Kuwait, Bahrein, Albânia e Turquia também retiraram as restrições à exportação de carne de frango brasileira, após a conclusão do foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), registrado no município de Montenegro (RS).
A situação atual das restrições das exportações brasileiras de carne de aves é a seguinte:
Sem restrição de exportação: África do Sul, Albânia, Argélia, Argentina, Bahrein, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Cuba, Egito, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Hong Kong, Índia, Iraque, Jordânia, Kuwait, Lesoto, Líbia, Marrocos, Mauritânia, México, Mianmar, Montenegro, Paraguai, Peru, República Dominicana, Reino Unido, Singapura, Sri Lanka, Turquia, Uruguai, Vanuatu e Vietnã.
Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil: Canadá, Chile, China, Macedônia do Norte, Malásia, Paquistão, Timor-Leste, União Europeia.
Suspensão restrita ao estado do Rio Grande do Sul: Angola, Arábia Saudita, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Coreia do Sul, Namíbia, Omã, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Ucrânia.
Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS): Catar
Suspensão limitada aos municípios de Montenegro, Campinápolis e Santo Antônio da Barra: Japão
Suspensão limitada à zona: Maurício, Nova Caledônia, São Cristóvão e Nevis, Suriname e Uzbequistão. O reconhecimento de zonas específicas é denominado regionalização, conforme previsto no Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e no Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A partir de 1º de agosto, os Estados Unidos passarão a aplicar uma alíquota de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, incide sobre itens como carne bovina, café, suco de laranja, frutas tropicais, aço e celulose — e afeta diretamente as cadeias do agronegócio nacional.
Segundo dados do ComexStat, os EUA foram o segundo maior destino das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2025, respondendo por 12,1% do total. Economistas avaliam que, embora o impacto direto no PIB nacional seja moderado, a decisão americana pode provocar efeitos inflacionários dentro dos próprios Estados Unidos e obrigar o Brasil a reavaliar sua dependência comercial.
Para a economista Carla Beni, professora de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), o termo técnico da medida importa: “Não se trata de uma tarifa, mas de uma alíquota sobre importação. E quem paga essa conta são os próprios americanos, não o produtor brasileiro”. Ela destaca que a alta nos preços dos alimentos pode pressionar o poder de compra da população e gerar instabilidade econômica nos EUA.
O doutor em economia pela FEA-USP e ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Associação Brasileira de Bancos, Roberto Luis Troster vai além. Para ele, a medida é um “tiro no pé” da economia americana.
“Essas alíquotas penalizam os próprios EUA. Elas reduzem a competitividade das empresas locais que usam insumos do Brasil e aumentam o custo de vida da população.”
“Essa alíquota é um modelo ultrapassado de substituição de importações. Os EUA não têm capacidade de suprir internamente sua demanda por produtos como café ou suco de laranja no curto prazo. Resultado: preços sobem, a inflação aumenta, e o Federal Reserve (FED) pode ser forçado a rever sua política de juros”, afirma Troster.
Entre os produtos mais impactados pela medida estão os do setor agropecuário — especialmente carne bovina de dianteiro (usada na produção de hambúrgueres), café não torrado, sucos de frutas, celulose e couro.
Exportações brasileiras do agro aos EUA – 2025 (ComexStat):
Os dados a seguir mostram a participação de cada produto agropecuário no total das exportações brasileiras com destino aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025:
Com o anúncio da medida, frigoríficos em Goiás e Mato Grosso do Sul suspenderam o abate de bovinos com destino ao mercado americano. “Em algumas cadeias pode haver excesso de oferta no mercado interno, o que tende a reduzir pontualmente os preços para o consumidor brasileiro”, avalia Carla.
Enquanto frigoríficos brasileiros interrompem os abates destinados aos EUA com embarques previstos para agosto, os americanos adotaram a estratégia oposta: anteciparam as compras para garantir o abastecimento antes da entrada em vigor da alíquota.
De janeiro a junho de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para os EUA cresceram 112% em valor (US$ 1,287 bilhão) e 85% em volume (411,7 mil toneladas), em comparação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Datamar News e do Beef Central.
“A antecipação mostra que os americanos tentam reduzir os impactos da alíquota no consumo interno. Mas é uma solução temporária. A pressão sobre estoques, especialmente de alimentos, vai crescer”, afirma Carla.
Empresas dos EUA também têm se mobilizado contra a medida. Segundo a Bloomberg, uma distribuidora de suco de laranja estima que seus custos com o produto não processado do Brasil subirão US$ 68 milhões ao ano, com repasse de até 25% ao consumidor final no varejo.
“Trump acredita que pode forçar a reindustrialização interna. Mas o tempo de resposta agrícola não acompanha isso. Um pé de café, por exemplo, leva anos para produzir. Até lá, o mercado sofre — e o consumidor também”, aponta Troster.
Apesar da reação setorial, Troster pondera que as exportações brasileiras aos EUA representam menos de 2% do PIB. “Não há risco de recessão. Os efeitos devem ser localizados.” Carla complementa: “Pode haver impactos nos preços, mas o mercado tende a se ajustar.”
Para ambos os economistas, o episódio reforça a urgência de uma política comercial mais multilateral. “O Brasil precisa reduzir a dependência de um único parceiro e ampliar relações com União Europeia, Mercosul, China e Oriente Médio”, diz Carla.
“O mundo está se reconfigurando. A influência americana diminui enquanto novos centros de poder se firmam. É hora de negociar em blocos”, afirma Troster. Eles também destacam que Trump já recuou em decisões semelhantes no passado, e que a pressão de grandes empresas pode forçar uma revisão da alíquota.

Um passo importante foi dado para os produtores de soja do Tocantins com a aprovação, pelo governo do estado, de um projeto de lei proposto pela Assembleia Legislativa que busca garantir a segurança jurídica no setor e proteger os produtores contra sanções privadas consideradas abusivas com a legislação brasileira.
A medida foi criada como resposta à Moratória da Soja, um acordo firmado entre empresas e ONGs que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, mesmo quando há conformidade.
O Soja Brasil conversou com a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Schneider, que destaca a relevância da notícia para os produtores do estado. Ela afirmou que essa é uma notícia muito importante para os produtores do Tocantins. Um projeto de lei da Assembleia Legislativa foi sancionado pelo governo do estado, o projeto contra a Moratória da Soja.
”Incentivamos que as empresas não percam incentivos fiscais, desde que respeitem a nossa legislação, o Código Florestal, a soberania nacional, o livre comércio e a livre concorrência. O projeto traz cada vez mais segurança jurídica para quem deseja produzir, respeitando as leis ambientais e federais vigentes no Brasil”, pontuou Caroline.
O projeto foi debatido em reunião com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que declarou apoio irrestrito à proposta. Segundo o texto, apenas empresas que respeitarem os marcos legais nacionais, especialmente os ligados à agropecuária, terão acesso a incentivos fiscais concedidos pelo Estado.
Enquanto o debate avança no Tocantins, produtores no Pará também vêm se mobilizando. Eles pedem reparação por perdas econômicas causadas por restrições similares. O movimento indica uma reação coordenada do setor produtivo na Amazônia Legal, que exige maior respaldo institucional frente a decisões tomadas fora do âmbito legislativo brasileiro.

Mais de 11 milhões de chaves Pix tiveram dados cadastrais vazados, comunicou na noite desta quarta-feira (23) o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O incidente ocorreu no Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), que conecta juízes e o Banco Central (BC).
Tanto o CNJ como o BC informaram que foram acessados de forma indevida dados de 11.003.398 chaves Pix. As informações cadastrais expostas foram as seguintes:
Segundo o CNJ, o problema ocorreu no domingo (20) e na segunda-feira (21) e foi prontamente corrigido.
O CNJ e o BC reiteraram que não foram expostos dados sensíveis, como senhas, informações de movimentações ou saldos financeiros em contas transacionais, ou quaisquer outras informações sob sigilo bancário.
De acordo com os dois órgãos, as informações obtidas são de natureza cadastral, que não permitem movimentação de recursos, nem acesso às contas ou a outras informações financeiras.
O Sisbajud é uma ferramenta eletrônica que permite aos juízes pedir informações financeiras e bloquear ativos de devedores. O sistema substitui o antigo BacenJud e facilita a comunicação entre o Judiciário e o sistema financeiro para o cumprimento de ordens judiciais.
O CNJ informou que oferecerá, em breve, uma ferramenta exclusiva para o cidadão consultar se foi afetado pela exposição de dados. A divulgação desse canal ocorrerá no site do CNJ.
Esse será o único meio de comunicação às pessoas afetas. O CNJ ressaltou que não contatará as vítimas por mensagens, SMS, e-mail ou chamadas telefônicas.
O BC, por sua vez, informou ter adotado as ações necessárias para a apuração detalhada do caso. O órgão ressaltou que o incidente tem baixo impacto potencial para os usuários e que a comunicação não é exigida pela legislação. No entanto, a autarquia decidiu divulgar a ocorrência por causa do princípio de transparência.
Em breve, o BC também detalhará a ocorrência na página específica em seu site destinada a comunicar todas as exposições e vazamentos de dados desde a criação do Pix.
Antiparasitários e antimicrobianos, em particular, possuem um período de carência que deve ser rigorosamente respeitado. Esse alerta está sendo amplamente reforçado pela indústria e pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Assista ao vídeo abaixo e entenda melhor este desafio.
Nesta sexta-feira (18), o programa Giro do Boi entrevistou o médico-veterinário Carlos Oliveira, especialista corporativo em Saúde e Bem-Estar Animal na Friboi.
Ele destacou a importância das boas práticas de produção e da administração correta dos produtos veterinários para garantir a qualidade e segurança do produto final que chega à mesa do consumidor.


O período de carência é o tempo necessário para que um medicamento veterinário seja completamente eliminado do organismo do animal após o término do tratamento. Respeitar esse período é crucial por diversas razões:
As boas práticas de produção, que incluem a administração correta de produtos veterinários, são um conjunto de normas e procedimentos que devem ser seguidos à risca para assegurar a qualidade e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva da carne.


Para administrar produtos veterinários de forma consciente e segura, os pecuaristas devem adotar as seguintes medidas:


É fundamental conferir se o período de carência de cada animal foi integralmente cumprido antes do embarque para o abate.
Os animais só podem ser comercializados e encaminhados ao frigorífico após o cumprimento total desse período. Evite embarcar animais adquiridos de terceiros recentemente antes que eles tenham permanecido em sua propriedade por, no mínimo, quatro meses.
O uso racional de antiparasitários na pecuária tem três objetivos principais:


Para aumentar a eficácia dos produtos e evitar o surgimento e a disseminação da resistência parasitária, siga alguns cuidados práticos essenciais:
Em unidades de confinamento e terminação a pasto, o respeito aos períodos de carência é de vital importância para a qualidade do produto final e para o cumprimento das normas sanitárias.
O comprometimento do produtor garante que a qualidade da carne esteja, literalmente, em suas mãos, de ponta a ponta da cadeia produtiva. Clique aqui e entenda melhor as boas práticas com os bovinos de corte com um e-book exclusivo.
O cenário delimitado no mercado físico do boi gordo no início de julho já apontava para queda dos preços, no entanto, esse movimento perdia intensidade, respeitando o piso dos R$ 300 por arroba (@) no físico paulista como grande ponto de suporte. O aumento das tarifas imposta pelos Estados Unidos (50% sobre todos os produtos brasileiros), que reduziu substancialmente a competitividade brasileira no mercado internacional resultou em intensificação do movimento de queda – o piso de R$ 300/@ no físico e no mercado futuro foi perdido, com os preços alcançando as mínimas no ano.
O cenário para os pecuaristas é desafiador, ilustrando com clareza a necessidade de adoção de ferramentas modernas de gestão de risco. O hedge deixa de ser opcional diante de um mercado cada vez mais dinâmico. O fato é que o mercado futuro ofereceu ótimas oportunidades de travamento ao longo do ano, em especial no mês de abril, quando o vencimento outubro superou a marca de R$ 350/@.


No mercado físico, o movimento de queda durante a semana passada aconteceu de maneira acelerada e generalizada, com movimento contundente de queda em todo o país. Estados como São Paulo, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentaram importante recuo das cotações, como ilustrado no gráfico abaixo. A boa disponibilidade de animais terminados em regime intensivo dificulta a retenção por parte do pecuarista, além disso, se evidencia novamente boa participação das fêmeas no abate, característica marcante da atual temporada.
Sob o prisma da indústria os prejuízos em relação ao embargo são relevantes, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), são aproximadamente 30 mil toneladas já processadas e preparadas para o embarque que estão paradas, os contratos estão em risco de não serem cumpridos, em termos de receita as perdas podem representar em torno de US$ 160 milhões.
A indústria segue buscando alternativas para redirecionar esse produto para outros destinos, o que não é necessariamente simples, diante das especificações exigidas pelos norte-americanos, de qualquer forma o país busca ampliar suas vendas para a Ásia em meio à crise na relação comercial entre Estados Unidos e Brasil. O quadro de momento aponta para o recrudescimento da tensão entre os países, considerando os recentes eventos políticos. A dissonância política entre os países fica evidente a cada declaração. Desta forma parece improvável que haja uma remoção das tarifas.
As tentativas de incluir determinados produtos em uma lista de exceções segue em curso, com negociações encabeçadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e lideranças industriais. Produtos como café, carne bovina e suco de laranja podem ser beneficiados nesse movimento, no entanto, esse acordo fica mais improvável com os eventos recentes.
Para o mercado do boi gordo o quadro traçado, ao menos no curtíssimo prazo, é de continuidade do movimento de queda, com o provável ponto de mínima em São Paulo ao nível de R$ 285/@. O mercado vai assimilar as mudanças em torno das exportações. O que também acelerou o movimento foi o cenário traçado para o atacado, com importante queda dos preços em todos os cortes, com osso e sem osso.
Para o último quadrimestre o mais provável é que haja recuperação dos preços da arroba do boi gordo, considerando dois elementos básicos nessa análise. O primeiro é o auge da demanda no mercado doméstico, com maior circulação de dinheiro com o décimo terceiro salário, criação de postos temporários de emprego, demais bonificações e confraternizações. O segundo aspecto está na perspectiva de abertura de novos mercados, e manutenção de um forte ritmo de embarques.
De qualquer forma, a perspectiva de altas mais agressivas da arroba do boi gordo parece improváveis no atual ambiente. Para o pecuarista, o ano corrente deixa a lição que proteger ao menos uma parcela das arrobas que serão entregues é imprescindível para conseguir boas margens e ter longevidade dentro de um mercado cada vez mais exigente.


*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Porto de Paranaguá lidera escoamento da soja de Mato Grosso do Sul
Agrolink
– Seane Lennon

Foto: Sheila Flores
A movimentação do mercado de fretes rodoviários agrícolas em Mato Grosso do Sul apresentou aumento nos preços durante o mês de junho. A análise consta da edição de julho do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta quarta-feira (23).
A retração nas cotações da soja nas últimas semanas tem levado os produtores a adotarem uma postura mais cautelosa, com vendas graduais da safra. No entanto, as expectativas de valorização do óleo de soja contribuíram para manter o interesse do mercado externo. Com isso, houve uma leve elevação nas exportações do produto no estado.
De acordo com a Conab, a colheita da segunda safra de milho avança com boas perspectivas, aumentando a demanda por transporte e pressionando os valores dos fretes. As operações logísticas voltadas à exportação, neste período, permaneceram concentradas na soja. “O milho, por sua vez, teve como principal destino o abastecimento de indústrias da região Sul do Brasil e a movimentação local para unidades de recebimento”, destaca o boletim.
Dados do Comex Stat, plataforma do Governo Federal para estatísticas de comércio exterior, indicam que 774,2 mil toneladas de soja foram movimentadas em junho, frente às 620,4 mil toneladas registradas em maio. Já o milho, no mesmo período, não teve exportações registradas, com a comercialização voltada exclusivamente ao mercado interno.
As principais rotas logísticas utilizadas para o escoamento da soja sul-mato-grossense em direção ao mercado externo foram os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP), São Francisco do Sul (SC), Porto Murtinho (MS) e Rio Grande (RS).

Nesta quarta-feira (23), durante o 10º Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja, especialistas reunidos em Campinas (SP) discutiram os desafios do melhoramento genético de plantas com foco na tolerância à seca. O painel “Respostas fisiológicas e melhoramento para tolerância à seca” apresentou os principais obstáculos enfrentados por pesquisadores na busca por cultivares mais adaptadas ao estresse hídrico, especialmente em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas.
O professor Gustavo Maia Souza, da Universidade Federal de Pelotas, destacou a complexidade dos mecanismos fisiológicos envolvidos na resposta das plantas à seca. A fotossíntese é comprometida em situações de estresse, o que pode causar desde queda de produtividade até a morte da planta. Os efeitos atuam em cadeia: mais radiação solar eleva a temperatura, que aumenta a evapotranspiração e reduz a disponibilidade de água no solo.
Outro ponto discutido foi o comportamento das plantas diante da seca. Algumas mantêm o foco na reprodução mesmo com pouca água, enquanto outras reduzem sua atividade para economizar energia. Alexandre Garcia, da Bioceres Crop Solutions, explicou que entender os genes ligados a essas respostas é essencial para o sucesso das técnicas de edição gênica e para garantir produtividade mesmo sob condições adversas.
Também foram apontadas as dificuldades para testar cultivares tolerantes à seca em campo. Reproduzir a escassez de água em ambientes não controlados é complexo. Na Embrapa Cerrados, sensores e drones auxiliam na fenotipagem de culturas como soja, milho e trigo, ajudando a selecionar materiais mais tolerantes ao estresse hídrico.
O painel destacou ainda que não há uma única solução. O enfrentamento das mudanças climáticas exige a integração de várias estratégias: melhoramento genético, uso de bom germoplasma e boas práticas agrícolas que favoreçam a retenção de água no solo.
Outro desafio é a percepção de valor pelo agricultor. Como o gene de tolerância só se ativa em caso de seca, seu benefício pode passar despercebido em safras com boa chuva. Mesmo assim, especialistas reforçaram que qualquer ganho frente à variabilidade climática já é relevante.

As importadoras de suco de laranja Johanna Foods e Johanna Beverage Company entraram com um pedido de alívio emergencial junto ao Tribunal de Comércio Internacional (CIT, na sigla em inglês) dos EUA contra a tarifa de 50% ao Brasil. Trata-se de uma nova ofensiva do grupo para tentar conter a taxação ao país, responsável por mais da metade de todo o suco de laranja vendido nos EUA.
O pedido foi protocolado na terça-feira (23) conforme documento obtido pelo Estadão/Broadcast. As requerentes solicitam uma ordem de restrição temporária, uma medida cautelar e/ou uma liminar permanente para evitar a imposição e aplicação da tarifa ao Brasil, a partir de 1.º de agosto. O documento tem 160 páginas.
Na nova ofensiva judicial, as empresas alegam que a taxação do presidente dos EUA, Donald Trump, aos produtos brasileiros não encontra respaldo na Seção 301, no âmbito da investigação de práticas injustas do Brasil aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), nem nos requisitos obrigatórios da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
“A medida cautelar é essencial para prevenir danos irreparáveis significativos que os requerentes e os consumidores americanos sofrerão quando a Tarifa do Brasil entrar em vigor em 1.º de agosto de 2025”, afirmaram as empresas, no pedido.
Na semana passada, a Johanna Foods, com sede em Nova Jersey, e a Johanna Beverage Company, baseada em Washington, já haviam apresentado ação no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA contra a decisão de Trump de taxar o Brasil em 50%.
As empresas afirmaram que terão custos adicionais de US$ 68 milhões nos próximos 12 meses por conta da tarifa, o que elevaria entre 20% e 25% o preço que os consumidores americanos pagam pela bebida.
OMC
O representante do governo brasileiro no Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Philip Fox-Drummond Gough, expressou “profunda preocupação” com o uso de medidas comerciais unilaterais como instrumento de interferência nos assuntos internos de outros países.
No encontro, que acontece em Genebra, foi debatido o tema Respeito ao Sistema Multilateral de Comércio Baseado em Regras, ponto incluído na agenda por iniciativa do Brasil.
Sem citar especificamente os Estados Unidos e Trump, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty condenou “tarifas arbitrárias, anunciadas e implementadas de forma caótica” e que, segundo ele, violam os princípios fundamentais da OMC e ameaçam a economia mundial.
“Continuaremos a priorizar soluções negociadas e a confiar em boas relações diplomáticas e comerciais. Caso as negociações fracassem, recorreremos a todos os meios legais disponíveis para defender nossa economia e nosso povo – e isso inclui o sistema de solução de controvérsias da OMC”, disse o embaixador brasileiro.
Gough propôs ainda a atuação conjunta de outros países nessa questão. “As maiores economias, que mais se beneficiaram do sistema comercial, devem dar o exemplo e tomar medidas firmes contra a proliferação de medidas comerciais unilaterais”, argumentou.
“As economias em desenvolvimento, que são as mais vulneráveis a atos de coerção comercial, devem se unir em defesa do sistema multilateral de comércio baseado em regras”, completou ele. A manifestação brasileira na OMC ainda citou declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em artigo recente, em que o chefe do Executivo brasileiro defendeu a “necessidade urgente” de retomada do compromisso com a diplomacia e da reconstrução das bases do verdadeiro multilateralismo.