terça-feira, maio 12, 2026

Autor: Redação

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Frete sobe até 46% com colheita de milho e logística com soja, diz Conab



A intensificação da colheita da segunda safra de milho e a grande quantidade de soja ainda estocada nas propriedades têm elevado os preços dos fretes rodoviários em diversos estados do país. Segundo o Boletim Logístico de julho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a disputa por caminhões se acirra em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, com aumentos que chegaram a 46% em junho.

A pressão sobre o mercado de transporte reflete a combinação entre a produção de 132 milhões de toneladas de milho na safra 2024/25, segundo a Conab, e a retenção de parte da soja pelos produtores, que aguardam melhores cotações após as quedas dos últimos meses.

“Para junho e julho, a alta nos preços deverá ser registrada de modo mais ampliado diante da entrada da oferta de milho, da necessidade de atendimento a compromissos previamente firmados e da disputa por caminhões para atendimento a distintas demandas”, informou a Conab no relatório.

Em Mato Grosso, onde apenas 1% da segunda safra de milho havia sido colhida até junho, a situação já mostra sinais de tensão. O estado, que responde por 43,12% das exportações brasileiras do cereal, registra comportamento de estabilidade nos fretes com tendência de alta. “O arrefecimento momentâneo registrado para novos negócios deverá promover a extensão do aquecimento do mercado de fretes para todo o segundo semestre, pois essa enorme safra deverá ser contratada e escoada em sua totalidade”, destaca o documento.

A situação se complica com a divisão dos corredores logísticos entre soja remanescente e a produção do milho segunda safra. As baixas cotações da oleaginosa fizeram com que parte relevante do produto não tenha sido comercializada, criando competição por espaço logístico. “Do ponto de vista logístico, o fato implica divisão dos corredores e do espaço logístico com a enorme produção vindoura do milho segunda safra”, aponta a Conab.

No Distrito Federal, o boletim registra aumento generalizado nos fretes em junho, com destaque para as rotas com destino a Araguari e Uberaba, em Minas Gerais, que apresentaram variações de 5% e 4%, respectivamente. “A maior movimentação de grãos devido ao escoamento da soja e do início do milho segunda safra, cuja colheita está em andamento, além de uma oferta restrita dos prestadores de serviço de transporte, refletindo positivamente nas cotações de frete”, informou a estatal.

Em Mato Grosso do Sul, os aumentos foram ainda mais expressivos. A rota Aral Moreira-Maringá (PR) disparou 46% no mês, passando de R$ 90 para R$ 131 a tonelada. Para Paranaguá, a mesma origem registrou alta de 31%, de R$ 200 para R$ 261. “A redução no preço da soja nos últimos meses vem provocando um comportamento mais cauteloso por parte dos vendedores, que optam por comercializar gradualmente a produção em busca de melhores oportunidades de negócios”, disse a Conab. O estado movimentou 774.292 toneladas de soja em junho, ante 620.421 toneladas em maio, um crescimento que justifica parte da pressão sobre os fretes.

Goiás também registra aquecimento na demanda por transporte. Nas principais rotas com origem em Rio Verde, os aumentos chegaram a 9% em junho na comparação mensal. A rota para Araguari (MG) subiu de R$ 117 para R$ 127 a tonelada, enquanto o destino Santos (SP) passou de R$ 284 para R$ 308. “Apesar disso, o mês deve encerrar com menos de 10% da segunda safra de milho colhida, um contraste com os 30% registrados no mesmo período da safra anterior”, observou a Conab.

A comercialização do milho em Goiás atingiu 35% da safra, impulsionada pela necessidade de os produtores cobrirem custos e adquirirem insumos para a próxima safra. A soja apresenta índice de comercialização de 85%, com o restante da produção retido na expectativa de melhores oportunidades de venda.

No Paraná, o cenário se mostra mais heterogêneo. A soja apresentou impacto positivo nos preços de fretes em Cascavel, com alta de 24%, e em Ponta Grossa, com aumento de 9%. Porém, o milho variou negativamente em 7% para o destino Rio Grande do Sul e 11% para Paranaguá, em virtude das chuvas e diminuição dos fretes na região.

A cultura do milho segunda safra 2024/25 tem 18,9% da produção comercializada, com apenas 12% da área colhida na região de Toledo. Em relação ao feijão de primeira safra 2024/25, a colheita está finalizada com 96,1% da produção comercializada.

Mesmo com a redução no preço do diesel e o reajuste para baixo do piso mínimo de fretes pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Conab avalia que os custos continuam pressionados por fatores estruturais. A necessidade de liberar espaço em armazéns para recebimento do milho, somada à quantidade produzida pela agricultura em 2025, mantém suporte no nível de preços.

“O mercado trabalha, de modo geral, com a previsão de preços elevados atribuídos aos fretes rodoviários, a se observar a partir de junho, com potenciais efeitos ao longo de todo o segundo semestre de 2025”, destacou o relatório.

A expectativa é de que as cotações dos fretes apresentem suporte durante todo o ano, uma vez que ainda há parcela da soja a ser escoada, além da safra de milho a ser destinada aos mercados interno e externo.



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confira as cotações de hoje


O mercado brasileiro de soja registrou um dia de poucos negócios nesta quarta-feira (23), com cotações relativamente mais fracas, especialmente nos portos, pressionadas pelos recuos em Chicago e na taxa de câmbio.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, os prêmios ajudaram a compensar parcialmente esse movimento, mas, no geral, houve queda nos preços.

“No mercado interno, os players mantiveram uma postura cautelosa, com spreads elevados entre as indicações de compra e venda. O basis local segue firme, já que o produtor está priorizando a venda de milho no curto prazo e exige preços mais elevados para a soja. Alguns negócios foram registrados, mas sem volumes significativos reportados”, ressalta.

Preços da saca de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): se manteve em R$ 132
  • Santa Rosa (RS): ficou em 133
  • Porto de Rio Grande (RS): permaneceu em R$ 139
  • Cascavel (PR): ficou em R$ 131
  • Porto de Paranaguá (PR): queda de R$ 138 para R$ 137
  • Rondonópolis (MT): recuou de R$ 121 para R$ 120
  • Dourados (MS): caiu de R$ 125 para R$ 122
  • Rio Verde (GO): continuou em R$ 122

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira com preços mais baixos, revertendo os ganhos iniciais.

Segundo Silveira, o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas suplantou o suporte dado pelo avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e importantes parceiros.

Após acertar tarifas recíprocas de 15% com o Japão, os Estados Unidos sinalizaram uma aproximação com a China e encaminharam um acordo com a União Europeia. As notícias resultaram em menor aversão ao risco e asseguraram bons ganhos em Chicago na maior parte do dia.

De acordo com a Safras & Mercado, com o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras e a perspectiva de uma safra cheia nos Estados Unidos, o mercado mudou de direção na parte final da sessão, encerrando com perdas moderadas.

Contratos futuros da soja

cotação preço soja queda Chicagocotação preço soja queda Chicago
Foto: Reprodução

Os contratos da soja em grão com entrega em agosto fecharam com baixa de 4,50 centavos de dólar ou 0,44% a US$ 10,05 3/4 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,22 3/4 por bushel, perda de 2,75 centavos ou 0,26%.

Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,70, ou 0,61%, a US$ 276,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em agosto fecharam a 56,14 centavos de dólar, com ganho de 0,51 centavo ou 0,91%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,79%, sendo negociado a R$ 5,5227 para venda e a R$ 5,5207 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5152 e a máxima de R$ 5,5777.



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AgroNewsPolítica & Agro

Cotrijal inicia obras que preparam Expodireto maior


A Cotrijal participou nesta segunda-feira, 21 de julho, da assinatura da ordem de início das obras de reposicionamento da ERS-142, entre a Prefeitura de Não-Me-Toque e a empresa vencedora da licitação. O novo traçado da rodovia irá possibilitar a futura ampliação do parque da Expodireto Cotrijal.

No final do ano passado, um trecho da rodovia que conecta o município a Victor Graeff/RS passou do governo do estado para a jurisdição de Não-Me-Toque/RS. Já a cooperativa destinou um espaço de cerca de dois quilômetros ao município. Com isso, o trecho da rodovia que atualmente passa em frente ao parque da Expodireto Cotrijal será realocado para a área que foi cedida à Prefeitura de Não-Me-Toque, localizada dentro do estacionamento principal da feira. Essa mudança permitirá a execução do projeto de ampliação do parque.

O contrato com a empresa Compacta Sul prevê o início das obras na rodovia para os próximos dias. O prazo para conclusão é de nove meses. As obras incluem terraplanagem, drenagem, pavimentação asfáltica e sinalização no trecho municipalizado da ERS-142.

Dessa forma, a realocação do trecho deve ser finalizada para a Expodireto Cotrijal do ano que vem, já a ampliação do parque está estimada para a edição de 2027. “Essas obras são muito importantes porque vamos oportunizar a participação de muitas empresas que já aguardam para fazer parte da Expodireto Cotrijal. É um projeto da prefeitura com o estado do Rio Grande do Sul que vai beneficiar a feira e toda a comunidade”, ressaltou o presidente da Cotrijal, Nei César Manica.

O investimento previsto é de mais de R$ 2,7 milhões, contando com recursos oriundos de emenda parlamentar no valor aproximado de R$ 2,5 milhões, destinada pelo deputado federal Pedro Westphalen.

“Vai consolidar de vez uma das maiores e melhores feiras do agronegócio, além de trazer maior visibilidade, circulação de pessoas, arrecadação e investimentos para Não-Me-Toque. Nós ficamos muito felizes em contribuir para que a Expodireto continue crescendo”, destacou o prefeito Gilson dos Santos.

A assinatura do termo de início das obras foi realizada no gabinete do prefeito e também contou com a presença do presidente da Câmara de Vereadores, Cristiano Lima, e de secretários municipais, além de representantes da empresa vencedora da licitação e da cooperativa.





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livro gratuito convida leitor a repensar usos e destinos da oleaginosa



Você sabe onde mais a soja está presente no seu dia a dia? Digamos que, muitas vezes, a oleaginosa está tão incluída na rotina que passa despercebida. Essa é a ideia do livro Biodiesel no Brasil: Reflexões Sobre o Potencial das Principais Matérias-Primas, lançado oficialmente nesta quarta-feira (23), durante o X Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2025, em Campinas (SP). A obra, que conta com 172 páginas distribuídas em 16 capítulos, tem como objetivo ampliar a eficiência e o uso de diversas matérias-primas no programa de biocombustíveis do Brasil.

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O Soja Brasil conversou com um dos autores, César de Castro, pesquisador da Embrapa Soja, que ressalta que a commodity ultrapassa a alimentação humana e a ração animal, presente em muitos produtos invisíveis ao consumidor. Para quem ainda imagina que a soja seja utilizada apenas para alimentação humana ou ração animal, vale a pena entender sua ubiquidade e importância na vida moderna.

Conforme destacado logo no prefácio da obra, o grão é matéria-prima essencial para uma ampla variedade de produtos de alto valor agregado, que vão desde batons simples até carnes de frango, suínos e bovinos, além de leite, ovos e diversas aplicações industriais.

É neste contexto que Castro fala sobre alternativas promissoras para a produção de biocombustíveis, como a camelina e a macaúba. Segundo dados apresentados no livro, a transição para fontes renováveis tem impulsionado pesquisas envolvendo cerca de 350 espécies vegetais com potencial para biodiesel, incluindo macaúba, pinhão-manso, nabo forrageiro, colza, girassol, canola e camelina.

Apesar desse avanço, a soja ainda domina a produção de óleo vegetal no Brasil, com outras culturas, como palma de óleo, algodão e girassol, ocupando posições menores no mercado nacional. O pesquisador ressalta que, mesmo assim, é fundamental a adoção de culturas de alta produtividade, preferencialmente com elevado teor de óleo, que atendam aos critérios de baixas emissões de carbono ao longo de seu ciclo de vida e que sejam compatíveis com práticas de manejo sustentável do solo.

O livro traz ainda reflexões importantes sobre os desafios da matriz energética mundial. Em um dos trechos, os autores afirmam que, feliz ou infelizmente, dependendo do ponto de vista, o petróleo ainda é abundante, e que a Terra possui aproximadamente 65 mil campos conhecidos de petróleo e gás.

A partir dessa constatação, a publicação reforça a necessidade urgente de acelerar a transição para fontes renováveis de energia, como os biocombustíveis. É nesse contexto que a soja ganha destaque: o óleo extraído do grão é hoje a principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel no Brasil. Assim, a soja, além de alimentar pessoas e animais, se insere de forma estratégica no debate sobre sustentabilidade e alternativas ao petróleo.

Confira o livro completo aqui.



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Brasil precisa suspender compra de tilápia do Vietnã imediatamente, defende Peixe BR



A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) divulgou nota nesta quarta-feira (23) em que defende que o país suspensa imediatamente a importação de tilápia do Vietnã.

Para a entidade, essa medida deve ser adotada com urgência pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Essa ação é imprescindível para preservar a sustentabilidade da cadeia produtiva da tilápia no Brasil, que é formada por cerca de 98% de pequenos produtores. Isso significa que qualquer instabilidade ou desequilíbrio na concorrência afeta diretamente a capacidade de manutenção da atividade brasileira”, destaca o texto.

A Peixe BR destaca que o Brasil conta com 237.669 estabelecimentos rurais com foco na produção de peixes, totalizando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 12,5 bilhões em 2024.

“Além disso, 21% da produção nacional provém de cooperativas, sendo que o maior exportador brasileiro de tilápia para os Estados Unidos é justamente uma cooperativa de produtores, evidenciando o papel estratégico desses modelos organizacionais”, ressalta a nota.

Preços pagos ao produtor

A Peixe BR afirma que os preços pagos ao produtor estão abaixo dos valores registrados no mesmo período do ano passado.

O movimento é reflexo de uma oferta elevada pela diminuição das exportações e da queda sazonal no consumo durante o inverno. “Desta forma, a entrada de produto importado com preços inferiores intensifica ainda mais a pressão sobre o mercado interno, comprometendo a rentabilidade e a sobrevivência de milhares de produtores”, diz o texto da entidade.

Tilápia sustentável

A Peixe BR reforça que o uso de ração de origem vegetal e baixo nível de exigência de proteína, especialmente quando comparado a espécies como o salmão, faz do Brasil o país com a tilapicultura mais sustentável do mundo.

“Somado a isso, o país detém o sistema regulatório ambiental e de inspeção mais rigoroso entre os quatro maiores produtores mundiais de tilápia.”

A Associação reitera que o Brasil é líder na adoção de tecnologia na produção de tilápia, inovação que exige altos investimentos, cuja amortização média varia entre sete e dez anos. “Por isso, caso esse cenário atual de preços em queda e concorrência desleal persista, há grandes chances de haver uma inadimplência generalizada dos financiamentos de longo prazo, colocando em risco o futuro do setor”, afirma.



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Pará aprova ação judicial contra a moratória da soja



A Associação dos Produtores de Soja do Pará (Aprosoja-PA) aprovou por unanimidade o ingresso de ação judicial contra a moratória da soja, segundo nota divulgada nesta quarta-feira (23). A decisão foi tomada em assembleia geral na segunda-feira (21) e coloca o Pará ao lado de Mato Grosso e Rondônia na contestação judicial do acordo firmado em 2006.

O Pará é o segundo estado com maior área de soja no Bioma Amazônia, atrás apenas de Mato Grosso. A moratória da soja é um acordo voluntário entre tradings multinacionais e organizações não governamentais que proíbe a compra de soja cultivada em áreas do bioma desmatadas após julho de 2008, mesmo quando o desmatamento respeita os limites do Código Florestal.

“Não há mais espaço para omissão. O setor produtivo fez sua parte, alertou, buscou diálogo, tentou reformular. Agora é hora de reagir com firmeza. O que está em jogo não é só o direito de produzir – é o direito de existir”, disse o presidente da Aprosoja-PA, Vanderlei Ataídes, em nota.

Segundo a entidade, o Pará tem “vastas áreas de produção inseridas no Bioma Amazônia” e produtores paraenses “vêm sendo expurgados da atividade agropecuária há quase duas décadas, mesmo cumprindo o Código Florestal e todas as exigências legais nacionais”. A Aprosoja-PA classifica como violações aos princípios da livre concorrência a “imposição de critérios extralegais, a construção de listas negativas compartilhadas entre concorrentes e a prática de sanções privadas disfarçadas de compromisso ambiental”.

A ação será coordenada por uma “frente jurídica nacional que vem sendo estruturada com apoio de especialistas e das demais Aprosojas estaduais, em articulação com parlamentares, federações e entidades do agro”, segundo a nota. O objetivo é “reconstruir um ambiente de previsibilidade e respeito ao produtor que cumpre a lei – sem submissão a imposições estrangeiras disfarçadas de responsabilidade ambiental”.

A iniciativa do Pará ocorre enquanto Mato Grosso mantém duas frentes judiciais contra a moratória. A Aprosoja-MT protocolou em dezembro de 2024 uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), alegando que as tradings formam um “cartel de compra” que controla mais de 95% das exportações brasileiras de soja. Em abril, ingressou com ação civil pública de R$ 1,1 bilhão contra 33 réus, incluindo ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus, além da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

No Supremo Tribunal Federal, o julgamento da constitucionalidade da Lei Estadual 12.709/2024 de Mato Grosso está suspenso desde junho por pedido de vista do ministro Dias Toffoli. A norma permite ao Estado vetar benefícios fiscais a empresas signatárias da moratória a partir de janeiro de 2026. Até a interrupção, o placar estava 2 a 0 pela manutenção da lei, com votos dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes.

A pressão judicial coincide com a proximidade da implementação da Regulamentação Europeia de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entra em vigor em dezembro e exigirá rastreabilidade total de produtos agrícolas. As tradings defendem a moratória como diferencial para acesso ao mercado europeu, que representa 14% das exportações brasileiras de soja.

Relatório do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) revelou que empresas signatárias da moratória receberam R$ 4,7 bilhões em incentivos fiscais entre 2019 e 2024. A Bunge liderou com R$ 1,56 bilhão, seguida por ADM (R$ 1,31 bilhão), Cofco (R$ 661 milhões) e Cargill (R$ 594 milhões).

Dados da Abiove mostram que a área plantada com soja no Bioma Amazônia passou de 1,64 milhão de hectares em 2007/08 para 7,28 milhões em 2022/23. Na última safra, apenas 250 mil hectares dos 7,3 milhões de hectares de soja na Amazônia estavam fora da conformidade com a moratória. A Aprosoja-MT, por sua vez, alega que apenas 300 mil hectares foram desmatados em Mato Grosso após 2009 dentro do escopo da moratória, mas a restrição atinge 2,7 milhões de hectares no Estado. “Não é possível que uma cadeia estratégica para o país esteja sendo submetida a pactos paralelos ao Estado de Direito, celebrados por empresas que operam no Brasil mas decidem ignorar suas leis. Isso precisa ter um basta”, acrescentou Ataídes.



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Pecuária 4.0: três ferramentas para acelerar a gestão da fazenda mesmo à distância


Pecuaristas, o mercado de carne bovina tem demonstrado uma volatilidade significativa, com quedas recentes e expressivas nas cotações e três ferramentas devem ajudar muito. Assista ao vídeo abaixo e saiba quais ferramentas são essas.

Para auxiliar os pecuaristas a navegar por esse cenário de incertezas, o zootecnista Mauricio Scoton, professor da Universidade do Agro de Uberaba (Uniube), apresentou três ferramentas cruciais.

No quadro “Dicas do Scoton” do programa Giro do Boi, na quarta-feira (17), ele detalhou como intensificar a gestão e a comunicação na fazenda para estar preparado para os momentos desafiadores do mercado.

1. Planilha de margem: o mapa da lucratividade

Produtor rural. Foto: CanvaProdutor rural. Foto: Canva
Produtor rural. Foto: Canva

A primeira e fundamental ferramenta para a Pecuária 4.0 é a planilha de margem. Ela atua como um guia detalhado para cada operação de compra de gado, permitindo que o produtor visualize o resultado financeiro antes mesmo de o negócio ser fechado.

A planilha de margem deve considerar os seguintes elementos essenciais:

  • Custo da arroba de compra: O valor pago pelo animal no momento da aquisição.
  • Custos embutidos: Despesas como frete e comissão da negociação.
  • Custo da diária no confinamento: Uma estimativa do gasto diário com o animal no cocho.
  • Dias de confinamento: A projeção do tempo que o animal permanecerá no confinamento.
  • Padrão de carcaça: O peso final desejado (seja 16, 18, 20 ou 22 arrobas) e a qualidade esperada da carcaça.
  • Ganho médio diário (GMD) previsível: Baseado na dieta fornecida no confinamento.

Com a inserção e análise desses dados, o pecuarista consegue calcular o custo da arroba produzida e ter clareza sobre a viabilidade financeira da operação, garantindo que a conta feche no final do ciclo de produção.

2. Mercado futuro: segurança para sua operação

Suplementação de bovinos a pasto. Foto: DivulgaçãoSuplementação de bovinos a pasto. Foto: Divulgação
Suplementação de bovinos a pasto. Foto: Divulgação

A segunda ferramenta é o mercado futuro, uma estratégia poderosa para trazer segurança e previsibilidade à operação pecuária.

Ele permite que o produtor “trave” o preço de venda da sua boiada com antecedência, seja para entregas em setembro, outubro, novembro ou dezembro.

Ao travar o preço no mercado futuro, o pecuarista ganha segurança em relação a diversos fatores:

  • Preço de compra do animal: O valor que foi pago na aquisição.
  • Custo total na fazenda: Todos os gastos acumulados até o ponto de venda.
  • Preço de venda garantido: O valor pelo qual sua boiada será comercializada, protegendo a operação de quedas inesperadas nas cotações do mercado físico.

Buscar uma boa consultoria e uma corretora de confiança é essencial para operar com sucesso no mercado futuro, maximizando a segurança e a rentabilidade do negócio.

3. Gestão operacional do confinamento: eficiência nos detalhes

A terceira ferramenta, e não menos importante, é a gestão operacional do confinamento.

Ela envolve o controle minucioso de todos os processos diários para garantir o melhor desempenho dos animais e, ao mesmo tempo, alinhar a execução com as projeções estabelecidas na planilha de margem.

Isso inclui aspectos cruciais como:

  • Fornecimento de dieta: Um controle rigoroso sobre quanto e como o alimento é distribuído aos animais.
  • Formulação da dieta: A garantia de que a dieta fornecida é a ideal e está balanceada para o ganho de peso desejado.
  • Controle de estoque: A gestão eficiente dos insumos e alimentos para o confinamento.

Ter disciplina na aplicação dessas três ferramentas permite que o pecuarista minimize os problemas decorrentes da instabilidade do mercado. Como bem diz o ditado, “o bom marinheiro é aquele que sai para o mar preparado para a tempestade”.

Nesses momentos de desafio, é fundamental buscar a eficiência e aprofundar a gestão da operação. A Pecuária 4.0 não se resume apenas à adoção de tecnologias, mas principalmente à inteligência na gestão para garantir a lucratividade e a sustentabilidade do negócio.



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Soja brasileira lidera certificação RTRS e ganha espaço no mercado internacional



Com mais de 6 milhões de toneladas certificadas apenas em 2024, o Brasil se consolida como líder mundial da soja certificada RTRS, uma chancela internacional que atesta práticas agrícolas responsáveis, respeito ao meio ambiente e uso sustentável dos recursos naturais. O selo, criado há 15 anos pela Mesa Redonda da Soja Responsável, é hoje a principal referência global para a produção de soja com desmatamento e conversão zero.

Em entrevista ao programa Planeta Campo, Luiza Bruscato, diretora global da RTRS, destacou o protagonismo brasileiro no cenário internacional e os avanços na sustentabilidade da produção. “O Brasil é o maior produtor de soja do mundo e enfrenta grandes desafios com o desmatamento. Mas esse desafio se transforma em oportunidade para os produtores que já estão adequados às boas práticas e podem ser recompensados por isso”, afirmou.

Certificação abre portas para mercados exigentes

Atualmente, o Brasil conta com mais de 350 fazendas certificadas, principalmente nos estados de Mato Grosso, Goiás e região do Matopiba. Além disso, há 37 empresas e 40 portos certificados, garantindo que toda a cadeia de custódia — do campo ao porto — esteja em conformidade com os critérios da RTRS.

“Além da produção em si, a certificação garante rastreabilidade e conformidade ao longo de toda a cadeia, o que é fundamental frente à nova Lei de Desmatamento da União Europeia”, explica Bruscato. Em 2024, a RTRS desenvolveu um módulo específico para atender às exigências da legislação europeia, garantindo acesso ao mercado europeu a partir de dezembro deste ano.

Agricultura regenerativa entra no radar da RTRS

Uma das novidades para 2025 é a adoção de práticas de agricultura regenerativa em fazendas-piloto no Mato Grosso. O projeto envolve cerca de 15 mil hectares e visa premiar ainda mais os produtores que vão além da sustentabilidade convencional. “Vamos trabalhar com indicadores de emissões e balanço de carbono, algo essencial para atender aos compromissos de descarbonização assumidos por empresas globais”, explicou Luiza.

Essa expansão para práticas regenerativas demonstra como o selo RTRS está evoluindo e se adaptando às novas demandas globais, incluindo os mercados que exigem metas climáticas rigorosas.

Pagamento por serviços ambientais valoriza o produtor

Segundo Luiza Bruscato, a certificação RTRS também representa uma forma de pagamento por serviços ambientais. “As grandes marcas — europeias e brasileiras — compram a soja certificada não apenas para cumprir legislações, mas como parte de suas próprias políticas de sustentabilidade. Isso gera valor direto para o produtor rural”, destaca.

O modelo garante valorização da produção, acesso a mercados premium e oportunidades comerciais mais vantajosas. “O produtor brasileiro já entendeu que a certificação é sinônimo de acesso, reconhecimento e premiação pelas boas práticas no campo”, completa a diretora.

Conferência internacional vai reunir elos da cadeia da soja

Para aprofundar a discussão sobre os rumos da soja responsável, a RTRS realiza sua conferência internacional no dia 17 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo, durante o evento Victam. A programação vai reunir produtores, indústrias, tradings, instituições financeiras e ONGs para debater o futuro da soja certificada e suas conexões com o mercado global.

“Estamos em um momento de transformação. A certificação RTRS não é apenas um selo, mas uma ferramenta concreta para garantir sustentabilidade e competitividade ao agronegócio brasileiro”, concluiu Bruscato.



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doenças e estratégias de combate são apresentadas em painel



Nesta quarta-feira (23), em Campinas (SP), durante o X Congresso Brasileiro de Soja (Cbsoja) e Mercosoja, a equipe do Soja Brasil acompanhou a apresentação dos mais recentes resultados da rede de ensaios de controle de doenças da cultura. Moderado pelo pesquisador Maurício Meyer, da Embrapa Soja, o painel reuniu especialistas para discutir os dados da última safra e os impactos das principais adversidades, como mancha-alvo, mofo branco e ferrugem asiática.

Meyer explicou que a pesquisa é o alicerce da sustentabilidade da cadeia produtiva da soja. “Sem a pesquisa, que permite adaptar cultivares e entender a interação entre ambiente e plantas, não seria possível definir estratégias eficazes de controle e manejo. Por isso, todas as decisões são baseadas em estudos científicos”, disse. Ao longo do tempo, diversos estudos acompanharam as principais doenças nas diferentes regiões. “Com isso, foi criada uma força-tarefa que coordena os ensaios em rede para controle químico e biológico, justamente para identificar os melhores tratamentos”, reforçou.

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Dados apresentados

Carlos M. Utiamada, da Fornarolli Ciência Agrícola, abordou o papel das doenças de final de ciclo e a necessidade de estratégias de manejo eficazes. “Entre as estratégias está a rotação de fungicidas, fundamental para atrasar o surgimento de resistência nos patógenos”, afirmou. O pesquisador também explicou que foram testados 12 tratamentos, incluindo protocolos com e sem fungicidas, além de avaliações sobre fitotoxicidade dos produtos.

Já a pesquisadora Cláudia Godoy apresentou os dados sobre ferrugem-asiática, considerada a doença mais temida pelos produtores. “A ferrugem é a única que realmente quebra o produtor. Mas, com o vazio sanitário e cultivares precoce, temos conseguido escapar em muitas regiões”, explicou. Mesmo com uma safra considerada fraca para a doença, surtos foram registrados com severidade média de 34%, além da detecção de mutações resistentes, como a V130A.

A pesquisadora Luana Belufi, da Fundação Rio Verde, falou sobre a mancha-alvo. “A mancha-alvo teve alta incidência nos ensaios e, em muitos casos, comprometeu o rendimento das lavouras. É uma doença que exige atenção redobrada no manejo”, alertou. Segundo ela, a severidade e o avanço da doença em várias regiões levaram inclusive à exclusão de dados de produtividade em algumas áreas.

Hércules Campos, da Universidade de Rio Verde, destacou a importância de monitorar o mofo branco, doença que depende das condições climáticas para se desenvolver. Ele explicou que, embora pontual, o mofo branco pode causar perdas médias de 22%, com números maiores em safras e áreas mais favoráveis à doença. Além disso, a presença do mofo branco junto a outras doenças aumenta o impacto negativo na lavoura, evidenciando a complexidade do manejo fitossanitário da soja.

Por fim, o professor Flávio Medeiros, da Universidade Federal de Lavras, compartilhou os resultados da rede de ensaios que avaliou o uso de produtos biológicos. Esta foi a terceira safra consecutiva testando essas soluções para o controle de doenças foliares, com tratamentos que combinam biológicos com químicos.



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Médio São Francisco sediará nova feira voltada para agronegócio


A região do Médio São Francisco receberá em Barra, no Oeste da Bahia, uma nova feira voltada para o agronegócio. Na manhã desta segunda-feira (21), a Barra Agro Show foi lançada na capital baiana numa cerimônia com autoridades, lideranças políticas e representantes de instituições.

O lançamento aconteceu no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia, em Salvador.

Cerca de 100 produtores fazem parte do Sindicato dos Produtores Rurais de Barra e se mobilizaram para atrair investimentos e tecnologia para a região.

Barra Agro Show, feira agropecuária, 2025
Foto: Divulgação

A realização da Barra Agro Show, bem como do evento em Salvador, é fruto desse engajamento. Marco Caviola, produtor e presidente da entidade, atendeu à imprensa exaltando o caráter inovador e diferenciado da Feira.

“Viemos convidar a sociedade para fazer parte deste projeto conosco e conhecer a agricultura e o desenvolvimento que já estão acontecendo em Barra”, afirmou o representante.

O presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, destacou o potencial produtivo da região e os desafios que devem ser vencidos.

“Nossos próximos passos devem incluir o avanço da educação para o agro e da aprendizagem rural na região, gerando ainda mais oportunidades em uma área que tanto tem a oferecer”, comentou Miranda.

Nas palavras do Secretário de Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo, a feira irá ajudar a consolidar ainda mais a produção baiana.

“Observamos no local a necessidade de investimento em tecnologia e infraestrutura para que todo o potencial seja desenvolvido com sucesso. Sem dúvida, iremos nos empenhar para isso”, resume Barrozo.

Barra conta com uma área consolidada e em produção de 94 mil hectares, com área total agricultável de mais de 1,4 milhões de hectares. Na região, as margens de rio somam mais de 600 km e propiciam irrigação abundante e agricultura tecnificada que já produz cacau, uva, manga, citros, grãos e outras culturas.

A feira acontece de 4 a 6 de setembro, em Barra, e tem expectativa de receber cerca de 12 mil pessoas, além de dezenas de empresas dos segmentos de serviços, startups, insumos, máquinas e equipamentos, transportes, entre outros.


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