quinta-feira, maio 14, 2026

Autor: Redação

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Preço da arroba do boi gordo é pressionado por tarifas; veja cotações



O mercado físico do boi gordo voltou a ter preços mais baixos nesta terça-feira (15). No decorrer da semana, o ambiente de negócios ainda sugere por novas retrações.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o mercado ainda convive com os impactos causados pelo adicional tarifário de 50% imposto pelos Estados Unidos para todos os produtos brasileiros.

“A produção de carne destinada ao mercado norte-americano foi interrompida em determinados estados, a exemplo de Mato Grosso do Sul e Goiás. Os frigoríficos ainda desfrutam de escalas de abate confortáveis, posicionadas entre oito e nove dias úteis na média nacional.”

Preços médios da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 300,42 — ontem: R$ 302
  • Goiás: R$ 280,54 — R$ 283,04
  • Minas Gerais: R$ 276,65 — R$ 288,53
  • Mato Grosso do Sul: R$ 298,98 — R$ 305,23
  • Mato Grosso: R$ 300,14 — R$ 302,84

Mercado atacadista

O mercado atacadista do boi ainda se depara com manutenção do padrão dos negócios no decorrer da terça-feira. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios volta a sugerir pela retração dos preços, considerando um período de menor apelo ao consumo (segunda quinzena do mês).

Além disso, a carne de frango ainda dispõe de maior competitividade na comparação com as demais proteínas de origem animal.

O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 22,50 por quilo; o dianteiro segue cotado a R$ 18,75 por quilo e a ponta de agulha permanece precificada a R$ 18,50 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,48%, sendo negociado a R$ 5,5586 para venda e a R$ 5,5566 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5345 e a máxima de R$ 5,6045.



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Custo da alimentação do boi confinado cai em Goiás e São Paulo


Os pecuaristas que trabalham com boi confinado tiveram um leve alívio nos custos em junho. Segundo a edição mais recente do ICBC (Índice de Custo de Produção de Bovinos Confinados), elaborada pela FMVZ-USP, houve uma queda expressiva nos custos da diária-boi (CDB) em todos os sistemas analisados, com destaque para Goiás. Assista ao vídeo abaixo e confira detalhadamente como se comportaram os custos do boi confinado.

Em solo goiano, o custo caiu de R$ 18,55 para R$ 17,26 por cabeça/dia, uma redução de 7%. Já nos sistemas paulistas, as quedas do ICBC foram mais modestas: -1,0% no CSPm e -1,5% no CSPg.

Mesmo com esse alívio, o cenário ainda é desafiador: as propriedades seguem no vermelho, com prejuízos entre R$ 17,77 e R$ 22,45 por arroba vendida.

Queda nos insumos impulsiona redução de custos

Foto: Reprodução

A principal razão para a redução da CDB foi a forte queda nos preços dos insumos nutricionais, que representam mais de 80% do custo total no confinamento.

Em São Paulo, os destaques foram:

  • Sorgo: -13,2%
  • Milho: -7,8%
  • Polpa cítrica: -12,3%

Já em Goiás, a redução foi ainda mais intensa:

  • Sorgo: -31,7%
  • Milho: -19,0%
  • Farelo de soja 45%: -9,4%
  • Torta de algodão: -10,3%

Com isso, o custo nutricional diário variou entre R$ 14,43 (CGO) e R$ 16,80 (CSPg).

Preço da arroba abaixo do custo compromete rentabilidade

Bovinos de corte em confinamento. Foto: Reprodução
Bovinos de corte em confinamento. Foto: Reprodução

Mesmo com a melhora nos custos, a arroba continua sendo vendida abaixo do custo de produção. Em junho, os valores médios ficaram em:

  • R$ 310,66 por arroba (CSPm)
  • R$ 290,60 (CSPg)
  • R$ 276,80 (CGO)

Isso explica os prejuízos, reforçando a necessidade de ajustes no planejamento financeiro da produção de boi confinado.

Goiás mostra maior flexibilidade no manejo

Bovinos se alimentando com DDG no cocho. Foto: Divulgação
Bovinos se alimentando com DDG no cocho. Foto: Divulgação

Entre os três sistemas, Goiás (CGO) se destacou pela maior queda nos custos totais, mostrando uma gestão mais ágil e adaptável às variações do mercado.

O custo da arroba no estado caiu 7%, resultado melhor que os sistemas paulistas. A composição da CDB mostra que o custo operacional varia entre 15,2% e 19,2%, reforçando a importância do controle técnico.

Selic alta pressiona o custo de oportunidade

Mesmo com o recuo nos insumos, o custo financeiro segue alto. Com a taxa Selic a 15%, o capital de giro, o valor da terra e os investimentos em estrutura pesam no bolso do confinador.

Isso exige uma atenção ainda maior ao planejamento econômico, principalmente para quem possui ativos imobilizados.

Gestão é o caminho para escapar do prejuízo

Bovinos com sangue Angus em confinamento na Agropecuária Maragogipe. Foto: Reprodução/Agropecuária Maragogipe
Bovinos com sangue Angus em confinamento na Agropecuária Maragogipe. Foto: Reprodução/Agropecuária Maragogipe

A principal mensagem do ICBC é clara: gestão faz a diferença. Quem monitora os custos com frequência, entende o mercado e age com estratégia tem mais chance de preservar a margem e garantir lucroClique aqui e acesse o relatório completo.

Para isso, a FMVZ-USP disponibiliza gratuitamente planilhas e metodologia completa para que cada produtor possa calcular os custos do seu sistema de forma personalizada.



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Frigoríficos de Goiás iniciam paralização de embarques de carne para os EUA



Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial de Goiás quando o assunto é exportação de carne bovina, sendo destino de 25% dos embarques, índice que posiciona o país atrás apenas da China.

Em nota, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do estado (Seapa) informa que, por conta da taxa de 50% imposta pelo governo estadunidense sobre os produtos agropecuários brasileiros, alguns frigoríficos goianos já iniciaram a paralisação de exportação da proteína animal ao mercado norte-americano.

Para o órgão, a medida do governo Donald Trump impacta diretamente não só aqueles que já exportam carne para o país, como também os que não o fazem, tendo em vista que gera uma maior oferta para outros mercados, bem como para o mercado interno. “Isso influencia diretamente no preço, até que se alcance um equilíbrio.”

“Além dos impactos no que se refere à exportação de proteína animal, a maior parte da produção de grãos é destinada à alimentação animal. Desta forma, a taxação também pode ter um impacto significativo nesse cenário”, alerta o texto.

A nota da Seapa também informa que o governo de Goiás tem trabalhado para ampliar as relações internacionais, a exemplo do que foi feito na Missão ao Japão, que está em curso, além da interlocução junto a outros países para que medidas como a anunciada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump não tenham impactos tão expressivos no mercado interno.



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agro expõe prejuízos com taxa dos EUA, mas pede que ainda não haja retaliação



Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta terça-feira (15), porta-vozes de entidades representativas do agronegócio reforçaram a necessidade de o Brasil agir de forma diplomática para suspender ou adiar as tarifas de exportação de 50% anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que passam a vigorar em 1 de agosto.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou em coletiva de imprensa após o encontro que os frigoríficos brasileiros estão parando de produzir carne destinada aos norte-americanos, visto que os embarques do setor ao país já são taxados em 36% e uma sobretaxa de 50% tornaria as negociações entre os dois países inviável.

“Cerca de 30 mil toneladas de carne brasileira já estão no porto ou já nas águas em direção aos Estados Unidos, o que representa um total de 150 milhões de dólares a caminho dos Estados Unidos. Estamos negociando com os importadores de lá. Nossa sugestão inicial é de possível prorrogação da taxação porque existem contratos em andamento e não dá tempo de desfazê-los até o dia 1 de agosto [data em que a tarifa começa a valer].”

Perosa ressaltou que a produção de carne nos EUA se encontra, atualmente, em seu menor estágio nos últimos 80 anos e a proteína brasileira complementa esse “vácuo”, sendo que o produto nacional, notadamente recortes do dianteiro do boi, é utilizado para a fabricação de hambúrguer, produto enraizado na cultura norte-americana.

Impactos no café da manhã dos EUA

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcio Ferreira, também presente na coletiva, destacou que o Brasil exportou 8,2 milhões de sacas do produto aos Estados Unidos em 2024.

“O Brasil fornece 33% de todo o café consumido em solo norte-americano. O café brasileiro, tanto arábica quanto robusta, é o mais competitivo e possui as características de sabor que o público dos Estados Unidos já está acostumado, que aprova.”

Ems eguida, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, forneceu números que mostram a importância dos Estados Unidos ao setor: 40% das exportações de suco de laranja brasileiro têm o mercado norte-americano como destino. Em termos de receita, esse volume representa cerca de US$ 1,3 bilhões.

“Setenta por cento do suco consumido nos Estados Unidos vem do Brasil. […] Ainda temos tempo para negociar, mas o setor está muito preocupado. A safra está no começo, iniciou em junho e vai até janeiro de 2026. Temos uma safra inteira para ser colhida sem saber se o nosso maior mercado estará disponível ou não porque a tarifa de 50% associada aos 415 dólares por tonelada que o setor já paga, inclusive mais do que os seus principais concorrentes, certamente inviabiliza [negócios entre os dois países].”

Por fim, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e (Abrafrutas), Guilherme Coelho, informou um problema mais pontual: a exportação de manga aos EUA.

“O Vale do São Francisco, que produz 90% de toda a manga do Brasil, está em pânico porque não sabemos o que fazer. Essa safra significa 2,5 mil contêineres de manga para os Estados Unidos. Foi uma safra planejada há seis meses, como todo ano fazemos. […] isso engloba os pequenos, médios e grandes produtores de manga. […] não podemos pegar essa manga e desaguar na Europa porque o preço vai desabar, não tem logística para isso. Não podemos também colocar essa manga no Brasil porque vai colapsar o mercado.”



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Brasil pode contestar tarifa dos EUA na OMC, diz especialista



Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. A decisão foi justificada pelo presidente Donald Trump com base em razões comerciais e políticas, citando, entre outros pontos, um suposto déficit com o Brasil e o cenário político interno, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

A medida preocupa especialmente o setor do agronegócio, que representa cerca de 30% das exportações brasileiras para os EUA. Itens como carne bovina, café e suco de laranja estão entre os mais afetados, com projeção de perda de até 75% de competitividade frente a concorrentes internacionais. Segundo estimativas, os impactos econômicos podem levar a uma retração de 0,41% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a uma queda de US$ 13 bilhões no consumo interno.

Especialista aponta violações

Além dos efeitos econômicos, a decisão também traz implicações jurídicas. De acordo com o pesquisador da FGV Agro Leonardo Munhoz, colunista do quadro Será que é Legal, no Programa Planeta Campo, a medida adotada pelos Estados Unidos viola regras básicas da Organização Mundial do Comércio (OMC), como os princípios de liberdade econômica, além de recorrer a uma justificativa de segurança nacional que carece de fundamentos legais dentro do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).

“Já existem precedentes da OMC condenando medidas semelhantes tomadas pelo próprio Trump durante seu primeiro mandato, exatamente pela ausência de justificativas objetivas previstas nas normas da organização”, afirma Munhoz.

No plano doméstico, a legalidade da tarifa nos Estados Unidos também enfrenta questionamentos. A medida foi baseada na chamada IEEPA (International Emergency Economic Powers Act), uma lei que confere ao presidente poderes econômicos em casos de emergência internacional. No entanto, a Corte de Comércio Internacional dos EUA já considerou ilegais tarifas semelhantes adotadas anteriormente, por extrapolarem os limites dessa legislação.

Em maio deste ano, no caso VOS Selections vs. United States, o tribunal entendeu que não havia ameaça real que justificasse a declaração de emergência econômica usada como base para as tarifas. A decisão está atualmente sob apelação na justiça federal americana.

Brasil pode recorrer à OMC

Diante da fragilidade jurídica da medida, Munhoz aponta caminhos possíveis para o governo brasileiro. “O Brasil pode acionar a OMC e também buscar articulação internacional com outros países afetados, atuando de forma conjunta em fóruns multilaterais”, explica. 

Segundo ele, será fundamental que o país acompanhe de perto os desdobramentos judiciais nos Estados Unidos e adote uma resposta estratégica até o final do mês, prazo para contestação da medida.

A tensão comercial reacende alertas sobre o papel das instituições multilaterais e o risco de medidas unilaterais com forte viés político afetarem a estabilidade do comércio internacional. A reação do Brasil e de seus parceiros poderá definir os próximos capítulos dessa disputa.



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Babosa na água do gado: entenda por que essa prática é arriscada


A prática de colocar babosa na água do gado voltou a ser tema de discussão entre pecuaristas, especialmente após o relato de um produtor do Maranhão que recordou o uso da planta no bebedouro de galinhas. Mas será que essa sabedoria popular também vale para bovinos? Quer saber se a babosa pode realmente trazer benefícios ou riscos para seu gado? Assista ao vídeo abaixo e descubra a verdade com o especialista!

O médico-veterinário Fernando Loureiro, especialista em qualidade da água para o rebanho, esclareceu essa dúvida no programa Giro do Boi.

Segundo ele, embora a babosa (ou aloe vera) tenha uso reconhecido na medicina alternativa e em cosméticos, não há qualquer embasamento científico que comprove benefícios para o gado quando adicionada à água.

Além da ineficácia comprovada, Loureiro alerta para os riscos sérios à saúde animal. Isso porque a babosa, como qualquer matéria orgânica colocada nos bebedouros, entra em decomposição.

Esse processo cria um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e protozoários, o que pode causar diarreia, distúrbios no trato gastrointestinal e comprometimento na absorção de nutrientes. O especialista afirma que a prática pode resultar mais em prejuízos do que em ganhos para o pecuarista.

Riscos da decomposição e importância da higiene

Detalhe da babosa. Foto: CanvaDetalhe da babosa. Foto: Canva
Detalhe da babosa. Foto: Canva

É importante lembrar que o simples fato de colocar folhas, farelos ou restos orgânicos nos bebedouros aumenta a carga de sujeira e exige ainda mais cuidado com a limpeza.

Segundo Loureiro, mesmo que a intenção seja ajudar, o uso de babosa não substitui uma boa higienização — pelo contrário, acelera a contaminação da água e aumenta o risco de doenças.

O acúmulo de matéria orgânica no fundo dos bebedouros se transforma rapidamente em substrato para microrganismos patogênicos, impactando negativamente a produtividade do gado.

A recomendação, portanto, é manter os bebedouros sempre limpos e com água de boa qualidade. Isso inclui esfregar as paredes internas e o fundo para remover lodo e microalgas, além de eliminar qualquer resíduo acumulado, como insetos e farelos.

Segundo o especialista, água pura é tão importante quanto ração de qualidade para garantir o ganho de peso e a saúde do rebanho.

Uso de cloro pode ajudar no tratamento da água

Foto: Divulgação

Para reduzir a frequência de lavagens e manter a água potável por mais tempo, Fernando Loureiro recomenda o uso de produtos à base de cloro, já consagrados no tratamento da água humana e animal.

Essa prática garante que o rebanho tenha acesso a uma água livre de vírus, bactérias e protozoários, com segurança comprovada. Loureiro reforça que o uso de cloro é preferível ao uso de substâncias sem comprovação científica, como a babosa, por ser mais eficiente e seguro.

Por fim, o veterinário reforça que o bem-estar animal começa pela água. Não é necessário recorrer a práticas antigas sem respaldo técnico quando há soluções eficazes e de baixo custo à disposição.

A busca por produtividade no campo passa, cada vez mais, pela gestão baseada em ciência, não apenas em tradição. E quando o assunto é água de beber, menos é mais: água limpa, tratada e fresca, sempre.



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AgroNewsPolítica & Agro

Colheita do milho avança, mas há piora nas lavouras



Geadas afetam lavouras de milho no Paraná




Foto: Agrolink

O Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado nesta quinta-feira (10) pelos analistas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), informa que a colheita da segunda safra de milho 2024/25 já alcançou 29% da área estimada no Paraná. Esse percentual é superior à média das últimas cinco safras para o mesmo período, que era de aproximadamente 20%.

Apesar do avanço no ritmo da colheita, as condições das lavouras que ainda aguardam a colheita apresentaram nova piora. “Na semana passada, 68% das áreas estavam classificadas como boas. Agora, esse número caiu para 64%”, aponta o boletim. As lavouras em condição mediana passaram de 18% para 20%, enquanto as áreas em situação considerada ruim aumentaram de 14% para 15%.

Segundo os técnicos do Deral, a queda na qualidade das lavouras pode estar diretamente relacionada às geadas registradas no final de junho, que atingiram parte das regiões produtoras. A expectativa do setor é que as próximas semanas tragam avaliações mais precisas sobre os impactos das intempéries na produtividade do cereal.





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Fertilidade de cavalos: ciência, manejo e genética a favor do agro



A importância da fertilidade equina no campo

A fertilidade de cavalos é um fator estratégico para a sustentabilidade e produtividade no campo. Embora muitas vezes ofuscada por critérios estéticos ou de desempenho, a capacidade reprodutiva dos equinos tem impacto direto na qualidade dos animais utilizados no manejo, nas competições e até mesmo na geração de renda para criadores e produtores.

Seleção genética e desafios da reprodução equina

Diferente da bovinocultura, onde a reprodução ocorre em larga escala e com foco no rebanho, a equinocultura exige um olhar individualizado. Raças como Hanoverianos ou Brasileiros de Hipismo, com origem europeia, já possuem critérios de seleção voltados à fertilidade. Porém, em raças de marcha e trabalho, essa característica ainda é pouco valorizada.

Segundo a especialista Cássia Orlandi, muitos garanhões são escolhidos por beleza ou performance, mesmo apresentando sêmen de qualidade duvidosa. Felizmente, avanços tecnológicos têm permitido o uso de técnicas como:

  • Refrigeração e congelamento de sêmen
  • Processos de melhoramento seminal após a coleta
  • Estudos científicos para otimização da fertilização in vitro

Essas práticas, embora tragam bons resultados reprodutivos, levantam o debate sobre a propagação de genética com baixa fertilidade, o que exige atenção e responsabilidade dos profissionais da área.

O papel do médico-veterinário e da ciência no manejo reprodutivo

O médico-veterinário especializado em reprodução animal tem papel decisivo na condução dos protocolos de inseminação e cuidados com o garanhão e a égua. É ele quem avalia o comportamento do animal, sua resposta ao cio e as condições ideais para a coleta de sêmen.

Termos técnicos importantes:

  • Flehmen: reflexo olfativo observado no garanhão ao detectar o odor de uma égua no cio
  • Estro: fase do ciclo reprodutivo em que a fêmea aceita o macho
  • Manejo sanitário: práticas de prevenção e controle de doenças e parasitas

Orlandi destaca que o momento da coleta de sêmen exige respeito ao comportamento natural do animal. Pressionar ou acelerar o processo pode comprometer o desempenho e o bem-estar do cavalo.

Bem-estar animal e produtividade: uma relação direta

O desempenho reprodutivo e funcional dos cavalos está diretamente ligado ao bem-estar animal. Estudos conduzidos no mestrado profissional da Universidade Brasil avaliam parâmetros como:

  • Temperatura corporal e retal
  • Frequência cardíaca e respiratória
  • Comportamento pré e pós exercício

Esses dados são fundamentais para ajustar treinamentos e identificar situações de estresse, que podem comprometer tanto o rendimento em provas quanto a eficiência reprodutiva.

Boas práticas para o pequeno e médio produtor

Mesmo com recursos mais limitados, pequenos e médios produtores podem investir na melhoria da fertilidade de seus cavalos com medidas básicas, como:

1. Nutrição de qualidade

Uma alimentação balanceada impacta diretamente na saúde reprodutiva.

2. Controle sanitário rigoroso

Vacinação, vermifugação e combate a ectoparasitas como carrapatos são fundamentais.

3. Bem-estar e manejo respeitoso

Observar o comportamento do animal e garantir ambiente adequado faz toda a diferença.

4. Investimento em genética

Se tiver um garanhão promissor, aposte em manejo responsável e orientação profissional para projetá-lo no mercado.

Cavalos: protagonistas do campo

Muito além da função estética ou esportiva, os cavalos são peças-chave no manejo pecuário. Em grandes propriedades, eles auxiliam no nascimento e nos cuidados com bezerros recém-nascidos, além de garantirem agilidade e eficiência nas rotinas rurais.

Ao valorizar a fertilidade e o bem-estar desses animais, o produtor investe em produtividade, saúde animal e sustentabilidade.



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Tarifaço de Trump atingiu o complexo soja?


As exportações brasileiras de soja em grão ficaram praticamente estáveis no primeiro semestre de 2025, de acordo com levantamento apresentado nesta terça-feira (15) no quadro Agroexport, do programa Mercado & Cia.

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O destaque do período foi o óleo de soja, que registrou uma forte retomada nos embarques. Já o farelo também apresentou crescimento, mas pode ser afetado pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Confira os números:

O complexo soja, que inclui grão, farelo e óleo, tem peso estratégico para a balança comercial do agro. No ano passado, o conjunto respondeu por cerca de um terço de toda a receita cambial do agronegócio brasileiro. Das exportações totais, que somaram pouco mais de 160 bilhões de dólares, aproximadamente 155 bilhões vieram desse complexo.

Soja em grão

Foto: Agroexport

Apesar da leve alta no total do complexo, o desempenho da soja em grão se manteve praticamente estável, com 64,9 milhões de toneladas exportadas no semestre. A estagnação, no entanto, não se deve à falta de produto: o Brasil colheu uma safra robusta, estimada em 155 milhões de toneladas.

Foto: Agroexport

No caso do farelo, os embarques somaram 11,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025, levemente acima das 11,4 milhões do ano anterior. Apesar do avanço modesto, o setor mantém tendência de alta. A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, no entanto, pode frear esse crescimento. As exportações para o país saltaram de 100 para mil toneladas em um ano.

Óleo de soja

Foto: Agroexport

O óleo de soja foi o destaque do semestre, com alta de quase 30% nas exportações, que passaram de 640 mil para 810 mil toneladas. O desempenho marca uma recuperação após o recuo de 2024, embora ainda abaixo do pico de 1,46 milhão de toneladas em 2023. A retomada indica um reaquecimento do mercado, em linha com a estratégia de agregar valor à pauta exportadora.

Complexo soja

No total do complexo soja, o Brasil exportou 77,26 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025, avanço de 1,5% em relação às 76,17 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. O óleo puxou esse crescimento, com alta próxima de 30%, enquanto grão e farelo subiram cerca de 1%. Apesar do bom desempenho do óleo, o volume ainda é pequeno dentro do total, e por isso o impacto no agregado é limitado.

Os Estados Unidos, segundo maior produtor mundial de soja, importam farelo brasileiro principalmente quando a indústria local de esmagamento tem margem negativa. Nesses casos, exportam o grão e importam farelo para atender o mercado interno ou contratos com Europa e Ásia.



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Conab tenta conter crise com contratos de opção; setor cobra soluções duradouras



A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou nesta terça-feira (16) a compra emergencial de 110 mil toneladas de arroz por meio de contratos de opção de venda (COVs) ainda nesta safra.

A medida tem como objetivo conter a queda nos preços pagos ao produtor, que hoje giram abaixo de R$ 65 a saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul. O valor estipulado pela Conab parte de R$ 73 em agosto e pode chegar a R$ 78 em outubro.

O anúncio foi feito na sede da estatal, em Porto Alegre, pelo presidente da Conab, Edegar Pretto.

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, destacou que, embora a medida seja positiva no curto prazo, ela revela a fragilidade do setor frente às oscilações do mercado.

“Nos sentimos desconfortáveis ao depender de mecanismos públicos para escoar nossa produção. Precisamos de ações estruturais para competir de forma justa no Mercosul”, afirmou Nunes.

Entre os entraves apontados pela Federarroz estão fraudes na tipificação do arroz importado e a elevada carga tributária. A entidade recomendou, inclusive, a redução da área plantada como forma de ajustar a oferta diante da queda no consumo e dos estoques elevados.

A diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), Andressa Silva, disse que a volatilidade dos preços compromete a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva. “Quando o arroz está caro, o consumidor migra para outros produtos. Quando está barato, perde valor de mercado. Isso impacta indústria, produtor e segurança alimentar”.



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