segunda-feira, maio 11, 2026

Autor: Redação

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com semeadura se aproximando do fim, liquidez e preços seguem em baixa



Com a semeadura de trigo no Brasil próxima do fim, os vendedores seguem focados na finalização dos trabalhos de campo. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Compradores, por sua vez, buscam negociar com o mercado externo, mantendo a liquidez baixa no spot nacional. 

No Brasil, segundo dados da Conab, a semeadura atingiu 96,9% da área destinada ao cultivo de trigo até o dia 19 de julho, em linha com o observado no mesmo período de 2024 e com a média dos últimos cinco anos. Faltam apenas Rio Grande do Sul e Santa Catarina para encerrar a semeadura. 

A colheita, por sua vez, avança em Goiás e se iniciou em Minas Gerais. Com a proximidade da finalização da semeadura e o recuo do dólar frente ao Real na última semana, os preços caíram no mercado disponível.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Setor de suco de laranja pode ter prejuízo de R$ 4,3 bilhões com tarifaço



A tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras de suco de laranja para os EUA, prevista para entrar em vigor na quinta-feira, 1º de agosto, pode gerar impacto anual de até US$ 792 milhões, o equivalente a R$ 4,3 bilhões para a cadeia produtiva do suco de laranja brasileiro., segundo a Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O cálculo considera o desempenho da safra encerrada em 30 de junho e inclui as tarifas de acesso ao mercado americano. Em termos globais, com todas as tarifas cobradas pelos diferentes mercados, o total de tributos pagos pelo setor deve saltar de US$ 393,6 milhões para US$ 1,3 bilhão, somando os principais destinos de exportação oara Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Japão e China, além de Reino Unido, Noruega, Suíça e Rússia.

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Na safra 2024/25, os EUA foram o segundo principal destino do suco brasileiro, com 41,7% de participação, atrás apenas da Europa. Foram exportadas 307.673 toneladas, o equivalente a cerca de 85 milhões de caixas de 40,8 quilos, com receita total de US$ 1,31 bilhão.

Atualmente, o Brasil paga uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada para exportar aos EUA. Com base nos volumes da última safra, esse custo somou US$ 142,4 milhões. A estimativa de impacto de US$ 792 milhões considera a aplicação acumulada da nova tarifa de 50% com a alíquota adicional de 10%, anunciada em abril.

Mesmo que a nova tarifa substitua à anterior de 10%, o impacto ainda seria significativo, com aumento estimado em US$ 635 milhões por safra, alta de 345,8% em relação ao cenário atual, segundo a CitrusBR.



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Açúcar: com oferta menos volumosa, indicador registra altas


cana-de-açúcar, Mato Grosso do Sul, açúcar
Foto: Faeg/divulgação

Os preços médios do açúcar cristal no mercado spot paulista seguiram firmes na última semana. É isso o que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Entre 21 e 25 de julho, a média do Indicador Cepea /Esalq do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de São Paulo) foi de R$ 120,31/saca de 50 kg. O valor representa alta de 1,29% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

Segundo o centro de pesquisas, as ofertas não são volumosas, especialmente do açúcar de melhor qualidade (Icumsa até 180). 

Este fator tem ajudado usinas a manter firmes os preços pedidos pelo cristal na pronta-entrega, mesmo com compradores sinalizando que as vendas para o varejo (consumidor final) seguem fracas. Ainda assim, a liquidez captada pelo Cepea teve leve melhora nos últimos dias.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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demanda mais aquecida aumenta preços do hidratado



Os preços do hidratado, que vinham em seguidas quedas desde o início de julho, voltaram a subir no mercado paulista na última semana. É isso o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

De acordo com o instituto, a demanda aqueceu em reflexo, sobretudo, da proximidade do retorno às aulas. Distribuidoras mostraram mais interesse em adquirir novos volumes após algumas semanas de baixa adesão. 

Outro fator positivo é a chegada do E30 na gasolina a partir de 1º de agosto. O aumento do percentual de mistura de anidro de 27% para 30% na gasolina C foi aprovado em 25 de junho. 

Números captados pelo Cepea mostram que a quantidade desse combustível negociada pelas usinas de São Paulo no spot vem crescendo nas últimas semanas. Assim, entre 21 e 25 de julho, o Indicador Cepea /Esalq do etanol hidratado para o estado de São Paulo fechou em R$ 2,5448/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins). Dessa forma, o aumento representa alta de 0,83% sobre o período anterior. 

Para o anidro, o Indicador Cepea /Esalq registrou leve recuo de 0,12% no mesmo comparativo, a R$ 2,9168/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Ministério da Agricultura amplia número de estações meteorológicas no país



O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou a instalação de novos transmissores para modernizar a rede de mais de 600 estações meteorológicas do país. A primeira etapa ocorre no Rio Grande do Sul, onde 98 unidades estão sendo instaladas ou substituídas, segundo o diretor do Inmet, Carlos Alberto Andrade e Jurgielewicz.

“O estado já contava com 44 estações, que agora recebem equipamentos mais modernos. Também estão sendo implantadas novas estações em outras localidades, em resposta aos eventos climáticos extremos recentes”, explicou. A previsão é concluir as instalações no estado até o fim do terceiro trimestre de 2026.

Entre as cidades que já receberam os novos equipamentos no Rio Grande do Sul estão Campo Bom, Canela, Porto Alegre e Teutônia, que passaram por retrofit, ou seja, tiveram estações antigas modernizadas. Também foram instaladas novas estações meteorológicas em localidades que antes não contavam com esse serviço, como Butiá, Cachoeirinha, Caxias do Sul , Charqueadas, Eldorado do Sul, Montenegro, Morro Reuter, Riozinho, Rolante, São Francisco de Paula, Sapucaia do Sul, Sertão Santana e Taquari.

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A nova tecnologia permite transmissões mais rápidas e seguras, reduzindo o intervalo de envio de dados de uma hora para 15 minutos em situações de emergência.

“A instalação desses transmissores moderniza a coleta e o envio de dados meteorológicos. Com isso, conseguimos trabalhar de forma mais ágil e confiável”, destacou Camilo Mussi, subsecretário de Tecnologia da Informação do Mapa. Ele lembrou que antes as informações eram atualizadas apenas uma vez por hora. “Agora podemos requisitar dados a cada 15 minutos, o que é essencial em eventos extremos e ajuda a prevenir desastres”.

Investimento e modernização

O plano de modernização do Inmet conta com investimento de R$ 150 milhões. Os recursos serão aplicados na instalação das 98 estações no Rio Grande do Sul, na ampliação do monitoramento e na atualização tecnológica de toda a rede.

Entre as melhorias previstas estão a substituição de equipamentos analógicos por sistemas automáticos, capazes de coletar e registrar dados meteorológicos e de solo em tempo real. O projeto também prevê a integração dessas informações com as Superintendências Federais de Agricultura e Pecuária (SFAs), ampliando o uso dos dados no planejamento agropecuário.

Para reforçar a infraestrutura de transmissão, o Inmet firmou parceria com a Telebras. Além disso, o Instituto passará a ter status de secretaria do Mapa, ampliando sua capacidade de atuação diante das demandas da agropecuária e das mudanças climáticas.

Com dados mais completos e em tempo real, a modernização vai beneficiar produtores rurais, pesquisadores, gestores públicos e toda a sociedade. Essas informações são essenciais para decisões sobre plantio, colheita e prevenção de perdas causadas por fenômenos extremos.



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Mapa sinaliza apoio a regulamentação do cultivo da cannabis para uso terapêutico


Fávaro recebe representantes da Associação Flor da Vida / Divulgação

O Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu o deputado estadual Eduardo Suplicy e representantes da Associação Flor da Vida para discutir os avanços na regulamentação do cultivo da cannabis para uso terapêutico no Brasil. O encontro ocorreu na última quinta-feira (24), em Brasília.

Segundo Fávaro, o ministério é favorável à pauta e está atuando em conjunto com a Anvisa, o ministério da Fazenda e o ministério da Justiça para concluir a regulamentação. “O governo vai entregar uma regulamentação que melhora a vida de milhares de brasileiros”, afirmou o ministro.

Fávaro também reforçou que todo cultivo que gere renda e emprego para pequenos, médios e grandes produtores brasileiros será defendido pelo ministério da Agricultura e Pecuária, destacando a importância da regulamentação do cultivo da cannabis no cenário rural nacional. Há previsão que até o dia 30 de setembro seja entregue uma regulamentação final sobre o tema.

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Embrapa disponibiliza ferramenta que auxilia a gestão de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta



Uma nova versão da planilha eletrônica para inventário florestal em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) foi disponibilizada pela Embrapa Florestas (PR). Desenvolvida para uso no Excel, a ferramenta surgiu a partir de demandas identificadas em cursos com técnicos e produtores. Seu objetivo é apoiar o planejamento e a tomada de decisões sobre o plantio e o manejo das árvores nesses sistemas integrados. A ferramenta pode ser baixada gratuitamente na página da Embrapa.

A Planilha para Inventário Florestal no sistema de ILPF se destaca por sua aplicabilidade prática. De acordo com o pesquisador Vanderley Porfírio-da-Silva, da Embrapa Florestas, a realização do inventário florestal é uma etapa crítica nos sistemas ILPF, especialmente aqueles voltados à obtenção do selo Carne Carbono Neutro (CCN).

“O inventário fornece informações que permitem avaliar o crescimento das árvores e estimar o carbono acumulado, dado necessário para comprovar a neutralização das emissões de metano entérico dos bovinos nos sistemas silvipastoris, mas é uma prática que sempre gera dúvidas sobre como deve ser feita”, observa. observa. A planilha é voltada a extensionistas, consultores e demais profissionais que acompanham ou atendem projetos de ILPF.

Na ferramenta, o usuário insere informações básicas da área, como o arranjo espacial definido para o sistema, e a planilha calcula o número de árvores que devem existir na área. Com essa densidade de plantio (número de árvores por hectare), a planilha calcula também valores de parâmetros necessários para o inventário florestal, tais como: o tamanho de parcelas, o número e a distância entre parcelas a serem instaladas no campo, facilitando a execução adequada do inventário e gerando dados precisos, especialmente para o uso nos softwares SisILPF, que são simuladores de crescimento florestal, produção de madeira e captura de carbono para diferentes espécies.

“A planilha ajuda a definir uma amostragem precisa e suficiente, mesmo em sistemas com grande variabilidade de arranjos espaciais de plantio”, explica Edilson Oliveira, também pesquisador da Embrapa Florestas. “Além do inventário de áreas já implantadas, a planilha também pode ser utilizada para simulações que ajudem o produtor a planejar o sistema e levar a campo as melhores opções de implantação de sua área de ILPF”, completa.

Com essa ferramenta, é possível estabelecer parcelas de avaliação permanentes que geram dados contínuos sobre o desempenho das árvores. Isso contribui tanto para o manejo florestal sustentável quanto para o monitoramento dos impactos ambientais positivos do ILPF, como o conforto térmico animal e o sombreamento sobre pastagens.

Sis ILPF: ferramenta digital que integra produção e sustentabilidade

Os SisILPF são softwares que dão suporte às atividades de planejamento, manejo e análise econômica do componente florestal dos sistemas ILPF. Eles possibilitam que os usuários testem, para cada condição de clima e solo, todas as opções de manejo do componente arbóreo deste tipo de sistema.

Os softwares geram tabelas de sortimento de madeira por classes de utilização industrial como laminação, serraria, madeira roliça para postes e cercas, e energia, em função de diâmetros e comprimentos de toras que o próprio usuário indica, além de calcular o carbono capturado pelas árvores e o equivalente em CO2 e metano, e emitem gráficos com estimativas do número de animais que podem ter a emissão de metano compensada pelas árvores do ILPF.

Existem versões do software para sistemas integrados com as seguintes espécies florestais: Eucalyptus benthammii, Eucalyptus dunnii, Eucalyptus urograndis, Pinus elliottii, Pinus taeda, Cedro, Mogno e Teca

Carne Carbono Neutro

Desde meados dos anos 2000, a pecuária bovina brasileira enfrenta pressões internacionais devido aos seus impactos ambientais, especialmente pela associação com o desmatamento e pelos baixos índices zootécnicos, que resultam em uma carne com alta pegada de carbono.

Para abordar essas questões, a Embrapa desenvolveu, em 2012, a marca-conceito Carne Carbono Neutro (CCN). A iniciativa visa produzir carne bovina com emissões de metano compensadas pelo sequestro de carbono em árvores integradas aos sistemas pastoris, como a integração pecuária-floresta (IPF) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), promovendo o bem-estar animal com maior conforto térmico devido à sombra proporcionada pelas árvores.

A marca CCN, registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em 2016, após depósito em 2013, é baseada em um protocolo auditável que garante a produção de carne em áreas agropecuárias consolidadas, sem desmatamento ou uso de fogo. O protocolo assegura a neutralização das emissões de gases de efeito estufa, o bem-estar animal e a qualidade do produto, com versões da logomarca em português e inglês.

Testado em fazendas nos biomas Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, o protocolo CCN integra boas práticas agropecuárias, bem-estar animal, compensação de emissões, rastreabilidade e padrões para frigoríficos. Está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2, 12 e 13 que tratam, respectivamente, de erradicar a fome, garantir padrões de consumo e produção sustentáveis e de ações de enfrentamento às mudanças climáticas, além de promover transparência e gestão eficiente na cadeia produtiva, em alinhamento à agenda ESG.

Para Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS) e um dos idealizadores da iniciativa, “a marca CCN agrega valor à carne, beneficiando toda a cadeia, do produtor ao consumidor, com foco na sustentabilidade e na redução de impactos ambientais. Isso fortalece a competitividade da pecuária brasileira nos mercados interno e externo, melhorando sua reputação global”.



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AgroNewsPolítica & Agro

Nova lei busca fortalecer a permanência dos jovens no campo



Nova lei incentiva jovens rurais, garantindo apoio e crédito diferenciado


Foto: Expodireto Cotrijal

A Lei 15.178/25, que institui a Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural, entrou em vigor nesta quinta-feira (24). A nova norma tem como objetivo estimular a permanência dos jovens nas comunidades rurais, oferecendo melhores condições de vida e trabalho no campo.

Voltada a jovens de 15 a 29 anos que atuam na agricultura familiar, a política prevê ações em várias áreas, como:

A lei também autoriza a criação de linhas de crédito específicas, com condições diferenciadas, para reduzir os riscos dos empréstimos voltados a esse público.

A proposta teve origem no Projeto de Lei (PL) 9263/17, de autoria do deputado Patrus Ananias (PT-MG), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio e pelo Senado no início de julho. Foi sancionado pela Presidência da República com um veto.

Veto

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vetou o trecho que destinava, no mínimo, 30% dos recursos federais, estaduais e municipais para a compra de alimentos da agricultura familiar destinados à merenda escolar. Essa destinação já existe em lei, mas vale somente para os recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que é federal.

O governo afirmou que, apesar da boa intenção, o trecho era inconstitucional, já que uma lei federal não pode tratar da destinação de recursos de estados e municípios.





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Tarifaço pode aumentar os preços da alimentação em bares e restaurantes



A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) avalia que o tarifaço dos EUA contra o Brasil, previsto para entrar em vigor no próximo dia 1º, deverá encarecer a alimentação em restaurantes, bares e lanchonetes. De acordo com a entidade, o tarifaço exercerá pressão no mercado interno sobre produtos considerados carros-chefes da exportação brasileira, como café, carnes, pescados e suco de laranja.

“Estes alimentos terão toda a cadeia produtiva impactada. O café, por exemplo, pode perder até 30% da sua produção em exportação, o que acarretaria num aumento de até 6% no preço interno. Num possível cenário de recessão econômica, carnes [bovina e suína] e pescados também deverão ter os preços reajustados ao mercado interno para cobrir custos de produção”, explica a entidade em nota.

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A Fhoresp projeta que os impactos nos preços internos aconteçam a médio e a longo prazos sobre o setor de alimentação fora do lar. A estimativa é de um aumento que pode chegar a casa dos 10% no cardápio do brasileiro.

“Temos de colocar todos os cenários à mesa, para que o Brasil entenda o que pode estar por vir, inclusive, um quadro de recessão econômica. No médio e longo prazo, o mercado interno deve sofrer com impactos em toda a cadeia produtiva, sobretudo no agronegócio”, disse o diretor-executivo da entidade, Edson Pinto.

Ele disse ver como “catastrófica” a taxação estadunidense. “Um franco ataque à cadeia do agronegócio brasileiro”, afirmou, defendendo uma ação diplomática e estratégica em defesa dos interesses nacionais.



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O Brasil não é Lula e os EUA não são Trump


Nos últimos anos, a política internacional tem sido contaminada por personalismos que confundem líderes momentâneos com a essência de suas nações. Isso ficou evidente no recente embate entre o governo brasileiro e a administração norte-americana, especialmente com o presidente Donald Trump de volta ao poder e impondo tarifas abusivas contra o Brasil. No meio disso tudo, há uma narrativa perigosa ganhando força: a ideia de que o Brasil é sinônimo de Lula e os EUA, de Trump.

Essa confusão de identidades é um erro estratégico. Um erro que enfraquece a capacidade do Brasil de se defender como nação soberana, e que transforma disputas institucionais legítimas em brigas pessoais que não interessam ao povo, nem à economia.

O Brasil é maior que qualquer governo

O Brasil tem instituições, uma Constituição, um sistema produtivo robusto, uma população trabalhadora e uma base industrial e agrícola que vai muito além dos limites ideológicos de qualquer presidente. Reduzir o país a um projeto de governo, seja ele progressista ou conservador, é ignorar a diversidade de interesses que formam o tecido nacional.

Hoje, produtores rurais, empresários, exportadores e trabalhadores estão sendo atingidos por medidas retaliatórias motivadas por conflitos políticos entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. É inaceitável que a imagem e os interesses do Brasil no exterior sejam afetados por disputas que dizem respeito apenas ao campo político-partidário.

Os EUA não são Trump

Da mesma forma, os EUA são uma superpotência baseada em instituições centenárias, com um Congresso atuante, um sistema judiciário independente, uma economia descentralizada e uma sociedade plural. Donald Trump, com todos os seus excessos e posturas erráticas, não representa a totalidade da sociedade americana.

A tentativa de Trump de proteger aliados ideológicos fora dos EUA, não representa o consenso nem entre os próprios norte-americanos. Além disso, o uso de tarifas e sanções como forma de pressionar outros países, inclusive o Brasil, revela mais uma estratégia de chantagem comercial do que uma verdadeira política de Estado.

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Confundir a relação entre dois países com a simpatia (ou antipatia) entre dois líderes é infantilizar a diplomacia. O Brasil precisa se posicionar no cenário internacional com maturidade, defendendo seus interesses estruturais, como comércio justo, soberania sobre seus recursos naturais, e o fortalecimento de sua indústria e agricultura.

A crise recente envolvendo tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, supostamente motivada por perseguições judiciais a aliados de Trump no Brasil, é apenas mais um exemplo de como o personalismo gera distorções. O que está em jogo não é apenas o preço da carne ou da soja. É a soberania comercial do Brasil, o emprego de milhões de brasileiros e o respeito ao nosso sistema legal.

Conclusão

É hora de o Brasil assumir sua identidade como nação. Uma identidade que não pode ser sequestrada por governos de ocasião, tampouco serve de palco para disputas externas travadas por interesses que não nos representam. O Brasil não é Lula. Os EUA não são Trump.

Ao separar governos de Estados, recuperamos a lógica estratégica da diplomacia. Defendemos nossa economia com pragmatismo. E protegemos o futuro do país, com independência, maturidade e responsabilidade.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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