segunda-feira, maio 4, 2026

Autor: Redação

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boi gordo tende a manter viés de alta nos próximos meses



Imea aponta queda do EF e pressão sobre o boi gordo




Foto: Divulgação

O indicador do Equivalente Físico (EF) em Mato Grosso registrou -5,79% em julho de 2025, segundo a análise semanal do Imea divulgada nesta segunda-feira (18). O índice calcula a diferença entre o preço de comercialização da carne com osso no atacado e o valor da arroba do boi gordo.

De acordo com o Imea, houve recuo de 1,43 ponto percentual em comparação com junho de 2025. O resultado foi influenciado pelas pressões baixistas sobre o preço da arroba, que alcançou R$ 295,38/@ no último mês, queda de 2,75% ante junho.

O relatório destaca que “a maior desvalorização da carcaça casada, que retraiu 4,23% no mesmo comparativo, resultou no encurtamento das margens da indústria”.

Segundo o Imea, no curto prazo, mesmo com o aumento sazonal na demanda externa pela proteína neste segundo semestre, o indicador negativo indica que as indústrias devem atuar para conter altas mais expressivas.

O instituto conclui que, diante desse cenário, “os preços do boi gordo tendem a manter o viés de alta nos próximos meses, pressionando o indicador”.





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Comissão aprova redução da fração mínima de parcelamento de imóveis rurais



Deputados aprovam reduzir limite mínimo para divisão de imóveis rurais


Foto: Pixabay

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 6088/23, do deputado Zé Trovão (PL-SC), que estabelece em 5 mil metros quadrados (0,5 hectare) a fração mínima de parcelamento (FMP) do imóvel rural.

Criada em 1972, a FMP é a menor dimensão que um imóvel rural pode ter. Atualmente, o valor varia por município, oscilando entre dois e cinco hectares. Valores abaixo da fração mínima não podem obter registro cartorial nem se cadastrar no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O relator, deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), recomendou a aprovação da proposta. Ele argumentou que a mudança é uma demanda de produtores. “Com o avanço da tecnologia e o aumento da produtividade, a produção em áreas menores pode se tornar economicamente viável e lucrativa”, disse.

Ele acrescentou que o turismo rural é outra possibilidade de uso para propriedades menores, “cada vez mais apreciado por setores da população brasileira”.

Próximos passos

O projeto vai ser analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

 





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EUA aceitam consulta do Brasil na OMC, mas apontam questão de segurança nacional



Os Estados Unidos aceitaram a consulta feita no início de agosto pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas consideraram que algumas das ações citadas pelo país são “questões de segurança nacional, não suscetíveis de revisão ou de resolução por meio de solução de controvérsias na OMC”.

“Sem prejuízo dessas opiniões, os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil para iniciar consultas. Estamos prontos para conversar com autoridades de sua missão sobre uma data mutuamente conveniente para as consultas”, completa o documento do governo norte-americano apresentado na segunda-feira (18), à OMC.

O documento diz ainda que a solicitação do Brasil inclui certas ações tarifárias dos Estados Unidos que estão “em conformidade” com a Lei de Emergências Nacionais e a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, relacionadas a questões de segurança nacional.

“O presidente [Donald Trump] determinou que essas ações eram necessárias para lidar com a emergência nacional decorrente de condições refletidas em grandes e persistentes déficits anuais no comércio de bens dos EUA com parceiros comerciais, ameaçando a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos.”

A administração Trump também argumentou que políticas, práticas e ações recentes do governo do Brasil “minam o Estado de Direito e ameaçam a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos”.

O texto reconhece que cada membro da OMC mantém a autoridade para determinar por si próprio as medidas que considera necessárias à proteção de seus interesses essenciais de segurança.

Solicitação brasileira na OMC

A solicitação do Brasil inclui uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês), nos termos da Seção 301 referente a alguns atos, políticas e práticas do Brasil relacionados a:

  • Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
  • Tarifas preferenciais injustas;
  • Aplicação de medidas anticorrupção;
  • Proteção da propriedade intelectual;
  • Acesso ao mercado de etanol; e
  • Desmatamento ilegal

De acordo com o governo norte-americano, o início de uma investigação nos termos da Seção 301 “indica apenas que as barreiras tarifárias e não tarifárias ‘merecem uma investigação completa’ e ‘ações potencialmente responsivas’”.

O governo Trump, portanto, considera que a solicitação do Brasil com relação à investigação da Seção 301 não se refere a medidas que afetem a operação de qualquer acordo abrangido, tomadas dentro do território de um membro da OMC, o que significa que não atende aos requisitos para uma solicitação de consultas.



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Brasil passará a embarcar ovinos vivos para a Argélia



O Brasil recebeu autorização sanitária para exportar ovinos vivos para a Argélia, informou nesta terça-feira (19) o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Com cerca de 46 milhões de habitantes, o país do norte da África tem estreitado relações comerciais com o Brasil nos últimos anos.

De acordo com o Mapa, em 2021, os argelinos receberam cerca de US$ 1,3 bilhão em produtos agropecuários brasileiros. Em 2024, os embarques ultrapassaram US$ 2,2 bilhões, um crescimento de 69% em três anos.

Entre os principais produtos nacionais adquiridos pela Argélia destacam-se os bens do complexo sucroalcooleiro e da soja, além de cereais, farinhas e preparações.

“A abertura representa uma oportunidade de negócios, especialmente para exportadores do Norte e Nordeste do Brasil, onde a ovinocultura tem importância econômica e social, promovendo a geração de empregos e o desenvolvimento regional”, destaca o Ministério, em nota.

Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 401 aberturas de mercado desde o início de 2023, sendo 101 delas em 2025.



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O uso da tecnologia blockchain na rastreabilidade do algodão brasileiro


O algodão é a fibra têxtil vegetal mais comercializada no mundo, sendo o Brasil o terceiro maior produtor global, exportando essa matéria-prima para mais de 150 países. No cenário internacional, há uma crescente exigência por práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade social e ambiental.

Nesse contexto, a BCI – Better Cotton Initiative surge como referência mundial de sustentabilidade no setor algodoeiro, com o objetivo de melhorar o algodão tanto para os agricultores quanto para todos os interessados em seu futuro. A iniciativa também promove o cultivo sustentável e busca padronizar os processos por meio da criação de normas, princípios e critérios.

No Brasil, o setor é liderado pela ABRAPA – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, que, entre seus pilares de atuação, destaca-se pela ênfase na rastreabilidade, permitindo traçar um mapa fiel da produção do algodão nacional, por meio de duas iniciativas: o SAI – Sistema Abrapa de Identificação e a SouABR – Algodão Brasileiro Responsável.

Desse modo, o presente artigo discute como a tecnologia blockchain se consolida como instrumento jurídico e tecnológico fundamental para garantir a rastreabilidade segura da cadeia do algodão, respondendo às demandas globais por sustentabilidade e governança.

A iniciativa SAI desenvolveu um sistema que, por meio de uma etiqueta de identificação semelhante ao “CPF”, permite rastrear com exatidão o fardo: da fazenda onde foi colhido, à usina de beneficiamento, passando pelo laboratório responsável pela análise da qualidade da fibra. Entre suas vantagens, destacam-se o sistema único e confiável de identificação dos fardos, a agilidade na obtenção dos resultados de classificação pelos laboratórios e facilidade da comercialização nos mercados interno e externo.

Já a iniciativa SouABR é a pioneira na rastreabilidade em larga escala da indústria têxtil brasileira por meio da tecnologia blockchain. A partir de um QR Code na etiqueta da peça de roupa, o consumidor consegue acompanhar toda a trajetória da peça, desde o plantio do algodão certificado até o produto final.

Nesse ínterim, cabe esclarecer o conceito de blockchain; entretanto, é imprescindível explicar, antes mesmo, o que é o Bitcoin. O conceito de Bitcoin está apoiado em três grandes pilares: hardware, software e criptoativo. O hardware compreende o conjunto de dispositivos físicos que formam uma rede de computadores descentralizada que servem como mineradores ou validadores, enquanto o software refere-se à blockchain, ao gerador de pares de chave e às regras do protocolo. Por fim, o criptoativo é o pagamento do software para o hardware e desempenha a função de moeda em um sistema de pagamentos.

Portanto, quando nos referimos a blockchain, tratamos de um componente do Bitcoin enquanto software. A blockchain é uma rede descentralizada e distribuída por computadores, que registram de forma imutável, transparente e segura dados, informações e operações. Sendo assim, uma tecnologia de registro distribuído, público, pseudônimo e auditável, que funciona como livro razão. O principal diferencial da blockchain é que não existe autoridade central ou intermediário, portanto, a confiança está exclusivamente na tecnologia.

A partir da blockchain do Bitcoin, surgiram diversas redes blockchain que funcionam de maneiras diferentes. A iniciativa SouABR utiliza a blockchain da Polygon para fazer o registro da cadeia de suprimentos, essa rede é uma sidechain da blockchain Ethereum, ou seja, funciona de forma paralela à rede principal.

A blockchain da Ethereum inovou implementando na sua estrutura a possibilidade de criar um código computacional executável, que seriam os smart contracts. O conceito de smart contracts, embora a expressão possa ser traduzida literalmente como “contratos inteligentes”, esse não se enquadra como categoria contratual nos moldes do ordenamento jurídico brasileiro, em síntese, são cláusulas de execução automática.

No caso da SouABR, utiliza-se um smart contract para registrar, na blockchain, todas as etapas da cadeia produtiva do algodão, desde o plantio até a chegada da peça de vestuário no varejista. A blockchain funciona como livro-razão, cuja versão original está em todos os nós da rede. As regras de funcionamento do protocolo garantem a execução, validando a ordem de inserção dos dados e operações com transparência. Dessa forma, qualquer interessado pode acessar essas informações de forma segura. Além disso, a própria estrutura descentralizada da rede torna praticamente inviável e extremamente onerosa qualquer tentativa de violação, o que garante elevados níveis de segurança e confiabilidade. Por fim, a integridade dos registros é preservada por meio do mecanismo de consenso entre os validadores, que atestam a autenticidade de cada bloco incluído na cadeia.

Assim, a iniciativa utiliza a tecnologia fazendo o registro dos dados em blocos que juntos formam uma rede, cada bloco é autenticado, validado e colocado em sequência, de forma imutável e inviolável. Cada bloco na rede contém uma lista de transações com timestamp, indicando a data e hora exatas. Portanto, o registro se torna uma prova concreta e cabal resistente a adulteração.

Diversos países já reconheceram a validade jurídica da tecnologia blockchain e regularam a matéria, contudo, há ainda um longo caminho a ser percorrido. No Brasil, a matéria ainda está em processo de regulação, sendo tema de diversas consultas públicas do BACEN – Banco Central e de resoluções da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, além da sanção da lei 14.478/22 que dispõe sobre a regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais.

De acordo com Freire (2021), a natureza jurídica da blockchain, considerando apenas o aspecto da tecnologia distribuída e descentralizada de registro eletrônico de dados deve ser definida juridicamente como “obra”, pois trata-se de uma criação intelectual do domínio científico expressa por meio de código e da internet, nos termos do art. 1º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.

Quanto a natureza jurídica do smart contract, essa não é cristalina, segundo Leandro Gobbo (2023, v.22, p.25): “smart contracts são instrumentos cujo objetivo é viabilizar a realização de negócios diferidos no tempo, formalizados por meio de código de computador, escritos em linguagem formal e de exequibilidade automática.”

Além disso, o registro em blockchain consolida-se como prova digital dos atos jurídicos ao longo da cadeia de suprimentos, preservando as posições jurídicas envolvidas. Não obstante, o próprio CPC, no art. 369, permite o emprego de qualquer meio de prova para corroborar a verdade dos fatos. Por sua vez, a blockchain também garante a cadeia de custódia da prova, por conta das características intrínsecas da própria tecnologia que geram uma lista de transações por ordem cronológica, que são auditáveis, transparentes e seguras, atendendo aos critérios de cronologia, integridade, autenticidade e idoneidade da prova, previstos do art. 158-A e seguintes do CPP.

A aplicação da tecnologia blockchain no rastreio do algodão brasileiro representa um marco na modernização da produção têxtil. As iniciativas SAI e SouABR demonstram como a inovação pode atender às crescentes demandas por sustentabilidade, confiabilidade e governança no mercado global. O uso da tecnologia blockchain como instrumento de registro da cadeia de suprimentos tem potencial para transformar as relações comerciais, fortalecendo os vínculos entre todos os agentes da atividade produtiva.

A regulação ainda é uma incógnita, mas o potencial transformador dessa tecnologia em todas as áreas é imensurável, uma vez que o presente artigo tratou da tecnologia somente no viés do registro, cuja viabilidade jurídica foi demonstrada ao longo do texto. Portanto, é inevitável o uso da blockchain nas atividades produtivas, não sendo possível ignorá-la em detrimento do crescimento econômico. Assim, no futuro próximo, espera-se a integração entre a tecnologia e a regulação.

Rafaela Montanari Aguiar Rey Lima

Advogada, formada em Direito pelo UniCEUB, pós-graduada pela Residência Jurídica do Programa de Carreiras da OAB/DF e, atualmente, cursando MBA em Blockchain e Criptoativos pela Trevisan.





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Tamanduá-bandeira retorna à natureza após ser atropelado



Um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) macho, foi devolvido ao seu habitat natural na manhã desta segunda-feira (18), em uma área de mata do município de Angatuba, na região de Itapeva, São Paulo.

O animal havia sido resgatado no dia 30 de junho, pela Polícia Ambiental de Itapetininga, após ser atropelado em uma rodovia do município.

O tamanduá foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetras) de Registro, onde chegou bastante debilitado, com lesões em uma das patas dianteiras e em um dos membros traseiros.

Após passar por sedação e exames, recebeu tratamento e foi mantido em espaço restrito para reduzir a movimentação. A equipe também instalou uma fonte de aquecimento para evitar gasto energético e favorecer a recuperação.

“O animal apresentou muita apatia ao chegar ao centro e demandou cuidados intensivos, incluindo medicação e repouso prolongado. A evolução foi positiva e, após o período de reabilitação, ele demonstrou condições físicas adequadas para retornar à natureza”, destaca biólogo do Cetras Cleber Coelho Machado.

A soltura foi acompanhada por técnicos do centro e pela Polícia Ambiental, garantindo que o animal fosse reinserido em um ambiente compatível com a espécie.

Conheça mais sobre a espécie

Símbolo do Cerrado, o tamanduá-bandeira habita áreas da Mata Atlântica, Pantanal e Amazônia. A espécie alimenta-se de formigas e cupins, que captura com sua língua. De acordo com o biológo, trata-se de um animal solitário, de hábitos terrestres, capaz de percorrer grandes áreas em busca de alimento.

Classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o tamanduá-bandeira enfrenta ameaças como atropelamentos, incêndios florestais, perda de habitat e ataques de cães domésticos.

A conservação da espécie depende diretamente da preservação e fortalecimento das ações de resgate e reabilitação.



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Arroba do boi gordo tem espaço para elevação; veja os preços de hoje



O mercado físico do boi gordo se depara com alguma elevação dos preços no Centro-Norte brasileiro.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos que atuam nos estados da Região ainda encontram maior dificuldade na composição de suas escalas de abate, o que sugere que ao menos no curto prazo haverá espaço para nova elevação dos preços.

“São Paulo vive uma realidade diferente. Os frigoríficos que operam no estado se deparam com escalas de abate mais confortáveis e passam a realizar tentativas de compra em patamares mais baixos, mesmo que sem êxito até o momento. Exportações em altíssimo nível são o grande diferencial”, disse.

Preço médio da arroba do boi

  • São Paulo: R$ 310,85
  • Goiás: R$ 300,54
  • Minas Gerais: R$ 301,76
  • Mato Grosso do Sul: R$ 319,43
  • Mato Grosso: R$ 308,65

Mercado atacadista

O mercado atacadista ainda se depara com manutenção dos preços ao longo da terça-feira, com menor espaço para reajustes no decorrer da segunda quinzena do mês, período pautado por menor apelo ao consumo.

“Ainda vale mencionar que a carne de frango dispõe de maior competitividade em relação às proteínas concorrentes”, assinalou Iglesias.

O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 23,30 por quilo; o dianteiro segue no patamar de R$ 18 por quilo; e a ponta de agulha permanece a R$ 17,20 por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,23%, sendo negociado a R$ 5,5003 para venda e a R$ 5,4983 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4305 e a máxima de R$ 5,5055.



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Movimentação de soja e milho no Arco Amazônico cresceu 288%


A região do Arco Amazônico, que compreende os terminais portuários ao longo do rio Amazonas e seus afluentes — incluindo os localizados abaixo da Baía de Marajó —, registrou movimentação de 87,8 milhões de toneladas em 2024, considerando operações de longo curso e cabotagem.

O número representa um crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior. Deste montante, aproximadamente 64% foram movimentados por Terminais de Uso Privado (TUPs), o que reforça o protagonismo da iniciativa privada na dinâmica logística da região.

As informações são de levantamento da Coordenação de Pesquisas e Desenvolvimento da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), que reúne empresas de grande porte e congrega 70 terminais privados do país.

O documento destaca o crescimento expressivo da movimentação de soja e milho, que, nos últimos dez anos, acumulou alta de 288,1%, percentual significativamente superior ao observado nas principais rotas tradicionais de exportação.

A título de comparação, no mesmo período, a movimentação das duas commodities no complexo portuário de Santos (SP), o maior da América Latina, apresentou crescimento de 55,3%, enquanto no complexo de Paranaguá (PR) avançou 17,2%.

movimentação milho soja Arco Amazônico movimentação milho soja Arco Amazônico
Foto: Divulgação

Em 2024, a movimentação de soja e milho no Arco Amazônico alcançou 30,9 milhões de toneladas, o que corresponde a 22,8% do total nacional de milho e soja movimentado no longo curso e na cabotagem, estimado em 135,3 milhões de toneladas.

Principais cargas movimentadas

A ATP reforça que, em 2024, a movimentação portuária do Arco Amazônico, que inclui todos os estados da Região Norte do país, foi liderada por cargas de granel sólido, com destaque para:

  • Bauxita: 23,9 milhões de toneladas
  • Soja: 17,1 milhões de toneladas;
  • Milho: 13,7 milhões de toneladas

A carga conteinerizada também apresentou volume expressivo, com 9,9 milhões de toneladas movimentadas. Também passaram pelos terminais portuários da região produtos químicos inorgânicos (5,7 mi t), petróleo e derivados sem óleo bruto (5,2 mi t), adubos e fertilizantes (3,9 mi t) e soda cáustica (1,2 mi t), entre outros.

Desafios persistem

Apesar dos avanços, os anos de 2024 e 2025 têm se mostrado desafiadores para o escoamento de cargas pela região, destaca a ATP.

“A estiagem prolongada, com significativa redução nos níveis dos rios, aliada à demora na execução de dragagens de manutenção, resultou em restrições à capacidade de carregamento das embarcações”, diz trecho do documento da entidade.

Como reflexo direto, a movimentação de soja e milho para longo curso e cabotagem no Arco Amazônico apresentou uma queda de 8,7% apenas nos primeiros cinco meses de 2025, comparando com o mesmo período de 2024, apresentando um volume de 13,3 milhões de toneladas.

Busca de soluções

Diante desse cenário, a ATP informa que tem centrado esforços no projeto da Barra Norte, que busca ampliar o calado autorizado e, com isso, aumentar a eficiência logística da região.

“Paralelamente, o Comitê de Infraestrutura da ATP tem atuado junto a instituições como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), visando viabilizar dragagens estratégicas, como a no rio Tapajós”, diz a entidade.

Além disso, a ATP defende a implementação do modelo de concessões hidroviárias, que prevê a transferência ao concessionário de responsabilidades como os levantamentos hidrográficos, a gestão de tráfego, a manutenção e a sinalização náutica.

De acordo com o presidente da ATP, Murillo Barbosa, essa modelagem busca conferir maior previsibilidade e regularidade à navegação interior, reduzindo a dependência de ações emergenciais e garantindo maior estabilidade ao transporte hidroviário.

Para ele, a consolidação do Arco Amazônico como rota logística estratégica depende de políticas públicas estruturantes, de parcerias institucionais e de um ambiente regulatório que favoreça investimentos de longo prazo.

“Com sua vocação natural para a navegação interior e sua posição geográfica privilegiada, a região tem todas as condições para seguir ampliando sua participação no escoamento da produção nacional, desde que superados os atuais gargalos operacionais”, afirma Barbosa.



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Brasil e União Europeia reforçam parceria estratégica em encontro com a sociedade civil na IX Mesa Redonda em Brasília


Em meio a discussões sobre democracia, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) marcou presença na IX Mesa Redonda da Sociedade Civil UE-Brasil, realizada no Palácio Itamaraty nesta terça-feira (29). Representando a pasta, o Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, defendeu a importância do Acordo Mercosul-União Europeia como uma resposta concreta aos desafios globais, destacando o papel do agro brasileiro como elo de confiança entre os dois blocos.

“A União Europeia representa 14% das exportações brasileiras do agro. Mais do que os 23 bilhões de dólares exportados anualmente, são os laços históricos e os valores compartilhados que nos aproximam”, afirmou Luís Rua durante painel.

O evento, organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) em parceria com o Comitê Econômico e Social Europeu (CESE), reuniu representantes da sociedade civil, setor produtivo e autoridades dos dois blocos para discutir temas como transição energética, combate à desinformação e desenvolvimento sustentável.

Durante o encontro, o secretário buscou esclarecer pontos sensíveis do Acordo Mercosul-UE, argumentando que os produtos agropecuários exportados pelo Brasil como soja, café e carne de frango não competem diretamente com a produção europeia, mas a complementam.

O secretário também destacou aspectos sobre questões sanitárias e ambientais. Segundo ele, o país cumpre rigorosamente os padrões sanitários exigidos pela União Europeia há mais de quatro décadas, e continua comprometido com uma agenda ambiental robusta. “Nos últimos dois anos, o desmatamento na Amazônia caiu 46%. Estamos recuperando 40 milhões de hectares de pastagens degradadas e incentivando o uso de bioinsumos. É uma agricultura que alia produção e sustentabilidade”.

Ainda segundo Luís Rua, a ratificação do acordo entre os blocos representa mais do que um avanço econômico. “Em um cenário internacional marcado por tensões e conflitos, selar esse acordo é enviar uma mensagem clara de que o comércio, o diálogo e a cooperação seguem sendo caminhos possíveis para o desenvolvimento”, disse.

A IX Mesa Redonda sociedade civil UE-Brasil segue até o dia 30 de julho e deve ser encerrada com a assinatura de uma declaração conjunta entre o CDESS e o CESE, reafirmando o compromisso com o fortalecimento da democracia, da participação social e do desenvolvimento sustentável nas relações entre Brasil e União Europeia.





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Inadimplência no agro atinge níveis históricos: como sair dessa situação?


O agronegócio brasileiro, motor da economia nacional, enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A inadimplência entre produtores rurais disparou: dados da Serasa Experian mostram que 7,9% das pessoas físicas do campo estavam com dívidas em atraso acima de 180 dias no 1º trimestre de 2025, contra 7% no mesmo período do ano anterior .

No Banco do Brasil, responsável por quase metade da carteira de crédito rural, os atrasos superiores a 90 dias chegaram a 3,49% no 2º trimestre, mais que o dobro do registrado em 2024. O impacto foi devastador: o lucro do banco caiu 60% no período, revelando a profundidade da crise

Segundo a instituição, fatores como juros elevados, custos crescentes de insumos, queda no preço das commodities e condições climáticas adversas estão por trás do aumento do calote. Especialistas preveem pelo menos dois trimestres de estresse financeiro antes de qualquer melhora significativa

Risco que vai além dos bancos

Para os produtores, a inadimplência não é apenas um número. Quando o atraso se prolonga, o fluxo de caixa quebra, o acesso a crédito futuro diminui e o patrimônio corre risco. Trata-se de um ciclo vicioso: menos investimento leva a menor produtividade, que por sua vez reduz a receita e aprofunda a incapacidade de pagar dívidas

Além disso, cresce o uso da recuperação judicial (RJ) como recurso, com aumento de 45% nos pedidos no setor apenas no 1º trimestre de 2025. Embora prevista em lei, especialistas apontam abusos no instrumento, usado como manobra para postergar dívidas sem atacar as causas estruturais.

Como sair da inadimplência ou não cair nela?

Diante desse cenário, especialistas em crédito rural e direito agrário indicam caminhos que podem evitar o colapso financeiro das propriedades. Pincelei algumas das dicas que considero as melhores:

  • Prorrogação via Manual de Crédito Rural (MCR): em caso de frustração de safra, queda de preços ou problemas de caixa, é possível renegociar prazos sem aumento de juros, garantindo fôlego imediato
  • Revisão de contratos: muitos contratos rurais têm cláusulas abusivas ou juros excessivos. A revisão pode alcançar até 10 anos de financiamentos passados, reduzindo a pressão sobre o caixa
  • Gestão e reestruturação financeira: mapear todas as dívidas, identificar quais são negociáveis, organizar prioridades e buscar apoio técnico são medidas cruciais para preservar bens e evitar insolvência
  • Ferramentas alternativas de comercialização: operações como barter (troca de insumos por grãos) e plataformas digitais como Grão Direto reduzem a dependência de crédito tradicional e dão mais previsibilidade aos custos
  • Apoio institucional: programas como Pronaf e Garantia-Safra oferecem linhas de crédito mais acessíveis e proteção contra perdas climáticas, fundamentais especialmente para a agricultura familiar.

A pior atitude neste momento é a negação. A crise da inadimplência no agro é real, já atinge bancos, fornecedores e famílias rurais. Mas, apesar do cenário duro, há saídas: renegociação, revisão de contratos, gestão estratégica e uso de ferramentas inovadoras.

O recado é claro: quem agir agora, preserva sua propriedade e mantém as portas abertas para o futuro. Quem esperar demais, pode ver o patrimônio e a capacidade produtiva escorrerem pelos dedos.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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