sábado, abril 25, 2026

Autor: Redação

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Expansão do etanol de milho pode sustentar preços internacionais do grão



O avanço do milho destinado à produção de etanol na América do Sul deve ganhar força e sustentar os preços do grão na Bolsa de Chicago (CBOT). A avaliação é do analista Vlamir Brandalizze, que alerta para um crescimento acelerado no uso do cereal para biocombustível no Brasil, Argentina e Paraguai.

Segundo Brandalizze, essa nova demanda tende a reduzir a oferta global, já que os três países são importantes exportadores. “Nós estamos avançando a demanda de milho de maneira exponencial, e isso vai afetar a oferta, porque esses países são exportadores”, destaca. Ele acrescenta que a China também está ampliando a produção de etanol de milho, o que reforça o cenário de maior consumo mundial.

Brandalizze reforça que o cenário de déficit ocorrido no ano agrícola 2024/25 deve se repetir. “Tivemos um déficit de cerca de 32 milhões de toneladas, consumidas a mais do que produzidas. A nova safra, ao que tudo indica, terá déficit novamente, de mais de 10 milhões de toneladas”, afirma.

Shutdown nos EUA: impacto limitado no milho

Com o apoio dos embarques internacionais, a tendência é que os preços se mantenham firmes agora em outubro. Na avaliação do analista, esse fator ajuda a sustentar o mercado mesmo em período de colheita de safra norte-americana, uma vez que Brasil e Estados Unidos, os principais exportadores de milho, não disputam destinos e seguem vendendo bem.

Sobre o shutdown, que mantém parte do governo dos Estados Unidos paralisado, Brandalizze afirma que os reflexos nas cotações devem ser limitados. “A paralisação pode atrasar a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, mas o impacto seria limitado, já que a safra está definida e em plena colheita”, diz.

De acordo com o analista, o mercado consegue se basear apesar do “apagão” de dados do Departamento de Agricultura norte-americano porque empresas privadas vêm fornecendo dados sobre produtividade e andamento dos trabalhos no campo, o que tem orientado os investidores. A safra por lá, segundo ele, pode superar 430 milhões de toneladas.

Tendências para o mercado interno

No mercado brasileiro, os prêmios para milho começaram a melhorar a partir do bom volume de embarques nos portos em setembro e outubro. “Os preços do milho nos portos melhoraram no começo de outubro. Nas posições de novembro, estão entre R$ 66 e R$ 67, e até R$ 68 em dezembro no Porto de Santos”, analisa Brandalizze.



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Real ganha força com trégua diplomática: confira os destaques econômicos do dia


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o prolongamento do shutdown nos EUA elevou os rendimentos dos Treasuries e sustentou o dólar global.

No Brasil, conversa entre Lula e Donald Trump reduziu tensões e fortaleceu o real, com o dólar à vista caindo a R$ 5,31. Ibovespa recuou 0,41% a 143 mil pontos. Hoje, destaque para o IGP-DI de setembro e discursos de dirigentes do Fed.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Frente fria afeta três regiões do país e leva temporais com raios e ventania



Frente fria muda o tempo e leva chuva, com possibilidade de temporais, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Confira a previsão do tempo para todo o Brasil nesta terça-feira (7):

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

O tempo segue instável entre Santa Catarina e o Paraná, com chuva associada ainda ao deslocamento da frente fria sobre a costa e à entrada de umidade sobre a região. As pancadas seguem irregulares, mas podem cair localmente fortes, com raios e rajadas de vento – não sendo descartados temporais. No Rio Grande do Sul, a chuva segue restrita ao planalto e serra gaúcha, variando entre fraca e moderada intensidade.

Sudeste

A frente fria se aproxima da costa do estado de São Paulo, conduzindo o avanço de instabilidades sobre o interior e leste paulista. As pancadas continuam irregulares, mas podem cair com maior intensidade no oeste, sul e litoral. Na Grande São Paulo e nas demais áreas da faixa leste, o céu permanece mais encoberto e chove fraco a qualquer hora. A chuva avança ao final do dia sobre o Rio de Janeiro, sul e zona da mata de Minas Gerais. O Espírito Santo segue com tempo mais aberto.

Centro-Oeste

O deslocamento da frente fria estimula o escoamento do fluxo de umidade vindo da região norte, favorecendo assim a formação de nuvens carregadas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As pancadas de chuva seguem irregulares, mas podem cair localmente fortes. Chove também no sul de Goiás. No Distrito Federal, tempo firme, calor intenso e baixa umidade do ar durante a tarde.

Nordeste

Os ventos úmidos que sopram do oceano ainda mantêm as pancadas de chuva sobre alguns pontos da costa leste. O litoral da Bahia e de Sergipe concentram os episódios mais significativos. Nas demais regiões do interior nordestino, o predomínio ainda será de tempo aberto, com sol, calor e baixa umidade do ar.

Norte

O calor e o aporte de umidade presentes na atmosfera local vão realizar a manutenção das instabilidades entre o Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, com risco de chuva forte e até mesmo temporais localizados. Chove forte também no noroeste do Pará. Amapá com condições para pancadas isoladas. Já o Tocantins segue com padrão de tempo firme.



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Fungos no prato: micélio avança como proteína do futuro


Por décadas, a base proteica da dieta mundial esteve concentrada na carne, no leite e nos ovos. No entanto, um novo candidato começa a disputar espaço nesse cenário: os fungos. Graças a avanços em engenharia genética e técnicas de fermentação de precisão, o micélio — estrutura responsável pela sustentação dos fungos — tem se mostrado promissor para a produção de micoproteínas.

Esses compostos apresentam alto valor nutricional, textura semelhante à da carne e menor impacto ambiental, segundo cientistas brasileiros. Projeções de mercado indicam que esse segmento pode ultrapassar US$ 32 bilhões até 2032, consolidando-se como um dos pilares da alimentação sustentável.

Biotecnologia transforma fungos em “fábricas celulares”

De acordo com André Damasio, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o avanço da engenharia genética, aliado ao uso da técnica CRISPR-Cas9, permite transformar fungos filamentosos e leveduras em verdadeiras “fábricas celulares”. Esses organismos são capazes de produzir proteínas recombinantes, semelhantes às encontradas em produtos de origem animal, mas com impacto ambiental reduzido.

Empresas como Meati, Quorn e Enough já operam em escala industrial, priorizando modelos de negócios B2B e oferecendo soluções para a indústria alimentícia. “A produção de micoproteínas exige menos terra, consome menos água e emite menos gases de efeito estufa que a pecuária convencional. Esse modelo pode mitigar efeitos como o desmatamento e o esgotamento de recursos hídricos”, afirma Damasio.

André Damasio, pesquisador da Unicamp. Foto: Vilson Smanhoto

Desafios técnicos e regulatórios

Apesar do potencial, ainda existem barreiras a superar para que as micoproteínas ganhem espaço definitivo nas prateleiras. O micélio tem propriedades únicas, como alto teor de fibras e composição nutricional distinta das proteínas vegetais e animais. Isso exige adaptações tecnológicas para melhorar sabor, textura e funcionalidade.

Gabriel Mascarin, engenheiro agrônomo da Embrapa Meio Ambiente, destaca que, além da aceitação do consumidor, é fundamental avançar em pesquisas clínicas. “Ainda precisamos entender a biodisponibilidade dos aminoácidos presentes, os efeitos sobre a saciedade e a saúde humana a longo prazo. Também é urgente padronizar valores nutricionais e garantir normas rigorosas contra toxinas e metais pesados”, afirma.

Ferramentas de biologia sintética e tecnologias “ômicas” — como proteômica e transcriptômica — têm acelerado a criação de linhagens mais produtivas e resilientes, mas o escalonamento industrial e o processamento downstream continuam sendo gargalos importantes.

Complemento à carne animal

Para a pesquisadora Paula Cunha, também da Unicamp, o objetivo não é substituir a carne animal, mas oferecer alternativas que diversifiquem a dieta e reduzam o impacto ambiental. “Integrar micoproteínas às cadeias alimentares existentes fortalece a segurança alimentar e aumenta a resiliência frente às mudanças climáticas”, conta.

Essa complementaridade pode transformar os fungos em peça-chave de sistemas agroindustriais mais sustentáveis e inclusivos.

Investimentos crescentes e aceitação do mercado

Nos últimos cinco anos, os investimentos em fermentação de biomassa fúngica superaram os da carne cultivada, somando 628 milhões de euros contra 459 milhões de euros. A atratividade se deve à menor complexidade tecnológica e à rápida entrada no mercado.

Micoproteínas derivadas do micélio, como as produzidas pela Quorn e pela Meati, oferecem até 48% de proteína, são ricas em fibras e têm sabor neutro, facilitando a incorporação em produtos análogos à carne ou híbridos que misturam proteína animal, vegetal e fúngica.

Ainda assim, limitações permanecem. O micélio apresenta baixa solubilidade, dificultando sua aplicação em alimentos líquidos. Algumas empresas, como a Nature’s Fynd, já iniciaram testes com iogurtes à base de micélio, abrindo novas frentes de mercado.

Mercado bilionário e sustentabilidade

Atualmente, o setor de análogos de carne com micélio é avaliado em US$ 7,2 bilhões e cresce a uma taxa anual de 10,78%. Já os substitutos de laticínios com base em micélio devem atingir US$ 32,38 bilhões até 2032, com crescimento ainda mais acelerado.

O cultivo do micélio tem baixa emissão de carbono, menor consumo de água e aproveitamento de subprodutos como substratos, o que fortalece sua circularidade. Apesar do gasto energético elevado, especialmente na fermentação submersa, o impacto ambiental é menor que o da pecuária tradicional.

Do ponto de vista nutricional, as micoproteínas são fontes de aminoácidos essenciais e minerais como zinco e selênio. Estudos já apontam benefícios como redução do colesterol, melhora da saciedade e controle da glicemia. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de mais estudos sobre digestibilidade e potenciais reações alérgicas.

Futuro da alimentação

Produtos derivados de micélio ainda são classificados como “novos alimentos” e precisam de aprovações regulatórias específicas. Embora liberados pela FDA desde 2001, não existem diretrizes claras sobre ingestão diária e há restrições para crianças menores de três anos.

Empresas de biotecnologia seguem investindo em cepas seguras, escalonamento e diversificação de produtos. A Rhiza, micoproteína desenvolvida pela The Better Meat Co., já possibilita desde linguiças até carnes vegetais secas.

Se os avanços tecnológicos e regulatórios continuarem, os fungos poderão consolidar seu papel como protagonistas no futuro da alimentação global, oferecendo nutrição de qualidade com menor impacto ambiental.



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AgroNewsPolítica & Agro

É possível identificar bebidas adulteradas com metanol?


O consumo de bebidas adulteradas com metanol já causou pelo menos duas mortes confirmadas no Brasil, além de outros 223 casos em investigação. Os dados são do Ministério da Saúde e acenderam um alerta entre autoridades sanitárias, especialistas e consumidores. O estado de São Paulo concentra 85% das ocorrências nacionais, incluindo sete mortes ainda sob análise.

O que está por trás desse crescimento de intoxicações é o uso criminoso do metanol na produção clandestina de bebidas, especialmente destilados. “O metanol não tem dose segura para ingestão humana. Mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira irreversível e levar à morte”, alerta a bióloga Rosana Martins dos Santos, consultora da Sapientia Consultoria em Alimentos.

O que é metanol e por que ele é tão perigoso?

Visualmente, o metanol é quase idêntico ao etanol — o álcool comum usado em bebidas. É transparente, possui a mesma viscosidade e até um odor semelhante. Mas no organismo, o efeito é devastador. “No fígado, o metanol é convertido em formaldeído e ácido fórmico, substâncias altamente tóxicas que afetam o sistema nervoso, o nervo óptico e o pH do sangue”, explica Rosana.

Essas alterações químicas comprometem o metabolismo celular e podem causar falência múltipla de órgãos. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, náuseas e tontura, mas evoluem rapidamente para alterações visuais, convulsões, coma e óbito. “O risco aumenta quando o metanol é consumido junto com etanol, pois os sintomas podem demorar a aparecer e dificultam o diagnóstico precoce”, acrescenta a especialista.

Destilados são os principais alvos da adulteração

As bebidas mais frequentemente associadas aos casos de metanol são os destilados: cachaça, vodka, gin e aguardentes. Isso ocorre porque o metanol aparece na fração inicial da destilação — parte que deve ser descartada nos processos industriais. No entanto, em produções clandestinas, essa porção é mantida para aumentar o volume da bebida.

Já cervejas e vinhos industrializados apresentam risco muito menor. “Essas bebidas fermentadas têm processos que não favorecem a formação de metanol e, além disso, passam por uma fiscalização mais rigorosa do Ministério da Agricultura”, explica Rosana.

Falsificações sofisticadas dificultam a identificação

A presença do metanol em bebidas decorre de um esquema de falsificação cada vez mais complexo. Criminosos reaproveitam garrafas originais, replicam rótulos com perfeição e até simulam lacres autênticos. “Mesmo garrafas aparentemente lacradas podem esconder líquidos adulterados. Há um comércio livre online de rótulos e garrafas falsas”, alerta a consultora.

Em setembro, a polícia desmantelou uma fábrica clandestina em Americana (SP), que distribuía bebidas destiladas para o interior e a capital. O caso evidenciou a fragilidade da fiscalização e a sofisticação das fraudes.

Como o consumidor pode se proteger

Rosana reforça que não é possível identificar a presença de metanol apenas com o paladar ou olfato. “Sabor estranho, cheiro químico forte ou coloração incomum são sinais de alerta, mas não comprovam a presença do metanol. A única forma segura é por meio de análises laboratoriais, como a cromatografia gasosa.”

Cuidados na compra e consumo são essenciais:

– Prefira sempre canais confiáveis: supermercados, distribuidoras e lojas formais;

– Exija nota fiscal;

– Desconfie de preços muito abaixo do mercado;

– Observe rótulos, número de lote, lacre e qualidade da impressão;

– Em festas e bares, opte por bebidas fechadas e de marcas conhecidas;

– Nunca aceite bebidas a granel ou de procedência desconhecida.

Avanços na detecção e tratamento

Existem estudos promissores sobre formas rápidas de detectar metanol, como sensores colorimétricos e canudos detectores — alguns em fase experimental no Brasil. Em outros países, tiras reagentes estão disponíveis, mas com sensibilidade limitada.

Caso ocorra a ingestão, o tratamento precisa ser imediato. “O antídoto ideal é o fomepizol, mas o etanol hospitalar também pode ser utilizado, pois inibe a formação dos metabólitos tóxicos. Em casos graves, a hemodiálise é necessária”, afirma Rosana. A janela crítica para atendimento é de poucas horas após os primeiros sintomas.

Informação é a melhor prevenção

Especialistas apontam que a falta de informação é um dos principais fatores que agravam a crise. “Muitas mortes poderiam ser evitadas com mais fiscalização e uma comunicação clara à população sobre os riscos e formas de identificar bebidas suspeitas”, conclui Rosana Martins dos Santos.

Veja a entrevista na íntegra

Portal Agrolink: O que é o metanol? E por que ele é tão perigoso para o consumo humano, mesmo em pequenas quantidades?

Rosana Martins dos Santos: O metanol, também chamado de álcool metílico, é um produto químico semelhante ao etanol. É utilizado na indústria como solvente industrial e combustível aeronáutico. O problema é que, quando ingerido, o fígado converte o metanol em formaldeído e ácido fórmico, duas substâncias altamente tóxicas para o nosso organismo. Isso pode causar desde uma forte intoxicação até cegueira irreversível e, em casos mais extremos, a morte.

Segundo o Dr. Ramos, do Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, esse ácido é corrosivo para o nervo óptico e para a estrutura do sistema nervoso como um todo. Ele também altera o pH do sangue, o que pode comprometer o metabolismo celular e o funcionamento dos órgãos vitais, levando a complicações graves, incluindo a falência de múltiplos órgãos. O mais alarmante é que doses muito pequenas já são suficientes para provocar sérios danos à saúde. Por isso, dizemos que o metanol não tem dose segura para ingestão humana.

Portal Agrolink: Existe alguma bebida com menor risco de ser adulterada com metanol?

Rosana Martins dos Santos: Sim. Em geral, as bebidas fermentadas, como cervejas e vinhos industrializados, têm um risco muito menor de serem adulteradas, pois o processo de produção não favorece a formação de grandes quantidades de metanol. Além disso, essas cadeias produtivas passam por uma fiscalização muito mais rígida do Ministério da Agricultura, o que garante controles atualizados e processos produtivos em dia. Isso não significa que estão 100% livres de risco, mas os casos mais graves ocorrem em destilados adulterados ou produzidos sem controle adequado.

Portal Agrolink: Como ocorre a falsificação de bebidas?

Rosana Martins dos Santos: Há falsificações bastante sofisticadas, com criminosos reutilizando garrafas originais ou criando rótulos falsos muito semelhantes aos originais. Em Americana (SP), no dia 30 de setembro, a polícia desarticulou uma fábrica clandestina de bebidas destiladas que fornecia para o comércio da capital e do interior. Existe um comércio livre online de rótulos e garrafas idênticas aos originais, o que dificulta muito a ação das autoridades. Mesmo garrafas aparentemente lacradas podem conter bebidas adulteradas. A recomendação é comprar apenas de canais confiáveis, observar atentamente o rótulo, o lacre, o número do lote e sempre exigir nota fiscal.

Portal Agrolink:  É possível identificar uma bebida adulterada sem análise laboratorial?

Rosana Martins dos Santos: Não é possível ter certeza sem exame laboratorial. Existem sinais que podem levantar suspeitas, como sabor estranho, cheiro químico forte ou coloração diferente do habitual. Mas nenhum desses sinais é prova de presença de metanol. A única forma confiável de detectar a substância é por meio de análise laboratorial, como a cromatografia gasosa, considerada o padrão ouro.

Portal Agrolink:  É seguro comprar bebidas alcoólicas em supermercados e lojas formais?

Rosana Martins dos Santos: Sim. O risco é menor nesses estabelecimentos, pois há fiscalização e rastreabilidade da cadeia de distribuição. Já em bares, festas e pontos de venda informais, o risco aumenta, principalmente quando a bebida é servida sem lacre original ou comprada de fornecedores duvidosos, sem rótulo ou identificação.

Portal Agrolink: Como identificar sinais de adulteração?

Rosana Martins dos Santos:  Sinais de alerta incluem: preço muito abaixo do mercado, rótulo mal impresso ou com erros, ausência de número de lote, fabricante ou lacre mal colocado. A venda em locais sem nota fiscal, como festas ou bares, exige cuidado redobrado. Desconfie sempre de bebidas em garrafas reaproveitadas ou sem identificação.

Portal Agrolink:  Quais os sintomas após ingestão de metanol? Em quanto tempo aparecem?

Rosana Martins dos Santos: Os sintomas surgem de 6 a 24 horas após a ingestão. Inicialmente, a pessoa sente náuseas, dor abdominal, dor de cabeça e tontura — semelhantes a uma ressaca. Depois, surgem os sintomas mais graves: visão borrada, sensação de névoa nos olhos, até perda total da visão. Pode evoluir para convulsões, coma e morte. Quando ingerido com etanol, os sintomas podem demorar mais para aparecer, dificultando o diagnóstico.

Portal Agrolink:  Que cuidados o consumidor deve ter ao escolher bebidas, especialmente em festas e bares?

Rosana Martins dos Santos: Observar se a garrafa está lacrada, se o rótulo contém lote e registro, desconfiar de preços baixos e exigir nota fiscal. Em bares e festas, prefira bebidas fechadas, de marcas conhecidas e sempre atente aos lacres. Nunca aceite bebidas de origem duvidosa ou vendidas a granel.

Portal Agrolink:  Quais bebidas são mais suscetíveis à adulteração com metanol?

Rosana Martins dos Santos: Principalmente os destilados: cachaça, vodka, aguardente e destilados caseiros. Isso porque, na destilação, o metanol se concentra na porção inicial, que deve ser descartada nos processos industriais. Em produções criminosas, essa parte é mantida para aumentar o volume da bebida.

Portal Agrolink:   Há métodos simples para detectar metanol?

Rosana Martins dos Santos: Estão sendo desenvolvidos sensores e tiras reagentes, mas ainda não há métodos validados para uso em larga escala. Um exemplo é o estudo da Universidade Estadual da Paraíba, que desenvolve canudos que mudam de cor na presença de metanol. Em outros países, existem tiras no mercado, mas com confiabilidade limitada.

Portal Agrolink:   Existe tratamento eficaz para intoxicação por metanol? Qual o tempo crítico para atendimento?

Rosana Martins dos Santos: Sim, mas o tratamento deve ser iniciado rapidamente. O antídoto mais indicado é o fomepizol, ou o etanol em ambiente hospitalar, que inibem a formação de substâncias tóxicas no fígado. Em casos graves, é necessária hemodiálise. A janela crítica é de poucas horas após o início dos sintomas — atendimento precoce aumenta as chances de recuperação.





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