quarta-feira, abril 29, 2026

Autor: Redação

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Governo publica MP que libera R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais



O governo federal publicou nesta quarta-feira (17), no Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória (MP) 1.316/2025, que abre crédito extraordinário de R$ 12 bilhões para a liquidação ou amortização de dívidas de produtores rurais.

Agora, o texto precisa ser analisado pelo Congresso Nacional, que tem até 120 dias para votar a medida. As MPs entram em vigor imediatamente após a publicação, mas perdem validade se não forem apreciadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado dentro do prazo.

O crédito extraordinário foi autorizado para atender produtores afetados por eventos climáticos adversos, como secas prolongadas e enchentes. A expectativa do governo é beneficiar cerca de 100 mil pequenos, médios e grandes produtores. Segundo o Executivo, os empréstimos terão taxas de juros subsidiadas, menores que as praticadas no mercado, e o montante não terá impacto no teto de gastos.



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Anec revisa estimativas de exportação de soja, farelo e milho



A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) fez um leve ajuste positivo nas projeções para os embarques brasileiros de grãos e derivados neste mês de setembro.

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Segundo a nova atualização semanal, as exportações de soja devem atingir 7,53 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 7,43 milhões previstas anteriormente. Em relação ao mesmo período do ano passado, o volume representa um aumento de cerca de 2,3 milhões de toneladas.

Farelo de soja

O farelo de soja também teve projeção revisada para cima: a exportação deve alcançar 2,19 milhões de toneladas, frente aos 2,11 milhões calculados na semana passada e aos 1,6 milhão embarcados em igual mês do ano anterior.

Milho

No caso do milho, a estimativa passou de 6,96 milhões para 7,12 milhões de toneladas. Se confirmado, o número ficará mais de 500 mil toneladas acima do registrado em setembro de 2024.



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Arroz tem a menor rentabilidade dos últimos três anos



A safra de arroz 2025/26 no Rio Grande do Sul começa com a menor rentabilidade desde meados de 2022. Isso é o que apontam as estimativas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

De acordo com cálculos do instituto, diante dos baixos preços atuais, uma produtividade de 175,40 sacas de 50 kg por hectare seria suficiente apenas para cobrir os custos operacionais em Uruguaiana, mas ainda resultaria em margem negativa de 29% sobre os custos totais. 

Apenas produtividades acima de 245 sacas/ha ou cotações médias superiores a R$ 95,00/sc de 50 kg cobririam todos os custos. 

Assim, a expectativa é de redução de 5,2% na área cultivada, frente à temporada 2024/25, para pouco mais de 920 mil hectares, segundo o Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Preços externos e taxa de câmbio pressionam cotações do algodão



Os preços do algodão em pluma seguem enfraquecidos. É isso o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o Centro de Pesquisas, a pressão vem da queda externa. Os contratos na Bolsa de Nova York (ICE Futures) operam em baixos patamares. O dólar, que registra a menor cotação desde meados de 2024, também vem pressionando o algodão.

Além disso, a paridade de exportação caiu aos níveis observados em dezembro de 2020. Pesquisadores explicam que, esse cenário, aliado à expectativa de safra recorde no Brasil e à demanda interna contida, mantém as cotações domésticas em queda.

No acumulado da primeira quinzena, o Indicador Cepea/Esalq (pagamento em oito dias) recuou 6%, encerrando o dia 15 a R$ 3,6703/lp. Vale destacar que, no dia 12, o Indicador fechou a R$ 3,6590/lp, o menor nominal desde 6 de julho de 2023. 

No campo, a colheita da temporada 2024/25 caminha para o final, com a produção devendo alcançar, pela primeira vez, 4 milhões de toneladas. Este valor está 9,7% acima do de 2023/24, conforme relatório da Conab deste mês.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Café perde volume em exportações, mas arrecadação é recorde



As exportações brasileiras de café iniciam a safra 2025/26 em volume bastante limitado, conforme apontam dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).  

Foram 5,89 milhões de sacas embarcadas de julho a agosto de 2025, queda de 22,3% frente ao mesmo intervalo da temporada anterior, ou 1,695 milhão de sacas a menos. Trata-se, também, da menor quantidade exportada desde 2022/23. 

Segundo pesquisadores do Cepea, o fraco desempenho está atrelado à redução do volume colhido na atual safra nacional. Em partes, também está relacionado aos efeitos da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos em agosto. Com isso o país americano perdeu o posto de principal destino do café brasileiro para a Alemanha.

Por outro lado, diante dos preços médios em dólar mais elevados, a receita obtida com as vendas externas do Brasil nestes dois primeiros meses da temporada 2025/26 é recorde para o período, de US$ 2,14 bilhões.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Demanda aquece esmagamento de soja no Mato Grosso



Estado processa 1,19 milhões de toneladas de soja em agosto



Foto: USDA

Segundo a análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (15), em agosto de 2025, o esmagamento de soja em Mato Grosso atingiu 1,19 milhão de toneladas, alta de 0,54% em relação a julho de 2025 e de 15,22% frente a agosto de 2024. O instituto destacou que o resultado foi “impulsionado pela forte demanda interna por subprodutos da oleaginosa e pela procura aquecida pelo farelo de soja no mercado internacional”.

Para ilustrar, o Imea informou que “as exportações do proteico no mês totalizaram 740,99 mil toneladas, aumento de 9,07% quando comparado a julho de 2025 e de 31,83% na comparação com o mesmo período do ano passado”.

Ainda conforme informantes do Imea, “o volume processado em agosto de 2025 só não foi maior porque algumas esmagadoras de menor porte relataram maior dificuldade na compra de soja, diante da menor disponibilidade do grão no estado”.

No acumulado de janeiro a agosto de 2025, o volume processado somou 9,08 milhões de toneladas, um acréscimo de 5,13% ante o mesmo período de 2024, segundo o instituto.

Por fim, o Imea informou que “a margem bruta das indústrias em agosto fechou na média de R$ 403,37 por tonelada, queda de 7,01% comparado com julho de 2025, motivada pelo aumento dos preços da soja em grão em relação aos coprodutos”.





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como agrominerais estão transformando solos e lavouras no Nordeste


No coração do Planalto baiano, em Barra do Choça, o agricultor Idimar Paes cultiva há três décadas o café arábica em 25 hectares de terra. Produtor de cafés especiais, ele viu sua lavoura ganhar novo fôlego quando decidiu apostar em um fertilizante natural pouco conhecido fora dos círculos técnicos: o remineralizador de solo.

“Como defendo o uso de produtos naturais, resolvi testar”, conta Idimar. Três anos depois, colheita após colheita, ele comemora a escolha. Hoje, a fazenda produz entre 600 e 700 sacas por ciclo, alcançando uma média de 60 sacas por hectare em sistema de sequeiro. “Começamos a disponibilizar no solo nutrientes que antes a planta não absorvia. Isso fez toda a diferença”, resume o produtor.

Um desafio crônico

A experiência de Idimar reflete uma realidade regional. No Sul e Sudoeste da Bahia, bem como em grande parte do Nordeste, os solos são altamente intemperizados, com acidez elevada e nutrientes em desequilíbrio.

O resultado: a agricultura depende fortemente de corretivos e fertilizantes químicos, insumos caros e, muitas vezes, agressivos ao meio ambiente.

Nesse cenário, o remineralizador – extraído de rochas como o granulito – surge como alternativa sustentável.

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Foto: Acervo pessoal/Vulcano Agrominerais

Sua liberação lenta de cálcio, magnésio e silício reestrutura o solo, melhora a retenção de água, fortalece a microbiota e reduz a necessidade de adubos químicos.

“Nos últimos anos, observamos crescimento de cerca de 50% na demanda pelo remineralizador, especialmente na Bahia e em estados como Pernambuco e Alagoas”, afirma Stéfano Lima, gestor comercial da Vulcano Agrominerais, empresa baiana pioneira na produção desse insumo no Norte/Nordeste.

Impacto direto na produtividade

Os números reforçam o potencial. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Nordeste deve colher 56,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2025 – alta de 3,6% em relação ao ciclo anterior.

Em áreas onde o remineralizador foi testado, os ganhos foram expressivos: até 16 toneladas a mais por hectare e incremento de mais de R$ 3 mil em lucratividade.

“A longevidade dos canaviais aumenta, a absorção de nutrientes melhora e a dependência de fertilizantes químicos diminui. É um tripé que gera produtividade, sustentabilidade e redução de custos”, explica o engenheiro agrônomo André Dias, responsável técnico pela Vulcano.

A tecnologia também tem se destacado em culturas como a citricultura. “Estamos observando frutos de melhor qualidade, maior resistência ao estresse hídrico e melhor absorção de nutrientes”, acrescenta Lima.

Solo fértil, futuro sustentável

Além dos resultados imediatos, o uso de remineralizadores deixa um legado de longo prazo: solos mais férteis, com melhor estrutura e capacidade de suportar ciclos produtivos mais intensos.

Para os agricultores, isso significa mais segurança e rentabilidade. Para o meio ambiente, menor dependência de insumos químicos solúveis e redução de impactos.

Idimar Paes é prova disso. Ao caminhar por sua lavoura, ele vê plantas mais vigorosas e uniformes. Mas, mais que produtividade, o agricultor enxerga futuro:

“Acredito em uma agricultura regenerativa, que preserve o solo e produza sem agredir. Essa tecnologia tem me mostrado que é possível.”, conclui.


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Após um mês de tarifaço, indústria da madeira acumula 4 mil demissões



Pouco mais de um mês após o início da taxação de 50% sobre as exportações brasileiras de madeira pelos Estados Unidos, o setor tem enfrentado efeitos da medida. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), desde julho, quando foi anunciado o tarifaço, até setembro 4 mil trabalhadores foram demitidos, cerca de 5,5 mil estão em férias coletivas e outros 1,1 mil em regime de layoff ( suspensão temporária do contrato de trabalho).

O setor ficou de fora da lista de exceções anunciada pelo governo de Donald Trump e foi um doa primeiros a adotar cortes de postos de trabalho e férias coletivas. Sem perspectivas de um acordo de curto prazo entre Brasil e EUA que alivie o tarifaço, a Abimci estima que mais de 4,5 mil novas demissões poderão ocorrer nos próximos dois meses.

Segundo a entidade, em agosto houve queda entre 35% e 50% nos embarques de alguns dos principais produtos de madeira processada destinados ao mercado norte-americano.

Em 2024, o setor exportou US$ 1,6 bilhão em produtos de madeira para os Estados Unidos, destino que responde, em média, por 50% da produção nacional. Em alguns segmentos, a dependência é ainda maior: 100% das vendas são destinadas exclusivamente ao mercado norte-americano. Atualmente, o setor gera 180 mil empregos formais, segundo a associação.

A Abimci defende maior empenho do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos.

“No nosso entendimento, a única solução é a negociação direta entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para uma adequação das tarifas e o restabelecimento do comércio bilateral. Essa competência é exclusiva do governo federal que, até o momento, não foi exercida com o necessário bom senso. Enquanto isso, nossos governantes assistem, de forma passiva, milhares de trabalhadores perderem sua fonte de renda. A nós resta testemunhar, com consternação, a desestruturação de cadeias produtivas inteiras, consolidadas há anos, que sustentam inúmeras famílias em diferentes regiões do país”, afirma a entidade em nota.



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AgroNewsPolítica & Agro

déficit hídrico ameaça lavouras em setembro e outubro


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta terça-feira (16) o Boletim Agroclimatológico Mensal para o trimestre de setembro, outubro e novembro de 2025. O documento apresenta tendências climáticas direcionadas às atividades do campo e estimativas dos estoques de água no solo.

Segundo o Inmet, o prognóstico para a Região Norte indica volumes de chuva abaixo da média histórica no trimestre, especialmente na Ilha de Marajó (PA), sudeste do Pará e na região da Cabeça do Cachorro, no Amazonas. “São previstas reduções de até 50 milímetros em relação à climatologia”, informou o órgão. 

Em Roraima, norte do Amapá, porção norte do Amazonas, Acre e Rondônia, são esperados volumes próximos à média histórica. As temperaturas do ar devem permanecer acima da média em toda a região, com elevações de até 2,0 °C. Os estoques de água no solo mostram predomínio de níveis baixos em grande parte do Acre, Rondônia, centro-sul do Amazonas, sudeste do Pará e porções do Amapá, inferiores a 30% em setembro e outubro. Em novembro, há sinais de recuperação em áreas do Acre, sul do Pará e Amazonas, embora persistam déficits em regiões centrais do Amazonas, Amapá e centro-norte do Pará.

“As projeções indicam intensificação das condições de seca no Pará, Amapá, Tocantins, Rondônia e centro-sul do Amazonas com déficits superiores a 100 mm, no mês de setembro. Por outro lado, em novembro, observa-se melhor disponibilidade hídrica no oeste e sudeste do Amazonas, sul do Pará, Acre e Rondônia, o que tende a favorecer a manutenção de culturas perenes tropicais e atividades da agricultura familiar nestas áreas” alertou o boletim.

Veja mais informações sobre o clima em Agrotempo

Na Região Nordeste, o boletim prevê volumes de chuva abaixo da média no Maranhão, Piauí, maior parte do Ceará e porções central e noroeste da Bahia. Em todo o restante da região, as chuvas devem ficar próximas à média. “As temperaturas do ar deverão permanecer acima da média histórica, com valores entre 0,5 °C e 2,0 °C acima da climatologia”, destacou o Inmet. 

Os estoques de água no solo permanecem satisfatórios no litoral, mas no interior não ultrapassam 30%, intensificando o déficit hídrico nos meses de setembro e outubro. “Essas condições podem limitar o desenvolvimento de culturas de sequeiro, tornando essencial a adoção de estratégias de manejo hídrico” informou.

Para o Centro-Oeste, a previsão climática indica volumes de chuva dentro da média em praticamente toda a região, com até 30 milímetros acima da média histórica em áreas de Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. As temperaturas devem ficar entre 1,0 °C e 2,0 °C acima da média histórica. O órgão ressalta que “o déficit hídrico se intensifica em setembro no leste de Mato Grosso e oeste de Goiás”, reduzindo a disponibilidade de água no solo para culturas em maturação. Em novembro, a regularização das chuvas tende a garantir umidade adequada para o plantio de soja e milho.

No Sudeste, são previstos volumes de chuva de até 30 milímetros acima da média histórica no Rio de Janeiro e em áreas de Minas Gerais. As temperaturas devem permanecer acima da média, principalmente em São Paulo e Minas Gerais. 

O armazenamento de água no solo deve ser baixo no centro-norte de Minas Gerais, Espírito Santo, norte do Rio de Janeiro e noroeste paulista em setembro e outubro, com recuperação da umidade em novembro. A escassez hídrica nos dois primeiros meses do trimestre pode comprometer o plantio de soja e milho, além de afetar a florada do café e a manutenção das pastagens.

Para a Região Sul, a previsão indica volumes de chuva acima da média histórica em todo o estado de Santa Catarina, sudeste do Paraná e maior parte do Rio Grande do Sul. “Os maiores volumes, de até 50 milímetros acima da média, são previstos para o nordeste do Rio Grande do Sul e leste de Santa Catarina”, destacou o boletim. 

As temperaturas permanecerão acima da média em toda a região, mas valores abaixo de 13 °C ainda podem ocorrer em áreas mais elevadas. O armazenamento hídrico deve se manter elevado, atingindo valores próximos à capacidade de campo. O excedente hídrico é considerado favorável ao desenvolvimento de culturas de inverno, como trigo, aveia e cevada.

 





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quando o Congresso legisla para si mesmo


A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a chamada PEC da Blindagem (PEC 3/21), que altera profundamente as regras de responsabilização de parlamentares. Pelo texto, deputados e senadores só poderão ser processados ou presos com autorização prévia das próprias Casas legislativas, e essa autorização poderá ser decidida em votação secreta.

Além disso, a proposta amplia o foro privilegiado para presidentes de partidos políticos com representação no Congresso e permite que processos em andamento sejam afetados, criando uma barreira inédita entre a Justiça e os políticos.

O discurso oficial é de “defesa da independência do Legislativo” diante do Supremo Tribunal Federal. Mas, na prática, a medida cria um escudo institucional para evitar que denúncias de corrupção, abuso de poder ou crimes comuns avancem sem o aval dos pares.

Ao transferir para dentro do Parlamento o poder de autorizar investigações e prisões, a PEC institucionaliza o corporativismo: parlamentares julgando parlamentares, em sigilo, longe do olhar do eleitor.

O que está em jogo:

  • Transparência – o voto secreto impede que a sociedade saiba quem protege quem, minando o controle social.
  • Responsabilização – processos legítimos podem ser travados, atrasados ou até inviabilizados por acordos políticos.
  • Equilíbrio entre Poderes – o Legislativo invade a esfera do Judiciário, fragilizando o sistema de freios e contrapesos.
  • Imagem do país – a mensagem para a sociedade e para o mundo é a de que o Brasil retrocede no combate à impunidade.

A aprovação da PEC acontece em meio a tensões entre Congresso e STF, e logo após negociações políticas envolvendo anistias e acordos partidários. Ou seja, não é apenas uma discussão jurídica, mas também uma movimentação estratégica para proteger lideranças e reforçar o poder político em Brasília.

Para o cidadão comum, o recado é devastador: enquanto problemas reais, inflação, crédito caro, endividamento do agro, saúde, segurança, aguardam soluções, o Parlamento prioriza a sua própria blindagem.

Para investidores e observadores internacionais, a medida reforça a percepção de fragilidade institucional e de risco de impunidade, com impacto na confiança e até no custo de financiamento do país.

A chamada PEC da Blindagem não é apenas mais uma mudança constitucional: é um divisor de águas na relação entre representantes e representados. Ao aprovar um escudo contra a Justiça, os parlamentares deixam claro que seu compromisso maior não é com o cidadão, mas com a autopreservação.

O Congresso escolheu legislar para si mesmo. E quando o poder político se protege acima da lei, que protege o povo?

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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