quarta-feira, abril 29, 2026

Autor: Redação

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Trigo que fixa nitrogênio promete economia bilionária



O impacto dessa tecnologia pode ser gigante


O impacto dessa tecnologia pode ser gigante
O impacto dessa tecnologia pode ser gigante – Foto: Seane Lennon

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis desenvolveram um trigo transgênico capaz de estimular bactérias do solo a capturar Nitrogênio do ar, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos. A planta produz mais apigenina, substância que ativa essas bactérias fixadoras, garantindo produtividade mesmo com menor uso de adubo, o que pode significar ganhos econômicos e ambientais significativos para os produtores.

O impacto dessa tecnologia pode ser gigante. O trigo responde por cerca de 18% do consumo global de fertilizantes nitrogenados, e apenas nos Estados Unidos, uma redução de 10% nesse gasto poderia representar uma economia de cerca de US$ 1 bilhão por ano. A diminuição no uso de fertilizantes também tende a reduzir emissões de gases de efeito estufa e a poluição de rios e lençóis freáticos, mostrando benefícios ambientais além do econômico.

Nesse contexto, as informações indicam que a  inovação já está patenteada e há planos de expandi-la para outras culturas, como milho e arroz. Essa aplicação ampliaria o alcance da tecnologia, promovendo uma agricultura mais sustentável e eficiente em larga escala. Além disso, o desenvolvimento abre espaço para futuras pesquisas que integrem biotecnologia e manejo do solo, fortalecendo sistemas agrícolas resilientes.

Com essa solução, o futuro do campo pode ser transformado: mais produtividade, menor custo e menor impacto ambiental. O trigo que fixa nitrogênio não é apenas uma promessa científica, mas um passo concreto em direção a uma produção agrícola mais inteligente e sustentável.

 





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Semana tem chuva e alerta para baixa umidade do ar em alguns estados



A semana será marcada por chuvas pontuais na região Sul, tempo seco e muito calor no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, e instabilidades localizadas no Norte do país, segundo previsão do tempo de Arthur Müller, meteorologista do Canal Rural. Produtores devem estar atentos ao risco de incêndios, especialmente em áreas do interior, onde as temperaturas seguem elevadas e a umidade relativa do ar estará muito baixa. A expectativa é de que as chuvas mais volumosas retornem por volta dos dias 20 a 22 de setembro, com o início da primavera, ajudando a reverter o déficit hídrico em várias regiões produtoras.

Sul

A segunda-feira começa com pancadas de chuva no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, centro-sul do Paraná e no litoral da região. A nebulosidade segue persistente, principalmente no Sul. Já no norte do Paraná, as temperaturas continuam elevadas, superando as registradas nas demais áreas do estado, onde as tardes seguem mais agradáveis.

Os acumulados de chuva entre segunda e terça-feira devem variar entre 20 e 30 mm no sul do Paraná, em Santa Catarina e no centro-norte do Rio Grande do Sul – volumes que não devem comprometer os trabalhos em campo, mas com risco de trovoadas. No sudoeste gaúcho, os volumes podem ultrapassar os 80 mm em 48 horas, com potencial para alagamentos pontuais e paralisação das atividades agrícolas.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

No geral, a semana será favorável às operações em campo na maioria das áreas produtoras. O calor aumenta nos próximos dias, e o norte do Paraná entra em alerta para risco de incêndios, com máximas acima dos 32 °C e ausência de chuva.

Sudeste

O início da semana ainda apresenta chuvas no litoral, Zona da Mata e sul de São Paulo, enquanto o tempo firme predomina nas demais áreas. As temperaturas voltam a subir, especialmente no interior, com valores próximos dos 40 °C e umidade relativa do ar abaixo dos 30%, o que aumenta o risco de incêndios, principalmente no interior de São Paulo e Minas Gerais.

A chuva será mais significativa apenas no centro-leste de SP, RJ, ES e centro-leste de MG, com acumulados entre 10 e 15 mm, o que ajuda apenas a elevar a umidade do ar sem impacto na produtividade agrícola.

A expectativa é de que as chuvas mais volumosas retornem entre os dias 20 e 22 de setembro, com a chegada da primavera. Até lá, o produtor deve ter cautela ao iniciar o plantio da safra 2025/2026.

Centro-Oeste

Nesta segunda-feira, pancadas de chuva isoladas podem ocorrer no oeste e norte de Mato Grosso e no extremo sul de Mato Grosso do Sul. O tempo segue firme nas demais áreas, com aumento de nebulosidade em MT.

A boa notícia é a previsão de 30 a 40 mm de chuva acumulada no centro-oeste de Mato Grosso, o que favorece a reposição hídrica do solo sem atrapalhar os trabalhos em campo.

Entretanto, o calor intenso persiste em MS, GO e no centro-leste de MT, com máximas próximas dos 40 °C e umidade do ar abaixo dos 20%, cenário que aumenta o risco de incêndios. Assim como nas demais regiões, as chuvas mais significativas devem retornar apenas com a chegada da primavera, entre os dias 20 e 22. Produtores devem agir com cautela antes de iniciar o plantio da nova safra.

Nordeste

A semana começa com chuvas fracas ao longo do litoral, com destaque para Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, com acumulados de 10 a 20 mm ao longo da semana. Entre o Ceará e o Maranhão, a chuva será mais escassa e o tempo firme predomina no interior da região.

As temperaturas seguem elevadas, com máximas de até 40 °C em áreas do interior, e umidade relativa do ar abaixo dos 30%, o que representa risco elevado de incêndios. A colheita do algodão segue normalmente, mas é fundamental que o produtor mantenha a hidratação durante os trabalhos em campo.

A expectativa é de que a chuva volumosa retorne entre os dias 20 e 22, com a transição para a primavera. Até lá, recomenda-se cautela no início do plantio da safra 2025/2026.

Norte

Instabilidades continuam atuando na faixa oeste da região, com destaque para Rondônia, sudoeste do Pará e Acre, onde os acumulados da semana devem ficar entre 50 e 60 mm, o que ajuda a aliviar o calor e recuperar pastagens. Também há previsão de chuva em Roraima e Amazonas, com 30 a 40 mm, mantendo boa umidade do solo sem prejudicar as atividades agrícolas.

No centro-leste e norte do Pará e no Tocantins, o tempo segue seco, quente e com risco elevado de incêndios, com temperaturas chegando a 40 °C. As projeções apontam possibilidade de chuva a partir da virada do mês, o que pode melhorar o cenário hídrico na região.

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Produtividade de soja em 24/25 foi recorde; veja estimativas para o novo ciclo


A produção brasileira de soja deve totalizar 171,472 milhões de toneladas na temporada 2024/25, com aumento de 13,3% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 151,28 milhões de toneladas.

A projeção faz parte do 12º e último levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos do ano, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em agosto, a Conab trabalhava com estimativa de safra de 169,66 milhões de toneladas para a atual temporada. O número da safra 2023/24 também foi revisado para cima. Em agosto, a projeção da Companhia era de 147,74 milhões de toneladas.

A entidade indica área de 47,35 milhões de hectares, com elevação de 2,7% sobre o ano anterior, quando foram cultivados 46,1 milhões de hectares. A produtividade está estimada em 3.621 quilos por hectare (60,3 sacas). Em 2023/24, o rendimento ficou em 3.282 quilos por hectare (547 sacas), o que representa uma elevação de 10,3%.

Produtividade recorde de soja

Principal produto cultivado, a soja registra produção recorde, alta de 20,2 milhões de toneladas sobre a safra passada.

“O resultado histórico reflete o aumento da área semeada combinado com a melhora da produtividade média nacional das lavouras”, aponta a Conab.

Diante de condições climáticas mais favoráveis na maioria das regiões produtoras em relação a 2023/24, o desempenho médio nacional das lavouras foi o maior já registrado pela Companhia.

Na safra 2024/25, a maior produtividade foi em Goiás, com 4.183 kg/ha (69,7 sacas), e a menor no Rio Grande do Sul, com 2.342 kg/ha (39 sacas), onde as regiões produtoras passaram por altas temperaturas e irregularidades nas precipitações a partir de dezembro até o fim de fevereiro.

Projeção de estoque

A Companhia também alterou o estoque inicial para a soja na atual safra para 4,32 milhões de toneladas. A produção recorde da oleaginosa permite o aumento nas exportações do grão, com a expectativa de serem comercializadas no mercado internacional 106,25 milhões de toneladas de soja da safra 2024/25.

Estima-se, também, o incremento no consumo interno, com 57 milhões de toneladas do produto destinadas ao processamento doméstico.

“Ainda assim, é esperada uma recuperação nos estoques de passagem de soja, estimado em 9,3 milhões de toneladas ao final deste ciclo”, completa a Conab.

Safra 2025/26

plantação de soja
Foto: Divulgação/Emater-RS

Apesar do aumento nos custos de produção e de um aumento de área mais tímido, a safra 2025/26 de soja deverá novamente bater recorde, estima a consultoria Safras & Mercado.

Para a empresa, a produção brasileira de soja em 2025/26 deverá totalizar 180,92 milhões de toneladas, com elevação de 5,3% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 171,84 milhões de toneladas. Em 11 de julho, data da estimativa anterior, a projeção era de 179,88 milhões de toneladas.

Safras ainda indica aumento de 1,2% na área, estimada em 48,21 milhões de hectares. Em 2024/25, o plantio ocupou 47,64 milhões de hectares. O levantamento aponta que a produtividade média deverá passar de 3.625 quilos por hectare para 3.771 quilos.



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Piscicultura paulista pode perder R$ 75 milhões com tarifaço dos EUA



A piscicultura do estado de São Paulo pode registrar uma queda de R$ 75 milhões na receita com exportações até o fim do ano em virtude da nova tarifa de 50% que os Estados Unidos aplicaram à entrada da tilápia brasileira no país.

Conforme nota da Associação dos Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), em 2024 o Brasil exportou R$ 200 milhões em tilápia para o mercado norte-americano, sendo São Paulo responsável por 35% das vendas.

De acordo com a secretária executiva da Peixe SP, Marilsa Patrício, 60% dessas vendas ocorrem no segundo semestre, “aumentando a urgência do problema”, diz, na nota.

Para mitigar os danos, a Peixe SP informa ainda que segue atuando em diversas frentes. “A associação pressiona por um diálogo político mais direto com os EUA e apoia a qualificação das indústrias locais para acessar o programa ProAtivo, que oferece a liberação de créditos acumulados de ICMS, e o Desenvolve SP, que fornece crédito específico para empresas afetadas pelas tarifas”, relata. “Além disso, a portaria interministerial 12 busca fornecer recursos e apoio aos produtores afetados.”

Marilsa destaca também a importância de uma resposta célere das autoridades estaduais na liberação de recursos e afirma que a medida federal deve evitar burocracias para efetivamente apoiar os pequenos produtores. Ela afirma que as tarifas norte-americanas não apenas ameaçam o mercado, mas também representam um risco crescente de desemprego no setor.



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Clima ajuda colheita do algodão, mas bicudo preocupa



A colheita do algodão se aproxima da reta final, com 86,7% das áreas da safra 2024/2025 que cultivam a pluma colhidas. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Mato Grosso do Sul e em estados do Matopiba, como Maranhão e Piauí, os trabalhos já foram encerrados. Agora, as atenções se voltam para o controle de pragas e doenças.

Entre os maiores desafios do produtor está o bicudo-do-algodoeiro, uma praga que pode causar perdas de até 70% se não for controlada. Outro risco, que pode servir inclusive de alimento para o bicudo, é a tiguera. O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, alerta: “O produtor tem que destruir as soqueiras e manter o monitoramento constante, porque o bicudo não dá trégua nesta reta final”.

Segundo Müller, além do bicudo, o tempo quente e seco exige mais cuidado com a aplicação de defensivos. Ele explica que, com a baixa umidade, as plantas não abrem os estômatos e não absorvem os produtos. Por isso, o ideal é aplicar no fim da tarde ou nas primeiras horas da manhã, quando a umidade relativa do ar é maior, para evitar desperdício e garantir eficiência no manejo.

E como fica o clima nas áreas produtoras?

A perspectiva é que o clima colabore para a finalização da colheita em estados importantes para a produção no Brasil. Na Bahia, o meteorologista ressalta que o tempo segue quente e seco, cenário que permitirá que os produtores terminem os trabalhos com tranquilidade. Em Mato Grosso, apesar da previsão de chuvas pontuais nesta semana, a retirada da pluma em campo deve seguir sem prejuízos. 

Para Goiás e Minas Gerais, a situação é semelhante, o que deve favorecer a qualidade do algodão, mesmo em áreas irrigadas. Porém, o alerta nestas áreas fica por conta do risco de incêndios diante da baixa umidade. “É fundamental que as colheitadeiras estejam equipadas com extintores, já que, depois de enfardado, qualquer foco de fogo pode destruir completamente os rolos de algodão”, diz Müller.

Cenário positivo, mas com atenção redobrada

A poucos dias da primavera, que inicia em 22 de setembro, o cenário é de muito calor e baixa umidade, o que mantém o alerta para focos de incêndio. Para o longo prazo, a previsão indica mais umidade. De forma geral, o meteorologista afirma que a expectativa para o clima nos principais estados produtores é positiva. 

Entretanto, o produtor deve ter atenção redobrada com problemas fitossanitários. “O algodão não tolera excesso de umidade, porque isso favorece o surgimento de doenças fúngicas”, reforça.



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Pecuária leiteira: a ensilagem do milho e os cuidados com a matéria seca


Pecuaristas, a ensilagem do milho é uma das estratégias mais importantes para garantir alimento de qualidade para o gado. No entanto, o clima pode atrapalhar a colheita, e a dúvida de qual o ponto ideal de matéria seca para a ensilagem é muito comum. Varlei Reis, de Mata de São João, na estado da Bahia, está com medo de perder sua lavoura de milho para a chuva e quer saber se é possível fazer silagem de milho com 52% de matéria seca para o seu gado leiteiro. Assista ao vídeo abaixo e saiba mais.

Nesta sexta-feira (12), o zootecnista Edson Poppi, especialista na área de silagem e embaixador de conteúdo do Giro do Boi, respondeu à pergunta no quadro “Giro do Boi Responde”.

Ele explica que, embora seja uma silagem de risco, é possível, sim, conservá-la, mas exige cuidados especiais.

Compactação de silagem de milho. Foto: Reprodução
Compactação de silagem de milho. Foto: Reprodução

Edson Poppi é direto: uma silagem com 52% de matéria seca é uma silagem de risco. O ideal para a ensilagem é que o material tenha um teor de matéria seca entre 30% e 35%.

Um teor acima disso pode comprometer a fermentação e a qualidade da silagem, o que pode resultar em perdas de nutrientes e no surgimento de fungos e leveduras indesejáveis.

Para ensilar o milho com 52% de matéria seca, o especialista aconselha os seguintes cuidados:

  • Camadas finas: Espalhe o material em camadas muito finas no silo.
  • Umedecimento: Molhe o material abundantemente, sem “dó de água”, para garantir a compactação ideal para a fermentação.
  • Inoculantes: Use inoculantes com Lactobacillus buchneri e Lactobacillus hilgardii, que garantem uma estabilidade aeróbica e uma fermentação razoável.

A importância do inoculante para a fermentação

O uso de inoculantes é fundamental para a silagem com alta matéria seca.

Os inoculantes com as bactérias corretas garantem uma boa fermentação e uma estabilidade aeróbica muito grande durante o consumo, evitando o crescimento de fungos e leveduras que poderiam comprometer a qualidade da silagem, a saúde do gado e o seu lucro.

Edson Poppi reforça que, embora seja uma silagem de risco, é possível conservá-la.

No entanto, o pecuarista deve estar ciente de que o material com alta matéria seca exige um manejo mais cuidadoso para garantir a fermentação e a qualidade da silagem.



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Morre Clarice Chwartzmann, expoente feminino no mundo do churrasco



Morreu na noite de sábado (13) Clarice Chwartzmann, referência nacional no mundo do churrasco e pioneira no empoderamento feminino na cozinha do fogo. Gaúcha de Passo Fundo, Clarice, aos 60 anos, faleceu em São Paulo, em decorrência de insuficiência cardíaca.

Formada em Publicidade pela Famecos PUCRS, Clarice se descobriu apaixonada pelas brasas ainda na infância, ajudando o pai na lida com o fogo, o que se tornou um caminho de vida. Ela fundou o projeto A Churrasqueira, que por mais de dez anos ensinou mulheres em todo o Brasil a assumir protagonismo junto ao espeto , não apenas tecnicamente, mas também culturalmente, como expressão de identidade, afeto e tradição. No início de 2025, lançou o livro Do zero à magia da brasa: o guia essencial do churrasco, reunindo técnicas, dicas práticas e reflexões sobre a relação com o fogo.

Além de sua trajetória nos cursos, oficinas e no livro, Clarice marcou presença também em programas de televisão, como É de Casa (TV Globo) e Cozinheiros em Ação (GNT), bem como atuou como jurada, palestrante, consultora de eventos e participou do projeto Porto Alegre – Capital Mundial do Churrasco.

Programas no Canal Rural

Clarice também teve colaborações importantes no Canal Rural, contribuindo com conteúdos que valorizavam tanto a tradição quanto a inovação no universo da gastronomia ligada ao fogo. Um deles foi o Pegando Fogo, programa que investigava tradições, pessoas e memórias afetivas ligadas ao fogo, com ênfase na culinária gaúcha, especialmente o churrasco. E o De Bem Com a Comida, programa focado na valorização dos ingredientes, na conexão entre o campo e a cidade, explorando a cadeia produtiva e aspectos de segurança alimentar. Além e outras participações em projetos do Canal Rural



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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Lula diz que não há espaço para negociação com Trump sobre tarifas e rejeita…


Logotipo Reuters

 

Por Lisandra Paraguassu e Brad Haynes

BRASÍLIA (Reuters) – Com as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros subindo para 50% nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro em uma entrevista à Reuters que não vê espaço para negociações diretas com o presidente dos EUA, Donald Trump.

O Brasil não pretende anunciar tarifas recíprocas, disse, e não vai desistir das negociações comerciais, mesmo admitindo que não há, no momento, interlocução. O vice-presidente Geraldo Alckmin está tentando negociar, disse Lula, assim como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. “O que nós não estamos encontrando é interlocução”, afirmou.

No entanto, ele mesmo não tem pressa e, por enquanto nem mesmo intenção de ligar para Trump.

“Pode ter certeza de uma coisa: o dia que a minha intuição me disser que o Trump está disposto a conversar, eu não terei dúvida de ligar para ele. Mas hoje a minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar”, disse.

Apesar das exportações brasileiras enfrentarem uma das maiores tarifas impostas por Trump, as novas barreiras comerciais dos EUA não deverão causar prejuízos tão drástico à maior economia da América Latina, o que garante ao presidente brasileiro mais fôlego para marcar uma posição mais dura contra o presidente norte-americano do que a maioria dos líderes ocidentais.

“Se os Estados Unidos não querem comprar, nós vamos procurar outro para vender; se a China não quiser comprar, nós vamos procurar outro para vender. Se qualquer país que não quiser comprar, a gente não vai ficar chorando que não quer comprar, nós vamos procurar outros”, disse, lembrando o quanto o comércio internacional do Brasil cresceu nas últimas décadas.

Hoje, o comércio com os Estados Unidos representa apenas 12% da balança comercial brasileira, contra quase 30% da China.

Lula descreveu as relações entre os EUA e o Brasil como no ponto mais baixo em 200 anos, depois que Trump vinculou a nova tarifa à sua exigência de fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por tentativa de golpe para permanecer no poder após a derrota na eleição de 2022.

Mas o Supremo Tribunal Federal (STF), que está julgando o caso contra Bolsonaro, “não se importa com o que Trump diz e nem deveria”, disse Lula, acrescentando que Bolsonaro deveria enfrentar outro julgamento por provocar a intervenção de Trump, chamando o ex-presidente de “traidor da pátria”.

“Essas atitudes antipolíticas, anticivilizatórias, é que colocam problemas numa relação, que antes não existia. Nós já tínhamos perdoado a intromissão dos Estados Unidos no golpe de 1964”, disse. “Mas essa não é uma intromissão pequena, é o presidente da República dos Estados Unidos achando que pode ditar regras para um país soberano como o Brasil. É inadmissível.”

Ao admitir que as negociações estão difíceis, o presidente disse que o foco de seu governo agora é nas medidas compensatórias para amortecer o impacto econômico das tarifas dos EUA, mantendo ao mesmo tempo a responsabilidade fiscal.

“Nós temos que criar condições de ajudar essas empresas. Nós temos a obrigação de cuidar da manutenção dos empregos das pessoas que trabalham nessas empresas. Nós temos a obrigação de ajudar essas empresas a procurar novos mercados para os produtos delas. E nós temos a preocupação de convencer os empresários americanos a brigarem com o Presidente Trump para que possam flexibilizar”, afirmou, sem dar detalhes das medidas que serão anunciadas ainda esta semana.

Ele também disse que planeja telefonar para líderes do grupo Brics de países em desenvolvimento, começando pela Índia e pela China, para discutir a possibilidade de uma resposta conjunta às tarifas dos EUA.

Lula também descreveu planos para criar uma nova política nacional para os recursos minerais estratégicos do Brasil, tratando-os como uma questão de “soberania nacional” para romper com um histórico de exportações de minerais que agregavam pouco valor ao Brasil.





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Super safra brasileira atinge 350 milhões de toneladas e expõe dilemas da economia


O Brasil alcançou um marco histórico na safra 2024/25: a produção de grãos atingiu 350,2 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa um crescimento de 16,3% em relação ao ciclo anterior e consolida o país como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos.

O avanço se deu pela combinação de área cultivada maior, de 79,9 para 81,7 milhões de hectares, e produtividade elevada, favorecida por condições climáticas mais estáveis. A soja lidera a produção, com 171,5 milhões de toneladas e produtividade média de 3.621 kg/ha. Já o milho, somadas as três safras, mantém rendimento de 6.391 kg/ha. Algodão e arroz também apresentam desempenho positivo.

O aumento da oferta ajuda a reduzir a pressão inflacionária doméstica, beneficiando o consumidor. Para os produtores, porém, o cenário é mais desafiador: a abundância pode deprimir preços, afetando sobretudo agricultores de menor escala ou com custos elevados.

Outro obstáculo está na logística: transporte caro, gargalos em portos e insuficiência de silos limitam a competitividade. Nesse contexto, cresce a urgência por políticas de armazenagem, escoamento eficiente e seguro rural.

A entrada de grandes volumes brasileiros ocorre em um ambiente externo adverso. A economia global dá sinais de desaceleração, enquanto os Estados Unidos enfrentam inflação persistente e juros altos. Isso reduz o consumo mundial e pode valorizar o dólar, encarecendo crédito e transporte marítimo.

Nesse cenário, os preços das commodities agrícolas tendem a ficar sob pressão, o que coloca em xeque as margens de exportação, mesmo com volumes recordes.

Cenários possíveis

1. Oferta alta + demanda global estável

  • Preços internos: queda moderada ou estabilidade
  • Exportações: bons volumes, sustentando divisas
  • Produtor rural: os mais eficientes ganham competitividade
  • Consumidor: alimentos mais baratos, alívio na inflação

2. Oferta alta + demanda global fraca

  • Preços internos: forte pressão de baixa
  • Exportações: preços reduzidos, margens comprimidas
  • Produtor rural: risco de endividamento, dificuldade para pequenos e médios
  • Consumidor: preços baixos no curto prazo, mas risco de retração produtiva no futuro

3. Custos de produção elevados + excesso de oferta

  • Preços internos: margens muito comprimidas
  • Exportações: competitividade menor diante de rivais globais
  • Produtor rural: vulnerabilidade acentuada para quem depende de insumos importados
  • Consumidor: possível instabilidade de oferta no médio prazo

A safra recorde reafirma o papel do agro como motor da economia brasileira, garantindo divisas e sustentando o PIB. Contudo, ela também expõe fragilidades: excesso de oferta pode levar à queda de preços, ampliar o endividamento e reduzir o entusiasmo produtivo em ciclos futuros.

O Brasil precisa transformar o volume em valor agregado, investindo em logística, industrialização e diversificação de mercados. Só assim a abundância de hoje poderá se traduzir em prosperidade sustentável para produtores e para o país, mesmo em meio a uma economia mundial instável e volátil.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Apesar da alta nos preços, consumo de carne bovina cresce no Brasil



Mesmo com alta de 17,6% no preço médio, o consumo de carne bovina no Brasil segue em alta. De acordo com levantamento da Worldpanel by Numerator, o consumo da proteína cresceu 8,8% no primeiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado, alcançando 93,1% dos lares, um avanço de 5,1 pontos percentuais.

A pesquisa mostra que os bovinos permanecem como a principal proteína no prato do consumidor, presentes em 28,7% das ocasiões de consumo. A categoria representa cerca de um terço de todo o gasto com proteínas e gera impacto positivo na cesta de compras: quando presente, eleva em média 8,9 pontos percentuais o valor total desembolsado.

Cortes mais consumidos

Os consumidores têm priorizado cortes premium , como o bife (34,8% em volume), e opções mais acessíveis , como a carne moída (15,6%). Entre os cortes que mais movimentam a categoria, aparecem ainda acém (6,1%) e alcatra (1,7%).

A escolha do corte varia conforme o período do mês. No início, ganham espaço cubinhos e peça inteira sem marca; no meio, desponta a carne moída com marca; e no fim, prevalecem os cortes sem marca (exceto moída), evidenciando o esforço do consumidor em manter o consumo de bovinos mesmo com orçamento mais apertado”, explica Felipe Feniar, gerente de contas da Worldpanel by Numerator.

Perfil de consumo

Nos lares da classe AB, frango, suínos e linguiças têm ganhado espaço no início do mês, mas o grupo ainda responde por 28,9% do volume total de bovinos consumidos. O levantamento também mostra que “saciar a fome” se consolida como principal motivador na escolha das proteínas, sinalizando uma mudança no papel funcional das refeições.

Metodologia

Os dados da Worldpanel by Numerator se baseiam no monitoramento contínuo de 11.300 domicílios, cobrindo 82% da população urbana e 90% do potencial de consumo do Brasil. O estudo engloba sete regiões: Norte + Nordeste, Centro-Oeste, Leste + Interior do Rio de Janeiro, Grande Rio, Grande São Paulo, Interior de São Paulo e Sul.



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