
O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Minas Gerais deve alcançar o valor recorde R$ 168,3 bilhões em 2025, crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior.
O indicador é uma estimativa da geração de renda no meio rural, calculada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).
O desempenho do VBP é puxado pelo segmento das lavouras, que deve alcançar R$ 113,5 bilhões, com aumento de 17,8% no ano. Sozinho, este setor representa 67% do faturamento do setor agropecuário mineiro.
“A alta no rendimento em algumas culturas tem sido determinante para esse resultado, especialmente o café, que registrou alta de 48,5% e tem o VBP estimado em R$ 59,1 bilhões”, detalha a assessora técnica da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Amanda Bianchi.
O VBP da soja, que ocupa o segundo lugar no segmento agrícola mineiro, deve alcançar R$ 18,4 bilhões, com crescimento de 9,9% em relação ao ano passado.
“Os preços da soja subiram no mercado doméstico em agosto, refletindo a forte disputa entre indústrias esmagadoras brasileiras e a demanda internacional, em especial da China”, contextualiza.
Ainda dentro do segmento das lavouras, também estão em alta as seguintes culturas:
Juntos com o café, esses produtos correspondem a 79% do faturamento total das lavouras.
O VBP do segmento pecuário deve alcançar R$ 54,8 bilhões, com aumento de 7,8%. A liderança no setor é ocupada pelo leite, com faturamento estimado em R$ 18,4 bilhões e crescimento de 3,5% neste ano.
O indicador mostra que o desempenho do segmento também é impulsionado pelas carnes bovina, de frango e suína que têm faturamento estimado em R$ 17,9 bilhões (+13,2%), R$ 8,2 bilhões (+3,5%) e R$ 7,4 bilhões (+6,1%), respectivamente. Os ovos também estão em alta, com faturamento previsto de R$ R$ 2,9 bilhões (24,6%).

Tages Martinelli como novo CEO da Sementes Jotabasso. Referência nacional em sementes de soja, com mais de 50 anos de mercado, a mudança no comando da operação reforça a estratégia de expansão e governança da empresa. Fundada em 1971 por João Basso, a sementeira atua em seis unidades localizadas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A empresa também possui atuação comercial com sementes de sorgo e trigo e pecuária.
Com um portfólio desenvolvido em parceria com as principais obtentoras de genética de soja em atuação no país, a capacidade atual de produção é de 2 milhões de sacas de sementes. A empresa destina 70 mil hectares à produção de sementes e está entre os líderes de produção e distribuição do agronegócio brasileiro.
Natural de Ronda Alta (RS), filho de pequenos produtores rurais, Martinelli ingressou na Jotabasso em 1998. Nesses mais de 25 anos atuou em diversas áreas, como nas gerencias Administrativo e Financeiro, de Recursos Humanos e de Sustentabilidade. Mais recentemente respondia pela diretoria Comercial.
O movimento chega para reforçar o posicionamento da empresa em um ambiente de reestruturação do mercado de sementes no Brasil. O executivo assume a posição em um momento de expansão do setor no país, impulsionado pelo incremento da área cultivada e pela adoção de novas tecnologias.
José Amaral, que respondia como CEO até o último mês de maio, segue no Conselho de Administração da Jotabasso.
“O Fed adotou uma postura preventiva”
Agrolink
– Leonardo Gottems

“O Fed adotou uma postura preventiva” – Foto: Canva
O Federal Reserve anunciou uma redução da taxa de juros na reunião de setembro, encerrando um ciclo de manutenção que durou nove meses. Segundo Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, a decisão reflete uma resposta estratégica às condições atuais da economia norte-americana e aos riscos prospectivos.
A desaceleração da atividade econômica, evidenciada por uma geração de empregos abaixo do esperado e aumento da taxa de desemprego, indica menor pressão inflacionária futura. Núcleos do CPI e do PCE mostram trajetória de desaceleração, aproximando-se da meta de 2%, reforçando a lógica de um corte para equilibrar o nível de atividade, conforme a Regra de Taylor.
“Em sua decisão o Fed pode optar por um corte como forma de evitar que a taxa real de juros se torne excessivamente restritiva , ao considerar a inflação de bens duráveis e energia já mostra sinais de retração, e mesmo os serviços, tradicionalmente mais rígidos, começam a perder força diante da menor demanda agregada”, comenta.
Do ponto de vista teórico, a decisão é coerente com a “política monetária preemptiva”, adotada para mitigar choques adversos antes que se concretizem plenamente, combinando dados atuais e riscos futuros para orientar a condução da economia.
“Do ponto de vista teórico, a decisão também pode ser interpretada sob a ótica da função de reação do banco central, que incorpora não apenas os dados correntes, mas também os riscos futuros. A decisão de corte de juros pelo Federal Reserve se justifica por uma combinação da desaceleração da atividade, convergência da inflação à meta, aumento do desemprego, necessidade de preservar expectativas e atuação preventiva diante de riscos futuros. O Fed adotou uma postura preventiva, reduzindo os juros como forma de mitigar choques adversos antes que se materializem plenamente”, conclui.

Quatro pessoas foram presas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) na última terça-feira (16) durante ação que recuperou uma carga de carnes avaliada em R$ 700 mil.
O crime ocorreu no domingo (14) em Ponta Grossa, onde a mercadoria seria originalmente exportada para Dubai, nos Emirados Árabes.
Na ocasião, os criminosos roubaram o caminhão semirreboque que transportava um contêiner carregado com 24 toneladas de proteína bovina. O motorista do veículo foi libertado somente no dia seguinte na cidade de São João do Triunfo, no sudeste paranaense, a mais de 90 km do local do assalto.
O delegado da PCPR André Feltes conta que a corporação iniciou imediatamente as diligências para a identificação dos envolvidos e do destino da carga.
Com apoio dos setores de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar do Paraná (PMPR), a investigação verificou que os suspeitos rapidamente haviam realizado o transbordo do material para dificultar o rastreamento.
A PCPR identificou que parte da carga teve como destino um mercado localizado no bairro Caximba, em Curitiba. No local, a equipe prendeu duas pessoas em flagrante e verificou que as carnes estavam armazenadas sem qualquer tipo de refrigeração ou condições de higiene.
“Em Contenda [região metropolitana de Curitiba], policiais militares receberam denúncias anônimas e, em ação conjunta com uma equipe de policiais civis, localizaram uma chácara na qual o contêiner roubado havia sido ocultado. Foram recuperadas diversas caixas do produto, pesando mais de 11 toneladas, além de mais peças de carne que estavam na casa de um indivíduo”, destaca o delegado.
Na residência, os policiais identificaram que o indivíduo estava descongelando o produto para consumo próprio. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de receptação.
Em Pinhais, também na Região Metropolitana de Curitiba, os policiais civis localizaram mais de três toneladas do produto em um comércio de laticínios. Um quarto indivíduo também foi preso em flagrante.
Ao todo, as três ações resultaram na recuperação de mais de 17 toneladas da carga roubada. A equipe da PCPR segue em diligências para localizar o restante do material e identificar todos os envolvidos no esquema.

A exportação de soja do Brasil 2025/26 foi estimada nesta quinta-feira em 112,12 milhões de toneladas, em comparação ao número de 106,66 milhões no ciclo anterior. O aumento se deve ao impulso dos embarques para a China, que trava uma guerra comercial com os Estados Unidos. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Com a previsão de redução nas exportações dos Estados Unidos e o aumento da procura global, aliado à expansão da produção brasileira, espera-se um crescimento expressivo. Esse aumento está ligado, também, à China, que compra cerca de 73% da soja exportada pelo Brasil.
Além da soja, a exportação de milho do Brasil em 2025/26 foi estimada em 46,5 milhões de toneladas, em comparação ao número de 40 milhões no ciclo anterior.
As exportações do agronegócio do Espírito Santo somaram R$ 11,3 bilhões no acumulado de janeiro a agosto de 2025. O resultado representa uma leve retração de 1,6% em divisas frente ao mesmo período do ano anterior.
Em volume, os embarques totalizaram 1,6 milhão de toneladas, queda de 4,4% ante o mesmo período do ano anterior (1,7 milhão de toneladas).
No ranking dos principais produtos em geração de divisas, destacam-se:
O Espírito Santo continua sendo o maior exportador de café conilon, com 77% das exportações nacionais, de gengibre (60%), pimenta-do-reino (67%) e mamão (41%), com ampla liderança nesses segmentos no acumulado do ano até agosto.
Nesse período, o agronegócio representou 32,5% das exportações totais do Estado. Os produtos do agro chegaram a 125 países em oito meses, sendo os Estados Unidos responsáveis por 22,2% das divisas (US$ 468,7 mi), Turquia com 7,1% (US$ 150,1 mi) e China com 6,2% (US$ 131,5 mi).
O grande destaque nos primeiros oito meses do ano foi a pimenta-do-reino, com crescimento em geração de divisas de 125% em relação a igual período de 2024. Destacaram-se ainda nas vendas internacionais café solúvel (+64%), carne bovina (+29%) e mamão (+21%).
Apesar da expansão registrada em diversos produtos, a leve retração geral em volume e geração de divisas foi determinada principalmente pelo café, destaque de exportações do agro capixaba.
“[…] a pequena queda em volume e valor das exportações ocorreram devido ao café grão cru, onde houve antecipação do volume de compras em 2024 para esse ano de 2025 em face da possibilidade de entrar em vigor a legislação da União Europeia (EUDR)”, comentou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

O segmento de ovos, que havia conquistado espaço no mercado norte-americano após a crise da gripe aviária, praticamente teve as exportações paralisadas com a imposição da nova barreira tarifária.
Em julho, foram exportadas 1.090 toneladas para os Estados Unidos, número que caiu para apenas 99 toneladas em agosto (queda de 99,9%). Para outros mercados, a queda foi de 23,5%, reduzindo de 4,3 para 3,3 toneladas.
Praticamente todas as vendas externas estavam concentradas nos Estados Unidos.
O gengibre também foi bastante afetado. Em julho, o Espírito Santo exportou US$ 4,4 milhões (3,1 mil toneladas) para todos os países, com exceção dos EUA. Já em agosto, as vendas caíram para US$ 3,5 milhões (-20,5%) e 2,5 mil toneladas (-19%).
Para os EUA, a queda foi ainda mais forte: de US$ 2 milhões (1,5 mil toneladas) em julho para US$ 1,1 milhão (1 mil toneladas), uma retração de 33% no volume e 45% no valor. Cerca de 40% das vendas externas foram para os Estados Unidos.
O café em grão passou de 13,9 mil toneladas (US$ 77,6 milhões) em julho, para 8,6 mil toneladas (US$ 51,9 milhões) em agosto, queda de 37,6% em volume e 33,2% em valor (considerando todos os países, com exceção dos EUA).
Especificamente para os Estados Unidos, exportaram 2,1 mil toneladas em julho (US$ 10,2 milhões). Em agosto houve queda para 1,7 mil toneladas (-19%) e US$ 7,3 milhões (-28,4%). A exposição direta aos EUA, porém, é pequena, cerca de 6%.
O café solúvel, diferente dos demais, apresentou crescimento. Em julho foram US$ 9,9 milhões (0,8 mil toneladas), e em agosto US$ 14,9 milhões (+50,5%) e 1,2 mil toneladas, alta de 50% (considerando todos os países, com exceção dos EUA).
Para os Estados Unidos, as vendas ficaram estáveis em agosto, apesar do tarifaço, com 0,5 mil toneladas e US$ 6,3 milhões. Vale lembrar que os EUA representam cerca de 30% das vendas externas.
A pimenta-do-reino, em julho, faturou US$ 15,3 milhões (2,4 mil toneladas), subindo para US$ 21,8 milhões (4 mil toneladas) em agosto, avanço de 42,5% em valor e 66,7% em volume (considerando todos os países, incluindo os EUA).
As vendas diretas para os Estados Unidos são irrisórias, ou seja, menos de 1% é exportada diretamente, mas a maior parte entra no mercado americano de forma indireta.
O mamão teve crescimento nos embarques, de US$ 2,3 milhões (1,8 mil toneladas) em julho para US$ 2,7 milhões (1,7 mil toneladas) em agosto (considerando todos os países, com exceção dos EUA).
A alta foi de 18,8% em divisas, embora com pequena redução de 2,9% em volume. Para os EUA, houve alta de volume, cerca de 18,7%, mas registrou queda de receita, cerca de 14,3%. Vale destacar que aproximadamente 11% das vendas vão para o mercado norte-americano.
Outro setor em alerta é o de pescados, que enfrenta forte retração em razão das tarifas norte-americanas. Em julho, o Espírito Santo exportou US$ 673,8 mil (69,7 mil kg), mas em agosto os embarques caíram para US$ 294,9 mil (40,6 mil kg), uma redução de 56,2% em valor e 41,8% em volume.
Além disso, ressalta-se que 98% das vendas externas são para o mercado norte americano.
“As exportações de ovos, gengibre e pescados foram as mais prejudicadas no mês de agosto em relação a julho deste ano. O setor de ovos praticamente estagnou com a nova barreira tarifária […]”, destaca Bergoli.
O secretário também explica que o gengibre sofreu uma redução de vendas expressiva em agosto; as exportações de pescados, com os Estados Unidos como principal mercado deste segmento, não suportou a ampliação da tarifa imposta de 50%, com queda significativa de 41%.
Diante desse cenário, o governo do Espírito Santo estabeleceu um Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (Cetax), coordenado pelo vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço.
Entre as medidas já definidas, foi aprovada a Lei 595/2025, que autoriza oficialmente a transferência de créditos acumulados de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os setores produtivos mais afetados.
Espera-se que por meio dessa lei sejam liberados cerca de R$ 100 milhões em créditos, beneficiando segmentos como rochas ornamentais, pescados e crustáceos, pimenta-do-reino, mamão e gengibre.
A nova legislação também abre espaço para programas de financiamento específicos para as empresas exportadoras atingidas, com critérios a serem definidos pela Secretaria de Fazenda.
Também está prevista a criação de uma linha de crédito subsidiada com dotação inicial de R$60 milhões, voltada para o capital de giro das exportadoras.
O governador do Estado, Renato Casagrande, anunciou que o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) fará a suspensão temporária das prestações de financiamento por até seis meses.
Além disso, o banco disponibilizará linhas de crédito para capital de giro e exportação, visando mitigar os efeitos de curto prazo no fluxo de caixa das empresas e para que a perda de receitas seja parcialmente suprida, garantindo equilíbrio financeiro e manutenção de suas atividades.
Empresas capixabas com faturamento de até R$ 20 milhões e que exportam produtos para os Estados Unidos serão elegíveis para a linha de crédito. A dotação inicial é de R$ 60 milhões.
Foi aprovada ainda, a Lei de Compras Institucionais dos Produtos da Agricultura Familiar, que determina que pelo menos 30% dos recursos destinados às aquisições de gêneros alimentícios pelos órgãos públicos estaduais sejam aplicados em produtos da agricultura familiar.
A expectativa é dobrar em quatro anos o valor dessas compras, passando de cerca de R$ 50 milhões para R$ 100 milhões anuais, fortalecendo produtores rurais, associações e cooperativas, em especial comunidades tradicionais, assentamentos, grupos de mulheres e jovens.
Além das medidas anunciadas, o estado segue articulando com o Governo Federal, com o envio de informações detalhadas sobre a realidade de cada segmento, para subsidiar as negociações diplomáticas entre Brasil, Estados Unidos e outros países para onde se destinam as exportações do Espírito Santo.
*Sob supervisão de Victor Faverin
A proposta de tributar em 5% no Imposto de Renda os títulos ligados ao agronegócio, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), hoje isentos, acendeu um alerta no setor produtivo.
Para os produtores rurais, a medida representa uma mudança significativa em um dos poucos mecanismos de financiamento que têm se mostrado eficientes para garantir fluxo de recursos ao campo, sobretudo em tempos de crédito mais caro e escasso.
A discussão, já pontuada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e conduzida no Congresso com intermediação do relator e em diálogo com a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), coloca em evidência a necessidade de equilíbrio entre o ajuste fiscal do governo e a manutenção da competitividade de um setor que sustenta boa parte da economia nacional.
Do ponto de vista dos produtores, a tributação dos títulos ameaça reduzir a atratividade para investidores, que têm no benefício fiscal uma das principais razões para direcionar recursos ao agro.
Caso a medida avance sem compensações, LCAs e CRAs podem perder força no mercado financeiro, diminuindo a captação de recursos privados e, consequentemente, limitando a capacidade de investimento no campo.
Em um momento em que o governo reduz subsídios no crédito rural e aumenta as exigências para acesso às linhas oficiais, retirar competitividade desses instrumentos significa enfraquecer o setor produtivo e comprometer o crescimento sustentável da agricultura e da pecuária.
A preocupação é principalmente com médios e pequenos, que dependem de instrumentos de mercado para financiar custeio, modernização de maquinário, aquisição de insumos e adoção de tecnologias.
Para eles, cada ponto percentual a mais no custo do crédito pode inviabilizar projetos e afetar a renda.
Em cadeias de produção com margens estreitas, como leite, hortifrúti e grãos em propriedades menores, o impacto seria imediato.
A eventual redução da liquidez dos títulos, por sua vez, afetaria toda a engrenagem que conecta investidores urbanos ao financiamento do agronegócio, afastando recursos que hoje chegam ao campo com agilidade e menor burocracia.
Outro ponto levantado pelos produtores é o efeito indireto sobre a competitividade internacional do agro brasileiro.
Com a tributação, há risco de aumento no custo de produção, justamente em um cenário em que países concorrentes oferecem condições mais favoráveis de financiamento e subsídios diretos aos agricultores.
Para manter a liderança mundial em exportações e, ao mesmo tempo, cumprir exigências ambientais e sociais cada vez mais rígidas, o Brasil precisa de políticas que ampliem o acesso a capital.
A medida, se implementada sem negociação, pode enfraquecer a posição do país em mercados estratégicos.
Entre as alternativas discutidas, estão a possibilidade de manter a isenção para investidores pessoas físicas, aplicar a alíquota apenas a novas emissões ou criar incentivos compensatórios, como linhas específicas de crédito rural com taxas diferenciadas.
A ideia é evitar que a arrecadação fiscal venha à custa da perda de dinamismo em um setor que responde por quase 25% do PIB brasileiro e sustenta milhões de empregos diretos e indiretos.
Para os produtores, a negociação precisa considerar que o agro não é apenas um segmento econômico, mas sim um pilar da segurança alimentar e da balança comercial brasileira.
Qualquer medida que comprometa sua capacidade de investimento terá reflexos diretos sobre preços ao consumidor, geração de divisas e estabilidade no campo.
Por isso, a expectativa é de que a FPA, em diálogo com o relator e o governo, consiga construir uma solução equilibrada, que permita ao Estado arrecadar sem desestimular os investimentos privados no agronegócio.


*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação

Uma das capitais mais urbanas do mundo foi palco da 17ª edição do Congresso de Marketing do Agro, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). Nesta quinta-feira (18), lideranças e especialistas se reuniram em São Paulo em prol de um objetivo comum: comunicar, e com excelência, o papel do agronegócio brasileiro para o mundo.
Em destaque, esteve a aplicação do marketing na evolução do setor. Logo na abertura, o público pôde acompanhar uma verdadeira aula de como comunicar o agro. Autoridades do setor compartilharam experiências que mostram como a comunicação é estratégica para enfrentar crises, projetar o setor e consolidar a imagem do Brasil como potência agroalimentar.
Um dos exemplos citado no congresso foi o enfrentamento da gripe aviária no Brasil. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressaltou que a resposta à crise só foi possível porque havia um plano de comunicação sólido.
“A grande maioria dos problemas foi superada porque nos preparamos antes, com uma estratégia integrada entre técnica, comercial e imprensa. Quando a doença chegou, já tínhamos mensagens claras e consistentes para transmitir”, disse.
Ele lembrou que vídeos gravados anos antes e a atuação coordenada de porta-vozes ajudaram a evitar pânico e a manter a confiança do mercado. “Desde o primeiro momento, reforçamos que a gripe aviária não se transmite pelo consumo de carne de frango. Essa comunicação manteve o mercado sólido e preservou 4 milhões de empregos na cadeia produtiva”, destacou.
Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), reforçou que o Brasil tem uma oportunidade única de ampliar a produção de alimentos, gerar energia renovável e criar empregos, tudo ao mesmo tempo. Nesse sentido, ele ressaltou a importância de valorizar a experiência nacional em agricultura tropical.
“Temos a experiência da agricultura tropical, capaz de garantir segurança alimentar e contribuir para a paz mundial. Mas, para isso, é preciso comunicar com mais intensidade o que fazemos: uma agricultura competitiva, eficiente e sustentável”, afirmou.
Segundo Rodrigues, o país já enfrenta campanhas de desinformação contra o agro e defendeu uma estratégia firme de comunicação. “Alguém perde mercado quando o Brasil cresce. E quem perde, reage com narrativas contra nós. Só há uma forma de responder: mostrar a verdade. Se soubermos comunicar, podemos nos tornar campeões mundiais da paz”, disse.
O presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, destacou que o propósito da entidade é ajudar todo o ecossistema do agro a se comunicar melhor, tanto com o produtor rural quanto com a sociedade. Ele citou iniciativas como o projeto Conexões, que aproxima a associação de diferentes entidades do setor, e o Marca Agro do Brasil, criado para valorizar a imagem do campo no país e no exterior.
Além disso, Nicodemos falou sobre o trabalho de meses na preparação do congresso e agradeceu o apoio de parceiros, conselheiros e entidades do setor. Para ele, a edição deste ano reforça que o agro brasileiro tem cada vez mais condições de assumir o protagonismo global. “Quando não contamos a nossa história, alguém conta da forma que achar mais conveniente. Precisamos estar à frente desse processo”, concluiu.
“Trata-se de ferramenta estratégica”
Agrolink
– Leonardo Gottems

“Trata-se de ferramenta estratégica” – Foto: Divulgação
Os fungos que atacam sementes da soja estiveram no centro dos Ensaios Cooperativos de Rede da safra 2024-25. Soluções como Tiofanil® e Torino®, da Sipcam Nichino, mostraram elevada eficácia no controle de cinco patógenos danosos em áreas de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Os resultados foram apresentados no 54º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, realizado em Lavras (MG).
Segundo Bruno Monção, gerente de marketing da companhia, os fungicidas alcançaram até 93% de controle, superando a maioria dos tratamentos-padrão. “Os dados colocaram os fungicidas, no cômputo geral, à frente de quase todos os chamados tratamentos-padrão, comparados”, comenta.
O Tiofanil® FS é sistêmico e de contato, à base de clorotalonil, com amplo espectro de ação, atuando como ferramenta estratégica para evitar perdas significativas na produção. “Trata-se de ferramenta estratégica, dotada de tecnologia para evitar a contaminação da soja por fungos com potencial de transferir prejuízos consideráveis à produção”, ele diz. O Torino®, também sistêmico e de contato, favorece o melhor estabelecimento das plantas e potencializa a produtividade da soja. “Por suas características, favorece o melhor estabelecimento de plantas e potencializa a produtividade da soja”, completa.
De acordo com o especialista, os resultados reforçam a importância de soluções eficientes no tratamento de sementes, garantindo proteção contra patógenos economicamente relevantes e apoiando práticas de manejo integrado de doenças na sojicultura brasileira.