O voto do ministro Luiz Fux, que absolveu Jair Bolsonaro de todas as acusações no caso da trama golpista, provocou forte impacto político e jurídico. Em 13 horas de leitura, Fux desmontou as teses acusatórias, apontando ausência de provas individualizadas e questionando a competência do Supremo para julgar o caso.
Embora o placar ainda seja desfavorável ao ex-presidente, a manifestação abriu espaço para novos recursos e fortaleceu a narrativa da defesa, que agora pode explorar a divisão interna da Corte. Para Bolsonaro, o voto representa uma vitória simbólica que pode ser usada como trunfo político.
Institucionalmente, a divergência revela que não há consenso dentro do STF sobre a interpretação dos crimes ligados à tentativa de golpe, o que pode levar o caso ao plenário completo. Ao mesmo tempo, acende debates no Congresso sobre os limites da judicialização e reforça o desgaste público da Suprema Corte.
O episódio mostra que, além das consequências jurídicas, a batalha é também política: cada voto do Supremo redefine os rumos da narrativa sobre Bolsonaro e testa a solidez das instituições brasileiras.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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Fatores técnicos ligados às opções também influenciam o mercado – Foto: Divulgação
O mercado futuro de açúcar em Nova York encerrou a semana em forte queda, com destaque para o contrato outubro/25, que fechou a 15,58 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 76 pontos em relação à semana anterior, equivalente a 17 dólares por tonelada. Segundo análise do consultor Arnaldo Corrêa, publicada em sua coluna, o movimento foi generalizado e confirmou o viés de baixa, afetando também vencimentos de 2026 e 2027.
De acordo com Corrêa, o relatório da CFTC mostrou que os fundos ampliaram a posição vendida a descoberto para 149.759 contratos, um aumento expressivo de 17.260 na semana, o que reforça a pressão vendedora. Esse comportamento especulativo, pautado por algoritmos e não por fundamentos, lembra o que ocorreu em 2023, quando a euforia compradora dos fundos foi seguida por um colapso dos preços diante de uma safra abundante.
Além da força dos fundos, fatores técnicos ligados às opções também influenciam o mercado. Com a proximidade da expiração das opções de outubro/25, há cerca de 60 mil lotes de puts vendidos em aberto entre 15 e 17 centavos, o que pode gerar novas liquidações e intensificar a volatilidade. Ao mesmo tempo, usinas do Nordeste enfrentam dificuldades com a produção de açúcar branco devido às chuvas, o que sustenta prêmios de até 30 dólares por tonelada sobre Londres.
Corrêa destaca ainda questões estruturais do setor, como o aumento da fragmentação de ativos, em contraste com a expectativa anterior de consolidação. Diante disso, o mercado segue dividido entre fundamentos que apontam para alta e forças especulativas que empurram os preços para baixo, mantendo elevado o nível de incerteza sobre os próximos movimentos.
Não haverá alterações significativas no padrão atmosférico na região Sul, e o tempo segue firme e sem previsão de chuva significativa ao longo desta quinta-feira (11). Ainda cedo, algumas cidades do alto da serra catarinense e também pontos mais elevados do sul paranaense podem contar com a formação de geada. A atuação de uma área de alta pressão deve manter o céu limpo e as temperaturas mais baixas no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, o predomínio também será de sol entre algumas nuvens ao longo do dia, com temperaturas mais amenas durante o período.
No Paraná, na maior parte do estado, o tempo segue aberto e com apenas algumas variações de nebulosidade. Excepcionalmente, algumas cidades do sudoeste paranaense podem contar com a ocorrência de pancadas de chuva acompanhadas por raios no período da tarde, devido ao avanço de algumas instabilidades que avançam do Paraguai. O padrão de temperatura segue ainda dividido entre sul e leste, com temperaturas mais baixas e a metade norte já com aumento mais significativo ao longo do dia. Apesar disso, em praticamente todo o estado, a umidade relativa do ar deve atingir níveis críticos no período da tarde.
No Sudeste, o predomínio deverá continuar sendo de tempo firme e temperaturas elevadas em todos os estados da região. A circulação de ventos em níveis mais elevados da atmosfera deve favorecer o predomínio de sol e impedir a entrada de umidade, além da formação de nebulosidade ou instabilidades durante o dia. O calor segue sendo destaque no período da tarde, com máximas acima de 35 °C no interior paulista e mineiro e alerta de baixa umidade do ar no decorrer da tarde.
Enquanto no Centro-Oeste, o padrão também deverá ser de tempo aberto em boa parte da região. Excepcionalmente, algumas áreas do extremo norte e noroeste de Mato Grosso podem contar com a ocorrência de pancadas isoladas de chuva, motivadas pelo avanço de algumas instabilidades que atuam sobre a região norte do país. No oeste e sul de Mato Grosso do Sul, algumas instabilidades que atuam sobre o Paraguai também podem avançar no período da tarde e condicionar a ocorrência de pancadas de chuva com forte intensidade, seguidas por raios e trovoadas.
Nas demais regiões, sol e bastante calor. Goiás e o Distrito Federal seguem com alerta de baixa umidade do ar. Entre o leste de Mato Grosso, boa parte do centro-sul de Goiás e no nordeste de Mato Grosso do Sul, os índices devem ficar abaixo de 12% durante as horas mais quentes. Entre o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, as máximas podem alcançar os 40ºC no período da tarde.
Já no Nordeste, algumas cidades da costa leste podem contar com a ocorrência de pancadas de chuva com fraca intensidade, associadas à entrada de umidade que sopra do oceano em direção ao continente. Condições para chuva moderada em Maceió e João Pessoa. Pode chover fraco e de maneira localizada também entre o recôncavo e o litoral norte da Bahia. Apesar disso, grande parte da região segue com padrão de tempo seco e quente. Matopiba ainda com bastante calor e alerta para baixa umidade do ar.
E no Norte, as instabilidades seguem concentradas entre o Amazonas, Rondônia e Roraima, com risco de chuva forte e até mesmo temporais ao longo do dia. Pode chover de maneira localizada nas áreas do Acre, mas ainda assim com forte intensidade. No Pará, as instabilidades devem se concentrar sobre o litoral, incluindo a capital, Belém. Já o Amapá e Tocantins seguem com tempo mais aberto, sol e temperaturas elevadas. No Tocantins, o período da tarde pode novamente contar com um novo alerta de baixa umidade do ar – com índices variando entre limiares de atenção e até mesmo de alerta durante as horas mais quentes.
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No morning call desta quinta-feira (11), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que o PPI dos EUA mostrou deflação de 0,1% em agosto, reforçando otimismo para corte de juros pelo Fed. Bolsas americanas renovaram recordes, exceto o Dow Jones, pressionado por Apple e Amazon.
No Brasil, o Ibovespa avançou 0,52% a 142 mil pontos e dólar caiu a R$ 5,40. Hoje, atenção à PMC, LSPA, ICEI e CPI dos EUA.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
Na vida no campo, saber produzir é importante, mas saber gerir bem o que se produz é essencial. É isso que mostra a história inspiradora da família Abati, que desde 1992 se dedica à pecuária leiteira em Campo Verde, Mato Grosso (MT). Unindo tecnologia, inovação e muita parceria, eles transformaram a propriedade em um exemplo de sucesso na agricultura familiar.
João Moisés Abati lembra do começo com simplicidade. “A gente mexia com frango, depois fomos pro leite. Começamos pequeno, mas sempre sonhando em crescer.”
Com o tempo, o leite se tornou a principal atividade, e hoje é o filho, Fábio Luciano Abati, quem toca a rotina da fazenda, ao lado dos pais, esposa, filho e irmão — todos engajados na produção.
A gestão da propriedade ganhou força com informação e capacitação. “As etapas da gestão são fundamentadas com informação e parceiros. Fiz cursos com o Senar, Sebraee também com a Comajul, nossa cooperativa. Essas parcerias fazem toda a diferença”, explica Abati, que também conta com o apoio da Secretaria de Agricultura do município de Campo Verde.
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Um dos segredos da família Abati é a organização interna. Cada membro tem um papel definido dentro da propriedade. Desde 2012, as metas são claras e o planejamento é feito em conjunto. A presença do técnico, ligado à cooperativa, foi fundamental nesse processo de crescimento. “Ele chegou em 2003 e sempre esteve alinhado com nossas ideias. Ajudou muito na evolução do que temos hoje”, conta Abati.
O sistema de produção passou por transformações importantes. Inicialmente, o leite era produzido a pasto e, durante a seca, com silagem. Mas em 2017, a família decidiu investir em um modelo mais moderno: o compost barn, também chamado de “cama compostada”. Nele, os animais ficam em um barracão coberto, com alimentação, água e conforto disponíveis 24 horas por dia.
“Optamos pelo compost barn porque ele garante bem-estar para as vacas e melhora a produtividade. O rodeio é feito duas vezes ao dia, com tranquilidade, e os animais se expressam melhor. É um sistema que deu muito certo por aqui”, afirma o produtor.
Pecuária leiteira da família Abati, Campo Verde (MT). Foto: Michelle Jardim.
Tecnologia e conhecimento caminham juntos
A transição para esse modelo mais intensivo contou com o apoio da cooperativa e foi um marco para a região, onde o sistema ainda era pouco utilizado. “No Sul e Sudeste já era comum, mas aqui fomos um dos primeiros. Foi um passo importante”, lembra o produtor rural.
Outra mudança fundamental foi na gestão reprodutiva. “Quando cheguei aqui, não sabia inseminar. Fiz o curso pelo Senar e aprendi. Hoje usamos inseminação artificial em todo o rebanho, o que elevou a qualidade genética dos nossos animais”, explica. Segundo ele, aplicar tecnologia no campo exige conhecimento e os cursos foram essenciais.
Capacitações em gestão e manejo também ajudaram a organizar melhor a produção e os custos. “A informação que a gente traz dos cursos nos permite tomar decisões com mais segurança. Isso faz diferença lá na frente”, afirma Abati, com a convicção de quem viu os resultados acontecerem na prática.
Sucessão familiar garante futuro no campo
Outro pilar importante para o sucesso da propriedade é a sucessão familiar. Para Fábio, envolver os jovens é essencial para manter a atividade viva. “Hoje meu menino tem 15 anos e já está engajado. A mão de obra está cada vez mais difícil, então precisamos formar dentro de casa.”
A tecnologia, inclusive, tem sido aliada nesse processo. Com acesso à internet e ferramentas digitais, os jovens se sentem mais atraídos pela lida no campo. “A gente traz informação, mostra que dá pra trabalhar com qualidade, sem perder a vida rural. Isso motiva a nova geração a ficar.”
Para Juraci José Vastos, Secretário de Agricultura de Campo Verde, esse tipo de resultado é fruto das parcerias que funcionam. “Trabalhamos junto com o Senar, Sebrae e o sindicato rural para levar tecnologias de gestão aos produtores. Nossa função é incentivar, acompanhar e mostrar que é possível evoluir com organização e planejamento.”
Para quem está na lida do leite e quer crescer com segurança, o exemplo dos Abati é claro: parceria, capacitação e união familiar são os ingredientes certos para colher bons resultados, mesmo em tempos desafiadores.
Porteira Aberta Empreender
Quer saber mais sobre a família Abati? Assista hoje (11), às 17h45, ao programa Porteira Aberta Empreender, uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.
Às quintas-feiras, às 17h45, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação
Em meio ao tarifaço dos Estados Unidos, o preço dos alimentos registrou queda pelo terceiro mês consecutivo. A divulgação feita nesta quarta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O café, um dos itens mais afetados pelas sobretaxas, caiu 2,17% em agosto.
Na avaliação de Caio Augusto Rodrigues, economista e sócio da consultoria Terraço Econômico, o movimento ocorre porque estão sobrando produtos no mercado interno. Por consequência, muitos dos setores ainda não conseguiram alinhar novos compradores diante das sanções do governo norte-americano.
Queda dos alimentos não deve se manter
Rodrigues lembra que a capacidade do Brasil em abrir novos mercados pode fazer com que a normalização dos preços desses itens exportados ocorra em, no máximo, seis meses. Ou seja, o recuo observado em agosto pode se manter por mais algum tempo, mas não deve passar disso.
“A não ser que algo grave aconteça, como algum conflito nas regiões para onde esses produtos estão começando a ir, a queda dos alimentos deve cessar logo no começo de 2026”, argumenta.
O economista reforça que, enquanto não houver um acordo formal com os Estados Unidos, esse desvio temporário de produtos para outros mercados deve continuar segurando os preços. Ele alerta, porém, que assim que a situação for normalizada parte desses produtos voltará ao fluxo habitual de exportações. Com isso, os efeitos de contenção de preços no mercado interno tendem a desaparecer.
Primeira deflação em um ano: o que isso significa?
O recuo dos alimentos, que contribuiu para a variação negativa de 0,11% do índice que mede a inflação oficial do país (IPCA), marca a primeira deflação registrada em 2025. Rodrigues explica que apesar de ser importante, esse dado isolado não conta toda a trajetória da inflação até agora.
“No caso de agosto, o que puxou a conta para baixo foram transporte, alimentação e habitação. Dentro de habitação, o maior impacto veio dos descontos na conta de luz, algo mais ligado ao sistema do que a preços de mercado na ponta final”, afirma.
Sobre a trajetória inflacionária daqui para frente, o economista ressalta que o movimento vai depender da interação entre juros altos e atividade econômica. Embora os efeitos já tenham começado a ser sentidos, a expectativa é que apareçam de forma mais consistente apenas em 2026.
“Os juros estão cumprindo o papel de frear a economia e, por consequência, a inflação. Mas isso acontece com atraso e ainda não dá segurança para o Banco Central relaxar. Até lá, será preciso observar como esse arrefecimento impacta no mercado de trabalho e se de fato ajuda a trazer a inflação para dentro da meta”, conclui.
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Mudança impactou diretamente a eficiência dos tecidos – Foto: Divulgação
O programa IAC-Quepia, de Qualidade de Vestimentas Protetivas Agrícolas, coordenado pelo pesquisador Hamilton Ramos, identificou uma queda significativa na performance dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) usados no campo. Desde 2020, mais de 60% das peças enviadas por fabricantes para certificação foram reprovadas em testes de laboratório. A causa, segundo Ramos, foi a substituição do hidrorrepelente à base de oito carbonos, descontinuado por razões ambientais, por um de seis carbonos, menos durável e resistente.
Essa mudança impactou diretamente a eficiência dos tecidos utilizados em EPI, fundamentais para proteger trabalhadores durante a aplicação de defensivos agrícolas. Ramos reforça que a indústria de EPI não foi responsável pelo problema, já que a limitação estava no novo composto químico, que não reproduzia o mesmo nível de proteção. “Por conta de questões ambientais, o hidrorrepelente original foi substituído por outro, similar, formado, contudo, por somente seis carbonos, que não apresentou a mesma durabilidade”, adianta.
Diante do cenário, o IAC-Quepia iniciou pesquisas em parceria com empresas brasileiras do setor químico e de EPI para buscar soluções. Testes finais estão em andamento com novos hidrorrepelentes que suportam lavagens sem perda de eficiência, garantindo durabilidade e segurança.
O programa já foi responsável, nos últimos dez anos, por reduzir de 80% para 20% o índice de reprovação desses equipamentos no Brasil, aproximando a indústria nacional dos padrões internacionais. Agora, a expectativa é recuperar os baixos índices e assegurar novamente a confiabilidade dos EPIs agrícolas. “Trata-se de uma conquista representativa, que colocou a indústria nacional de EPI em condições de igualdade em relação a padrões internacionais de confiabilidade. O objetivo, agora, é auxiliar à indústria a novamente manter baixos índices de reprovação”, comenta.
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A decisão deve levar em conta fatores técnicos e as condições da lavoura – Foto: United Soybean Board
Na hora de renovar o maquinário agrícola, a escolha da colheitadeira é decisiva para garantir produtividade e eficiência no campo. A principal dúvida entre os produtores está entre os modelos axiais e híbridos, que apresentam sistemas distintos de trilha. A axial utiliza um único rotor responsável por realizar a trilha e a separação da palhada, sendo indicada para grandes volumes. Já a híbrida combina um cilindro convencional dedicado à trilha e dois rotores para a separação final dos grãos, unindo eficiência e menor índice de perdas.
A decisão deve levar em conta fatores técnicos e as condições da lavoura. Culturas sensíveis a danos mecânicos, como feijão e sementes, tendem a se beneficiar do sistema axial, que preserva melhor a qualidade dos grãos. Em lavouras com grande volume de palhada, como trigo e arroz, as híbridas se destacam pela alta capacidade de processamento. Além disso, áreas planas favorecem o uso das axiais, enquanto terrenos mais acidentados podem exigir a eficiência das híbridas. “A escolha deve considerar tipo de cultura, área e objetivo de produtividade, e não apenas preço ou potência”, orienta Anderson Schofer, especialista em colheitadeiras da Massey Ferguson.
Outro aspecto importante é a tecnologia embarcada, disponível em ambos os sistemas. Recursos como piloto automático via GPS, monitoramento de produtividade em tempo real, telemetria e diagnóstico remoto já fazem parte das duas categorias, cabendo ao produtor definir a configuração mais adequada para sua operação.
“Antes de decidir, o produtor deve avaliar suas culturas, área de plantio, tipo de solo, disponibilidade de mão de obra, custo de manutenção e metas de produtividade. Contar com a consultoria técnica de um representante ou concessionária especializada é fundamental para tomar uma decisão assertiva e garantir que o investimento gere os resultados esperados”, finaliza.
BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se apresentou como um porta-voz do multilateralismo em um mundo fragmentado em uma ampla entrevista à Reuters nesta quarta-feira, na qual revelou planos de discutir com membros do Brics a guerra comercial global do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“O que o presidente Trump está fazendo é tácito, ele quer acabar com o multilateralismo — em que os acordos se dão coletivamente numa instituição — e quer criar o unilateralismo — em que ele negocia sozinho com outro país”, disse Lula. “Qual é o poder de negociação que tem um país pequeno com os Estados Unidos na América do Norte? Nenhum.”
Lula disse que haverá uma conversa no Brics sobre como lidar com as tarifas de Trump. Ele acrescentou que planeja ligar para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na quinta-feira, bem como para o presidente da China, Xi Jinping, e outros líderes depois.
Além do Brasil, Índia e China, o grupo também tem Rússia e outras economias emergentes entre seus membros.
“Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como é que cada um está dentro da situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a gente poder tomar uma decisão”, disse ele. “É importante lembrar que o Brics tem dez países no G20”, acrescentou, referindo-se ao grupo que reúne 20 das maiores economias do mundo.
Lula ressaltou que o Brasil agora ocupa a presidência do Brics e disse que quer discutir com os aliados por que Trump está atacando o multilateralismo e quais podem ser seus objetivos.
Trump chamou o Brics de “antiamericano” e ameaçou as nações que participam dele com tarifas de 10% no início de julho, enquanto o grupo se reunia em uma cúpula no Rio de Janeiro.
Mais tarde, ele aplicou tarifas de 50% sobre muitos produtos do Brasil e da Índia, enquanto as tarifas sobre exportações chinesas foram fixadas em 30% após um acordo em maio, embora outras tarifas possam ser aplicadas a alguns produtos.
Trump vinculou as tarifas sobre produtos brasileiros ao que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, e parte das tarifas sobre produtos indianos às importações contínuas de petróleo russo pelo país.
Lula acrescentou que conversará com a União Europeia e prometeu finalizar o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul, que, segundo ele, conectaria 722 milhões de pessoas, antes do final do ano.
“Vamos fechar o acordo”, disse ele.
(Reportagem de Brad Haynes e Lisandra Paraguassu, em Brasília)
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Outro fator baixista é a queda no preço do petróleo – Foto: Bing
A soja negociada em Chicago encerrou o pregão desta terça-feira (10) em baixa, mesmo diante da deterioração das lavouras americanas reportada pelo USDA. Segundo análise da TF Agroeconômica, o contrato para novembro recuou 0,24% ou -2,50 cents/bushel, cotado a US$ 1.031,25, enquanto janeiro fechou a US$ 1.050,50, em queda de 0,21% ou -2,25 cents/bushel. No segmento de derivados, o farelo de soja para outubro subiu 2,06% a US$ 287,70 por tonelada curta, mas o óleo de soja recuou na mesma proporção, a US$ 49,93 por libra-peso.
Apesar do cenário climático adverso nos Estados Unidos, que deveria oferecer suporte às cotações, o mercado segue pressionado pela ausência da China nos relatórios oficiais de compras, fator que preocupa exportadores diante da perda de participação no maior mercado importador do mundo. O aumento das vendas pontuais para destinos como o Egito não tem compensado essa lacuna.
Outro fator baixista é a queda no preço do petróleo, impactado por um projeto de lei republicano que visa restringir a Agência de Proteção Ambiental (EPA) de redistribuir obrigações de mistura de biocombustíveis. Caso aprovado, o movimento pode resultar em excesso de biodiesel e etanol, reforçando o embate entre o lobby do petróleo e o lobby agrícola no Centro-Oeste americano.
No entanto, há um limite para a pressão negativa: a possibilidade de uma safra menor nos EUA. A contínua seca em parte do cinturão da soja e do milho aumenta as especulações de que o USDA poderá revisar para baixo a produção no relatório mensal a ser divulgado na sexta-feira. Esse cenário ainda mantém investidores atentos às oscilações climáticas como suporte de preços no curto prazo.