segunda-feira, março 30, 2026

Autor: Redação

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Óleo de soja bate valor recorde no ano em São Paulo, segundo o Cepea


Óleo de soja sendo despejado
Freepik

Cotações do óleo de soja seguiram em alta no mercado na reta final deste mês. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o motivo dos altos valores decorrem da expectativa de maior demanda pelo biodiesel, após decisão obrigatória, e da recente falta de abastecimento dos combustíveis.

Indústrias seguem de olho nos aumentos da mistura obrigatória do biodiesel B15 para o B16. A decisão que tinha inicio previsto para o dia 1 de março, ainda não foi executada, fato que tem limitado a crescente nos preços do óleo dentro do mercado interno.

Levantamentos do Cepea, mostram que preços do óleo bruto e degomado atingiram R$ 6.953,38/tonelada em São Paulo, no dia 24 de março. Maior valor registrado desde 1 de dezembro de 2025, quando cotações chegaram a passar dos R$ 7.000,00.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Galípolo diz que Brasil está em posição mais favorável para corte de juros


Aprovado para o BC, Galípolo diz que linguagem do Copom gera ruído
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou que o país está em posição mais favorável para iniciar o processo de flexibilização da política monetária. Segundo ele, o nível anterior da taxa básica de juros abriu maior margem de manobra para o Banco Central.

Galípolo destacou que houve divergências no mercado ao longo do ciclo, com projeções que variaram entre uma Selic próxima de 18% e avaliações de que a taxa não deveria ter alcançado 15%.

“O mercado ganhou confiança e, depois, começou o debate sobre quando iniciar os cortes”, afirmou.

De acordo com o presidente do BC, o início do ciclo de afrouxamento com cortes menores permitiu à autoridade monetária ganhar tempo para avaliar o cenário econômico.

“Essa gordura acumulada permitiu observar melhor os desdobramentos. O Banco Central é mais um transatlântico do que um jetski”, disse, durante participação no evento Safra Macro Day.

Galípolo também ressaltou que o balanço de riscos foi discutido internamente, mas a decisão foi aguardar novos desdobramentos, especialmente diante das incertezas no cenário internacional.

“Entendemos que poderíamos esperar 45 dias para avaliar os impactos”, afirmou, ao citar a guerra no Oriente Médio, que, segundo ele, evoluiu de um choque logístico para um evento com potencial de afetar infraestrutura.

Nesse contexto, o presidente do BC avaliou que o Brasil apresenta fatores que contribuem para uma posição mais confortável, como o fato de ser exportador de petróleo e manter a política monetária ainda em território contracionista.

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Santa Catarina lança programa de R$ 1 bilhão para financiar produção de suínos e aves


Foto: Leo Munhoz/Secom GOVSC

O governo de Santa Catarina lançou o programa Coopera Agro SC, que prevê até R$ 1 bilhão em financiamentos para produtores rurais de suínos e aves integrados a cooperativas e agroindústrias.

O anúncio foi feito pelo governador Jorginho Mello durante a abertura da ExpoCampos 2026, em Campos Novos, no último sábado (28).

Os financiamentos terão taxa de juros fixa de 9% ao ano, dois anos de carência e prazo de até oito anos para quitação.

Programa mira expansão da produção e modernização

Os recursos serão destinados a projetos de infraestrutura produtiva, gestão hídrica, modernização tecnológica, automação e ações voltadas à sustentabilidade e redução de emissões.

Também estão previstos investimentos na produção de insumos estratégicos para o agronegócio catarinense.

Segundo o governo estadual, o programa pode beneficiar mais de 120 mil produtores e gerar impacto econômico estimado em até R$ 26 bilhões, além de cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos.

Operação envolve recursos públicos e privados

O Coopera Agro SC será operacionalizado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, com participação de diferentes órgãos estaduais.

A estrutura prevê até R$ 200 milhões em recursos do governo estadual e até R$ 800 milhões do setor privado, incluindo a possibilidade de uso de créditos acumulados de ICMS.

Os financiamentos serão viabilizados por meio de subprogramas de crédito, com prazo de até 10 anos.

Para acessar o crédito, os produtores devem procurar cooperativas ou agroindústrias às quais estão integrados.

O programa será acompanhado por um comitê gestor com representantes das áreas de agricultura, fazenda, planejamento e do BRDE, responsável por monitorar a execução e os resultados.

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André de Paula deve ser o novo ministro da Agricultura


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André de Paula | Foto: Câmara dos Deputados

O atual ministro da Pesca, André de Paula (PSD), deve ser anunciado como novo ministro da Agricultura e Pecuária, de acordo com apuração do jornalista Marcelo Dias, do Canal Rural.

André deve substituir Carlos Fávaro, que foi exonerado na última sexta-feira (27) para retornar ao Senado e votar o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A expectativa era de que Fávaro retornasse ao ministério e, posteriormente, renunciasse ao cargo para disputar o Senado. No entanto, segundo apuração, ele não deve voltar à pasta.

Os ocupantes de cargos no Poder Executivo têm até o dia 3 de abril para deixar seus postos caso pretendam disputar as eleições de outubro.

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AgroNewsPolítica & Agro

Trigo dispara e mercado dá sinais de nova alta



No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por ton


No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF – Foto: Pixabay

O mercado de trigo apresenta reação nos preços e segue com negociações pontuais no Sul do país, com compradores buscando garantir abastecimento futuro diante da oferta restrita de produto de qualidade. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que esse movimento ocorre em meio à menor disponibilidade e incertezas sobre a produção regional.

No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, conforme o prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A avaliação predominante é de que os patamares mais baixos dificilmente retornarão, especialmente pela escassez de trigo de melhor qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse cenário, os lotes ainda disponíveis no estado tendem a ser mais valorizados. O preço pago ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, negociado ao redor de R$ 1.200 mais frete e ICMS, além do produto local próximo de R$ 1.300 CIF, embora com menor oferta. Os preços de balcão permaneceram estáveis na maioria das praças, com variações pontuais, incluindo alta em Xanxerê.

No Paraná, o mercado se mantém firme, mas com ritmo mais lento de negócios. As negociações seguem concentradas em contratos com entregas mais longas, enquanto produtores priorizam a colheita de soja e milho. No norte do estado, os preços giram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto nos Campos Gerais ficam próximos de R$ 1.300 CIF.

A perspectiva de redução na área e na produtividade para a próxima safra reforça a tendência de sustentação dos preços. A estimativa indica queda de 6% na área plantada e recuo de 12% na produção, para 2,53 milhões de toneladas. No mercado externo, não houve oferta de trigo argentino na semana, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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COP15 termina com a inclusão de 40 espécies ameaçadas de extinção em listas de proteção


Foto: Agência Gov BR

A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15) terminou no últimop domingo (29) com a inclusão de 40 espécies, subespécies e populações nos Apêndices I e II da convenção, que reúnem animais ameaçados de extinção ou que exigem cooperação internacional para conservação. Destas, 16 ocorrem no Brasil.

Realizado em Campo Grande (MS), o encontro também aprovou um conjunto de 69 propostas, incluindo 15 emendas aos Apêndices, 15 Ações Concertadas e 39 resoluções voltadas à conservação de espécies e habitats.

Brasil amplia áreas protegidas

Durante a conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decretos que ampliam o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica do Taiamã, além de criar uma reserva em Minas Gerais.

As medidas somam mais de 148 mil hectares protegidos nos biomas Pantanal e Cerrado.

Entre as decisões, a conferência aprovou a elaboração de uma estratégia de mobilização de recursos para apoiar países em desenvolvimento na implementação da convenção.

O texto também reforça a necessidade de preservação de rotas migratórias, corredores ecológicos e habitats naturais.

Medidas envolvem pesca, aves e espécies ameaçadas

Entre os itens aprovados, está a inclusão do surubim-pintado no Apêndice II, com foco no manejo da pesca e cooperação entre países.

O caboclinho-do-pantanal também foi incluído na lista, assim como outras espécies que ocorrem no Brasil, como tubarões e aves migratórias.

A conferência também aprovou um plano regional para conservação de bagres migratórios da Amazônia, como a dourada e a piramutaba.

As Ações Concertadas aprovadas tratam de espécies como mamíferos aquáticos, tubarões e raias, com foco em monitoramento populacional, redução da captura incidental e cooperação internacional.

O Brasil permanece na presidência da convenção pelos próximos três anos e será responsável por coordenar a implementação das medidas. A próxima conferência, a COP16, está prevista para 2029, na Alemanha.

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Trump diz que EUA podem assumir petróleo do Irã


Donald Trump
Foto: White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país pode assumir o controle do petróleo iraniano e não descartou a possibilidade de tomar a Ilha de Kharg, principal centro de exportação do Irã.

“Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções. Isso também significaria que teríamos que permanecer lá por um tempo”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, na noite de domingo, durante deslocamento para a Base Aérea Conjunta Andrews.

O presidente reiterou que Estados Unidos e Irã vêm mantendo reuniões “muito boas”, tanto de forma direta quanto indireta. Segundo ele, Teerã estaria concordando com a maioria dos 15 pontos do plano proposto por Washington.

Trump acrescentou ainda que o Irã permitiu a passagem de até 20 embarcações com petróleo pelo Estreito de Ormuz, em um gesto de respeito.

Questionado sobre um eventual envio de tropas terrestres, o presidente afirmou que há diversas alternativas em análise e avaliou que as ações militares dos EUA até o momento se aproximam de uma mudança de regime no país.

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Semana começa com temporais, calorão e baixa umidade; veja a previsão do tempo


temporais na previsão do tempo
Foto: Pixabay

A semana começa com mudança no padrão do tempo em diversas regiões do Brasil. A combinação entre calor, umidade e sistemas atmosféricos favorece o avanço de instabilidades, com destaque para o Sul e Sudeste, onde há risco de temporais ao longo do dia.

Sul

Na região Sul, a manhã ainda será de tempo firme na maior parte das áreas. No entanto, chuvas fracas já ocorrem no litoral norte do Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina, influenciadas pela circulação marítima.

A partir da tarde, as instabilidades se intensificam. Pancadas de chuva moderadas a fortes atingem o centro-leste do Paraná, grande parte de Santa Catarina e áreas do nordeste e litoral norte gaúcho.

Há risco de temporais, principalmente no norte catarinense e em pontos do sul do Paraná. Já na Região Metropolitana de Porto Alegre e na Costa Doce, a chuva tende a ser mais fraca a moderada.

Apesar das instabilidades, o tempo volta a firmar até a noite em grande parte da região. As temperaturas seguem elevadas, mas a umidade do ar chama atenção no interior, com índices entre 31% e 40%.

Sudeste

No Sudeste, o dia começa com chuva fraca no litoral do Espírito Santo e em áreas do leste de Minas Gerais. Ao longo do dia, as instabilidades aumentam.

A circulação marítima e a atuação de sistemas como cavados e um VCAN (Vórtice Ciclônico em Altos Níveis) favorecem chuvas moderadas a fortes em Minas Gerais, Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro.

Na capital fluminense, a chuva ocorre de forma moderada. Já no interior de São Paulo e em áreas do estado do Rio, as precipitações são mais isoladas.

Mesmo com a chuva, o calor predomina. A umidade relativa do ar pode cair abaixo dos 30% em áreas do oeste paulista e no Triângulo Mineiro.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o padrão é de calor e pancadas irregulares. Há previsão de chuvas moderadas a fortes em Mato Grosso e Goiás, especialmente nas faixas norte, leste e oeste.

Já no Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, o tempo segue mais firme, com sol entre nuvens.

A umidade do ar também preocupa, com índices abaixo dos 30% em algumas áreas, principalmente no sul de Goiás e no leste de Mato Grosso do Sul.

Nordeste

No Nordeste, a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém o tempo instável, especialmente no litoral norte.

Chuvas moderadas a fortes atingem Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, além de estados como Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe.

Há risco de temporais e acumulados elevados, principalmente no centro-norte do Maranhão e do Piauí.

Norte

Na região Norte, a umidade elevada mantém o cenário de instabilidade desde as primeiras horas do dia.

Estados como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá registram pancadas de chuva moderadas a fortes, com risco de temporais.

Há alerta para volumes elevados de chuva em áreas do Amazonas, Pará e Amapá.

As temperaturas seguem altas, aumentando a sensação de abafamento em toda a região.

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Guerra no Oriente Médio mantém mercado global pressionado


PODCAST Diário Econômico

No morning call desta segunda-feira (30), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o conflito no Oriente Médio mantém o petróleo acima de US$ 100, elevando riscos inflacionários e pressionando juros globais. Bolsas em Nova York recuaram, com Treasuries em alta e expectativa de política restritiva por mais tempo.

No Brasil, o Ibovespa caiu 0,64% aos 181 mil pontos, mas acumulou alta semanal com fluxo estrangeiro. O dólar recuou a R$ 5,24, enquanto o IPCA-15 reforçou inflação mais pressionada e convergência lenta à meta.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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AgroNewsPolítica & Agro

Plataforma revela a dinâmica da produção de trigo no Brasil


A Embrapa lançou, na terça-feira (24/03), a plataforma digital trigo no Brasil, que retrata a cadeia produtiva do cereal em dados e mapas. As informações abrangem desde a produção no campo e a importação até o processamento nas indústrias e a exportação. O site traz ainda uma estimativa inédita da proporção de sistemas de produção irrigados ou de sequeiro na triticultura do Brasil Central, região para onde o cultivo tem se expandido nos últimos anos. Cenários possíveis para aumento da produção no País também estão disponíveis na ferramenta.

A solução tecnológica, com dados para apoiar políticas públicas e investimentos privados no crescimento das safras de trigo no Brasil, atende a uma demanda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em 2024, o País importou 7 milhões de toneladas do cereal — o único produto das grandes cadeias de grãos em que não é autossuficiente. Ao mesmo tempo, questões comerciais e logísticas colocaram o Brasil no mercado exportador de trigo. No período 2020-2025, o volume exportado cresceu 11,5 vezes, com destino a mercados da Ásia, África e Oriente Médio. A produção nacional vem apresentando expressivo crescimento nos últimos anos, o que reduz a dependência do mercado externo.

Esses são alguns dos números disponíveis na plataforma Trigo no Brasil, resultado do trabalho conjunto da Embrapa Territorial (SP) e da Embrapa Trigo (RS), com apoio de equipe da sede da Embrapa e da Embrapa Solos (RJ). A plataforma integra um projeto mais amplo, com recursos do Mapa, para incentivo ao cultivo do cereal em ambiente tropical e o alcance da autossuficiência nacional na produção do grão.

Além de produção, importação e exportação, a ferramenta apresenta informações sobre processamento, empregos, histórico de custos e preços e infraestrutura do setor. Os dados, alguns com série histórica desde o início dos anos 2000, são detalhados por microrregiões, tanto nas áreas tradicionais do Sul quanto nas regiões de expansão do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

“Durante a construção da plataforma, buscamos identificar a localização dos principais agentes com a intenção de compreender a dinâmica da cadeia, com base em informações sobre a distribuição geográfica, o número desses atores no Brasil e a evolução histórica dos indicadores”, explica Álvaro Augusto Dossa, analista da Embrapa Trigo. 

A ferramenta estruturada nos conceitos de Inteligência Territorial Estratégica (ITE) oferece dados integrados para análises que direcionem ações voltadas à autossuficiência em trigo no Brasil. Dossa lembra que a expansão da triticultura no Cerrado é peça-chave para o País conquistar essa autossuficiência, e conectar dados sobre essa área com os do restante do País é imprescindível quando se pensa na cadeia produtiva e no fornecimento de matéria-prima para a indústria. “Não podemos apenas considerar o Cerrado porque as decisões não são isoladas. Por exemplo, temos que observar também o consumo expressivo no Nordeste do Brasil, Região na qual a população é grande”, avalia.

Oferta de sementes para cada uso

Uma das vantagens da plataforma é reunir dados sobre o trigo antes dispersos em diferentes órgãos. Mais do que isso, a ferramenta traz novas camadas de informação a partir da análise de profissionais da Embrapa com vivência do setor e experiência no tratamento e na disponibilização de dados.

É o caso do painel sobre produção de sementes. A base dos dados está disponível no site do Mapa, em uma planilha na qual se pode conhecer município, área de cultivo, categoria, espécie e cultivar adotada por cada produtor. A partir dessas duas últimas informações, a equipe da Embrapa fez novas classificações para detalhar a oferta de sementes. Estimou a disponibilidade para os diferentes usos de trigo e a predominância entre cultivares novas ou antigas. “Foi preciso um esforço de curadoria e interpretação por quem conhece o setor para chegar a esse e outros painéis de informação”, ressalta o analista Hilton Ferraz da Silveira, da Embrapa Territorial.

A oferta de sementes é um dos exemplos de que a ferramenta não se limita a organizar dados, mas revela um esforço de prospecção, de análise e de extração de informações que estavam em relatórios e outros documentos de diferentes entidades. Os dados sobre produção, consumo e preços de derivados de trigo foram extraídos manualmente dos anuários da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) e organizados para a consolidação de uma série histórica. Assim, quem acessa a plataforma pode visualizar rapidamente a evolução da produção e das vendas de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados e da farinha para o varejo, de 2017 a 2024.

Elos da cadeia produtiva

A plataforma apresenta informações que permitem dimensionar e entender como a cadeia produtiva do trigo se organiza no território. O mapa com a distribuição dos elos na cadeia no País mostra que eles se encontram principalmente no Sul, mas também estão presentes na região Central e no Nordeste. O detalhamento dos dados mostra que, nos estados nordestinos, há presença de moinhos e de produtores de sementes. Os produtores estão, principalmente, no Oeste da Bahia, área de cerrado onde há o plantio do grão. Os moinhos, por sua vez, estão no litoral. Hilton Silveira explica que eles processam grande parte do trigo importado que entra no País pelos portos da região.

A comparação dos locais de cooperativas e moinhos com as áreas de cultivo, em mapas, revela regiões em que essas estruturas ainda não estão tão presentes nos estados para onde a triticultura se expandiu mais recentemente. A plataforma também mostra em quais regiões há maior ou menor oferta de armazéns do tipo Granel Sólidos, que poderiam estocar trigo. Contudo, essas estruturas hoje são utilizadas principalmente para estocagem de soja e milho, o que coloca mais uma camada de complexidade à cadeia, diz Silveira. Os moinhos e indústrias precisam de matéria-prima o ano todo. Sem possibilidade de estocar a produção nacional, é preciso recorrer à exportação e importação para balancear oferta e demanda.

Dados sobre esse comércio internacional do trigo estão na plataforma. Além de volume e valor, mostram as microrregiões brasileiras que recebem ou enviam trigo e derivados para o exterior, assim como os países de origem e destino. Apresentam ainda os portos por onde passa todo esse comércio. Em 2024, o País exportou 2,9 milhões de toneladas de trigo; mais de um terço dessas exportações saiu do Porto de Rio Grande (RS), e o Vietnã foi o principal destino. As vendas ao exterior concentram-se no trigo em grãos, mas também há registro de embarque de farinha, massas e biscoitos. As importações, em contrapartida, somaram 7 milhões de toneladas e chegaram principalmente da Argentina; a maior parte dos desembarques ocorreu no Porto de Santos.

É possível dimensionar a indústria e o comércio de derivados de trigo com dados disponíveis na ferramenta. A plataforma apresenta o número de estabelecimentos, bem como os empregos a eles vinculados, em três categorias: moagem, fabricação (massas, pães, biscoitos, etc) e comércio (varejo e atacado de cereais e farinhas, além de padarias). Mapas mostram o número de estabelecimentos e de empregos por 100 mil habitantes em cada microrregião do País, para análises que considerem as diferenças de densidade populacional.

Na seção dedicada à Economia da Produção há dados sobre o histórico das despesas de custeio, valor e preço pago pela produção das lavouras de trigo de 2002 a 2024. Informações sobre seguros agrícolas também podem ser analisadas.

“A plataforma preenche uma lacuna de dados organizados e de estimativas para tanto dimensionar a cadeia do trigo de forma integrada como analisar sua capacidade de expansão e os gargalos a superar”, avalia Hilton Silveira. Ele acredita que as informações, algumas das quais apresentadas pela primeira vez, podem abrir caminho para ampliar e melhorar a disponibilidade de dados sobre o setor.

Análise inédita: a irrigação e o trigo no Cerrado

A plataforma apresenta os resultados de uma análise inédita que estima quanto da área cultivada na região de expansão é irrigada. A equipe da Embrapa desenvolveu um método baseado em dados como rendimento da cultura e presença de áreas irrigadas por pivôs centrais para estimar em quais municípios os produtores adotam exclusiva ou predominantemente o sistema irrigado e em quais adotam o sequeiro. Isso permite estimativas anuais, diferente do Censo Agropecuário, realizado, em média, a cada 10 anos.

O painel sobre o tema disponível na plataforma aponta que, no território estudado, cerca de 314,8 mil toneladas de trigo foram produzidas em sistema de produção irrigado, gerando um valor de produção de R$ 67,1 milhões. Esses números correspondem à média anual para o período de 2019 a 2022. Pelos cálculos, a produção em sistema de sequeiro ainda predomina, com total próximo a 560 mil toneladas anuais no período analisado. “Conhecer pelo menos uma estimativa das áreas de trigo de sequeiro e irrigado pode ajudar nas aferições de uso das tecnologias de produção e melhorar o planejamento para a expansão da cultura”, avalia Álvaro Dossa.

Como aumentar a produção de trigo no Brasil?

A plataforma tem uma seção dedicada ao tema do aumento da produção de trigo no campo. A primeira estratégia explorada é elevar a produção nas áreas já cultivadas com o cereal. Por isso, a ferramenta apresenta o primeiro painel interativo com a inferência de lacunas de rendimento nos estados do Sul – a área tradicional de cultivo. As lacunas revelam a diferença entre o rendimento obtido e o que poderia ser alcançado com a adoção de tecnologias e manejos otimizados. Esses valores foram estimados microrregião por microrregião. Em cada uma delas, a equipe de pesquisa identificou o maior rendimento de trigo obtido por um dos municípios integrantes. Então, calculou a diferença entre esse valor e o rendimento médio da microrregião.

Na microrregião de Passo Fundo (RS), por exemplo, a avaliação é de que, entre 2020 e 2022, poderiam ter sido produzidos 837 quilos de trigo a mais por ano, em cada hectare cultivado. Considerando a área média colhida nesse período, a produção adicional alcançaria pouco mais de 60 mil toneladas anuais. Quando se faz esse cálculo para todas as microrregiões da Região Sul, chega-se a 1,8 milhão de toneladas adicionais. “As estimativas das lacunas nas diferentes microrregiões produtoras de trigo na Região Sul permitem identificar onde são maiores e onde ações de intercâmbio e transferência para melhorar o rendimento da cultura teriam maior impacto”, explica Dossa.

A plataforma também apresenta possibilidades de expansão das áreas de plantio de trigo, nas microrregiões em que há recomendação de cultivo no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura. Na região tradicional, projetaram-se cenários com parte das terras destinadas à produção de soja e milho de primeira safra convertidas em lavouras de trigo. Na região de expansão, considerou-se a área de milho de segunda safra. Três cenários foram projetados e apontam potencial de cultivo adicional de 4 a 5 milhões de hectares, tendo como comparação o triênio 2020-2022 e as áreas de soja e milho.

 





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