segunda-feira, maio 4, 2026

Autor: Redação

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La Niña tem 60% de chances de ocorrer; veja as regiões onde deve chover mais



O fenômeno El Niño está descartado pelos modelos meteorológicos desde março deste ano. Com isso, acreditava-se em neutralidade climática porque as anomalias de temperatura da superfície do mar permaneceram próximas da média ao longo dos últimos meses.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Contudo, os mais recentes dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que esse padrão pode estar com os dias contados. Isso porque a tendência para o surgimento do La Niña nos próximos meses é cada vez mais forte, ainda que o fenômeno deva ser de fraca intensidade. Mesmo assim, tal cenário traz mudanças no regime de chuvas do Brasil.

De acordo com as previsões dos Centros Globais de Produção de Previsão Sazonal da OMM, as chances estão assim distribuídas de setembro a novembro de 2025:

  • 55% de probabilidade de formação da La Niña
  • 45% de probabilidade de manutenção das condições neutras
  • 0% de chance de formação de um El Niño

Outubro a dezembro de 2025:

  • 60% de chance de La Niña
  • 40% de chance de neutralidade

Esses valores indicam que a tendência de La Niña se fortalece com o avanço da primavera, tornando cada vez mais provável a instalação do fenômeno ainda em 2025.

Segundo a Climatempo, é importante destacar que, para que o fenômeno seja oficialmente caracterizado, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) considera, principalmente, o Índice Oceânico Niño (ONI), sendo necessário que a anomalia da temperatura da superfície do mar fique abaixo de -0,5 °C por três trimestres móveis consecutivos.

“Neste momento, ainda não há essa confirmação, mas os modelos já indicam que a tendência pode se consolidar nos próximos meses”, ressalta a empresa.

O que esperar do fenômeno La Niña?

Apesar da possível fraca intensidade, os impactos típicos da La Niña podem ocorrer, especialmente em regiões mais sensíveis à variabilidade climática. De acordo com a Climatempo, entre os efeitos mais comuns, destacam-se:

  • Chuvas acima da média no Norte e Nordeste do Brasil, especialmente durante o verão;
  • Tempo mais seco no Sul do Brasil, o que pode agravar ou antecipar estiagens em áreas agrícolas;
  • Risco maior de incêndios no Pantanal e na Amazônia, caso haja redução das chuvas em meses-chave.

Segundo a Climatempo, por ser um fenômeno que interage com outros sistemas atmosféricos, como a Oscilação Madden-Julian e os padrões de bloqueio atmosférico, os efeitos da La Niña podem variar bastante de um ano para o outro, especialmente em episódios fracos e de curta duração.



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Embrapa lança gramínea BRS Sarandi: a evolução do capim andropogon


Pecuaristas, a busca por forrageiras mais produtivas e resistentes aos desafios climáticos e biológicos é uma constante na pecuária. A Embrapa lançou uma gramínea que promete ser um “porto seguro” para o produtor. Durante a Dinapec 2025, em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, a Embrapa Cerrados apresentou a nova cultivar de capim-andropogon, a BRS Sarandi. Assista ao vídeo abaixo e confira a novidade. Assista ao vídeo abaixo e confira.

Nesta reportagem especial, o Giro do Boi conversou com Allan Kardec Ramos, pesquisador da Embrapa Cerrados, que participou de todo o processo de pesquisa.

Ele detalhou as virtudes da BRS Sarandi, uma planta adaptada a solos fracos e ideal para os sistemas de cria e recria.

BRS Sarandi: a evolução do capim andropogon

Foto: Divulgação/Embrapa

O BRS Sarandi é a evolução de um capim tradicional na pecuária brasileira, o andropogon. Após 15 anos de trabalho e esforço, a Embrapa desenvolveu uma planta que agrega todas as características valiosas do andropogon, mas com diferenciais importantes:

  • Maior proporção de folhas: A planta tem mais folhas e um porte mais baixo, o que facilita o manejo do pastejo e promove uma maior produtividade animal. Na prova de desempenho, a planta surpreendeu com ganhos acima de 1,1 kg por animal ao dia.
  • Resistência extrema a pragas: A BRS Sarandi é extremamente resistente à cigarrinha e a outros insetos que podem comprometer a pastagem.
  • Controle de nematoides: A gramínea tem um baixo fator de reprodução para nematoides, o que a torna uma excelente opção para rotação de cultivos e como planta de cobertura.
  • Rebrote rápido: A planta tem um rápido rebrote após as primeiras chuvas, o que a torna ideal para a fase de transição entre a seca e as águas, garantindo pasto de qualidade.

O andropogon como “porto seguro”

Foto: Divulgação/Embrapa

O andropogon sempre foi um capim rústico, que tolera desafios e é um “porto seguro” para o pecuarista quando outras forrageiras colapsam. A BRS Sarandi, com suas novas características, agrega ainda mais valor a essa virtude.

A nova cultivar facilita o manejo do pastejo, tem uma touceira mais uniforme, com mais perfilhos e perfilhos mais finos. Isso se traduz em mais massa verde e uma qualidade de forragem superior.

Allan Kardec Ramos ressalta que o melhoramento genético vegetal é a base de toda a produção de carne brasileira.

A Embrapa, com seu portfólio de cultivares, tem se preocupado em atender às demandas dos produtores, oferecendo plantas específicas e especializadas para cada bioma, tipo de solo e sistema de produção.

Manejo e acesso à tecnologia

Para a implantação e manejo da BRS Sarandi, a Embrapa disponibiliza uma publicação específica e um comunicado técnico com orientações sobre preparo do solo, correção, semeadura e recomendação de altura para entrada e saída do gado.

A nova cultivar, a exemplo das demais cultivares da Embrapa, está na plataforma Pasto Certo. No portal embrapa.br/cultivares, o produtor tem acesso a todas as informações, links para as publicações e o confronto das características morfológicas, zootécnicas e agronômicas da planta.

A BRS Sarandi é um produto que nos orgulha e é a bola de segurança que todo pecuarista precisa. Com a tecnologia da Embrapa, é possível produzir mais e com mais sustentabilidade.



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Conab anuncia R$ 21,7 milhões para equalização de preços da safra 24/25 de feijão



Na manhã desta quarta-feira (3), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, durante a Expointer 2025, o investimento de R$ 21,7 milhões para equalização de preços de 50 mil toneladas de feijão cores e feijão-preto da safra 2024/2025 dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O presidente da entidade, Edegar Pretto, e o diretor de Operações e Abastecimento, Arnoldo de Campo, detalharam como será realizado o apoio aos agricultores e agricultoras feijoeiros da região Sul do país. Essas são as primeiras ações deste ano para dar suporte ao escoamento de feijão da safra 2024/2025 para fora dos estados de origem da produção.

“Queremos arrematar até 50 mil toneladas de feijão para enxugar este mercado e garantir que nosso produtor receba o mínimo pelo custo de sua produção. Assim, ele segue motivado a continuar plantando feijão e os preços ficam equilibrados nas prateleiras dos supermercados”, ressaltou Pretto.

Para isso, a Conab realiza, nos próximos dias 10 e 11, os primeiros leilões públicos do grão. Serão ofertadas 25 mil toneladas para o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e também 25 mil toneladas para o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP).

Leilões da agricultura familiar

Os leilões marcados para a próxima quarta-feira (10) são destinados para a participação da agricultura familiar. A Companhia ofertará 7,5 mil toneladas de Pepro de feijão preto exclusivamente para esse público, bem como suas cooperativas sediadas nos estados da região Sul do país.

Segundo Pretto, para receber o prêmio, o produtor ou cooperativa deverá comprovar a produção e a venda/escoamento do feijão preto para indústria de beneficiamento ou comerciante de uma localidade diferente de onde ocorre o plantio do produto.

No mesmo dia, também serão oferecidas outras 7,5 mil toneladas de PEP para indústrias de beneficiamento e comerciantes de feijão preto do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Neste leilão de Prêmio para Escoamento de Produto, o participante deverá comprovar a compra do feijão preto in natura obrigatoriamente de agricultores familiares diretamente ou por meio de suas cooperativas, pelo Preço Mínimo e o posterior escoamento do produto.

Já na próxima quinta (11) o leilão Pepro será realizado, desta vez, em caráter de ampla concorrência, ou seja, todos os produtores, cooperativas, inclusive agricultores familiares, poderão participar.

O mesmo ocorre com a operação de PEP, em que as indústrias de beneficiamento e comerciantes do grão deverão comprovar a compra do feijão preto in natura de agricultores, inclusive da agricultura familiar, pelo preço mínimo e o posterior escoamento do produto.

Limite para subvenção

O limite por produtor para a subvenção é de 8,4 toneladas do grão. De acodo com a Conab, caso o agricultor participe das operações de Pepro e venda seu produto para os arrematantes nos leilões de PEP, esse volume máximo estabelecido não poderá ser excedido.

Para participar dos leilões, os interessados deverão estar inscritos na Bolsa de Mercadorias pela qual pretendem atuar e em situação regular perante o Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican) da Conab, além de possuir cadastro em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf), como também perante ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), entre outras exigências previstas nos editais.

Cálculo do Valor Máximo do Prêmio

O Valor Máximo do Prêmio (VMP) será calculado pelo Mapa de acordo com a fórmula VMP = PM – Pmm, onde: VMP é o Valor Máximo do Prêmio; PM é o Preço Mínimo vigente; e Pmm é o Preço médio de mercado do produto na Unidade da Federação ou na região de produção apurado pela Conab.

O Preço Mínimo de garantia do governo vigente para a safra 2024/2025 é de R$ 181,23 por 60 kg para o feijão cores; e de R$ 152,91 por 60 kg para o feijão-preto.

A ação foi autorizada pela Portaria Interministerial dos ministérios da Agricultura e Pecuária, da Fazenda, do Planejamento e Orçamento, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar n.º 24/2025, publicada em 25 de agosto de 2025.

O documento define um volume de recursos de até R$ 21,7 milhões para escoamento de 32,4 mil toneladas de feijão da safra 2024/25 para fora dos estados de origem da produção.

Serviço:

Leilões de Pepro e PEP de feijão
Aviso Pepro nº 80/2025
Data: quarta-feira, 10 de setembro
Horário: a partir de 9h

Aviso PEP nº 81/2025
Data: quarta-feira, 10 de setembro
Horário: a partir de 9h

Aviso Pepro nº 82/2025
Data: quarta-feira, 11 de setembro
Horário: a partir de 9h

Aviso PEP nº 83/2025
Data: quarta-feira, 11 de setembro
Horário: a partir de 9h



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Presidente da Aprosoja RS comenta PL que auxilia afetados por desastres climáticos



A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (2), o projeto de lei que concede preferência no recebimento dos recursos financeiros do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais às unidades produtivas familiares rurais atingidas por desastres climáticos. A proposta, agora, será enviada ao Senado.

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Segundo o texto aprovado, a preferência será para recursos destinados à reestruturação da infraestrutura produtiva. As famílias beneficiárias também receberão assistência técnica prioritária para a elaboração e implantação de projeto de reestruturação, contemplando ações de planejamento e gestão de riscos em eventos climáticos.

O presidente da Aprosoja Rio Grande do Sul, Ireneu Orth, avaliou que a proposta é positiva, mas reforçou a necessidade de avanço em todo o processo legislativo. ”Isso mostra que, mais uma vez, há um reforço para que o pequeno produtor de soja possa ter acesso ao crédito”, afirmou.

Segundo ele, no entanto, é preciso que a tramitação continue, que passe pelas comissões onde ainda tem que passar, seja aprovada no Senado e, posteriormente, receba a sanção presidencial.

Orth acrescentou que a medida é “mais um elemento, mais um fator que demonstra como a Câmara dos Deputados tem defendido o setor primário, especialmente o pequeno e médio produtor”. Por outro lado, destacou que “essa mesma posição não é defendida por parte do governo”.

Ireneu Orth completou: ”Ainda assim, vamos ficar na torcida para que o projeto avance nas etapas necessárias, seja aprovado e colocado em prática. Só assim nós teremos, quem sabe, uma maior oportunidade para que o pequeno e médio produtor tenha acesso a esses financiamentos.”



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AgroNewsPolítica & Agro

Agricultura familiar ganha protagonismo com novas soluções em mecanização na Expointer


Modelos compactos de tratores voltados para pequenas propriedades são destaque na feira gaúcha, refletindo mudanças no perfil da mecanização no Brasil.

A Expointer 2025, realizada em Esteio (RS), abriu espaço para um debate no agronegócio brasileiro: como viabilizar mecanização acessível e eficiente para a agricultura familiar? A resposta tem sido dada por fabricantes que apostam em tratores de menor porte e alta versatilidade, desenvolvidos sob medida para pequenas propriedades, produção de arroz, fruticultura e pecuária de leite.

Um dos destaques deste ano foi a apresentação de modelos com potência entre 25 e 65 cavalos, voltados para produtores que atuam em áreas reduzidas, terrenos irregulares ou sistemas diversificados. “Hoje em dia, a produção precisa ser mecanizada. Sem isso, a propriedade fica restrita à subsistência”, afirma Astor Kilpp, consultor de produto e marketing, em entrevista ao Agrolink News durante a feira.

Expansão com foco no pequeno produtor

Com capacidade instalada para produzir até 5 mil tratores por ano, uma das fabricantes presentes reforçou sua estratégia de crescimento ancorada na agricultura familiar. A planta industrial brasileira é a única fora da Ásia, reflexo da importância estratégica do Brasil para o segmento.

“A decisão de abrir uma fábrica aqui levou três anos de estudos. O mercado brasileiro tem uma base sólida de pequenos produtores que precisam de equipamentos acessíveis, robustos e com assistência técnica próxima”, explica Kilpp. O executivo destaca ainda que o próprio país de origem da empresa, a Coreia do Sul, tem tradição em propriedades de menor escala, o que moldou o DNA dos produtos.

Mecanização sob medida

Na feira, o portfólio apresentado inclui tratores com alta capacidade de manobra, compatíveis com implementos utilizados em horticultura, culturas permanentes e produção leiteira. As máquinas prometem atender demandas como plantio, pulverização, adubação e colheita em ambientes onde grandes equipamentos não operam com eficiência.

Segundo Kilpp, o diferencial está na combinação entre tecnologia simplificada e custo-benefício. “O pequeno produtor é exigente. Ele quer uma máquina que funcione bem, consuma pouco e tenha manutenção simples”, ressalta.

Relevância para o setor

Dados do Censo Agropecuário do IBGE apontam que mais de 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil são classificados como agricultura familiar. Esse universo é responsável por 23% do PIB agropecuário, o que reforça o papel das pequenas propriedades na segurança alimentar, no emprego rural e na produção diversificada.

O estímulo à mecanização nesse segmento também tem ganhado força nas políticas públicas. Programas como o Mais Alimentos (Pronaf) e incentivos estaduais buscam facilitar o acesso a financiamentos para aquisição de tratores compactos.

Próximos passos e impacto

A presença de tecnologias específicas para pequenos agricultores na Expointer marca um novo momento do setor. Se antes a mecanização era privilégio de grandes produtores, hoje ela se torna condição de competitividade para todas as escalas de produção.

Para Kilpp, a tendência é de expansão contínua: “O pequeno produtor brasileiro é resiliente, sabe o que precisa, e agora começa a ter mais opções adequadas ao seu dia a dia.”





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Pasto e boi: por que a boca do gado é a melhor roçadeira na transição para as águas


Pecuaristas, a tão esperada transição da seca para as águas é um período crucial que exige um manejo de pastagens preciso. Para garantir a produtividade e a saúde do seu pasto, a zootecnista Janaína Martuscello, professora da Federal Mineira, alerta que “a melhor roçadeira para o pasto é a boca do boi!“, e não um maquinário. Assista ao vídeo abaixo e confira.

Em entrevista ao programa Giro do Boi, diretamente de São João Del-Rei, no estado de Minas Gerais, a doutora em zootecnia e consultora explicou que a conscientização sobre o manejo de pastagens tem mudado a pecuária, tornando-a mais rentável e competitiva.

No entanto, é preciso estar atento a erros comuns que podem comprometer o resultado da fazenda.

Pasto na transição: evite os extremos

Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução

Na transição da seca para as águas, o pecuarista enfrenta duas situações extremas e problemáticas, ambas prejudiciais à pastagem:

  • Pasto rapado: A falta de planejamento leva a pastos sem reserva de forragem, o que atrasa a rebrota na estação das águas e abre espaço para as plantas daninhas se desenvolverem e competirem com a forrageira principal.
  • Pasto passado (macega): A macega, que pode ter sido útil na seca, impede a rebrota e o surgimento de novos perfilhos, promovendo o sombreamento. Além disso, a palhada alta pode gerar fungos que, se consumidos, podem intoxicar os bezerros.

A roçada estratégica é uma ferramenta importante, mas deve ser feita com cautela. A roçada deve ser liberada apenas uma vez no ano, na transição, para permitir que o pasto rebrote a partir da base, com folhas de maior qualidade.

O ciclo dos veranicos e a adubação

Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pastagem. Foto: Reprodução

Janaína Martuscello alerta que há uma tendência de veranicos no próximo período chuvoso. Por isso, o produtor deve estar preparado para essa variação climática.

O manejo de pastagem, que é capaz de fazer a pecuária ser mais rentável e competitiva, também precisa se adaptar a esse cenário.

Em relação à adubação, a recomendação é não adubar na transição. A adubação deve ser feita no período chuvoso, após a chuva se firmar (com 50 a 70 mm acumulados).

Adubar antes disso é jogar dinheiro fora, pois a falta de chuva impede o estímulo de crescimento da forrageira e a absorção dos nutrientes, o que resulta em desperdício de insumos.

Planejamento e novas tecnologias

Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados
Dossel foliar de capim-Tamani (Panicum maximum cv. BRS Tamani) em pequenas parcelas. Foto: Allan Kardec Braga Ramos/Embrapa Cerrados

A professora Janaína Martuscello destaca a importância do planejamento, da taxa de lotação e da suplementação para o sucesso na transição.

O planejamento de lotação, por exemplo, pode ajudar a diminuir a macega, evitando a necessidade de roçar e de ter capim cortado em cima do broto, que pode gerar fungos e prejudicar a saúde dos animais.

A zootecnista acaba de lançar a terceira edição de sua trilogia de livros, com o título “No pasto é mais barato”, que é um guia para a intensificação e o manejo eficiente de pastagens em menores áreas.

O livro, que será disponibilizado em pré-venda, traz um passo a passo para que o pecuarista possa produzir de forma eficiente e sustentável.



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Receita com exportação de grãos na Argentina cai 25% em agosto



As exportações argentinas de grãos e derivados resultaram em receita de US$ 1,818 bilhão em agosto. O montante representa queda de 55% ante o mês anterior e de 25% na comparação com agosto de 2024.

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No acumulado do ano, a receita soma US$ 21,34 bilhões, aumento de 32% na comparação com igual período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Câmara da Indústria Oleaginosa da República Argentina (Ciara) e pelo Centro de Exportadores de Cereais (CEC), entidades que representam 48% das exportações totais argentinas.

De acordo com as entidades, o mês de agosto se caracteriza por menores vendas para exportação e por uma queda nos registros de embarques em relação aos meses de plena colheita. O principal produto exportado pelo setor é o farelo de soja, seguido pelo óleo de soja e pelo milho.



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Governo investe em robô colhedor de açaí para aumentar produção do fruto na floresta amazônica



Técnica tradicional transmitida por gerações, a colheita de açaí é realizada pelos produtores conhecidos como peconheiros, que retiram os cachos escalando os caules dos açaizeiros uma técnica tradicional transmitida por gerações. Para modernizar e ampliar essa produção, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) tem investido na aquisição dos açaí bots, robôs desenvolvidos especialmente para a colheita do fruto na floresta amazônica.

A novidade foi apresentada na última segunda-feira (1º), durante a programação da 54ª Expofeira Agropecuária do Amapá, evento voltado à exposição e comercialização de produtos de manejo da sociobioeconomia, do agronegócio sustentável, da energia e transição energética, e de mercados inovadores como startups e tecnologias limpas.

O açaí bot pesa apenas 8 quilos, é operado por controle remoto e pode colher cachos de até 14 quilos. Em um único turno, o equipamento é capaz de retirar mais de 100 cachos, dez vezes mais que o método tradicional.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, reforçou que o investimento integra as ações do Governo Federal para fortalecer a Rota do Açaí — projeto do MIDR voltado a agregar valor ao fruto por meio de capacitação, financiamento e criação de polos produtivos na Amazônia.

“Este equipamento foi testado pelos peconheiros nas ilhas do Amapá e do Pará, em parceria com o ministério e as cooperativas. É uma tecnologia que oferece mais segurança e traz muitos outros ganhos para a produção do açaí”, declarou o ministro.



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O financiamento rural está repleto de fragilidades: é necessário modernizá-lo


A retração registrada no Plano Safra 2024/25, com desembolso de R$ 373,2 bilhões frente aos R$ 421 bilhões do ciclo anterior, evidencia fragilidades importantes no modelo atual de financiamento do agronegócio brasileiro.

Apesar de o governo ter anunciado um volume recorde de recursos, apenas 78,3% do total programado foi efetivamente aplicado, revelando entraves de acesso, execução parcial do orçamento e limitações na estrutura de crédito. Esse cenário coloca em debate a sustentabilidade do modelo vigente e aponta para a necessidade de modernização dos instrumentos de financiamento rural.

Um dos principais pontos críticos é a forte dependência de linhas de crédito subsidiadas, que acabam restritas pelo teto fiscal e pelas condições orçamentárias do governo federal. Em anos de restrição fiscal ou alta nas taxas de juros, como ocorreu recentemente, a capacidade de atender à demanda dos produtores é comprometida, gerando frustração nas expectativas do setor.

Essa limitação afeta tanto o pequeno produtor, que precisa de capital de giro imediato para o custeio, quanto o grande, que busca financiamento para expansão e modernização tecnológica. Além disso, a burocracia e a lentidão no acesso ao crédito representam gargalos que desestimulam os produtores. Muitos enfrentam dificuldades em atender às exigências documentais e garantias impostas pelas instituições financeiras, especialmente agricultores familiares e cooperativas.

Esse quadro cria desigualdades dentro do próprio setor agropecuário, privilegiando os grandes grupos já estruturados e dificultando a inserção plena de pequenos e médios produtores nas cadeias de valor.

Outro aspecto que evidencia a fragilidade do modelo atual é a falta de diversificação das fontes de financiamento. Embora o crédito rural oficial seja um instrumento essencial, ele não tem sido suficiente para atender ao crescimento do agronegócio.

A baixa integração com mecanismos de mercado de capitais, fundos privados, seguros agrícolas e títulos verdes limita a capacidade de mobilizar recursos em larga escala e de forma contínua. Essa concentração torna o sistema mais vulnerável a crises fiscais e políticas, prejudicando o planejamento de longo prazo no campo.

A retração também aponta para a urgência de alinhar o financiamento com os novos paradigmas de sustentabilidade e inovação. Muitos produtores têm buscado investir em agricultura de baixo carbono, energias renováveis e práticas conservacionistas, mas a falta de linhas específicas, com juros acessíveis e prazos compatíveis, trava avanços mais significativos.

Uma coisa é certa: sem incentivos claros, o Brasil corre o risco de perder competitividade frente a países que já articulam crédito verde e fundos internacionais voltados para a produção sustentável.

A retração no desembolso do crédito rural não pode ser vista apenas como um efeito conjuntural, mas como um sinal das fragilidades estruturais do modelo de financiamento vigente. Para garantir a continuidade da liderança do agronegócio brasileiro, será fundamental ampliar as alternativas de crédito, simplificar o acesso, estimular parcerias público-privadas e integrar de forma mais efetiva o setor financeiro às demandas do campo.

Somente com um sistema de financiamento robusto, diversificado e inovador será possível sustentar o crescimento produtivo, a modernização tecnológica e a transição para uma agricultura cada vez mais sustentável e competitiva.

Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista


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