sábado, abril 25, 2026

Autor: Redação

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o que esperar do tempo em outubro



Historicamente, outubro está entre os meses mais quentes do ano no Brasil, especialmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em Minas Gerais, por exemplo, é quando a média da temperatura máxima atinge seu maior valor. Não é raro os termômetros passarem dos 40 °C no centro-norte do país — e muitos recordes de calor já foram registrados nesse mês ao longo dos anos.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Ao mesmo tempo, outubro marca o início da estação chuvosa em boa parte do Brasil. Temporais de fim de tarde se tornam comuns no Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, enquanto o Nordeste segue com pouca chuva e muito calor, principalmente no interior.

Previsão para outubro de 2025

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), há 71% de chance de formação do fenômeno La Niña durante a primavera. O resfriamento do Pacífico Equatorial já em curso deve influenciar diretamente o clima no Brasil.

A tendência é de que as mudanças na circulação de ventos favoreçam:

  • maior frequência de frentes frias chegando ao Sudeste;
  • formação de corredores de umidade do Norte em direção ao Centro-Oeste e Sudeste;
  • aumento do risco de temporais e chuva volumosa no Sul.

O que esperar em outubro de 2025

📌 Calor extremo nos primeiros 7 a 10 dias do mês, com temperaturas em torno de 40 °C ou mais em estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais e São Paulo.
📌 Possibilidade de onda de calor no centro-norte do país.
📌 Norte do Paraná também deve registrar dias quentes no início do mês.
📌 Sul do Brasil com chuva frequente e risco de temporais, granizo e acumulados elevados.
📌 Chance de ciclone extratropical próximo à costa do Rio Grande do Sul.
📌 Mais pancadas de chuva na segunda quinzena, com possibilidade de formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
📌 Frentes frias mais fortes podem provocar quedas acentuadas de temperatura no Sul, parte do Sudeste e do Centro-Oeste.
📌 Geada tardia não está descartada nas áreas mais altas do Sul e na fronteira com o Uruguai.



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BNDES regulamenta nova linha de crédito para produtores afetados pelo clima



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) publicou nesta terça-feira (30) a Circular nº 103/2025, que cria o Programa de Liquidação de Dívidas Rurais. O objetivo é apoiar produtores rurais e cooperativas que tiveram perdas recorrentes entre 2020 e 2024 devido a secas, enchentes, geadas e outros desastres climáticos.

Os produtores do Rio Grande do Sul, no entanto, avaliam que as novas regras deveriam ter sido publicadas bem antes. O estado é um dos mais afetados pelas mudanças climáticas nos últimos anos. Para Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), é fundamental que o sistema seja ajustado rapidamente para que os produtores consigam acessar os recursos.

“O produtor precisa limpar o CPF para buscar um novo custeio e conseguir plantar a próxima safra. E a safra não espera: já estamos preparando o solo e o plantio de verão está atrasado”, alerta.

Quem pode acessar o programa

Segundo o documento do BNDES, pelo menos 40% dos recursos devem ser destinados a agricultores enquadrados no Pronaf e no Pronamp. Caso não sejam comprometidos até 31 de dezembro de 2025, os valores poderão ser realocados para outros produtores elegíveis.

Além disso, podem participar produtores rurais, associações, condomínios e cooperativas de produção agropecuária. Para isso, o município precisa ter decretado estado de emergência ou calamidade em pelo menos dois anos entre 2020 e 2024.

Também é exigida a comprovação de perdas de 20% em duas das três principais culturas. No caso do agricultor individual, serão consideradas perdas de pelo menos 30% em duas ou mais safras até junho de 2025.

Condições de financiamento

Os financiamentos terão prazo de até nove anos para pagamento, incluindo um ano de carência. Durante a carência, os juros deverão ser pagos pelo produtor. As taxas de juros variam de 2% a 6% ao ano, conforme o perfil do mutuário. Além disso, há a remuneração do BNDES, de 1% ao ano, e do agente financeiro, que pode chegar a 3% ao ano.

Os limites de crédito vão até R$ 250 mil para agricultores do Pronaf, R$ 1,5 milhão para o Pronamp, R$ 3 milhões para demais produtores, R$ 10 milhões para associações e condomínios de agricultores e R$ 50 milhões para cooperativas.

Em relação aos prazos, os pedidos de adesão podem ser protocolados até 6 de fevereiro de 2026. Já as operações precisam ser contratadas junto aos produtores até 10 de fevereiro do mesmo ano.

Próximos passos

A publicação da circular ocorre exatamente duas semanas após a edição da Medida Provisória Nº 1.316/2025, que abre crédito extraordinário de R$ 12 bilhões para Operações Oficiais de Crédito. Os bancos agora precisam adaptar seus sistemas para liberar a linha, o que deve levar pelo menos 15 dias.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a ideia é atender até 100 mil produtores em condições especiais, criando assim uma condição mais favorável para que os agricultores endividados regularizem a situação financeira.



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Em 2025, queda no Indicador do arroz é de quase 40%



Os preços do arroz em casca negociado no Rio Grande do Sul estão praticamente atravessando o ano de 2025 em queda. Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em economia Aplicada (Cepea).

Em setembro, o Indicador Cepea/IRGA-RS (produto com 58% de grãos inteiros e pagamento à vista) recuou 9,3% e, na parcial de 2025, a baixa é de quase 40%. Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão vem da ampla oferta, da demanda interna estável, do ritmo lento das exportações e da retração das cotações internacionais, que, por sua vez, estão nos menores patamares em 43 meses (de acordo com dados da FAO).

Esse cenário pressiona as margens esperadas para a próxima temporada e deve levar à redução da área destinada ao arroz no País. 

No mercado internacional, o comportamento é semelhante. Dados da FAO indicam que o índice global de preços do arroz beneficiado caiu para 101,4 pontos em agosto, 2,03% abaixo de julho e 24,33% inferior a agosto de 2024. Entre 18 países analisados, 16 registraram quedas expressivas, com destaque para Brasil, Argentina e Uruguai.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Um em cada quatro municípios do Cerrado tem menos de 20% de vegetação nativa



O Cerrado perdeu 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024 — o equivalente a 28% de sua cobertura original. O dado faz parte da Coleção 10 do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (1º), que detalha as transformações ocorridas no segundo maior bioma brasileiro ao longo de quatro décadas.

Hoje, um em cada quatro municípios do Cerrado tem menos de 20% de vegetação nativa, enquanto apenas 16% preservam mais de 80% de sua área com cobertura natural. Em 1985, esse percentual era de 37%.

No mesmo período, a região conhecida como Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e representa 30% do Cerrado, respondeu por 39% da perda líquida de vegetação nativa, equivalente a 15,7 milhões de hectares. Só nos últimos dez anos, 73% de todo o desmatamento do bioma ocorreu nessa área, hoje consolidada como a principal fronteira agrícola do país.

Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe do MapBiomas Cerrado, o processo foi acelerado pela expansão agropecuária:

“O Cerrado vem sendo transformado em ritmo acelerado nas últimas quatro décadas. Mais recentemente, o Matopiba se consolidou como a principal fronteira agrícola, concentrando grande parte da perda da vegetação nativa, restando metade da cobertura natural do bioma.”

Expansão da agropecuária

Entre 1985 e 2024, as atividades agropecuárias no Cerrado cresceram 74%. A agricultura foi o uso da terra que mais se expandiu, com alta de 533% (+22,1 milhões de hectares), puxada principalmente pela soja, que hoje ocupa quase metade (49%) da área plantada no Brasil.

As pastagens, embora em queda desde o pico de 2007, ainda ocupam 24,1% do bioma. Já a silvicultura cresceu 446% no período, enquanto culturas perenes como café e cítricos também se expandiram.

Recursos hídricos sob pressão

O levantamento mostra ainda que a superfície natural de água encolheu 28% em 40 anos, enquanto cresceu a área destinada a hidrelétricas, reservatórios e aquicultura.

Para Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM e coordenadora do MapBiomas Cerrado e Fogo, o dado reforça a necessidade de políticas que conciliem produção agrícola e conservação ambiental:

“Mais da metade do bioma está em imóveis rurais. É fundamental promover incentivos que conciliem produção, conservação e recuperação da vegetação nativa para garantir a segurança hídrica, alimentar e climática do Brasil.”

Áreas protegidas resistem

O estudo também destaca que terras indígenas (97%), áreas militares (95%) e unidades de conservação (94%) apresentam os maiores percentuais de preservação. Já áreas urbanas mantêm apenas 7% de vegetação nativa.



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Algodão tem o menor preço médio desde fevereiro de 2015



A colheita de algodão da safra 2024/25 está praticamente concluída no Brasil e o beneficiamento da pluma se aproxima dos 50% da produção. Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores do instituto destacam que esse cenário mantém elevada a disponibilidade de algodão no mercado spot nacional, levando alguns vendedores a ficar mais flexíveis nos valores pedidos.

Já compradores ativos seguem ofertando preços ainda menores. Esse contexto somado às recentes desvalorizações externas pressionam os valores domésticos do algodão em pluma. 

Levantamento do Cepea mostra que setembro foi o quarto mês consecutivo de baixa. Assim, depois de atingir em maio o maior patamar deste ano, a média da pluma vem recuando desde então, chegando, em setembro, ao menor patamar real desde fevereiro de 2015. 

Dados mostram que a média do Indicador em setembro caiu 6,6% frente à de agosto/25 e ficou 8,26% inferior à de setembro/24, sendo a também menor desde fevereiro/15 (R$ 3,5416/lp), em termos reais (IGP-DI de ago/25).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Oferta pressiona boi gordo em MT durante setembro



Imea projeta recuperação do boi gordo até fim do ano



Foto: Pixabay

Segundo análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (29), o aumento da arroba paulista ampliou o diferencial de base entre Mato Grosso e São Paulo na parcial de setembro de 2025.

Até o dia 26 de setembro, o preço da arroba do boi gordo em Mato Grosso ficou na média de R$ 295,98, recuo de 0,31% em relação a agosto. Em São Paulo, a arroba foi cotada em média a R$ 312,00, alta de 0,37% no mesmo comparativo. O relatório destaca que “esses valores representam os maiores já registrados para o período em ambas as praças”, considerando preços livres do Funrural.

Com esse movimento, o diferencial de base MT-SP atingiu -5,13% na parcial de setembro, queda de 0,66 ponto percentual em comparação com agosto. De acordo com o Imea, o cenário reflete o aumento da oferta de bovinos vencidos, que pressionou os preços do boi gordo ao longo do mês.

O instituto acrescenta que “o alongamento ou encurtamento do diferencial de base dependerá da recuperação dos preços do boi gordo, movimento que tenderá a ocorrer no final do ano”.





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Vendas de soja da Argentina à China geram atrito e podem afetar acordo de US$ 20 bi com os EUA



O presidente da Argentina, Javier Milei, visitará oficialmente os Estados Unidos no dia 14 de outubro, onde será recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca. O encontro deve consolidar um acordo de swap de US$ 20 bilhões anunciado recentemente pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

No entanto, a operação começou a gerar desconforto em Washington após a Argentina fechar contratos bilionários de venda de soja para a China, um dos principais mercados-alvo dos produtores norte-americanos. Segundo a agência Reuters, republicanos classificaram a medida como contraditória, já que os EUA oferecem apoio financeiro ao governo Milei enquanto Buenos Aires amplia o comércio com Pequim.

Na semana passada, a Associated Press registrou Bessent lendo uma mensagem atribuída à secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, que descrevia a situação como “desafortunada”. O texto criticava a decisão argentina de reduzir tarifas de exportação de grãos e aproveitar para vender soja mais barata aos chineses justamente no período em que os EUA costumam abastecer o mercado asiático.

Taxa zero

Em agosto, o governo Milei suspendeu temporariamente a cobrança do imposto de exportação de soja e derivados, medida que ampliou a competitividade do grão argentino e favoreceu a conquista de grandes contratos com a China. Inicialmente, a isenção seria válida até o fim de outubro, mas o governo decidiu antecipar o retorno da tarifa em setembro, após pressão interna sobre a perda de arrecadação.

Ainda assim, no período de vigência da suspensão, exportadores argentinos fecharam pelo menos dez carregamentos de soja para o mercado chinês, cada um com cerca de 65 mil toneladas, aproveitando a janela de isenção tributária.

Risco diplomático

A ofensiva comercial pode complicar as negociações entre Milei e Trump. Enquanto os argentinos buscam reforçar os laços financeiros com Washington, o fortalecimento das exportações para a China em um setor estratégico como a soja levanta dúvidas sobre até que ponto Buenos Aires está alinhada aos interesses norte-americanos.



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Chuvas animam cafeicultores



Chuvas em meados de setembro animaram cafeicultores brasileiros, à medida que devem favorecer o desenvolvimento da safra 2026/27. Isso é o que apuraram os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do Cepea, produtores, agora, estão à espera da abertura das flores na maioria das lavouras de arábica da região Sudeste do Brasil. Até o fim do mês, alguns agentes consultados já sinalizavam começo de floração em certos talhões. Mas uma parcela mais significativa deve florescer nestes primeiros dias de outubro.

Já nas regiões irrigadas, colaboradores do Cepea informam que as lavouras apresentam uma florada significativa, indicando bom potencial para a próxima safra. Nas áreas de sequeiro, a floração está um pouco mais atrasada. 

Diante disso, é fundamental que as chuvas persistam neste momento, o que evitaria o abortamento das flores que já abriram e garantiria o desenvolvimento da produção. 

Pesquisadores do Cepea destacam que a safra 2026/27 do Brasil é bastante aguardada como alternativa para, ao menos, melhorar os estoques globais de café, já que a temporada 2025/26 ficou abaixo das expectativas no beneficiamento dos lotes. 

Assim, qualquer possibilidade de redução do potencial da próxima safra gera grande insegurança no mercado, intensificando a atual volatilidade.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Câmara pode votar nesta quarta isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil



A Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta-feira (1º) o projeto de lei que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil a partir de 2026 (PL 1087/25).

A proposta, enviada em março deste ano pelo governo, estabelece que a isenção – que deve custar R$ 25,8 bilhões por ano – será compensada taxando mais quem ganha acima de R$ 600 mil por ano. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida atingirá 0,13% dos contribuintes, que hoje pagam, em média, apenas 2,54% de Imposto de Renda.

O relator do texto, deputado Arthur Lira (PP-AL), afirmou que há unanimidade na Câmara dos Deputados para aprovar a isenção total de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e parcial para quem recebe até R$ 7.350.

Ele disse que o desafio do texto está em encontrar equilíbrio na compensação para garantir que cerca de 16 milhões de brasileiros tenham isenção parcial ou total do imposto.

A proposta foi aprovada em julho deste ano em comissão especial criada pela Câmara dos Deputados para analisá-la. No Plenário, a proposta tramita em regime de urgência.



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avanço histórico ou vitrine política?


O presidente Lula sancionou a Lei nº 14.988/2025, que transforma o Pronaf e o Plano Safra da Agricultura Familiar em políticas de Estado. Na prática, esses instrumentos deixam de depender de decretos ou portarias, mais vulneráveis a mudanças de governo, e passam a ter um peso institucional muito maior.

O que mudou

Estabilidade legal: Pronaf e Plano Safra deixam de ser apenas políticas de governo e passam a ter continuidade garantida por lei.

Recriação do Condraf: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, extinto em gestões anteriores, volta como instância permanente de participação social e formulação de diretrizes.

Prioridade legal: o crédito rural para agricultores familiares passa a ter prioridade definida em lei, reforçando o papel do setor na segurança alimentar.

O que foi criado

Compras públicas ampliadas: o percentual mínimo do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) sobe de 30% para 45% de produtos adquiridos da agricultura familiar.

Nova prioridade no PAA: o Programa de Aquisição de Alimentos passa a atender primeiro municípios em situação de emergência ou calamidade pública.

Selo Doador de Alimentos: incentivo a empresas e entidades que destinarem alimentos para doação, fortalecendo o combate ao desperdício e à fome.

É um passo importante, pois a agricultura familiar responde por grande parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e precisa de previsibilidade para investir e planejar. Ao dar status de lei, cria-se a expectativa de continuidade e estabilidade para milhões de pequenos produtores.

Mas há um ponto essencial: a lei sem dinheiro não alimenta ninguém. O que sustenta o Pronaf e o Plano Safra não é o texto jurídico, mas sim o orçamento anual destinado a crédito, custeio e programas de apoio. Se os recursos não forem garantidos de forma consistente, a nova lei corre o risco de virar apenas vitrine política.

Outro desafio será evitar que a formalização traga rigidez. O campo exige flexibilidade: secas, pragas e oscilações de mercado não seguem calendário legislativo. Se a lei não vier acompanhada de mecanismos ágeis, o produtor pode continuar refém da burocracia.

É positivo que o Pronaf e o Plano Safra sejam elevados ao patamar de políticas de Estado. Além da importância institucional, a medida também representa uma oportunidade política: reforçar a imagem do governo junto ao público rural e mostrar compromisso com a segurança alimentar. Mas essa oportunidade só se consolidará se os resultados forem concretos no campo.

Em resumo, o verdadeiro teste será transformar esse marco no papel em benefícios reais para agricultores e consumidores. Sem orçamento robusto e gestão eficiente, a agricultura familiar pode acabar com uma lei para chamar de sua, mas sem força para mudar a vida de quem planta e colhe.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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