quarta-feira, abril 15, 2026

Autor: Redação

AgroNewsPolítica & Agro

Aplicação errada pode comprometer toda a lavoura



“Nenhum produto entrega bons resultados se for mal aplicado”


“Nenhum produto entrega bons resultados se for mal aplicado"
“Nenhum produto entrega bons resultados se for mal aplicado” – Foto: Divulgação

A forma como os defensivos agrícolas são aplicados tem impacto direto na produtividade, na segurança e na sustentabilidade das lavouras. Boas práticas no uso desses insumos são determinantes para garantir eficiência no controle de pragas e doenças, além de reduzir riscos ao meio ambiente e às pessoas envolvidas na atividade.

Esse é o foco de um novo conteúdo da série Conversando com o Especialista, iniciativa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal. O material, disponível nas redes sociais da entidade, conta com a participação do professor da Universidade de Passo Fundo, Walter Boller, que ressalta a importância da aplicação correta como fator essencial para bons resultados no campo. O especialista contextualiza que nenhum produto apresenta desempenho satisfatório quando utilizado de forma inadequada, destacando a necessidade de procedimentos seguros e responsáveis.

“Nenhum produto entrega bons resultados se for mal aplicado. É fundamental seguir procedimentos de aplicação adequados, seguros e responsáveis para alcançar bons resultados nas culturas, sem prejuízos às pessoas e ao ambiente”, afirma.

Outro ponto abordado é a atenção aos equipamentos de aplicação, especialmente os pulverizadores, amplamente utilizados em diferentes culturas. O conteúdo reforça a importância da manutenção e da limpeza adequada para evitar contaminação cruzada e possíveis danos a áreas sensíveis dentro da propriedade. A orientação também enfatiza que o uso correto dos equipamentos contribui para que o produto atinja o alvo desejado, evitando deriva e impactos em locais indesejados.

O episódio integra um módulo com linguagem acessível e formato ágil, disponível gratuitamente na plataforma de cursos da entidade. A iniciativa reúne orientações práticas sobre todas as etapas da aplicação, com o objetivo de apoiar o manejo no dia a dia e aprimorar o uso de tecnologias no campo. “Estamos sempre aprendendo algo novo e, com essa ferramenta, conseguimos consolidar conhecimentos já existentes e adquirir novos aprendizados”, indica e conclui Boller.

 





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Fiscais apreendem máquina de R$ 1,2 milhão, 50 toneladas de soja e carga de açaí em ação


Apreensão
Foto: divulgação/Sefa

Fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) apreenderam, entre sexta-feira (3) e sábado (4), uma máquina agrícola avaliada em R$ 1,2 milhão, 50 toneladas de soja e 16 toneladas de açaí in natura em diferentes pontos de fiscalização no Pará, após a identificação de irregularidades fiscais nas cargas.

Ao todo, foram lavrados Termos de Apreensão e Depósito (TADs) que somam mais de R$ 65 mil em impostos e multas.

Máquina agrícola

A máquina agrícola foi apreendida neste sábado (4) por fiscais de receitas estaduais lotados na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Araguaia, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa).

A apreensão ocorreu no posto fiscal da Rodovia PA-441, KM-38, no município de Santana do Araguaia, no Pará.

máquina agrícola
Foto: divulgação/Sefa

“O condutor de um caminhão prancha apresentou nota fiscal de maquinário agrícola com origem em São José dos Pinhais (PR) e destinado a produtor rural em Santa Maria das Barreiras (PA). A fiscalização, em consulta ao sistema, verificou que o destinatário estava em situação cadastral de ativo não regular. Também foi conferido que o valor do imposto devido estava a menor”, informou o coordenador Renato Couto.

Foi lavrado Termo de Apreensão e Depósito (TAD), no valor de R$ 25.200,00, cobrando imposto e multa. Após o recolhimento desse valor, o veículo foi liberado.

Soja

Na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito de Itinga, em Dom Eliseu, município do Sudeste do estado, foram apreendidas 50 toneladas de soja, avaliadas em R$ 110.681,67, na última sexta-feira (3).

“Durante o processo de fiscalização foi apresentada nota fiscal indicando como origem da operação o município de Balsas (MA), tendo como destino a exportação. A mercadoria tinha como destino São Luís, no Maranhão. Como a soja estava saindo do Estado do Pará, a nota fiscal foi desconsiderada, e foi lavrado Termo de Apreensão e Depósito no valor de R$ 23.907,24, referente ao ICMS e à multa”, disse o coordenador Rafael Brasil.

Açaí

No município de Cachoeira do Piriá, Nordeste paraense, fiscais lotados na Coordenação de Controle de Mercadorias do Gurupi apreenderam 16 toneladas de açaí in natura, também no sábado (3).

Segundo o coordenador Gustavo Bozola, a carga, avaliada em R$ 63.200,00, estava acobertada por documento fiscal que indicava como destinatário Pessoa Física. No entanto, após a análise dos dados, os fiscais constataram que o CPF informado pertence a sócio-administrador de empresa ativa no estado do Pará, cuja atividade econômica é a fabricação de sucos de frutas, evidenciando indícios de ocultação do real destinatário da mercadoria.

Açaí
Foto: divulgação/Sefa

Durante a inspeção física do fruto, os fiscais verificaram que as embalagens continham o logotipo da referida empresa, reforçando a inconsistência entre as informações declaradas e a natureza da operação. A utilização de Pessoa Física nesse tipo de operação indica tentativa de evitar a correta contabilização da operação para Pessoa Jurídica, e o recolhimento dos impostos devidos.

Foi emitido Termo de Apreensão e Depósito, cobrando imposto e multa, no valor de R$ 16.811,20.

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AgRural aponta colheita de soja em 82% e alerta para clima no milho safrinha


soja e milho, importação e exportação
Fotos: Pixabay

A colheita de soja segue no Brasil e alcança 82% da área semeada, segundo a AgRural, em comparação com 75% da semana anterior. Apesar do progresso, o ritmo ainda está abaixo do observado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos atingiram 87%.

Atualmente, a colheita se concentra principalmente no Matopiba e no Rio Grande do Sul. No Matopiba, o excesso de umidade dos grãos tem provocado problemas pontuais de qualidade, além de atrasar o ritmo das operações e a recepção nos armazéns.

Já no estado do Rio Grande do Sul, as chuvas esparsas da última semana foram consideradas positivas para as lavouras que ainda estão em fase de enchimento de grãos.

No milho safrinha, a irregularidade climática segue no radar dos produtores do Centro-Sul do país. O volume insuficiente de chuvas, aliado às altas temperaturas, já preocupa especialmente no oeste do Paraná, onde muitas lavouras estão em fase reprodutiva, período decisivo para o potencial produtivo.

Produtores da região já começam, inclusive, a calcular possíveis perdas nas áreas mais afetadas pela estiagem. A preocupação também se estende ao norte do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, onde as lavouras enfrentam umidade no limite.

Nas demais regiões produtoras, o cenário é mais favorável, com chuvas mais frequentes favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Ainda assim, a AgRural ressalta que o milho safrinha 2026 dependerá de precipitações regulares até maio para garantir boas produtividades.

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Grande perigo: alerta de chuva forte com alagamentos é emitido para 3 estados


tempo - nuvens carregadas - inmet frente fria - chuva
Foto: Inmet/Reprodução

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho, o de maior severidade, sinalizando grande perigo para acumulados de chuva em áreas de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte (veja detalhes no mapa abaixo).

O aviso é válido a partir desta segunda-feira, com fim às 23h59 de terça (7). De acordo com o órgão, a precipitação deve ser acima de 100 mm no período, trazendo risco de grandes alagamentos e transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas.

alerta vermelho
Foto: Reprodução

O alerta do Inmet é voltado para 105 municípios dos três estados, com concentração na costa litorânea.

Em casos de emergência ou necessidade de mais informações, recomenda-se o contato junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

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Capim-pé-de-galinha está entre as plantas daninhas mais agressivas da soja e vira tema de curso online


Divulgação Embrapa Soja

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma planta daninha que afeta culturas como soja, milho e algodão. Por apresentar comportamento agressivo, seu manejo tem sido um desafio crescente nas lavouras de soja brasileiras, especialmente na região centro-oeste. A planta daninha também se destaca por sua  capacidade de adaptação e resistência a diferentes herbicidas, o que também dificulta seu manejo.

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Com esse intuito, será lançado, nesta terça-feira (7), às 10h30, um curso online voltado ao manejo do capim-pé-de-galinha. A apresentação ocorre durante a vitrine de tecnologias na TecnoShow Comigo, em Rio Verde (GO), e o conteúdo ficará disponível gratuitamente a partir da mesma data na plataforma e-Campo.

A capacitação aborda desde as características da planta daninha até sua relação com os sistemas de produção, além de apresentar estratégias práticas de manejo. Segundo o pesquisador Edison Ulisses Ramos Jr., o objetivo é preparar agrônomos, produtores e estudantes para reconhecer a importância do controle do capim-pé-de-galinha dentro do sistema produtivo.

Mesmo com acesso livre e por tempo indeterminado, a recomendação é que os participantes concluam os módulos em até 30 dias, para melhor aproveitamento do conteúdo. O curso tem duração total de quatro horas e será ministrado pelo pesquisador Fernando Adegas, agrônomo com atuação na área de manejo de plantas daninhas, com foco em ecologia, manejo integrado e resistência a herbicidas.

A proposta é permitir que os participantes identifiquem as características da planta, seu ciclo de vida, forma de crescimento e os fatores que dificultam o controle. Além disso, o curso traz uma análise do comportamento do capim-pé-de-galinha nos cenários brasileiro e internacional, destacando as melhores estratégias para o seu manejo.

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JBS cria escola de inglês na Austrália para formar profissionais brasileiros


escola de inglês da JBS na Austrália
Foto: JBS

A JBS colocou em prática uma estratégia para ampliar a presença de profissionais brasileiros em operações internacionais. A companhia inaugurou uma escola corporativa de inglês na Austrália, com foco em capacitação técnica, adaptação cultural e experiência prática dentro da indústria.

Batizada de English Academy, a iniciativa prepara colaboradores brasileiros para atuar na unidade da empresa em Dinmore, na cidade de Ipswich, em Queensland. A planta é a maior operação de carne bovina da companhia na Oceania.

O programa combina aulas presenciais e vivência profissional. A primeira turma embarcou em março de 2026, enquanto o segundo grupo tem viagem prevista para abril.

Imersão une idioma, cultura e rotina industrial

O curso pode durar até 12 meses, conforme a evolução de cada participante. A carga horária é de 20 horas semanais, com foco no vocabulário técnico da indústria de alimentos e no contexto cultural australiano.

Além disso, os materiais didáticos foram desenvolvidos internamente e seguem as diretrizes do Australian Education Services for Overseas Students (ESOS) Framework. O conteúdo também foi aprovado pela Australian Skills Quality Authority, órgão regulador da educação vocacional na Austrália.

Estrutura facilita adaptação dos profissionais

Para garantir integração ao novo ambiente, os colaboradores são hospedados em casas mobiliadas próximas à unidade industrial e à escola, a cerca de dois quilômetros de distância.

Esse modelo permite que os profissionais conciliem estudo e trabalho desde o início da experiência internacional. A primeira turma é formada por 30 colaboradores da área de produção que já atuavam na empresa no Brasil.

Preparação começou ainda no Brasil

O treinamento teve início em julho de 2025, com aulas online duas vezes por semana. O mesmo professor responsável por essa etapa acompanha os alunos na fase presencial na Austrália.

Segundo a empresa, a proposta é reduzir barreiras linguísticas e ampliar oportunidades para profissionais com forte conhecimento técnico, mas que não tiveram acesso ao ensino formal de inglês.

“Além da fluência, a adaptação cultural é fundamental para que os profissionais evoluam em suas carreiras”, afirma Ana Ruperez, coordenadora de Mobilidade Global da JBS Austrália.

Estratégia amplia carreira internacional no agro

A English Academy integra o programa JBS Global Talent, que há dez anos promove a mobilidade internacional de colaboradores. A iniciativa já levou profissionais para unidades nos Estados Unidos, Canadá, México, Inglaterra e Austrália.

De acordo com Fernando Meller, diretor executivo de Recursos Humanos da JBS Brasil, a proposta vai além da mobilidade. “Queremos ampliar as oportunidades para que talentos brasileiros atuem globalmente. A escola foi criada para que o idioma não seja um obstáculo nesse caminho”, afirma.

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AgroNewsPolítica & Agro

IA amplia eficiência nas operações agrícolas



Entre os ganhos estão a redução no uso de insumos


A inteligência artificial aplicada a máquinas agrícolas atua nesses pontos ao ajustar automaticamente operações
A inteligência artificial aplicada a máquinas agrícolas atua nesses pontos ao ajustar automaticamente operações – Foto: Pixabay

A digitalização das atividades no campo tem avançado e ampliado o uso de tecnologias na produção agrícola. Artigo de Bruno Ract, executivo de estratégia e novos negócios da Ultra Clean Brasil, destaca que a inteligência artificial passou a apoiar decisões dentro das propriedades rurais.

Em um setor marcado por variáveis como clima, custos e preços, o uso de algoritmos ajuda a identificar perdas que muitas vezes não são visíveis. Falhas no plantio, regulagens inadequadas e uso ineficiente de insumos podem gerar prejuízos relevantes ao final da safra, chegando a dois dígitos percentuais, segundo estudos do setor.

A inteligência artificial aplicada a máquinas agrícolas atua nesses pontos ao ajustar automaticamente operações. Em plantadeiras, há maior precisão na distribuição de sementes e fertilizantes. Já nas colheitadeiras, sensores e algoritmos permitem regulagens em tempo real, reduzindo perdas e aumentando a eficiência. A geração de mapas de produtividade também contribui para decisões mais assertivas.

O texto ressalta que o desempenho da tecnologia depende da manutenção adequada dos equipamentos. A limpeza de mangueiras hidráulicas é apontada como fator importante para evitar falhas e garantir o funcionamento dos sistemas.

Entre os ganhos estão a redução no uso de insumos, aumento da produtividade e menor ocorrência de erros operacionais. Apesar dos benefícios, fatores como conectividade limitada, custos e necessidade de capacitação ainda impactam a adoção. “Nesse novo cenário, máquinas agrícolas deixam de ser apenas ferramentas operacionais e se tornam ativos estratégicos, capazes de gerar inteligência e direcionar o futuro da produção. A pergunta, portanto, talvez não seja mais “vale a pena investir?”, mas sim: quanto custa não investir?”, conclui.

 





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Entrega de fertilizantes aumenta 5,3% em janeiro, aponta Anda


Fertilizantes no Porto de Paranaguá (PR). Foto: Rodrigo Felix Leal/Seil-PR
Fertilizantes no Porto de Paranaguá (PR). Foto: Rodrigo Felix Leal/Seil-PR

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,87 milhões de toneladas em janeiro, 5,3% mais em relação a igual mês do ano anterior, quando foram comercializadas 3,67 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda).

Mato Grosso liderou as entregas nacionais com 1,14 milhão de toneladas, concentrando 29,7% do total do país.

Na sequência, os maiores volumes foram registrados em Goiás (468 mil toneladas), Paraná (400 mil toneladas), São Paulo (357 mil toneladas) e Minas Gerais (320 mil toneladas).

Produção nacional de fertilizantes cai

A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou o primeiro mês de 2026 em 497 mil toneladas. O resultado indica uma queda de 23% na comparação com janeiro de 2025, período em que foram produzidas 647 mil toneladas.

Já as importações de adubos totalizaram 3,16 milhões de toneladas em janeiro. Segundo a Anda, houve crescimento de 5,4% sobre igual período do ano anterior, quando o volume importado foi de três milhões de toneladas.

Pelo porto de Paranaguá ingressaram 786 mil toneladas no período, alta de 9,5% frente a 2025 (718 mil toneladas). O terminal representou 24,8% do total de fertilizantes que entraram no país por todos os portos em janeiro.

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Poder360: Governo tem apoio de 11 Estados, mas oposição resiste a acordo do…


O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem apoio de 11 Estados para aderir à subvenção ao diesel importado, mas enfrenta resistência de governadores da oposição, que concentram maior peso no mercado e podem comprometer a eficácia da medida. A proposta estabelece um subsídio de R$ 1,20 por litro, dividido entre União e Estados, em meio à alta dos combustíveis e risco de impacto nos preços de alimentos.

Os Estados com menor resistência política à proposta são: Bahia, Sergipe, Maranhão, Piauí, Ceará, Alagoas, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Espírito Santo e Amapá.

O prazo dado pela Fazenda para uma definição é esta 6ª feira (27.mar.2026), depois de reuniões do Consefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal) e o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária).

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‘É preciso R$ 50 bilhões para fazer um Plano Safra robusto’, afirma Neri Geller


Neri Geller
Foto: Canal Rural Mato Grosso

“Os cinco últimos Planos Safra foram um desastre”, afirma o ex-ministro da Agricultura, Neri Geller. Ele aponta ainda que o setor passa por um momento complexo, marcado por falta de renda, juros altos e dificuldade de acesso ao crédito.

A avaliação ocorre em meio às mudanças no Executivo — mais de uma dezena de ministros deixou os cargos para disputar as eleições de outubro — e quase dois anos após a saída de Geller da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, em junho de 2024.

Em entrevista ao Canal Rural, o ex-deputado federal por Mato Grosso defende mais recursos alocados para equalização de juros, seguro rural e política de comercialização. “É preciso colocar R$ 50 bilhões para fazer um Plano Safra robusto. Fora disso, não dá para fazer nada”, diz Geller.

Ele também destaca a necessidade de taxas próximas a 7,5% a 8% para viabilizar a produção. “É voltar a ter programa de construção de armazém e de correção de solo com taxa subsidiada e equalizada pelo Tesouro Nacional”, completa.

Crédito rural no limite

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em março, a taxa básica de juros caiu 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Com a Selic elevada, o custo de equalização atingiu recordes, limitando a oferta de “juros baratos”.

Além disso, o agronegócio registra um aumento considerável dos pedidos de recuperação judicial, seja por causa dos juros altos, quebra de safra ou queda nos preços das commodities. “A questão do crédito no Brasil está completamente bagunçada”, diz Geller.

Agro precisa se organizar

O mês de abril marca o último bimestre do Plano Safra 2025/26, mas também levanta dúvidas sobre a construção do próximo plano agrícola e pecuário. Um componente de atenção extra é a saída dos ministros Carlos Fávaro, da Agricultura, e Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, para concorrer às eleições.

Sobre o novo titular do Mapa, o ex-deputado André de Paula, que até então estava à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura, Neri Geller avalia que ele tem um perfil “muito acessível”, mas aponta que é importante que o setor agrícola se organize para negociar com o governo.

“Ele foi parlamentar, tem leitura da política do Brasil, é jeitoso e comprometido, mas não tem força política”, pondera.

Nesse contexto, Geller ressalta que o agro tem que se fazer presente para fazer as reivindicações necessárias. “Nós, enquanto liderança classista, temos que nos fazer presentes na esfera de governo para reivindicar junto com a bancada federal e a Frente Parlamentar da Agropecuária o que o setor precisa”, reforça.

Conta que não fecha

De um lado, o país vive a expectativa de colher uma safra recorde, com 353,4 milhões de toneladas, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De outro, o cenário é de crédito restrito e custos de produção elevados.

Na avaliação do ex-ministro, a conta não fecha. O principal risco, segundo ele, é a retração da atividade no campo.

“Hoje o governo tem que dar atenção para o setor. Não é porque é ano eleitoral, é porque o setor realmente está passando dificuldade e a economia do Brasil é que vai sofrer com isso”, finaliza.

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