quarta-feira, abril 15, 2026

Autor: Redação

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Páscoa: o chamado para cultivar o coração


cesta básica Páscoa
Foto: Pixabay

Muitas vezes, mergulhados na rotina das cidades ou na correria das safras, esquecemos que a Páscoa e a agricultura compartilham a mesma essência: a celebração da vida que renasce. Se olharmos com atenção para o campo, veremos que o trabalho do produtor rural é, na prática, um exercício diário de fé, paciência e resiliência, virtudes que estão no centro da tradição cristã.

Essa reflexão se torna ainda mais necessária no mundo atual. Vivemos um tempo marcado por tensões, vaidades e uma busca constante por poder e resultado, enquanto valores essenciais vão sendo deixados de lado.

Sem valores, não há colheita que se sustente

Para entender essa conexão, é preciso voltar à origem. As grandes festas bíblicas sempre estiveram ligadas aos ciclos agrícolas, e a Páscoa é um momento de passagem e renovação. No campo, sabemos que para a semente gerar fruto, ela precisa primeiro ser lançada à terra e, de certa forma, “morrer” em seu estado original. Através de sua crucificação e ressurreição, Jesus Cristo deixou uma mensagem que o mundo moderno parece esquecer: é possível recomeçar sem ódio ou rancor, pautando-se apenas no perdão e na compaixão.

Não há colheita sem plantio, nem transformação sem renúncia. E talvez o maior erro do nosso tempo seja tentar avançar sem rever valores.

Cristo ressuscitou sem ódio, e nós seguimos acumulando rancor

Do ponto de vista prático, a agricultura materializa os símbolos da fé cristã. O pão e o vinho, presentes na mesa de Páscoa, nascem do trabalho no campo, da combinação entre esforço humano e aquilo que foge ao nosso controle. Mas há algo além disso: o alimento que nutre o corpo deveria caminhar junto com aquilo que nutre o espírito, e é justamente essa conexão que estamos perdendo.

A Páscoa, portanto, não é apenas uma data, mas um chamado. Em um ambiente cada vez mais endurecido, somos convidados a fazer o que o agricultor faz: preparar o terreno. Arar o coração. Rever posturas, abrir espaço para o respeito, para a empatia e para a compreensão. Porque nenhuma sociedade se sustenta apenas com regras ou estruturas econômicas, ela depende, antes de tudo, de valores.

Estamos construindo um mundo eficiente, mas frio; conectado, mas distante; produtivo, mas muitas vezes vazio de sentido. A agricultura ensina que nada florece em solo endurecido, e o mesmo vale para as relações humanas.

O mundo pode até avançar na tecnologia, mas está atrasando no essencial

Nesta Páscoa, mais do que celebrar, é preciso refletir. Refletir sobre o exemplo de Cristo, que enfrentou a dor sem espalhar ódio e mostrou que a reconstrução passa pelo perdão. O campo nos ensina todos os dias que a vida recomeça, mas exige preparo, cuidado e intenção.

No fim, não é apenas a terra que precisa ser cultivada,  é o coração. E talvez seja exatamente isso que o mundo mais precisa agora.ntar. Quando a produção falha, o mercado se ajusta, e quem está pronto ocupa espaço.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Indústria do arroz se despede de Cezar Augusto Gazzaneo


arroz
Foto: Freepik

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) manifestou pesar pela morte de Cezar Augusto Gazzaneo, ex-diretor-executivo do Sindicato da Indústria do Arroz (Sindarroz), nesta sexta-feira (3).

Com atuação destacada e trânsito entre os diferentes elos da cadeia produtiva, Gazzaneo foi um dos nomes importantes na articulação que levou à criação da Abiarroz, em 2009, contribuindo para ampliar a representatividade da indústria do arroz no Brasil.

Ao longo de sua trajetória, participou de debates relevantes para o setor e esteve à frente de pautas voltadas ao fortalecimento das entidades representativas. Sua atuação foi marcada pelo diálogo, respeito institucional e postura ética.

A entidade também prestou solidariedade aos familiares e amigos, desejando força e conforto neste momento difícil.

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Minas Gerais aposta em pesquisa para virar polo de produção de cacau


Foto: Freepik

O estado de Minas Gerais está em movimentação para aumentar a produção de cacau do estado. Atualmente, Minas Gerais está entre os 10 maiores produtores do fruto no Brasil, com apenas 580 hectares plantados. Porém, o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, enxerga um grande potencial de crescimento, principalmente olhando para a região norte do estado, onde iniciativas e investimentos têm sido feitos em pesquisas realizadas pela Epamig.

Segundo Thales, as condições climáticas ao norte de Minas são favoráveis para esse plantio. As altas temperaturas, a baixa umidade e o uso de tecnologias de irrigação favorecem esse desenvolvimento, “Outra estratégia tem sido o plantio consorciado com as plantações de banana,  um sistema agroflorestal que utiliza a bananeira como proteção para o cacau, garantindo sombreamento e umidade”, explicou o secretário.

Preparação

Uma pesquisa que será realizada pela Epamig de novas cultivares, deve fortalecer essa produção no estado. Ainda em fase de preparação, a previsão é que o plantio tenha início em abril de 2026 nos Campos Experimentais de Mocambinho e Gorutuba.

A pesquisadora e coordenadora do projeto detalhou a iniciativa e quais resultados se espera dele, “O objetivo é determinar a melhor forma de cultivar o cacau aqui na nossa região. Como estamos em uma área de semiárido, e o cultivo tradicional do cacau é feito à sombra, a proposta é justamente testar algo diferente, o cultivo a pleno sol e a aplicação de proteção solar parcial”, contou Willy Dias. 

Outra etapa do teste será o comparativo com outros plantios em consórcio com banana, locais que oferecem sombreamento. A idéia é entender se é necessário o sombreamento ou não para a produção.

Outro ponto, é o convite de integração da Epamig com o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, junto com as Universidades Federais de Viçosa (UFV)  de Lavras (UFLA), junção que deve favorecer o projeto com melhores pesquisas.

O mercado do cacau já é importante em Minas gerais

Deny Sábio, coordenador técnico estadual de fruticultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), comentou sobre a importância atual da produção de cacau em Minas Gerais

“Cada hectare gera dois empregos diretos e quatro indiretos”. Ele acrescentou que houve um aumento significativo dessa produção no estado, visto que passou a fazer parte do levantamento de safra da Emater-MG.

Em Jaíba, a produção de cacau é a campeã no estado de Minas, com 256 hectares plantados, números que correspondem a 53,3% do estado. Em seguida, vêm Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares).

Segundo a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Manoela Teixeira, Minas registra um volume total das exportações de 7 mil t de cacau e seus derivados, movimentando US$ 64,9 milhões.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Chuvas interferem na colheita de milho silagem



Milho silagem mantém potencial em parte do estado



Foto: Agrolink

A colheita do milho destinado à produção de silagem no Rio Grande do Sul alcança cerca de 80% da área cultivada, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (2) pela Emater/RS-Ascar. As operações avançam de forma contínua, embora algumas precipitações tenham interferido no ritmo de corte e nas etapas de compactação e vedação dos silos.

O levantamento indica variabilidade na produtividade de massa verde e na composição da silagem, refletindo a irregularidade das chuvas ao longo do ciclo da cultura. Lavouras implantadas em diferentes períodos apresentam contrastes entre desenvolvimento vegetativo e formação de grãos, o que influenciou a qualidade do material destinado à ensilagem. Ainda de acordo com o informativo, as condições climáticas contribuíram para manter o desempenho das áreas que seguem em desenvolvimento, especialmente aquelas em fase de enchimento de grãos.

A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta área de 345.299 hectares cultivados com milho para silagem no estado, com produtividade média de 37.840 quilos por hectare.

Na região administrativa de Bagé, localizada na Campanha, a colheita avançou apesar das dificuldades operacionais provocadas pelas chuvas registradas após o corte das plantas, condição que afetou o processo de ensilagem. No município de Hulha Negra, as lavouras implantadas em dezembro apresentam boa produção de grãos, mas com porte reduzido em razão da restrição hídrica durante a fase vegetativa. Esse cenário resultou em produtividade de massa verde até 20% inferior em comparação às áreas semeadas em novembro. Nessas áreas, a produtividade alcança cerca de 45 mil quilos por hectare, com maior acúmulo de biomassa e menor participação de grãos devido ao estresse hídrico registrado durante o pendoamento e a polinização.

Na região administrativa de Caxias do Sul, a colheita das áreas destinadas à silagem já foi concluída. Conforme o informativo, houve leve redução na produtividade associada à menor umidade do solo durante o ciclo da cultura, sem impacto relevante na qualidade do material ensilado.

Já na região administrativa de Ijuí, as lavouras se encontram predominantemente na fase de formação de grãos. Segundo a Emater/RS-Ascar, as áreas apresentam desenvolvimento vegetativo satisfatório e manutenção do potencial produtivo, favorecidos pelas condições de umidade do solo registradas no período.





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Safra de uva confirma volume e qualidade



Colheita da uva entra na fase final na Serra



Foto: Divulgação

A colheita da uva está praticamente concluída na região administrativa de Caxias do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (2) pela Emater/RS-Ascar. Restam apenas alguns vinhedos destinados ao processamento para autoconsumo.

De acordo com o levantamento, a produção confirmou as projeções iniciais. O relatório aponta “grande volume e excelente qualidade”, além de registrar atraso entre 10 e 15 dias no período de colheita em comparação a uma safra considerada normal. As vinícolas da região seguem contabilizando a quantidade de uvas recebidas e os produtos elaborados ao longo do ciclo.

A comercialização de uvas de mesa continua em andamento, incluindo as variedades Itália, Rubi, Benitaka, BRS Núbia, BRS Isis e BRS Vitória. Conforme o informativo, os preços pagos ao produtor variam entre R$ 8,00 e R$ 15,00 por quilo. Na Ceasa/Serra, a variedade Niágara passou a ser comercializada a R$ 5,00 por quilo.

Na região administrativa de Soledade, a colheita de uvas americanas, viníferas e europeias já foi concluída. O informativo destaca a produtividade registrada na safra. No município de Ibarama, por exemplo, a produção variou entre 12 e 13 toneladas por hectare.

Ainda segundo a Emater/RS-Ascar, a colheita das uvas finas de mesa segue voltada ao consumo in natura, com venda direta ao consumidor. O relatório indica que os cachos apresentam boa formação e que as condições fitossanitárias das lavouras são favoráveis. O grau Brix registrado foi de 16° para a uva Francesa, 18° para a Niágara Rosada e 14,5° para a Bordô.





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Joaninhas ajudam no controle de pragas no campo


Insetos pequenos e frequentemente ignorados nas lavouras, as joaninhas têm papel relevante no controle biológico de pragas e no equilíbrio dos ecossistemas agrícolas. Esses predadores naturais se alimentam de insetos que atacam diversas culturas e são considerados aliados de produtores rurais na proteção das plantações.

De acordo com a engenheira agrônoma Erica Tomé, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, regional de Araraquara, o hábito alimentar das joaninhas contribui diretamente para o controle de pragas agrícolas. “Ela se alimenta de vários insetos, ácaros, cochonilhas, pulgões e moscas brancas, presentes em várias culturas. Geralmente, a joaninha beneficia todas as culturas que podem sofrer com estas pragas. Elas podem comer, por exemplo, cerca de 50 pulgões por dia”, explica.

A atuação desses insetos ocorre durante quase todo o ciclo de vida. Desde a fase larval até a fase adulta, as joaninhas predam organismos considerados prejudiciais às plantações. Algumas espécies também consomem fungos responsáveis por doenças em plantas, como ocorre em cultivos de quiabo.

Pesquisas sobre o comportamento e a eficiência desses insetos vêm sendo conduzidas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio da equipe de entomologistas do Instituto Biológico, unidade da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios em Ribeirão Preto. Os estudos analisam a diversidade de espécies de joaninhas presentes em culturas agrícolas, sua preferência alimentar, o consumo de pragas e o comportamento desses predadores no combate a insetos que afetam as lavouras. Técnicas para a conservação das joaninhas nas áreas de cultivo também fazem parte das pesquisas.

A pesquisadora do Instituto Biológico Terezinha Monteiro estuda o inseto desde o mestrado e se especializou na análise de sua contribuição para a agricultura. “Devido ao hábito alimentar polífago e alta voracidade, as joaninhas, tanto na fase jovem (larva) e adulta, controlam com sucesso uma variedade de pragas em hortaliças, em culturas de produção de cereais e de grãos, pomares de laranja, além de plantas ornamentais. Deste modo, este pequeno predador proporciona benefícios aos agricultores que produzem alimentos que compõem a refeição do dia a dia da população”.

Segundo a pesquisadora, a diversidade de espécies pode ser observada em uma mesma planta. “Em uma única planta podemos encontrar uma diversidade de espécies de joaninhas. Por exemplo, em pomares de laranja existem muitas espécies de joaninhas, aquelas que preferem consumir pulgões, outras que consomem cochonilhas, ácaros e também psilídeos”.

A atuação desses insetos também tem relevância no estado de São Paulo, que concentra grande produção de citros. “O estado de São Paulo é agraciado por ser o maior produtor de laranja do Brasil e o maior exportador de suco de laranja do mundo. Em pomares dessa fruta cítrica, destaca-se a ação de variadas espécies de joaninhas no controle de pragas dos citros, como cochonilhas, pulgões e ácaros. Um grande exemplo de controle biológico de pragas no Brasil”, ressaltou Terezinha.

Além da citricultura, a presença de joaninhas também é observada em outras áreas agrícolas. De acordo com Erica Ybarra, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, esses insetos tendem a ser mais frequentes em cultivos orgânicos ou em áreas que adotam práticas de manejo integrado. “Geralmente, em áreas de culturas orgânicas, com Certificação Orgânica, e naquelas onde são aplicadas as técnicas de MIP, a presença de joaninhas tende a ser maior”.

A diversidade de plantas nas áreas agrícolas também contribui para a presença desses predadores. Plantas ricas em pólen e néctar podem ajudar a atrair e manter joaninhas nas lavouras, favorecendo um ambiente adequado para sua permanência.

Segundo a pesquisadora Terezinha Monteiro, essa integração pode ampliar a presença dos insetos nas áreas de cultivo. “Além de conservar as joaninhas que já estão nos cultivos, é possível atraí-las ainda mais. Isso porque, na fase adulta, além de caçarem pragas, elas se alimentam de pequenas porções de pólen e néctar, o que garante sua sobrevivência em épocas de falta de alimento. Essas plantas também servem como abrigo, promovendo um ambiente adequado que favorece a reprodução e a permanência delas na área”, destacou a pesquisadora.

 

Com informações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.*





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Milho 2025/26 tem 91% das lavouras em boa condição



Safrinha de milho se aproxima da conclusão



Foto: Agrolink

O plantio da segunda safra de milho 2025/26 no Paraná alcançou 99% da área prevista de 2,86 milhões de hectares, segundo o Boletim Conjuntural divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Departamento de Economia Rural do Paraná, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. De acordo com o relatório, “o pequeno volume de área restante deve ser finalizado ainda esta semana”.

No campo, as condições das lavouras permaneceram estáveis em relação à semana anterior. Conforme o boletim, “da área já plantada, 91% apresenta boa condição e potencial para atingir a produtividade média esperada”.

Ainda segundo o Deral, parte das áreas apresenta desempenho intermediário. O documento informa que “em condição mediana estão 8% das lavouras, área que pode ou não alcançar a produção projetada”.

Uma parcela menor das lavouras apresenta situação desfavorável. O boletim aponta que “apenas 1% da área encontra-se em situação ruim e deve resultar em produtividade abaixo do esperado, gerando potenciais perdas”.

O relatório também destaca que as condições climáticas registradas em março não favoreceram o desenvolvimento da cultura. Segundo o Deral, “o mês de março não foi favorável para a cultura, apresentando chuvas irregulares e ondas de calor que afetaram o pleno desenvolvimento das lavouras e podem refletir um resultado menor do que o inicialmente previsto”.





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Tecnologia brasileira aumenta produtividade do feijão e corta uso de fertilizante


feijão
Foto: Sebastião Araújo/Embrapa

O manejo da adubação fosfatada pode estar prestes a mudar no campo. Uma pesquisa da Embrapa revelou que é possível produzir mais feijão utilizando menos fertilizante químico — e com ganho direto de produtividade.

O estudo avaliou o desempenho do inoculante BiomaPhos em lavouras no Cerrado. O resultado chama atenção: mesmo com redução de 50% na adubação fosfatada, a produtividade média aumentou cerca de 17%.

Na prática, a produção saltou de 3,4 mil para 4,1 mil quilos por hectare.

Tecnologia que destrava o fósforo no solo

O ganho está diretamente ligado ao funcionamento do inoculante. O BiomaPhos é composto por bactérias capazes de solubilizar o fósforo presente no solo, tornando o nutriente disponível para as plantas.

Esse ponto é crucial no Cerrado. A região possui solos ricos em óxidos de ferro, que “prendem” o fósforo e dificultam sua absorção pelas raízes.

Com a ação biológica, o nutriente deixa de ficar retido e passa a ser melhor aproveitado pela cultura.

Resultados consistentes em diferentes regiões

Os testes foram conduzidos ao longo de dois anos, em diferentes condições de cultivo. As áreas avaliadas incluíram lavouras em Goiás e Santa Catarina, em safras de verão e inverno.

Foram analisadas quatro doses do inoculante, sempre combinadas com metade da adubação fosfatada. Também houve comparação com sistemas tradicionais, que utilizam apenas fertilizante químico.

O melhor desempenho foi registrado na dose de 4 ml por quilo de semente. Nesse cenário, o rendimento foi:

  • 17% superior ao sistema convencional
  • 31% maior do que áreas sem fertilizante e sem inoculante

Mais do que produtividade: impacto no desenvolvimento da planta

Além do aumento na produção, os pesquisadores observaram melhorias no desenvolvimento das plantas.

Houve avanço em indicadores importantes, como:

  • maior massa de raízes e parte aérea
  • aumento no número de vagens
  • mais grãos por planta
  • maior acúmulo de fósforo

Segundo o pesquisador Enderson Ferreira, da Embrapa Arroz e Feijão, o inoculante se mostra uma alternativa viável para otimizar o uso de fertilizantes.

“Mesmo com a redução de 50% na adubação fosfatada, o produto foi eficiente na promoção do desenvolvimento e no aumento da produtividade”, destaca.

Uso exige manejo adequado do solo

Apesar dos resultados positivos, a Embrapa alerta que o inoculante não substitui totalmente o manejo do solo.

Fatores como acidez, baixa umidade, compactação e desequilíbrios nutricionais podem limitar a disponibilidade de fósforo.

No experimento, por exemplo, foi feita a correção do solo com calcário antes do plantio. A prática elevou o pH e melhorou as condições para absorção dos nutrientes.

Biotecnologia que já avança no agro

O BiomaPhos é resultado de mais de 19 anos de pesquisa e já vem sendo utilizado em culturas como soja e milho. É produzido a partir de cepas de duas bactérias capazes de solubilizar o fosfato e melhorar o sistema radicular das plantas.

Desenvolvido em parceria entre a Embrapa e a empresa Bioma, o inoculante reforça uma tendência crescente no agro: o uso de soluções biológicas para reduzir custos e aumentar eficiência.

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AgroNewsPolítica & Agro

Entidades defendem equilíbrio na classificação do tabaco



As entidades expressam preocupação com o atual contexto


Foto: JAQUELINE FEIX/NASCIMENTO MKT

A Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp) de forma conjunta com a Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) emitiram manifestação conjunta defendendo maior equilíbrio na classificação e na comercialização do tabaco, na relação entre produtores e a indústria. A posição foi deliberada em assembleia ordinária realizada no fim do mês de março e será encaminhada ao Sindicato da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e à Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). O documento ressalta a importância da cultura para a economia regional e aponta a necessidade de alinhar práticas de mercado à realidade dos produtores e à sustentabilidade da cadeia produtiva.

As entidades expressam preocupação com o atual contexto enfrentado por produtores e indústria, especialmente no que se refere à classificação do tabaco e à formação de preços. A avaliação é de que o cenário exige maior atenção aos custos de produção, à oferta e ao equilíbrio financeiro dos envolvidos. Nesse sentido, defendem que a classificação ocorra de forma justa e transparente, assegurando a valorização da produção e contribuindo para a estabilidade econômica do setor.

Para o presidente da Amvarp, prefeito Benito Paschoal, o posicionamento reforça o compromisso dos municípios com a base produtiva regional. “Estamos tratando de uma atividade que sustenta milhares de famílias e movimenta a economia dos nossos municípios. É fundamental que haja equilíbrio nas relações comerciais, com respeito ao produtor e previsibilidade para todos os envolvidos”, afirma. Segundo o presidente da Amprotabaco, prefeito Gilson Becker, o momento exige construção conjunta. “A cadeia do tabaco é complexa e estratégica. Precisamos fortalecer o diálogo para encontrar soluções que garantam segurança econômica e valorização ao produtor, sem desconsiderar os desafios do mercado”, complementa.

As entidades ressaltam que, embora reconheçam os desafios inerentes à negociação de commodities, é urgente avançar em mecanismos que promovam maior equilíbrio nas relações comerciais. Amvarp e Amprotabaco colocam-se como instâncias de articulação e intermediação institucional, à disposição para contribuir com a construção de soluções conjuntas. O objetivo é assegurar estabilidade, competitividade e justiça na cadeia produtiva do tabaco, uma das principais bases econômicas do Sul do Brasil. Para o presidente da Amvarp, prefeito Benito Paschoal, o momento exige responsabilidade coletiva e diálogo permanente. “Os municípios estão ao lado dos produtores e compreendem a importância de construir soluções que garantam equilíbrio e sustentabilidade para toda a cadeia. Nosso papel é contribuir para esse entendimento, fortalecendo o setor e protegendo quem está na base da produção”, complementa o presidente da Amvarp.

 





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População de jumentos no Brasil pode passar de 730 mil animais, aponta levantamento


jumentos
Foto: The Donkey Sanctuary/divulgação

A população de jumentos no Brasil pode ultrapassar 730 mil animais em 2026, segundo levantamento da World Population Review. A estimativa é pelo menos dez vezes superior ao que vinha sendo divulgado por organizações não governamentais.

A entidade, sediada na Califórnia, reúne e analisa dados demográficos com base em fontes oficiais internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), além de institutos de estatística.

Segundo o zootecnista Alex Bastos, a inclusão de levantamentos internacionais amplia a visão sobre o tamanho real do rebanho e pode ajudar na formulação de políticas públicas e estratégias para o setor.

“O futuro do jumento nordestino passa por planejamento, regulação eficiente e integração entre pesquisa, setor produtivo e poder público”, afirma.

Falta de atualização oficial limita diagnóstico

Apesar da nova estimativa, o país não conta com dados oficiais atualizados sobre o efetivo de asininos. O último levantamento foi realizado no Censo Agropecuário de 2017, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Especialistas apontam que, ao longo das últimas décadas, houve redução no número de animais, principalmente pela perda de função econômica do jumento com a mecanização das atividades rurais.

Esse movimento levou ao abandono de parte dos animais e também impactou o recadastramento oficial, já que muitos deixaram de ser contabilizados nas bases estatísticas nacionais.

Cadeia produtiva ainda em desenvolvimento

Pesquisas em universidades indicam potencial para a criação de uma cadeia produtiva de asininos, com aproveitamento para leite, carne e outros derivados, voltados aos mercados interno e externo.

O Brasil, especialmente o Nordeste, reúne condições favoráveis para a criação. Os animais apresentam alta eficiência na conversão de vegetação fibrosa em energia, além de melhor adaptação ao clima quente.

“Diferente de países europeus ou asiáticos, o Brasil possui vastas extensões onde o sistema a pasto é viável, reduzindo drasticamente o custo de manutenção por animal e aumentando a qualidade e o bem-estar”, conclui Bastos.

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