segunda-feira, maio 4, 2026

Autor: Redação

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Inadimplência no agro atinge níveis históricos: como sair dessa situação?


O agronegócio brasileiro, motor da economia nacional, enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A inadimplência entre produtores rurais disparou: dados da Serasa Experian mostram que 7,9% das pessoas físicas do campo estavam com dívidas em atraso acima de 180 dias no 1º trimestre de 2025, contra 7% no mesmo período do ano anterior .

No Banco do Brasil, responsável por quase metade da carteira de crédito rural, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 3,49% no 2º trimestre, mais que o dobro do registrado em 2024. O impacto foi devastador: o lucro do banco caiu 60% no período, revelando a profundidade da crise

Segundo a instituição, fatores como juros elevados, custos crescentes de insumos, queda no preço das commodities e condições climáticas adversas estão por trás do aumento do calote. Especialistas preveem pelo menos dois trimestres de estresse financeiro antes de qualquer melhora significativa

Risco que vai além dos bancos

Para os produtores, a inadimplência não é apenas um número. Quando o atraso se prolonga, o fluxo de caixa quebra, o acesso a crédito futuro diminui e o patrimônio corre risco. Trata-se de um ciclo vicioso: menos investimento leva a menor produtividade, que por sua vez reduz a receita e aprofunda a incapacidade de pagar dívidas

Além disso, cresce o uso da recuperação judicial (RJ) como recurso, com aumento de 45% nos pedidos no setor apenas no 1º trimestre de 2025. Embora prevista em lei, especialistas apontam abusos no instrumento, usado como manobra para postergar dívidas sem atacar as causas estruturais.

Como sair da inadimplência ou não cair nela?

Diante desse cenário, especialistas em crédito rural e direito agrário indicam caminhos que podem evitar o colapso financeiro das propriedades. Pincelei algumas das dicas que considero as melhores:

  • Prorrogação via Manual de Crédito Rural (MCR): em caso de frustração de safra, queda de preços ou problemas de caixa, é possível renegociar prazos sem aumento de juros, garantindo fôlego imediato
  • Revisão de contratos: muitos contratos rurais têm cláusulas abusivas ou juros excessivos. A revisão pode alcançar até 10 anos de financiamentos passados, reduzindo a pressão sobre o caixa
  • Gestão e reestruturação financeira: mapear todas as dívidas, identificar quais são negociáveis, organizar prioridades e buscar apoio técnico são medidas cruciais para preservar bens e evitar insolvência
  • Ferramentas alternativas de comercialização: operações como barter (troca de insumos por grãos) e plataformas digitais como Grão Direto reduzem a dependência de crédito tradicional e dão mais previsibilidade aos custos
  • Apoio institucional: programas como Pronaf e Garantia-Safra oferecem linhas de crédito mais acessíveis e proteção contra perdas climáticas, fundamentais especialmente para a agricultura familiar.

A pior atitude neste momento é a negação. A crise da inadimplência no agro é real, já atinge bancos, fornecedores e famílias rurais. Mas, apesar do cenário duro, há saídas: renegociação, revisão de contratos, gestão estratégica e uso de ferramentas inovadoras.

O recado é claro: quem agir agora, preserva sua propriedade e mantém as portas abertas para o futuro. Quem esperar demais, pode ver o patrimônio e a capacidade produtiva escorrerem pelos dedos.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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China prioriza soja brasileira e preços apresentam estabilidade; confira o fechamento de mercado



O mercado brasileiro de soja apresentou negociações melhores nesta terça-feira (19), mas ainda sem volumes expressivos. Segundo a avaliação de Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, foram registradas pequenas variações nas cotações.

“Nos portos, as cotações ficaram entre estáveis e leves altas, com poucas indicações, já que agosto está praticamente sem janela; em setembro, as movimentações também foram tímidas”, comentou o especialista.

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De acordo com Silveira, no mercado interno, os movimentos foram reduzidos, enquanto a indústria se manteve mais cautelosa e bem posicionada, sem atuar de forma agressiva nos bids ou pressionar os vendedores a ofertarem mais.

Confira os preços da soja no Brasil:

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 135,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 136,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 142,50 para R$ 143,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 136,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 141,50
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 126,00 para R$ 127,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 126,00 para R$ 126,50
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 127,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a terça-feira com preços em baixa. O mercado foi pressionado pelas sinalizações iniciais de boa produtividade nos Estados Unidos, vindas da crop tour da Profarmer. Preocupações com a demanda chinesa também ajudaram a pressionar as cotações.

A contagem de vagens nas lavouras de soja de Dakota do Sul ficou bem superior ao ano passado e à média dos últimos três anos. A informação é de participantes que acompanharam a “Crop Tour”, realizada pela Pro Farmer. A contagem ficou em 1.188,45 em uma área de três pés por três pés. A média do estado nos últimos três anos ficou em 970,10. No ano passado, a contagem foi de 1.025,89.

Em Ohio, a contagem de vagens da soja chega a 1.287 em uma área de três pés por três pés, ante 1.229 de média dos últimos três anos. No ano passado, o Crop Tour estimou a contagem de vagens em 1.204 na mesma área.

Acordo EUA-China

Produtores de soja dos Estados Unidos pediram ao presidente Donald Trump que firme um acordo com a China para garantir compras da oleaginosa, diante da ausência de contratos antecipados da nova safra.

A China, maior importadora mundial, tem priorizado a soja brasileira, o que pode gerar perdas de bilhões aos agricultores americanos. Em 2023/24, o país comprou 54% da soja exportada pelos EUA, equivalente a US$ 13,2 bilhões.

A American Soybean Association alertou que os produtores enfrentam forte pressão financeira, com preços em queda e custos mais altos. Segundo a entidade, a falta de acordo até o outono agravará os impactos para o setor.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em setembro fecharam com baixa de 7,75 centavos de dólar, ou 0,75%, a US$ 10,13 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,33 3/4 por bushel, com baixa de 7,50 centavos ou 0,72%

Nos subprodutos, a posição setembro do farelo fechou com alta de US$ 7,00, ou 2,49%, a US$ 287,40 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em setembro fecharam a 51,68 centavos de dólar, com perda de 1,59 centavo ou 2,98%

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,23%, sendo negociado a R$ 5,5003 para venda e a R$ 5,4983 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4305 e a máxima de R$ 5,5055



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Salário da agropecuária no Paraná supera média nacional em 58,5%



O salário médio mensal dos trabalhadores da agropecuária no Paraná atingiu R$ 3.428 no 2º trimestre de 2025, superando em 58,5% o rendimento médio de R$ 2.163 alcançado pelos ocupados em âmbito nacional.

Os dados partem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada na última sexta-feira (15).

No período de um ano, a remuneração média dos trabalhadores da agropecuária estadual registrou aumento real de 23%, ou seja, já com o desconto da inflação, enquanto os rendimentos no setor primário brasileiro avançaram 5,2% no mesmo intervalo.

Com isso, o salário médio dos ocupados na agropecuária brasileira correspondeu a apenas 63,1% do rendimento médio referente ao Paraná, abaixo do percentual de 73,7% observado há um ano.

Rendimento médio Paraná x outros estados

  • Santa Catarina: R$ 3.229
  • Mato Grosso do Sul: R$ 3.149
  • Goiás: R$ 3.071
  • São Paulo: R$ 2.989
  • Minas Gerais: R$ 2.440
  • Pará: R$ 1.425.

O maior aumento dos salários no Paraná é resultado, entre outros fatores, da elevação da produção agrícola. Segundo levantamento mais recente do IBGE, acompanhado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas deverá totalizar 45,7 milhões de toneladas no Paraná na safra 2025.

A colheita deve superar em 21,8% o volume produzido no ano passado (37,5 milhões de toneladas). No Brasil, estima-se um incremento da ordem de 16,3%.

Na pauta da agricultura paranaense, verifica-se que a produção de soja apresentará ampliação de 14,2%, saltando de 18,6 milhões de toneladas em 2024 para 21,3 milhões em 2025. Já a produção de milho deverá exibir acréscimo de 33,3%, considerando a 1ª e a 2ª safras, subindo de 15,1 milhões para 20,1 milhões de toneladas.

Culturas de inverno

Outras culturas, como a cevada e a aveia, poderão registrar aumentos ainda mais relevantes. Nesses dois casos, são esperadas taxas de crescimento da produção de, respectivamente, 50,3% e 47,3% na safra 2025. O estado deve fechar o ano com 78,6% de participação na safra brasileira de cevada.

“O território paranaense corresponde a 2,3% da área do país e a nossa participação na produção nacional de grãos ultrapassa 13%, o que não deixa dúvida à elevada produtividade do estado”, destaca Ulisses Maia, secretário do Planejamento do Estado do Paraná.

O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de grão, com 13,4% do mercado nacional. Em julho, ficou com o terceiro maior incremento na expectativa de safra em relação ao mês anterior: as principais variações positivas ocorreram no Mato Grosso (5.536.658 t), em Minas Gerais (561.874 t) e no Paraná (479.700 t).

Sob supervisão de Victor Faverin



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Infração ambiental: nova norma cria risco de ‘punição em dobro’; entenda


Pecuaristas, a legislação ambiental está em constante mudança, e uma nova regra exige atenção redobrada. Um novo artigo em um decreto federal cria uma nova infração ambiental que pune quem não cumpre uma penalidade já imposta por um dano anterior. Assista ao vídeo abaixo e entenda a situação detalhadamente para correr prejuízos.

Isso significa que, mesmo após ser multado, o produtor pode ser penalizado novamente se não cumprir as obrigações exigidas, como recuperar uma área degradada ou demolir construções irregulares.

Nesta terça-feira (19), o advogado Pedro Puttini Mendes, especialista em legislação rural e ambiental, esclareceu o tema no quadro “Direito Agrário” do programa Giro do Boi.

Ele alertou sobre os riscos jurídicos e práticos dessa nova infração e o perigo de uma “punição em dobro” na recuperação ambiental.

O novo artigo 83B e seus problemas

Foto: Canva

O Decreto 12.189 de 2024 criou o artigo 83B, que pune quem não cumpre as obrigações ambientais após uma infração original. A multa pode chegar a impressionantes R$ 50 milhões. No entanto, essa nova infração carrega alguns problemas:

  • Vício jurídico: A forma como a norma foi criada é questionável, pois o decreto é um instrumento do poder executivo que deve apenas regulamentar leis já aprovadas pelo legislativo. Por não ter uma previsão direta em lei, o artigo pode ser considerado inconstitucional e ser contestado na justiça.
  • Problemas práticos: O cumprimento das obrigações nem sempre depende exclusivamente do produtor. Fatores como seca, falta de mudas, burocracia ou exigências de demolição de benfeitorias antigas podem atrasar o processo de recuperação. Mesmo tentando se adequar, o produtor pode ser autuado novamente.

A recuperação de uma área de cerrado, por exemplo, pode levar décadas. Exigir que esse processo seja concluído em um prazo de dois anos, como já foi visto em algumas autuações, é uma imposição que ignora a realidade técnica do campo e os fatores biológicos da regeneração.

Risco de acúmulo de penalidades e injustiça

A nova infração pode servir para reforçar a punição de quem já está tentando fazer a recuperação, gerando um acúmulo de penalidades sobre o mesmo fato. A medida, na prática, ignora o bom direito, a proporcionalidade e o contraditório, que são princípios constitucionais.

Para o produtor rural, isso pode afastar a confiança no sistema e dificultar ainda mais a vida no campo. Por mais que a proteção ambiental seja fundamental, a norma jurídica precisa respeitar os limites constitucionais para ter uma aplicação justa e técnica.

O excesso de normas pode ser prejudicial, pois cria um ambiente de insegurança jurídica que afeta a todos.

O especialista ressalta que o produtor rural, que já enfrenta um cenário de sanções rígidas e responsabilidade objetiva (responde mesmo sem ter causado o dano diretamente), pode ser ainda mais penalizado.

É preciso ficar atento e buscar orientação jurídica para se defender contra essa nova infração ambiental e garantir uma aplicação justa da lei.



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Brasileiros têm 70,5% da renda comprometida com contas a pagar, aponta estudo da Serasa



Estudo feito pela Serasa Experian mostra que 70,5% da renda dos brasileiros está comprometida com contas a pagar, que vão desde dívidas com bancos a faturas de cartão de crédito, energia elétrica e internet, entre outros gastos contratados. Com isso, sobram, na média, R$ 968 a novas despesas no mês.

Quanto menor a renda, maior é, em geral, o comprometimento. Consumidores que ganham até um salário mínimo têm 90,1% dos rendimentos comprometidos por compromissos financeiros assumidos. Já no caso dos brasileiros com rendas superiores a dez salários mínimos, o porcentual comprometido cai para 58,2%, o menor entre todas as faixas analisadas.

Apesar de alto, o comprometimento de renda vem ano a ano se reduzindo. Conforme o estudo da Serasa, em 2022, a parcela da renda comprometida dos consumidores brasileiros era de 72,3%. Essa fatia caiu para 72%, em 2023, e 70,9%, em 2024, até chegar a este ano em 70,5%.

“Isso pode ser reflexo de alguns fatores como o mercado de trabalho aquecido e políticas de estímulo à renda. No entanto, temos observado, atualmente, que esse aumento na renda não está contribuindo para conter a elevação da inadimplência no país”, comenta Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian.



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produtores afetados por geadas terão R$ 31,3 milhões em crédito



Cafeicultores que tiveram suas lavouras atingidas por geadas terão à disposição, na safra 2025/26, um total de R$ 31,3 milhões em crédito para recuperação das plantações danificadas. Os recursos são provenientes do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), conforme nota do Conselho Nacional do Café (CNC).

O total de recursos disponíveis no âmbito do Funcafé para a safra 2025/26 é de R$ 7,187 bilhões, aumento de 4,37% ante o valor contratado na safra passada, de R$ 6,68 bilhões, informa ainda o CNC.

Para o presidente do CNC, Silas Brasileiro, a liberação desses recursos “mostra a
importância do Funcafé como instrumento de segurança para o produtor”.

A linha de crédito, acrescenta, “é fundamental para garantir a recuperação das lavouras, a estabilidade da renda e a continuidade da produção cafeeira no país”.



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Países árabes aguardam aproximação brasileira para aumentar compras de café e carne



A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apresentou ao governo federal um plano para redirecionar aos países árabes parte das exportações brasileiras atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos.

Atualmente, o Brasil exporta para 22 países árabes e, em 2024, a receita dessas vendas foi recorde, com US$ 23,6 bilhões.

O estudo da entidade identificou 13 produtos da pauta com o mercado norte-americano que têm potencial de inserção nos países árabes, como o café e a carne bovina.

A proposta é que parte do grão possa ser absorvido por Arábia Saudita, Egito e Argélia, que em 2024 compraram juntos um total de US$ 905 milhões da commodity. No entanto, o Brasil só forneceu 13,4% desse volume.

Segundo o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, a intenção é sensibilizar novos mercados árabes a respeito do potencial de produção e exportação brasileira. “O agro brasileiro chega a esses mercados com boa qualidade, bom preço e competitividade”, ressalta.

No entanto, para que a ideia avance, Mourad acredita que o Brasil deve focar em estar mais próximo a esses mercados. “O árabe preza muito relacionamento. Nós temos um ótimo relacionamento com os países árabes, mas isso pode ser melhorado”, considera.

Segundo ele, os 22 países do mundo árabe importam de café quase a mesma quantidade que os Estados Unidos – o maior mercado consumidor da bebida – compram do Brasil, ou seja, aproximadamente 8 milhões de sacas.

Mourad ressalta que o Brasil vende pouco mais de US$ 500 milhões de café aos árabes, mas tem potencial para ir muito além. “Não preencher a sua totalidade [da demanda total árabe] porque isso seria uma utopia, mas podemos aumentar e bem esse número.”

Além do café, a carne

A carne bovina congelada também poderia ter mais espaço, na avaliação da Câmara de Comércio. Em 2024, países como Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita compraram US$ 2,26 bilhões da proteína, sendo que 43% desse volume veio do Brasil. Contudo, a entidade acredita que é possível aumentar esse mercado, visto que se tratam de nações altamente consumidoras e reexportadoras da proteína animal brasileira.

“Os árabes importam do mundo US$ 3,2 bilhões de dólares [de carne] e nós [o Brasil] exportamos US$ 1,2 bilhão [para eles], então também temos muito espaço para trabalhar”, considera.

O estudo da Câmara destaca o fato de os países árabes apresentarem alíquotas de importação de 0 a 30%, com a maioria dos produtos sendo taxada entre 5 e 6%. Na avaliação da entidade, essas tarifas poderiam ser reduzidas com novos acordos de livre comércio.

“Nós temos produto, fornecimento e qualidade. Tudo isso é refletido em preços competitivos. Então, acredito que o que falta para o exportador brasileiro é estar mais presente. E como nós fazemos isso? Através de missões comerciais, participações em feiras e eventos internacionais, principalmente nos países árabes, e trabalhar muito forte esses novos acordos comerciais, onde essas tarifas podem ser derrubadas”, conclui.



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AgroNewsPolítica & Agro

Manejo preventivo para controle de doenças fúngicas


Ayrton Berger Neto*

O sojicultor brasileiro é hoje um dos mais eficientes do mundo — e os números comprovam. Na última safra, o país produziu quase 170 milhões de toneladas, 15% acima da anterior, em mais de 47 milhões de hectares cultivados. Esse resultado não foi acaso: reflete clima favorável, tecnologia de ponta e, sobretudo, planejamento antecipado — ponto que merece destaque neste momento de preparação para a safra 2025/2026.

O manejo estratégico contra as doenças fúngicas é decisivo para garantir produtividade e rentabilidade. Por isso, os produtores precisam alinhar agora suas decisões preventivas, considerando as condições climáticas e patológicas de cada região.

O cenário atual traz novidades em relação às últimas safras. No Sul, o inverno mais rigoroso pode reduzir o inóculo da ferrugem asiática — doença de maior impacto, capaz de comprometer mais de 50% da produtividade em casos severos. Já no Cerrado, a ocorrência de chuvas prolongadas altera a dinâmica dos patógenos, exigindo atenção redobrada.

Não é apenas a ferrugem que preocupa. Outras doenças foliares, como mancha-alvo, cercospora e oídio, têm ganhado relevância e podem causar perdas superiores a 15%. Nesse contexto, a regionalização das estratégias se torna indispensável: práticas eficazes no Cerrado podem não resultar em bons resultados na Região Sul ou na Região de MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Outro desafio é a resistência dos patógenos a grupos químicos já amplamente utilizados. Por isso, ganham força os fungicidas multissítios — protetores, atualmente indispensáveis em programas de manejo de doenças foliares, pois atuam em diferentes processos metabólicos do fungo — e novas moléculas em desenvolvimento, peças-chave para o manejo integrado.

A colaboração entre a ciência e a indústria agrícola desempenha um papel cada vez mais central. Observa-se que empresas do setor, como a Sumitomo Chemical, têm direcionado investimentos para o desenvolvimento de soluções regionalizadas. Tais iniciativas visam otimizar a aplicação no campo e potencializar a produtividade. Essa abordagem frequentemente envolve a integração de novas técnicas e inovações em manejos estratégicos, com o propósito de fornecer informações e pesquisas aplicadas de maneira acessível aos produtores, sem adicionar complexidade excessiva às operações.

A soja é pilar do agronegócio brasileiro, fundamental para exportações e geração de empregos. Por isso, o controle eficiente das doenças fúngicas vai além do campo: trata-se de segurança alimentar e econômica. Com informação de qualidade e manejo preventivo bem estruturado, o produtor assegura a produtividade e protege o futuro sustentável da sojicultura no país.

*Ayrton Berger Neto é fitopatologista e pesquisador da BW Agro Serviços.





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Tarifaço não trava comercialização de soja, mas receita cambial cai em cinco anos


Dados do Comex Stat indicam que o chamado tarifaço aplicado pelos Estados Unidos ainda não impactou a comercialização da soja brasileira. No entanto, a análise da receita cambial do complexo soja nos últimos cinco anos mostra que o período apresentou uma desvalorização de cerca de 12,5%. Os números foram apresentados no Agroexport desta terça-feira (19).

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Agroexport/Canal Rural

A soja em grão passou de US$ 484 por tonelada em 2021 para US$ 415 em agosto de 2025, uma retração de 14%. O farelo de soja registrou queda ainda maior, de US$ 422 para US$ 353 por tonelada, equivalente a 15%, enquanto o óleo de soja sofreu menor impacto, caindo 9%, de US$ 1,22 para US$ 1,11 por tonelada.

Em tempos de tarifaço e margens apertadas, é fundamental que produtores e exportadores observem a relação entre preço, rentabilidade e custo. A queda nos valores reflete principalmente safras abundantes em diversas regiões do mundo e estoques globais elevados, fatores que pressionam o preço internacional da oleaginosa.



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