quarta-feira, abril 29, 2026
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O campo no vermelho: juros altos e desvalorização do dólar desafiam o produtor rural


Ilustração que mostra que o produtor rural anda preocupado com dívidas
Ilustração feita por IA para o Canal Rural

O agronegócio brasileiro vive hoje o paradoxo da eficiência: produzimos como gigantes, mas pagamos as contas como reféns.

O cenário para o biênio 2026/2027 não desenha uma bonança, mas sim um teste de resistência para quem está sobrevivendo ao “custo Irã” e à escalada brutal dos preços dos insumos.

A guerra no Oriente Médio não é mais um evento distante na TV. Ela é o preço do fertilizante nitrogenado que pressiona as margens da produção agrícola no nosso país.

O Brasil importa quase todo o seu consumo de ureia, e boa parte disso atravessa zonas de conflito que podem fechar a qualquer momento.

Vivemos sob a sombra de uma montanha de dívidas que não para de crescer. O endividamento global já encosta nos 350% do PIB mundial.

No Brasil, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida pública pode atingir 100% do PIB em 2027, que pagamos 8% do PIB além da inflação. É um sistema erguido sobre promessas de pagamento que a produção real dificilmente conseguirá honrar sem sacrifícios brutais.

Nesse cenário, o dólar vive uma crise de identidade. Embora o câmbio doméstico pareça alto, a moeda americana perde valor no mercado mundial pelas ações do atual presidente dos EUA.

Políticas de isolamento e sanções empurram bancos centrais para longe da divisa, corroendo sua hegemonia e gerando instabilidade sistêmica.

A tendência no mercado interno é de manutenção de juros em patamares elevados. Atualmente em 14,75% ao ano, o Boletim Focus projeta que a Selic encerre 2026 em 13% e 2027 em 11%.

O alto endividamento público exige que o Banco Central mantenha os juros altos para segurar a inflação e atrair capital, sufocando o crédito para o produtor.

Não se trata de futurologia, mas de constatação empírica. A rentabilidade foi drenada. O que sobra para o produtor é um potencial de endividamento perigoso e uma exposição de risco jamais vista.

O campo encara um horizonte onde a sobrevivência exigirá muito mais mais do que boa colheita: exigirá uma engenharia financeira implacável para não sucumbir ao custo do dinheiro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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