quinta-feira, abril 16, 2026

Autor: Redação

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Chuvas irregulares desafiam plantio de arroz e feijão no país; veja a situação por estado



O avanço do plantio de arroz e feijão segue ritmo diferente entre as regiões do país. No Sul, o excesso de umidade dificulta o uso do maquinário, enquanto em partes do Centro-Oeste e Sudeste a chuva começa a favorecer o trabalho em campo.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), enquanto o arroz tem 13,4% da área plantada, no feijão, 16,9% das lavouras já foram semeadas. O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, avalia que as condições devem melhorar nas próximas semanas, com perspectiva otimista para o restante de outubro.

Arroz

O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, tem 38% da área semeada, segundo a Conab. No centro-sul do estado, o tempo mais firme permitiu avanço das operações, enquanto nas regiões norte e centro, a umidade elevada ainda dificulta o uso do maquinário.

“Esses dias nublados reduzem a luminosidade e impactam o desenvolvimento das plantas. Além disso, o excesso de umidade favorece pragas como caramujo e fungos, exigindo atenção redobrada com o manejo fitossanitário”, explica Müller.

Em Santa Catarina, a situação é semelhante: mesmo com boas janelas de plantio, a umidade alta preocupa os produtores. Já em Mato Grosso, Tocantins e Alagoas, o plantio está em início de safra. Maranhão registra apenas 5% da área semeada, e Goiás concentra o trabalho nas áreas irrigadas.

Feijão

Em São Paulo, a semeadura já foi concluída. No Sul do país, o plantio continua, mas a chuva constante ainda atrapalha as operações. Em Minas Gerais, o retorno das precipitações nas últimas semanas tem garantido avanço na porção sul do estado.

No Paraná, há contraste entre regiões: o centro-norte sofre com calor e falta de chuva, enquanto o centro-sul tem excesso de precipitação, o que impede o uso de maquinário. “É um cenário que exige paciência do produtor, porque enquanto uns enfrentam seca, outros lidam com chuva demais”, comenta Müller.

Alertas climáticos

Entre domingo e segunda-feira, um ciclone extratropical deve provocar temporais no Sul e Sudeste, com risco de rajadas de vento acima de 100 km/h, queda de granizo e descargas elétricas. O meteorologista recomenda interromper o trabalho em campo durante esse período.

A partir de terça e quarta-feira, o tempo firma em grande parte do país, permitindo avanço nas operações. No Matopiba, as chuvas devem se regularizar apenas após 20 de outubro, com as primeiras trovoadas marcando o início efetivo do plantio nas áreas de sequeiro.

De modo geral, Müller avalia que o cenário é otimista para as duas culturas, sem risco de geadas tardias e com temperaturas mais amenas favorecendo o desenvolvimento inicial das lavouras.



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Futuros de milho fecham mistos


Os contratos futuros de milho apresentaram comportamento misto nesta quinta-feira (9), refletindo fatores distintos entre o mercado interno e o internacional. Segundo a TF Agroeconômica, a valorização do dólar frente ao real sustentou parte das cotações na B3, enquanto em Chicago o cereal recuou diante da ausência do relatório mensal de oferta e demanda (WASDE), tradicionalmente divulgado pelo USDA.

No mercado brasileiro, o milho acompanhou a alta da moeda americana e o ritmo da comercialização interna, especialmente voltada às indústrias de etanol nas regiões Centro e Norte, o que deu sustentação aos preços. Já no Sul do país, as vendas seguem lentas, com a demanda concentrada na alimentação animal. Diante desse cenário, o contrato de novembro/25 encerrou o dia em R$ 67,24, com alta de R$ 0,64 no dia e de R$ 1,53 na semana. O janeiro/26 subiu para R$ 69,43, avanço de R$ 0,64 no dia e de R$ 1,15 na semana, enquanto março/26 fechou a R$ 71,95, alta de R$ 0,43 no dia e de R$ 0,95 na semana.

Em Chicago, os futuros do cereal voltaram a cair. O contrato de dezembro recuou 0,95%, fechando a US$ 418,25 por bushel, e o de março perdeu 0,86%, a US$ 434,00. As cotações refletiram o comportamento técnico de vendas, em meio à ausência do WASDE, que costuma balizar o mercado. De acordo com o analista americano Ben Potter, o movimento de queda ocorreu exatamente no horário em que o relatório deveria ter sido divulgado, levantando questionamentos sobre o impacto da falta de dados oficiais.

No cenário global, a China manteve a estimativa de produção de milho em 296,6 milhões de toneladas, mas reduziu suas exportações projetadas de 7 para 6 milhões de toneladas. O governo chinês tem adotado políticas de incentivo à autossuficiência, flexibilizando regras internas para ampliar a produção e reduzir a dependência externa do grão.

 





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Entenda como a guerra comercial entre EUA e China pode afetar a soja do Brasil



A guerra comercial entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo na última sexta-feira (10), quando Donald Trump anunciou uma taxação de 100% sobre os produtos chineses. A medida é uma resposta às novas restrições da China sobre as chamadas terras raras, elementos essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias de carros elétricos, uma indústria dominada pelos chineses.

Essas restrições, que começam a partir de 1 de dezembro, não apenas limitam o acesso a matérias-primas estratégicas, como também simbolizam o endurecimento da postura chinesa diante do Ocidente. Mas, embora a disputa em torno das terras raras chame atenção, outro setor vem sendo central nesta guerra: a soja.

A soja como arma geopolítica

Historicamente, os Estados Unidos foram os principais fornecedores de soja para a China. No entanto, desde que começaram as disputas tarifárias entre os dois países, Pequim tem usado o grão como instrumento de retaliação comercial. Em resposta às tarifas impostas por Washington, a China reduziu drasticamente suas compras de soja norte-americana, optando por fortalecer parcerias com outros fornecedores, especialmente Brasil e Argentina.

Essa mudança estratégica vem afetando duramente os produtores rurais dos Estados Unidos. A pressão do setor agrícola sobre o governo americano é crescente. Recentemente, a American Farm Bureau Federation (AFBF), uma das entidades mais influentes do agronegócio americano, divulgou um artigo alertando para o impacto direto das tensões com a China sobre a agricultura do país.

“Durante décadas, a China esteve no centro da exportação agrícola americana, sendo a maior compradora de soja dos EUA. A quebra dessa relação representa uma ameaça direta à sobrevivência financeira dos nossos produtores”, afirmou a AFBF.

De fato, os números mostram um colapso preocupante nas exportações. De janeiro a agosto de 2025, os EUA exportaram apenas 218 milhões de bushels de soja para a China — uma queda brutal em relação aos 985 milhões no mesmo período de 2024. Durante os meses de junho, julho e agosto, os embarques praticamente zeraram, e até agora, a China não comprou nada da nova safra norte-americana para o próximo ano comercial.

Impactos para o Brasil: oportunidade e risco

Neste cenário, o Brasil emerge como um dos principais beneficiários, pelo menos no curto prazo. Com a China redirecionando suas compras, os produtores brasileiros viram a demanda pelo grão aumentar significativamente nos últimos anos, fortalecendo a balança comercial do país e ampliando os investimentos no agronegócio.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, a China já representa mais de 70% das exportações brasileiras de soja, com volumes recordes registrados entre 2023 e 2025. A substituição da soja americana pela brasileira consolidou o Brasil como o maior exportador mundial do grão.

No entanto, essa dependência também traz riscos. A instabilidade gerada pelas idas e vindas da guerra comercial pode afetar os preços internacionais da soja, causar oscilações cambiais e provocar incertezas nos contratos futuros. Além disso, uma eventual reaproximação entre Washington e Pequim poderia mudar novamente o cenário, diminuindo a vantagem momentânea do Brasil.

A estratégia da China

A China tem atuado com estratégia clara e objetiva: utilizar produtos-chave como a soja e as terras raras como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos. A dependência americana desses insumos torna-os instrumentos poderosos de pressão econômica. Ao privilegiar fornecedores alternativos, como o Brasil no caso da soja, a China enfraquece o setor agrícola americano, setor esse com grande peso político, especialmente em estados tradicionalmente republicanos.

Essa abordagem mostra como a guerra comercial não é apenas uma disputa de tarifas, mas uma batalha geopolítica por influência, acesso a recursos estratégicos e controle de cadeias produtivas globais.

Um histórico de confrontos

Não é a primeira vez que Trump recorre a tarifas como arma. Durante seu primeiro mandato (2017–2021), ele impôs uma série de sanções à China, alegando práticas comerciais desleais, roubo de propriedade intelectual e desequilíbrio na balança comercial. A retaliação chinesa foi imediata, e a soja sempre esteve no centro desse embate.

Embora o governo Biden tenha adotado uma abordagem mais diplomática, muitos desses embargos foram mantidos e agora com Trump a tensão escala novamente.

Instabilidade global

A disputa entre as duas maiores potências econômicas do planeta tem efeitos que extrapolam seus próprios mercados. A instabilidade causada pela guerra comercial afeta cadeias globais de produção, desorganiza fluxos logísticos e traz insegurança para investidores. No caso da soja, o impacto se estende a países como o Brasil, que vivem o paradoxo de ganhar mercado, mas sob um contexto de extrema incerteza.



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Maior cafezal urbano do mundo perfuma o ar de capital brasileira



O maior cafezal urbano do mundo, manejado pelo Instituto Biológico (IB-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, fica na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, e está novamente coberto por flores brancas e perfumadas. A segunda florada do ano começou na última semana e está marcando um período essencial para o desenvolvimento dos grãos que serão colhidos em maio do ano que vem.

De acordo com a pesquisadora Harumi Hojo, responsável pelo cafezal, “a importância da florada está diretamente ligada ao potencial de produção do café. A quantidade e a qualidade das flores nos dão uma perspectiva sobre como será a colheita”. O fenômeno, que normalmente ocorre entre setembro e novembro, dura poucos dias e transforma o espaço em um espetáculo natural de perfume doce e intenso.

Além da beleza, a florada é um lembrete da importância dos polinizadores. Abelhas e marimbondos, ao buscarem néctar, transportam grãos de pólen de uma flor para outra, promovendo a fertilização. “Esses insetos contribuem não apenas para a qualidade e quantidade dos grãos, mas também para a biodiversidade local”, explica Harumi. “Eles são fundamentais para a polinização cruzada e até mesmo para a autopolinização, fortalecendo a robustez genética do cafezal.”

Durante a florada, o Instituto também realiza pesquisas para identificar quais espécies de polinizadores atuam no cafezal e de que forma contribuem para a produção. Segundo Harumi Hojo, abelhas nativas têm papel fundamental nesse processo, pois ajudam a uniformizar o tamanho dos frutos e aumentar seu teor de doçura. Para isso, os pesquisadores utilizam redes entomológicas e armadilhas coloridas – em tons de branco, amarelo e azul – com uma solução de água e sabão que atrai os insetos sem causar impacto significativo ao ambiente.

O Instituto Biológico mantém cerca de 2.200 pés de café em uma área de 10 mil m², abrigando seis variedades, entre elas o bourbon amarelo, mundo novo e catuaí. Criado na década de 1950 para pesquisas sobre doenças e pragas em cafezais, o espaço hoje é também um ponto turístico, educativo e cultural.

Anualmente, o IB realiza o evento Sabor da Colheita, que já soma mais de 17 edições e celebra o ciclo do café, aproximando o público urbano das origens do grão. As visitas ao cafezal são gratuitas e devem ser agendadas via formulário disponível no Instagram @cafezalurbanoib.

*Com informações da Agência de Notícias do Governo de São Paulo



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Sistema completa 15 anos de transparência no mercado do algodão



Nesta semana, em que se comemora o Dia do Algodão, o setor celebra também os 15 anos do Sistema de Informações de Negócios com Algodão em Pluma (SINAP). Mantido pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), o sistema se consolidou como uma das principais ferramentas de transparência e cooperação do agronegócio brasileiro.

A plataforma, que reúne dados estratégicos sobre a comercialização da fibra, permite que produtores, corretoras e indústrias acompanhem em tempo real o desempenho do mercado. Segundo Cesar Henrique Bernardes Costa, diretor-geral da BBM, o sucesso do SINAP está diretamente ligado à união entre as entidades do setor.

“A parceria entre as principais entidades do algodão garantiu credibilidade e informações em tempo real”, afirma. Ao longo de 15 anos, o sistema se manteve como exemplo de sucesso e colaboração, com destaque para o papel das corretoras associadas à BBM, responsáveis por registrar os negócios e alimentar a base de dados.

Transparência e segurança nas operações

O SINAP é abastecido diariamente por corretoras de algodão e garante segurança jurídica por meio da digitalização dos contratos, uso de assinaturas eletrônicas e atuação da Câmara Arbitral da BBM. De outubro de 2010 a setembro de 2025, o SINAP registrou quase 50 mil contratos de compra e venda de algodão, somando cerca de 20 milhões de toneladas.

“O sistema consolida e divulga dados de negócios, promovendo transparência e confiança entre os agentes do mercado”, destaca Costa. Além disso, a base de usuários inclui mais de 2 mil agentes cadastrados, entre produtores, cooperativas, indústrias, exportadores e corretoras de mercadorias.

Exemplo de cooperação no agronegócio

Além de ser referência em comercialização, o SINAP se tornou um modelo de integração setorial. “O sistema mostra como a cooperação entre entidades gera eficiência e competitividade, é um verdadeiro termômetro do mercado”, avalia o diretor-geral da BBM.

Para Costa, neste sentido, o modelo pode inspirar outros segmentos do agronegócio a desenvolverem ferramentas próprias de inteligência de mercado.

Próximos passos: expansão e digitalização

De olho no futuro, a Bolsa Brasileira de Mercadorias pretende expandir o modelo do SINAP. Costa explica que a meta é levar a experiência, que hoje é consolidada no algodão, para seus subprodutos e outras commodities, como soja, milho e arroz, além do café, mercado em que a BBM já atua.

“Com o novo sistema SINAG, criado para atender outros produtos — totalmente eletrônico e certificado —, estamos preparados para um ambiente digital cada vez mais integrado, ágil e global”, conclui.



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Grande oferta de trigo pressiona preços no Sul do país


A ampla disponibilidade de trigo no mercado gaúcho tem pressionado as cotações do cereal nesta semana. Segundo informações da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul enfrenta forte desequilíbrio entre oferta e demanda, com mais de 2,5 milhões de toneladas ainda disponíveis, o que explica a contínua queda dos preços pagos aos produtores.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, as lavouras gaúchas seguem em boas condições, com 58% das áreas em enchimento de grãos e 18% em maturação fisiológica. O potencial produtivo é considerado elevado, podendo superar 3.900 kg/ha nas áreas de maior tecnificação. Entretanto, o excesso de chuvas e as geadas durante o perfilhamento afetaram parte dos cultivos, reduzindo o número de espigas por metro quadrado em algumas regiões. A colheita ainda é incipiente, alcançando menos de 1% da área total cultivada.

No mercado, cerca de 140 mil toneladas da nova safra já foram comercializadas, sendo 90 mil destinadas à exportação — número bem abaixo da média histórica de 350 mil toneladas para este período. Com moinhos locais e de outros estados pouco ativos, produtores têm recorrido ao porto de Rio Grande, onde negócios ocorrem a R$ 1.160,00 sobre rodas, equivalendo a cerca de R$ 1.000,00 no interior. Os preços “de pedra” seguem em queda, variando entre R$ 61,00 e R$ 64,00 por saca nas principais praças do estado.

Em Santa Catarina, a colheita começa lentamente, mas ainda sem volume significativo de vendas. Os preços caíram para R$ 62,00–72,25 por saca, enquanto os moinhos seguem abastecendo-se com trigo de outras regiões. Já no Paraná, com mais de 60% da área colhida, a demanda começa a reagir, elevando levemente os preços — entre R$ 1.220,00 e R$ 1.280,00 a tonelada, conforme o Cepea. O cenário reforça a tendência de curto prazo: o excesso de oferta no Sul mantém pressão sobre os preços internos, mesmo diante de boas perspectivas de produtividade.

 





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entenda por que as queimadas controladas ajudam o Cerrado a sobreviver



Geralmente a ocorrência de fogo em ambientes naturais está associada a imagens negativas, como amplas extensões de florestas queimando ou animais carbonizados. Mas, nas savanas, o caso é outro e o uso controlado das chamas é reconhecido pelos estudiosos como uma importante ferramenta para a preservação. No Brasil, o Cerrado é um exemplo de bioma que, ao longo das décadas, tem sofrido com a supressão do regime natural do fogo.

O Cerrado está distribuído em todas as regiões do país e ocupa nada menos que 25% do território nacional. O decréscimo no número de queimadas, nos últimos anos, resultou em um adensamento da vegetação, na forma de um aumento do número de árvores na paisagem. Pouco a pouco, essa nova vegetação toma o espaço anteriormente ocupado por gramíneas e arbustos.

A sombra projetada por essas árvores sobre áreas onde, até então, havia grande incidência de luz solar, vem ocasionando o desaparecimento de espécies típicas do Cerrado. Algumas dessas espécies só conseguem sobreviver às alterações na insolação porque experimentam uma mudança na quantidade de folhas que possuem, o que lhes permite tentar aproveitar, ao máximo possível, os raios solares que chegam até lá.

Esses foram alguns dos resultados observados por uma equipe de pesquisadores que, há dez anos, estuda o processo de adensamento de árvores no Cerrado. A equipe inclui os docentes da Unesp Davi R. Rossatto, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, câmpus de Jaboticabal, e Rosana M. Kolb, da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Assis.

A pesquisa teve início em 2014, com o projeto “Diversidade de estratégias ecofisiológicas em comunidades herbáceas de cerrado sensu stricto: um estudo de caso envolvendo distintas condições ambientais”, financiado pela Fapesp, que teve Rossatto como pesquisador responsável. Desde então, o grupo empenha esforços em pesquisas de campo e de laboratório para compreender de que forma as políticas de fogo zero estão afetando o Cerrado.

Segundo Kolb, o adensamento de árvores em áreas abertas do Cerrado tem dois desdobramentos principais: o primeiro é a redução da entrada de luz, que é essencial para o desenvolvimento de plantas herbáceas e gramíneas típicas do bioma. O segundo é o acúmulo de serrapilheira, que dificulta tanto o depósito de sementes na superfície do solo quanto o crescimento de plântulas após a germinação. “Embora esses efeitos já sejam conhecidos individualmente, ainda não havia sido feita uma análise conjunta dessas duas alterações ambientais principais: a redução de luz e o aumento do acúmulo de serrapilheira”, diz Rossatto.

Em um estudo recente, o grupo simulou as condições de sombreamento e serrapilheira de locais adensados para investigar se as plantas de locais abertos conseguem sobreviver a essas novas condições. Os pesquisadores constataram que, após passarem dois anos e meio expostas ao novo ambiente adensado, as plantas desenvolveram folhas maiores, mais finas e com maior concentração de pigmentos, todas características presentes em espécies que crescem sob limitação de luz.

O fogo nem sempre é inimigo

Inicialmente, as queimadas surgiam apenas de circunstâncias naturais, como quedas de raios na vegetação, no início da estação chuvosa. As labaredas queimavam a matéria orgânica acumulada no ambiente, na forma, por exemplo, de folhas e galhos caídos, o que impedia o acúmulo desses materiais, que poderiam servir como alimentos para incêndios de grandes proporções, além de abrir espaço para o rebrote da vegetação nativa.

Os povos indígenas que se estabeleceram no Cerrado brasileiro, e, depois deles, as comunidades tradicionais, entenderam os processos ecológicos associados ao fogo no bioma. O resultado foi a adoção do procedimento de queimadas controladas com diferentes objetivos. Entre eles, a limpeza da vegetação em uma área para fins de agricultura ou outros, e o estímulo ao rebrote e à frutificação de espécies vegetais. Ao longo do tempo, essa interferência contribuiu para moldar a paisagem e a biodiversidade do bioma, tais como as conhecemos hoje.

É importante destacar que as queimadas têm um caráter diferente dos incêndios. As primeiras ocorrem em um contexto planejado e controlado, proporcionando benefícios para o bioma e as pessoas que lá residem. Por outro lado, os incêndios acontecem de forma indiscriminada, muitas vezes com a intenção de conversão de terra para a agropecuária.

Folhas maiores não são suficientes

Para mensurar as consequências de décadas de supressão de fogo, os pesquisadores elaboraram um experimento em campo, na Estação Ecológica de Assis, que simula as condições do adensamento de árvores. Para isso, o primeiro passo foi determinar o nível de sombreamento e a quantidade de serrapilheira acumulada no solo em locais com grande presença de árvores.

Como resultado, os pesquisadores encontraram parcelas em que parte da comunidade vegetal havia desaparecido, por não ser capaz de persistir sob as novas condições. Aquelas que sobreviveram apresentavam diferenças anatômicas e, como eles descobriram após os levantamentos em campo e os testes de laboratório, fisiológicas também.

“Observamos que, ao analisar as características funcionais, como a capacidade fotossintética, o fator mais importante é o sombreamento. É a ausência de luz que vai filtrar as características da comunidade”, diz Pedro Firme da Cruz Júnior, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal Interunidades. A análise das respostas das plantas às alterações do ambiente foi resultado do mestrado de Pedro, realizado sob a orientação de Kolb.

Cruz Júnior explica que o grupo escolheu trabalhar com as folhas porque elas são o órgão da planta que apresenta mais plasticidade, ou seja, adaptam-se mais rapidamente às diferentes condições a que são expostas. “A planta consegue perceber algumas mudanças ambientais e expressar isso através da anatomia das folhas, por exemplo. Esse é um importante registro das mudanças que a planta experimentou”, diz o doutorando.

 *Com informações da reportagem de Malena Stariolo, publicada no Jornal da Unesp

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.



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Milho segue com pouca movimentação


O milho gaúcho segue com pouca movimentação e negócios quase paralisados, segundo informações da TF Agroeconômica. “O abastecimento interno continua dependente de grãos de outros estados e do Paraguai, enquanto a oferta local é voltada a pequenos consumidores, como granjas e produtores domésticos. As indicações de compra permanecem estáveis, entre R$ 67,00 e R$ 70,00/saca conforme a região, enquanto vendedores pedem de R$ 70,00 a R$ 72,00/saca no interior para setembro. No porto, o preço futuro está em R$ 69,00/saca para fevereiro/26”, comenta.

Semeadura em bom ritmo em Santa Catarina, mas falta de acordo trava o mercado. “Produtores mantêm solicitações próximas de R$ 80,00/saca, enquanto as indústrias oferecem no máximo R$ 70,00/saca. No Planalto Norte, as negociações giram entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem avanço nas tratativas. A falta de consenso entre as partes mantém o mercado praticamente parado”, completa.

O mercado de milho no Paraná segue sem reação, com negócios lentos e compradores resistentes em elevar as ofertas. “As pedidas dos produtores chegam a R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias não passam de R$ 70,00 CIF, o que mantém o impasse e reduz a liquidez. Mesmo com boa disponibilidade de grãos, o mercado spot segue praticamente parado”, indica.

O mercado de milho em Mato Grosso do Sul segue com baixa liquidez e poucas negociações. “As cotações oscilam entre R$ 48,00 e R$ 53,00/saca, com Dourados no topo. Apesar de alguns ajustes pontuais, o cenário segue estável e travado, com produtores relutando em vender a preços menores e compradores atuando com cautela”, conclui.

 





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O que mais pode fortalecer o pequeno produtor?


Na interatividade da semana, perguntamos: O que mais pode fortalecer o pequeno produtor nos próximos anos? O resultado revelou um retrato claro do pequeno produtor brasileiro. Com 46% dos votos, a capacitação e assistência técnica aparecem como o principal caminho para o fortalecimento do campo, sinal de que o produtor quer aprender, inovar e gerir melhor sua atividade.

Enquete feita no Youtube do Canal Rural

O cooperativismo e o associativismo (31%) vêm logo atrás, reforçando a necessidade de união, escala e força coletiva para negociar e acessar crédito. Já o acesso a novos mercados (23%) surge como uma etapa posterior, dependente da estrutura e do preparo técnico.

De acordo com Miguel Daoud, analista do Canal Rural, “a leitura é simples: o produtor não pede ajuda, pede conhecimento.” Essa mudança cultural, segundo ele, indica maturidade e visão de futuro.

“Fortalecer o pequeno produtor agora significa ensinar gestão, planejar e conectar tecnologia à prática. Temos aí o resultado que mostra que o programa Porteira Aberta Empreender está com o seu conteúdo correto. A prioridade não é o subsídio, é a formação contínua.”

A fala do Daoud reforça o papel estratégico da educação e da assistência técnica no desenvolvimento rural sustentável. Com produtores cada vez mais abertos à inovação, a profissionalização do campo se torna essencial para garantir competitividade e permanência das famílias no meio rural.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

“O campo que aprende, cresce. O campo que se organiza, prospera.”



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Petrobras anuncia R$ 2,6 bilhões para indústria naval na Bahia


A retomada de investimentos da Petrobras na indústria naval na Bahia prevê a construção de seis embarcações de apoio marítimo offshore nos próximos anos, que serão fabricadas no estaleiro Enseada, em Maragogipe, município do Recôncavo Baiano, a cerca de 130 quilômetros de Salvador.

Os detalhes foram anunciados nesta quinta-feira (9), em evento na região que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Jerônimo Rodrigues, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, além de ministros e centenas de trabalhadores do estaleiro.

“Estou aqui para recuperar a indústria naval brasileira, mas os caras que deixaram um estaleiro dessa magnitude parado deveriam ser presos por causarem prejuízos à população brasileira”, afirmou Lula durante o anúncio do investimento bilionária para retomar o projeto.

Pela manhã, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, Lula participou da inauguração da nova fábrica de veículos elétricos e híbridos da chinesa BYD, na antiga fábrica da Ford, fechada em 2021.

As seis embarcações são do tipo ORSV (Oil Spill Response Vessel, em inglês), especializadas em atividades de controle de vazamentos em alto-mar, e serão construídas pela empresa navegação CMM Offshore Brasil, para depois serem repassadas para uso da Petrobras.

O investimento total é estimado em R$ 2,58 bilhões, com previsão de quatro anos para construção e 12 anos de operação para cada contrato. Apenas nessa construção, mais de 5,4 mil empregos, entre diretos e indiretos, serão gerados. Os contratos também exigem 40% de conteúdo local nos componentes usados na fabricação dos barcos.

“Só para lembrar vocês, nós ficamos 8 anos sem que a Petrobras fizesse uma única demanda à indústria naval brasileira. O que nós estamos retomando, portanto, não tem preço”, destacou Magda Chambriard.

Segundo a presidente da Petrobras, a companhia já avançou na contratação de 44 de 48 embarcações planejadas para fabricação no Brasil, em diferentes estaleiros do país. Os barcos, segundo ela, têm porte médio a grande, acima de 1 mil metros quadrados de área livre. De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia (MME), a renovação da frota naval no Brasil deve gerar 44 mil empregos e R$ 23 bilhões em investimentos.

De acordo com a estatal, as embarcações que serão construídas na Bahia serão equipadas com um sistema de propulsão híbrida, que combina motores elétricos e baterias com geradores movidos a diesel e biodiesel, além da possibilidade de conversão futura para etanol, capazes de reduzir em até 25% de emissões de dióxido de carbônico (CO2), o principal gás causador do efeito estufa.

Durante o evento, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou investimento de R$ 611,7 milhões para a construção de 80 embarcações destinadas à expansão das atividades no setor naval e aquaviário. Desse total, R$ 550,5 milhões serão recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

O financiamento, de acordo com a pasta, tem potencial de gerar mais de 2 mil empregos diretos. Até o momento, foram construídas quatro embarcações e outras três estão em fabricação.

O Fundo da Marinha Mercante, mantido pelo governo federal, financia a renovação da frota e a reparação de embarcações.

“Aqui, no Estaleiro Enseada, renascem quase 7 mil empregos diretos de qualidade. Salários dignos para melhorar a vida das famílias. Mais de 90% dos postos de trabalho estão sendo ocupados por gente daqui, do Recôncavo Baiano. Mão de obra local, benefício local”, celebrou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

A Petrobras também anunciou a retomada e operação das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe (Fafen-BA e Fafen-SE), cujas atividades devem começar em janeiro. As plantas vão produzir amônia, ureia perolada e ARLA-32, utilizando contrato que ainda inclui a operação dos Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, em Candeias, na Bahia.

Na Fafen Bahia, o investimento previsto para a retomada da unidade é R$ 38 milhões e a estimativa é de que sejam gerados 750 empregos diretos. Os mesmos valores de investimento e empregos estão previstos para a planta sergipana.

As duas fábricas, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A (ANSA), outra fábrica nacional de fertilizantes da Petrobras, instalada no Paraná, responderão por 20% de toda a produção de fertilizantes consumida pelo setor agrícola brasileiro. Uma nova fábrica em construção no Mato Grosso deve elevar a produção nacional para 35% de toda a demanda nos próximos anos, assegurou a presidente da Petrobras. 

Ainda na Bahia, o governo estadual e a Petrobras assinaram um protocolo de intenções para que a estatal possa utilizar o canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu (BA) para o acostamento de plataformas de petróleo. No local, essas plataformas serão descomissionadas parcialmente e, no futuro, poderão ser reconstruídas no mesmo local, gerando novos empregos.

O protocolo também prevê a disponibilização de parte do canteiro para que estado da Bahia utilize a área como apoio à construção da Ponte Salvador-Itaparica.





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