terça-feira, maio 12, 2026

Autor: Redação

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Guaraná em pó e osso processado: Brasil abre novos mercados



O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou duas novas aberturas de mercado ao Brasil: exportação de guaraná em pó para a Malásia e ossos processados para o México.

Listado entre os produtos da biodiversidade brasileira com maior demanda do mercado internacional, o guaraná em pó é nativo da região amazônica e naturalmente rico em cafeína, taninos, saponinas e catequinas, que contribuem para efeitos estimulantes, antioxidantes e anti-inflamatórios.

“Por essas características, tem ganhado espaço nas indústrias de bebidas energéticas e suplementos. O Brasil lidera a produção global de guaraná e é o principal exportador do insumo”, ressalta a pasta, em nota.

A Malásia possui mais de 34 milhões de habitantes e uma indústria alimentícia em expansão. Em 2024, importou do Brasil mais de US$ 1,27 bilhão em produtos agropecuários, com destaque para o complexo sucroalcooleiro, fibras e produtos têxteis, cereais, farinhas, café e carnes.

Quanto aos ossos processados, o governo do México aprovou o modelo de certificado internacional que viabiliza a compra do produto brasileiro.

Esse tipo de matéria-prima é usada na indústria de alimentação animal, produção de gelatina, colágeno e fertilizantes, setores com demanda crescente no mercado mexicano, país com quase 130 milhões de habitantes.

Segundo o Mapa, em 2024, o país importou do brasil mais de US$ 2,9 bilhões em produtos agropecuários, com destaque para complexo soja, proteína animal, café e produtos florestais.

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 397 aberturas de mercado desde o início de 2023.



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Fazenda ou empresa? ESG, sustentabilidade e o futuro do agro



A transformação de uma propriedade rural em uma empresa estruturada não é mais tendência é uma necessidade. Com o avanço do ESG e a crescente profissionalização do setor, produtores precisam adaptar a gestão, implementar governança e separar finanças pessoais das operacionais para atrair investimentos e garantir longevidade ao negócio.

Segundo Bárbara, especialista em finanças e sustentabilidade, essa mudança começa por padronização de processos, transparência nas finanças e agenda ESG clara e estratégica.

“É preciso separar a gestão patrimonial familiar da financeira do negócio. Sem isso, não há confiança nem tração para crescimento”, afirma.

ESG: de checklist à estratégia de impacto

O ESG (sigla para Environmental, Social and Governance) vai além de boas práticas é um modelo de gestão que integra sustentabilidade ao coração do negócio. A partir de 2026, empresas listadas na bolsa serão obrigadas a apresentar relatórios detalhados de riscos climáticos, sociais e ambientais, o que impacta diretamente o setor agro.

Principais erros dos produtores rurais ao implementar ESG:

  • Tratar os indicadores como checklist, sem compreender seus impactos reais
  • Focar em apenas um pilar (ex: ambiental) e negligenciar o social e a governança
  • Falta de métricas, metas e dados para comprovar evolução

Dica prática: Comece pelo mapeamento de riscos e estabeleça metas mensuráveis com dados confiáveis.

Mercados futuros e acesso ao capital: como se preparar

Para quem busca profissionalizar a gestão rural, entender e usar contratos futuros é um passo estratégico. Eles permitem ao produtor travar preços e planejar a receita com mais segurança, algo essencial para sustentabilidade financeira e tomada de decisão.

No mesmo caminho, ganham força no Brasil:

  • Pagamentos por serviços ambientais
  • Projetos de crédito de carbono
  • Fundos ESG internacionais
  • Linhas de financiamento com juros reduzidos para quem comprova boas práticas ambientais e sociais

“Com a COP30 no Brasil, o país será vitrine global de investimentos sustentáveis. Mas o produtor precisa estar preparado: ter governança, dados e indicadores claros para atrair esse capital”, reforça Bárbara.

Caminho para transformar a fazenda em empresa

Etapas fundamentais:

  1. Profissionalizar a gestão: contratar ou capacitar equipe técnica
  2. Implantar governança: definir papéis, responsabilidades e tomada de decisão
  3. Separar contas pessoais e da empresa
  4. Estruturar indicadores ESG com metas e métricas
  5. Adotar ferramentas de controle e planejamento financeiro
  6. Buscar assessoria técnica para acessar o mercado de capitais

No programa A Protagonista do Canal Rural, a Bárbara Seixas, especialista em finanças sustentáveis e governança no agro, contou um pouco mais sobre como transformar propriedades rurais em empresas estruturadas, com foco em ESG, profissionalização e acesso ao mercado de capitais. Acompanhe a entrevista completa!



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Lula rebate investida americana por terras raras


No mesmo momento em que o Brasil enfrenta tarifas abusivas impostas pelos Estados Unidos e vê sua diplomacia colocada à prova, uma nova frente de atrito se abre no xadrez geopolítico: o interesse explícito de Washington pelos minerais críticos brasileiros, em especial, as terras raras.

A declaração do encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, de que o governo americano quer “acesso aos minerais críticos do Brasil”, não passou despercebida. Em reunião com empresários, o diplomata foi claro ao afirmar que isso faz parte da “estratégia de segurança nacional” dos Estados Unidos, deixando subentendido que o tema é tratado como prioridade militar e econômica pelo governo Trump.

A resposta do presidente Lula foi imediata e simbólica:

Ninguém põe a mão nos minerais ricos do Brasil”, disparou o presidente, durante evento em Brasília.

Uma frase curta, mas carregada de significado estratégico — e que pode ser lida tanto como um aviso quanto como uma defesa preventiva.

Essa troca pública revela muito mais do que um desacordo pontual. Ela expõe uma disputa silenciosa (e crescente) por controle de cadeias estratégicas globais, em um mundo cada vez mais fragmentado por interesses nacionalistas.

O episódio pode ser interpretado à luz da chamada “teoria do louco” (madman theory) — um conceito de política externa usado por Richard Nixon e, mais recentemente, por Donald Trump. A lógica é simples: demonstrar imprevisibilidade e disposição para medidas extremas, mesmo irracionais, para fazer os adversários cederem por medo.

No caso atual, os EUA vêm acumulando movimentos que sugerem a aplicação dessa estratégia:

  • Tarifas de 50% sobre o agro brasileiro;
  • Ameaças de sanções comerciais como resposta à política interna brasileira;
  • Declarações públicas de pressão por acesso a recursos estratégicos, como as terras raras, fundamentais para a indústria de defesa, carros elétricos e tecnologias digitais.

Sob essa ótica, o recado do diplomata americano pode não ser um deslize, mas uma jogada calculada: pressionar o Brasil em múltiplas frentes — comercial, diplomática e agora mineral — para criar tensão e obter vantagens geopolíticas sem um confronto direto.

As chamadas terras raras são elementos químicos essenciais para a produção de semicondutores, baterias, turbinas e armamentos. Embora a China detenha mais de 60% da produção global, o Brasil é uma potência latente nesse setor, com reservas significativas e, sobretudo, estabilidade institucional e acesso logístico.

Essa combinação desperta o apetite americano, principalmente num momento em que Washington busca reduzir sua dependência da China. Mas querer não é poder: o Brasil ainda não tem uma política clara de exploração e industrialização dessas riquezas, o que torna o país vulnerável a pressões externas e barganhas desiguais.

A reação de Lula tem peso político, mas o Brasil precisará de mais do que declarações firmes. Será necessário construir:

  • Uma estratégia nacional para minerais críticos, com regulação clara e parcerias equilibradas;
  • Um ambiente de investimentos que preserve o controle nacional, mas atraia tecnologia e capital;
  • E, sobretudo, coerência diplomática para não cair em armadilhas geopolíticas disfarçadas de “ajuda” ou “cooperação estratégica”.

Brasil no jogo dos gigantes das terras raras

A pressão americana por minerais estratégicos não é um caso isolado, mas parte de um redesenho global das cadeias produtivas. O Brasil está na mira. E diante de um governo americano que age segundo a lógica da “teoria do louco”, o país não pode se dar ao luxo de ingenuidade.

É preciso firmeza, mas também inteligência estratégica. Defender os interesses nacionais, sem cair em provocações, nem se curvar à chantagem, é o verdadeiro desafio.

Como disse Lula, “ninguém põe a mão”. Mas para garantir isso, é hora de transformar essa frase em política de Estado.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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AgroNewsPolítica & Agro

Soja enfrenta cenário de incertezas e disputa por mercado


A soja brasileira está no centro de um cenário volátil influenciado por fatores climáticos, comerciais e cambiais. A commodity atravessa um momento de instabilidade, em meio à possível imposição de uma segunda onda de tarifas pelos Estados Unidos, que incluiria o Brasil entre os países afetados. A medida, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto, amplia as incertezas no mercado global.

Segundo analistas, os desdobramentos da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), as condições climáticas no território norte-americano e a estratégia de compras da China serão decisivos para o reposicionamento das estratégias comerciais nos próximos meses. “O pano de fundo global segue dominado por incertezas políticas e comerciais”, afirma a análise da Hedgepoint Global Markets.

No mercado cambial, a desvalorização do dólar frente a outras moedas, como o real, desafia a competitividade da soja brasileira no cenário internacional. A valorização da moeda brasileira reduz a atratividade dos preços para exportação.

Apesar do ambiente de instabilidade, a safra 2024/25 do Brasil está praticamente consolidada em 170 milhões de toneladas. As exportações podem alcançar um recorde de 109 milhões de toneladas, impulsionadas pela forte demanda chinesa. O mercado interno também deve ganhar fôlego com a entrada em vigor da mistura B15 (15% de biodiesel) a partir de agosto. Para a próxima safra (2025/26), o setor já discute a possibilidade de um novo patamar produtivo, entre 180 e 185 milhões de toneladas, caso clima e tecnologia avancem em conjunto.

Segundo Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o segundo semestre será marcado por uma disputa entre a exportação e o mercado doméstico. “Os prêmios (basis) elevados sustentam os preços no momento, compensando parcialmente Chicago e câmbio na formação das cotações”, afirma.

No setor de processamento, as margens de esmagamento seguem pressionadas, mas ainda dentro da sazonalidade. O farelo enfrenta incertezas com o retorno da Argentina ao mercado e o possível aumento da oferta americana. Já o óleo apresenta uma perspectiva mais positiva, com o avanço da mistura obrigatória e a maior demanda interna.

Na China, os estoques permanecem acima de 40 milhões de toneladas pelo terceiro ano consecutivo, o que reduz a urgência por novas compras. “Essa posição reduz o senso de urgência nas compras, o que, somado a margens de esmagamento pouco atrativas, deve limitar a demanda no curto prazo”, avalia a Hedgepoint. Para a safra 2024/25, as importações foram revisadas para 106,5 milhões de toneladas, enquanto para 2025/26 a projeção é de 112 milhões, condicionada à recuperação da rentabilidade do esmagamento.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de produtividade recorde, mesmo com redução da área plantada. Segundo o USDA, 70% das lavouras estão em boas ou excelentes condições. A proposta da EPA para ampliar em 67% a mistura de biocombustíveis pode gerar um aumento do esmagamento entre 2,5 e 5 milhões de toneladas.





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Nova forrageira da Embrapa combate nematoides e salva a produtividade do pasto


Pecuaristas, o agronegócio brasileiro enfrenta prejuízos anuais que podem ultrapassar a marca de R$ 35 bilhões devido aos nematoides, parasitas que afetam diversas culturas e, especialmente, as pastagens. No entanto, uma nova forrageira é capaz de minimar essas perdas. Assista ao vídeo abaixo.

A Embrapa Pecuária Sudeste desenvolveu uma solução promissora para esse problema: a cultivar BRS Guatã, uma nova variedade de feijão-guandu (Cajanus cajan) que se destaca por suas múltiplas funcionalidades.

Nesta quarta-feira (23), Frederico Pina da Matta, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, detalhou os benefícios do BRS Guatã durante a Dinapec 2025, em Campo Grande (MS).

Ele explicou como essa leguminosa rica em proteína não só auxilia na alimentação do gado, mas também combate eficientemente os nematoides e contribui para a recuperação de áreas de pasto degradadas.

BRS Guatã: o poder antinematóide

Enraizamento do Feijão-guandu - BRS Guatã - Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária SudesteEnraizamento do Feijão-guandu - BRS Guatã - Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste
Enraizamento do Feijão-guandu – BRS Guatã – Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste

A BRS Guatã é uma cultivar especial com duplo propósito. Além de suas já conhecidas funções como forrageira e auxiliar na recuperação de pastagens, ela se destaca por sua notável capacidade de reduzir a população de quatro nematoides específicos: Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita.

Quando presentes, esses nematoides se alojam no sistema radicular das plantas, causando deformações que impedem a absorção adequada de nutrientes e água, o que leva a perdas significativas de produtividade e, em casos extremos, à perda total da lavoura.

A BRS Guatã atua como uma ferramenta estratégica no manejo integrado de doenças. Quando plantada solteira no solo, ela não serve como hospedeiro nem alimento para esses nematoides.

Por inanição, os parasitas acabam morrendo ou têm sua reprodução drasticamente reduzida. Isso faz com que a população desses nematoides diminua significativamente, preparando o solo para futuras culturas que possam ser menos suscetíveis e, assim, reduzindo consideravelmente os prejuízos econômicos para o produtor rural.

Recuperação de pastagens e alimentação na seca

Feijão-guandu - BRS Guatã - Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária SudesteFeijão-guandu - BRS Guatã - Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste
Feijão-guandu – BRS Guatã – Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste

Além do controle de nematoides, a forrageira BRS Guatã oferece importantes benefícios para a pecuária, tornando-se uma aliada valiosa para a sustentabilidade e produtividade da propriedade:

  • Recuperação de pastagens degradadas: A leguminosa auxilia de forma eficaz na revitalização de áreas de pasto que estão comprometidas, melhorando a estrutura e fertilidade do solo.
  • Alimento proteico na seca: Por ser rica em proteína (com teores entre 13% e 18% na fase reprodutiva e 18% a 20% no período vegetativo) e, especialmente, por sua tolerância à seca, o guandu se torna uma alternativa estratégica para a alimentação do gado no período de estiagem, quando a qualidade e a disponibilidade do capim diminuem drasticamente.
  • Biodescompactação e aporte de biomassa: Suas raízes profundas contribuem para a descompactação do solo, melhorando a aeração e a infiltração de água. Além disso, a produção de matéria seca (que pode chegar a 15 toneladas por hectare) e o aporte de nitrogênio (até 380 kg/ha) enriquecem o sistema, beneficiando as pastagens e culturas subsequentes.

Estudos realizados pela Embrapa demonstram que a consorciação de capins tropicais com guandu aumenta o ganho de peso dos animais, reduz o tempo até o abate e eleva o ganho de peso por hectare.

Um exemplo é o caso de novilhas nelore em pastejo de braquiária consorciada com guandu, que apresentaram melhor desempenho e permitiram maior lotação animal, sem a necessidade de suplementação proteica mineral, que é uma prática comum e onerosa durante o período seco.

Manejo e versatilidade

Feijão-guandu - BRS Guatã - Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária SudesteFeijão-guandu - BRS Guatã - Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste
Feijão-guandu – BRS Guatã – Foto: Juliana Sussai/Embrapa Pecuária Sudeste

A implantação da BRS Guatã representa um pacote tecnológico completo, adaptável a diferentes objetivos do pecuarista.

Ao utilizá-la como forrageira, ela pode ser plantada consorciada com a gramínea existente na pastagem. Contudo, se o objetivo principal for o controle de nematoides, é recomendado o plantio solteiro para maximizar sua ação.

Uma característica interessante do guandu é que ele não é muito preferido pelos animais em seu período juvenil (época das águas), mas sua palatabilidade aumenta significativamente na fase reprodutiva (meio da seca), quando o capim já está seco e com menor valor nutricional.

Isso garante que os animais consumam o guandu exatamente quando mais precisam de uma fonte de proteína de qualidade.

A BRS Guatã oferece grande versatilidade no manejo: pode ser utilizada para pastejo direto ou cortada e fornecida no cocho, substituindo parte do proteinado.

Essa leguminosa, além de seus benefícios diretos na pecuária (como alimento e controle de pragas), contribui para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis, alinhados com as metas de baixo carbono e de preservação ambiental.



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Taxação dos EUA agrava crise de produtores de laranja da Sealba



Da alta valorização à queda de preços e prejuízos para os produtores de laranja. A variação no mercado citrícola brasileiro tem acumulado perdas, com o apodrecimento de toneladas de laranjas produzidas na região conhecida como Sealba, que abrange partes dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia.

Vídeos e fotos obtidos pelo Canal Rural Bahia mostram cargas inteiras de laranjas sendo descartadas na região de Rio Real, município que lidera a produção da fruta na Bahia.

De acordo com o tesoureiro da Associação de Desenvolvimento Tecnológico Citrícola do Nordeste (ADTCN), Fernando Braz, há também filas nas fábricas que processam a laranja, localizadas em Estância, em Sergipe.

A longa espera para o escoamento da produção também interfere na qualidade do produto, aumentando o volume de descarte.

Segundo a entidade, o problema — que já ocorria há alguns meses, devido à alta exigência de Brix (indicador da maturação da fruta; quanto maior, mais doce) e do Ratio (índice que mede a relação entre sólidos solúveis, como os açúcares, e a acidez da laranja) — se agravou com o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a taxação de 50% para produtos brasileiros. Com isso, indústrias produtoras de suco recuaram nos pedidos.

“Estamos enfrentando um problema muito grave, muito sério. As indústrias não estão moendo a laranja. Já vínhamos com esse problema, segurando muito tempo para moer, exigindo um Brix muito alto e um Ratio muito baixo. O Ratio é o amargor do suco, da fruta. Muitos produtores ficaram com a laranja esperando para moer mais tarde, e agora, com a taxação de 50% dos Estados Unidos, a situação piorou ainda mais”, explicou.

De acordo com Fernando, as indústrias estão operando com metade da capacidade, o que aumenta ainda mais as filas.

“Há muita laranja estragando nos caminhões, nas filas, muita laranja na roça caindo e isso vem prejudicando muito a nossa região”, disse Braz.

Como alternativa, os produtores de laranja, representados pela entidade, sugerem aos governos da Bahia e Sergipe e a abertura de uma Câmara Setorial da Citricultura.

“Uma das possibilidades seria o governo da Bahia, o governo de Sergipe atuar nisso, atuar de uma forma diferente, conseguindo novos caminhos, novas oportunidades de venda do suco, novas exportações, para que países que ainda não consomem o suco possam importar e tirar essa fila que nós temos”, finalizou.

A reportagem tentou contato com as secretaria de agricultura da Bahia e Sergipe, mas até o momento não obteve resposta. O espaço segue agerto para atualizações.

Impacto em cadeia

As importadoras de suco de laranja Johanna Foods e Johanna Beverage Company entraram com um pedido de alívio emergencial junto ao Tribunal de Comércio Internacional (CIT, na sigla em inglês) dos EUA contra a tarifa de 50% ao Brasil.

Trata-se de uma nova ofensiva do grupo para tentar conter a taxação ao país, responsável por mais da metade de todo o suco de laranja vendido nos EUA.

O pedido foi protocolado na terça-feira (23) conforme documento obtido pelo Estadão/Broadcast. 


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AgroNewsPolítica & Agro

Kuwait, Bahrein, Albânia e Turquia retiram restrições de exportação à carne de aves brasileira


Kuwait, Bahrein, Albânia e Turquia também retiraram as restrições à exportação de carne de frango brasileira, após a conclusão do foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), registrado no município de Montenegro (RS).

A situação atual das restrições das exportações brasileiras de carne de aves é a seguinte:

Sem restrição de exportação: África do Sul, Albânia, Argélia, Argentina, Bahrein, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Cuba, Egito, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Hong Kong, Índia, Iraque, Jordânia, Kuwait, Lesoto, Líbia, Marrocos, Mauritânia, México, Mianmar, Montenegro, Paraguai, Peru, República Dominicana, Reino Unido, Singapura, Sri Lanka, Turquia, Uruguai, Vanuatu e Vietnã.

Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil: Canadá, Chile, China, Macedônia do Norte, Malásia, Paquistão, Timor-Leste, União Europeia.

Suspensão restrita ao estado do Rio Grande do Sul: Angola, Arábia Saudita, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Coreia do Sul, Namíbia, Omã, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Ucrânia.

Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS): Catar

Suspensão limitada aos municípios de Montenegro, Campinápolis e Santo Antônio da Barra: Japão

Suspensão limitada à zona: Maurício, Nova Caledônia, São Cristóvão e Nevis, Suriname e Uzbequistão. O reconhecimento de zonas específicas é denominado regionalização, conforme previsto no Código Terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e no Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 





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Alíquota de 50% imposta pelos EUA é ‘tiro no pé’, alertam economistas



A partir de 1º de agosto, os Estados Unidos passarão a aplicar uma alíquota de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, incide sobre itens como carne bovina, café, suco de laranja, frutas tropicais, aço e celulose — e afeta diretamente as cadeias do agronegócio nacional.

Segundo dados do ComexStat, os EUA foram o segundo maior destino das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2025, respondendo por 12,1% do total. Economistas avaliam que, embora o impacto direto no PIB nacional seja moderado, a decisão americana pode provocar efeitos inflacionários dentro dos próprios Estados Unidos e obrigar o Brasil a reavaliar sua dependência comercial.

Para a economista Carla Beni, professora de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), o termo técnico da medida importa: “Não se trata de uma tarifa, mas de uma alíquota sobre importação. E quem paga essa conta são os próprios americanos, não o produtor brasileiro”. Ela destaca que a alta nos preços dos alimentos pode pressionar o poder de compra da população e gerar instabilidade econômica nos EUA.

O doutor em economia pela FEA-USP e ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Associação Brasileira de Bancos, Roberto Luis Troster vai além. Para ele, a medida é um “tiro no pé” da economia americana.

“Essas alíquotas penalizam os próprios EUA. Elas reduzem a competitividade das empresas locais que usam insumos do Brasil e aumentam o custo de vida da população.”

“Essa alíquota é um modelo ultrapassado de substituição de importações. Os EUA não têm capacidade de suprir internamente sua demanda por produtos como café ou suco de laranja no curto prazo. Resultado: preços sobem, a inflação aumenta, e o Federal Reserve (FED) pode ser forçado a rever sua política de juros”, afirma Troster.

Produtos agropecuários entre os mais afetados

Entre os produtos mais impactados pela medida estão os do setor agropecuário — especialmente carne bovina de dianteiro (usada na produção de hambúrgueres), café não torrado, sucos de frutas, celulose e couro.

Exportações brasileiras do agro aos EUA – 2025 (ComexStat):
Os dados a seguir mostram a participação de cada produto agropecuário no total das exportações brasileiras com destino aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025:

  • Café não torrado – 5,8%
  • Carne bovina fresca/refrigerada – 4,0%
  • Sucos de frutas ou vegetais – 3,7%
  • Celulose – 3,6%
  • Açúcares e melaços – 0,7%
  • Couro e derivados – até 0,6%

Com o anúncio da medida, frigoríficos em Goiás e Mato Grosso do Sul suspenderam o abate de bovinos com destino ao mercado americano. “Em algumas cadeias pode haver excesso de oferta no mercado interno, o que tende a reduzir pontualmente os preços para o consumidor brasileiro”, avalia Carla.

Enquanto frigoríficos brasileiros interrompem os abates destinados aos EUA com embarques previstos para agosto, os americanos adotaram a estratégia oposta: anteciparam as compras para garantir o abastecimento antes da entrada em vigor da alíquota.

De janeiro a junho de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para os EUA cresceram 112% em valor (US$ 1,287 bilhão) e 85% em volume (411,7 mil toneladas), em comparação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Datamar News e do Beef Central.

“A antecipação mostra que os americanos tentam reduzir os impactos da alíquota no consumo interno. Mas é uma solução temporária. A pressão sobre estoques, especialmente de alimentos, vai crescer”, afirma Carla.

Empresas americanas pressionam contra a alíquota

Empresas dos EUA também têm se mobilizado contra a medida. Segundo a Bloomberg, uma distribuidora de suco de laranja estima que seus custos com o produto não processado do Brasil subirão US$ 68 milhões ao ano, com repasse de até 25% ao consumidor final no varejo.

“Trump acredita que pode forçar a reindustrialização interna. Mas o tempo de resposta agrícola não acompanha isso. Um pé de café, por exemplo, leva anos para produzir. Até lá, o mercado sofre — e o consumidor também”, aponta Troster.

Impactos no Brasil e caminhos possíveis

Apesar da reação setorial, Troster pondera que as exportações brasileiras aos EUA representam menos de 2% do PIB. “Não há risco de recessão. Os efeitos devem ser localizados.” Carla complementa: “Pode haver impactos nos preços, mas o mercado tende a se ajustar.”

Para ambos os economistas, o episódio reforça a urgência de uma política comercial mais multilateral. “O Brasil precisa reduzir a dependência de um único parceiro e ampliar relações com União Europeia, Mercosul, China e Oriente Médio”, diz Carla.

“O mundo está se reconfigurando. A influência americana diminui enquanto novos centros de poder se firmam. É hora de negociar em blocos”, afirma Troster. Eles também destacam que Trump já recuou em decisões semelhantes no passado, e que a pressão de grandes empresas pode forçar uma revisão da alíquota.



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Presidente da Aprosoja Tocantins comenta PL que confronta a moratória da soja no estado



Um passo importante foi dado para os produtores de soja do Tocantins com a aprovação, pelo governo do estado, de um projeto de lei proposto pela Assembleia Legislativa que busca garantir a segurança jurídica no setor e proteger os produtores contra sanções privadas consideradas abusivas com a legislação brasileira.

A medida foi criada como resposta à Moratória da Soja, um acordo firmado entre empresas e ONGs que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, mesmo quando há conformidade.

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O Soja Brasil conversou com a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Schneider, que destaca a relevância da notícia para os produtores do estado. Ela afirmou que essa é uma notícia muito importante para os produtores do Tocantins. Um projeto de lei da Assembleia Legislativa foi sancionado pelo governo do estado, o projeto contra a Moratória da Soja.

”Incentivamos que as empresas não percam incentivos fiscais, desde que respeitem a nossa legislação, o Código Florestal, a soberania nacional, o livre comércio e a livre concorrência. O projeto traz cada vez mais segurança jurídica para quem deseja produzir, respeitando as leis ambientais e federais vigentes no Brasil”, pontuou Caroline.

O projeto foi debatido em reunião com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que declarou apoio irrestrito à proposta. Segundo o texto, apenas empresas que respeitarem os marcos legais nacionais, especialmente os ligados à agropecuária, terão acesso a incentivos fiscais concedidos pelo Estado.

Enquanto o debate avança no Tocantins, produtores no Pará também vêm se mobilizando. Eles pedem reparação por perdas econômicas causadas por restrições similares. O movimento indica uma reação coordenada do setor produtivo na Amazônia Legal, que exige maior respaldo institucional frente a decisões tomadas fora do âmbito legislativo brasileiro.



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