quinta-feira, julho 9, 2026

Autor: Redação

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Porto de Santos realiza controle de pragas agrícolas em 42,5 milhões de toneladas de grãos



A Autoridade Portuária de Santos (APS), que administra o Porto de Santos, informou que em 2024 empresas credenciadas realizaram 799 tratamentos fitossanitários – processo popularmente conhecido por fumigação – para o controle de pragas agrícolas. “As ações, realizadas em porões de navios, contêineres e paletes, representam um aumento de 3% em relação a 2023, quando foram registrados 777 tratamentos”, disse em nota.

O trabalho visa a prevenir a entrada e disseminação de pragas agrícolas no País, além de garantir o atendimento a padrões internacionais exigidos por mercados compradores. A China, principal destino dos grãos tratados, correspondeu a 35% dos navios que passaram pelo tratamento. “Vietnã (9%) e Indonésia (7%), ocupam as posições seguintes. As principais cargas tratadas foram soja (48,5%), milho (32,5%) e farelo de soja (18,8%).”

Do total, 664 dos serviços de fumigação foram realizados nos porões das embarcações, somando mais de 42,5 milhões de toneladas de mercadorias tratadas.



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Produção global de algodão em 2024/25 deve aumentar 5,9%, diz Icac



A produção mundial de algodão deve alcançar 25,55 milhões de toneladas na temporada 2024/25, que começou em agosto passado, informou o Conselho Consultivo Internacional do Algodão (Icac, na sigla em inglês) em relatório mensal. O volume representa aumento de 5,9% ante a estimativa para a temporada 2023/24, de 24,12 milhões de toneladas.

Para o Brasil, o conselho estima produção de 3,70 milhões de toneladas em 2024/25, aumento de 15,6% ante a temporada anterior.

O consumo global em 2024/25 deve aumentar 1,78% ante a temporada anterior, para 25,42 milhões de toneladas.

As exportações tendem a diminuir 2,6%, para 9,61 milhões de toneladas, disse o Icac. Já os estoques finais podem subir 0,7%, para 18,69 milhões de toneladas.

As estimativas de preço para o índice A na temporada 2024/25 vão de 92 centavos a 97 centavos de dólar por libra-peso, com média de 94 cents.



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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil aposta em mina de potássio para reduzir dependência externa



Expectativa é que, inicialmente, 20% da demanda nacional seja atendida




Foto: Divulgação

Atualmente dependente da importação de Potássio, o Brasil pode reduzir essa vulnerabilidade nos próximos anos. O avanço se deve à estruturação da maior mina do mineral no país, localizada em Autazes (AM), a 113 quilômetros de Manaus. Com previsão de início das operações em 2028, a expectativa é que, inicialmente, 20% da demanda nacional seja atendida, alcançando 40% ao final da segunda fase do projeto, em 2032.

A iniciativa visa diminuir a dependência brasileira de fornecedores externos. Atualmente, mais de 96% do potássio utilizado na agricultura do país vem de nações como Canadá, Rússia e Bielorússia. Considerado um dos três principais macronutrientes agrícolas, ao lado do nitrogênio e fósforo, o potássio é fundamental para a fertilização e nutrição das plantas, auxiliando no crescimento, floração, frutificação e resistência contra pragas e doenças.

O projeto, desenvolvido desde 2008, recebeu as licenças necessárias do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) no ano passado. Com um investimento previsto de US$ 2,5 bilhões, a mina subterrânea contará com poços de até 800 metros de profundidade e utilizará apenas água e calor para concentrar o potássio com até 95% de pureza.

Para Valter Casarin, coordenador geral e científico da Nutrientes Para a Vida (NPV), essa estruturação representa um grande avanço para a segurança alimentar e sustentabilidade da agricultura brasileira. “O potássio é essencial para a produtividade e qualidade dos alimentos. A redução da dependência externa fortalece o setor agropecuário e garante colheitas mais abundantes”, destaca Casarin.

O Brasil, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, precisa garantir fontes seguras de fertilizantes para manter sua competitividade global. Com a nova mina, o país pode se tornar mais autossuficiente e menos suscetível às oscilações do mercado internacional de insumos agrícolas.





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Governo faz parceria para integrar agricultura irrigada e segurança energética



Os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, assinaram nesta quarta-feira (5) um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para promover a integração entre agricultura irrigada e segurança energética, em conformidade com a Política Nacional de Irrigação (Lei nº 12.787/2013).

A parceria busca superar desafios como infraestrutura energética insuficiente e baixa adoção de tecnologias modernas, com foco em práticas sustentáveis alinhadas ao Plano ABC+ (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono). O objetivo é fortalecer a segurança alimentar e energética, impulsionar a produtividade e gerar empregos no setor agropecuário.

“Este ACT demonstra que o governo tem uma estratégia clara para expandir a agricultura irrigada de forma sustentável, promovendo inclusão socioeconômica e segurança energética”, destacou o ministro Carlos Fávaro.

Durante o evento, também foi lançada a Aliança pelo Desenvolvimento Energético dos Polos e Projetos de Irrigação do Brasil, unindo esforços entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e o Ministério de Minas e Energia (MME).

“A Aliança entre os ministérios garante ações concretas para ampliar o fornecimento de energia às lavouras e incentivar o uso eficiente da irrigação, aproveitando melhor a água e a luz do sol para aumentar a produtividade”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.

Atualmente, o Brasil irriga apenas 8,5 milhões de hectares, um número muito inferior ao potencial estimado de 54 milhões de hectares, segundo estudos da Esalq/USP e do MIDR. A expansão da agricultura irrigada pode permitir até três safras anuais na mesma área e gerar até 1,2 empregos por hectare irrigado, aumentando a renda dos produtores e garantindo alimentos mais acessíveis para a população.

“Este é um passo essencial para fortalecer a produção de alimentos de baixa emissão, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades para o povo brasileiro”, enfatizou o ministro Waldez Góes.

*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária



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Aliança entre São Paulo e Distrito Federal reforça a fruticultura 


A fruticultura brasileira ganha um importante reforço com a assinatura de um protocolo de intenções entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e a Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri).

A parceria busca melhorar o setor por meio de ações conjuntas, com foco na capacitação de trabalhadores, assistência técnica e troca de informações.

“A cooperação técnica na área de fruticultura, especialmente de frutas vermelhas, irá fomentar, de forma ainda mais incisiva, esse setor importante em ambos estados”, destaca Edson Fernandes, secretário Executivo da SAA. 

O protocolo é apenas o começo de uma parceria mais robusta, que inclui a criação de um termo de cooperação técnica, que será assinado durante o evento Fruit Attraction de 2025, em março, considerado um dos maiores encontros do setor na América Latina.

A parceria visa estabelecer troca de experiências, além de oferecer apoio à agricultura familiar, buscando o crescimento do setor e a inclusão de novos produtores.

“São Paulo tem muito a nos enriquecer na produção agropecuária. Também vamos disponibilizar nosso conhecimento gerado em prol do homem e da mulher do campo em SP e no DF, com o objetivo de levarmos qualidade de vida, geração de renda e progresso para as pessoas”, afirma Rafael Borges Bueno, secretário de Agricultura do DF.

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O encontro entre as Secretarias ocorreu em Campinas, na sede da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), que formula e executa o Projeto Frutas Vermelhas SP.

Desde 2018, o projeto tem permitido que produtores paulistas diversifiquem suas lavouras, agregando valor à produção e criando novas possibilidades de negócios.

Atualmente, o projeto conta com 43 produtores cadastrados, muitos dos quais já estão colhendo resultados comerciais.

Além disso, a partir de 2024, a CATI passou a disponibilizar mudas de mirtilo e framboesa para o mercado, com qualidade superior e preços atrativos, incentivando novos produtores a se engajarem nesse nicho crescente da fruticultura.

Limões, Frutas, ComidaLimões, Frutas, Comida
Foto: Divulgação | Pixabay

Crescimento expressivo nas exportações de frutas

Líder nacional, o setor de frutas paulistas cresceu 13%, na exportação, em relação a 2023. De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), no ano passado foram comercializados mais de US$250 milhões.

O destaque foi para limões e lima que totalizaram 50% de participação (US$121 milhões), com o envio de 112 mil toneladas.

Outros produtos como a manga (US$14 milhões) e o mamão (US$1,5 milhão), também tiveram saldo positivo no ano. São Paulo também lidera a produção nacional de banana, com 26% do total produzido.

Essa expansão nas exportações deve ser fortalecida pela cooperação entre os dois estados, permitindo o aumento da produção de frutas vermelhas, além de fortalecer a troca de informações técnicas e estratégias de comercialização.

Para quem deseja se capacitar e melhorar sua atuação no setor de fruticultura, o Sebrae oferece uma ampla gama de cursos e treinamentos voltados para o micro e pequeno produtor rural. Acesse aqui o site do Sebrae.



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ouça a análise sobre o que mexe com os mercados


Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca a leve alta do dólar para R$ 5,79, após 12 quedas seguidas. O Ibovespa subiu 0,31%, impulsionado por bancos, Vale e Embraer.

Nos EUA, dados mistos mostraram PMI de serviços abaixo do esperado e criação de empregos acima das previsões.

Hoje, atenção para falas de Galípolo e indicadores na Europa e nos EUA, enquanto o mercado se prepara para o Payroll amanhã.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Ventania do Norte ao Sul leva temporais, mas não ameniza calorão; veja previsão para hoje



A chuva se espalha pelo Rio Grande do Sul, mas o calorão não dará trégua. No Centro-Oeste, temporais à vista. Veja a previsão para as cinco regiões do país:

Sul

Na quinta-feira, o sistema de baixa pressão se desloca pelo oceano, fortalecendo as instabilidades sobre toda a Região Sul. No Rio Grande do Sul, a chuva se espalha pelas regiões central, norte, oeste, metropolitana e em todo o litoral. São pancadas que vêm principalmente à tarde e com força, mas, mesmo assim, as temperaturas seguem muito altas, com a região de Uruguaiana registrando até 38 graus. Em Santa Catarina e no Paraná, a chuva continua em todas as regiões. Tem previsão para altos volumes na região oeste paranaense e norte catarinense. A sensação será de tempo bem abafado nas capitais Florianópolis e Curitiba.

Sudeste

O calor e a alta umidade continuam formando nuvens carregadas sobre as regiões oeste, central, litoral sul e também região metropolitana de São Paulo. São pancadas que acontecem à tarde, bem típicas da estação. No entanto, ainda pode vir com forte intensidade. Na capital paulista, as temperaturas já voltam a subir e a chuva vem bem isolada, enquanto em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Vitória, o tempo segue bem ensolarado e também sem chuva em grande parte dos estados dessas respectivas capitais.

Centro-Oeste

Os ventos que sopram da Região Norte em direção à Região Sul trazem muita chuva para o oeste e sul de Mato Grosso e para todo o estado de Mato Grosso do Sul. São temporais que acontecem a qualquer momento, mas com mais força à tarde. As capitais Campo Grande e Cuiabá estão na rota dos temporais. Em Brasília e em Goiânia, dia mais ensolarado e não há previsão de chuva em grande parte de Goiás.

Nordeste

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) se aproxima da costa brasileira, favorecendo o aumento da chuva entre os estados do Maranhão e Rio Grande do Norte. Toda a faixa litorânea segue com risco para temporais. Já entre as capitais João Pessoa, na Paraíba, e Recife, em Pernambuco, a previsão é de chuva também a qualquer momento, mas por conta dos ventos que só sopram do oceano em direção ao continente. Na Bahia e no interior do Piauí e do Maranhão, o tempo segue mais ensolarado e com temperaturas altas.

Norte

A chuva continua com força sobre Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia, enquanto grande parte do Tocantins, leste do Pará e sul do Amapá terão um dia mais ensolarado e abafado, com as máximas em elevação. Onde chove, há risco para temporais, inclusive nas capitais de Manaus e Boa Vista.



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Índice de Commodities do Banco Central sobe 1,14% em janeiro ante dezembro



O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) em reais avançou 1,14% em janeiro, na comparação com dezembro, informou a autarquia. A alta foi puxada pelo índice de energia, com alta de 3,33%. O índice de agropecuária subiu 1,15%, enquanto o de metais caiu 1,08% na passagem de dezembro para janeiro.

O IC-Br representa a média mensal dos preços, em reais, de um conjunto de commodities consideradas relevantes para a dinâmica da inflação no Brasil.

O setor agropecuário tem peso aproximado de 67% no índice, seguido pelos segmentos de energia (em torno de 17%) e de metais (com cerca de 16%).

Em dólares, o índice agregado subiu 2,34% em janeiro, com altas de 2,36% para a agropecuária, de 0,08% para os metais e de 4,56% para a energia.

O IC-Br em reais acumulou alta de 39,69% em 12 meses até janeiro. Os preços em reais das commodities agropecuárias subiram de 41,25%, os metais aumentaram 41,89%, e a energia subiu 28,65% no período.



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Câmara aprova projeto para proteção de animais afetados por desastres



A imagem do cavalo Caramelo, ilhado no telhado de uma casa em Canoas, no Rio Grande do Sul, em maio do ano passado, comoveu o país e foi um símbolo do sofrimento também dos animais em cenários de desastres.

A cena foi lembrada na tarde desta quarta-feira (5), por deputados em plenário, antes de aprovarem o Projeto de Lei 2.950/19, que institui uma política de proteção e resgate de animais afetados por acidentes, emergências e desastres.

Com a aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto será agora apreciado no Senado. Na prática, a ideia é promover acolhimento e manejo de animais resgatados em cenários críticos, como o das chuvas do ano passado no Rio Grande do Sul.

A legislação tem a finalidade de obrigar setores que desenvolvem atividades que podem degradar o meio ambiente a adotar medidas de proteção aos animais.

O projeto também prevê a aplicação das penas previstas na Lei dos Crimes Ambientais ao empreendedor que descumprir as medidas de proteção. A punição indicada é detenção de três meses a um ano, além de multa para quem pratica atos de abuso ou maus-tratos, fere ou mutila animais.

No plenário, o relator da matéria, deputado Marcelo Queiroz (PP-RJ), destacou que os desastres podem atingir espécies ameaçadas de extinção e até gerar perda de fontes de renda de comunidades que dependem de animais de produção.

Além disso, Queiroz lembrou que a perda de um animal de estimação pode agravar o trauma psicológico causado pela tragédia ambiental.

Por isso, o deputado defendeu a tipificação do crime para os responsáveis pelos desastres. “As propostas merecem ser acolhidas tendo em vista que se coadunam com os princípios constitucionais que regem proteção da fauna”, afirmou.

Consenso entre partidos

A proposta ganhou apoio e discursos favoráveis de parlamentares de diferentes partidos. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), por exemplo, enfatizou que os desastres, chamados de “naturais”, são provocados, na verdade, pela ação humana “na forma de ocupação da terra, pela ambição e pela ganância”.

Na mesma linha, o deputado Bibo Nunes (PL-RS) lembrou que, no passado, não havia a devida consideração aos animais. “É fundamental esse apoio de segurança para a vida dos animais, que hoje convivem tanto na vida de todos nós”, afirmou.

O deputado Tadeu Veneri (PT-PR) recordou que há uma estimativa de que, em Brumadinho, Minas Gerais, pelo menos 20 mil animais morreram soterrados no rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Vale, em 2019. “A mesma situação, em 2020, no Pantanal, foram 17 milhões de animais mortos [durante as queimadas]”, acrescentou.



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Clima, aumento do consumo e a China devem manter preço do café no Brasil em alta, diz Abic


O preço do café deve continuar subindo nas próximas semanas, pelo menos até a safra deste ano, que começa a ser colhida por volta de abril ou maio. A afirmação é da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

A principal causa do aumento nos preços são os eventos climáticos, que influenciam na safra do grão. O aumento do consumo em todo o mundo e a chegada de um novo mercado consumidor global, a China, também influenciam.

Segundo a entidade, esse impacto sobre os preços deve se manter por mais dois ou três meses. Depois, deve vir um momento de arrefecimento no valor do produto, com uma certa estabilização. No entanto, a queda de preços só deverá acontecer a partir da safra do próximo ano, estima a associação.

O aumento no preço do café vem sendo observado desde novembro do ano passado. E não é um fenômeno apenas no Brasil, que é o principal exportador mundial, representando quase 40% da produção global, seguido pelo Vietnã (em torno de 17%) e pela Colômbia.

Quebras de safra de café

Em 2020, a safra brasileira bateu recordes, mas os anos seguintes foram ruins para a lavoura, influenciado pelo clima. Em 2021, houve uma geada que dizimou quase 20% da safra de arábica. Em 2022, ela não conseguiu se recuperar – no geral, a safra demora dois anos para que isso ocorra, explicou a Abic.

Já em 2023, a lavoura sofreu os efeitos do El Niño [fenômeno que afeta o clima em todo o planeta], com um período longo de estiagem e altas temperaturas. E, no ano passado, o fenômeno que atuou foi o La Niña, que trouxe chuvas alongadas.

“Isso é muito ruim para a lavoura”, afirmou o presidente da Abic, Pavel Cardoso, acrescentando que a safra que será colhida neste ano será ligeiramente menor que a do ano passado.

“Esse acúmulo de quatro anos de problemas climáticos e o crescimento da demanda global dão a explicação dessa escalada de preços no café”, ressaltou.

Com todos esses problemas climáticos afetando a lavoura, os produtores precisaram aumentar os gastos para a produção. Com isso, o custo da matéria-prima subiu. A indústria, informou a Abic, teve aumentos superiores a 200% e teve que repassar parte disso, em torno de 38%, ao consumidor.

Todos esses fatores conjugados acabaram contribuindo para a alta dos preços da commodity nas bolsas internacionais, o que também traz reflexos para o bolso do consumidor. Na Bolsa de Nova York, os principais contratos de café arábica atingiram os valores mais altos da história. Nesta quarta (5), por exemplo, a cotação voltou a subir e batia recorde, chegando US$ 3,97 a libra-peso.

“Em relação a esse recorde, que está quase chegando a US$ 4 a libra-peso, muito se atribuiu a uma potencialização dessa oferta curta. É uma entrada forte de fundos que gera um número histórico, mas que é potencialmente importante para a reflexão de todo o setor. Esse momento é ganho para todos? É uma situação que cabe a todos nós refletir”, disse Cardoso.

“Essa escalada em algum momento vai parar, mas não se sabe quando. Essa é a pergunta que todos nós fazemos”.

Estimativas para a atual safra

Café; cafezalCafé; cafezal
Foto: Carlos Alberto Meira/Embrapa

A Abic espera que a safra deste ano, que começa a ser colhida em abril, ajude a estabilizar os preços do café. O setor também tem uma grande expectativa para o ciclo do ano que vem, que pode bater o recorde de 2020, ajudando a ampliar a oferta e diminuir os preços do produto.

Enquanto isso não ocorre, o consumidor ainda deve sofrer com o aumento no café já que a indústria ainda tem repasses a fazer pelo seu alto custo.

“Em relação à matéria-prima, devemos ter ainda alguma volatilidade adicional até a chegada da safra, que deve tensionar por conta de uma oferta muito curta. A partir da chegada dessa safra, entendemos que haverá alguma estabilidade. E quando tivermos finalizado a colheita, portanto, com um olhar para 2026, esperamos ter uma grande safra, possivelmente superior a 2020, quando tivemos safra recorde”, informou Cardoso.

“Com relação ao consumidor, teremos algum aumento adicional, afinal, tivemos aumentos superiores a 180% para a indústria, que absorveu esse aumento e repassou parte disso para os mercados, chegando a 37% para os consumidores. Então, parte desse aumento será transferido para os varejistas e, consequentemente, aos consumidores”, explicou.

Dados do setor

O consumo da bebida no Brasil entre novembro de 2023 e outubro de 2024 cresceu 1,11% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pela Abic nesta quarta-feira (5).

O Brasil, que é o maior produtor e exportador do produto, é também o segundo maior consumidor mundial de café, tendo consumido 21,916 milhões de sacas em 2024, o que significou 4,1 milhões de sacas a menos do que é consumido pelo país que está na liderança desse ranking, os Estados Unidos.

Os dados do setor também informaram que o brasileiro consome, em média, 1.430 xícaras/ano de café.

O faturamento da indústria de café torrado no mercado interno somou R$ 36,82 bilhões no ano passado, uma variação de 60,85% quando comparado a 2023. A alteração ocorre devido ao aumento do preço do café na gôndola. No mercado externo, o faturamento foi de R$ 134 milhões.

Os cafés especiais sofreram um aumento de 9,80%, quando comparado o período de janeiro e dezembro de 2024. Já a categoria de cafés Gourmets registrou um aumento de 16,17%; os cafés Superiores, de 34,38%; e os cafés Tradicionais e Extrafortes, tiveram aumento de 39,36%. Os cafés em cápsula também registraram um aumento nos preços (2,07%).

Nos últimos quatro anos, a matéria-prima aumentou 224%, e o café no varejo aumentou 110%. No último ano, a variação de preço ao consumidor do café torrado e moído foi de 37,4%, um aumento maior que a média da cesta básica (2,7%).



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