A correlação entre o mercado de petróleo e os óleos vegetais segue dando suporte ao complexo soja, segundo análise do Itaú BBA. Com a alta do petróleo, cresce a expectativa de maior demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, o que tem sustentado principalmente o óleo de soja no mercado internacional. Esse movimento também impacta o farelo, já que as margens de esmagamento influenciam diretamente a relação de preços entre os derivados.
Atualmente, a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil é de 15%. Embora o aumento para 16% estivesse previsto no cronograma de biocombustíveis para março, a medida não foi implementada. Diante da recente alta do petróleo e do diesel, o setor passou a defender a elevação para 17%, como forma de conter a pressão sobre os preços dos combustíveis.
Nos últimos meses, as margens de esmagamento de soja no Brasil e nos Estados Unidos permaneceram em níveis elevados. O movimento é sustentado pela combinação de grão relativamente mais barato e valorização dos derivados, especialmente do óleo, o que mantém a participação do óleo no valor total do processamento acima da média histórica.
No Brasil, a ampla oferta de soja durante a safra também reforça a competitividade da indústria de esmagamento. Para os próximos meses, a manutenção dessas margens dependerá da evolução da demanda por derivados, principalmente o óleo, e do comportamento dos preços da soja, em um cenário ainda marcado pela volatilidade dos mercados de energia.
A colheita do feijão da primeira safra no Rio Grande do Sul registra avanço, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar. Segundo o levantamento, ainda restam áreas mais extensivas no Nordeste do estado, onde está concentrada parte significativa das lavouras em plantio tardio.
De acordo com o relatório, “a cultura apresenta avanço significativo da colheita, restando lavouras mais extensivas no Nordeste do Estado, onde se cultiva 43% da área estadual em plantio tardio, em período próximo da segunda safra nas demais regiões produtoras”. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares para o feijão da primeira safra, com produtividade média estimada em 1.781 quilos por hectare.
Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, 42% das lavouras já foram colhidas, enquanto 50% estão em maturação. A produtividade registrada se aproxima de 2.000 quilos por hectare, abaixo da expectativa inicial. Segundo o informativo, a redução está associada ao período prolongado de restrição hídrica e às altas temperaturas, que afetaram o desenvolvimento das plantas, resultando em abortamento de flores, menor porte e redução do número de vagens por planta.
No caso do feijão da segunda safra, a maior parte das lavouras está em fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Até o momento, 4% da área foi colhida e 11% está em maturação. O avanço do ciclo ocorre de forma relativamente homogênea, com maior presença das lavouras nas fases de desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, refletindo o calendário mais tardio dessa safra.
Segundo a Emater/RS-Ascar, “as precipitações no período contribuíram para a manutenção do potencial produtivo nas áreas em fases fenológicas críticas, ainda que a irregularidade na distribuição tenha limitado o crescimento em parte das lavouras”. Para a segunda safra, a projeção é de área cultivada de 7.774 hectares e produtividade média de 1.504 quilos por hectare.
O relatório aponta ainda que o quadro fitossanitário permanece estável, com baixa incidência de pragas e doenças na maior parte das áreas monitoradas.
Na regional de Erechim, predominam as fases de desenvolvimento vegetativo e floração, além de áreas em enchimento de grãos. Uma parcela inferior a 1% das lavouras já foi colhida, e a produtividade estimada é de 1.681 quilos por hectare. Na regional de Ijuí, as lavouras estão distribuídas entre desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, com a colheita ainda em estágio inicial.
Na região de Santa Maria, os cultivos apresentam resposta positiva às chuvas registradas no período, com confirmação dos rendimentos iniciais nas áreas já colhidas. Em Soledade, as precipitações favoreceram a recuperação parcial do desenvolvimento das lavouras, embora a restrição hídrica anterior tenha reduzido o ritmo de crescimento das plantas. Segundo o informativo, “há registro de ocorrência de ácaros e tripes, cuja incidência tem sido favorecida pelas condições de tempo seco”.
A intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de fertilizantes e evidenciou a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados. Atualmente, até 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, fator que amplia a exposição do produtor rural às oscilações geopolíticas e à alta de preços.
O cenário já impacta os custos de produção no campo e reforça a busca por alternativas capazes de reduzir essa dependência. Nesse contexto, empresas do setor têm ampliado investimentos em tecnologias voltadas à nutrição e à saúde do solo, como os biofertilizantes.
Entre elas está a Ambios, empresa mato-grossense da Natter, que atua no desenvolvimento de soluções voltadas à eficiência produtiva e ao manejo do solo. Segundo o CEO da Natter, Rafael Bortoli, o atual cenário reforça a necessidade de mudanças na gestão nutricional das lavouras.
“Diante da instabilidade e da pressão sobre fertilizantes convencionais, o produtor precisa olhar para dentro da porteira. Eficiência no uso de nutrientes e saúde do solo deixam de ser diferencial e passam a ser estratégia para sustentar produtividade e reduzir riscos”, afirma.
Entre as tecnologias desenvolvidas pela Ambios está o Ingrow, recentemente classificado como biofertilizante. O produto é formulado a partir de coprodutos de peixe de água doce e propõe uma abordagem voltada ao metabolismo vegetal.
De acordo com a empresa, a nova geração de biofertilizantes busca atuar além do fornecimento de nutrientes, estimulando processos fisiológicos que ampliam a eficiência das culturas. Ensaios técnicos conduzidos em diferentes regiões indicam incrementos médios a partir de cinco sacas por hectare em culturas como soja, milho e algodão.
Para o gerente de pesquisa e desenvolvimento de mercado da Ambios, Denis Matos, o avanço está na mudança de enfoque na nutrição das plantas. “O metabolismo passa a ser o centro da estratégia. Ao ativar esses processos, a planta aproveita melhor os recursos disponíveis e sustenta eficiência produtiva, mesmo em condições de estresse”, diz.
Segundo o diretor comercial da Ambios, Sandro Fernandes, o objetivo é gerar resultados práticos nas lavouras. “Não se trata apenas de fornecer nutrientes. Quando ativamos essas rotas fisiológicas, a planta responde com mais eficiência, e isso se traduz em ganho real para o produtor”, afirma.
O diretor industrial da Ambios, Nilton Ribeiro, destaca que o biofertilizante foi desenvolvido para se integrar ao manejo já adotado nas propriedades rurais. “Não há restrições de mistura e a aplicação pode ser feita via sulco de plantio ou foliar, sem gerar complexidade ao produtor”, destaca.
Segundo a empresa, ao utilizar coprodutos da cadeia do pescado na formulação de insumos agrícolas, a Ambios busca ampliar o uso de princípios de economia circular no setor, conectando sustentabilidade e eficiência produtiva em um contexto em que o agronegócio busca reduzir custos, aumentar a previsibilidade e otimizar o uso de recursos naturais.
O governo federal deve anunciar, nesta terça-feira (31), uma medida provisória para conter a alta do diesel no país, em meio à guerra no Oriente Médio e às oscilações no preço do petróleo. Em março, o combustível soma valorização de 13% nos postos brasileiros.
Discutida na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), na semana passada, a medida surge como alternativa à desoneração do ICMS, considerada inviável do ponto de vista técnico.
Nesse contexto, a proposta prevê a concessão de um subsídio direto ao combustível, com divisão de custos entre a União e os estados.
A proposta do Ministério da Fazenda prevê uma subvenção econômica de R$ 1,20 por litro de óleo diesel. Desse total, R$ 0,60 seriam pagos pela União e R$ 0,60 pelos estados e pelo Distrito Federal, mediante adesão voluntária.
O modelo busca reduzir o impacto da volatilidade internacional dos preços sobre o consumidor final e, ao mesmo tempo, garantir o abastecimento no mercado interno.
Na prática, o subsídio seria direcionado aos importadores de diesel, o que tende a aumentar a oferta do produto no país e ajudar a segurar os preços.
Durante as discussões do Confaz, parte dos estados sinalizou adesão à proposta. Já outros governos regionais pediram mais prazo para análise interna, com expectativa de definição que se encerrou na última segunda-feira (30).
A implementação do subsídio depende da edição de uma medida provisória pelo governo federal. A partir disso, será aberto um prazo de dois meses para adesão dos estados.
A colheita de soja no Brasil atingiu 74,3% da área total, segundo o mais recente boletim da Companhia Nacional de Abastecimento. O número representa um avanço de 9,7% em relação à semana anterior, quando os trabalhos estavam em 67,7%.
Na comparação com a média dos últimos cinco anos, de 72,4%, o ritmo atual está 2,6% acima, indicando um desempenho levemente superior ao padrão histórico.
Por outro lado, em relação ao mesmo período do ano passado, quando a colheita atingia 81,4%, o Brasil apresenta um atraso de 8,7%, evidenciando uma diferença mais significativa no andamento dos trabalhos.
Por outro lado, na comparação anual, o atraso ainda é relevante: no mesmo período do ano passado, a colheita já alcançava 81,4%, o que coloca o atual ciclo 7,1 pontos percentuais atrás.
Colheita de soja no Brasil
Regionalmente, o avanço da colheita segue bastante desigual. Mato Grosso lidera com 98% da área já colhida, praticamente encerrando os trabalhos, seguido por Mato Grosso do Sul e Goiás, ambos com 89%. No Paraná, a colheita chega a 82%, enquanto São Paulo registra 75% e Minas Gerais 74%.
Na região do Matopiba, os índices são mais moderados. Tocantins aparece com 73%, Bahia com 60%, Piauí com 50% e Maranhão com 40%. Já no Sul do país, o ritmo é mais lento, com Santa Catarina em 37% e o Rio Grande do Sul com apenas 22% da área colhida.
O cenário reflete o impacto das condições climáticas ao longo do ciclo, que seguem influenciando o ritmo das operações no campo. Embora o Brasil esteja levemente à frente da média histórica, o atraso em relação ao ano passado ainda exige atenção nas próximas semanas.
O Rio Grande do Sul realizou, na última sexta-feira (27), a primeira exportação de carne bovina com osso para o Chile. A operação ocorre cinco anos após a suspensão da vacinação contra a febre aftosa e marca a entrada do estado em um mercado com exigências sanitárias mais rigorosas.
O envio foi apresentado durante um encontro na embaixada do Brasil em Santiago, no Chile. A autorização para exportação de carne com osso é concedida apenas a regiões reconhecidas como livres de febre aftosa sem vacinação.
Até então, o Chile já importava carne bovina do Rio Grande do Sul, mas não permitia a entrada de produtos com osso devido às restrições sanitárias.
A comitiva brasileira que esteve no país incluiu representantes do setor produtivo e autoridades. O primeiro vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gedeão Pereira, destacou que a autorização foi concedida exclusivamente ao estado entre os países do Mercosul.
“O Chile autorizou apenas o estado do Rio Grande do Sul a exportar carne com osso e miúdos bovinos para o país”, afirmou.
Operação e habilitação de plantas
A primeira carga foi enviada pela Minerva Foods, a partir da unidade de Alegrete, segundo informações do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Rio Grande do Sul (Sicadergs).
Atualmente, três plantas da empresa no estado estão habilitadas para esse tipo de exportação. A expectativa é de que outros frigoríficos também obtenham autorização nos próximos meses, como o frigorífico Silva, em Santa Maria.
A abertura do mercado chileno passa a integrar a estratégia do setor para ampliar o acesso a países que exigem o status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação.
Entre os mercados considerados estão Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.
O embaixador do Brasil no Chile, Paulo Pacheco, afirmou que o país pode servir como plataforma para ampliação das exportações.
“O Chile possui acordos de livre comércio que alcançam cerca de 80% do PIB mundial”, disse.
Defesa sanitária
Para manter o novo status sanitário, o sistema de defesa animal do estado passa por ajustes.
O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa-RS) atualizou critérios e valores de arrecadação, com vigência a partir de 1º de abril de 2026.
A medida segue a Lei Estadual nº 16.428/25 e tem como objetivo ampliar a capacidade de resposta a eventuais ocorrências sanitárias e manter as exigências dos mercados internacionais.
A precariedade da rodovia MT-240, em Paranatinga, no interior de Mato Grosso, tem imposto sérios prejuízos ao agronegócio local. Em um trecho de cerca de 40 quilômetros, caminhoneiros e produtores enfrentam atoleiros constantes, longas filas e dificuldades extremas de tráfego, comprometendo diretamente o escoamento da produção de soja.
Com trechos praticamente intransitáveis, o transporte da safra ficou travado. Caminhoneiros relatam jornadas paradas por dias, sem conseguir avançar. Há casos de motoristas que chegam ao local à tarde e permanecem até o dia seguinte sem sair do lugar, presos no barro e aguardando ajuda.
A situação se agrava com as chuvas, que tornam o solo ainda mais instável. Sem estrutura adequada, muitos caminhões não conseguem tração e acabam atolando repetidamente ao longo do trajeto. Em alguns casos, veículos precisam ser resgatados mais de uma vez em poucos quilômetros, o que gera desgaste mecânico, prejuízos com manutenção e atrasos nas entregas. “Muitas noites a gente dorme aqui. Cheguei 3 horas da tarde ontem e agora já é hora do almoço e continuo parado. Isso acontece frequentemente. Não tem tração e o barro é muito”, relata o caminhoneiro Valter José da Silva.
Mesmo quando conseguem sair de um ponto crítico, o problema se repete poucos metros adiante. “Só troquei de lugar. Saí de um ponto e já parei em outro de novo”, afirmou outro motorista.
Além dos caminhoneiros, os produtores rurais também enfrentam impactos diretos. Com a dificuldade de acesso, parte da safra permanece no campo, já em estágio avançado de colheita. A impossibilidade de retirar a produção aumenta o risco de perdas em produtividade e qualidade dos grãos.
Produtores da região relatam que áreas inteiras ainda não foram colhidas por falta de caminhões disponíveis, já que muitos veículos estão presos na estrada. Em alguns casos, as perdas podem atingir centenas de hectares caso a situação persista.
Entre os afetados está o agricultor Heliton, que ainda precisa colher cerca de 800 hectares de um total de 1.800 cultivados nesta safra. Segundo ele, o cenário já compromete a produção. “Não conseguimos colher. Já estamos com risco de perder soja. Os caminhões ficam até três dias atolados ou na fila para serem puxados”, disse.
Mesmo com melhora no clima e previsão de sol, a colheita segue travada. “Não adianta o tempo abrir se não tem caminhão. Está tudo parado. Já estamos começando a calcular perdas”, afirmou. A estimativa é de prejuízo relevante: “Se continuar assim, podemos perder pelo menos 500 hectares”.
Em alguns pontos, a situação é tão crítica que propriedades rurais passaram a ser utilizadas como desvio improvisado. Caminhões atravessam lavouras para contornar os trechos mais danificados, causando ainda mais prejuízos. “Estão passando por cima da lavoura, virou estrada. A gente investe no solo e está vendo tudo ser destruído”, relatou um produtor, que já projeta perdas de cerca de 15%.
Além dos danos à produção, o impacto financeiro é direto. Com custos como arrendamento, estimado em cerca de 10 sacas por hectare, muitos produtores afirmam que não conseguirão sequer cobrir as despesas nesta safra.
A precariedade da rodovia também afasta transportadores. “Quem vai colocar caminhão aqui para estragar tudo? Ninguém vem”, afirmou um produtor. A dificuldade de acesso, agravada pela largura limitada da estrada, compromete inclusive ações de manutenção e atendimento emergencial.
Produtores reforçam que o problema é antigo e já foi alvo de ações junto ao Ministério Público. “Não é novidade. A gente quer saber quando isso vai acabar e qual é a solução. Chega um ponto em que não há mais viabilidade: não conseguimos trafegar, nem retirar a produção da lavoura”, concluiu.
As condições das pastagens no Rio Grande do Sul apresentaram melhora em diversas regiões após o retorno das chuvas, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na última quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar. O relatório aponta avanços no preparo do solo e no início da implantação de pastagens de inverno, além da recuperação gradual da oferta de forragem em diferentes sistemas produtivos.
Na região administrativa de Bagé, nos municípios de Hulha Negra e Bagé, alguns produtores concluíram ainda em março o preparo do solo para a implantação de pastagens de aveia após as chuvas, com o objetivo de reduzir o vazio forrageiro do outono. Segundo o informativo, a semeadura em solo seco pode resultar em perda de vigor e redução do estande de plantas, além de dificultar a definição do início do pastejo e favorecer a infestação de plantas daninhas.
Na regional de Caxias do Sul, o clima favoreceu a rebrota e o desenvolvimento das forrageiras, garantindo alimento para os bovinos. Parte dos produtores iniciou a implantação das pastagens anuais de inverno para reduzir o vazio forrageiro típico da estação. O relatório aponta ainda que as pastagens perenes têm garantido matéria seca de qualidade nos sistemas baseados em pasto, enquanto os campos nativos, utilizados na criação de bovinos de corte, apresentam maior fibrosidade, com redução da qualidade nutricional, mas permitem o acúmulo de forragem para uso durante o inverno com suplementação.
Na região de Passo Fundo, a recuperação da umidade no solo e as temperaturas elevadas mantiveram a rebrota das pastagens e a oferta de alimentos volumosos, mesmo com a proximidade do fim do ciclo das forrageiras anuais de verão. De acordo com o levantamento, nesses materiais também é observada redução da qualidade nutricional e da palatabilidade, o que exige monitoramento do consumo e ajustes no manejo alimentar dos animais.
Na regional de Erechim, a oferta de forragem de verão e de campo nativo permanece satisfatória na maior parte da área acompanhada. O uso de silagem de milho, trigo e cevada continua sendo adotado principalmente para fornecimento de volumoso e complementação energética das dietas.
Em Ijuí, foi iniciada a semeadura das forrageiras anuais de inverno, com destaque para a aveia branca. As primeiras áreas semeadas apresentam início de emergência. As pastagens anuais de verão têm sido eliminadas para a implantação das pastagens de inverno, enquanto as forrageiras perenes de verão ainda apresentam boa produção de massa verde, embora com redução da qualidade.
Na regional de Pelotas, em Pinheiro Machado, o retorno das chuvas após um período de estiagem deve favorecer a rebrota das pastagens nativas e permitir o início do plantio de pastagens de inverno. Já em Jaguarão, os campos nativos apresentam rebrota e os produtores iniciaram a implantação de pastagens, com emergência da ressemeadura do ciclo anterior em diversas áreas. Em propriedades que utilizam restevas de soja para formação de pastagens, a semeadura de azevém está sendo realizada com apoio de avião ou drone, devido ao estágio de maturação da soja.
Na região de Porto Alegre, as pastagens de verão permanecem em desenvolvimento vegetativo. As chuvas registradas nos últimos dias contribuíram para manter a umidade do solo e favorecer o crescimento das áreas de pastagem. Parte dos produtores também iniciou o preparo do solo para implantação das pastagens de inverno.
Em Santa Maria, as precipitações garantiram a continuidade do desenvolvimento do campo nativo e das pastagens perenes, com áreas de Tifton apresentando taxa elevada de crescimento.
Na regional de Santa Rosa, as chuvas registradas no final de semana favoreceram as pastagens cultivadas de verão, promovendo nova rebrota e recuperação do vigor das plantas. Produtores aproveitaram a umidade para realizar adubação nitrogenada, o que deve acelerar a recuperação da massa verde e melhorar a qualidade nutricional do pasto no curto prazo. Nas áreas de campo nativo, as precipitações também estimularam a rebrota natural das espécies, ainda que em ritmo mais lento.
O relatório aponta ainda que produtores da região têm realizado a semeadura de aveia para cobertura do solo, adubação verde e pastejo de inverno, além da organização para implantação de trigo de duplo propósito, voltado à produção de leite a pasto e posterior produção de silagem. Mesmo com a melhora das condições das pastagens, persistem desafios fitossanitários, principalmente em áreas de Tifton, onde foram registrados ataques de lagartas e cigarrinhas, exigindo aplicações de inseticidas químicos e biológicos e aumentando os custos de produção.
Na regional de Soledade, chuvas de volumes variados registradas no período favoreceram a rebrota das pastagens anuais e perenes de verão, além das áreas de campo nativo, ampliando a oferta de forragem para os rebanhos.
O Chile decidiu suspender temporariamente as exportações de produtos avícolas após a confirmação de um caso de gripe aviária em um plantel industrial de postura. A ocorrência, considerada inédita no país nesse tipo de sistema produtivo, foi registrada na comuna de Talagante, na região metropolitana.
Até então, os casos da doença no Chile estavam restritos a aves silvestres e criações de fundo de quintal. A identificação em uma unidade comercial acendeu o alerta das autoridades sanitárias e levou à adoção imediata de medidas de contenção.
Medidas adotadas e abastecimento interno
O país notificou oficialmente a Organização Mundial de Sanidade Animal (OMS) e ativou protocolos sanitários para controlar e erradicar o foco da doença. Entre as ações estão o monitoramento da área afetada, restrições de movimentação e medidas para evitar a disseminação do vírus.
Apesar da suspensão das exportações, o Serviço Agrícola e Pecuário do Chile informou que o abastecimento interno de carne de frango e ovos segue garantido. A medida tem caráter preventivo e busca preservar a sanidade do plantel nacional, além de manter a confiança dos mercados internacionais.
A transformação digital chegou de vez ao campo. E não foi pela porteira, foi pela fiscalização.
O Imposto de Renda 2026 muda a lógica para o produtor rural. O que antes era ajustado depois, agora é acompanhado em tempo real. A Receita Federal cruza dados automaticamente, e isso transforma a organização financeira em um fator decisivo.
Não é mais uma questão burocrática. É gestão do negócio. O erro que antes passava despercebido agora aparece no sistema.
O que muda do IR 2024 para o IR 2026
As alterações trazem ajustes importantes, mas o principal impacto está na forma como os dados são monitorados.
O limite de obrigatoriedade subiu de R$ 153.270,30 para R$ 177.920,00 em receita bruta anual. Na prática, pequenos produtores ganharam mais fôlego antes de precisar declarar.
Já o limite de bens e direitos passou de R$ 600 mil para R$ 800 mil, acompanhando a valorização de terras e máquinas agrícolas.
A faixa de isenção mensal também aumentou, de R$ 2.112,00 para R$ 2.824,00, o que reduz a carga tributária para quem possui outras fontes de renda, como aposentadoria ou aluguel.
Mas a mudança mais relevante não está nos valores. Está no controle.
A declaração pré-preenchida deixa de ser opcional e passa a ocupar papel central. Isso porque a Receita já recebe automaticamente informações por meio da Nota Fiscal de Produtor Eletrônica (NFP-e).
Na prática, o sistema já sabe o que foi vendido. O risco de erro manual ficou maior.
Faturamento não é lucro
O aumento do limite de obrigatoriedade pode dar uma falsa sensação de alívio.
Com custos mais altos e preços elevados, atingir esse faturamento ficou mais fácil. Mas existe um ponto que muitos ignoram: faturamento não é lucro.
É possível vender R$ 180 mil e gastar mais do que isso para produzir. Ainda assim, a obrigação de declarar permanece.
E, em muitos casos, declarar prejuízo pode ser a melhor estratégia, permitindo compensações nos anos seguintes.
O Fisco não faz essa distinção automaticamente.
Fiscalização em tempo real
A forma de fiscalização também mudou de patamar.
A NFP-e já alimenta o sistema da Receita de forma automática. Não existe mais intervalo entre vender e ser monitorado.
O cruzamento de dados é imediato. Qualquer inconsistência aparece rapidamente.
O “Leão” não espera mais. Ele acompanha cada operação.
Parceria ou arrendamento: o novo foco da Receita
Entre os principais pontos de atenção para 2026 está a diferença entre contratos de parceria e arrendamento.
Durante anos, muitos produtores estruturaram contratos como parceria para reduzir a carga tributária, mesmo quando, na prática, funcionavam como aluguel fixo.
Agora, a Receita passou a analisar se existe divisão real de risco entre as partes.
Se não houver, a tributação muda, e pode mudar muito. A alíquota pode sair de cerca de 5,5% para até 27,5%. O que antes era comum virou alvo direto da fiscalização.
O campo virou empresa
Diante desse cenário, a lógica é clara: o campo virou empresa. O produtor que investe em controle financeiro pode se beneficiar, abatendo custos e melhorando sua eficiência tributária. Mas isso exige organização.
O Livro Caixa Digital (LCDPR) deixa de ser apenas obrigação e passa a ser ferramenta estratégica.
Quem entende seus números toma decisões melhores. Quem não entende, paga mais — muitas vezes sem perceber.
O fim do improviso
O IR Agro 2026 não é apenas uma atualização de regras. É uma mudança de mentalidade.
É o fim do improviso. Quem se organiza usa a informação a seu favor e paga o mínimo dentro da lei. Quem permanece no modelo antigo fica exposto.
Produzir bem continua essencial. Mas, agora, gerir bem é o que define quem permanece no jogo.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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