O perfil do mecânico agrícola brasileiro está mudando. Com máquinas cada vez mais conectadas e inteligentes, os profissionais precisam dominar sistemas eletrônicos, sensores e softwares, além do conhecimento mecânico tradicional. A Massey Ferguson mostra essa evolução na terceira temporada do Master Mechanic, reality show que estreia no YouTube nos dias 16, 23 e 30 de outubro.
Nesta edição, o protagonista é o pulverizador MF 500R, equipamento de alta tecnologia que garante aplicações precisas e sustentáveis no campo. Seis mecânicos de diferentes estados do Brasil competem em provas práticas, que envolvem diagnóstico técnico, ajustes mecânicos e uso de ferramentas digitais.
Segundo Bruno Pianca, gerente de serviços da marca, operadores e mecânicos precisam unir habilidades tradicionais e digitais para garantir eficiência no campo. O setor passa por transição, com profissionais experientes se adaptando às novas tecnologias e jovens talentos trazendo familiaridade digital.
“As principais habilidades para o mecânico agrícola hoje envolvem a capacidade de navegar pelas tecnologias presentes, tendo facilidade de acessar um computador, fazer leitura e interpretação de sistemas eletrônicos. Ainda assim, o conhecimento mecânico dos produtos continua sendo essencial, já que, para um diagnóstico preciso, esses dois “mundos” precisam caminhar juntos”, explica.
O reality reforça a importância da capacitação técnica e da valorização dos profissionais que garantem o bom funcionamento das máquinas agrícolas, essenciais para a produtividade e inovação no agronegócio brasileiro.
“O Master Mechanic reforça o nosso compromisso com a formação técnica no campo e com a valorização dos profissionais que garantem a eficiência das máquinas agrícolas. Acreditamos que reconhecer essas competências é essencial para impulsionar a produtividade e preparar o agro para os desafios de um cenário cada vez mais tecnológico”, afirma Rodrigo Junqueira, gerente-geral da AGCO e vice-presidente da Massey Ferguson América do Sul.
Três associações de produtores divulgaram nesta sexta-feira, 19, um manifesto em defesa do agronegócio brasileiro. O documento, assinado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) defende que a logística deixe se ser um gargalo para se transformar em um pilar de competitividade e de crescimento para o País.
As reivindicações são fruto das discussões promovidas durante o 1º Fórum de Geopolítica e Logística, realizado em Brasília no último dia 10 de setembro, e destacam que, apesar de o Brasil ter se consolidado como potência agrícola, os entraves logísticos comprometem prazos, elevam custos e reduzem a competitividade frente a concorrentes internacionais que contam com infraestrutura mais moderna. Além disso, aponta que o déficit de armazéns e o alto “Custo Brasil” pressionam o produtor e limitam a geração de valor.
No texto, as entidades cobram a implementação de políticas de Estado voltadas para:
Rodovias seguras;
Ferrovias integradas e funcionais;
Hidrovias navegáveis;
Portos modernos e menos burocráticos;
Ampliação da capacidade de armazenagem;
Fornecimento estável de energia elétrica para sustentar a produção e a agroindústria.
Para as associações, não há mais espaço para adiar investimentos estruturantes. Elas afirmam que investir em logística significa não apenas dar melhores condições ao setor produtivo, mas também garantir soberania alimentar, geração de emprego e fortalecimento da economia nacional. “A logística é a chave — e ela precisa girar, com o esforço conjunto de produtores, governo, reguladores, financiadores e sociedade”, argumentam.
O 1º Fórum de Geopolítica e Logística foi organizado pelas Abrapa em parceria com as duas outras associações. O objetivo foi debater os principais desafios para o agro e quais as medidas que devem ser tomadas agora para ampliar as exportações de produtos brasileiros com qualidade e segurança.
Quem estava presente assistiu a dois painéis: um sobre a diversificação dos modais de transporte e escoamento da safra brasileira, e outro sobre a atuação de agências reguladoras e obstáculos da infraestrutura de abastecimento no País.
Mais de 70 produtores rurais e técnicos agrícolas participaram de dois eventos sobre o combate à podridão da uva madura, uma doença que dizimou lavouras inteiras na região do Circuito das Frutas Paulista. O seminário, realizado em Jundiaí, e um dia de campo, em Elias Fausto, foram promovidos pela Embrapa, Prefeitura e Associação Agrícola de Jundiaí e Sindicato Rural de Indaiatuba, nos dias 16 e 18 de setembro. As ações integram o Plano Emergencial de Controle da doença no Circuito das Frutas Paulista.
O plano foi uma iniciativa que reuniu a Embrapa Territorial (SP) e a Embrapa Uva e Vinho (SP), órgãos estaduais de pesquisa e prefeituras para estabelecer um conjunto de medidas eficientes de controle da doença, causada pelo fungo Glomerella cingulata. A podridão da uva madura dizimou lavouras em Jundiaí, Louveira, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Indaiatuba e Elias Fausto (SP).
Na última safra, 13 propriedades rurais da região foram selecionadas para testar protocolos com a aplicação de fungicidas e a adoção de boas práticas. As que seguiram integralmente as orientações das equipes técnicas registraram índices de recuperação da produção de até 95%. Nas demais, também houve redução da doença, mas em menor intensidade, com taxas de melhoria que chegaram a 70%.
Dia de campo
O dia de campo aconteceu no sítio da família de Atalívio Rufino, que participou do estudo e seguiu rigorosamente as recomendações técnicas. No ano passado, ele perdeu quase toda a sua produção de uva, única fonte de renda da família. Neste ano, ele não teve prejuízos com a doença. Parte dos seus parreirais tem agora cobertura plástica, uma das estratégias para evitar a podridão da uva madura. Foi sob a sombra dessa cobertura que o pesquisador Reginaldo de Souza, da Estação Experimental de Jales da Embrapa Uva e Vinho, explicou no dia de campo como a estratégia funciona e o que mudar no manejo das videiras.
Algumas ruas de parreiras para baixo, o pesquisador Lucas Garrido, também da Embrapa Uva e Vinho, enfatizou para cada grupo de agricultores que recebia: nada substitui a retirada de restos culturais do campo. Ele lembrou que, mesmo que não estejam em contato direto com as plantas, eles podem conter o fungo, que pode chegar aos frutos nas patinhas dos insetos que por ali circulam, por exemplo. Ao lado dele, a pesquisadora Rosemeire Naves, do mesmo centro de pesquisa, apresentou os números obtidos pelos produtores que seguiram as recomendações, durante os estudos. “É possível controlar, se fizer tudo certinho”, frisou.
Seminário Os mesmos temas foram apresentados pelos três pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho em palestras durante o seminário, em Jundiaí. Nesse evento, que reuniu principalmente técnicos, também foram apresentadas tecnologias para a aplicação de produtos. O tema foi abordado pelo pesquisador Hamilton Ramos, do Instituto Agronômico (IAC). Representantes da BASF e da Syngenta participaram e mostraram estratégias disponíveis para combater a doença.
A pesquisa deve continuar, apesar dos bons resultados já obtidos. Os próximos passos foram apresentados no seminário pelos analistas André Farias e Rafael Mingoti, da Embrapa Territorial. Há a intenção de desenvolver um sistema de avisos e um protocolo consolidado de manejo integrado da doença, mas as equipes estão em busca de financiamento para o trabalho. O IAC e o Instituto Biológico (IB) devem ser parceiros no trabalho.
Participando do dia de campo, a engenheira agrônoma Antonieta Fiori, da Casa da Agricultura de Elias Fausto, lembrou o surgimento da doença no município. O primeiro caso foi relatado a ela em 2016, mas foi controlado. Em 2022, o problema voltou a aparecer, desta vez em um número maior de propriedades e com dificuldade de controle. Os casos explodiram na safra do final de 2023. “Tivemos uma condição muito favorável para o fungo: alta umidade e calor. E aí não era mais só Elias Fausto, era toda a região”, lembrou. No dia de campo, ela observou que os agricultores estão em busca de conhecimento, entendendo que a aplicação de produtos não é o suficiente.
Trabalho unificado
Mingoti, da Embrapa Territorial, também avaliou que a participação de agricultores e técnicos nos dois eventos realizados mostram disposição em aprender. “A interação com os participantes mostrou que há um público interessado no trabalho da pesquisa e que busca se atualizar e aprimorar o manejo da cultura.Se as informações forem aplicadas teremos melhoras na qualidade da produção”, disse. Ele também ressaltou o trabalho conjunto das duas unidades da Embrapa, com órgão estaduais, prefeituras e associações de produtores: “Fizemos o que é esperado da Embrapa, atuamos de forma unificada para atender as demandas da sociedade”.
O protocolo de combate à Glomerela pode variar entre diferentes municípios e, às vezes, até entre propriedades. No entanto, algumas práticas em comum podem ser adotadas para alcançar melhores resultados no controle:
A Moratória da Soja, acordo privado firmado em 2006 por tradings, indústrias e ONGs e que, segundo parlamentares, hoje conta com apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foi tema da reunião-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) nesta terça-feira (23).
A bancada reiterou que não há base legal para punir produtores que cumprem o Código Florestal com regras extralegais e afirmou que atuará em defesa da legalidade e da segurança jurídica no campo.
Em reação, o secretário de Controle do Desmatamento do MMA, André Lima, classificou a medida como subversão absoluta e informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) atuará em defesa do acordo, tratado pelo governo como complemento de política pública.
Para o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, a movimentação do Executivo configura uso indevido da máquina pública para, em sua opinião, sustentar um pacto privado em desacordo com a lei.
“Estamos diante de um caso grave de desvio de finalidade. O governo insiste em criar, por vias indiretas, um desmatamento zero que não existe no Código Florestal”, afirmou.
Ações contra a moratória
Após a reunião, Lupion reafirmou que a bancada vai mobilizar ações contra a moratória. “Vamos agir com todas as ações políticas que pudermos. Isso foi provocado por acordo entre particulares, foi judicializado e está no Cade”, disse. Segundo ele, a atuação do governo torna a situação ainda mais grave.
“A partir do momento que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, chama a AGU para o processo e faz com que o Estado participe de um lado somente contra os produtores rurais, a nossa obrigação é entrar como parte também e enfrentar essa questão. Vamos apoiar as ações no Cade e buscar um meio termo que retire o Executivo dessa discussão. Não tem absolutamente nada a ver nem com a AGU e muito menos com o MMA. É privado”, criticou.
Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Agricultura (CAPADR) aprovou requerimento da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), coordenadora de Política de Abastecimento da FPA, para solicitar que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue o uso da estrutura do MMA em defesa da moratória.
“A Moratória se transformou em um pesadelo para os produtores rurais em 2025. Não cabe mais ao Brasil aceitar pactos que prejudiquem justamente o setor que mais contribui para a economia nacional e para a segurança alimentar mundial. Hoje a legislação que vale é o Código Florestal, aprovado pelo Congresso Nacional, e não entendimentos pessoais”, ressaltou.
O deputado Sérgio Souza, ex-presidente da FPA, também defendeu o fim do acordo privado. “Esse pacto desconsidera que o Brasil tem um Código Florestal, aprovado em 2012 e declarado constitucional pelo Supremo, que consolidou as áreas abertas até 2008 e definiu regras claras para a supressão de vegetação após essa data. Mesmo onde a lei permite, como no uso de até 20% da área na Amazônia para atividade agropecuária, as tradings se recusam a comprar, o que é ilegal e injusto”, declarou.
Segundo ele, a bancada ouviu todos os atores envolvidos no assunto, citando nominalmente a Aprosoja, CNA e Abiove e chegou a um consenso: a moratória não cabe mais.
Já para o deputado Alceu Moreira, coordenador Institucional da Frente, a saída para o impasse passa pelo diálogo e pela construção de um acordo entre todos os envolvidos, sem distinções que prejudiquem os produtores.
“Não existe trade sem soja e não existe produção em grande escala sem financiamento. Temos hoje questões judicializadas, mas a melhor decisão judicial é sempre um acordo. Se é para negociar, que seja com todas as partes na mesa, construindo uma solução conjunta. O que não podemos é manter a moratória, que cria produtores de primeira e segunda classe. Isso não faz sentido, não é bom para o produtor, não é bom para as trades e não é bom para ninguém. Cabe a nós, da FPA, buscar a construção desse acordo de forma equilibrada”, destacou o parlamentar.
O senador Jaime Bagattoli, 2º vice-presidente da FPA no Senado, afirmou que é injusto que produtores que abriram suas áreas após 2008, de forma legal, tenham sido impedidos de vender sua produção, acumulando prejuízos.
“A questão já foi levada ao Cade e, se há ou não cartel, deve ser discutida. Mas o fundamental é que o produtor não continue arcando com os prejuízos. Precisamos de um acordo definitivo que coloque fim à moratória da soja”, afirmou.
Impactos ao produtor rural
Pela moratória, as empresas se comprometem a não comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. A FPA argumenta que essa limitação acontece mesmo que o desmatamento tenha sido legal, autorizado e dentro das regras do Código Florestal (Lei 12.651/2012).
Segundo entidades do setor, a medida já teria afetado mais de 4.200 agricultores em Mato Grosso, com perdas que podem ultrapassar R$ 20 bilhões.
“É inaceitável que um acordo entre privados seja usado para desvalorizar terras legalmente abertas, gerar insegurança jurídica e excluir produtores do mercado. Quem cumpre a lei não pode ser tratado como ilegal”, reforçou Lupion.
O futuro do gado no Brasil foi o tema central do Fórum Pecuária Brasil, realizado pela Datagro em São Paulo. O evento reuniu mais de 600 especialistas, produtores e representantes de toda a cadeia da carne bovina, discutindo temas como a automação de dados, a importância do melhoramento genético e a expansão do confinamento para novas regiões do país. Confira os principais destaques.
Um dos principais destaques do fórum foi o protagonismo do Brasil no cenário global de produção de proteína vermelha. Segundo especialistas, a pecuária brasileira está no caminho certo para atender a crescente demanda mundial, já que o rebanho comercial global é o menor em 60 anos, enquanto a população mundial ultrapassa 8 bilhões de pessoas. O Brasil é o único país capaz de aumentar a produtividade para compensar essa escassez.
Outro ponto crucial discutido foi a importância da informação de qualidade como principal insumo para a tomada de decisões. A Datagro, por exemplo, usa robôs para coletar e distribuir dados sobre o mercado de boi gordo, garantindo um ambiente neutro e crível para as negociações. Esse trabalho tem solidificado o mercado, que se torna menos ansioso e foca em produzir mais e com mais eficiência.
O Fórum Pecuária Brasil foi realizado pelo Datagro. Foto: Divulgação.
Na jornada de intensificação da produção, o evento ressaltou o papel da fase de cria e do uso de genética melhoradora. Apenas metade das vacas brasileiras são inseminadas, o que significa um grande potencial para o aumento de produtividade.
O investimento em tecnologia e em melhoramento genético resulta em carcaças mais pesadas, maior rendimento e um retorno financeiro significativo para a fazenda.
O confinamento também foi debatido como uma ferramenta estratégica, com a expansão da engorda intensiva para o Norte e Nordeste.
A integração lavoura-pecuária, especialmente no oeste da Bahia, exemplifica como a consorciação de culturas como soja e milho com a pastagem aumenta a produtividade e a rentabilidade, consolidando novas fronteiras para a pecuária nacional.
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) anunciou nesta terça-feira (23), em Piracicaba, interior de São Paulo, a descoberta do fungo causador da murcha da cana, doença que tem afetado a longevidade dos canaviais e elevado custos de produção.
Trata-se do Colletotrichum spp.. A descoberta foi validada por análises genéticas e pelo Postulado de Koch. A confirmação abre caminho para o desenvolvimento de variedades resistentes e para estratégias de manejo mais assertivas.
“O mais importante é saber o que se está atacando. Agora, com a confirmação do agente causal, podemos direcionar pesquisas em diferentes frentes – desde fungicidas até soluções de manejo nutricional e irrigação -, além de abrir espaço para o desenvolvimento de variedades resistentes no futuro”, destacou a diretora de P&D do CTC, Sabrina Chabregas.
Perdas em talhões de cana
O impacto da doença preocupa produtores em todo o país. Relatos apontam perdas de até 50% na produção de talhões afetados.
Além disso, estima-se que a murcha atinja cerca de 30% dos canaviais brasileiros, principalmente em áreas mais suscetíveis ao estresse hídrico e ao ataque de pragas. “O controle da murcha é super relevante, é a principal doença do setor hoje”, completou Sabrina.
A descoberta foi apresentada durante o lançamento do movimento Esfera, plataforma de colaboração aberta entre produtores, pesquisadores e indústrias. Segundo o CTC, a Esfera nasce como um espaço de conexão permanente entre diferentes elos da cadeia, promovendo debates técnicos e estratégias para elevar a competitividade do setor.
O ambiente já conta com quase 400 inscritos e funcionará em duas frentes: uma comunidade virtual aberta a qualquer interessado em cana-de-açúcar e encontros presenciais periódicos, previstos para ocorrer cerca de quatro vezes ao ano.
“O Brasil é referência na cultura da cana-de-açúcar e a Esfera chega para ser o palco de debate do setor nos temas técnicos mais relevantes que visam expandir o conhecimento e aplicabilidade de diferentes práticas de manejo que levarão ao aumento da produtividade”, afirmou o CEO do CTC, César Barros.
Para Barros, a Esfera simboliza a aceleração dessa resposta coletiva. “Muitas iniciativas de controle já vinham sendo testadas de forma isolada nas usinas. Agora, queremos que esse esforço seja conjunto, transparente e colaborativo, de modo a gerar soluções mais rápidas para os problemas críticos do setor.”
O mercado global de soja apresentou comportamentos divergentes na última semana, de acordo com análise da Grão Direto. Enquanto nos Estados Unidos a colheita acelerada pressionou negativamente os contratos futuros, no Brasil os preços internos resistiram à queda, sustentados por prêmios de exportação em níveis elevados.
Segundo a Grão Direto, o avanço da colheita nos EUA — que já atinge 5% da área, superando a média histórica — sinaliza uma entrada robusta de oferta no mercado global. Esse fator, somado à ausência de novos anúncios de compras chinesas após contato diplomático entre os presidentes dos EUA e da China, resultou em uma desvalorização de quase 2% no contrato de novembro/25 na Bolsa de Chicago (CBOT).
Em contraste, o mercado brasileiro de soja demonstrou resiliência. Ainda conforme análise da Grão Direto, a valorização dos prêmios nos portos atuou como escudo contra a queda externa e a desvalorização cambial. Em Paranaguá, o preço da saca encerrou a semana a R$ 140, mesmo com o dólar recuando para R$ 5,32.
A firmeza nos prêmios reflete a continuidade das tensões comerciais entre EUA e China, que vêm direcionando a demanda do país asiático para a América do Sul. A Grão Direto ressalta que as projeções da ANEC para setembro — entre 7,2 e 7,85 milhões de toneladas embarcadas — confirmam a forte procura pela soja brasileira, superando com folga o volume registrado no mesmo período de 2024.
Plantio sob cautela e clima como variável-chave
Ainda de acordo com a análise, o mercado agora volta as atenções para o início do plantio da safra 2025/26, que avança de forma lenta em estados como Paraná e Mato Grosso. A regularidade das chuvas nas próximas semanas será determinante para a evolução dos trabalhos de campo.
A Grão Direto também destaca o aumento da probabilidade de ocorrência do fenômeno La Niña durante a primavera. Mesmo em intensidade fraca, o evento climático pode impactar a Região Sul com chuvas abaixo da média, comprometendo o potencial produtivo e adicionando um prêmio de risco climático às negociações futuras.
Outro ponto de atenção para o mercado é o novo relatório do USDA, previsto para esta segunda-feira. Segundo a Grão Direto, a continuidade da colheita nos EUA tende a aumentar a oferta global, encurtando a janela de oportunidade para que o Brasil capitalize os prêmios de exportação ainda em vigor. O momento é estratégico para os exportadores brasileiros. A demanda aquecida, combinada à limitação de tempo antes da consolidação da oferta norte-americana, impõe urgência na comercialização do restante da safra 2024/25. Ao mesmo tempo, o clima e o contexto geopolítico permanecem como variáveis decisivas na formação de preços para os próximos meses.
O mercado físico do boi gordo ainda conta com pressão baixista em determinadas regiões do país. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, esse movimento tem se mostrado mais contundente em Mato Grosso e no Tocantins.
Segundo ele, vale destacar que as escalas de abate estão posicionadas entre oito e nove dias úteis na média nacional, em um ambiente ainda pautado por boa incidência de animais de parceria (contratos a termo), além da utilização de confinamentos próprios.
“A exportação segue como grande variável de suporte neste momento, com números bastante positivos em 2025”, disse.
São Paulo: R$ 304,42 — ontem: R$ 305,67
Goiás: R$ 287,14 — R$ 288,75
Minas Gerais: R$ 287,65 — R$ 287,94
Mato Grosso do Sul: R$ 321,16 — R$ 321,05
Mato Grosso: R$ 294,32 — R$ 295,00
Mercado atacadista
O mercado atacadista voltou a se deparar com queda em suas cotações no decorrer da terça-feira.
Segundo Iglesias, o ambiente de negócios volta a sugerir pela continuidade deste movimento no curto prazo, considerando a lenta reposição entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês, período pautado por menor apelo ao consumo.
“A carne de frango ainda é mais competitiva na comparação com as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne bovina”, pontua.
O quarto traseiro foi precificado a R$ 23,35 por quilo, queda de R$ 0,15; o dianteiro ainda é cotado a R$ 17,50 por quilo; e a ponta de agulha foi indicada a R$ 16,40 por quilo, queda de R$ 0,10.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,11%, sendo negociado a R$ 5,2775 para venda e a R$ 5,2755 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,2765 e a máxima de R$ 5,3460.
No Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, área marcada pelas enchentes de 2023 e 2024, operações de desassoreamento já retiraram 623 mil metros cúbicos de sedimentos de diferentes cursos d’água.
As medidas previnem alagamentos e reduzem os riscos decorrentes do transbordamento de rios e arroios provocado por chuvas intensas. O governo do estado atua por meio do programa Desassorear RS.
Dos 32 municípios da região contemplados, os trabalhos estão em execução ou já concluídos em 21 deles. Em todo o Rio Grande do Sul, o programa já retirou mais de 2,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos.
O titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), Marcelo Caumo, destaca que levar proteção e tranquilidade à população que passou pela experiência das cheias é um ponto alto do programa.
“No Vale do Taquari e em todas as cidades participantes, percebemos o aumento da sensação de segurança, as pessoas ficam mais confiantes em relação às chuvas após as ações de desassoreamento”, destaca.
Desassoreamento em Roca Sales (RS)
No município de Roca Sales, o programa Desassorear RS registrou a remoção de 29 mil metros cúbicos de sedimentos e segue em andamento.
As intervenções estão concentradas no arroio Augusta, na Linha Marechal Floriano, e no arroio Júlio de Castilhos, na Linha Júlio de Castilhos, com a retirada de areia, seixo, material flutuante e outros resíduos acumulados ao longo dos anos.
De acordo com o prefeito Jones Wunsch, recentemente houve uma nova enxurrada no local onde já foi realizado o desassoreamento e o arroio permaneceu no leito, mesmo com o grande volume d’água recebido.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, durante a Sessão de Abertura da Reunião sobre o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), nesta terça-feira (23), que o Brasil vai investir US$ 1 bilhão na iniciativa.
O Fundo, que propõe um modelo inovador de financiamento para a conservação das florestas tropicais, será oficialmente lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima (COP30), agendada para novembro, em Belém, capital paraense.
“O Brasil vai liderar pelo exemplo e se tornar o primeiro país a se comprometer com investimento no fundo com um bilhão de dólares. Por isso, convido todos os parceiros presentes a apresentarem contribuições igualmente ambiciosas para que o TFFF possa entrar em operação na COP30, em novembro, na Amazônia sul-americana”, declarou Lula, durante a reunião realizada na Sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos.
O presidente ressaltou que os dividendos gerados pelo TFFF, que será complementar aos mecanismos de pagamento por redução de emissões de gases de efeito estufa, serão repartidos anualmente entre os investidores e os países que mantiverem suas florestas em pé.
“Todos os anos, o monitoramento por satélite tornará possível identificar se os países estão respeitando a meta de manutenção do desmatamento abaixo de 0,5%”, afirmou.