quinta-feira, maio 14, 2026

Autor: Redação

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Suco de laranja: tarifas americanas preocupam o setor


Laranja Indústria, Fundecitrus
Foto: Citrus BR

A tarifa adicional de 50% sobre as importações de suco de laranja brasileiro, imposta pelos EUA, ameaça a sustentabilidade da cadeia citrícola nacional e desestabiliza o principal fluxo comercial internacional dessa commodity. É isso o que indicam os  pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A medida compromete a competitividade do Brasil, líder global em exportações de suco. Além disso, impõe pressões inflacionárias ao mercado norte-americano, fortemente dependente do fornecimento brasileiro de suco de laranja. 

Esse cenário é visto justamente em um contexto de recuperação da safra paulista de laranja. Segundo pesquisadores do Cepea, a combinação entre ampla oferta e entraves comerciais tende a resultar no acúmulo de estoques industriais e na retração das cotações no mercado interno. 

Ainda mais, pesquisadores do Cepea indicam que o redirecionamento de volumes originalmente destinados aos Estados Unidos para os mercados europeu e doméstico poderá intensificar a pressão sobre os preços internacionais, com efeitos colaterais em toda a cadeia. 

Dessa forma, no curto prazo, espera-se que esse excedente resulte em desequilíbrios nos estoques e em redução das margens da indústria.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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Licenciamento ambiental moderniza e desburocratiza o país, avalia CNA



A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliou, em nota, que o projeto de lei do licenciamento ambiental, aprovado na quarta-feira (16) pela Câmara dos Deputados vai modernizar, desburocratizar e garantir segurança jurídica e ambiental ao país. Para a CNA, o marco legal do licenciamento ambiental vai evitar ainda perdas de competitividade para o País.

O marco legal do licenciamento ambiental uniformiza os procedimentos para emissão de licença ambiental em todo o país, com definições de prazos para os processos. A proposta simplifica a concessão de licença para empreendimentos de menor impacto ambiental. O texto agora segue para sanção presidencial.

Em nota, o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias, destaca que a ausência de uma lei geral que trate do licenciamento ambiental de forma geral tornava o procedimento de licenciamento diferente em cada Estado, além de gerar divergências de entendimentos entre órgãos federais, estaduais e o Ministério Público.

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“O texto aprovado atende aos anseios do setor produtivo, ao evitar retrocessos e estabelecer segurança jurídica e ambiental para o país e para a economia”, disse Ananias. Segundo ele, o novo marco legal vai reduzir a demora na aprovação dos pedidos de licenciamento ambiental, atualizar normas criadas na década de 1990 e gerar mais segurança jurídica aos investidores do setor.

Na avaliação de Ananias, as novas regras previstas no projeto de lei do licenciamento não “excluem a rigidez da legislação ambiental brasileira”. De acordo com ele, produtores vão continuar produzindo em respeito ao Código Florestal e submetidos ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), mesmo aqueles produtores de atividades de baixo impacto ambiental que estão isentas de licenciamento. Nas atividades agropecuárias não enquadráveis na isenção, os produtores terão que fazer a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), segundo Ananias.



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Tarifaço de Trump coloca em risco principal polo exportador de frutas do Brasil



Considerado o principal polo exportador de frutas do país, a Valexport (Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco) afirma que a implementação da taxação de 50% sobre as exportações brasileiras pode causar “efeitos devastadores” ao produtores do Nordeste.

De acordo com a Valexport, a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco movimenta cerca de US$ 500 milhões em exportações anuais. O setor de exportação de frutas brasileiras gera cerca de 250 mil empregos diretos e 950 mil indiretos.

A associação divulgou na última quarta-feira (16) uma carta fazendo um apelo para evitar o tarifaço. Endereçado aos governos do Brasil e dos Estados Unidos, embaixadas, ministérios e órgãos de comércio e relações exteriores, o documento pede que seja restabelecido o diálogo diplomático e técnico com máxima prioridade.

“É imperativo encontrar uma solução que permita a manutenção do fluxo de exportações, a preservação dos empregos, e o respeito ao esforço de milhares de famílias e empresas comprometidas com a produção sustentável de alimentos”, diz trecho da carta assinada pelo presidente da entidade, José Gualberto de Almeida.

Endereçado aos governos do Brasil e dos EUA, embaixadas, ministérios e órgãos de comércio e relações exteriores, o documento pede que seja restabelecido o diálogo diplomático e técnico com máxima prioridade. “É imperativo encontrar uma solução que permita a manutenção do fluxo de exportações, a preservação dos empregos, e o respeito ao esforço de milhares de famílias e empresas comprometidas com a produção sustentável de alimentos”, adverte o presidente da entidade, José Gualberto de Almeida.

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A carta dos produtores e exportadores de frutas ainda afirma que a tarifa inviabiliza totalmente a operação logística e comercial para os EUA, ameaçando paralisar a atividade em toda a região.

“O resultado será uma queda brusca nos preços, o colapso da rentabilidade do setor e, de forma alarmante, o desemprego em massa no Vale do São Francisco. Contamos com o bom senso, a responsabilidade institucional e o espírito de cooperação que sempre marcaram as relações entre nossos países”, concluiu o documento da Valexport.



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Ovos: preços caem na primeira quinzena de julho



Os preços dos ovos encerraram a primeira quinzena de julho em queda em todas as regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com a menor demanda, devido sobretudo ao período de férias escolares, produtores acabaram concedendo descontos nas negociações, o que intensificou a pressão sobre os valores. 

Segundo colaboradores do Cepea, embora as temperaturas mais amenas registradas em diversas regiões do País tenham contribuído para uma redução da produção, o ritmo lento das vendas tem impactado o mercado. 

Desde a semana passada, o setor nacional de ovos também está atento às tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. 

No primeiro semestre deste ano, os EUA adquiriram 61% do volume exportado pelo Brasil, com destaque para o ritmo acelerado das compras, que vêm renovando recordes mensais nos últimos cinco meses e já acumulam alta expressiva de 1.274% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Colaboradores do Cepea estão atentos aos desdobramentos da medida, mas, ainda assim, é importante destacar que as exportações brasileiras de ovos representam menos de 1% da produção nacional. Dessa forma, o impacto no mercado interno, num primeiro momento, pode ser mais limitado, diferentemente do que pode ocorrer em outros setores do agronegócio.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil caminha para novo recorde no processamento de soja


O setor de processamento de soja segue em trajetória positiva no Brasil e deve alcançar novos recordes em 2025. Segundo avaliação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), o bom desempenho registrado ao longo de 2024 fortalece a confiança nas projeções de crescimento para o Complexo da soja no próximo ano.

De acordo com dados divulgados pela Abiove, somente no mês de maio foram processadas 4,87 milhões de toneladas de soja no país, o que representa um aumento de 2,1% em relação a abril e de 13,6% na comparação com o mesmo mês de 2024, ajustado pela base amostral. No acumulado do ano, o volume processado chegou a 21,33 milhões de toneladas — crescimento de 5,9% sobre igual período do ano passado.

A entidade destaca que o desempenho está diretamente ligado à elevação da mistura obrigatória de biodiesel, que incorporou os percentuais B14 e B15 ao longo de 2024. “Estamos vivendo um ano positivo para o processamento de soja, com perspectiva de recorde”, afirma Daniel Furlan Amaral, Diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE. Ele também aponta que a demanda firme por óleo de soja tem mantido o ritmo de atividade elevado na indústria.

Para o restante do ano, a previsão é de continuidade no crescimento. A produção nacional de soja deve alcançar 169,7 milhões de toneladas, enquanto o volume de esmagamento está projetado em 57,8 milhões de toneladas — ligeira alta de 0,5%. Já a produção de farelo e óleo de soja deve atingir 44,5 milhões e 11,6 milhões de toneladas, respectivamente, com avanços de 0,9% e 1,3%.

No mercado externo, a expectativa também é otimista. A exportação de soja em grãos deve somar 109 milhões de toneladas, aumento de 0,9% sobre o ano anterior. Já as vendas externas de farelo devem se manter estáveis em 23,6 milhões de toneladas. Por outro lado, as exportações de óleo de soja devem sofrer uma leve retração de 3,6%, sendo revisadas para 1,35 milhão de toneladas. As importações de óleo e grão de soja devem somar, respectivamente, 100 mil e 500 mil toneladas, como forma de complementar a oferta no mercado interno.





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preços reagem com a retomada gradual das exportações



Após recuar em junho, o poder de compra do avicultor paulista frente aos principais insumos da atividade voltou a apresentar alta nesta parcial de julho. É isso o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com pesquisadores do instituto, esse movimento está atrelado à recente reação nos preços do frango vivo e à desvalorização desses insumos. 

Levantamento do Cepea mostra que as cotações do animal vivo negociado no estado de São Paulo estão reagindo, após a acentuada desvalorização observada no mês passado, em função das restrições impostas por parceiros comerciais devido à detecção um caso de gripe aviária em uma granja comercial no município de Montenegro (RS). 

A retomada gradual das exportações por parte de alguns países é que tem favorecido a recente reação nos preços do frango vivo.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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STF determina que Bolsonaro terá que usar tornozeleira eletrônica



Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica a partir desta sexta-feira (18), segundo informações do G1 e da colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo. Além da tornozeleira, o ex-presidente também está proibido de usar suas redes sociais e conversar com outros investigados.

Em nota à imprensa, a Polícia Federal (PF) informou que cumpre mandados de buscas na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, durante a manhã desta sexta-feira (18). A ação acontece por pedido do STF, afirma a PF.

As medidas cautelares tomadas pelo STF acontecem, pois há o entendimento dos ministros da corte que Bolsonaro poderia estar preparando uma fuga do Brasil.



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Casa Branca responde declaração de Lula sobre Trump



A Casa Branca disse na quinta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não está tentando ser o imperador do mundo”. A declaração foi feita pela porta-voz do governo, Karoline Leavitt, em resposta às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista à CNN Internacional, Lula disse que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para governar o mundo, ser o “imperador do mundo”. Na mesma entrevista, Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar com os norte-americanos, mas que o país “não aceitará nada que lhe seja imposto”.

Na Casa Branca, a porta-voz afirmou que Trump é um “presidente forte” e “líder do mundo livre”.

Sobre as taxas de 50% impostas aos produtos brasileiros, ela respondeu que as regulações digitais, a ausência de proteção da propriedade intelectual e as regras ambientais brasileiras têm prejudicado empresas e o agronegócio dos Estados Unidos.

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Na última terça-feira (15), os Estados Unidos iniciaram uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, que alegam ser “injustas”, como o serviço de pagamento eletrônico (Pix). A medida foi anunciada depois de o presidente Donald Trump ameaçar impor uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras a partir de 1º de agosto.

O Pix virou alvo de investigação comercial pelo governo de Donald Trump, sob o pretexto de que criaria desvantagem competitiva para empresas do setor financeiro, como bandeiras internacionais de cartão de crédito. Além do Pix, os Estados Unidos questionam o desmatamento, a corrupção e o tratamento dado a algumas big techs (grandes empresas de tecnologia).

O governo brasileiro montou um comitê, com representantes da indústria e demais setores econômicos, para buscar soluções e reverter a taxação. O presidente Lula já afirmou que, se necessário, poderá recorrer à Lei de Reciprocidade, que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil, ou seja, permitindo o Brasil a taxar de volta os produtos norte-americanos.



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Em pronunciamento, Lula diz que tarifaço de Trump é ‘chantagem inaceitável’



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a separação dos poderes e disse que ninguém está acima da lei, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão. Em discurso de cinco minutos, o presidente afirmou que responderá com diplomacia e multilateralismo às ameaças do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos, que classificou de “chantagem inaceitável”.

Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo julgamento foi citado nas cartas recentes de Trump para justificar o tarifaço, Lula disse que as instituições agem para proteger a sociedade da ameaça de discursos de ódio e anticiência difundidos pelas redes digitais.

“No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas”, declarou o presidente.

Destacando a independência do Judiciário, o presidente disse que não pode interferir em decisões de outros Poderes.

“Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”, acrescentou.

“Chantagem inaceitável”

Lula ressaltou que o Brasil sempre esteve aberto ao diálogo e tenta negociar com os Estados Unidos desde maio, quando o governo Donald Trump impôs uma tarifa de 10% aos produtos brasileiros. O presidente classificou de “chantagem” o uso de informações econômicas falsas para justificar as ameaças do governo estadunidense.

“Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, declarou.

Afirmou que o governo está se reunindo com representantes dos setores produtivos, da sociedade civil e dos sindicatos para tentar negociar com os Estados Unidos. Segundo Lula, essa é uma grande ação que diversos segmentos da economia, como a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

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Lula destacou que o Brasil responderá aos ataques do governo Trump por meio da diplomacia, do comércio e do multilateralismo. “Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer. Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”, acrescentou.

Lula lembrou que, em dois anos e meio de governo, o Brasil abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior. Reafirmou que o governo pode usar todos os instrumentos legais para defender a economia, como recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

“Traidores da pátria”

O presidente manifestou indignação pelo apoio de alguns grupos políticos ao ataque tarifário do governo Trump.

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”, declarou.

Big techs

O presidente acrescentou que a fiscalização das plataformas digitais estrangeiras, um dos itens citados por Trump para justificar a imposição da tarifa, tem como objetivo defender a soberania nacional. Ele ressaltou que todas as empresas que operam no Brasil são obrigadas a cumprir a legislação brasileira.

“A defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras”, destacou.

Pix

Sobre as reclamações do governo de Trump ao Pix, Lula disse que o governo não aceitará ataques ao sistema de transferências instantâneas, que classificou como um patrimônio do país.

“O Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo”, comentou.

Números

O presidente apresentou números para desmentir as alegações do governo norte-americano sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

“A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões [com o Brasil]”, declarou.

Em relação ao desmatamento, usado nas alegações de Trump para ameaçar o país, Lula lembrou que o Brasil atualmente é referência mundial na defesa do meio ambiente. “Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030”, afirmou.

“Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”, concluiu Lula, ao terminar o pronunciamento.



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Líder do PT diz que governo deve vetar uso do Fundo Social para dar R$ 30 bi ao agro



O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou ao Estadão/Broadcast Político na quinta-feira (17) que o governo deve vetar o projeto que prevê uso do Fundo Social para financiar pagamento de dívidas rurais, criando uma linha de R$ 30 bilhões para produtores atingidos por eventos climáticos, caso seja aprovado no Senado da forma como está. Se os senadores fizerem mudanças, o texto deve retornar para a Câmara.

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast Político, a Câmara aprovou na noite da quarta-feira, 16, um projeto que permite o uso do Fundo Social para uma linha de financiamento com teto global de R$ 30 bilhões para o agronegócio, com limites individuais de R$ 10 milhões por produtor e R$ 50 milhões por cooperativa ou condomínio.

O texto era uma reivindicação dos produtores gaúchos, mas abrange todo o país e, de última hora, o relator incorporou uma ampliação para beneficiários do Nordeste.

“Aquilo é veto na certa”, afirmou o Lindbergh à reportagem. O deputado também afirmou que viu a aprovação do projeto como uma reação do Congresso ao veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o aumento do número de deputados, de 513 para 531.

O líder do PT na Câmara também afirmou que não houve negociação para o projeto ter sido aprovado e ressaltou que o agronegócio já recebe altos subsídios. “Foi golpe aquilo que fizeram. Querem tirar R$ 30 bi do Fundo Social, rapaz. Está maluco? É um negócio absurdo.”

O projeto já estava na pauta, mas entre diversos outros, e 15 outras matérias ficaram sem análise. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu pautar a matéria em meio a repercussões dos parlamentares contra a decisão de Lula de vetar o aumento do número de deputados e à vitória do governo no Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Durante a apreciação do projeto sobre crédito rural, na tribuna da Câmara, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), criticou a bancada do agro e disse que houve quebra de acordo. Segundo o deputado, o relator Afonso Hamm (PP-RS) havia dito que não avançaria com o projeto sem entendimento com o governo.

“Se estivéssemos só tratando do Rio Grande do Sul, podemos sentar e conversar. Mas estendeu para todo o País”, afirmou Guimarães. “É um liberou geral para uma renegociação, não tem inadimplente, qualquer um pode se dirigir a uma entidade bancária para fazer a renegociação. Isso não é correto, sobretudo para quem fala tanto em responsabilidade fiscal”, criticou.

Ao Estadão/Broadcast Político, o relator do projeto disse que discutiu o texto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com os ministérios da Agricultura e da Fazenda, mas faltava um acordo com a Casa Civil.

Hamm disse ter pedido uma reunião com o ministro Rui Costa na semana passada, mas que a pasta teria dito que não havia agenda. “O governo fugiu da discussão”, disse o deputado. “Como é que nós vamos esperar uma semana para ter uma audiência com o governo? No plenário, eu tive todo o tempo, ele não me procurou”, questionou Hamm.

O relator afirma que o projeto não gera impacto fiscal no exercício de 2025, porque não cria despesas primárias. Além disso, o parlamentar diz que o uso do Fundo Social deve chegar a um valor entre R$ 15 a R$ 20 bi neste ano para financiar a quitação das dívidas.

Segundo ele, a celeridade com a pauta se deu pela pressão do calendário agrícola. A votação aconteceu no fim dos trabalhos legislativos deste semestre. O Congresso entra em recesso a partir desta sexta-feira (18), e fica parado até o dia 31.



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