quarta-feira, maio 13, 2026

Autor: Redação

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Polinização por abelhas e animais contribui com até 25% do valor da produção do agro


A polinização animal tem ganhado protagonismo na produção agropecuária brasileira. Segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a contribuição dos polinizadores como abelhas, borboletas e morcegos representou, em média, 16,14% do valor da produção agrícola e extrativista do Brasil em 2023 — um aumento em relação aos 14,4% registrados em 1996.

Nos cenários mais favoráveis, essa participação pode chegar a 25% do valor total da produção nacional. O estudo “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil 1981-2023” considerou dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS).

Dos 89 produtos analisados, 48,3% têm algum grau de dependência da polinização animal. O efeito é mais acentuado nas culturas permanentes, como frutas e café, e no extrativismo vegetal, com destaque para o açaí e o babaçu.

Em 2023, a contribuição dos polinizadores no extrativismo alcançou 47,2%, mais que o dobro do índice observado em 1996 (21,8%). Nas lavouras permanentes, o índice ficou em 38,7%, enquanto nas temporárias, como soja e feijão, chegou a 12%. Apesar disso, os cultivos temporários dominam a área plantada e a produção nacional.

Soja: baixa dependência, mas alta influência

Principal cultura temporária do Brasil, a soja possui dependência considerada modesta da polinização. Ainda assim, por seu elevado volume de produção e expansão territorial, ela contribui significativamente para a ampliação da área agrícola com algum nível de dependência de polinizadores.

A soja aparece entre os cinco principais produtos com dependência de polinizadores em todas as regiões do Brasil.

Mesmo com dependência modesta dos polinizadores, devido ao volume produzido e valor de produção, a expansão da soja para além de suas áreas tradicionais de cultivo, na região Sul, teve duas consequências: por um lado, contribuiu para o aumento da área ocupada por culturas que dependem de polinizadores e, por outro, substituiu cultivos com maior dependência desses agentes, reduzindo a participação de produtos associados à polinização animal, especialmente aqueles de menor valor comercial.

Na região Norte, o açaí – com alta dependência de polinização – é o principal destaque. Já no Nordeste, frutas como manga, cacau e uva se sobressaem. No Sudeste, produtos como o café e a laranja lideram a lista. No Sul, a maçã é uma das mais dependentes da polinização. E no Centro-Oeste, soja e algodão dominam, mesmo com dependência modesta.

Municípios mais dependentes de polinizadores crescem no Brasil

Entre 1996 e 2023, houve aumento de quase 6 pontos percentuais na proporção de municípios cuja produção agrícola e extrativista depende, em mais de 5%, da polinização. O Nordeste, com sua forte produção de frutas, foi a região com maior destaque nesse crescimento.

O estudo do IBGE destaca que até mesmo culturas de menor expressão nacional podem ter impacto estratégico local. “Além de contribuírem para a agricultura, os polinizadores são vitais para a manutenção dos ecossistemas”, reforça Leonardo Bergamini, analista do IBGE.

Mais da metade da área colhida tem dependência modesta

Em 2023, 53,5% da área colhida no Brasil era ocupada por produtos classificados com dependência modesta de polinização, como soja e feijão. A expansão dessa classe é um dos destaques da série histórica, que aponta crescimento constante desde 1975.

Nas lavouras permanentes, embora a classe com dependência modesta represente apenas 19,4% dos produtos, ela ocupa 41,2% da área plantada — com destaque para o café arábica e a laranja. Já as classes com alta ou essencial dependência, como o cacau e o caju, têm ampliado sua área cultivada ao longo dos anos.

Produtos dependentes de polinização representam 17,6% da produção

Apesar de a maioria da produção agrícola brasileira (82,4%) ainda ser formada por produtos sem dependência de polinizadores, o grupo com dependência modesta já responde por 15,9%. As classes com alta ou essencial dependência somam 1,6%, mas são fundamentais para determinadas regiões e produtos estratégicos.

No extrativismo, mais de 40% da quantidade coletada vem de produtos com dependência alta ou essencial, como açaí e babaçu. Embora a erva-mate — sem dependência de polinizadores — continue sendo o produto mais coletado, a tendência é de crescimento das culturas dependentes.

Ameaças aos polinizadores exigem atenção

A crescente dependência da polinização animal contrasta com a redução das populações de polinizadores, ameaçadas por perda de habitat, uso de agrotóxicos, doenças, mudanças climáticas e espécies invasoras.

“Garantir a continuidade desse serviço essencial exige investimentos em pesquisa e políticas públicas”, conclui Bergamini.



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Ex-governador de São Paulo e ex-presidente da CBF, José Maria Marin morre aos 93 anos



José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), morreu na madrugada deste domingo (20), aos 93 anos, na capital paulista. A causa da morte não foi divulgada até o momento. A informação foi confirmada pela assessoria da CBF.

Marin teve uma carreira marcada tanto pela política quanto pelo futebol. Ele ocupou o cargo de vice-governador de São Paulo entre 1979 e 1982, e assumiu o governo do estado entre 1982 e 1983, durante o regime militar, quando ainda não havia eleições diretas para o cargo.

Depois de sua passagem pela política, Marin presidiu a CBF entre 2012 e 2015, período que antecedeu um dos maiores escândalos da história do futebol mundial. Em 2015, ele foi preso na Suíça, junto a outros dirigentes da Fifa, acusado de envolvimento em um esquema bilionário de corrupção.

Extraditado para os Estados Unidos, Marin foi condenado a quatro anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro, fraude bancária e participação em organização criminosa. Em 2019, o Comitê de Ética da Fifa o considerou culpado por recebimento de propina e o baniu do futebol de forma definitiva. Após cumprir pena, ele retornou ao Brasil em 2020.

*Com informações da Agência Brasil




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‘Olho com a porteira é ferramenta boa’, diz Zé Humberto



Com mais de 60 anos dedicados à pecuária zebuína, José Humberto Vilela Martins, o conhecido Zé Humberto, da Fazenda Camparino, compartilhou sua visão sobre seleção animal durante entrevista ao podcast LanceCast, do Lance Rural.

Aos 80 anos, o criador é referência na raça nelore e voltou a levantar um ponto que considera crucial: o desequilíbrio causado pela dependência excessiva dos índices genéticos.

“Voltar no arreio é difícil”

Zé Humberto é direto ao comentar o risco de decisões tomadas apenas com base em números: “O cara que foca só em número, e não olha as outras coisas, vai destruindo o rebanho dele. E depois, voltar no arreio é difícil.”

A crítica se refere aos impactos práticos da seleção que ignora fatores como rusticidade, morfologia funcional e adaptabilidade dos animais. Na visão do criador, isso pode comprometer seriamente a produtividade e dificultar a reversão do prejuízo.

O valor de quem vive a lida

Mesmo reconhecendo os avanços técnicos da pecuária moderna, Zé Humberto defende o papel insubstituível do conhecimento empírico: “O olho com a porteira é uma ferramenta boa demais!”, afirma.

Esse tipo de análise, construída ao longo de décadas lidando com o gado, foi essencial para que ele transformasse novilhas comuns em matrizes de destaque no rebanho da Camparino, no Pantanal mato-grossense.

Não é rejeição à genética, é alerta ao exagero

Zé Humberto reforça que não é contra a genética, e sim contra a dependência cega: “O cara que não entende bulhufas de gado, se ele focar só na avaliação genética, ele erra menos.”

Para ele, os números são aliados valiosos, principalmente para quem está começando, mas precisam ser interpretados à luz da realidade do campo, e com os pés no chão.

Zé Humberto, um legado vivo

Frequentador assíduo da Expozebu, o criador leva sua experiência a novas gerações de pecuaristas. Natural de Minas Gerais, mas com trajetória marcada pelo pioneirismo em Goiás e Mato Grosso, ele se orgulha de sua paixão pela criação, que vai além do nelore, passando por cavalos, aves, suínos, gir leiteiro e sindi.

A filosofia de Zé Humberto é simples, mas poderosa: tecnologia e tradição precisam andar juntas para garantir uma pecuária sustentável, eficiente e fiel às raízes de quem vive o campo.



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Desabamento de arquibancada em rodeio deixa 60 feridos em SP



O desabamento de uma arquibancada montada para um rodeio deixou ao menos 60 pessoas feridas na cidade de Eldorado, no interior de São Paulo. Segundo os bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 22h48 de sábado (19) na Expo Eldorado.

Por meio de nota, a prefeitura da Estância Turística de Eldorado informou que, das 60 pessoas que receberam atendimento médico, 20 casos foram classificados como de emergência. Desse total, dez pacientes precisaram ser transferidos para hospitais da região, sendo que seis foram encaminhados ao Hospital Regional de Registro, dois para o de Pariquera-Açu e dois para o Hospital de Jacupiranga.

O local foi vistoriado e permanece interditado, informou a Defesa Civil.

Na noite de ontem, a Expo Eldorado promoveria um show da dupla sertaneja Gian e Giovani. A dupla manifestou sua solidariedade às vítimas e disse que vai remarcar o show, que precisou ser cancelado.

“Infelizmente aconteceu um acidente com a arquibancada. Todas as vítimas foram socorridas rapidamente. Será remarcada uma nova data”, disseram eles, em um vídeo que foi divulgado nas redes sociais. “E boa recuperação a todos”, desejaram.

Em sua rede social, o prefeito Noel Castelo informou que este “foi um momento muito triste” e que a prefeitura está tomando as providências para dar atendimento às vítimas.

Segundo a organização da Expo Eldorado, não houve mortes e toda a programação prevista para este domingo (20) foi cancelada. “Isso inclui o almoço, as atividades da tarde e o show da noite”, informou a Expo Eldorado, em comunicado.

Os organizadores destacaram que estão tomando as providências necessárias para dar assistência às vítimas. “Pedimos a compreensão de todos e reforçamos nosso compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar da população”, diz o trecho do comunicado.

A prefeitura informou que uma investigação vai analisar as causas do ocorrido e identificar os responsáveis pelo acidente.



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mesmo com a sobretaxa de Trump, rentabilidade é possível com estratégia


Entre novembro de 2024 e julho de 2025, o café arábica apresentou uma expressiva valorização no mercado internacional. O preço saiu de US$ 2,35 por libra-peso em novembro para um pico de US$ 4,33/lb em fevereiro, estabilizando-se atualmente em torno de US$ 3,05/lb — uma alta acumulada de aproximadamente 27%.

Essa valorização garante, por ora, boas margens de exportação, especialmente considerando o câmbio favorável ao produtor, com o dólar oscilando acima de R$ 5,30.

Com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 50% sobre o café brasileiro, a primeira reação é de preocupação, e com razão. A medida eleva o preço final do produto no mercado americano e reduz a competitividade do Brasil frente a países como México e Colômbia.

No entanto, a equação econômica não é binária. Mesmo com a taxação, os atuais patamares de preço e câmbio mantêm a rentabilidade das exportações viável, especialmente para produtores com custos controlados e contratos negociados com antecedência.

Um exercício simples ajuda a ilustrar:

  • Preço internacional: US$ 3,05/lb
  • Com tarifa de 50%, o café brasileiro chegaria aos EUA por US$ 4,58/lb
  • Esse valor ainda se mantém competitivo em segmentos premium e nichos que valorizam a qualidade do café brasileiro

Outro ponto positivo é a melhora na paridade de troca agrícola. O produtor hoje consegue adquirir mais insumos por saca vendida, o que sustenta a margem de lucro. E como o custo interno em reais não acompanhou a mesma velocidade da valorização internacional, a estrutura de produção continua relativamente eficiente.

Armazenar é estratégia: estoque e clima como aliados

Diante desse cenário de incerteza, uma postura pragmática pode ser decisiva para proteger a renda do cafeicultor:

  • Armazenamento estratégico: O café é uma commodity que permite estocagem com boa conservação, diferentemente de produtos perecíveis. Segurar parte dos estoques enquanto se aguarda a definição do cenário internacional pode ser uma forma eficaz de capturar melhores preços no futuro, inclusive se a tarifa for revertida ou se a demanda interna nos EUA pressionar os preços.
  • Aposta climática racional: As previsões climáticas ainda indicam risco de instabilidade em regiões produtoras globais. Caso se confirmem, os preços podem voltar a subir. Assim, quem tiver produto armazenado estará em posição vantajosa para negociar.

A tarifa de Trump é, sem dúvida, um obstáculo político e econômico. Mas não é uma sentença de inviabilidade. O café brasileiro segue com boa aceitação internacional, e os fundamentos de mercado, preço e câmbio, seguem favoráveis à rentabilidade.

O produtor que souber administrar estoques, monitorar o clima e negociar com inteligência pode atravessar esse momento com ganhos. A crise exige mais do que reação: exige estratégia.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Método de fermentação transforma grãos imaturos em café especial



Na seleção de cafés especiais, aqueles que ganham acima de 80 pontos em testes cegos não têm defeitos físicos nem sensoriais. Os grãos de aparência esverdeada são conhecidos por darem um sabor adstringente (áspero, pungente e ressecante) à bebida e por isso são descartados com os quebrados, pretos, ardidos, brocados ou abaixo de um certo tamanho.

Mas, em estudo publicado na revista Food and Bioprocess Technology, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Patos de Minas (MG), realizaram uma série de fermentações com frutos maduros e imaturos da cultivar Arara do café arábica (Coffea arabica). Como resultado, obtiveram bebidas comparáveis, e mesmo superiores, às preparadas somente com grãos resultantes de frutos maduros e seguindo todos os protocolos da Specialty Coffee Association (SCA), organização internacional que estabelece padrões para cafés especiais.

Nos testes de xícara, às cegas, em que se avalia o café quanto a seus atributos sensoriais, os degustadores profissionais (conhecidos como Q-graders) atribuíram a algumas bebidas que continham uma porcentagem de grãos de frutos imaturos notas acima de 80 – que definem um café especial.

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Para chegar a esses resultados, os pesquisadores utilizaram a chamada fermentação anaeróbica autoinduzida (SIAF, na sigla em inglês), em que os frutos são colocados após a colheita em biorreatores, barris de poliestireno de 200 litros hermeticamente fechados por até 96 horas. Nesses biorreatores não há entrada de oxigênio e o gás carbônico sai por uma válvula. Os microrganismos naturalmente presentes nos frutos de café realizam, então, uma série de processos bioquímicos que resultam em sabor diferenciado do café. Nesse tipo de fermentação, em alguns experimentos, foram adicionados inóculos, microrganismos específicos previamente isolados para esse fim.

“Com o trabalho, vimos que utilizar a SIAF em diferentes tempos de fermentação, com controle de temperatura e pH e adição ou não de inóculo, pode não apenas minimizar os efeitos deletérios dos grãos imaturos na bebida como torná-la superior, agregando valor ao produto ainda na fazenda”, afirma Luiza Braga, primeira autora do estudo, realizado como parte do seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos da Faculdade de Engenharia Química (FEQ-UFU), em Patos de Minas.

O trabalho integra projeto apoiado pela Fapesp no âmbito de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), numa parceria entre a UFU e a Universidade Federal de Lavras. O estudo teve ainda financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

“A fermentação anaeróbica, realizada logo após a colheita e antes da secagem, não é um processo tradicional. No entanto, cafeicultores e especialistas têm buscado conhecimento sobre o processo por conta do ganho de sabor e aroma provocado na bebida, que assim pode atingir preços superiores aos praticados no mercado usualmente”, diz Líbia Diniz Santos, professora da FEQ-UFU e coordenadora do estudo.

Os autores do trabalho integram o grupo de pesquisa Da Semente à Xícara, criado em 2019 para reunir em torno da cafeicultura pesquisadores, alunos, pós-graduandos e técnicos tanto da FEQ como do Instituto de Genética e Bioquímica e das faculdades de Engenharia Elétrica e de Computação, todas no campus de Patos de Minas da UFU. O grupo tem, inclusive, uma marca de café especial, o Porandu, que em tupi significa “pesquisar”, “investigar”.

Análises

A cultivar Arara foi lançada em 2012 pela Fundação Procafé após 15 anos de estudos na busca de um café resistente a doenças e adaptado a diversas condições climáticas do Cerrado. A bebida é valorizada pelas notas cítricas e corpo robusto, o que a torna atrativa tanto para o mercado doméstico quanto para exportação.

Usando uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo grupo de pesquisadores, os autores do estudo notaram que 70% dos frutos utilizados nos experimentos, colhidos na Fazenda Chuá, em Patos de Minas, eram imaturos.

Os autores ressaltam que, apesar de terem usado grãos verdes nas bebidas provadas pelos degustadores, os outros critérios da SCA continuaram sendo seguidos à risca. Dessa forma, grãos quebrados e pequenos foram descartados na preparação. Com isso, os grãos verdes na bebida representaram 13% a 30% do total. “Acreditamos que se fossem 70% de grãos verdes na bebida, mesmo fermentados, isso seria perceptível no produto final”, ressalva Santos.

No total, 32 tratamentos foram testados: diferentes tempos de fermentação, que variaram de 24 a 96 horas, com e sem controle de temperatura. As combinações contaram ainda com presença ou ausência de inóculo e fermentação submersa (com 30% do biorreator com água) ou em estado sólido, sem água.

O pH e a temperatura foram monitorados por meio de um dispositivo eletrônico desenvolvido pelo grupo que transmite o dado para um monitor externo a partir de sensores no interior do biorreator. Com isso, não há necessidade de abrir o barril e interferir no experimento para coletar a informação.

“Quando fizemos o controle da temperatura externa a 27 °C, observamos que as pontuações foram maiores, inclusive com notas superiores às de preparos em que só havia grãos maduros. Com isso, podemos demonstrar que a fermentação anaeróbica, principalmente em estado sólido, acrescenta atributos sensoriais que elevam o café para a categoria especial”, explica Braga.

Agora o grupo pretende entender qual ou quais compostos gerados no grão verde fermentado fornecem os atributos sensoriais que o tornam um café com atributos especiais. Os próximos trabalhos devem, ainda, explorar o efeito da fermentação anaeróbica em outras variedades de café.



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Governo federal anuncia R$ 1,4 bilhão para obras da ferrovia Transnordestina



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o incremento de mais R$ 1,4 bilhão para a ferrovia Transnordestina. Em cerimônia nesta sexta-feira (18), ele afirmou que quer concluir a obra até o fim do terceiro mandato dele, mesmo que isso signifique gastar mais “tempo e dinheiro”.

“Não faltará dinheiro para concluir a Transnordestina. Agora, tenho que ser comunicado da dificuldade do dinheiro antes de faltar. Preciso ser comunicado antes, porque eu quero inaugurar essa obra até o fim do meu mandato, se não 100%, 99%”, disse Lula em discurso na cidade de Missão Velha (CE).

Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), os novos recursos virão a partir de R$ 600 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e R$ 816 milhões do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor).

Ao todo, já foram investidos R$ 8,2 bilhões, e o orçamento total da obra é de R$ 15 bilhões.

O Planalto estima um impacto anual no PIB do Semiárido de até R$ 7 bilhões. Foram gerados mais de 4 mil empregos diretos e o valor de contratos assinados superam a cifra de R$ 4 bilhões.

Lula também disse querer que a obra seja concluída como previsto no projeto original, ligando os portos de Pecém e Suape, além de Eliseu Martins, no Piauí.



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Açafrão de Mara Rosa cresce no mercado pela qualidade e origem



No norte de Goiás, o açafrão da terra produzido em Mara Rosa conquistou espaço no mercado graças à sua qualidade, origem controlada e alto teor de curcumina. A tradição local, somada ao trabalho coletivo e ao cuidado com a produção, tornou o condimento um exemplo de sucesso no campo.

Quem vive esse processo de perto é Magna Leles, uma das produtoras da região e com orgulho do açafrão. “Meu produto é com indicação geográfica, é o único do Brasil com esse selo. É plantado com minhas mãos e com minha equipe. A pureza, o amor e a responsabilidade com o meio ambiente fazem a diferença”, afirma Leles.

Além disso, ela destaca a importância do apoio técnico que recebe. “O Sebrae abriu as porteiras do sítio, foi a campo conosco e acompanhou todo o plantio do açafrão. Está com a gente até hoje”, conta a produtora.

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Outro pilar fundamental para o fortalecimento da cadeia produtiva é a Cooperaçafrão, cooperativa que conecta os produtores, organiza o processo e viabiliza a comercialização. De acordo com Patrícia Aguiar, gerente da entidade. “A cooperativa articula com os produtores e faz todo o beneficiamento e comercialização. Nosso açafrão tem alto teor de curcumina e valor agregado por conta do clima e solo”, explica Patrícia.

Bem como, ela também reforça o impacto direto do selo de origem “A IG valoriza a produção, o produtor e abre portas para comercializar com mais valor”, conclui a gerente.

Portanto, o açafrão da terra de Mara Rosa não representa apenas um produto diferenciado. Ele carrega história, dedicação e um modelo de produção que valoriza tanto o solo quanto as mãos que o cultivam.



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AgroNewsPolítica & Agro

de cultivo tradicional à produção sustentável e certificada


O cacau, matéria-prima nativa da Amazônia e essencial na cadeia do chocolate, vive um momento de transformação no Brasil, especialmente no Pará, estado que lidera a produção nacional. Em meio à alta histórica nos preços das amêndoas devido à quebra de safra em países africanos e à crescente demanda, produtores como João Batista, de Medicilândia (PA), protagonizam uma mudança de paradigma: da agricultura tradicional para um modelo sustentável, tecnificado e certificado – com o impulso do programa “Sustenta e Inova”, do Sebrae.

Aos 43 anos, Batista está à frente do Viveiro Tabosa, herdado do pai no sítio “Baixão”, a cerca de oito quilômetros do centro da  cidade. O produtor cresceu entre as mudas de cacau do pai, aprendendo desde cedo os segredos do cultivo. “Via desde criança como funcionava a criação de cacau e já sentia a responsabilidade de um dia assumir os viveiros”, conta. Mas foi a partir de 2022 que ele viu o negócio dar um salto, após passar pelas etapas de capacitação e formalização de negócio, promovidas pelo Sebrae no Pará, com apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). 

Antes, Batista produzia mudas de cacau em pequena escala, com técnicas tradicionais e estrutura limitada. Até que veio o ponto de virada com a chegada do Sustenta e Inova e o resultado foi exponencial, com a produção saltando de 5 mil mudas para 10 mil, depois para 20 mil; em 2024, alcançando 50 mil mudas até, este ano, em que a expectativa é de 100 mil mudas certificadas, empregando até 10 pessoas durante o ano. 

Segundo Rubens Magno, diretor superintendente do Sebrae no Pará, é gratificante acompanhar o crescimento dos empreendedores também no campo. “Nós enxergamos a dedicação e a vontade de empreender nesses projetos apoiados financeiramente e com suporte de orientação. A eficiência na gestão, associada a conhecimentos técnicos sobre novos métodos de irrigação mais sustentáveis e novas estufas, estão gerando emprego e renda. Isso demonstra que os pequenos negócios paraenses, da Amazônia, podem ser protagonistas de uma nova economia, mais sustentável e alinhada aos desafios ambientais e climáticos que o Brasil e o mundo enfrentam”, ressalta. 

Batista confirma que o apoio do Sebrae/PA foi fundamental. “Sem o projeto Sustenta e Inova eu não chegaria onde estou, então foi muito importante esse incentivo, numa relação de carinho e respeito”, afirma. O viveiro, agora certificado e reestruturado, atrai não só clientes privados, mas também prefeituras da região interessadas em adquirir mudas de alta qualidade.

A virada de chave o fez alcançar o Renasem, um registro nacional que autoriza empresas a atuarem na produção, comércio e análise de sementes e mudas, seguindo normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). “Essa certificação trouxe mais segurança jurídica e fitossanitária, valorizando o meu produto e atraindo compradores de outras regiões, até prefeituras, em adquirir essas mudas especialmente para projetos de reflorestamento e produção sustentável”, afirma o produtor João Batista.

O programa, segundo a analista do Sebrae em Altamira, Márcia Carneiro, foi desenhado para fomentar toda a cadeia produtiva do cacau, desde a produção de mudas até o chocolate, com foco em capacitação, gestão, marketing e certificação. “A certificação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e as adequações estruturais permitem que pequenos viveiros se transformem em verdadeiros empreendimentos escaláveis e competitivos no mercado”, explica.

“O principal gargalo que temos superado é a falta de informação. Muitos produtores já têm a boa vontade e quando estão munidos com informações de como alavancar seus resultados, chegamos a este resultado que obtivemos em parceria com o IPAM”, destaca Márcia Carneiro.

O cenário global do cacau reforça a importância da iniciativa. Com a quebra de safra em países africanos, o preço do cacau atingiu recordes históricos, chegando a US$11.040 por tonelada em 2025, o que representa um aumento de 190% em dois anos. O Brasil, sexto maior produtor mundial, ainda não é autossuficiente e precisou importar 43.300 toneladas em 2023, principalmente da África. No Pará, maior produtor nacional, a produção cresceu 3,8% em 2024, impulsionada pela valorização do preço pago ao produtor, que triplicou em relação a anos anteriores.

O Sustenta e Inova, ao investir em capacitação, certificação e inovação sustentável, contribui para consolidar o Pará como protagonista nacional do cacau, promovendo geração de renda, inclusão social e preservação ambiental. A experiência na região de Medicilândia mostra que, com orientação técnica e políticas de incentivo, é possível aliar crescimento econômico, sustentabilidade e protagonismo amazônico no mercado global do cacau.

Desafios e perspectivas

O ciclo do cacaueiro é longo – de 4 a 6 anos até a produção plena –, o que limita uma resposta imediata à alta dos preços. Ainda assim, o movimento de expansão no Pará é notório, estimulado pela valorização internacional e pelo trabalho de capacitação e inovação promovido por programas como o Sustenta e Inova.

A produção sustentável de cacau, com boas práticas agrícolas, certificação e gestão profissional, é hoje o grande diferencial para acessar mercados exigentes, garantir renda ao produtor e contribuir para a preservação ambiental. O exemplo de João Batista mostra que, com apoio técnico e visão empreendedora, é possível transformar a tradição do cacau em um negócio moderno, sustentável e lucrativo – consolidando o Pará como referência nacional e internacional na produção de cacau de qualidade.





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AgroNewsPolítica & Agro

Analista discute inovação e desafios logísticos no Workshop Fertilizantes 2025



Rafael Mingoti destaca inovações e desafios logísticos nos fertilizantes




Foto: Canva

No dia 30 de junho, o analista Rafael Mingoti representou a Embrapa no workshop “Alinhamento e Discussão sobre os Desafios para a Atração de Investimentos no Setor de Fertilizantes”, evento promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com Ministério da Agricultura e Pecuária, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços. Mingoti participou de dois painéis, que abordaram os avanços tecnológicos e os desafios estruturais que envolvem a cadeia de fertilizantes no Brasil.

No primeiro painel, Mingoti destacou as inovações em desenvolvimento no setor. Segundo o analista, um dos grandes desafios é estruturar melhor a armazenagem de fertilizantes no Brasil. Ele comenta que o Brasil possui pouca estrutura de armazenagem, muito por conta de uma lógica que se formou ao longo dos anos: os fertilizantes chegam ao País, são rapidamente misturados e seguem direto para o produtor, aproveitando o frete mais barato no período de safra.

Ele também enfatizou a necessidade de inovação não apenas na pesquisa científica, mas na forma como se identifica, explora e processa fontes internas de insumos como fosfato e potássio. “Há muito a ser feito em termos de prospecção e também no planejamento de toda a cadeia logística envolvida”, afirmou. 

Mingoti também abordou frentes críticas, como os gargalos logísticos, o aproveitamento de fontes nacionais de fertilizantes e as lacunas para localizar essas fontes e para processá-las, posteriormente. Além do analista da Embrapa, o painel também contou com a participação de Bernardo Silva, diretor-executivo da Sinprifert; Éder Martins, do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP); e Clorialdo Roberto, presidente da Abisolo.

No segundo painel, Mingoti discutiu as lacunas logísticas da cadeia de fertilizantes. O debate reuniu diferentes pontos de vista, especialmente sobre o papel do governo e da iniciativa privada na superação desses desafios.





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