segunda-feira, abril 13, 2026

Autor: Redação

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Brasil há 147 anos debate gestão de riscos agrícolas sem soluções eficazes contra mudanças climáticas


Este artigo integra uma trilogia dedicada à “novela” do seguro rural no Brasil. Ao longo dela, percorro sua história — sem esgotar o tema — trago lições internacionais e encerro com uma crítica contundente ao modelo de política agrícola. Ressalto que quem ignora a história está condenado a repeti-la. Lembre-se: é nos detalhes que mora o diabo.

1878: a primeira assembleia de agricultores no Recife

Em 1878, o Brasil testemunhou a realização da Assembleia de Agricultores no Recife, considerada a primeira do país. Convocada pela Sociedade Auxiliadora da Agricultura de Pernambuco (Saap), a assembleia reuniu produtores rurais para discutir questões como crédito agrícola, assistência técnica e seguro rural. O evento contou com o apoio da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, criada em 28 de julho de 1860 pelo Imperador D. Pedro II, que mais tarde se tornaria o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Detalhe: o evento seria no ano anterior, mas faltaram recursos ao ministério. Começamos bem, à brasileira.

1954: criação da Companhia Nacional de Seguro Agrícola (CNSA)

Em 1954, no bojo da lei nº 2.168, de 11 de janeiro, que instituiu normas para o seguro agrário, foi implementada a Companhia Nacional de Seguro Agrícola (CNSA). Nesse mesmo período foi também criado o Fundo de Estabilidade do Seguro Agrícola (Fesa) para dar suporte a eventos de catástrofe climática. A CNSA operou durante a década seguinte, mas enfrentou sucessivos déficits e problemas operacionais, sendo liquidada em 1966.

Detalhe: a CNSA nunca emitiu uma apólice de seguro agrícola.

1965: institucionalização do crédito rural

Em 5 de novembro de 1965, foi sancionada a lei nº 4.829/1965, que instituiu oficialmente o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Essa lei determinou que o crédito rural seria distribuído e aplicado em conformidade com a política de desenvolvimento da produção rural, com finalidades voltadas ao custeio, investimento e comercialização. Com o SNCR, o crédito rural passou a ser normatizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e fiscalizado pelo recém-criado Banco Central do Brasil, que definia diretrizes, avaliava recursos e supervisionava as operações — marcando o início de uma política nacional de crédito agrícola.

Detalhe: antes de 1965, o financiamento agrícola estava quase totalmente concentrado no Banco do Brasil, por meio da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial (Creai), o que resultava em baixa capilaridade, forte presença estatal e pouca competitividade entre instituições financeiras. O crédito rural já era concedido sem seguro agrícola.

1966: Fundo de Apoio ao Seguro Agrícola (Fasa)

Criado com o decreto-lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, para oferecer suporte financeiro ao seguro rural em situações de catástrofe e eventos extraordinários que pudessem comprometer a estabilidade das operações de seguro agrícola.

Detalhe: inicialmente vinculado ao Ministério da Agricultura e ao IRB, com foco em manter a solvência do seguro rural frente a eventos climáticos extremos. Serviu como primeiro mecanismo de estabilidade, mas tinha recursos limitados e governança restrita, não sendo suficiente para estruturar o mercado, sendo depois substituída pelo FESR.

Década de 1970: expansão e subsídios ao crédito rural

Durante os anos 1970, o crédito rural se expandiu fortemente, baseado em juros reais negativos e amplos subsídios públicos, especialmente por meio de repasses do Tesouro Nacional, com o objetivo de estimular a modernização agrícola e a adoção de novas tecnologias e insumos.

Nesse contexto, o decreto-lei nº 167, de 14 de fevereiro de 1967, instituiu a Cédula Rural, que passou a funcionar como título de crédito e instrumento de garantia nas operações do SNCR — permitindo ao produtor oferecer penhor ou hipoteca de bens rurais e facilitando o acesso ao crédito agrícola em escala nacional.

Detalhe: o modelo priorizou volume e alcance, favorecendo grandes produtores e regiões mais desenvolvidas, o que resultou em concentração de recursos e aumento da dependência do Estado para financiar o setor.

1976: criação do Proagro

Diante da ausência de um mercado de seguros agropecuários, foi criado o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) em 1976. O Proagro foi regulamentado pelo decreto nº 77.120, de 10 de fevereiro de 1976, e tem como objetivo garantir o pagamento das dívidas de crédito rural em caso de perdas causadas por eventos climáticos adversos.

Detalhe: o programa é administrado pelo Banco Central, que atua como segurador e ressegurador — o único Banco Central no mundo a acumular funções de política monetária e gestão de riscos agrícolas.

1995: Primeira Securitização de Dívidas Rurais

Em 1995, foi sancionada a lei nº 9.138, que autorizou a renegociação de dívidas originárias de crédito rural sob condições especiais. Essa medida permitiu a securitização das dívidas rurais, facilitando o alongamento dos prazos de pagamento e a redução das taxas de juros, com o objetivo de aliviar a pressão financeira sobre os produtores rurais.

Detalhe: desde os anos 1980 e início dos 1990, houve um acúmulo significativo de inadimplência no crédito rural — resultado de políticas de crédito com forte subsídio, crises macroeconômicas e baixa rentabilidade em vários segmentos. Esse estoque de dívidas pressionou bancos (especialmente o Banco do Brasil) e tornou urgente uma solução para “limpar” balanços e evitar colapso do crédito rural.

2001: FESR – Fundo de Estabilidade do Seguro Rural (FESR)

Com o objetivo de ampliar e modernizar o conceito do Fasa, a lei nº 10.226, de 2001, criou o FESR como fundo vinculado ao IRB-Brasil Re, oferecendo cobertura financeira mais estruturada para riscos climáticos e estabilização do mercado de seguro rural. Mantém recursos para cobrir sinistros extraordinários. Continua ativo.

Detalhe: um episódio de 2004 marcou a história ao acesso ao fundo. A Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (Cosesp) enfrentou dificuldades para acessar os recursos do FESR após eventos climáticos adversos que afetaram a produção de milho safrinha no Paraná, resultando em elevados índices de sinistralidade. Como resposta, o governo federal editou a medida provisória nº 512, de 29 de junho de 2004, que autorizou a liberação de recursos adicionais para o FESR, visando assegurar o cumprimento das obrigações com os produtores afetados. Esse episódio evidenciou a necessidade de aprimorar a estrutura e a gestão do FESR. A Cosesp foi liquidada em 2007, mas em meados de 2005, antes do PSR, já tinha parado de operar com o seguro agrícola.

2002: Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do Estado de São Paulo

Vinculado ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), foi instituído pela lei estadual nº 11.244, sancionada em 21 de outubro de 2002. Essa legislação autorizou o governo do estado a conceder subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, visando facilitar o acesso dos produtores paulistas a seguros agrícolas e, assim, mitigar os riscos decorrentes de eventos climáticos adversos. Em 2024 o programa aplicou R$ 100 milhões.

Detalhe: nos anos seguintes, a partir de 2011, cinco municípios do circuito de fruticultura de São Paulo implementaram programas complementares municipais de subvenção ao prêmio do seguro rural: Itatiba, Jundiaí, Louveira, Itupeva e Mogi das Cruzes.

2004: criação do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)

Em 2004, foi sancionada a lei nº 10.823, que instituiu o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O PSR visa tornar o seguro rural mais acessível aos produtores, por meio da subvenção econômica ao prêmio do seguro. Apesar dos esforços, o programa enfrenta instabilidade orçamentária e falta de estrutura sólida no mercado de seguros agropecuários.

Detalhe: o PSR é classificado como despesa discricionária, ou seja, seus recursos não são obrigatórios — diferentemente de programas como Proagro ou Pronaf — e, portanto, está sujeito a bloqueios ou contingenciamentos no orçamento. Esse caráter discricionário e a competição interna no ministério pela dotação orçamentária tornam o PSR bastante imprevisível, pois em momentos de restrição fiscal ele é um dos primeiros a sofrer cortes.

2008: renegociação de dívidas e falta de prioridade do seguro rural 1

Entre os anos de 2004 a 2008, o setor agropecuário enfrentou acúmulo expressivo de endividamento devido a perdas climáticas severas e recorrentes. Essa situação evidenciou a insuficiência de mecanismos de seguro rural e de gestão de riscos. Em resposta, foi sancionada a lei nº 11.775, de 2008, criando novos instrumentos de renegociação de dívidas e alongamento de prazos para produtores afetados, sem a necessidade de contratarem seguros.

Detalhe: até as cooperativas sentiram a crise. O FAT Giro Rural foi implementado pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). Essa linha de crédito foi criada com o objetivo de fornecer capital de giro para cooperativas agropecuárias, visando à recuperação financeira do setor.

2009: PSR do Paraná

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Paraná foi instituído pela lei estadual nº 16.166, de 7 de julho de 2009. Gerido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o programa visa ampliar o acesso dos produtores rurais ao seguro agrícola.

Detalhe: apesar da iniciativa importante, o programa não rompeu até hoje a barreira de um orçamento mais robusto. Estados como Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Rio Grande do Sul podem em adotar programas similares ao do Paraná e de São Paulo.

2010: Fundo de Catástrofe

Foi sancionada a lei complementar nº 137, que estabeleceu a criação de um fundo complementar para o seguro rural. Previa até R$ 4 bilhões de recursos ao fundo.

Detalhe: essa lei nunca foi regulamentada, deixando o fundo sem operacionalização efetiva.

2011 a 2023: oscilações no setor agrícola brasileiro

Entre 2011 e 2023, o setor agrícola brasileiro alternou safras abundantes com desafios climáticos severos, como as secas de 2015, 2018 e a histórica de 2021/2022, que comprometeram a produção, especialmente de soja, e aumentaram a inadimplência. A estiagem de 2021/2022 gerou perdas bilionárias e elevada sinistralidade no seguro rural, com indenizações superiores a R$ 7 bilhões em 2021 e mais de R$ 10 bilhões em 2022. O impacto financeiro levou algumas seguradoras a saírem do mercado e resseguradoras a enfrentarem restrições de capacidade.

Detalhe: não havia fundo específico para eventos extremos.

2024: projeto de lei para modernizar o seguro rural

A senadora Tereza Cristina apresentou o projeto de lei nº 2.951/2024, que propõe a criação de um fundo privado de seguro rural, com recursos públicos e privados, para cobrir riscos extraordinários, além de aprimorar a subvenção econômica e expandir a cobertura do seguro para mais culturas e regiões.

Detalhe: o projeto pode ser a chave de virada do seguro rural. Ainda está tramitando no Congresso Nacional.

    2025: renegociação de dívidas e falta de prioridade do seguro rural 2 (a história se
    repete)

    Em 2025, o governo anunciou um novo pacote de renegociação de dívidas rurais, mobilizando R$ 12 bilhões para auxiliar produtores afetados por eventos climáticos adversos. No entanto, essa medida não exige contrapartidas relacionadas ao seguro rural, perpetuando o ciclo de endividamento sem oferecer proteção eficaz.

    Além disso, a área segurada pelo PSR permanece muito abaixo de 10% da área agrícola nacional, evidenciando a falta de uma política consistente e estruturada para a gestão de riscos no setor agrícola.

    Detalhe: o seguro rural custou R$ 12 bilhões ao governo nos últimos 20 anos, e a renegociação de 2025 terá o mesmo valor.

    Esse será o tema do terceiro e último artigo da trilogia, enquanto o segundo aborda a experiência internacional.

    *Pedro Loyola é coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


    Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Seminário de Irrigação aborda Programa Irriga+ RS



O evento tem entrada gratuita e acontece no Centro Cultural José Rugeri.



Foto: Pixabay

Na terça-feira (14/10), a partir das 13h30, acontece mais uma edição do Seminário de Irrigação no município de Constantina, região do Alto Uruguai. A apresentação tem como objetivo falar sobre a importância da irrigação e o aumento da produtividade, assim como o Programa Irriga+ RS lançado em 2023 pelo governo do Estado, as normas ambientais vigentes e a apresentação de cases de sucesso de produtores rurais.

O evento tem entrada gratuita e acontece no Centro Cultural José Rugeri. O seminário é uma realização das Secretarias da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e Emater/RS-Ascar, com apoio da Prefeitura Municipal de Constantina e entidades parceiras.

A programação conta com a participação da Seapi apresentando os resultados do Programa Irriga+ RS, que encerrou o último edital em julho deste ano e agora está na etapa de estruturação de uma nova fase. O programa prevê apoio financeiro direto ao produtor rural e tem como objetivo mitigar os efeitos da estiagem na produção das culturas gaúchas, principalmente no milho, soja, pastagem, entre outras.

Durante o evento, o técnico da Emater/RS-Ascar Carlos Roberto Olczevski vai abordar o tema “O clima demonstra que irrigar é preciso e manejar bem o sistema de irrigação é necessário para obter bons resultados”. Também serão apresentados cases de sucesso de irrigação, como forma de troca de experiências entre produtores. Um dos cases é sobre irrigação por gotejamento de pomares de citros, apresentado por Ronei Sabadini, de Constatina, e o outro sobre irrigação por aspersão de pastagens, apresentado pela família de Adrieli Agatti Marcolan e Fabiano Cervo, de Novo Xingu.

SERVIÇO

O quê: Seminário de Irrigação em Constantina

Quando: terça-feira (14/10), às 13h30

Onde: Centro Cultural José Rugeri (Rua João Mafessoni, 450)

 





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Ouça agora o que mexe com a economia e os mercados hoje com o Diário Econômico


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a ata do Fed reforçou divergências sobre cortes de juros, fortalecendo o dólar global e limitando queda dos Treasuries.

No Brasil, juros futuros recuaram com risco de derrota da MP 1.303, enquanto o Ibovespa subiu 0,56% e o dólar caiu a R$ 5,34.

Hoje, destaque para o IPCA de setembro, projetado em 0,53%, puxado por preços administrados.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Chuva se espalha por vários estados e pode haver temporal; confira a previsão do tempo



Saiba como fica a previsão do tempo em todas as regiões do país nesta quinta-feira (9) e veja onde vai ter chuva, de acordo com a análise da Climatempo.

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Sul

O tempo permanece instável no Paraná e no norte e oeste de Santa Catarina, com fortes pancadas de chuva ao longo do dia. Também há chance de chuva no litoral catarinense.

No Rio Grande do Sul, o tempo segue mais aberto. Em Santa Catarina e no centro-sul do Paraná, as temperaturas ficam mais baixas durante a tarde. Em Curitiba, a máxima prevista é de 13 °C, com previsão de chuva contínua ao longo do dia.

Sudeste

As instabilidades se espalham sobre São Paulo, Rio de Janeiro, Triângulo Mineiro e centro-sul e leste de Minas Gerais.

Em algumas cidades do norte paulista há chance de chuva mais significativa, inclusive em áreas do nordeste do estado, na divisa com Minas Gerais.

Há risco de chuva forte e acumulados elevados no litoral de São Paulo e o do Rio de Janeiro.

No Espírito Santo, a entrada de umidade marítima favorece a formação de nuvens carregadas ao longo do dia.

Centro-Oeste

As áreas de instabilidade continuam ativas no sul, leste, norte e interior de Mato Grosso do Sul, além da faixa norte e central de Mato Grosso e de áreas do centro e sul de Goiás. A combinação de calor e umidade atmosférica mantém as condições para chuva isolada.

As temperaturas seguem elevadas em toda a região. Em Goiás e no leste de Mato Grosso, a umidade relativa do ar permanece baixa, especialmente durante a tarde.

Nordeste

A chuva continua atuando na faixa leste da região, com maior intensidade no litoral da Bahia e de Pernambuco. Também há chance de chuva no agreste baiano.

No interior, podem ocorrer pancadas isoladas no sul do Maranhão, na divisa com o Tocantins.

As temperaturas permanecem elevadas, com calor intenso e baixa umidade relativa do ar nas áreas mais afastadas do litoral.

Norte

Os temporais continuam atuando em Roraima, Amazonas e Pará. No Amapá e no Acre, o tempo segue mais aberto.

Algumas pancadas de chuva podem avançar do Pará em direção ao Tocantins, variando entre intensidade moderada e pontualmente forte.

Em Rondônia, o tempo fica mais firme, mas ainda há chance de pancadas isoladas nas áreas próximas à divisa com Mato Grosso e Amazonas.



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Polícia diz que metanol foi adicionado, e não gerado em destilação


O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (8) que o metanol encontrado nas garrafas contaminadas examinadas foi adicionado, pois sua concentração é anormal e não configura produto de destilação natural.

O processo de destilação tende a gerar tipos diferentes de álcoois, sendo o metanol um dos leves, que tendem a ficar na parte de cima do volume, seja ele um tonel artesanal, de madeira, ou um industrial de centenas de litros. Essa “cabeça”, como é chamada, tem de ser separada, um processo que os químicos e engenheiros químicos acompanham e coordenam. 

A separação é feita por meio da temperatura, pois o metanol tem ponto de ebulição de 64,7 graus Celsius (ºC), ao passo que o do etanol é 78,4°C. A concentração abaixo de 0,25ml para cada 100ml de volume é aceita pelos órgãos técnicos pois não representa risco para o consumidor.

“Em destilarias profissionais, devidamente operadas por profissionais credenciados pelos CRQs [Conselhos Regionais de Química), esta fração inicial é descartada, uma vez que concentra os álcoois mais leves e tóxicos. No entanto, em produções artesanais ou clandestinas, esse controle muitas vezes não é feito adequadamente, resultando em maior concentração de metanol na bebida final”, explicou em nota técnica o Conselho Regional de Química da Oitava Região/Sergipe (CRQ VIII). Segundo o órgão, doses a partir de 4ml de metanol já podem causar danos como a cegueira, e doses acima de 20ml tem risco de causar morte.

Em todo o país, 24 pessoas foram intoxicadas por metanol após a ingestão de bebidas adulteradas.

Segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo, as polícias Civil e Militar, em ações distintas realizadas ontem na cidade de Campinas, mais de 3 mil garrafas de bebidas com suspeita de falsificação. Na ação da Polícia Civil, um homem foi preso em flagrante após a descoberta de uma fábrica clandestina de uísque. Com ele foram encontrados dois galões de 50 litros e 335 garrafas cheias, prontas para o comércio.

Já na ação conduzida pela PM, foram encontradas em um galpão 2,9 mil garrafas com bebidas destiladas. Um homem fugiu do local.

Também na terça, no centro da capital paulista, cerca de 70 mil garrafas foram encontradas em três depósitos clandestinos, utilizados para armazenamento e comercialização. Havia produtos vencidos e sem origem comprovada. Dois homens foram presos em flagrante.

A Justiça do estado autorizou hoje o governo a destruir 100 mil garrafas apreendidas pelas forças de segurança no inquérito que investiga a adulteração de beidas.





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Milho tem semeadura adiantada e bom desenvolvimento


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na última quinta-feira (2), as condições climáticas com dias secos e boa luminosidade favoreceram o avanço da semeadura do milho em todas as regiões do Estado, que alcançou 72% da área prevista. A umidade adequada do solo possibilitou a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura nas lavouras em estágios entre V6 e V7, além do manejo de plantas daninhas em áreas mais recentes, nos estágios V2 a V4.

O monitoramento da cigarrinha-do-milho, realizado pela Emater/RS-Ascar em conjunto com os produtores, apontou aumento da incidência da praga na região do Alto Uruguai. Também foi registrado crescimento na presença de percevejos. Nesse contexto, a aplicação de Inseticidas combinada ao uso de herbicidas tem sido adotada como alternativa para reduzir custos. Segundo dados preliminares da Emater/RS-Ascar, a área cultivada com milho na safra 2025/2026 deve alcançar 785.030 hectares, com produtividade estimada em 7.376 kg por hectare.

Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, o tempo seco e a luminosidade favoreceram o desenvolvimento das lavouras e o avanço da semeadura, inclusive em áreas de replantio. Em Maçambará, 93% dos 3 mil hectares previstos já foram plantados. Em São Borja, o plantio está praticamente encerrado, restando apenas áreas de terras baixas ainda com excesso de umidade. Os produtores têm realizado o controle de ervas daninhas com herbicidas e a aplicação de fertilizantes nitrogenados e potássicos em cobertura. O monitoramento da cigarrinha-do-milho na região indica baixa incidência do inseto.

Na região de Caxias do Sul, a semeadura segue em andamento, mas a germinação tem ocorrido de forma lenta devido às temperaturas mais baixas, principalmente nos Campos de Cima da Serra, onde se concentram as maiores áreas de cultivo. Em Erechim, 90% da área foi semeada, e as lavouras apresentam bom desenvolvimento. Nas áreas mais adiantadas, iniciou-se a aplicação da adubação nitrogenada em cobertura.

Na região de Ijuí, a semeadura já atinge 94% da área projetada. As lavouras apresentam emergência uniforme, com poucas falhas. Apesar de danos pontuais nas folhas causados por chuvas intensas no período anterior, o potencial produtivo não foi comprometido. As lavouras mais avançadas estão nos estágios V6 a V7 e recebem adubação nitrogenada, enquanto aquelas nos estágios V2 a V4 passam por aplicação de herbicidas. O monitoramento indica baixa incidência da cigarrinha-do-milho.

Em Santa Rosa, 87% da área foi semeada, e as lavouras estão em fase de crescimento vegetativo. As condições climáticas, com chuvas regulares e temperaturas adequadas, têm favorecido o desenvolvimento das plantas. Em Garruchos, não foi detectada presença da cigarrinha-do-milho nas armadilhas de monitoramento, mas em outros municípios, como Guarani das Missões, há registros da praga.

Na região de Soledade, o plantio do milho precoce foi concluído, representando 60% da área cultivada. O preparo das áreas para o plantio intermediário está em andamento. As lavouras recém-semeadas apresentam germinação e emergência adequadas. O monitoramento da cigarrinha-do-milho é constante, e em casos pontuais há aplicação preventiva de inseticidas. Também é feito o acompanhamento de pragas como grilos e percevejos. As primeiras áreas implantadas já começaram a receber a adubação nitrogenada em cobertura.





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Estoques de soja caem mais de 30% em MT e acendem alerta para o mercado



Em contrapartida, o consumo interestadual apresentou avanço



Foto: Expodireto Cotrijal

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) atualizou, em outubro de 2025, os dados da demanda de soja no estado. As exportações para a safra 2024/25 foram reduzidas em 0,97% em relação ao relatório de setembro, totalizando agora 30,50 milhões de toneladas. Em contrapartida, o consumo interestadual apresentou avanço expressivo de 11,99%, atingindo 6,54 milhões de toneladas. Estoques finais caíram mais de 30% no comparativo mensal.

O consumo interno também subiu, embora de forma mais moderada, com alta de 0,32% e estimativa de 13,03 milhões de toneladas. Esse movimento é atribuído à ampliação da capacidade das indústrias esmagadoras no estado, que vêm ampliando sua participação na demanda total pela oleaginosa.

A combinação entre alta na demanda e redução nas exportações provocou queda acentuada nos estoques finais da safra 2024/25, que foram projetados em 0,92 milhão de toneladas — recuo de 32,42% em comparação ao mês anterior. Para a safra 2025/26, o cenário também foi ajustado. As exportações foram novamente revistas para baixo, com recuo de 1,67%, ficando estimadas em 29,33 milhões de toneladas. Já os volumes de consumo interestadual e interno foram mantidos em 4,54 milhões e 13,24 milhões de toneladas, respectivamente.

A diferença na dinâmica da nova safra aparece nos estoques finais, que registraram alta de 5,92% frente à projeção anterior e estão agora estimados em 1 milhão de toneladas. O Imea atribui essa elevação ao ritmo lento da comercialização da soja até o momento. Para produtores e indústrias, o cenário sinaliza a importância de monitorar o ritmo de comercialização e o comportamento das exportações na virada entre as safras 2024/25 e 2025/26.

 





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Boi gordo e “boi China” registram alta em São Paulo


De acordo com a análise desta terça-feira (7) do informativo Tem Boi na Linha, publicado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo abriu o dia com alta de R$ 2,00 por arroba e o “boi China” com aumento de R$ 3,00 por arroba em São Paulo. Para as fêmeas, as cotações permaneceram estáveis. As escalas de abate nas indústrias atendiam, em média, a nove dias.

Segundo a consultoria, “o escoamento da carne ainda não estava dentro do esperado, mas a chegada do quinto dia útil do mês poderia impulsionar as vendas”. Além disso, parte das indústrias vinha oferecendo valores mais altos para completar as escalas de abate. A Scot também destacou que “a exportação de carne bovina in natura seguia com excelente desempenho”, fator que contribuiu para a sustentação dos preços no mercado interno.

No Espírito Santo, o “boi China” registrou alta de R$ 3,00 por arroba, enquanto a vaca teve aumento de R$ 5,00 por arroba. As demais categorias mantiveram estabilidade. As escalas de abate no estado estavam, em média, para cinco dias.

Na região Oeste do Maranhão, após a elevação registrada no dia anterior para todas as categorias, os preços permaneceram sem alteração. Em Alagoas, a cotação da vaca recuou R$ 5,00 por arroba, enquanto os valores do boi gordo e da novilha se mantiveram inalterados.

Em relação ao mercado externo, a exportação de carne bovina in natura alcançou volume recorde em setembro, com 314,7 mil toneladas embarcadas — o maior da história. A média diária foi de 14,3 mil toneladas, aumento de 25,1% em relação a setembro de 2024. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5,6 mil, alta de 24,4% na comparação anual.





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Embrapa encerra circuito Diálogos pelo Clima e prepara documento para a COP30



O circuito Diálogos pelo Clima, iniciativa da Embrapa, chegou à Mata Atlântica, última etapa de um percurso que passou pelos seis biomas brasileiros. O projeto promoveu encontros com especialistas, produtores rurais, representantes da pesquisa, da sociedade civil e do setor produtivo, com o objetivo de conectar saberes locais a estratégias globais de enfrentamento às mudanças climáticas.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou a importância da escuta em cada território.

“Nesses eventos, a gente percebe ao mesmo tempo a diversidade de demandas que existem por bioma, mas também a convergência na busca por uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas”, afirmou. “Vemos desde práticas de manejo sustentável até o potencial genético de espécies mais resistentes ao estresse hídrico e a doenças”, completou.

Estratégias para uma agricultura sustentável

Com base nas experiências colhidas em todo o país, a Embrapa prepara agora um documento estratégico que será encaminhado à direção da COP30, conferência da ONU sobre o clima que acontece em novembro, em Belém (PA). O material vai reunir propostas e resultados que reforçam o papel da agricultura brasileira na mitigação dos efeitos climáticos e na produção sustentável.

Segundo Silvia Massruhá, o trabalho reflete a evolução das políticas públicas voltadas à sustentabilidade no campo.

“Nós temos políticas mais antigas, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que hoje evolui para o Zarc Níveis de Manejo, incentivando práticas sustentáveis”, disse. “Essa jornada vai desde a reconversão de pastagens degradadas até o mercado de carbono e o pagamento por serviços ambientais. Tudo isso compõe uma agricultura sustentável, resiliente e preditiva”, ressaltou.

Práticas regenerativas e inovação

Durante o circuito, práticas de agricultura e pecuária regenerativas ganharam destaque, mostrando que a ciência e o conhecimento local podem caminhar juntos. Segundo Walkymário Lemos, chefe da Embrapa Amazônia Oriental, essas experiências serão apresentadas ao mundo durante a COP30, na AgriZone, a casa da agricultura sustentável brasileira.

“Vamos mostrar experiências que vão desde cultivos agroalimentares biofortificados até sistemas biodiversificados de integração lavoura-pecuária-floresta”, contou Lemos. “Teremos também propostas de recuperação de áreas degradadas e novos arranjos agroflorestais adaptados a diferentes realidades regionais”.

Agro brasileiro em destaque na COP30

O Canal Rural é parceiro da Embrapa nessa missão de mostrar ao mundo o protagonismo do agro brasileiro. O presidente da emissora, Julio Cargnino, reforçou a importância dessa jornada conjunta.

“O Canal Rural está envolvido desde o início do projeto Diálogos pelo Clima. Esta já é a sétima etapa e acompanhamos todas elas. Agora estamos nos preparando para, a partir de 10 de novembro, estarmos juntos com a Embrapa e com as entidades do setor na AgriZone, em Belém”, afirmou.

Com o encerramento do circuito, a Embrapa consolida o aprendizado de uma jornada que uniu ciência, inovação e sustentabilidade, reforçando o compromisso do Brasil com uma agricultura mais verde, eficiente e conectada ao futuro climático do planeta.



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Frente fria colabora para virar o tempo em região do país; confira



O avanço recente de uma frente fria entre o Sul e o Sudeste do Brasil trouxe mudanças significativas no tempo no Centro-Oeste. O sistema, mesmo sem atuar diretamente sobre a região, estimula a formação de um canal de umidade que favorece a formação de nuvens carregadas e provoca mudança na direção dos ventos, de acordo com a Climatempo. O resultado é um alívio no calor intenso que vinha predominando na região nos últimos dias.

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As instabilidades seguem ativas nos próximos dias, ainda que de forma irregular. As chuvas ocorrem em pancadas isoladas, intercaladas com períodos de sol e tempo firme. Em áreas do norte de Mato Grosso e do sul de Mato Grosso do Sul, há risco de pancadas mais fortes, acompanhadas de raios e rajadas de vento.

Também deve chover entre o sudeste de Mato Grosso e o sul de Goiás, enquanto o norte goiano segue com tempo seco e temperaturas elevadas.

Risco de temporais isolados

Em Mato Grosso, a atmosfera permanece bastante úmida, mantendo as condições para pancadas mais expressivas no norte do estado, com potencial para temporais isolados.

Em Mato Grosso do Sul, as instabilidades se concentram principalmente no extremo sul. Já em Goiás, a chuva tende a ocorrer com maior frequência no sul, alternando momentos de abafamento e precipitação.

Tendência: mais chuva e menos calor

Nos próximos dias, o cenário úmido deve persistir no Centro-Oeste. As chuvas variam de intensidade e podem acumular até 25 mm em grande parte da região.

A partir da próxima segunda-feira (13), a expectativa é de manutenção da umidade e expansão das áreas de chuva, principalmente entre Mato Grosso do Sul, Goiás e o Triângulo Mineiro, onde os acumulados podem atingir 30 mm.

Entre o sábado (11) e a próxima terça (14), um novo sistema meteorológico deve se intensificar sobre o Centro-Sul, provocando instabilidades mais fortes. A previsão indica chuvas generalizadas e volumosas, além da redução das temperaturas. Isso deve trazer alívio para o calor e melhorar as condições de umidade do ar.



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