domingo, abril 26, 2026
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Casca de sururu vira corretivo e transforma o solo no Espírito Santo


marisco sururu
Foto: Pixabay

O mangue, conhecido por sua riqueza natural, agora também inspira inovação no campo. Na Grande Vitória, no Espírito Santo, a casca do sururu — que antes se acumulava como resíduo — começa a ganhar um novo destino: está sendo transformada em corretivo agrícola, conectando o trabalho das marisqueiras à produção rural.

A mudança nasce de um desafio ambiental. Em apenas uma comunidade, são cerca de 20 toneladas de cascas do marisco por mês. Sem uso, esse material acabava descartado no próprio mangue ou em lixões, provocando acúmulo, mau cheiro e impacto no ecossistema. “A ideia é pegar aquilo que seria poluente e transformar em uma solução ambiental”, conta o ambientalista Iberê Sassi.

O projeto parte de uma lógica simples, mas estratégica: transformar resíduo em insumo. As cascas são coletadas pelas próprias marisqueiras, passam por secagem e depois são trituradas até virar um pó fino, com diferentes granulometrias. Esse material é rico em cálcio, magnésio e outros minerais essenciais para o equilíbrio químico do solo.

Na prática, o produto funciona como um corretivo, ajudando a reduzir a acidez — um dos principais entraves da produtividade agrícola em diversas regiões do Brasil. Com isso, o solo se torna mais favorável ao desenvolvimento das culturas e à absorção de nutrientes pelas plantas.

Os primeiros testes no campo já mostram resultados consistentes. “Nos primeiros meses, já foi possível ver uma diferença enorme entre áreas com e sem uso”, afirma Iberê, citando experimentos com milho, arroz e gengibre.

Para os produtores, o interesse vai além da eficiência agronômica. O corretivo de sururu surge como alternativa sustentável, especialmente para sistemas de produção que buscam reduzir o uso de insumos convencionais e apostar em soluções mais naturais.

Mas o impacto não para no campo. O projeto também redesenha a dinâmica econômica das comunidades do mangue. As marisqueiras, que antes descartavam as cascas, agora passam a comercializar o material, agregando valor ao próprio trabalho.

“A gente começa a ver valor no que antes não tinha”, conta a marisqueira Karollyne dos Santos Silva, que vive da atividade e acompanha de perto essa transformação.

A iniciativa segue o conceito de economia circular, em que tudo é reaproveitado dentro do próprio sistema produtivo. O que antes era problema ambiental se transforma em solução agrícola — e volta para a natureza em forma de fertilidade.

Com três anos de desenvolvimento, o projeto entra agora em uma nova fase, focada na produção em escala e na estruturação da comercialização. A expectativa é ampliar o alcance da tecnologia e levar o corretivo para mais regiões produtoras.

“É um projeto ganha-ganha. Ganha a natureza, ganha quem trabalha no mangue e ganha quem produz no campo”, resume Iberê.

No fim, o ciclo se fecha de forma simbólica e prática. Do mangue para a lavoura. Da casca para o solo. Um movimento que mostra que inovação no agro também pode nascer de onde poucos estavam olhando — e transformar realidades inteiras.

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