domingo, abril 12, 2026

Autor: Redação

News

Palmeiras são as verdadeiras ‘caixas d’água’ da Amazônia e sustentam a floresta na seca



Entre as famílias de plantas mais abundantes da Amazônia, as palmeiras (Arecaceae) se destacam pela capacidade de armazenar até duas vezes mais água do que as árvores. No entanto, a presença dessas plantas e de outras espécies típicas de ambientes úmidos está ameaçada pelas alterações no ciclo da água na floresta amazônica.

As conclusões fazem parte de pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro. Alguns resultados preliminares dos trabalhos foram apresentados em palestra durante o Fórum Brasil-França “Florestas, Biodiversidade e Sociedades Humanas”, que aconteceu entre os dias 1º e 2 de outubro em São Paulo.

Organizado pelo Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França, em Paris, pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Fapesp, o objetivo do evento foi discutir a biodiversidade florestal, os ecossistemas e suas relações com as sociedades humanas, do passado e do presente.

“As palmeiras são grandes reservatórios ou caixas d’água da floresta”, disse a professora da Unesp, coordenadora do projeto e pesquisadora associada ao CBioClima, Thaise Emilio.

Predominância das palmeiras

Embora representem apenas uma entre as 171 famílias de plantas arborescentes da Amazônia, as palmeiras são altamente dominantes na floresta, tanto no dossel quanto no sub-bosque, afirma Thaise Emilio.

Uma das hipóteses para essa predominância é que as palmeiras podem ter sido domesticadas pelas primeiras populações humanas que habitaram e manejaram a Amazônia há milhares de anos.

“Há dúvidas, porém, se foram os humanos que enriqueceram a Amazônia com palmeiras ou se eles decidiram viver na floresta justamente por possuírem essas plantas tão abundantes e úteis, que têm grande importância econômica”, conta Thaise Emilio.

Aproximadamente 75% da produção brasileira de produtos florestais não madeireiros hoje é proveniente de palmeiras, sendo 50% só do açaí (Euterpe oleracea), sublinhou a pesquisadora.

Resistência à seca

Por muito tempo, acreditou-se que as palmeiras eram vulneráveis à seca devido à sua estrutura hidráulica. Para investigar o tema, a pesquisadora iniciou, em 2017, uma colaboração com cientistas franceses, analisando a resistência do xilema (tecido condutor que leva água para as raízes das plantas) à embolia provocada pela seca.

Os estudos mostraram que, embora vulneráveis à seca como outras espécies, as palmeiras têm mais água nos troncos, o que lhes permite mobilizar o recurso e reduzir os riscos de embolia. Pesquisas posteriores, em parceria com a Universidade de Edimburgo, revelaram que elas armazenam até 70% de seu volume em água, superando as árvores dicotiledôneas, que chegam a 50%.

“A gente vê que só elas dão frutos nessas épocas de seca. Isso é muito importante para manter a alimentação dos animais na floresta e dos humanos, que dependem desses recursos”, destaca Thaise Emilio.

Esse papel essencial, no entanto, está ameaçado pela intensificação do ciclo hidrológico e pelo declínio de espécies adaptadas a climas úmidos. Modelagens em andamento indicam que, em cenários mais secos, as palmeiras podem morrer até duas vezes mais do que outras árvores. “A combinação de anos chuvosos e secos está causando uma mudança na dinâmica e nas características de regiões da floresta”, afirma a pesquisadora.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Soja recua em Chicago: Confira



O contrato de soja para novembro fechou em baixa de 0,70%


O contrato de soja para novembro fechou em baixa de 0,70%
O contrato de soja para novembro fechou em baixa de 0,70% – Foto: USDA

A quinta-feira foi marcada por queda nos contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT), após duas sessões consecutivas de valorização. De acordo com a TF Agroeconômica, o movimento foi influenciado pela realização de lucros e pela ausência de relatórios oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o que levou os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa diante da falta de referências concretas sobre o mercado.

O contrato de soja para novembro fechou em baixa de 0,70%, cotado a US$ 1.022,25 por bushel, enquanto o de janeiro recuou 0,57%, para US$ 1.038,50. Entre os derivados, o farelo de soja para outubro caiu 0,41%, a US$ 269,70 por tonelada curta, e o óleo de soja para o mesmo mês perdeu 1,16%, encerrando a US$ 50,38 por libra-peso. Esses números refletem a acomodação dos preços após as altas recentes, motivadas por especulações sobre uma ajuda financeira do governo americano aos agricultores.

A expectativa de um “programa significativo” de apoio, confirmada pela Secretária de Agricultura Brooke Rollins, havia dado fôlego às cotações, mas a falta de detalhes e prazos concretos gerou incerteza. “A percepção é de que os produtores terão que vender parte da produção para levantar recursos, e o mercado começa a precificar isso”, observou Jack Scoville, analista do Price Group.

Com a não divulgação dos relatórios semanais de exportações e do boletim mensal de oferta e demanda do USDA, os agentes preferiram reduzir posições e proteger ganhos anteriores. A falta dessas balizas oficiais aumentou a volatilidade, reforçando um tom de prudência no mercado internacional da oleaginosa.

 





Source link

News

Embrapa lança calendário para orientar o produtor na estação de monta



A Embrapa Gado de Corte acaba de lançar o Calendário Reprodutivo, Sanitário e Zootécnico, uma ferramenta essencial para o pecuarista que busca otimizar a gestão e aumentar a eficiência da fazenda.

O material serve como um guia prático, mês a mês, para planejar e acompanhar as principais atividades de rotina na produção de bovinos de corte. O objetivo primordial é melhorar os índices zootécnicos das propriedades rurais.

Em entrevista programa Giro do Boi nesta semana, a Dra. Vanessa Felipe, pesquisadora da Embrapa, afirmou que o calendário é fruto de um trabalho de pesquisa testado no campo.

Segundo ela, a ferramenta visa garantir a adesão do produtor a práticas que resultam em maiores índices de prenhez, menor retorno ao cio e menos perdas reprodutivas.

O calendário foi desenvolvido para solucionar o maior desafio da cria: a ausência de uma estação de monta pré-determinada, um fator que ainda causa grandes prejuízos em diversas partes do país.

Confira a entrevista completa:

Planejamento da cria e encurtamento do período de monta

A pesquisadora da Embrapa destaca que a fase de cria é a mais sensível do processo produtivo. Ao concentrar a estação de monta, o produtor consegue alinhar os nascimentos dos bezerros com a época de maior oferta de pasto.

A regra geral recomendada é buscar concentrar os nascimentos no início da seca, permitindo que os bezerros desmamem no período das águas, quando há maior disponibilidade e qualidade de alimento para as matrizes.

O calendário é estruturado de janeiro a dezembro e detalha as ações necessárias nas esferas reprodutiva, sanitária e nutricional. Para o sucesso da estação de monta, o material enfatiza o planejamento, que deve incluir:

  • Preparação de reprodutores: realizar o exame andrológico dos touros e o ginecológico das fêmeas;
  • Sanidade preventiva: aplicar a vacinação preventiva contra doenças reprodutivas como IBR/BVD e Leptospirose, além da vacina obrigatória contra a Brucelose;
  • Parto seguro: preparar o pasto maternidade e realizar a vacinação das fêmeas contra diarreia neonatal (60 e 30 dias antes do parto).

Foco no bezerro para evitar perdas e prejuízos

O calendário da Embrapa reforça a importância dos cuidados básicos com o bezerro recém-nascido. Estima-se que o Brasil perde cerca de 4 milhões de bezerros por ano (após o parto até a desmama), sendo grande parte dessas perdas por falta de manejo e cuidados essenciais.

Para evitar que isso aconteça, o calendário orienta:

  • Colostragem: garantir a ingestão de colostro – a primeira vacina natural – nas primeiras seis horas de vida do animal;
  • Cura do umbigo: o tratamento imediato e correto do umbigo do bezerro é vital para evitar infecções, uma grande causa de perdas na fase de cria;
  • Identificação: realizar a identificação imediata dos animais logo após o nascimento.

A Embrapa orienta que o calendário seja utilizado com o auxílio de um profissional (veterinário, zootecnista ou agrônomo) para adaptar o manejo às condições específicas de cada fazenda.

Mais detalhes sobre o documento você confere clicando aqui.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Soja manteve estabilidade no Sul


O mercado físico gaúcho da soja manteve estabilidade, segundo informações da TF Agroeconômica, com Não-Me-Toque registrando R$ 120,00 por saca, sem variação no fechamento. “Para pagamento em 15/10, com entrega em outubro, os preços no porto foram reportados a R$ 136,20/sc, enquanto no interior as referências se mantiveram em torno de R$ 131,00/sc em Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Rosa e São Luiz, todos com liquidação prevista para 30/10. Já em Panambi, o mercado físico apresentou queda mais acentuada, com o preço de pedra recuando para R$ 120,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Santa Catarina mantém liquidez no mercado, mas custos logísticos avançam com novas regras da ANTT. “O mercado físico catarinense registrou firmeza, com Palma Sola cotada a R$ 122,00 por saca, em alta de +0,83%. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 136,94 (+0,29%)”, completa.

O Paraná acelera o plantio e registra alta nas cotações da soja. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 139,27 (+0,39%). Em Cascavel, o preço foi 128,25 (+0,02%). Em Maringá, o preço foi de R$ 128,57 (-0,89%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 130,42 (-1,74%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 136,94 (+0,29%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 120,00”, indica.

O Mato Grosso do Sul registrou valorização no mercado físico com Ponta Porã em forte alta de +4,07%, alcançando R$ 128,00. “Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 122,77 (+1,06%), Campo Grande em R$ 122,77 (+1,06%), Maracaju em R$ 122,77 (+1,06%), Chapadão do Sul a R$ 120,47 (+0,62%), Sidrolândia a em R$ 122,77 (+1,06%)”, informa.

Mato Grosso avança no plantio, mas déficit de armazenagem limita autonomia comercial. “Campo Verde: R$ 125,54 (+1,24%). Lucas do Rio Verde: R$ 119,07 (+1,40%), Nova Mutum: R$ 119,07 (+1,40%). Primavera do Leste: R$ 121,54 (-1,98%). Rondonópolis: R$ 121,54 (-1,98%). Sorriso: R$ 119,07 (+1,40%)”, conclui.





Source link

News

Chuvas irregulares desafiam plantio de arroz e feijão no país; veja a situação por estado



O avanço do plantio de arroz e feijão segue ritmo diferente entre as regiões do país. No Sul, o excesso de umidade dificulta o uso do maquinário, enquanto em partes do Centro-Oeste e Sudeste a chuva começa a favorecer o trabalho em campo.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), enquanto o arroz tem 13,4% da área plantada, no feijão, 16,9% das lavouras já foram semeadas. O meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, avalia que as condições devem melhorar nas próximas semanas, com perspectiva otimista para o restante de outubro.

Arroz

O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, tem 38% da área semeada, segundo a Conab. No centro-sul do estado, o tempo mais firme permitiu avanço das operações, enquanto nas regiões norte e centro, a umidade elevada ainda dificulta o uso do maquinário.

“Esses dias nublados reduzem a luminosidade e impactam o desenvolvimento das plantas. Além disso, o excesso de umidade favorece pragas como caramujo e fungos, exigindo atenção redobrada com o manejo fitossanitário”, explica Müller.

Em Santa Catarina, a situação é semelhante: mesmo com boas janelas de plantio, a umidade alta preocupa os produtores. Já em Mato Grosso, Tocantins e Alagoas, o plantio está em início de safra. Maranhão registra apenas 5% da área semeada, e Goiás concentra o trabalho nas áreas irrigadas.

Feijão

Em São Paulo, a semeadura já foi concluída. No Sul do país, o plantio continua, mas a chuva constante ainda atrapalha as operações. Em Minas Gerais, o retorno das precipitações nas últimas semanas tem garantido avanço na porção sul do estado.

No Paraná, há contraste entre regiões: o centro-norte sofre com calor e falta de chuva, enquanto o centro-sul tem excesso de precipitação, o que impede o uso de maquinário. “É um cenário que exige paciência do produtor, porque enquanto uns enfrentam seca, outros lidam com chuva demais”, comenta Müller.

Alertas climáticos

Entre domingo e segunda-feira, um ciclone extratropical deve provocar temporais no Sul e Sudeste, com risco de rajadas de vento acima de 100 km/h, queda de granizo e descargas elétricas. O meteorologista recomenda interromper o trabalho em campo durante esse período.

A partir de terça e quarta-feira, o tempo firma em grande parte do país, permitindo avanço nas operações. No Matopiba, as chuvas devem se regularizar apenas após 20 de outubro, com as primeiras trovoadas marcando o início efetivo do plantio nas áreas de sequeiro.

De modo geral, Müller avalia que o cenário é otimista para as duas culturas, sem risco de geadas tardias e com temperaturas mais amenas favorecendo o desenvolvimento inicial das lavouras.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Futuros de milho fecham mistos


Os contratos futuros de milho apresentaram comportamento misto nesta quinta-feira (9), refletindo fatores distintos entre o mercado interno e o internacional. Segundo a TF Agroeconômica, a valorização do dólar frente ao real sustentou parte das cotações na B3, enquanto em Chicago o cereal recuou diante da ausência do relatório mensal de oferta e demanda (WASDE), tradicionalmente divulgado pelo USDA.

No mercado brasileiro, o milho acompanhou a alta da moeda americana e o ritmo da comercialização interna, especialmente voltada às indústrias de etanol nas regiões Centro e Norte, o que deu sustentação aos preços. Já no Sul do país, as vendas seguem lentas, com a demanda concentrada na alimentação animal. Diante desse cenário, o contrato de novembro/25 encerrou o dia em R$ 67,24, com alta de R$ 0,64 no dia e de R$ 1,53 na semana. O janeiro/26 subiu para R$ 69,43, avanço de R$ 0,64 no dia e de R$ 1,15 na semana, enquanto março/26 fechou a R$ 71,95, alta de R$ 0,43 no dia e de R$ 0,95 na semana.

Em Chicago, os futuros do cereal voltaram a cair. O contrato de dezembro recuou 0,95%, fechando a US$ 418,25 por bushel, e o de março perdeu 0,86%, a US$ 434,00. As cotações refletiram o comportamento técnico de vendas, em meio à ausência do WASDE, que costuma balizar o mercado. De acordo com o analista americano Ben Potter, o movimento de queda ocorreu exatamente no horário em que o relatório deveria ter sido divulgado, levantando questionamentos sobre o impacto da falta de dados oficiais.

No cenário global, a China manteve a estimativa de produção de milho em 296,6 milhões de toneladas, mas reduziu suas exportações projetadas de 7 para 6 milhões de toneladas. O governo chinês tem adotado políticas de incentivo à autossuficiência, flexibilizando regras internas para ampliar a produção e reduzir a dependência externa do grão.

 





Source link

News

Entenda como a guerra comercial entre EUA e China pode afetar a soja do Brasil



A guerra comercial entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo na última sexta-feira (10), quando Donald Trump anunciou uma taxação de 100% sobre os produtos chineses. A medida é uma resposta às novas restrições da China sobre as chamadas terras raras, elementos essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias de carros elétricos, uma indústria dominada pelos chineses.

Essas restrições, que começam a partir de 1 de dezembro, não apenas limitam o acesso a matérias-primas estratégicas, como também simbolizam o endurecimento da postura chinesa diante do Ocidente. Mas, embora a disputa em torno das terras raras chame atenção, outro setor vem sendo central nesta guerra: a soja.

A soja como arma geopolítica

Historicamente, os Estados Unidos foram os principais fornecedores de soja para a China. No entanto, desde que começaram as disputas tarifárias entre os dois países, Pequim tem usado o grão como instrumento de retaliação comercial. Em resposta às tarifas impostas por Washington, a China reduziu drasticamente suas compras de soja norte-americana, optando por fortalecer parcerias com outros fornecedores, especialmente Brasil e Argentina.

Essa mudança estratégica vem afetando duramente os produtores rurais dos Estados Unidos. A pressão do setor agrícola sobre o governo americano é crescente. Recentemente, a American Farm Bureau Federation (AFBF), uma das entidades mais influentes do agronegócio americano, divulgou um artigo alertando para o impacto direto das tensões com a China sobre a agricultura do país.

“Durante décadas, a China esteve no centro da exportação agrícola americana, sendo a maior compradora de soja dos EUA. A quebra dessa relação representa uma ameaça direta à sobrevivência financeira dos nossos produtores”, afirmou a AFBF.

De fato, os números mostram um colapso preocupante nas exportações. De janeiro a agosto de 2025, os EUA exportaram apenas 218 milhões de bushels de soja para a China — uma queda brutal em relação aos 985 milhões no mesmo período de 2024. Durante os meses de junho, julho e agosto, os embarques praticamente zeraram, e até agora, a China não comprou nada da nova safra norte-americana para o próximo ano comercial.

Impactos para o Brasil: oportunidade e risco

Neste cenário, o Brasil emerge como um dos principais beneficiários, pelo menos no curto prazo. Com a China redirecionando suas compras, os produtores brasileiros viram a demanda pelo grão aumentar significativamente nos últimos anos, fortalecendo a balança comercial do país e ampliando os investimentos no agronegócio.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, a China já representa mais de 70% das exportações brasileiras de soja, com volumes recordes registrados entre 2023 e 2025. A substituição da soja americana pela brasileira consolidou o Brasil como o maior exportador mundial do grão.

No entanto, essa dependência também traz riscos. A instabilidade gerada pelas idas e vindas da guerra comercial pode afetar os preços internacionais da soja, causar oscilações cambiais e provocar incertezas nos contratos futuros. Além disso, uma eventual reaproximação entre Washington e Pequim poderia mudar novamente o cenário, diminuindo a vantagem momentânea do Brasil.

A estratégia da China

A China tem atuado com estratégia clara e objetiva: utilizar produtos-chave como a soja e as terras raras como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos. A dependência americana desses insumos torna-os instrumentos poderosos de pressão econômica. Ao privilegiar fornecedores alternativos, como o Brasil no caso da soja, a China enfraquece o setor agrícola americano, setor esse com grande peso político, especialmente em estados tradicionalmente republicanos.

Essa abordagem mostra como a guerra comercial não é apenas uma disputa de tarifas, mas uma batalha geopolítica por influência, acesso a recursos estratégicos e controle de cadeias produtivas globais.

Um histórico de confrontos

Não é a primeira vez que Trump recorre a tarifas como arma. Durante seu primeiro mandato (2017–2021), ele impôs uma série de sanções à China, alegando práticas comerciais desleais, roubo de propriedade intelectual e desequilíbrio na balança comercial. A retaliação chinesa foi imediata, e a soja sempre esteve no centro desse embate.

Embora o governo Biden tenha adotado uma abordagem mais diplomática, muitos desses embargos foram mantidos e agora com Trump a tensão escala novamente.

Instabilidade global

A disputa entre as duas maiores potências econômicas do planeta tem efeitos que extrapolam seus próprios mercados. A instabilidade causada pela guerra comercial afeta cadeias globais de produção, desorganiza fluxos logísticos e traz insegurança para investidores. No caso da soja, o impacto se estende a países como o Brasil, que vivem o paradoxo de ganhar mercado, mas sob um contexto de extrema incerteza.



Source link

News

Maior cafezal urbano do mundo perfuma o ar de capital brasileira



O maior cafezal urbano do mundo, manejado pelo Instituto Biológico (IB-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, fica na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, e está novamente coberto por flores brancas e perfumadas. A segunda florada do ano começou na última semana e está marcando um período essencial para o desenvolvimento dos grãos que serão colhidos em maio do ano que vem.

De acordo com a pesquisadora Harumi Hojo, responsável pelo cafezal, “a importância da florada está diretamente ligada ao potencial de produção do café. A quantidade e a qualidade das flores nos dão uma perspectiva sobre como será a colheita”. O fenômeno, que normalmente ocorre entre setembro e novembro, dura poucos dias e transforma o espaço em um espetáculo natural de perfume doce e intenso.

Além da beleza, a florada é um lembrete da importância dos polinizadores. Abelhas e marimbondos, ao buscarem néctar, transportam grãos de pólen de uma flor para outra, promovendo a fertilização. “Esses insetos contribuem não apenas para a qualidade e quantidade dos grãos, mas também para a biodiversidade local”, explica Harumi. “Eles são fundamentais para a polinização cruzada e até mesmo para a autopolinização, fortalecendo a robustez genética do cafezal.”

Durante a florada, o Instituto também realiza pesquisas para identificar quais espécies de polinizadores atuam no cafezal e de que forma contribuem para a produção. Segundo Harumi Hojo, abelhas nativas têm papel fundamental nesse processo, pois ajudam a uniformizar o tamanho dos frutos e aumentar seu teor de doçura. Para isso, os pesquisadores utilizam redes entomológicas e armadilhas coloridas – em tons de branco, amarelo e azul – com uma solução de água e sabão que atrai os insetos sem causar impacto significativo ao ambiente.

O Instituto Biológico mantém cerca de 2.200 pés de café em uma área de 10 mil m², abrigando seis variedades, entre elas o bourbon amarelo, mundo novo e catuaí. Criado na década de 1950 para pesquisas sobre doenças e pragas em cafezais, o espaço hoje é também um ponto turístico, educativo e cultural.

Anualmente, o IB realiza o evento Sabor da Colheita, que já soma mais de 17 edições e celebra o ciclo do café, aproximando o público urbano das origens do grão. As visitas ao cafezal são gratuitas e devem ser agendadas via formulário disponível no Instagram @cafezalurbanoib.

*Com informações da Agência de Notícias do Governo de São Paulo



Source link

News

Sistema completa 15 anos de transparência no mercado do algodão



Nesta semana, em que se comemora o Dia do Algodão, o setor celebra também os 15 anos do Sistema de Informações de Negócios com Algodão em Pluma (SINAP). Mantido pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), o sistema se consolidou como uma das principais ferramentas de transparência e cooperação do agronegócio brasileiro.

A plataforma, que reúne dados estratégicos sobre a comercialização da fibra, permite que produtores, corretoras e indústrias acompanhem em tempo real o desempenho do mercado. Segundo Cesar Henrique Bernardes Costa, diretor-geral da BBM, o sucesso do SINAP está diretamente ligado à união entre as entidades do setor.

“A parceria entre as principais entidades do algodão garantiu credibilidade e informações em tempo real”, afirma. Ao longo de 15 anos, o sistema se manteve como exemplo de sucesso e colaboração, com destaque para o papel das corretoras associadas à BBM, responsáveis por registrar os negócios e alimentar a base de dados.

Transparência e segurança nas operações

O SINAP é abastecido diariamente por corretoras de algodão e garante segurança jurídica por meio da digitalização dos contratos, uso de assinaturas eletrônicas e atuação da Câmara Arbitral da BBM. De outubro de 2010 a setembro de 2025, o SINAP registrou quase 50 mil contratos de compra e venda de algodão, somando cerca de 20 milhões de toneladas.

“O sistema consolida e divulga dados de negócios, promovendo transparência e confiança entre os agentes do mercado”, destaca Costa. Além disso, a base de usuários inclui mais de 2 mil agentes cadastrados, entre produtores, cooperativas, indústrias, exportadores e corretoras de mercadorias.

Exemplo de cooperação no agronegócio

Além de ser referência em comercialização, o SINAP se tornou um modelo de integração setorial. “O sistema mostra como a cooperação entre entidades gera eficiência e competitividade, é um verdadeiro termômetro do mercado”, avalia o diretor-geral da BBM.

Para Costa, neste sentido, o modelo pode inspirar outros segmentos do agronegócio a desenvolverem ferramentas próprias de inteligência de mercado.

Próximos passos: expansão e digitalização

De olho no futuro, a Bolsa Brasileira de Mercadorias pretende expandir o modelo do SINAP. Costa explica que a meta é levar a experiência, que hoje é consolidada no algodão, para seus subprodutos e outras commodities, como soja, milho e arroz, além do café, mercado em que a BBM já atua.

“Com o novo sistema SINAG, criado para atender outros produtos — totalmente eletrônico e certificado —, estamos preparados para um ambiente digital cada vez mais integrado, ágil e global”, conclui.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Grande oferta de trigo pressiona preços no Sul do país


A ampla disponibilidade de trigo no mercado gaúcho tem pressionado as cotações do cereal nesta semana. Segundo informações da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul enfrenta forte desequilíbrio entre oferta e demanda, com mais de 2,5 milhões de toneladas ainda disponíveis, o que explica a contínua queda dos preços pagos aos produtores.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, as lavouras gaúchas seguem em boas condições, com 58% das áreas em enchimento de grãos e 18% em maturação fisiológica. O potencial produtivo é considerado elevado, podendo superar 3.900 kg/ha nas áreas de maior tecnificação. Entretanto, o excesso de chuvas e as geadas durante o perfilhamento afetaram parte dos cultivos, reduzindo o número de espigas por metro quadrado em algumas regiões. A colheita ainda é incipiente, alcançando menos de 1% da área total cultivada.

No mercado, cerca de 140 mil toneladas da nova safra já foram comercializadas, sendo 90 mil destinadas à exportação — número bem abaixo da média histórica de 350 mil toneladas para este período. Com moinhos locais e de outros estados pouco ativos, produtores têm recorrido ao porto de Rio Grande, onde negócios ocorrem a R$ 1.160,00 sobre rodas, equivalendo a cerca de R$ 1.000,00 no interior. Os preços “de pedra” seguem em queda, variando entre R$ 61,00 e R$ 64,00 por saca nas principais praças do estado.

Em Santa Catarina, a colheita começa lentamente, mas ainda sem volume significativo de vendas. Os preços caíram para R$ 62,00–72,25 por saca, enquanto os moinhos seguem abastecendo-se com trigo de outras regiões. Já no Paraná, com mais de 60% da área colhida, a demanda começa a reagir, elevando levemente os preços — entre R$ 1.220,00 e R$ 1.280,00 a tonelada, conforme o Cepea. O cenário reforça a tendência de curto prazo: o excesso de oferta no Sul mantém pressão sobre os preços internos, mesmo diante de boas perspectivas de produtividade.

 





Source link