropecuários e responde por 72,2% do pessoal ocupado na agropecuária do RS.

O documento também ressalta a importância do cooperativismo. De acordo com dados de 2023, havia 95 cooperativas agropecuárias no Estado, que contavam com mais de 269,9 mil associados e empregavam diretamente 39 mil pessoas.

Tecnologia no campo

Em relação às máquinas e aos implementos agrícolas, o levantamento mostra que o RS é o maior produtor nacional de máquinas e implementos agrícolas e mantém posição de destaque na fabricação de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e semeadeiras. Em 2023, a indústria de máquinas e equipamentos respondeu por 15,4% do valor da transformação industrial do Estado, com mais da metade voltada ao setor agropecuário.

Apesar da retração recente – em 2024, a produção nacional de máquinas caiu 15%, e o RS perdeu 2.068 empregos no setor –, o Estado segue como polo estratégico, com exportações concentradas em tratores, colheitadeiras e pulverizadores para países como Argentina, Paraguai, Estados Unidos, Uruguai e Chile.

Além disso, o Painel aponta que o RS é o segundo da federação em número de startups do agronegócio (Agtechs), com 194 empresas identificadas em 2023. Essas iniciativas desenvolvem soluções tecnológicas voltadas ao campo e reforçam o movimento de inovação no setor.

Agronegócio

O agronegócio compreende as atividades agropecuárias (agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e pesca), a produção de insumos e bens de capital (fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas) e a indústria de transformação da matéria-prima agropecuária (alimentos, biocombustíveis, fumo), além de serviços especializados, armazenagem, distribuição e comercialização dos produtos.





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Senado volta a debater retorno da Moratória da Soja após decisão judicial



Nesta terça-feira (2), o Senado voltou a debater o retorno do acordo da Moratória da Soja após uma decisão judicial que restabeleceu o acordo firmado em 2006 entre empresas compradoras e ONGs internacionais. O compromisso proíbe a aquisição de grãos produzidos em áreas desmatadas da Amazônia.

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O assunto voltou à pauta depois que a Justiça suspendeu o fim da moratória, assunto que havia sido questionado pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO). O senador Jayme Campos (União-MT) criticou a retomada da medida, alegando que ela prejudica produtores que atuam dentro da lei.

”Essa decisão, a pedido da Abiove, é profundamente equivocada, pois penaliza sobremaneira os produtores brasileiros que trabalham de forma legal e responsável. O agro brasileiro, motor da nossa economia, precisa ser respeitado e valorizado. Suspender a moratória da soja não é um retrocesso. Ao contrário, é reafirmar a legalidade, fortalecer o trabalhador do campo que cumpre a lei e demonstrar ao mundo que o Brasil não aceitará ser tutelado por interesses externos que, sob o véu ambiental, escondem práticas de proteção do mercado e de enfraquecimento da nossa agricultura”, afirmou Campos.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também se manifestou contra a imposição de regras por empresas privadas que condicionavam a compra do grão à adesão à moratória, mesmo sem uma lei específica no Brasil. ”Não dá para admitir quando entes privados resolvem estabelecer regras que vão além da legislação. É um desrespeito à soberania brasileira, é um desrespeito aos parlamentares que legislaram”, pontuou.

O outro lado

Por outro lado, ONGs ambientais defenderam a volta da moratória da soja, citando a queda de 69% no desmatamento entre 2009 e 2022 nas áreas cobertas pelo acordo. Para essas organizações, a medida é um instrumento importante de preservação ambiental.

A Moratória da Soja

Criada em 2006, surgiu como um acordo entre grandes empresas exportadoras e organizações internacionais para impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia após aquele ano. A Moratória da Soja foi inicialmente derrubada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas voltou a vigorar após decisão judicial, reacendendo a polêmica entre produtores e ambientalistas.



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Governo adia por 2 meses recolhimento do Simples de empresas afetadas pelo tarifaço



O Comitê Gestor do Simples Nacional adiou por dois meses o recolhimento de tributos das empresas afetadas pelo tarifaço do governo dos Estados Unidos, com alíquotas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros. De acordo com resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU), os pagamentos previstos para setembro ficam adiados para 21 de novembro, e os recolhimentos de outubro para 22 de dezembro.

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Os pagamentos mensais relativos a parcelamentos administrados pela Receita Federal e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também serão diferidos. As parcelas com vencimento em setembro ficam adiadas para o último dia útil de novembro, e as com vencimento em outubro para o último dia útil de dezembro.

As medidas valem para as empresas optantes pelo Simples afetadas pelo tarifaço cujo porcentual de faturamento bruto decorrente de exportações para os Estados Unidos entre julho de 2024 e junho de 2025 seja igual ou superior a 5% do faturamento total.



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