Essa discussão não poderia ser mais atual após o retorno histórico da missão Artemis 2. No último dia 10 de abril, os quatro astronautas retornaram à Terra após uma jornada épica ao redor da Lua. O sucesso dessa missão valida os sistemas que permitirão, em breve, que o homem volte a pisar no solo lunar para estabelecer uma presença permanente, algo que depende diretamente da capacidade de “colher” recursos no espaço, assim como fazemos na agricultura.
O “Ouro Gelado” das Crateras Lunares
O plano para essa sobrevivência sustentável depende de um recurso vital: o gelo. Escondido em crateras nos polos lunares, esse gelo é a peça central da logística espacial. Em vez de carregar tudo da Terra, a estratégia da NASA é fabricar combustível e oxigênio lá mesmo, utilizando os princípios de eficiência que o João e a Beatriz tanto destacam para o nosso agronegócio.
A química do combustível espacial
O processo, conhecido como Utilização de Recursos In Situ (ISRU), transforma a Lua em uma plataforma autossustentável. Através de energia limpa, a água do gelo (H₂O) passa pela eletrólise.
A Separação: A eletricidade quebra a molécula em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).
Uso: Enquanto o oxigênio sustenta a vida, a combinação com o CO₂ pode gerar propelentes. É a “safra de energia” lunar garantindo a autonomia das naves.
Como bem pontuado no Radar Rural, a gestão inteligente de recursos é o que define o futuro. O sucesso da Artemis 2 prova que estamos prontos para o próximo passo: transformar o gelo lunar no motor da nossa expansão. Seja no solo fértil do Brasil ou na poeira da lua, a tecnologia e o espírito de inovação são o que nos levam mais longe.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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Após o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump voltou a adotar um tom mais agressivo e anunciou novas medidas de pressão contra Teerã. Em publicação na rede Truth Social neste domingo (12), o republicano afirmou que a Marinha americana iniciará um bloqueio total no Estreito de Ormuz.
A decisão ocorre após o impasse nas tratativas sobre o programa nuclear iraniano, realizadas em Islamabad, no Paquistão. Segundo Trump, apesar de avanços em outros pontos, a falta de acordo sobre a questão nuclear inviabilizou o pacto. “O único ponto que realmente importava, o nuclear, não foi acordado”, escreveu.
Em tom de ameaça direta, o presidente afirmou que a paciência dos Estados Unidos com o Irã “se esgotou” e disse que qualquer ataque contra forças americanas ou embarcações civis será respondido com força máxima.
Pedágio ilegal
Trump também autorizou a interceptação de navios, inclusive em águas internacionais, que tenham pago taxas ao governo iraniano para transitar pela região. De acordo com ele, embarcações que contribuam com o que classificou como “pedágios ilegais” não terão passagem segura.
O bloqueio, segundo o republicano, poderá contar com apoio de outros países. Ele ainda declarou que as forças militares iranianas estariam enfraquecidas, citando danos à Marinha, à Força Aérea e aos sistemas de defesa do país.
O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação americana nas negociações, afirmou que o Irã rejeitou os termos propostos por Washington, especialmente a exigência de garantias de que não desenvolverá armas nucleares no longo prazo.
Do lado iraniano, o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou as condições impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como “não razoáveis” e acusando Washington de violar acordos anteriores de cessar-fogo.
Um trio de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveu um modo de obter uma enzima, a partir de um fungo cultivado em resíduos agrícolas, que promove o branqueamento da polpa da celulose, processo importante na produção de papel.
O branqueamento da polpa de celulose normalmente utiliza reagentes oxidantes à base de cloro, como o dióxido de cloro. Esses produtos químicos são altamente tóxicos e podem contaminar efluentes e até a atmosfera, liberando gases nocivos à saúde humana.
Entre as vantagens da nova tecnologia, além da produção a partir de resíduos agrícolas, está o fato de que a proteína obtida apresenta estabilidade térmica superior à de muitas enzimas fúngicas descritas na literatura científica, o que amplia suas possibilidades de aplicação na indústria.
“Esta é uma alternativa mais sustentável para a indústria papeleira, que reduz o uso de químicos tóxicos e cujos resultados têm bom potencial de aplicação. Como o Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de celulose de eucalipto, o desenvolvimento de tecnologias de branqueamento mais limpas é especialmente estratégico para o país”, conta Diandra de Andrades, primeira autora do estudo, realizado como parte de pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com bolsa da Fapesp.
O trabalho integra as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT Bioetanol) e está relacionado a dois projetos apoiados pela Fapesp, ambos coordenados por Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, professora da FFCLRP-USP, que também assina o artigo.
A enzima obtida foi a xilanase, que degrada a xilana, uma hemicelulose presente na parede celular de plantas, como o eucalipto, e pode ser usada na produção de papel e celulose. A xilanase facilita a remoção de frações de xilana associadas à lignina residual na polpa após o cozimento da madeira na indústria, contribuindo para o aumento da alvura e para maior eficiência das etapas subsequentes de branqueamento da celulose.
A xilanase foi extraída do Aspergillus caespitosus, um fungo de solo descrito em 1944 nos Estados Unidos e isolado na USP, em 2001, a partir de amostras coletadas no campus de Ribeirão Preto.
As pesquisadoras cultivaram o fungo em dois resíduos agrícolas, bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, por meio do método de fermentação em estado sólido. Ambos os substratos se mostraram bastante vantajosos por causa do baixo custo, da facilidade de crescimento fúngico e da alta produção de xilanase.
O aproveitamento de bagaço de cana e farelo de trigo insere o processo no conceito de bioeconomia circular, agregando valor a resíduos agroindustriais abundantes no Brasil.
“O bagaço de cana se tornou mais eficiente quando fizemos um pré-tratamento com hidróxido de sódio [soda cáustica], que separa a celulose da hemicelulose e da lignina, facilitando a penetração do fungo nas fibras. O farelo de trigo, por sua vez, não demandou pré-tratamento por ter boa disponibilidade de carbono, a principal fonte de energia do fungo”, explica Polizeli.
A pesquisadora ressalta, no entanto, que um fator importante a ser levado em conta na escolha do substrato é a disponibilidade local, uma vez que esta pode implicar aumento de custo. Em regiões com alta produção de açúcar e etanol, como o interior do Estado de São Paulo, o bagaço da cana seria o substrato mais indicado, mesmo considerando a necessidade de pré-tratamento. Em regiões produtoras de trigo, como o Estado do Rio Grande do Sul, o farelo de trigo seria mais indicado.
Processo
O branqueamento da polpa não pode ser realizado por completo com enzimas fúngicas porque requer altas temperaturas, que as enzimas não suportam. No entanto, ao longo dos anos, o grupo liderado por Polizeli demonstrou que a enzima do Aspergillus caespitosus tolera temperaturas em torno de 60 °C, quando muitos fungos não vão muito além de 40 °C.
“À medida que avança o processo de branqueamento na fábrica, as temperaturas vão sendo reduzidas. Com isso, nossa enzima pode ser utilizada nas últimas etapas do processo, em que a temperatura é próxima de 60 °C, atuando como um passo complementar ao branqueamento químico convencional e reduzindo a necessidade de dióxido de cloro e, consequentemente, a carga química do processo”, conta Polizeli.
Agora, o grupo busca formas de imobilizar a enzima em algum suporte químico, para que ela possa ser reutilizada mais vezes e até mesmo suportar temperaturas mais altas.
Uma aposta promissora são as nanopartículas magnéticas combinadas à nanocelulose, que poderiam servir, inclusive, para enzimas utilizadas em outras indústrias, como na produção de bioetanol. Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade brasileira como fonte de biotecnologias sustentáveis com aplicação industrial.
Uma nova técnica utilizando inteligência artificial (IA) se mostrou capaz de analisar imagens em tempo real para identificar o frescor da carne, otimizando o controle de qualidade do produto.
A pesquisa, desenvolvida no RastreIA – projeto sediado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) USP – apresenta uma abordagem inovadora baseada em visão computacional, com potencial para impactar diretamente a indústria de alimentos e a segurança alimentar do consumidor.
Robson Campos, doutorando no Cena e integrante do RastreIA, explica que a avaliação da qualidade da carne ainda depende, em grande parte, de análises laboratoriais – que podem ser demoradas, custosas e, muitas vezes, destrutivas, por exigirem a coleta e o preparo de amostras.
Além disso, esses métodos nem sempre são viáveis para aplicações em larga escala ou em tempo real.
De acordo com o pesquisador, que é um dos autores do estudo, a comprovação do frescor também tem sido majoritariamente baseada em verificações visuais humanas, o que pode gerar falhas, levando tanto ao desperdício (ao indicar que a carne está estragada quando não está), quanto a riscos à segurança alimentar (quando não identifica que existe um problema).
Dessa forma, os modelos de visão computacional, com o uso de imagens digitais, surgem como uma alternativa não destrutiva, capaz de captar com eficiência características visuais associadas ao processo de deterioração do alimento. Os modelos de IA usados para análise reconhecem padrões visuais imperceptíveis a olho nu.
“A inteligência artificial pode contribuir enormemente para a ciência dos alimentos, à medida que uma máquina com uma boa IA integrada pode verificar peça por peça em uma linha de corte de carne com precisão de quase 100%, pelo menos em relação ao frescor, agilizando a verificação, aumentando a segurança e reduzindo custos”, afirma Campos.
Controle de qualidade
O Brasil assumiu, em 2025, a liderança mundial na produção de carne bovina, ao registrar cerca de 12,4 milhões de toneladas, superando Estados Unidos e China, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto QualiBest indica que os consumidores demonstram crescente preocupação com a sustentabilidade, a origem e a qualidade dessa produção. Armazenamento e manuseio inadequados são fatores que impactam diretamente o odor, a cor e a textura da carne.
Ao aproveitar modelos pré-treinados e métodos otimizados de extração de características, o sistema desenvolvido no RastreIA reduz a necessidade de grandes volumes de dados e de longos processos de treinamento.
Isso facilita sua implementação em ambientes industriais, como frigoríficos. Outro ponto relevante é que a análise é completamente não destrutiva, pois o método não exige contato físico com a amostra nem a utilização de reagentes químicos.
Método
Um artigo que descreve o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) para classificar o frescor da carne com base em dados de imagem foi publicado na Food Chemistry, importante revista científica internacional da área.
O método proposto combina redes neurais convolucionais profundas (DCNNs), amplamente utilizadas em reconhecimento de imagens, com a ferramenta Radam (Random Encoding of Aggregated Deep Activation Maps – Codificação Aleatória de Mapas Agregados de Ativação Profunda), responsável por extrair e organizar características relevantes dessas imagens.
Desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, a Radam é capaz de reconhecer padrões complexos de textura em imagens.
Diferente de modelos tradicionais, ela aproveita o conhecimento de outras IAs já treinadas e o adapta para tarefas específicas, exigindo menos dados e menor poder computacional.
Além disso, a tecnologia já alcançou resultados de ponta em nível mundial e pode-se aplicar em diferentes áreas, como medicina, indústria, meio ambiente e na identificação de materiais.
No estudo atual, algoritmos de aprendizado de máquina, que classificam a carne em diferentes estágios de frescor, processaram as informações de textura da carne e de suas assinaturas bioquímicas.
Nesse sentido, a equipe testou o sistema em conjuntos de dados contendo imagens de carne bovina, previamente categorizadas. A abordagem alcançou níveis de precisão entre 93% e 100%, dependendo da configuração utilizada, indicando alta confiabilidade na classificação.
Integração com técnicas tradicionais
Ainda que os níveis de precisão sejam satisfatórios, os pesquisadores alertam que, na avaliação, basearam-se apenas em características visuais externas da carne, que podem não capturar todos os aspectos relacionados ao frescor, como alterações microbiológicas ou químicas internas.
Além disso, fatores como iluminação, posicionamento da câmera e composição da amostra podem influenciar o desempenho dos modelos.
Outro desafio apontado é a variabilidade natural do alimento. Elementos como o teor de gordura, por exemplo, podem alterar a aparência da carne e impactar a precisão das classificações, sendo um aspecto ainda a ser explorado em estudos futuros, na avaliação dos cientistas.
Para eles, a visão computacional não se destina a substituir completamente os métodos analíticos convencionais; sua integração com técnicas tradicionais e avançadas mais recentes, por meio da fusão de dados, oferece uma abordagem complementar e potencialmente mais robusta.
Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 3 a 9 de abril e divulgada nesta quinta-feira (9), os preços do milho apresentaram leve recuperação no Brasil. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores em torno de R$ 57,00 por saca, enquanto nas demais regiões do país as cotações oscilaram entre R$ 50,00 e R$ 68,00 por saca.
De acordo com a Ceema, o milho ainda apresenta preços considerados acessíveis ao consumidor interno, mas há preocupação com o comportamento do mercado nos próximos meses. A expectativa é de uma safra menor, especialmente na segunda safra, em função da redução de área plantada e de condições climáticas adversas, o que pode pressionar os preços no segundo semestre. A consultoria Brandalize Consulting também aponta que a demanda externa deve contribuir para esse movimento de alta.
No avanço da comercialização, cerca de 18% da safrinha 2025/26 já havia sido negociada, considerando uma produção estimada em 100,6 milhões de toneladas. O ritmo varia entre os estados, com destaque para Mato Grosso, que alcançou 24,4% da produção esperada comercializada, enquanto outras regiões apresentam percentuais menores. No Matopiba, a comercialização atingia 15,8% da produção prevista. O plantio da segunda safra está praticamente concluído no país.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a colheita da safra de verão atingia 51,3% da área total, em linha com a média histórica para o período. Já em relação à segunda safra, o Paraná segue como ponto de atenção devido a problemas climáticos que têm impactado o desenvolvimento das lavouras.
No Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta crescimento de 1,5% na demanda pelo cereal. A safrinha no estado teve 1,17 milhão de hectares semeados fora da janela ideal, mas a produção ainda é estimada em 51,7 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade média prevista de 116,6 sacas por hectare.
As exportações brasileiras de milho somaram 983.029 toneladas em março, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), volume 12,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. O preço médio por tonelada, no entanto, recuou 4,1%, passando de US$ 240,30 em março de 2025 para US$ 230,40 em março de 2026.
Um estudo publicado na revista Crop Protection aponta impactos da cigarrinha-do-milho sobre a produção nacional. A pesquisa, conduzida pela Embrapa Cerrados, Epagri e CNA, indica perda média de 22,7% da safra anual entre 2020 e 2024, com prejuízo estimado em US$ 6,5 bilhões por ano. “Atualmente, os dois tipos de enfezamentos – o pálido e o vermelho – são a maior ameaça fitossanitária à produção brasileira do grão. As duas doenças são causadas pela cigarrinha-do-milho, que também transmite os vírus do mosaico-estriado e da risca do milho.”
O estudo também destaca os efeitos indiretos das perdas na cadeia produtiva. “O impacto negativo da cigarrinha ultrapassa a porteira da fazenda, já que o milho é base para a produção de proteína animal (aves, suínos e leite) e biocombustíveis, e as quebras de safra elevam os preços para o consumidor e afetam a balança comercial brasileira”.
A prévia da carga tributária (peso dos impostos e demais tributos sobre a economia) subiu para 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, divulgou nesta sexta-feira (10) o Tesouro Nacional. Em 2024, o mesmo indicador tinha atingido 32,22%, diferença de 0,18 ponto percentual.
Esse foi o maior valor da série histórica, que começou em 2010. Segundo o Tesouro, vários fatores pesaram para o aumento da carga tributária. O principal foi o crescimento da economia e do emprego formal, que aumentou a arrecadação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) em 0,23 ponto percentual do PIB e a arrecadação da Previdência Social em 0,12 ponto percentual.
A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também fez a prévia da carga tributária subir 0,1 ponto percentual. No ano passado, o governo elevou o IOF sobre operações cambiais e de crédito e sobre a saída de moeda estrangeira. A medida chegou a ser derrubada pelo Congresso, mas foi parcialmente mantida pelo Supremo Tribunal Federal.
Em contrapartida, a participação dos impostos sobre bens e serviços federais, que incide sobre o consumo, caiu 0,02 ponto percentual em 2025. Embora o valor nominal tenha subido, a participação no PIB recuou.
Em âmbito estadual, a receita do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo que mais arrecada no país e também está relacionado ao consumo, caiu 0,09 ponto percentual do PIB em 2025, mesmo com o aumento nominal da arrecadação. Segundo o Tesouro Nacional, esse movimento reflete a composição do crescimento econômico em 2025, concentrado em setores sobre os quais não há incidência do ICMS ou a incidência é reduzida.
Na esfera municipal, a receita do Imposto sobre Serviços (ISS) subiu 0,02 ponto percentual do PIB, impulsionada pelo crescimento de 2,9% no volume de serviços em 2025.
A carga tributária do governo federal subiu 0,26 ponto percentual em 2025, de 21,34% para 21,6% do PIB. O peso dos impostos estaduais recuou 0,1 ponto, de 8,48% para 8,38% do PIB. Nos governos municipais, a arrecadação de impostos subiu 0,03 ponto percentual, de 2,39% para 2,42% do PIB, puxada por aumentos no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e pelo ISS.
Ao somar as três esferas de governo (federal, estadual e municipal), os Impostos sobre bens e serviços caíram 0,09 ponto percentual do PIB em relação a 2024, passando de 13,87% para 13,78%. No entanto, os Impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB, alta de 0,12 ponto em relação ao ano anterior.
A arrecadação dos impostos sobre a propriedade subiu 0,02 ponto, de 1,71% para 1,73% do PIB. A receita dos impostos sobre a folha de pagamento e a mão de obra subiu 0,01 ponto, de 0,3% para 0,31% do PIB. Por causa do crescimento das importações, os impostos sobre o comércio externo e as transações internacionais avançaram 0,05 ponto, de 0,66% para 0,71% do PIB.
O peso das contribuições sociais sobre o PIB subiu de 6,63% para 6,72% do PIB. A alta de 0,09 ponto percentual foi motivada principalmente pela arrecadação da contribuição para a Previdência Social, que subiu de 5,28% para 5,4% do PIB, puxada pela recuperação do mercado de trabalho.
Em março ou abril, o Tesouro divulga uma estimativa própria da carga tributária do ano anterior. Segundo o Ministério da Fazenda, a elaboração de uma prévia da carga tributária é necessária porque os dados são incluídos na prestação de contas da Presidência da República. O número oficial, divulgado pela Receita Federal, só sai ao longo do segundo semestre.
Entre terça (07) e quinta-feira (09) desta semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio da Superintendência Regional de Goiás (Sureg/GO), fez a entrega de um kit de maquinários e a doação de cerca de 30 toneladas de alimentos, no Território da Cidadania Norte, em Porangatu/GO, durante os Mutirões da Documentação da Trabalhadora Rural em Goiás, iniciativa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A atuação integrada e estratégica para o atendimento à população rural é uma ação do Governo Federal para o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao combate à fome, à erradicação da pobreza e à promoção da inclusão produtiva no campo.
No evento, a Companhia realizou a 1ª distribuição do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS), entregues pela Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte Goiano (COOPERMEL), os quais foram produzidos por 27 agricultores familiares. Com o investimento total de quase R$ 270 mil, em torno de 30 toneladas de alimentos foram recebidas pelo Centro de Referência de Assistência Social de Porangatu, beneficiando 4 mil pessoas assistidas pela unidade.
Também houve, na ocasião, a entrega de kit de maquinário do Programa Mecaniza+ para a COOPERMEL, a fim de reforçar diretamente a capacidade produtiva dos agricultores familiares que fazem parte da entidade. Composto por oito equipamentos – motocultivador, carreta agrícola, sulcador, encanteirador, semeadora, roçadeira, rodas de ferro, colheitadeira de milho -, essa cessão representa um avanço significativo na modernização, diminuição da penosidade laboral e no aumento da produtividade no campo, contribuindo para a inclusão produtiva dos pequenos agricultores e para o desenvolvimento sustentável das regiões atendidas.
A Conab ainda participou de palestra sobre o PAA, evidenciando como a política pública conecta a produção da agricultura familiar ao atendimento de populações em situação de vulnerabilidade socioambiental.
A ação reuniu diversos órgãos e instituições públicas – federais, estaduais e municipais -, em um esforço coordenado para levar cidadania, acesso a direitos e oportunidades diretamente às comunidades, em uma articulação interinstitucional demonstra a capacidade do Estado brasileiro de atuar de forma integrada, oferecendo soluções completas à população. Nesse contexto, a participação da Conab comprova o papel central da Companhia nas políticas de soberania e segurança alimentar e nutricional, produção local, geração de renda no meio rural e desenvolvimento social.
Com início previsto em Porangatu, atendendo também a população do municípios de Mutunópolis, Montividiu do Norte, Amaralina e Novo Planalto, e expansão para diversos territórios ao longo do ano, os mutirões consolidam uma estratégia territorial que aproxima o Governo Federal da população e amplia o acesso direto às políticas públicas. A iniciativa, conduzida de forma integrada por MDA, Incra e Conab, reforça o compromisso do Estado com uma gestão eficiente, solidária e orientada por resultados concretos, especialmente no enfrentamento da fome e na promoção da dignidade das famílias rurais brasileiras.
O mutirão integra uma ação itinerante e interinstitucional coordenada pelo Incra, por meio do Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais, do MDA, em parceria com prefeituras, órgãos públicos e movimentos sociais, com oferta gratuita de todos os serviços. A iniciativa é voltada ao atendimento de mulheres da agricultura familiar, acampadas, assentadas da reforma agrária, integrantes de comunidades tradicionais, atingidas por barragens, quilombolas, pescadoras artesanais, extrativistas, indígenas e ribeirinhas, sendo necessária a apresentação de documentos pessoais para participação. O objetivo é promover o pleno exercício da cidadania pelas trabalhadoras rurais, assegurando o acesso à documentação civil e trabalhista essencial e às políticas públicas, especialmente nas áreas de agricultura familiar e reforma agrária, garantindo condições para sua inclusão social e produtiva, além de fortalecer a articulação entre órgãos das esferas federal, estadual e municipal para a implementação de ações coordenadas no campo.
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Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa – Foto: Canva
A recente redução das tensões no Oriente Médio já começa a refletir nos preços internacionais de fertilizantes, indicando um movimento de alívio no mercado global. As informações são de Alê Delara, estrategista do agronegócio.
As negociações envolvendo Estados Unidos e Irã contribuíram para a retirada de parte do prêmio de risco que vinha sendo incorporado às cotações, com impacto quase imediato nos contratos futuros. Nos últimos dias, a ureia apresentou recuos relevantes em diferentes regiões, com queda de 40 dólares por tonelada no Brasil, 35 dólares no Oriente Médio e 33 dólares nos Estados Unidos.
Dados da curva de futuros da ureia nos Estados Unidos reforçam esse movimento de ajuste. Os contratos mais recentes mostram queda consistente ao longo dos meses, com valores saindo da faixa próxima a 780 dólares por tonelada em abril para cerca de 656 dólares projetados para setembro. O comportamento indica uma reprecificação após um período de forte pressão altista, acompanhando a diminuição das incertezas no cenário internacional.
O movimento evidencia que, embora o Estreito de Ormuz continue no radar dos agentes de mercado, houve uma reavaliação do risco logístico e geopolítico no curto prazo. Esse reposicionamento levou à redução dos preços após um período em que as incertezas haviam elevado as cotações de forma significativa.
Apesar do recuo, o cenário ainda não configura uma tendência consolidada de baixa. Trata-se, neste momento, de uma correção rápida, motivada pela retirada parcial do prêmio de guerra que havia sido incorporado aos preços diante das tensões recentes.
A atenção do mercado agora se volta para o desdobramento das negociações internacionais. O comportamento dos preços dependerá do avanço efetivo dessas tratativas e da capacidade de manutenção de um ambiente mais estável, que possa reduzir de forma mais consistente os riscos associados à logística e à geopolítica.
Sob influência do cenário geopolítico no Oriente Médio e da expectativa pelo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o mercado internacional da soja apresentou estabilidade ao longo da semana, segundo análise divulgada nesta quinta-feira (9) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário.
De acordo com a Ceema, as cotações do grão na Bolsa de Chicago registraram variação limitada durante o período analisado. O primeiro contrato cotado encerrou o pregão desta quinta-feira (9) em US$ 11,65 por bushel, frente aos US$ 11,63 registrados uma semana antes. “Sob influência da guerra no Oriente Médio e na expectativa de novo relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 09/04, o mercado da soja, em Chicago, se comportou bastante estável nesta semana”, apontou a Ceema.
Ainda segundo a análise, o anúncio de uma trégua de duas semanas no conflito durante a semana, mesmo sem garantias concretas, influenciou o mercado de derivados. “O anúncio de uma trégua de duas semanas na guerra, feito durante a semana, mesmo que sem garantias concretas, derrubou a cotação do óleo de soja em Chicago”, informou a entidade. Conforme o levantamento, o preço do óleo recuou 3,3% entre os dias 7 e 8 de abril, após ter se aproximado de 70 centavos de dólar por libra-peso no dia 7.
O relatório mensal divulgado pelo USDA em abril não apresentou mudanças relevantes em relação aos números divulgados em março. “O relatório de abril não trouxe grandes novidades, indicando os mesmos volumes de produção e estoques finais, para os EUA, anunciados em março”, registrou a Ceema. A análise aponta que o mesmo ocorreu em relação às estimativas globais de produção e estoques finais.
As projeções para a produção na Brasil e na Argentina foram mantidas em 180 milhões e 48 milhões de toneladas, respectivamente. Já as importações da China seguem projetadas em 112 milhões de toneladas para o ano comercial 2025/26. A Ceema destaca que o relatório considerado mais relevante para o mercado será o de maio. “Vale destacar que o mais importante relatório é o de maio, o qual trará a primeira estimativa de produção nos EUA e mundo para o ano comercial 2026/27”, informou a entidade.
Nos Estados Unidos, o plantio da nova safra de soja também começou. Segundo a Ceema, até o dia 5 de abril o plantio havia alcançado 3% da área prevista, acima da média histórica de 2% para o período.
Em relação ao comércio exterior, os embarques norte-americanos de soja somaram 779.352 toneladas na semana encerrada em 2 de abril, superando as expectativas do mercado. Com isso, o volume exportado pelos Estados Unidos no atual ano comercial chegou a 30,7 milhões de toneladas, o que representa queda de 26% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior.
A cotação internacional do milho registrou recuo ao longo da semana, segundo análise divulgada nesta quinta-feira (9) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, referente ao período de 3 a 9 de abril. Na Bolsa de Chicago, o primeiro contrato do cereal encerrou o pregão de quinta-feira cotado a US$ 4,44 por bushel, ante US$ 4,52 registrados uma semana antes.
De acordo com a Ceema, o relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em 9 de abril manteve inalteradas as estimativas de produção e estoques finais para os Estados Unidos em relação aos números apresentados em março. “O relatório de oferta e demanda, anunciado no dia 09/04, apontou manteve os números de março para a produção e estoques finais dos EUA”, informou a entidade.
No cenário global, o relatório apresentou ajuste para cima na produção mundial do cereal. Segundo a Ceema, a estimativa atual indica produção de 1,301 bilhão de toneladas, enquanto os estoques finais mundiais foram projetados em 294,8 milhões de toneladas.
As projeções para a produção na Argentina foram fixadas em 52 milhões de toneladas, volume considerado inferior às estimativas da Bolsa de Comércio de Rosário. Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de 132 milhões de toneladas para a safra 2025/26. No ciclo anterior, a colheita brasileira foi estimada em 136 milhões de toneladas.
No comércio exterior, os embarques de milho dos Estados Unidos na semana encerrada em 2 de abril somaram 2 milhões de toneladas, superando as expectativas do mercado. Com isso, o volume exportado no atual ano comercial alcança 48,5 milhões de toneladas, o que representa aumento de 36% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Enquanto isso, a colheita de milho na Argentina para a safra 2025/26 deverá alcançar 67 milhões de toneladas, segundo a análise da Ceema, volume que pode representar um recorde histórico para o país.