O governo federal divulgou nesta quarta-feira (15) a lista dos municípios cujos agricultores receberão, neste mês de abril, parcela do programa Garantia-Safra 2024-2025. A norma entra em vigor nesta quinta-feira (16).
Portaria publicada no Diário Oficial da União inclui agricultores familiares dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minhas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Veja aqui a lista completa.
O benefício, de R$ 1,2 mil, ocorrerá em parcela única. O pagamento começa ainda em abril e ocorre na mesma data do calendário do Bolsa Família.
O que é o Garantia-Safra
O Garantia-Safra é um programa de seguro destinado a pequenos agricultores com renda de até 1,5 salário-mínimo, que cultivam feijão, milho ou mandioca em áreas de 0,6 a 5 hectares e com o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e atualizado.
O pagamento é feito aos agricultores com perda comprovada de pelo menos 40% a 50% da produção, em razão do fenômeno da estiagem ou do excesso hídrico e que aderiram ao programa.
O benefício pode ser solicitado via aplicativo Caixa Tem, lotéricas ou agências da Caixa.
O Garantia-Safra é vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com a finalidade de assegurar condições mínimas de sobrevivência aos agricultores familiares cujas produções sejam sistematicamente afetadas por perdas decorrentes de estiagem ou excesso hídrico.
A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio já impacta o agronegócio do Rio Grande do Sul, segundo estudo técnico da Assessoria Econômica da Farsul. Em menos de dois meses, o barril de petróleo Brent subiu de US$ 70,99 para próximo de US$ 100, refletindo no aumento do diesel S10, que avançou 21,1% entre o fim de fevereiro e o início de abril de 2026, atingindo R$ 7,23 por litro. O movimento ocorre durante a colheita da safra de verão e o planejamento do plantio de inverno, com impacto estimado em R$ 612,2 milhões nos custos operacionais das principais culturas do estado.
De acordo com a entidade, o cenário representa uma mudança estrutural no mercado energético. O estudo aponta que a instabilidade envolvendo o Irã e as rotas no Estreito de Ormuz elevou custos logísticos e prêmios de risco. “O movimento reflete uma “reprecificação estrutural do risco energético global””, informa a análise.
O impacto varia entre as culturas, com o arroz sendo o mais afetado. O aumento do diesel representa um acréscimo de R$ 185,72 por hectare, equivalente à perda de 2,95 sacos por hectare. “O valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra”, aponta o relatório.
Na soja, o impacto individual é menor, estimado em R$ 48,74 por hectare ou 0,41 saco por hectare, mas o efeito agregado é maior devido à extensão da área cultivada, com prejuízo de R$ 331,2 milhões. Segundo a análise, em um cenário de margens reduzidas e endividamento elevado, pequenas variações podem comprometer o resultado financeiro dos produtores.
O levantamento também mostra diferenças regionais nos preços do combustível dentro do estado. Em Porto Alegre, o diesel é cotado a R$ 7,05 por litro, enquanto em Bagé chega a R$ 7,95, o que amplia a pressão de custos conforme a localização das propriedades.
As projeções indicam que o impacto pode se intensificar. Caso o diesel atinja R$ 8,00 por litro, o custo adicional ao agronegócio gaúcho pode chegar a R$ 986,3 milhões. Em um cenário de R$ 9,00 por litro, o prejuízo estimado sobe para R$ 1,47 bilhão.
O estudo também avalia medidas de política econômica e aponta limitações na adoção de desonerações fiscais amplas. Segundo a entidade, esse tipo de medida tende a ter baixa efetividade para o setor produtivo e pode comprometer as contas públicas, além de dificultar o controle da inflação e retardar a redução da taxa de juros.
A análise conclui que o diesel passou a ocupar papel central na estrutura de custos do agronegócio em 2026. Enquanto persistirem as tensões geopolíticas, a margem dos produtores deve seguir pressionada.
Ponte sobre o Rio São Francisco que liga as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) é marco simbólico que representa o desenvolvimento regional do Vale | Foto: Felipe Pires/Marca Comunicação
Com o propósito de integrar as forças produtivas que margeiam o Rio São Francisco, foi lançada oficialmente, em Juazeiro (BA), a Barra AgroShow 2026. O evento, ocorrido no Centro de Excelência em Fruticultura nesta quarta-feira (15), deu a largada para a segunda edição da feira, que se posiciona como um elo estratégico para o crescimento tecnológico e econômico do setor produtivo regional.
A Barra AgroShow — que surgiu em 2024 e teve sua estreia oficial em 2025 — foi apresentada a lideranças, investidores e produtores rurais do Vale do São Francisco após um primeiro ano de sucesso absoluto, quando movimentou R$ 32 milhões em negócios e atraiu 12 mil visitantes. Para a edição de 2026, a “Fronteira Agrícola do Brasil” projeta uma estrutura ainda mais robusta entre os dias 19 e 22 de agosto:
Novos espaços dedicados à inovação, crédito rural e tecnologia aplicada;
Crescimento de 18% na área total;
Expansão para 125 expositores;
Novos espaços dedicados à inovação, crédito rural e tecnologia aplicada.
O salto do Médio São Francisco
Sediada em Barra, no coração do Polo Agroindustrial e Bioenergético, a feira destaca o potencial de uma região que possui mais de 1,4 milhão de hectares agricultáveis.
Com condições naturais privilegiadas, o Médio São Francisco já apresenta índices de produtividade que chegam a ser o dobro da média nacional, impulsionando a fruticultura premium voltada à exportação, a produção sustentável de grãos e a agropecuária.
Destaques da edição 2026
Durante o lançamento no Centro de Excelência, foram detalhadas as novidades para 2026. Além da fruticultura de alta qualidade, a feira terá uma programação técnica com palestras e visitas de campo, além de espaços para as Mulheres do Agro e Agricultura Familiar.
No setor de tecnologia, o destaque será a pecuária de corte com genética de alta performance, energia solar, irrigação de precisão e novas linhas de crédito rural.
Marco Caviola, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barra e da Barra AgroShow falou sobre a região e as novidades da feira em 2026. | Foto: Guilherme Soares/Marca Comunicação
“A Barra AgroShow nasceu para ser catalisadora de crescimento. O evento em Juazeiro hoje foi o primeiro passo para unirmos o capital e a tecnologia do Vale ao potencial expansivo do Médio São Francisco, criando uma conexão sem precedentes através desta segunda edição”, destacou Marco Caviola, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Barra (SPRBarra) e da Barra AgroShow.
Além de Caviola, participaram da mesa de honra lideranças fundamentais para o setor: Josival Barbosa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Juazeiro; Jailson Lira, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina; Guilherme Coelho, presidente do Conselho de Administração da Embrapa e ex-presidente da Abrafrutas; e Télio Nobre, reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
Os convidados também destacaram o alinhamento entre a representação sindical, o setor produtivo e o meio acadêmico em prol do desenvolvimento regional.
“Nossa expectativa é poder contribuir com a feira, que compreendemos ser um importante espaço para integração entre nossos pesquisadores, estudantes e tudo o que é desenvolvido na universidade com os produtores”, disse o reitor da Univasf, Télio Nobre.
Anfitrião do evento, Murilo Alencar, diretor do Centro de Excelência de Fruticultura de Juazeiro, destacou o apoio da Faeb em eventos que promovem o desenvolvimento e capacitação do setor:
“O Senar com sua natureza educacional estimula e incentiva a formação e qualificação profissional, a assistência técnica e gerencial e nesse sentido estamos à disposição para potencializar esse grande evento que movimenta as diferentes cadeias produtivas do agro na Bahia”, destacou.
Também estiveram presentes, Tércio Tolentino, secretário da Agência de Desenvolvimento Econômico Emprego e Renda de Juazeiro, João Tosta, engenheiro agrônomo da 6ª Superintendência da Codevasf; Fran Terto, produtora rural e representante do Faeb Mulher no Vale; além de representantes do SineBahia e de empresas como Green Light e Grand Valle.
O aumento de 21,1% no preço do diesel S10 no Rio Grande do Sul desde o início do conflito no Oriente Médio deve implicar custo adicional direto de R$ 612,2 milhões nas operações mecânicas das principais lavouras do estado.
A análise consta em estudo técnico divulgado pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O diesel S10 passou de R$ 5,97 por litro em 27 de fevereiro para R$ 7,23 por litro em 10 de abril, período em que o barril de petróleo Brent subiu de US$ 70,99 para cerca de US$ 97,30, alta de 37%.
O estudo avalia que o movimento vai além de uma oscilação pontual. “O diesel deixou de ser apenas um insumo operacional e passou a configurar um dos principais vetores de risco econômico para o agronegócio gaúcho em 2026”, afirma a Farsul no relatório.
O choque coincide com a colheita da safra de verão 2025/26 e com a definição do plantio de inverno, período de elevada demanda por operações mecanizadas, o que amplifica seus efeitos sobre as decisões produtivas.
Impacto que varia entre as culturas
O impacto varia de forma significativa entre as culturas. O arroz apresenta o maior custo adicional por hectare, de R$ 185,72, o equivalente a 2,95 sacos por hectare. O relatório alerta que “o valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra.”
A soja registra o menor impacto individual, de R$ 48,74 por hectare, ou 0,41 saco por hectare, mas concentra o maior prejuízo agregado ao estado, de R$ 331,2 milhões, em razão da ampla área cultivada. O milho apresenta acréscimo de R$ 69,01 por hectare, equivalente a 1,21 saco por hectare, e o trigo, de R$ 43,68 por hectare, ou 0,73 saco por hectare.
Para a soja, o estudo chama atenção para o contexto de margens operacionais estreitas e endividamento elevado no campo gaúcho. “A perda de meio saco por hectare pode ser a diferença entre honrar compromissos financeiros ou não”, aponta o relatório.
O milho e o trigo combinam aumento de custos com margens já pressionadas, reduzindo a capacidade de absorção do choque.
A dispersão dos preços dentro do estado adiciona outra camada de complexidade. Na amostra de 35 municípios levantada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S10 variava de R$ 7,05 por litro em Porto Alegre a R$ 7,95 por litro em Bagé, amplitude de R$ 0,90 por litro.
Vinte e oito municípios já registravam valores acima de R$ 7,20 por litro e 24 acima de R$ 7,30 por litro, indicando que a faixa superior de preços não é pontual.
Possíveis cenários
Os cenários de estresse mostram a sensibilidade do setor a novos aumentos. Se o diesel se estabilizar em R$ 8,00 por litro, o impacto no agronegócio gaúcho subiria para R$ 986,3 milhões. No cenário mais adverso, com o combustível a R$ 9,00 por litro, o prejuízo alcançaria R$ 1,47 bilhão.
O estudo é crítico em relação à eficácia de desonerações fiscais amplas como resposta ao choque.
Na avaliação da Farsul, o benefício tende a se diluir por toda a economia, com baixa efetividade para o setor produtivo que já incorporou a alta nos custos. Além disso, a renúncia fiscal poderia comprometer as contas públicas, dificultar o controle da inflação pelo Banco Central e postergar a queda da taxa Selic, agravando o custo financeiro para o produtor.
A economia do Pará fechou 2025 com desempenho de destaque no cenário nacional, registrando crescimento recebido de 4,51%, quase o dobro da média brasileira, que ficou em 2,29%, de acordo com dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), e com base no Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No 4º trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) do Pará somou R$ 69,2 bilhões, representando 2,1% da economia brasileira. Embora tenha havido uma variação negativa de 1,95% em relação ao trimestre anterior, o movimento é interpretado como um ajuste após períodos de forte expansão, especialmente em setores mais sensíveis a fatores sazonais, como a agropecuária e a indústria.
O resultado reflete a força e a consistência da economia paraense ao longo do ano, com avanço em todos os principais setores produtivos, consolidando o estado como um dos principais vetores de crescimento econômico do país.
Segundo o pesquisador da CEECR, da Fapespa, Rickson Oliveira, após um terceiro trimestre de expansão expressiva (7,85%), impulsionado pelos investimentos em infraestrutura e mobilidade para a COP30, o quarto trimestre apresentou uma acomodação natural, com recuo de 1,95% em relação ao trimestre anterior.
“Essa diferença entre o terceiro para o quarto trimestre foi influenciada por dois fatores principais: Agropecuária e Indústria. Os setores enfrentaram retrações de 10,53% e 7,41%, respectivamente, devido à irregularidade das chuvas e a baixa produção mineral. O setor de serviços atuou como amortecedor, no qual cresceu 3,22%, funcionando como um pilar de estabilidade”, destaca.
O pesquisador informa ainda que dentro deste segmento, a Administração Pública se destacou com alta de 6,64%, refletindo a continuidade dos investimentos públicos, enquanto atividades imobiliárias e outros serviços mantiveram o dinamismo de crescimento.
Destaques
A agropecuária foi um dos principais motores do crescimento, com alta de 11,13%, impulsionada por safras expressivas de milho e soja, favorecidas por condições climáticas positivas, além da valorização da pecuária.
A indústria também apresentou desempenho relevante, com crescimento de 3,26%, superando a média nacional. O resultado foi sustentado pela atividade extrativa mineral, além da contribuição da construção civil e da indústria de transformação.
Já o setor de serviços cresceu 3,78%, com expansão disseminada em diversas atividades. O comércio (5,90%) e outros serviços (5,78%) foram os principais destaques, reforçando o dinamismo do setor.
“Embora o quarto trimestre tenha trazido desafios sazonais e produtivos, o balanço final de 2025 é extremamente positivo. O Pará demonstra uma economia sólida e resiliente, reforçando a importância de políticas públicas que aproveitem esse momento de grandes investimentos para garantir o desenvolvimento de longo prazo”, destaca a técnica em Gestão de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Inovação da Fapespa, Thays Santos.
Economia diversificada e em expansão
O bom desempenho dos três grandes setores econômicos contribuiu para uma expansão de 4,79% no Valor Adicionado Bruto (VAB) do estado, índice que também superou com folga a média nacional.
Além disso, o Pará manteve relevância no cenário brasileiro, respondendo por 2,1% do PIB nacional no quarto trimestre e com forte participação em atividades estratégicas, como a agropecuária e a indústria extrativa.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou novas aberturas de mercado para três países: Vietnã, na Ásia; Angola, na África; e El Salvador, na América Central.
Para o mercado vietnamita, o Brasil começará a exportar pé e miúdos suínos. Em 2025, o país de aproximadamente 102 milhões de habitantes importou US$ 3,5 bilhões de produtos brasileiros, com destaque para milho, complexo soja, fibras e têxteis.
Já em Angola, a autorização sanitária é para a compra de oócitos ovinos e caprinos. De acordo com o Mapa, o acordo abre novas possibilidades no segmento da genética animal e deve contribuir para o melhoramento genético da pecuária angolana.
Em 2025, o país africano com população de aproximadamente 40 milhões importou mais de US$ 380 milhões em produtos agropecuários brasileiros.
El Salvador, por fim, autorizou a entrada de carne de frango termoprocessada brasileira. No ano passado, o país de cerca de 6,5 milhões de habitantes importou mais de US$ 103 milhões em produtos agropecuários nacionais.
Uma legislação que não acompanha os avanços da tecnologia. No caso da produção de fertilizantes e outros insumos, esse gargalo pode custar caro — para o produtor rural, durante as safras, e também para a população em geral, com o aumento da inflação.
Embora seja um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil é extremamente dependente da importação de adubos. Cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras brasileiras vêm de fora e, em meio a conflitos geopolíticos, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, essa deficiência fica mais clara.
De um lado, está a chegada de uma nova geração de produtos; de outro, a regulação de insumos no país, que data de 1980. Na avaliação de Leonardo Munhoz, advogado especializado em direito ambiental, a lei não evoluiu conforme as tecnologias avançaram ao longo do tempo.
“É uma lei boa, mas foi criada quando a característica dos fertilizantes era basicamente o componente mineral”, afirma. Já as novas tecnologias desenvolvidas são mais complexas e podem combinar nutrientes minerais com microrganismos e substâncias bioativas, criando um “limbo regulatório”.
Leonardo Munhoz é doutor em Direito Agroambiental e advogado no VBSO Advogados. Foto: Arquivo pessoal
Avanços que não saem do papel
Munhoz lembra que o Brasil conta com duas vertentes importantes: a Lei de Bioinsumos, sancionada em dezembro de 2024, e o Plano Nacional de Fertilizantes, aprovado em 2022 após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, dois importantes fornecedores de fertilizantes ao Brasil.
“Foi uma reação do Executivo, mas ficou muito no papel”, observa. Segundo ele, o novo conflito no Oriente Médio faz a questão voltar à tona. “Não houve avanço. Na prática, o país perdeu tempo”, afirma. Além dos conflitos geopolíticos, há o risco de restrições de exportação por parte de países fornecedores, como a China, que podem priorizar o mercado interno.
Apesar de reconhecer o avanço da legislação de bioinsumos — que regulamenta a produção, uso e comercialização de produtos de origem biológica —, o especialista faz ressalvas. “É positivo por ter uma lei específica de bioinsumos, única no mundo. Mas, ao separar em duas caixas, cria limitações”, diz.
Nesse sentido, Munhoz cita o exemplo da Europa, onde a classificação de fertilizantes considera tanto a composição quanto a finalidade, o que permite enquadrar produtos híbridos com mais flexibilidade. No Brasil, essa classificação é baseada na composição. “Quando ela se torna híbrida, o sistema não consegue responder bem”, observa.
Outros entraves ganham destaque
De acordo com Munhoz, são vários gargalos que impedem o Brasil de reduzir a dependência externa. “O país precisa enfrentar questões como licenciamento ambiental, abertura de minas, produção interna e um ambiente tributário mais favorável”, aponta.
Essa incerteza também afeta a segurança jurídica das empresas. Nesse contexto, o especialista cita patentes e registros. “Até que ponto uma nova tecnologia pode ser patenteada e registrada? O governo reconhece isso como um novo produto?”, questiona.
Sobre a questão tributária, ele diz que muitas vezes é mais vantajoso importar fertilizantes do que produzir internamente.
Recentemente, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) declarou ser “impossível” que o país se torne 100% independente das importações. Munhoz reforça que os bioinsumos e os híbridos surgem como alternativas ao fertilizante mineral, mas sem capacidade para substituição total. Nesse cenário, segundo ele, o gargalo da importação permanece.
“Portanto, é um cenário multifatorial, com vários gargalos que impedem o país de reduzir a dependência externa”, conclui.
Foto: Chitãozinho e Xororó | Créditos Gabriel Miqueleti
Uma nova história começou a ser escrita no universo do sertanejo raiz. No último domingo (12), em clima intimista e para convidados, Chitãozinho & Xororó gravaram o novo DVD ‘Meninos de Roça’, em Jaguariúna (SP), um projeto que marca o retorno às origens e à essência da dupla.
Durante o evento, os artistas destacaram que o trabalho revisita a própria trajetória. A ideia, segundo Xororó, surgiu no ano passado, a partir do desejo de levar para o audiovisual uma sonoridade mais raiz.
“Estamos aqui para apresentar um novo projeto, mas que, ao mesmo tempo, olha para trás. Evoluímos tanto, mas sentimos que era hora de voltar e revisitar nossas obras e canções que cantávamos desde a infância e adolescência. Quando recebemos essa música, nos apaixonamos. O Chitão pensou: pode ser o nome do projeto, e virou”, contou.
A gravação reuniu 19 faixas e foi aberta por “Meninos de Roça”, música que dá nome ao projeto e sintetiza sua proposta. Em versos, a canção retrata a história dos irmãos, a vida no campo e o incentivo do pai para que seguissem o sonho na música. Confira um trecho:
“Todo menino de roça Tem um mundo no quintal Faz das galinhas, boiada Caminhão de lata e cavalo de pau”
A decoração não foi construída por acaso. Um milharal ao fundo relembra as origens da dupla e reforça a conexão com a proposta do projeto. O cenário remete diretamente ao imaginário da infância, quando o simples ganhava proporções grandiosas e o sonho começava a tomar forma.
O DVD também traz participações especiais variadas, pensadas de forma estratégica. “Cada participação encaixa de um jeito diferente. Tem artistas mais antigos, outros mais jovens, e todos têm uma conexão com essa proposta”, explicou Xororó. Participam do projeto Samy Rico, Vanessa da Mata, Mayck & Lyan, Di Paullo & Paulino, Rio Negro & Solimões, Almir Sater, Matogrosso & Mathias e o grupo Traia Véia.
O cantor também falou sobre a continuidade da carreira. “Parar de cantar não é uma opção. Trabalhar menos, talvez. Mas queremos estar com saúde e continuar fazendo o que a gente ama”, disse.
A dupla ainda ressaltou uma mudança no comportamento do público. “Acho que o gênero não é mais tanto de festa e bebida. O sertanejo raiz vai estar sempre no coração do público, das famílias, dentro de casa. A gente sente que as pessoas estão com mais vontade de ouvir modão”, destacou Chitãozinho.
Um dos maiores exemplos desse legado é Evidências. “Quando a gente gravou, virou um sucesso e nunca mais paramos de cantar. Nosso repertório é repleto de músicas assim”, completou Xororó.
Mas não para por aí. O que trouxe a dupla até aqui é uma trajetória marcada por emoção, histórias vividas e uma conexão genuína com o público ao longo das décadas. Muito além de um repertório que embala karaokês e festas, Chitãozinho & Xororó construíram uma carreira sólida, baseada em canções que atravessam gerações e seguem presentes na memória afetiva dos fãs.
A trajetória começou ainda em 1970, com a gravação do primeiro disco, “Galopeira”. No entanto, o reconhecimento veio alguns anos depois, em 1978, com “60 Dias Apaixonados”, que garantiu à dupla o primeiro disco de ouro. O grande sucesso nacional se consolidou em 1982, com “Fio de Cabelo”, que ultrapassou a marca de 1,5 milhão de cópias vendidas e projetou os irmãos para todo o país.
Ao longo da carreira, eles deram vida a clássicos que se tornaram verdadeiros pilares do sertanejo, como “Se Deus Me Ouvisse”, “Fogão de Lenha”, “No Rancho Fundo”, “Brincar de Ser Feliz”, “Página de Amigos” e “Alô”, entre tantos outros que seguem vivos no repertório e no coração do público.
Mais recentemente, entre 2022 e 2023, a dupla celebrou os 50 anos de carreira com uma turnê inédita e internacional, além de uma série de projetos especiais que incluíram livros, gibi e conteúdos comemorativos, reforçando o legado construído ao longo de cinco décadas de música.
Chitãozinho reforçou o tom emocional do trabalho ao destacar o significado do retorno às raízes. “Uma hora a gente tem que voltar pra casa. Sertanejo é assim. A gente sai da roça, mas a roça não sai da gente. Uma hora a gente tem que voltar para casa”, afirmou.
A intensificação das tensões no Oriente Médio tem provocado reflexos diretos nos mercados globais de energia e fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola. No Brasil, o impacto já é sentido no custo de implantação das lavouras. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que a ureia nitrogenada acumula alta de cerca de 33%. Já o diesel subiu aproximadamente 25%, ultrapassando R$ 7 por litro.
Na prática, esse movimento pode elevar entre R$ 200 e R$ 300 por hectare o custo da safra 2026/27, principalmente em culturas como soja, milho e trigo.
Seguro rural entra no radar com aumento do valor segurado
Embora o seguro rural seja tradicionalmente associado a riscos climáticos, o atual cenário adiciona uma nova camada de pressão: o aumento do valor econômico das lavouras.
Com custos mais elevados, o capital investido por hectare cresce — e isso amplia o valor segurado. Como consequência, os prêmios pagos pelos produtores tendem a subir.
Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o setor já enfrenta retração, com queda de 8,8% na arrecadação em 2025, somando R$ 12,9 bilhões. Para 2026, a projeção é de nova redução, próxima de 4%.
Seguro se torna ainda mais estratégico, avalia especialista
Para o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Glaucio Toyama, o momento reforça a importância da ferramenta na gestão do risco agrícola.
“O seguro rural deve ser visto como uma ferramenta essencial de proteção do sistema de produção agropecuária. Em momentos de turbulência, essa proteção traz tranquilidade ao produtor diante de eventuais perdas climáticas que podem comprometer ainda mais margens já pressionadas”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ele reconhece que a volatilidade internacional exige ajustes na precificação das apólices por parte das seguradoras.
Logística e oferta de insumos aumentam percepção de risco
Outro ponto de atenção está nas rotas logísticas globais. Eventuais restrições no transporte marítimo, especialmente em regiões estratégicas, podem elevar fretes e dificultar o abastecimento de insumos.
Esse cenário pode provocar:
– Atrasos no plantio
– Redução de área cultivada0
– Menor uso de tecnologia
Fatores que elevam o risco de produtividade e impactam diretamente a avaliação das seguradoras.
Subvenção limitada agrava desafio de acesso ao seguro
Além das pressões externas, o Brasil enfrenta limitações no orçamento destinado à subvenção do seguro rural — política pública que reduz o custo das apólices para os produtores.
A previsão para 2026 gira em torno de R$ 1 bilhão, com possibilidade de veto, o que preocupa o setor.
“A consistência do orçamento é fundamental para que o produtor e as seguradoras consigam se planejar”, destacou Toyama.
A reforma tributária em andamento no Brasil traz uma mudança estrutural para o campo: o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passará a ser obrigatório para todos os produtores rurais, independentemente de atuarem como pessoa física ou jurídica.
A exigência tem como objetivo unificar o controle fiscal no país e será a base para a nova sistemática tributária, que passa a ser vinculada à nota fiscal eletrônica. A adaptação será gradual, com implementação prevista até 2027.
Segundo a advogada Viviane Morales, especializada no tema, a medida busca padronizar a identificação dos produtores perante a Receita Federal. “O CNPJ passa a ser como um CPF da atividade rural. É ele que vai permitir o controle de quem será contribuinte ou não dos novos impostos”, explica.
Cadastro será obrigatório, independentemente do regime
Com a mudança, todos os produtores deverão possuir CNPJ, mesmo aqueles que continuam atuando como pessoa física. A obrigatoriedade não significa que o produtor terá de se tornar uma empresa, mas sim que precisará estar registrado na nova base de dados.
A definição sobre ser ou não contribuinte dos novos tributos dependerá do faturamento. Ainda assim, o cadastro será exigido para todos.
A partir de julho, a expectativa é que a plataforma da Receita Federal esteja disponível para adesão em todo o país. O registro será feito pela RedeSim, sistema já utilizado para abertura de empresas.
Impactos práticos: nota fiscal, crédito e integração ao mercado
Na prática, o CNPJ passa a ser essencial para a vida operacional do produtor. O cadastro permitirá a emissão de nota fiscal eletrônica, acesso a crédito rural, participação em programas oficiais e maior integração com cadeias produtivas.
A mudança acompanha a evolução do setor, que tem exigido mais rastreabilidade, digitalização e formalização das atividades.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 5,58 milhões de produtores rurais, sendo a maior parte ainda atuando como pessoa física.
Custo inicial é baixo, mas exige atenção na abertura
De acordo com a especialista, a abertura do CNPJ não deve gerar custos imediatos obrigatórios. No entanto, o processo exige cuidado, já que erros no cadastro podem gerar problemas futuros.
“É importante preencher corretamente as informações, porque esse registro vai acompanhar toda a atividade. Alterações feitas de forma incorreta podem levar à perda de histórico e dificuldades operacionais”, alerta.
Situações como sucessão familiar, por exemplo, exigem atenção. A orientação é evitar o encerramento do cadastro e utilizar mecanismos legais para transferência de titularidade, preservando o histórico produtivo.
Pessoa física ou jurídica: decisão exige planejamento
Apesar da obrigatoriedade do CNPJ, o produtor ainda poderá optar por continuar como pessoa física ou migrar para pessoa jurídica. A decisão, segundo a advogada, deve ser baseada em análise individual.
Com a reforma, produtores com faturamento acima de R$ 3,6 milhões por ano estarão sujeitos aos novos tributos, independentemente do regime. Ainda assim, outros fatores seguem influenciando a escolha.
Entre eles estão a tributação sobre renda e dividendos, acesso a linhas de crédito, condições de seguro rural e custos operacionais.
“Não existe uma resposta única. O produtor precisa fazer contas e avaliar sua realidade antes de decidir”, afirma.
Ano de adaptação exige planejamento e informação
O ano de 2026 será de transição para o novo modelo. O período deve servir para testes, ajustes e entendimento das regras que ainda serão regulamentadas.
A recomendação é que produtores busquem orientação técnica e jurídica para evitar erros e se preparar para a nova exigência.
A formalização por meio do CNPJ representa uma mudança relevante na estrutura do agronegócio brasileiro e deve impactar a gestão das propriedades nos próximos anos.