Nesta terça-feira (21), o mercado físico do boi gordo voltou a registrar negócios acima da referência média, com destaque para Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Em São Paulo, os preços permaneceram sustentados, apoiados pela boa disponibilidade de animais terminados em confinamento e pela posição confortável das escalas de abate nos frigoríficos de maior porte, impulsionadas por animais de parceria.
O mercado atacadista da carne bovina segue firme nesta semana. A expectativa é de continuidade do movimento de alta no curto prazo, acompanhando o aquecimento do consumo doméstico típico do fim de ano.
A chegada do décimo terceiro salário, o aumento de vagas temporárias e as confraternizações de fim de ano contribuem para maior circulação de dinheiro e melhora na reposição entre atacado e varejo.
Quarto traseiro: R$ 25,00/kg
Ponta de agulha: R$ 17,00/kg
Quarto dianteiro: R$ 18,20/kg
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,36%, cotado a R$ 5,3899 para venda e R$ 5,3879 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3699 e a máxima de R$ 5,4044.
A estratégia de cruzamento do pecuarista que utiliza o gir leiteiro em vacas jersolanda (que combinam jersey e holandês) pode resultar em um tricross de grande valor genético.
Segundo o zootecnista e especialista em gado leiteiro, Guilherme Marquez, esse acasalamento gera um “trigrau”, que agrega a rusticidade do zebuíno e mantém a produção leiteira do taurino. A composição do bezerro é facilmente calculada, sendo crucial para o planejamento genético.
Confira:
Neste caso específico, assume-se que a matriz jersolanda (uma variação de girolando) seja meio-sangue (50% jersey e 50% holandês). Ao utilizar um touro gir leiteiro (uma raça zebuína pura, ou seja, 100% gir) nessas matrizes, o resultado é um bezerro com uma composição genética que otimiza a heterose (vigor híbrido).
O zootecnista explica que o bezerro resultante terá uma composição de 50% de sangue gir leiteiro, proveniente do touro zebuíno puro. O restante (50%) será de sangue taurino, proveniente da matriz jersolanda, dividido em 25% de holandês e 25% de jersey.
Dessa forma, o bezerro se torna um tricross, com uma composição final de 50% sangue zebuíno (1/2 gir) e 50% sangue taurino (1/4 holandês + 1/4 jersey).
Esse grau de sangue é considerado ideal para a produção de leite em regiões quentes, pois garante a rusticidade necessária para o clima tropical e a persistência leiteira do taurino, resultando em animais altamente adaptados e produtivos.
Alerta legal: rastreabilidade obrigatória para evitar multas
Embora o foco do criador esteja na genética, o cenário da pecuária exige atenção máxima à rastreabilidade e à segurança jurídica de todo o rebanho.
O Decreto Federal 6.514/2008 prevê penalidades severas: a aquisição, o transporte ou a comercialização de produtos de origem animal provenientes de áreas com desmatamento ilegal ou embargadas gera multas de R$ 500 por quilo ou unidade.
Portanto, a simples atenção ao grau de sangue não é mais suficiente. O produtor deve ter um controle rigoroso de toda a movimentação do rebanho, utilizando ferramentas de rastreabilidade (como GTA e CAR georreferenciado) para comprovar a origem legal e ambiental de cada bezerro.
Essa é a única forma de proteger o patrimônio da fazenda e garantir o acesso aos mercados mais exigentes, unindo a excelência genética à conformidade legal.
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, assinou nesta terça-feira (21) o Decreto nº 12.589, que prorroga por mais quatro anos, até outubro de 2029, o prazo para a exigência do georreferenciamento de imóveis rurais em casos de transferência, como venda, doação ou desmembramento. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
Segundo Alckmin, a decisão atende à demanda de produtores que ainda não conseguiram realizar o processo de certificação devido ao alto custo e à complexidade técnica envolvida. “Assinei o decreto porque esta semana venceria o prazo para o georreferenciamento das propriedades rurais. Isso dá um prazo mais longo para que todos possam se adequar à lei e promover o georreferenciamento”, afirmou o presidente em exercício.
O georreferenciamento é o processo técnico que define a localização, os limites e as dimensões de um imóvel rural por meio de coordenadas geográficas obtidas com GPS de alta precisão, drones ou imagens de satélite.
A exigência foi criada para garantir a exatidão dos limites das propriedades e evitar sobreposição de áreas, sendo obrigatória em transações como venda, herança, registro e obtenção de crédito rural.
A prorrogação foi proposta pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) após relatos de dificuldades enfrentadas, sobretudo por pequenos proprietários, para cumprir a exigência.
Com a nova regra, o georreferenciamento nas situações de desmembramento, parcelamento, remembramento ou transferência de imóveis rurais só será obrigatório a partir de 21 de novembro de 2029.
O decreto também unifica o prazo para imóveis de todas as dimensões, o que, segundo o governo, permitirá mais tempo de planejamento e adequação para os produtores rurais.
O mercado brasileiro de soja apresentou movimentações discretas nesta terça-feira (21). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dia foi marcado por pequenas operações e sem grandes alterações nas ofertas. “O mercado rodou pequenos lotes hoje, sem muitas mudanças”, afirmou.
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Silveira acrescenta que as cotações operaram de maneira mista, mas com oscilações pequenas. “A volatilidade também esteve presente nas referências externas. A CBOT chegou a operar em alta, depois recuou novamente; o dólar também ficou volátil e os prêmios caíram levemente”, avaliou.
Segundo ele, o comportamento do produtor segue estável. “No geral, o produtor mantém o foco no plantio da safra nova, e a comercialização antecipada continua lenta”, explicou.
Soja no Brasil
Passo Fundo (RS): caiu de R$ 134,00 para R$ 133,00
Santa Rosa (RS): caiu de R$ 135,00 para R$ 134,00
Cascavel (PR): manteve em R$ 134,00
Rondonópolis (MT): caiu de R$ 126,00 para R$ 124,00
Dourados (MS): manteve em R$ 125,50
Rio Verde (GO): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
Paranaguá (PR): manteve em R$ 140,00
Rio Grande (RS): caiu de R$ 140,00 para R$ 139,50
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam o dia com leve baixa para grão e óleo, e cotações mistas para o farelo. O mercado mostrou bastante volatilidade, oscilando entre altas e baixas dentro de pequenas margens.
Dúvidas sobre as negociações comerciais entre Estados Unidos e China abriram espaço para um movimento de realização de lucros, após quatro sessões consecutivas de alta. A boa evolução da colheita da safra norte-americana e a valorização do dólar frente a outras moedas também contribuíram para o ajuste.
Contratos futuros
O contrato da soja em grão com entrega em novembro de 2025 fechou a US$ 10,30 ¾ por bushel, queda de 1,00 centavo (0,09%). A posição janeiro de 2026 encerrou a US$ 10,48 ½ por bushel, recuo de 1,50 centavo (0,14%).
Nos subprodutos, o farelo para dezembro de 2025 subiu US$ 1,90 (0,66%), cotado a US$ 286,90 por tonelada. Já o óleo com vencimento em dezembro caiu 0,66 centavo (1,28%), encerrando a 50,65 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou em alta de 0,36%, negociado a R$ 5,3899 para venda e R$ 5,3879 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre a mínima de R$ 5,3699 e a máxima de R$ 5,4044.
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Foto: Agrolink
De acordo com dados do 1º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento, divulgado nesta terça-feira (14), a cultura do milho em Santa Catarina apresenta evolução dentro do esperado, com bom desenvolvimento das lavouras em razão das condições climáticas estáveis. O cenário tem sido marcado por chuvas regulares e de boa intensidade, sem grandes registros de pragas ou doenças.
Na região dos planaltos e serra, o desenvolvimento fenológico segue o padrão esperado. No meio-oeste, a semeadura começou no início de setembro e avançou rapidamente, atingindo cerca de 65% da área estimada até o fim do mês. Segundo o levantamento, “nota-se um leve aumento de área em relação à safra passada, motivado, entre outros, pelo ótimo resultado produtivo obtido anteriormente”.
As lavouras mais adiantadas já receberam cobertura de adubação nitrogenada, aproveitando a umidade adequada do solo. As demais estão em fase de emergência, com crescimento favorecido pela variação térmica dos últimos dias.
No extremo-oeste, há variação nos estágios fenológicos devido ao escalonamento do plantio. Parte dos produtores já concluiu a semeadura, enquanto outros aguardam para ampliar a área cultivada. Assim como nas demais regiões, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das plantas e a realização de tratos culturais, incluindo aplicação de herbicidas e fertilizantes. A manutenção da umidade do solo tem contribuído para a germinação, emergência, estabelecimento adequado das plantas e desenvolvimento vegetativo inicial.
A menos de três semanas para a COP30, que será realizada em Belém, Pará, países ainda não apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que indicam metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.
Em discurso oficial, o presidente Lula destacou que a conferência será um momento de comprovar o comprometimento global com o futuro sustentável. “Será a COP da verdade. Será o momento de líderes mundiais provarem seriedade de seu compromisso com o planeta”, afirmou.
Segundo Lula, o Brasil já se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% das emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e setores da economia.
De acordo com o head of agribusiness, Renato Rodrigues, a COP é um processo de diplomacia multilateral que ocorre desde 1995, delegações de quase 200 países se reúnem para combater as mudanças climáticas sem comprometer o crescimento econômico global.
Rodrigues afirma que, a questão pode parecer simples, mas envolve decisões complexas que impactam tanto o meio ambiente quanto o desenvolvimento das nações, exigindo negociações delicadas e soluções colaborativas entre os líderes mundiais.
Rodrigues ressalta que, embora complexo e lento, o processo permite que todos os países tenham igualdade de condições nas negociações. A COP30 representa ainda a oportunidade histórica de o Brasil liderar discussões globais sobre clima e sustentabilidade, assumindo a presidência do processo até 2026.
O processo envolve grupos de trabalho, plenárias, reuniões informais e negociações nos bastidores. Cada documento, como uma resolução da COP, é debatido palavra por palavra e precisa ser aprovado por consenso. Esse processo é lento e complexo, mas é o único que garante que todos os países tenham condições iguais de debate, tornando a COP um espelho da política internacional e da tentativa humana de cooperar diante de um desafio comum.
Importância histórica
Ao longo da história, a COP criou mecanismos importantes, como o Protocolo de Kyoto, em 1997, que estabeleceu metas obrigatórias de redução para países desenvolvidos, e o Acordo de Paris, em 2015, que ampliou o sistema de metas voluntárias conhecidas como NDCs. Desde Paris, o modelo passou de comando para coordenação, e hoje o mundo entra em uma era de prestação de contas, saindo da fase de promessas para mostrar resultados concretos.
Brasil na liderança das negociações
A COP30, marca um novo ciclo do regime climático global, 33 anos após a Rio 92, com o Brasil assumindo a presidência do processo até a próxima COP em 2026. O evento representa uma oportunidade histórica de mostrar que o multilateralismo ainda funciona e que os países podem cooperar, com o Brasil liderando pela ciência, diplomacia e resultados.
Expectativa para a COP30
Embora a COP não tenha temas específicos, a expectativa é que seja “a COP da coerência”. Mais do que uma conferência sobre o clima, a COP é o esforço contínuo da humanidade para negociar seu próprio futuro, buscando entendimento e cooperação, mesmo diante de diferenças. O clima é o desafio do século, e a cooperação multilateral permanece como a única resposta possível.
Os pecuaristas dos Estados Unidos ficaram irritados com as recentres declarações de Donald Trump sobre a carne argentina. O presidente norte-americano disse para jornalistas no último domingo (19) que estava cogitando comprar carne bovina da Argentina para baixar o preço do alimento no país.
Em resposta aos planos do republicanos, a NCBA, entidade que reúne os principais pecuaristas americanos publicou uma nota na terça-feira (20) criticando os planos de Trump
“Os agricultores familiares e pecuaristas da NCBA têm inúmeras preocupações com a importação de mais carne bovina argentina para reduzir os preços ao consumidor. Este plano só cria caos em um momento crítico do ano para os produtores de gado americanos, sem fazer nada para reduzir os preços nos supermercados”, disse o CEO da NCBA, Colin Woodall
Em outro trecho do comunicado a entidade pede para que o presidente dos Estados Unidos não se intrometa no mercado de carnes americano
“Apelamos ao Presidente Trump e aos membros do Congresso para que deixem o mercado funcionar, em vez de intervir de maneiras que só prejudicam as áreas rurais dos Estados Unidos”, diz a nota.
Com o retorno das chuvas, a semeadura de soja continua avançando em diferentes áreas produtoras do Brasil. De acordo com a Conab, cerca de 21,7% da área prevista já foi plantada, aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Em Mato Grosso, o plantio registrou forte aceleração, impulsionado pela maior abrangência dos eventos de chuva nos últimos dias.
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Em Minas Gerais, o plantio também avança nas áreas irrigadas, e os produtores já iniciaram os trabalhos nas lavouras de sequeiro. Segundo a previsão do tempo, as condições climáticas tendem a permanecer favoráveis nas próximas semanas.
Plantio de soja no Sudeste, Sul e Centro-Oeste
A chuva chegou e animou o produtor, possibilitando-o de avançar com os trabalhos em campo. No Sudeste e em parte do Centro-Oeste, especialmente no Matopiba, a umidade deve se manter, garantindo boas condições para o plantio.
Em São Paulo e Paraná, o avanço da semeadura de soja também é expressivo, com o Paraná alcançando cerca de 40% da área prevista. No entanto, algumas regiões ainda exigem atenção, principalmente o centro-norte de Minas Gerais, a Bahia e o norte de Goiás, onde a umidade do solo ainda é limitada.
No Centro-Oeste, as chuvas recentes não foram totalmente bem distribuídas, mas já aliviaram o déficit hídrico enfrentado por muitos produtores. A previsão indica que o tempo deve seguir quente e seco nesta semana, mas uma nova frente fria no fim de semana deve espalhar chuvas de até 30 milímetros nas áreas produtoras.
Sorriso (MT)
Em Sorriso (MT), importante município produtor, as temperaturas podem chegar a 38 °C e 39 °C na primeira quinzena de novembro. Ainda assim, a previsão aponta para o retorno das chuvas em bom volume, com acumulados que podem ultrapassar 150 milímetros entre 10 e 15 dias.
Cenário do Matopiba
Enquanto isso, no Matopiba, as instabilidades perdem força, concentrando os temporais sobre o Mato Grosso. No litoral da Bahia, especialmente em Salvador, os acumulados já ultrapassaram 100 milímetros nas últimas 12 horas, o que pode gerar transtornos nas áreas urbanas.
Proteger o rebanho e garantir a segurança do investimento no campo ainda é um desafio para muitos pecuaristas. Entre as soluções que vêm ganhando espaço no Brasil está o seguro de animais, uma ferramenta de gestão de risco que vem se tornando cada vez mais presente nas propriedades rurais.
Para explicar o funcionamento e as vantagens desse tipo de proteção, o programa A Protagonista entrevistou Karen Matieli, fundadora da Denner Seguro de Animais, considerada a maior corretora especializada do país.
Da farmácia ao agronegócio
Natural de Sorocaba (SP) e formada em Farmácia, Karen entrou no universo agro de forma inesperada. O ponto de virada ocorreu quando o filho começou a praticar hipismo em Araras (SP).
“Um dia, o dono da hípica me pediu para fazer o seguro dos cavalos. Eu nem sabia que isso existia. Foi essa simples pergunta que mudou toda a minha história”, conta.
Na época, sua corretora atuava apenas com seguros de vida e empresariais. A curiosidade e a visão empreendedora levaram Karen a explorar um segmento praticamente desconhecido no país, transformando-se em referência nacional. Hoje, a empresa desenvolve produtos sob medida e mantém parcerias com seguradoras multinacionais.
“O seguro de animais ainda é novo no Brasil. Em outros países ele já é consolidado, mas aqui ainda estamos no começo”, observa.
Como funciona o seguro pecuário
O seguro de animais pode ser contratado para bovinos, suínos, aves e equinos, adaptando-se ao tipo de produção e ao valor de cada rebanho.
“No caso da bovinocultura, é possível cobrir rebanhos de corte, de leite e de genética, que exigem atenção especial devido ao alto valor de investimento”, explica Karen.
As coberturas incluem morte acidental ou por doença, picada de cobra, raio, insolação, aborto, parto e até eutanásia por motivos humanitários. Em alguns casos, o seguro também protege estruturas da fazenda, como barracões, confinamentos e equipamentos.
“Quando apresentamos uma proposta ao produtor, não falamos apenas de proteger o gado, mas de oferecer uma gestão de risco para toda a propriedade”, enfatiza a empresária.
Custos e fatores de cálculo
O valor do seguro depende da espécie, da finalidade do animal e das condições da propriedade. “É um processo individualizado. Avaliamos mortalidade, raça, sistema de criação e produtividade. Quanto menor o risco, melhores são as condições da seguradora”, detalha Karen.
Ela exemplifica com o caso de um touro de R$ 100 mil adquirido em leilão: o custo médio do seguro gira em torno de 4,5% do valor do animal por ano, garantindo cobertura contra morte, acidentes, doenças ou perda da função reprodutiva — modalidade bastante procurada em rebanhos de genética.
Falta de informação ainda é obstáculo
Mesmo com os benefícios, a falta de informação ainda é o principal entrave para a expansão desse mercado.
“O produtor rural tem uma rotina intensa e muitas vezes não tem tempo de buscar novidades. Ele ainda vê o seguro como algo distante, mas é uma ferramenta essencial de estabilidade diante dos imprevistos do campo”, destaca Karen.
Para ela, iniciativas de comunicação têm papel crucial nesse avanço. “Quando mostramos exemplos reais e explicamos o funcionamento de forma simples, o produtor entende o quanto o seguro pode proteger seu negócio e garantir a continuidade da produção”, conclui.
Prestes a concluir sua gestão à frente do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o diretor-geral Manuel Otero compartilha suas perspectivas sobre o Brasil. Para ele, o país seguirá como uma potência agroalimentar e referência em agricultura sustentável.
“O Brasil talvez seja o ator mais importante no universo agro das Américas”, afirma. A declaração ao Canal Rural antecede a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas, que ocorre em Brasília, de 3 a 5 de novembro. De acordo com o diretor-geral do IICA, a oportunidade é única, já que a reunião deve reunir cerca de 25 ministros e vice-ministros de Agricultura, algo que não acontece em outros encontros deste tipo.
Além disso, Otero também adiantou que um acordo com a Embrapa deve ser assinado em breve. “Possivelmente, teremos um escritório da Embrapa na sede central do IICA. Essas duas instituições, com respeito e colaboração, ampliam a dimensão hemisférica da tecnologia agrícola”.
Foco na construção de pontes
A reunião ministerial de novembro tem o objetivo de criar uma nova narrativa para o agro das Américas. No entanto, Otero alerta para desafios e contradições que cercam a atividade.
“A região lidera as exportações mundiais de alimentos, mas a agricultura latino-americana ainda carrega a imagem de simples fornecedora de commodities, ligada à destruição ambiental e sem diferenciação”, diz. Para o diretor-geral do IICA, o setor precisa ser autocrítico, mas também deve se orgulhar do que construiu até aqui.
A solução, porém, está na construção de pontes entre o setor produtivo e o consumidor final. “É isso que vamos discutir na reunião, através de duas sessões para debater o escopo da nova narrativa e gerar ideias sobre a nova geração de políticas públicas que ainda faltam”, ressalta.
Otero destaca ainda que os ministros de agricultura devem saber onde colocar o foco da narrativa do agro. Segundo ele, a estratégia comunicacional tem que ser mais agressiva e as novas gerações devem ser envolvidas no processo.
Cooperação para uma agricultura mais sustentável
Se por um lado o Brasil figura como um dos grandes exportadores de alimentos, outros países da região dependem fortemente da importação para garantir a segurança alimentar interna. Conforme dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em 12 países do Caribe as importações de alimentos representam mais de 20% do total exportado.
O IICA desempenha papel central nesse processo, em parceria com a Embrapa, referência internacional em pesquisa agropecuária. “A instituição é amplamente reconhecida e admirada no continente. Todos buscam firmar acordos com ela, e o IICA atua como ponte entre a Embrapa e as demandas tecnológicas dos países”, afirma Otero.
COP30 e o futuro das Américas
Em relação à COP30, conferência do clima das Nações Unidas, a avaliação é de otimismo. Para o diretor-geral do IICA, o evento será uma oportunidade para mostrar que a agricultura das Américas está em transformação, e que o Brasil deve ter papel de destaque nesse processo.
“Não é apenas retórica. O plantio direto em todo o Mercosul, sistemas agroflorestais, melhoramento genético animal e melhorias em pastagens são avanços concretos. Queremos mostrar que a agricultura está se transformando e que o Brasil terá papel relevante na defesa da agricultura sustentável”, pontua.
Otero também adiantou alguns temas que devem orientar o futuro do IICA após o fim de sua gestão. “As prioridades podem variar entre os países, mas devem incluir a agricultura digital, sustentável e resiliente, com foco nas pessoas, além de atenção às questões comerciais, sanitárias e aos sistemas produtivos”, conclui.