
O mercado brasileiro de soja seguiu travado nesta sexta-feira (19), com pouca oferta e compradores ‘tirando o pé’. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, algumas tradings até ficaram de fora diante da queda firme da soja em Chicago. “No geral, houve pouca oferta. O vendedor até cedeu um pouco nas pedidas, mas nada que animasse o mercado”, avaliou.
Ele acrescenta que os prêmios ajudaram quase nada, enquanto a Bolsa recuou de forma consistente. O plantio no Brasil começa a entrar em pauta, e encerra uma semana fraca de comercialização. “Todo mundo está de olho se a China vai ou não aparecer comprando nos EUA em outubro”, concluiu.
Os contratos futuros da soja recuaram na sessão desta sexta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado acentuou as perdas após a conversa entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping. Na avaliação dos participantes, a ausência de acordo para retomada das compras de soja americana pelos asiáticos decepcionou e pesou sobre os preços.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu a ligação com o líder chinês Xi Jinping como muito boa, acrescentando que os dois voltarão a falar por telefone. “Fizemos progresso em muitos assuntos muito importantes, incluindo Comércio, Fentanil, a necessidade de encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia e a aprovação do Acordo do TikTok”, ele escreveu.
Ele disse que os dois irão se encontrar em novembro, durante o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul. Trump também declarou que concordou em ir à China no início do próximo ano, e que o presidente Xi, da mesma forma, viria aos Estados Unidos em um momento apropriado.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 12,00 centavos de dólar, ou 1,15%, a US$ 10,25 1/2 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 10,44 3/4 por bushel, com baixa de 11,75 centavos ou 1,11%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 0,70 ou 0,24%, a US$ 284,00 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 50,62 centavos de dólar, com perda de 0,51 centavo ou 0,99%.
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,02%, sendo negociado a R$ 5,3204 para venda e a R$ 5,3184 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3165 e a máxima de R$ 5,3385. Na semana, a moeda teve desvalorização de 0,62%.

A produção nacional de leite foi recorde em 2024, com 35,7 bilhões de litros, alta de 1,4% em relação a 2023, mostrou a pesquisa Produção da Pecuária Municipal, divulgada na quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano passado, a Região Sudeste assumiu a liderança nacional, com 33,7% do total, ultrapassando a Sul, que agora responde por 33,4% do montante. Nordeste (18%), Centro-Oeste (10,7%) e Norte (4,7%) completam a lista.
No ranking estadual, os principais produtores da bebida são:
Entre os 5.482 municípios com alguma produção de leite de vaca, Castro, no Paraná, se destacou com 484,4 milhões de litros, 1,4% do total nacional. Neste ranking, a segunda posição ficou com Carambeí, município também paranaense, com 293,1 milhões de litros, o equivalente a 0,8% da produção brasileira.
Entre o estado que mais produz, o município de Patos de Minas é o melhor ranqueado, com 226,9 milhões de litros, 0,6% de participação.
“Por meio da diferença entre o total de leite produzido no país (35,7 bilhões de litros), estimado pela PPM, e a quantidade de leite cru adquirida pelos laticínios sob inspeção sanitária (25,4 bilhões de litros), obtida pela Pesquisa Trimestral do Leite, também do IBGE, é possível inferir que o volume de leite submetido à inspeção sanitária correspondeu a 71% do total nacional em 2024”, destacou o IBGE.
De acordo com a pesquisa, o efetivo de vacas ordenhadas foi de 15,1 milhões de cabeças, queda de 2,8% em relação a 2023. A produtividade média nacional ficou em 2.632 litros por vaca por ano.
O valor de produção do leite totalizou R$ 87,5 bilhões em 2024, aumento de 9,4% em relação a 2023. O preço médio estimado foi de R$ 2,45 por litro de leite no ano passado, um avanço de 7,9% ante os R$ 2,31 pagos no ano anterior.
“As importações de leite continuaram a crescer em 2024, sendo 4,6% superiores ao volume importado em 2023 (em equivalente leite). Contudo, esse aumento não foi suficiente para pressionar os preços para baixo”, observou o IBGE.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse nesta sexta-feira (19) que a negociação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) “está concluída” e que a assinatura virá assim que o debate sobre o tema no Conselho Europeu for finalizada.
“Para que haja a assinatura, é necessário que o acordo seja traduzido em todas as línguas dos países da União Europeia, seja submetido ao Conselho Europeu para discussão do conteúdo, o que está ocorrendo neste momento, e depois disso entendemos que poderá ser assinado na Cúpula do Mercosul”, disse Vieira, em entrevista coletiva à imprensa após reunião com a alta representante para Política Externa e Segurança da União Europeia, Kaja Kallas.
“A negociação está concluída e, sendo concluído o debate no Conselho Europeu, o lado europeu estará pronto para a assinatura. O Mercosul já está pronto para a assinatura”, completou o ministro. Segundo ele, após a assinatura, os temas poderão ser discutidos em cada país no processo de aprovação legislativa do acordo.
“Depois, outras questões são aprovação legislativa nos países da União Europeia e também nos países do Mercosul, aí é outra coisa, um debate que vai acontecer em cada país”, afirmou.
Questionada sobre o prazo para finalizar a discussão sobre o acordo, Kallas disse que o tema foi encaminhado ao Conselho Europeu e que é preciso aguardar o resultado. “Somos 27 democracias e há diferentes grupos, a discussão está acontecendo e esperamos que ocorra tudo bem”, disse a alta representante da União Europeia.
Vieira disse que, antes da reunião com Kallas no Itamaraty, os dois estiveram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, onde também puderam discutir vários assuntos, entre eles o acordo entre União Europeia e o Mercosul.
O ministro disse que discutiu junto de Kallas pautas como a defesa do multilateralismo, que, segundo ele, “se torna mais significativo no cenário atual” mundial. “Reiterei que a parceria do Mercosul com o bloco europeu adquire importância mais premente face às atuais ameaças ao sistema internacional de comércio”, declarou

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combateu, nesta sexta-feira (19), um incêndio em uma carreta carregada com fardos de algodão, na Avenida Brasília, no município de Campo Verde, a 139 km de Cuiabá.
A equipe da 11ª Companhia Independente Bombeiro Militar (11ª CIBM) foi acionada por volta das 16h30. Segundo o motorista, o incêndio teve início após o superaquecimento dos freios.
Os militares iniciaram o combate direto às chamas e impediram que o fogo atingisse a outra metade da carga de algodão e o próprio veículo.
Foram utilizados aproximadamente três mil litros de água até o controle completo das chamas, que foi seguido pelo trabalho de rescaldo.
Durante a ação, uma pá carregadeira da Prefeitura Municipal passava pelo local e prestou apoio, derrubando os fardos de algodão que ofereciam risco de reignição do fogo. Além disso, dois caminhões-pipa da prefeitura também auxiliaram no combate ao incêndio.

O clima volta a ganhar protagonismo nas áreas produtoras de soja do Brasil. A previsão aponta para um final de semana marcado por temporais intensos no Centro-Oeste, em Rondônia e no interior da região Sul, com rajadas de vento, risco de queda de granizo e forte risco de nuvens elétricas. O cenário exige cautela dos produtores no campo.
Por outro lado, há um alento: a expectativa é de chuvas volumosas que podem ultrapassar os 100 milímetros em regiões como o Sul do país, São Paulo, Triângulo Mineiro e norte do Paraná, principalmente entre segunda (22) e terça-feira (23). Esse volume deve ajudar a reverter o déficit hídrico acumulado e impulsionar o início do plantio da safra 2025/26.
No Centro-Oeste, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul também devem receber bons acumulados, entre 30 e 40 mm no começo da semana, chegando a 50 mm em algumas áreas até a virada de setembro para outubro. A tendência é que as chuvas persistam ao longo da primeira quinzena de outubro, consolidando as condições para o avanço do plantio.
O alívio deve alcançar ainda o Sudeste, com chuvas previstas para o norte de Minas, além do início das primeiras pancadas no interior do Matopiba.
O mercado gaúcho de milho segue com liquidez baixa e negócios limitados, segundo informações da TF Agroeconômica. “As indicações de compra estão em R$ 67,00/saca em Santa Rosa e Ijuí, R$ 68,00 em Não-Me-Toque e Seberi, R$ 69,00 em Marau e Gaurama, e R$ 70,00 em Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro. Para setembro, pedidas ficam entre R$ 68,00 e R$ 70,00/saca, enquanto no porto a referência futura para fevereiro/2026 permanece em R$ 69,00/saca”, comenta.
As negociações de milho permanecem travadas em Santa Catarina, com ampla diferença entre pedidas e ofertas. “Em Campos Novos, produtores pedem R$ 80,00/saca, enquanto as ofertas não passam de R$ 70,00. No Planalto Norte, a distância também é grande, com pedidos em R$ 75,00 contra ofertas de R$ 71,00. Esse descompasso limita os negócios e faz com que parte dos agricultores repense investimentos para o próximo ciclo”, completa.
O mercado de milho no Paraná continua com baixa liquidez, refletindo o descompasso entre as pedidas dos produtores e as ofertas da indústria. “As solicitações giram em torno de R$ 73,00/saca FOB, chegando a R$ 75,00 em algumas regiões, enquanto compradores seguem firmes em propostas abaixo de R$ 70,00 CIF, o que trava o fechamento de novos negócios. O impasse mantém o mercado spot praticamente parado”, indica.
O mercado de milho segue travado e com pouca liquidez no estado. “As cotações
variam entre R$ 47,00 e R$ 53,00/saca, com Dourados mantendo as melhores referências. Em Sidrolândia ocorreram pequenas quedas, mas no geral os preços seguem distantes do necessário para estimular novos negócios. Mesmo com ajustes pontuais, o mercado permanece refletindo o equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda”, conclui.

A pesquisa Produção da Pecuária Municipal 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o rebanho bovino brasileiro totalizou 238,2 milhões de animais em 2024, uma queda de 0,2% em relação a 2023.
Ou seja, há 12% a mais de cabeças de gado do que pessoas no país. Em 2024, a população brasileira somava 212,6 milhões de habitantes.
“Apesar dessa retração, configurou o segundo maior valor da série histórica da pesquisa, sendo superado apenas pelo recorde registrado em 2023”, apontou o IBGE.
Ainda assim, o ano de 2024 registrou um abate recorde de 39,7 milhões de cabeças. O abate de fêmeas também atingiu um pico em 2024.
“Adicionalmente, verificou-se um aumento na proporção de animais mais jovens abatidos, com destaque para as novilhas”, observou o instituto.
O avanço no abate ocorreu em um ano em que as exportações brasileiras de carne bovina in natura também alcançaram novos marcos históricos.
Além disso, o volume exportado saltou 22,8% em 2024, levando a uma alta de 26,9% no faturamento em relação ao ano anterior, conforme os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A China absorveu 52% de todo o volume in natura exportado e ampliou suas importações do Brasil em 10,6%, se mantendo como principal destino da carne bovina brasileira.
Os Estados Unidos permaneceu com a segunda posição, com um aumento de 93,8% nas aquisições de carne bovina in natura brasileira em comparação a 2023.
No ranking estadual, Mato Grosso liderou a criação de bovinos, com 13,8% do efetivo nacional, 32,9 milhões de animais.
O Pará ocupou a segunda colocação em 2024, com 25,6 milhões de animais, 10,7% do rebanho nacional, seguido por Goiás, com 23,2 milhões de bovinos, uma participação de 9,7%.
O município de São Félix do Xingu, no Pará, manteve a liderança do ranking municipal de efetivo de bovinos, com 2,52 milhões de cabeças, o equivalente a 1,1% do total brasileiro.
O segundo lugar foi de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, com 2,2 milhões de animais, 0,9% do efetivo nacional, seguido por Porto Velho, em Rondônia, com 1,79 milhão de bovinos, 0,8% do rebanho brasileiro.
*Sob supervisão de Victor Faverin

A internet já chega a 98% das propriedades rurais brasileiras, mesmo que apenas por meio do celular. Há 12 anos, esse índice era de apenas 39%. A constatação vem da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural.
O estudo mostra, também, que esse avanço na conectividade também redesenhou os canais de informação e relacionamento do produtor rural, com o WhatsApp se consolidando como a principal ferramenta de consulta para decisões de negócio, usado por 96% dos entrevistados.
O levantamento, que está em fase de finalização e será entregue em novembro, ouviu 3.100 produtores rurais em 16 estados brasileiros, abrangendo 15 culturas agrícolas e quatro rebanhos de produção.
Para compor a pesquisa, a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro aplicou 280 questões de forma presencial, o que garante a representatividade de uma fotografia nacional, considerando diferentes perfis de propriedades, pequenas, médias e grandes, e o peso equilibrado de agricultura e pecuária.
A pesquisa ainda oferece, por meio de um software exclusivo, a possibilidade de filtrar resultados por região, porte ou atividade, permitindo gerar relatórios estratégicos sob medida para cada negócio.
Alguns resultados preliminares, que foram apresentados na última quinta-feira (18) durante o 17º Congresso do Agro ABMRA, já indicam tendências que redefinem a comunicação do setor, com foco em meios acessáveis pela internet:
A ABMRA destaca que mais do que dados, a pesquisa evidencia uma virada de chave na forma como o agro se informa, decide e se conecta.
“Se a televisão aberta ainda ocupa espaço relevante, a presença quase universal da internet e o avanço dos canais digitais mostram que a comunicação com o produtor exige novas estratégias, mais segmentadas, dinâmicas e aderentes à realidade conectada do campo brasileiro”, diz a entidade, em nota.