segunda-feira, abril 13, 2026

Autor: Redação

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Edição genética promete salvar cenouras



O projeto tem foco em variedades de alta precisão


O projeto tem foco em variedades de alta precisão
O projeto tem foco em variedades de alta precisão – Foto: Pixabay

Uma aliança entre empresas da Holanda e do Reino Unido está aplicando edição genética para criar cenouras resistentes a doenças, com potencial para reduzir perdas de até 50% na produção global. A iniciativa envolve a aplicação da tecnologia GEiGS® (Gene Editing induced Gene Silencing), que atua diretamente no genoma da própria planta, sem inserir genes externos, sendo considerada “não transgênica” em diversas regulamentações.

O projeto tem foco em variedades de alta precisão que unem resistência a doenças foliares e transmitidas pelo solo ao melhoramento genético tradicional. As cenouras estão entre os vegetais mais cultivados do mundo, com produção anual superior a 45 milhões de toneladas e previsão de mercado acima de £ 25 bilhões até 2030, mas enfrentam desafios graves de produtividade e qualidade causados por patógenos.

A tecnologia GEiGS® utiliza silenciamento genético direcionado, reaproveitando regiões não codificantes do genoma da própria planta para reforçar suas defesas naturais. As características desenvolvidas são hereditárias e dominantes, oferecendo resistência duradoura sem depender de genes externos. A ideia é combinar biotecnologia de ponta com décadas de experiência em melhoramento genético para gerar soluções sustentáveis para a agricultura.

Para as empresas envolvidas, a colaboração representa um passo estratégico em direção a sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis. A expectativa é que essas cenouras avançem não apenas em produtividade, mas também em sustentabilidade, reduzindo o uso de defensivos químicos e fortalecendo cadeias de produção em escala global.

 





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Investigações do MP revelam rede de falsificação de defensivos agrícolas do PCC



Segundo reportagens da rádio CBN e da RecordTV, o Ministério Público de Franca (SP) identificou a atuação de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) em uma complexa rede de falsificação e distribuição ilegal de defensivos agrícolas

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) identificou a infiltração da facção em núcleos que falsificam defensivos agrícolas em Franca, além de sua conexão com outras atividades criminosas como agiotagem e lavagem de dinheiro.

Trocas de mensagens entre integrantes do PCC despertaram a atenção do MP em Franca, sugerindo coordenação da facção no esquema.

As investigações, com mais de dez anos de apuração, revelaram que Franca é considerado um dos principais centros de falsificação de defensivos no país. Os produtos falsificados têm distribuição nacional e são exportados para outros países.

A estrutura criminosa atua por meio de ao menos nove núcleos autônomos, especializados em etapas distintas do esquema: produção de embalagens, falsificação de notas fiscais e comercialização por meio da internet, entre outras.

Os laboratórios clandestinos foram descritos como semi-industriais, com esteiras e máquinas para envasar em larga escala, e contam com rótulos e selos idênticos aos originais para disfarçar a ilicitude. Os produtos chegam a ser compostos por misturas de água, solventes, corantes e apenas uma fração de princípio ativo real.

O promotor Adriano Mellega alertou que a entrada de facções criminosas como o PCC em cadeias produtivas legítimas representa um risco crescente, já que elas passam a atuar “em paralelo” à legalidade e podem, ao longo do tempo, dominar nichos inteiros do mercado.



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Preços do boi iniciam outubro em alta



O mês de outubro trouxe certo aumento na demanda por animais no mercado spot, interrompendo algumas quedas de preços e dando espaço a pequenas altas. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com isso, pecuaristas retomam algum ânimo para negociar. Esse cenário é observado tanto em São Paulo quanto nas demais regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas. O tempo seco e a falta de pasto tornam muito baixa a oferta de animais de pasto.

Entre os lotes confinados, pesquisadores explicam que boa parte está comprometida com a indústria, mas aos poucos tem aumentado a parcela ainda por ser negociada. No mercado atacadista da carne com osso da Grande São Paulo, houve leve valorização de todos os cortes (com preços firmes) nos últimos dias, num contexto de vendas consideradas normais para o início do mês, ainda conforme levantamentos do Cepea.

Quanto às exportações, dados da Secex analisados pelo Cepea mostram que foram embarcadas 348 mil toneladas de carne bovina (produtos in natura quanto industrializados) em setembro, o maior volume mensal da série da Secretaria, iniciada em 1997.

Com isso, o total exportado de janeiro a setembro alcançou 2,41 milhões de toneladas, superando em 15,4% o resultado do mesmo período de 2024 e estabelecendo um novo recorde.

China e Hong Kong foram os grandes protagonistas desse movimento, respondendo por 56,7% do total da carne vendida pelo Brasil.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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IPCA sobe 0,48% em setembro, com alta em energia elétrica



O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,48% em setembro, após queda de 0,11% em agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 2025, a inflação acumula alta de 3,64% e, nos últimos 12 meses, o índice atingiu 5,17%. Em setembro de 2024, a variação havia sido de 0,44%.

Energia elétrica foi o principal fator de pressão

O grupo Habitação teve a maior variação do mês, com alta de 2,97% e impacto de 0,45 ponto percentual (p.p) no IPCA. Foi o maior aumento para setembro desde 1995, quando o grupo subiu 4,51%.

A principal influência veio da energia elétrica residencial, que passou de -4,21% em agosto para 10,31% em setembro, representando o maior impacto individual no índice (0,41 p.p.).

“A alta da energia ocorreu em decorrência do fim do Bônus de Itaipu, que concedeu descontos nas faturas de agosto. Além disso, permaneceu em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos”, disse o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, em comunicado à imprensa.

No acumulado do ano, a energia elétrica residencial subiu 16,42%, o que representa o maior impacto individual (0,63 p.p.) no indicador. Em 12 meses, a alta é de 10,64%, com impacto de 0,44 p.p.

Outros grupos também registram alta

O grupo Despesas pessoais avançou 0,51% e impactou o IPCA em 0,05 p.p. Os principais itens em alta foram pacote turístico (2,87%) e cinema, teatro e concerto (2,75%), após queda de 4,02% em agosto, influenciada pela Semana do Cinema.

O grupo Transportes variou 0,01%, com impacto nulo no índice geral, após recuo de 0,27% no mês anterior. A variação reflete a alta dos combustíveis, que subiram 0,87%. O etanol aumentou 2,25%, a gasolina 0,75% e o óleo diesel 0,38%. Apenas o gás veicular teve queda, de 1,24%. Por outro lado, seguro voluntário de veículos (-5,98%) e passagem aérea (-2,83%) registraram recuo.



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Ciclone provoca ventos acima de 100 km/h e atinge vários estados nos próximos dias



Um ciclone extratropical deve se formar entre o domingo (12) e a segunda-feira (13) na região Sul do Brasil, segundo o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.

O fenômeno deve provocar temporais, queda de granizo e rajadas de vento que podem ultrapassar os 100 km/h, especialmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Com a formação do sistema, uma frente fria associada ao ciclone deve avançar rapidamente, atingindo, já na madrugada de segunda-feira (13), os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás. A previsão indica chuvas volumosas e fortes temporais nessas regiões.

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maricultor turbinou renda com ostras


O maricultor Renato Wilmar Martins, de Santa Catarina, decidiu mudar de vida quando percebeu que o salário fixo que recebia em outra empresa não era suficiente para sustentar. Foi nesse momento que enxergou na maricultura, especialmente no cultivo de ostras, uma oportunidade de empreender e melhorar seus ganhos. 

O que começou como uma atividade complementar acabou se transformando em um pequeno negócio de sucesso. “A ideia de produzir ostra surgiu devido ao salário né… trabalhava em outra empresa e meu salário era baixo. Aí, pra completar a renda familiar, eu trabalhava na maricultura”, relembra Martins.

Hoje, o maricultor é exemplo de como o empreendedorismo pode gerar renda e desenvolvimento, principalmente quando aliado a gestão eficiente e apoio técnico. Ele faz parte de um setor estratégico: a maricultura catarinense, responsável por 95% da produção nacional de moluscos no Brasil e que movimenta a economia com milhares de toneladas por ano.

Números que reforçam a importância da maricultura

Segundo dados da Epagri/Cedap, apenas em 2023, Santa Catarina produziu 1.707 toneladas de ostras do Pacífico, consolidando o estado como líder nacional. Florianópolis respondeu por 1.312 toneladas, seguida de Palhoça com 194 toneladas e São José com 178 toneladas. Além dos números expressivos, a atividade emprega cerca de 1.500 pessoas diretamente, garantindo renda e oportunidades para muitas famílias no litoral.

A maricultura não é apenas uma alternativa de renda, mas uma cadeia que movimenta a economia catarinense e coloca o estado em destaque no cenário nacional e internacional.

O sucesso do setor, no entanto, depende de organização, gestão eficiente e acesso a mercados compradores. Foi justamente nesse ponto que Martins encontrou os maiores desafios.

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Da dificuldade de vender à gestão eficiente

No início, produzir não era o problema. O grande obstáculo estava na hora de vender as ostras. O produto exigia agilidade, prazos curtos e qualidade garantida para conquistar compradores exigentes. “Os maiores desafios que eu encontrei na profissão foram a comercialização… a venda é meio complicada”, conta o maricultor.

Com capacitação em gestão e orientação sobre comercialização, Martins e sua esposa passaram a ter mais clareza sobre custos, margens de lucro e estratégias de mercado. Essa virada foi fundamental para transformar o cultivo de ostras em um negócio viável e competitivo.

Comercialização exige velocidade e qualidade

No entanto, o setor enfrenta um desafio único: o prazo de prateleira das ostras é de apenas cinco dias. Isso significa que o produto precisa ser comercializado praticamente em tempo real, o que aumenta a pressão sobre os produtores.

“A gente trabalha com a ostra que é um animal comercializado majoritariamente vivo. Isso gera um tempo de prateleira de praticamente cinco dias. Temos desafios de abrir mercado por essa dificuldade e pelas exigências sanitárias”, explica Gustavo Ruschel Lopes, técnico da Faesc/Senar.

Mas, grande parte da produção catarinense é direcionada para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, que têm alta demanda e consumidores dispostos a pagar por qualidade.

A história de Renato e Rosinete mostra como o microempreendedorismo de base familiar pode prosperar quando aliado a gestão eficiente e apoio técnico. O setor, segundo a Epagri, cresce entre 10% e 15% ao ano, movimentando mais de R$ 70 milhões anuais no estado.

Esse crescimento não é apenas econômico. Ele representa também desenvolvimento social, já que muitas famílias encontram na maricultura uma oportunidade de trabalho digno e renda estável. O sucesso da família Martins inspira outros produtores a enxergarem no agro não apenas um meio de subsistência, mas um negócio sustentável.

Porteira Aberta Empreender

Quer saber mais sobre maricultura? Assista ao programa Porteira Aberta Empreender, nesta sexta-feira (10), às 18h. O programa é uma parceria entre o Sebrae e o Canal Rural, que traz dicas, orientações e mostra histórias reais de micro e pequenos produtores de todo o país.

Às sextas-feiras, às 18h, no Canal Rural. | Foto: Arte Divulgação



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Diálogos pelo Clima encerra sua jornada com debates sobre a Mata Atlântica


A sétima edição do Diálogos pelo Clima, promovida pela Embrapa, no dia 8 de outubro, no Cubo Itaú, em São Paulo (SP), teve como foco a Mata Atlântica. Essa foi a última parada de uma jornada que percorreu todos os sete biomas brasileiros — Brasília, Cuiabá, Corumbá, Manaus, Porto Alegre e Fortaleza — com o propósito de reunir experiências, desafios e soluções frente às mudanças climáticas. Os resultados desses eventos serão apresentados em uma carta para o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, provavelmente, no fim deste mês.

Ao abrir o evento, a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou que esse percurso permitiu colher percepções de produtores, pesquisadores e especialistas de diferentes áreas sobre os principais desafios e oportunidades diante da crise climática. “Todos nós temos um propósito comum: construir práticas mais sustentáveis, garantir a segurança alimentar, preservar os recursos naturais e avançar para uma agricultura de baixo carbono”, afirmou.

A presidente lembrou que o planeta já vive com temperatura 1,5°C acima do período pré-industrial e que os efeitos dos eventos extremos são cada vez mais evidentes. “Nós, que trabalhamos na agricultura, precisamos ser parte da solução climática. Essa é a nossa missão”, disse. Massruhá apresentou exemplos de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e parceiros que já contribuem para a mitigação, como: o café Robusta Amazônico, que sequestra 2,5 vezes mais carbono do que o tradicional; o melhoramento genético de plantas e animais, que tem reduzido em até 75% as emissões de metano; os produtos de baixo carbono e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), capazes de sequestrar 110 quilos de carbono por árvore ao ano.

Silvia enfatizou ainda a importância das parcerias público-privadas e da inclusão produtiva de pequenos e médios agricultores. “Cooperativas e associações têm papel fundamental nesse processo”, observou. Ela destacou o Projeto Semear Digital, desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com dez pilotos em andamento no País — cinco deles em São Paulo.

A presidente encerrou sua fala convidando o público a conhecer a Casa da Agricultura Sustentável (Agrizone), que será apresentada na COP30, em Belém (PA), com vitrines físicas e virtuais sobre sistemas agroflorestais e ILPF, entre outras tecnologias. “O Brasil foi essencial na revolução verde e hoje é uma potência agroambiental”, afirmou.

A mesa de abertura contou ainda com as presenças do representante da Secretaria-Executiva de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, Alessandro Bender; do presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), Jacir Costa; do coordenador de Operações do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA Brasil), Christian Fischer; do superintendente do Senar-SP, Mário Biral, representando o presidente da Faesp, Tirso Meirelles; e do presidente da Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro Brasil), Manoel Mário.

Como ponto em comum, os participantes destacaram a importância de encerrar a Jornada pelo Clima na Mata Atlântica, bioma que foi berço da agricultura brasileira — com o café, o leite e a cana-de-açúcar — e que hoje enfrenta os maiores desafios decorrentes do crescimento populacional, por abrigar metade da população do País. Os gestores ressaltaram que o Brasil tem uma agricultura de sucesso a apresentar ao mundo durante a conferência internacional de novembro. Baseado na integração entre ciência e saberes tradicionais, o modelo agrícola brasileiro deve seguir equilibrando produção, conservação e inclusão para enfrentar os desafios climáticos presentes e futuros.

O primeiro painel, “Negociações climáticas: como posicionar o setor agropecuário brasileiro”, foi conduzido por Ana Toni, diretora-executiva da COP30 e secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Em seguida, o ex-ministro da Agricultura e enviado especial da COP30 para o tema da Agricultura, Roberto Rodrigues, debateu “Oportunidades e desafios das diferentes agriculturas brasileiras em relação à COP30”, com moderação de Julio Cargnino, diretor-presidente do Canal Rural.

Participando de forma remota, Ana Toni destacou o protagonismo da agricultura nacional na transição para um modelo de desenvolvimento sustentável. “O Brasil chega à próxima conferência das Nações Unidas de maneira mais destacada e bonita”, afirmou. Segundo ela, o País consolida-se como referência mundial em soluções que conciliam produção de alimentos, conservação florestal e redução de emissões.

“O Brasil é um provedor de soluções climáticas, não apenas no campo da energia ou das florestas, mas também da agricultura. Temos tecnologias únicas, desenvolvidas pela Embrapa e por instituições públicas e privadas, que o mundo ainda desconhece”, observou.

A gestora enfatizou que a agricultura tropical e regenerativa será um dos grandes destaques da COP30. “Será a primeira vez que uma conferência do clima acontecerá em um país tropical, o que nos permite mostrar as especificidades da produção sustentável nos trópicos — do manejo florestal aos sistemas agrícolas que regeneram o solo e preservam a biodiversidade”, disse.

Ana Toni apontou ainda que o Brasil vive um momento de convergência entre as agendas climática, econômica e social. “Estamos diante de um novo modelo de desenvolvimento, em que a ação climática se integra às dimensões econômica e social. Essa visão precisa estar presente nas políticas públicas e nos instrumentos econômicos que estamos desenhando”, destacou.

Entre as iniciativas em curso, ela mencionou a criação de uma cesta de instrumentos econômicos voltados à economia de baixo carbono, incluindo mecanismos de mercado — como o artigo 6.4 do Acordo de Paris — e novos fundos de financiamento climático. “Precisamos fortalecer os instrumentos internacionais que acelerem a implementação do que já foi decidido, garantindo rastreabilidade e credibilidade às ações climáticas”, afirmou.

Ela também reforçou o espaço da Embrapa na COP30 — a ‘Agrizone’, onde serão apresentadas tecnologias e soluções para a agricultura sustentável e a adaptação climática. “A Embrapa vem construindo esse caminho há muitos anos, com contribuição essencial para que o Brasil chegue à Conferência com uma pauta sólida e inovadora”, ressaltou.

Por fim, Ana Toni destacou o simbolismo de o Brasil sediar a COP30 na Amazônia, três décadas após a Conferência Rio-92, marco do debate global sobre meio ambiente e desenvolvimento. “Na Rio-92, começamos a entender que natureza e desenvolvimento não são opostos. Agora, teremos a chance de mostrar ao mundo que a agricultura brasileira alia produção, gestão ambiental e compromisso com o clima. É o Brasil que tanto nos orgulha”, concluiu.

Roberto Rodrigues iniciou sua fala agradecendo à Embrapa pela organização da Jornada pelo Clima e destacou sua admiração pela pesquisa agropecuária brasileira. “A Embrapa é uma instituição que presta um serviço extraordinário ao País. A pesquisa foi o que transformou o Brasil de importador em potência agrícola”, afirmou, lembrando os pioneiros da ciência tropical e os avanços que permitiram a expansão sustentável da agricultura nacional.

O ex-ministro defendeu a necessidade de o setor construir uma narrativa unificada para a COP30. “Se o Brasil levar cinquenta pedidos diferentes à Conferência, corre o risco de não ter nenhum atendido”, alertou. Por isso, tem articulado uma proposta única que represente o conjunto do agro brasileiro, envolvendo entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Instituto Pensar Agro (IPA).

“Estamos trabalhando para que todas as vozes do agro se expressem em um único documento, capaz de mostrar a força, a história e as propostas do setor”, explicou.

Rodrigues contou que está coordenando a elaboração de um texto-síntese sobre a trajetória da agricultura brasileira nas últimas cinco décadas, com foco em ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade. O material, produzido com contribuições de diversas instituições e especialistas e será apresentado nos preparativos da COP30.

“O objetivo é mostrar como o sucesso do agro brasileiro se deveu à combinação de pesquisa científica, empreendedorismo e políticas públicas. Essa experiência pode servir de modelo para outros países tropicais, especialmente na América Latina, África e Ásia”, afirmou.

Ele lembrou que o chamado ‘milagre tropical’ foi possível graças ao trabalho de pesquisadores como Alysson Paolinelli, Eliseu Alves e José Cabral, que adaptaram tecnologias ao clima tropical e abriram caminho para uma agricultura mais produtiva e sustentável.

Rodrigues enfatizou que o agronegócio brasileiro tem compromissos inegociáveis com a sustentabilidade. “O agro não admite desmatamento ilegal, invasão de terras públicas ou privadas, incêndio criminoso ou garimpo clandestino. Isso é crime, e crimes devem ser punidos. Esses episódios mancham a imagem do setor e prejudicam todo o País”, alertou.

O documento em elaboração também reunirá proposições sobre crédito agrícola, fertilizantes, defensivos, maquinário, bioeconomia e recuperação de áreas degradadas. Um dos eixos centrais é o aproveitamento de cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, dos quais, segundo Rodrigues, 20 milhões poderiam ser destinados a sistemas integrados de produção de soja, milho e pecuária, gerando energia, proteína e renda.

O ex-ministro destacou ainda o papel das novas gerações no campo. “Vejo com entusiasmo o retorno dos jovens à agricultura. Eles trazem uma nova mentalidade, conectada à tecnologia e à sustentabilidade. Isso renova o setor e aponta para um futuro promissor”, afirmou.

O circuito de debates Diálogos pelo Clima integra a Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa que visa debater e esclarecer os desafios e as soluções para uma agricultura de baixo carbono, inclusiva e resiliente à mudança do clima, nos diferentes biomas, e evidenciar a ciência na agropecuária brasileira como um pilar essencial para a transformação sustentável.

A Jornada tem o patrocínio Master do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); a Parceria Institucional do Sebrae; o Apoio Institucional do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); o patrocínio Diamante da Nestlé, do IICA; da Gates Foundation e da Bayer; o patrocínio Ouro da Caixa Econômica Federal; o patrocínio Biomas do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA); o patrocínio Vitrine do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Morfo e da OCP Brasil; e a Parceria de Conteúdo do Canal Rural. A administração dos patrocínios está a cargo da Faped.

 





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Câmara derruba MP que previa taxação de LCA



A Câmara dos Deputados aprovou requerimento da oposição e retirou de pauta a Medida Provisória 1303/25, que unifica em 18% a tributação sobre todas as aplicações financeiras a partir de 1º de janeiro de 2026 e aumenta a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de algumas instituições financeiras. Foram 251 votos a favor da retirada e 193 contra. Como a MP era válida até às 23h59 da quarta-feira (8), ela caduca e perde efeito

Considerada essencial para o equilíbrio fiscal do próximo ano, a MP foi apresentada em junho pelo governo após a revogação do decreto presidencial que havia elevado o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em diversas transações. O Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, permitiu que a maior parte dos aumentos previstos no decreto fossem mantidos.

O texto original da MP trazia uma expectativa de arrecadação adicional de cerca de R$ 10,5 bilhões para 2025 e de R$ 21 bilhões para 2026, diminuída para cerca de R$ 17 bilhões depois de negociações na comissão mista que analisou o tema.

Sem o dinheiro extra, o governo deverá fazer novo bloqueio nas despesas de 2025, incluindo emendas parlamentares, e para 2026 terá de obter cerca de R$ 35 bilhões no Orçamento por meio de cortes ou novas receitas de outras fontes, como IPI e o próprio IOF, que podem ter alíquotas aumentadas por decreto.

Acordos

Para viabilizar a votação ontem na comissão mista, o relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), desistiu de vários pontos, como a tributação de títulos do agronegócio e imobiliários e até mesmo do aumento do tributo sobre empresas de jogos por quota (bets), que passaria de 12% para 18%.

Entre os pontos modificados antes da votação na comissão, o relator aceitou aumentar o índice da MP original de tributação de aplicações financeiras de 17,5% para 18% e diminuir de 20% para os mesmos 18% o imposto de juros sobre capital próprio (JCP), que as empresas devolvem aos sócios a título de remuneração do capital investido. O JCP continua assim tributado em 15%.

A MP também tributava inicialmente os títulos imobiliários e do agro em 5%, mas eles continuam isentos, mesmo se a MP tivesse sido aprovada.

Zarattini afirmou que buscou atender demandas de diferentes setores econômicos e partidos para viabilizar a votação da MP. “Fizemos esse trabalho ouvindo todos os setores produtivos e dialogando com todos os deputados que quiseram dialogar”, disse.

O relator criticou, no entanto, uma possível interferência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para impedir a aprovação da medida. E ressaltou que os recursos que seriam arrecadados com a MP são fundamentais para o atingimento da meta fiscal. “Sentimos muito a interferência puramente política com único objetivo eleitoral do governador de São Paulo, que mobilizou presidentes de partido para que houvesse uma nova visão sobre esta MP”, declarou.

Durante o debate em Plenário sobre a MP, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), lembrou que o aumento da tributação de bets foi tirado do texto por Zarattini. “Queremos que bets paguem imposto de tudo. Aliás, nem queremos que o povo jogue, porque jogo é uma desgraça”, disse.

O líder do Novo, deputado Marcel Van Hattem (RS), disse ser contra a irresponsabilidade fiscal e o aumento de impostos que, segundo ele, a MP representa. “O Novo orienta a favor do bolso do cidadão brasileiro, contra a corrupção e a incompetência do governo”, disse.

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) comemorou ter sido o autor do pedido para retirar a MP da pauta do Plenário. “Nós, que somos de oposição, estamos acostumados a perder semana após semana, mas desta vez, teremos uma vitória”, afirmou.

Governo X oposição

Para o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), a articulação da oposição para a derrota da MP é uma antecipação do calendário eleitoral de 2026. “Não pensam que os senhores estão ganhando, estão ficando de costas para o povo brasileiro”, criticou.

Essa opinião foi reforçada pelo deputado Helder Salomão (PT-ES). “Vocês querem inviabilizar o governo Lula? Vocês estão atuando contra as famílias brasileiras”, declarou.

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que o relatório de Zarattini era uma construção coletiva de todos os líderes partidários, e não uma produção só dele. “Estamos cobrando daquela parte do sistema econômico que não quer pagar, que sonega e está na ilegalidade”, disse.

Já o deputado Mendonça Filho (União-PE) afirmou que a MP foi criada para substituir o aumento do IOF, que tinha sido derrubado pelo Congresso, mas foi retomado depois de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “O IOF arrecada hoje algo como R$ 30 bilhões por ano. O objetivo de arrecadar mais já está sendo alcançado. Mas o governo não sossega”, declarou.

  • ações e fundos de ações: 15%;
  • operações de mesmo dia (day trade) na bolsa de valores: 20%;
  • fundos de renda fixa e vários outros produtos de investimentos sem isenção atual: de 22,5% a 15%, conforme o prazo de permanência do recurso investido;
  • instituições de pagamento, administradoras do mercado de balcão organizado, bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, entidades de liquidação e compensação: continuam com CSLL de 9%;
  • empresas de capitalização e sociedades de crédito, financiamento e investimento: continuam com CSLL de 15%.



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Brasil há 147 anos debate gestão de riscos agrícolas sem soluções eficazes contra mudanças climáticas


Este artigo integra uma trilogia dedicada à “novela” do seguro rural no Brasil. Ao longo dela, percorro sua história — sem esgotar o tema — trago lições internacionais e encerro com uma crítica contundente ao modelo de política agrícola. Ressalto que quem ignora a história está condenado a repeti-la. Lembre-se: é nos detalhes que mora o diabo.

1878: a primeira assembleia de agricultores no Recife

Em 1878, o Brasil testemunhou a realização da Assembleia de Agricultores no Recife, considerada a primeira do país. Convocada pela Sociedade Auxiliadora da Agricultura de Pernambuco (Saap), a assembleia reuniu produtores rurais para discutir questões como crédito agrícola, assistência técnica e seguro rural. O evento contou com o apoio da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, criada em 28 de julho de 1860 pelo Imperador D. Pedro II, que mais tarde se tornaria o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Detalhe: o evento seria no ano anterior, mas faltaram recursos ao ministério. Começamos bem, à brasileira.

1954: criação da Companhia Nacional de Seguro Agrícola (CNSA)

Em 1954, no bojo da lei nº 2.168, de 11 de janeiro, que instituiu normas para o seguro agrário, foi implementada a Companhia Nacional de Seguro Agrícola (CNSA). Nesse mesmo período foi também criado o Fundo de Estabilidade do Seguro Agrícola (Fesa) para dar suporte a eventos de catástrofe climática. A CNSA operou durante a década seguinte, mas enfrentou sucessivos déficits e problemas operacionais, sendo liquidada em 1966.

Detalhe: a CNSA nunca emitiu uma apólice de seguro agrícola.

1965: institucionalização do crédito rural

Em 5 de novembro de 1965, foi sancionada a lei nº 4.829/1965, que instituiu oficialmente o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Essa lei determinou que o crédito rural seria distribuído e aplicado em conformidade com a política de desenvolvimento da produção rural, com finalidades voltadas ao custeio, investimento e comercialização. Com o SNCR, o crédito rural passou a ser normatizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e fiscalizado pelo recém-criado Banco Central do Brasil, que definia diretrizes, avaliava recursos e supervisionava as operações — marcando o início de uma política nacional de crédito agrícola.

Detalhe: antes de 1965, o financiamento agrícola estava quase totalmente concentrado no Banco do Brasil, por meio da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial (Creai), o que resultava em baixa capilaridade, forte presença estatal e pouca competitividade entre instituições financeiras. O crédito rural já era concedido sem seguro agrícola.

1966: Fundo de Apoio ao Seguro Agrícola (Fasa)

Criado com o decreto-lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, para oferecer suporte financeiro ao seguro rural em situações de catástrofe e eventos extraordinários que pudessem comprometer a estabilidade das operações de seguro agrícola.

Detalhe: inicialmente vinculado ao Ministério da Agricultura e ao IRB, com foco em manter a solvência do seguro rural frente a eventos climáticos extremos. Serviu como primeiro mecanismo de estabilidade, mas tinha recursos limitados e governança restrita, não sendo suficiente para estruturar o mercado, sendo depois substituída pelo FESR.

Década de 1970: expansão e subsídios ao crédito rural

Durante os anos 1970, o crédito rural se expandiu fortemente, baseado em juros reais negativos e amplos subsídios públicos, especialmente por meio de repasses do Tesouro Nacional, com o objetivo de estimular a modernização agrícola e a adoção de novas tecnologias e insumos.

Nesse contexto, o decreto-lei nº 167, de 14 de fevereiro de 1967, instituiu a Cédula Rural, que passou a funcionar como título de crédito e instrumento de garantia nas operações do SNCR — permitindo ao produtor oferecer penhor ou hipoteca de bens rurais e facilitando o acesso ao crédito agrícola em escala nacional.

Detalhe: o modelo priorizou volume e alcance, favorecendo grandes produtores e regiões mais desenvolvidas, o que resultou em concentração de recursos e aumento da dependência do Estado para financiar o setor.

1976: criação do Proagro

Diante da ausência de um mercado de seguros agropecuários, foi criado o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) em 1976. O Proagro foi regulamentado pelo decreto nº 77.120, de 10 de fevereiro de 1976, e tem como objetivo garantir o pagamento das dívidas de crédito rural em caso de perdas causadas por eventos climáticos adversos.

Detalhe: o programa é administrado pelo Banco Central, que atua como segurador e ressegurador — o único Banco Central no mundo a acumular funções de política monetária e gestão de riscos agrícolas.

1995: Primeira Securitização de Dívidas Rurais

Em 1995, foi sancionada a lei nº 9.138, que autorizou a renegociação de dívidas originárias de crédito rural sob condições especiais. Essa medida permitiu a securitização das dívidas rurais, facilitando o alongamento dos prazos de pagamento e a redução das taxas de juros, com o objetivo de aliviar a pressão financeira sobre os produtores rurais.

Detalhe: desde os anos 1980 e início dos 1990, houve um acúmulo significativo de inadimplência no crédito rural — resultado de políticas de crédito com forte subsídio, crises macroeconômicas e baixa rentabilidade em vários segmentos. Esse estoque de dívidas pressionou bancos (especialmente o Banco do Brasil) e tornou urgente uma solução para “limpar” balanços e evitar colapso do crédito rural.

2001: FESR – Fundo de Estabilidade do Seguro Rural (FESR)

Com o objetivo de ampliar e modernizar o conceito do Fasa, a lei nº 10.226, de 2001, criou o FESR como fundo vinculado ao IRB-Brasil Re, oferecendo cobertura financeira mais estruturada para riscos climáticos e estabilização do mercado de seguro rural. Mantém recursos para cobrir sinistros extraordinários. Continua ativo.

Detalhe: um episódio de 2004 marcou a história ao acesso ao fundo. A Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (Cosesp) enfrentou dificuldades para acessar os recursos do FESR após eventos climáticos adversos que afetaram a produção de milho safrinha no Paraná, resultando em elevados índices de sinistralidade. Como resposta, o governo federal editou a medida provisória nº 512, de 29 de junho de 2004, que autorizou a liberação de recursos adicionais para o FESR, visando assegurar o cumprimento das obrigações com os produtores afetados. Esse episódio evidenciou a necessidade de aprimorar a estrutura e a gestão do FESR. A Cosesp foi liquidada em 2007, mas em meados de 2005, antes do PSR, já tinha parado de operar com o seguro agrícola.

2002: Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do Estado de São Paulo

Vinculado ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), foi instituído pela lei estadual nº 11.244, sancionada em 21 de outubro de 2002. Essa legislação autorizou o governo do estado a conceder subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, visando facilitar o acesso dos produtores paulistas a seguros agrícolas e, assim, mitigar os riscos decorrentes de eventos climáticos adversos. Em 2024 o programa aplicou R$ 100 milhões.

Detalhe: nos anos seguintes, a partir de 2011, cinco municípios do circuito de fruticultura de São Paulo implementaram programas complementares municipais de subvenção ao prêmio do seguro rural: Itatiba, Jundiaí, Louveira, Itupeva e Mogi das Cruzes.

2004: criação do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)

Em 2004, foi sancionada a lei nº 10.823, que instituiu o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O PSR visa tornar o seguro rural mais acessível aos produtores, por meio da subvenção econômica ao prêmio do seguro. Apesar dos esforços, o programa enfrenta instabilidade orçamentária e falta de estrutura sólida no mercado de seguros agropecuários.

Detalhe: o PSR é classificado como despesa discricionária, ou seja, seus recursos não são obrigatórios — diferentemente de programas como Proagro ou Pronaf — e, portanto, está sujeito a bloqueios ou contingenciamentos no orçamento. Esse caráter discricionário e a competição interna no ministério pela dotação orçamentária tornam o PSR bastante imprevisível, pois em momentos de restrição fiscal ele é um dos primeiros a sofrer cortes.

2008: renegociação de dívidas e falta de prioridade do seguro rural 1

Entre os anos de 2004 a 2008, o setor agropecuário enfrentou acúmulo expressivo de endividamento devido a perdas climáticas severas e recorrentes. Essa situação evidenciou a insuficiência de mecanismos de seguro rural e de gestão de riscos. Em resposta, foi sancionada a lei nº 11.775, de 2008, criando novos instrumentos de renegociação de dívidas e alongamento de prazos para produtores afetados, sem a necessidade de contratarem seguros.

Detalhe: até as cooperativas sentiram a crise. O FAT Giro Rural foi implementado pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). Essa linha de crédito foi criada com o objetivo de fornecer capital de giro para cooperativas agropecuárias, visando à recuperação financeira do setor.

2009: PSR do Paraná

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Paraná foi instituído pela lei estadual nº 16.166, de 7 de julho de 2009. Gerido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o programa visa ampliar o acesso dos produtores rurais ao seguro agrícola.

Detalhe: apesar da iniciativa importante, o programa não rompeu até hoje a barreira de um orçamento mais robusto. Estados como Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Rio Grande do Sul podem em adotar programas similares ao do Paraná e de São Paulo.

2010: Fundo de Catástrofe

Foi sancionada a lei complementar nº 137, que estabeleceu a criação de um fundo complementar para o seguro rural. Previa até R$ 4 bilhões de recursos ao fundo.

Detalhe: essa lei nunca foi regulamentada, deixando o fundo sem operacionalização efetiva.

2011 a 2023: oscilações no setor agrícola brasileiro

Entre 2011 e 2023, o setor agrícola brasileiro alternou safras abundantes com desafios climáticos severos, como as secas de 2015, 2018 e a histórica de 2021/2022, que comprometeram a produção, especialmente de soja, e aumentaram a inadimplência. A estiagem de 2021/2022 gerou perdas bilionárias e elevada sinistralidade no seguro rural, com indenizações superiores a R$ 7 bilhões em 2021 e mais de R$ 10 bilhões em 2022. O impacto financeiro levou algumas seguradoras a saírem do mercado e resseguradoras a enfrentarem restrições de capacidade.

Detalhe: não havia fundo específico para eventos extremos.

2024: projeto de lei para modernizar o seguro rural

A senadora Tereza Cristina apresentou o projeto de lei nº 2.951/2024, que propõe a criação de um fundo privado de seguro rural, com recursos públicos e privados, para cobrir riscos extraordinários, além de aprimorar a subvenção econômica e expandir a cobertura do seguro para mais culturas e regiões.

Detalhe: o projeto pode ser a chave de virada do seguro rural. Ainda está tramitando no Congresso Nacional.

    2025: renegociação de dívidas e falta de prioridade do seguro rural 2 (a história se
    repete)

    Em 2025, o governo anunciou um novo pacote de renegociação de dívidas rurais, mobilizando R$ 12 bilhões para auxiliar produtores afetados por eventos climáticos adversos. No entanto, essa medida não exige contrapartidas relacionadas ao seguro rural, perpetuando o ciclo de endividamento sem oferecer proteção eficaz.

    Além disso, a área segurada pelo PSR permanece muito abaixo de 10% da área agrícola nacional, evidenciando a falta de uma política consistente e estruturada para a gestão de riscos no setor agrícola.

    Detalhe: o seguro rural custou R$ 12 bilhões ao governo nos últimos 20 anos, e a renegociação de 2025 terá o mesmo valor.

    Esse será o tema do terceiro e último artigo da trilogia, enquanto o segundo aborda a experiência internacional.

    *Pedro Loyola é coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


    Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Seminário de Irrigação aborda Programa Irriga+ RS



O evento tem entrada gratuita e acontece no Centro Cultural José Rugeri.



Foto: Pixabay

Na terça-feira (14/10), a partir das 13h30, acontece mais uma edição do Seminário de Irrigação no município de Constantina, região do Alto Uruguai. A apresentação tem como objetivo falar sobre a importância da irrigação e o aumento da produtividade, assim como o Programa Irriga+ RS lançado em 2023 pelo governo do Estado, as normas ambientais vigentes e a apresentação de cases de sucesso de produtores rurais.

O evento tem entrada gratuita e acontece no Centro Cultural José Rugeri. O seminário é uma realização das Secretarias da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e Emater/RS-Ascar, com apoio da Prefeitura Municipal de Constantina e entidades parceiras.

A programação conta com a participação da Seapi apresentando os resultados do Programa Irriga+ RS, que encerrou o último edital em julho deste ano e agora está na etapa de estruturação de uma nova fase. O programa prevê apoio financeiro direto ao produtor rural e tem como objetivo mitigar os efeitos da estiagem na produção das culturas gaúchas, principalmente no milho, soja, pastagem, entre outras.

Durante o evento, o técnico da Emater/RS-Ascar Carlos Roberto Olczevski vai abordar o tema “O clima demonstra que irrigar é preciso e manejar bem o sistema de irrigação é necessário para obter bons resultados”. Também serão apresentados cases de sucesso de irrigação, como forma de troca de experiências entre produtores. Um dos cases é sobre irrigação por gotejamento de pomares de citros, apresentado por Ronei Sabadini, de Constatina, e o outro sobre irrigação por aspersão de pastagens, apresentado pela família de Adrieli Agatti Marcolan e Fabiano Cervo, de Novo Xingu.

SERVIÇO

O quê: Seminário de Irrigação em Constantina

Quando: terça-feira (14/10), às 13h30

Onde: Centro Cultural José Rugeri (Rua João Mafessoni, 450)

 





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