sábado, março 28, 2026

Autor: Redação

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Abelha de aparência ‘diabólica’ é descoberta e batizada de ‘Lucifer’ por pesquisadores



Uma nova espécie de abelha, com pequenos “chifres” que lembram o diabo, foi descoberta na região de Goldfields, na Austrália, e recebeu o nome de Megachile lucifer.

A espécie foi descoberta na região de Bremer Range, durante estudos sobre uma planta ameaçada, e é a primeira desse grupo descrita na área em mais de 20 anos.

A pesquisadora da Curtin School of Molecular and Life Sciences, Kit Prendergast, explicou que o formato dos “chifres” da abelha inspirou o nome lucifer que vem do latim e significa “portador de luz”, mas também faz uma referência ao seu visual diabólico.

“Eu descobri a espécie enquanto examinava uma planta rara e notei esta abelha visitando tanto a flor silvestre ameaçada quanto uma árvore próxima”, disse Prendergast.

“Ao descrever a nova espécie, eu estava assistindo a série da Netflix “Lúcifer” na época, e o nome se encaixava perfeitamente. Eu também sou uma grande fã do personagem, então foi fácil”, explica.

Importância da descoberta

Segundo a pesquisadora, o DNA confirmou que o macho e a fêmea eram a mesma espécie e que não correspondia a nenhuma abelha conhecida em bancos de dados de DNA, nem os espécimes que haviam sido coletados morfologicamente não correspondiam em coleções de museus.

De acordo com Prendergast, este é o primeiro membro deste grupo de abelhas a ser descrito em mais de 20 anos, o que realmente mostra a quantidade de vida que ainda há para ser descoberta no mundo.

“Como a nova espécie foi encontrada na mesma pequena área que a flor silvestre ameaçada de extinção, ambas podem estar em risco de perca do seu habitat e outros processos ameaçadores, como as mudanças climáticas”, disse Prendergast.

Acesso a pesquisa

O artigo científico que descreve oficialmente a espécie Megachile lucifer foi publicado no Journal of Hymenoptera Research e inclui detalhes sobre sua interação com a planta ameaçada Marianthus nais.



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RS lança rastreabilidade individual de bovinos para acesso a mercados mais exigentes; entenda



A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul deu início durante a semana à implantação de um projeto piloto inédito de Rastreabilidade Individual de Bovinos e Bubalinos.

A iniciativa visa modernizar o controle sanitário do estado e, principalmente, ampliar o acesso dos produtores gaúchos a mercados nacionais e internacionais mais exigentes em termos de segurança alimentar.

O projeto funciona mediante a adesão voluntária dos produtores rurais. O formulário para participar pode ser preenchido diretamente no portal da Seapi. O objetivo do piloto é testar e aperfeiçoar o sistema de identificação individual, que servirá de base para a futura e definitiva implantação do modelo em todo o território gaúcho.

A rastreabilidade individual oferece mais segurança e confiabilidade às informações sanitárias do rebanho, o que melhora a capacidade de resposta do estado em situações de emergência sanitária.

A diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA/Seapi), Rosane Collares, destacou em comunicado à imprensa que o sistema funcionará como uma ferramenta de gestão para os produtores, além de ser uma chancela de origem e confiabilidade para o produto gaúcho.

Dispositivos gratuitos e suporte técnico até 2026

Durante a execução do projeto piloto, a Seapi garantirá total suporte ao produtor rural participante. A Secretaria fornecerá os dispositivos oficiais de identificação individual de forma gratuita, que incluem brincos e botons eletrônicos.

Além dos dispositivos, a Seapi disponibilizará:

  • Orientação técnica: suporte para a correta aplicação dos brincos e botons eletrônicos.
  • Acompanhamento e registro: ajuda no registro e uso adequado dos dispositivos no sistema informatizado de rastreabilidade.
  • Acesso a dados: o produtor terá acesso direto ao sistema informatizado para gerenciar as informações do seu rebanho.

A previsão é que as atividades do projeto piloto sejam concluídas até maio de 2026, com acompanhamento técnico permanente das equipes regionais da Seapi durante todo o processo. Essa iniciativa é um passo crucial para o avanço da pecuária gaúcha, alinhando a produção à excelência sanitária e às demandas globais por carne rastreada.



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AgroNewsPolítica & Agro

É essencial cuidar dos cascos dos cavalos



“O objetivo é evitar o aparecimento de lesões”


"O objetivo é evitar o aparecimento de lesões"
“O objetivo é evitar o aparecimento de lesões” – Foto: Pixabay

A saúde dos equinos depende diretamente da condição dos cascos, essenciais para a locomoção e para o equilíbrio dos animais. Consultorias técnicas apontam que fatores como manejo, rotina de trabalho e tipo de criação influenciam no crescimento e na qualidade dessa estrutura, que exige atenção constante do criador.

Segundo orientações de especialistas, a alimentação exerce papel decisivo nesse processo. A queratina, produzida pelo próprio organismo, é determinante para a resistência do casco, embora nem sempre seja gerada em quantidade suficiente. Por isso, a suplementação é indicada para reforçar o desenvolvimento e auxiliar na regeneração, de acordo com o contexto apresentado pela veterinária responsável pelas análises citadas no material base.

“Levando em consideração sua realidade e as atividades do cavalo, o criador deve ter atenção especial ao crescimento e à qualidade dos cascos. O objetivo é evitar o aparecimento de lesões e outros quadros críticos que comprometem a saúde e o bem-estar”, alerta a médica-veterinária Júlia Izoldi, coordenadora nacional da linha Equistro da Vetoquinol Saúde Animal.

O casco cresce, em média, entre 0,3 milímetro e 1 centímetro por mês, com avanço maior em animais jovens ou de algumas raças. Quando enfraquecido, pode favorecer quadros como broca, laminite, feridas, rachaduras, fendas e doença do navicular, que comprometem bem-estar e desempenho. Entre as soluções nutricionais disponíveis no mercado, o material menciona a formulação Equistro Kerabol Ipaligo, indicada para animais de diferentes portes. O suplemento reúne biotina, DL-Metionina, zinco, manganês e selênio, elementos ligados à produção de queratina. A empresa informa que o produto integra seu portfólio para saúde animal e contribui para fortalecer os cascos em diferentes condições de uso.

 





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Pará Mais Sustentável terá R$ 81,2 mi do Fundo Amazônia



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o governo do Pará anunciaram nesta sexta-feira (14), na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), a aprovação do projeto Pará Mais Sustentável, no valor de R$ 81,2 milhões, com recursos do Fundo Amazônia. A iniciativa será executada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas).

O projeto beneficiará 27 municípios das Regiões de Integração do Baixo Amazonas e Xingu, que correspondem a aproximadamente 56% do território paraense. Entre eles estão Alenquer, Almeirim, Altamira, Anapu, Aveiro, Belterra, Brasil Novo, Curuá, Faro, Juruti, Marabá, Medicilândia, Mojuí dos Campos, Monte Alegre, Novo Repartimento, Óbidos, Oriximiná, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Prainha, Santarém, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Terra Santa, Uruará e Vitória do Xingu.

Serão executadas ações voltadas à regularização ambiental e fundiária, ao fortalecimento da sociobioeconomia e ao desenvolvimento socioeconômico de baixo carbono no estado, atingindo prioritariamente pequenos agricultores familiares, comunidades quilombolas, cooperativas e associações produtivas ligadas às cadeias da sociobiodiversidade. O prazo de execução é cinco anos.

Segundo o BNDES, entre as ações estão o apoio à inscrição e à retificação de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) e à regularização fundiária de imóveis rurais e territórios quilombolas; o fortalecimento das instituições públicas responsáveis pela assistência técnica e extensão rural, pela regularização ambiental e pelo fomento a atividades produtivas sustentáveis.

Também estão previstos o suporte a bionegócios desenvolvidos por organizações socioprodutivas do território, a realização de capacitações, campanhas de sensibilização e eventos integradores, entre eles duas Feiras de Negócios regionais. O projeto implantará ainda Unidades Demonstrativas de Referência Tecnológica para difusão de soluções voltadas às cadeias da bioeconomia regional.

A expectativa é que o projeto resulte no aumento do número de CARs aptos à validação e o avanço da regularização fundiária de imóveis da agricultura familiar e de territórios quilombolas, além do fortalecimento da atuação de agentes públicos envolvidos na agenda ambiental para ampliar a dinâmica das cadeias da sociobiodiversidade, estimulando novos produtos, agregando valor e contribuindo para elevar e manter a renda das comunidades locais.

“O projeto beneficia agricultores familiares, comunidades quilombolas, cooperativas e associações das cadeias da sociobiodiversidade”, detalhou.

“Ele reúne regularização ambiental e fundiária, fortalecimento de órgãos públicos, assistência técnica e fomento a atividades produtivas sustentáveis. A iniciativa vai dinamizar e alavancar cadeias da sociobiodiversidade, ampliar a agregação de valor, estimular novos produtos e fortalecer a geração e manutenção de renda nas comunidades locais”, afirmou a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

O Fundo Amazônia foi criado em 2008 e se tornou o principal mecanismo de cooperação internacional para o clima no Brasil, combinando proteção florestal, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida na Amazônia Legal. A partir da retomada das doações em 2023, após quatro anos de paralisação, o Fundo passou de três doadores para nove. Entraram no Fundo União Europeia, Suíça, EUA, Reino Unido, Dinamarca e outros parceiros que se somam aos contribuintes históricos, Noruega e Alemanha.

“Estamos imprimindo uma nova velocidade ao Fundo Amazônia. A urgência climática e as demandas da região exigem ações em outra escala com impacto concreto no território. Saímos de uma média histórica de R$ 300 milhões por ano para R$ 1,2 bilhão, quatro vezes mais, com projetos estruturados e transformadores. Hoje celebramos mais uma dessas iniciativas. O projeto com o governo do Pará se tornou uma referência e inspira soluções para os demais estados da Amazônia”, ressaltou Campello.

Segundo o BNDES, o Fundo Amazônia beneficiou, desde sua criação, aproximadamente 260 mil pessoas, apoiou 144 projetos e fortaleceu mais de 600 organizações comunitárias em toda a região. A iniciativa já alcançou 75% dos municípios da Amazônia Legal e contratou R$ 1,6 bilhão adicionais apenas no período pós-retomada, entre 2023 e 2025. O fundo é coordenado pelo MMA e operacionalizado pelo BNDES, contribuindo diretamente para o cumprimento das metas climáticas brasileiras, dos compromissos do Acordo de Paris e dos objetivos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Os recursos do fundo impulsionam ações de combate ao desmatamento, de gestão territorial e fortalecimento institucional, de bioeconomia e cadeias produtivas sustentáveis, além de iniciativas de geração de renda. Também apoiam a proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais e ampliam investimentos em monitoramento, pesquisa e inovação ambiental.



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Crise do arroz contrasta com boa safra de grãos no país



Mesmo com o Brasil a caminho de uma nova safra recorde de grãos, o arroz vive o oposto – área e produção caem no momento em que o custo de produção supera o preço pago pela saca. O desânimo dos produtores gaúchos mostra o lado menos visível da bonança agrícola. No Rio Grande do Sul, que produz mais de 70% de todo arroz brasileiro, a previsão é de queda de 10% na área plantada.

O presidente da Associação dos Agricultores de Dom Pedrito, Edinho Fontoura, resume o dilema vivido pelos produtores. “A saca de arroz está na faixa de R$ 50, mas o custo de produção chega a R$ 90. O produtor sabe que está pagando caro para trabalhar, mas não deixa de plantar porque é persistente.”

Levantamento do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) mostra que mais de 70% das áreas de cultivo no estado foram semeadas, cobrindo 640 mil hectares, indicando que a previsão de 920 mil hectares na safra 2025/26 não será atingida. Na anterior, o cultivo total chegou a 970 mil hectares. Além da redução na área plantada, muitos agricultores estão descapitalizados e investem menos em adubação devido ao alto custo dos insumos.

Os produtores gaúchos vêm de cinco anos agrícolas ruins: foram quatro estiagens severas e ao menos uma grande enchente.

Dados do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas à Agricultura (Cepea) explicam o desalento do produtor gaúcho. A saca de 50 quilos teve média de R$ 58 em outubro, 6,2% inferior à do mês anterior e 51,4% abaixo do mesmo período do ano passado. No acumulado de 2025, a queda nominal é de 43,2%.

O agricultor Arno Walter Lausch, de Maçambará, no centro-oeste do estado, conclui o plantio de 1,2 mil hectares na Fazenda Celeiro e espera que até a safra ocorra uma reação nos preços. “Somos produtores de alta tecnologia, que tem um custo muito alto. O arroz é importante para a rotação de culturas, pois melhora o solo onde vamos plantar também milho e soja. A gente espera que os preços melhorem e nosso trabalho seja reconhecido.”

Referência do agro no centro-oeste gaúcho, o grupo Lausch cultiva em outras quatro áreas próprias e arrendadas. Cristiano Marques Lausch, filho de Arno e administrador do grupo, lembra que foram feitos altos investimentos para irrigar toda a produção de arroz. “Investimos quando os preços estavam bons e agora fica difícil pagar o investimento com os recursos da lavoura, devido aos preços baixos”, diz.

Mão dupla

Mesmo sendo o segundo maior exportador de arroz fora da Ásia, o Brasil ainda precisa importar o grão em períodos de escassez. A dualidade revela gargalos de competitividade e logística.

Na safra passada, o país produziu 12,8 milhões de toneladas, acima do consumo interno, na faixa de 11 milhões. Na próxima, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume deve cair para 11,4 milhões, cerca de 10% menos.

Com os baixos preços internos, o país pode ampliar as exportações de arroz. A Conab prevê um crescimento de 31% para 2,1 milhões de toneladas no volume enviado para o exterior este ano devido ao excedente no mercado interno. Este ano, o arroz brasileiro foi levado principalmente para países africanos, como Senegal e Gâmbia, e americanos, como Cuba e Peru.

Do outro lado, as importações devem se manter estáveis, em 1,4 milhão de toneladas. O país compra arroz principalmente de vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai, nossos principais fornecedores.

Conforme a companhia, a importação de arroz é necessária para regular o mercado interno, evitando que haja escassez e alta excessiva de preços quando nossa produção não atinge o volume esperado.

Quando ocorre o inverso, com excesso de produção e queda de preços, o governo pode realizar leilões de compras para aumentar seu estoque do cereal e ajudar o agricultor a desencalhar sua produção. Neste ano, foram investidos R$ 300 milhões em operações de contratos para compra de 200 mil toneladas do cereal. O preço pago é maior que o do mercado.

Abastecimento

O arroz é um componente indispensável na cesta básica do brasileiro e há esforços para aumentar o consumo. No dia 27 de outubro, a Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz) lançou a campanha Arroz Combina, voltada à valorização do produto no mercado doméstico.

Além de colocar o alimento no centro do prato do brasileiro, a ação busca equilibrar oferta e demanda no país: o consumo interno se manteve estável nos últimos anos, enquanto a produção aumentou, gerando desequilíbrio nos preços.

Em outra frente, a indústria trabalha para abrir novos mercados. Por meio do projeto de exportação Brazilian Rice, desenvolvido em parceria com ApexBrasil, a Abiarroz atua em missões e feiras internacionais e realiza ações de aproximação com compradores estrangeiros.

Nos últimos meses, representantes do setor industrial orizícola participaram de agendas em países como México e Nigéria integrando missões organizadas pelo governo. Também foram recebidos importadores mexicanos no Rio Grande do Sul.

Em outubro, o arroz brasileiro esteve com estande próprio na Foodex Saudi Expo, em Riad, na Arábia Saudita, e participa, ainda este ano, da US Private Label Trade Show, nos Estados Unidos.

Etanol

Enquanto o arroz perde espaço nas lavouras, ganha novas aplicações industriais. Casca e farelo viram fonte de energia e biodiesel, e o grão busca novo valor em uma economia de baixo carbono. De acordo com o presidente do Irga, Eduardo Bonotto, o arroz tem potencial para entrar na cadeia produtiva do etanol de cereal, com o milho e o trigo.

A produção do combustível já acontece em algumas plantas com o aproveitamento do arroz quebrado no processo de beneficiamento, que tem menor valor comercial.

Além disso, subprodutos do beneficiamento de arroz podem ser melhor aproveitados: o farelo na produção de biodiesel e a casca, na queima direta como combustível para as caldeiras.

“Já temos várias plantas de biocombustível operando no Rio Grande do Sul, e outras estão em processo de instalação. Algumas já queimam a casca do arroz, o que reduz o consumo de árvores nesse processo. É um novo mercado sustentável que se abre para o produtor de arroz”, diz Bonotto.



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pesquisa inédita revela pistas de espécies que viveram na região



A presença dos dinossauros em diversas regiões do Brasil já é conhecida por pesquisadores há muito tempo. Fósseis importantes já foram descobertos, mas não havia nenhuma evidência de que eles teriam habitado a Amazônia.

Agora, pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) conseguiram identificar, pela primeira vez, indícios de que os animais viveram na região amazônica há mais de 103 milhões de anos.

Os principais indícios foram mais de dez pegadas da era jurássico-cretácea identificadas na região conhecida como Bacia do Tacutu. Os registros foram localizados na cidade de Bonfim, no norte de Roraima.

Não é possível identificar com certeza a quais tipos de dinossauros pertenciam essas pegadas, mas dá para saber, a partir delas, quais grupos viviam na região. Entre eles estão os raptores, ornitópodes (bípedes e herbívoros), além dos xireóforos, que têm uma espécie de armadura óssea na parte superior do corpo.

Dificuldade na Amazônia

A região da Amazônia sempre apresentou poucas descobertas arqueológicas porque as rochas do local foram expostas e passaram pelo processo de intemperização. Esse fenômeno causa o desgaste e a decomposição da rocha, o que dificulta a preservação dos fósseis.

Segundo o pesquisador Lucas Barros, que encontrou a pegada, a preservação do material ósseo acontece apenas quando as rochas estão soterradas.

“O Tacutu seria um vale com diversos canais de rios que fluíam juntos. Era um local com muita água e muita vegetação”, afirma o pesquisador, que concluiu recentemente um mestrado sobre o tema na Unipampa.

“Se você tem um vale com muita umidade, as barras do rio também ficarão úmidas. Após o animal fazer essa pegada, ela perde, com o tempo, a umidade e fica dura. Isso permite que ela resista ao processo de soterramento”.

Com o passar de milhares de anos, a pegada soterrada solidifica-se e vira uma rocha que consegue, mesmo quando exposta, resistir à ação erosiva e intempérica do solo.

Uma pequena vegetação de cerrado na Bacia do Tacutu também permitiu a preservação das pegadas.

“Essa mancha de savana permite que a gente encontre afloramentos nas rochas e verifique se existe alguma coisa ali de conteúdo fossilífero. [Isso possibilita] que a gente também descubra fósseis de invertebrados e vegetais, troncos fossilizados e impressões de folhas”, conta Barros.

Onze anos de pesquisa

As pegadas de dinossauro foram identificadas em 2014, em uma atividade de campo dos alunos de geologia da UFRR, comandada pelo professor Vladimir Souza. Na época, a universidade não tinha nenhum especialista em paleoecologia (que estuda a relação de organismos fósseis e seus ambientes passados), nem o equipamento necessário para realizar a análise das pegadas.

Assim, o projeto acabou sendo engavetado e a descoberta acabou não sendo divulgada.

“Se na época a gente divulgasse isso, viriam outras pessoas e tomariam a pesquisa para eles”, diz Souza.

Em 2021, o estudo foi reativado por Barros, que a transformou, com o professor Felipe Pinheiro, da Unipampa, em tese de mestrado. Barros começou a mapear os locais que possuíam icnofósseis, que são vestígios da presença de organismos que viveram no passado.

A identificação das pegadas começa com a técnica de fotogrametria, em que um modelo 3D de alta fidelidade é criado.

“Isso permite digitalizar o modelo em uma escala muito fiel. É através disso que nós descrevemos essas pegadas. Foi o que eu realizei durante o meu mestrado, descrevi essas pegadas e descobri novos afloramentos”, afirma.

Próximos passos

Barros estima que existam centenas de pegadas de dinossauros na Bacia do Tacutu. Neste momento, o pesquisador investiga pegadas localizadas na terra indígena Jabuti, em que já foram encontradas quatro áreas com valor científico.

Muitas pegadas são encontradas em áreas privadas, o que impede que sejam estudadas plenamente. Alguns fazendeiros temem que novas pesquisas levem à demarcação de suas terras, à tomada de suas propriedades pelo governo ou à falta de indenização adequada.



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Safra 2025/26 será de 354,8 milhões t, confirma Marisete Belloli da Conab-SP


Conversei com a Marisete Belloli, gerente de Safras e Informações Agropecuárias da Conab do estado de São Paulo com relação aos números da safra 2025/26 e a informação que ela me deu é que nós teremos uma safra que continuará grande.

O primeiro levantamento da Conab divulgado mês passado apontava 357,7 milhões de toneladas de grãos e o novo levantamento divulgado semana passada aponta um número de 354,8 milhões de toneladas de grãos, praticamente batendo com a mesma previsão anterior, ou seja, continua estável em uma safra dentro do histórico brasileiro.

Uma safra grande, mas que novamente nós continuamos sempre pedindo muito um planejamento estratégico porque poderíamos ter uma maior tranquilidade no abastecimento e também nas ações internacionais. Então o número é esse e continua uma previsão de uma safra dentro do padrão histórico brasileiro, uma safra grande.

Chegou a ter alguns números nesses meses com a previsão de que diminuiria a safra e essa informação que a Marisete Belloli da Conab me passou confirma que continuamos em um patamar, como ela mesma disse, de até o presente momento vem se mantendo estável.

Em relação à soja, a previsão é de 177 milhões de toneladas. O setor ainda vem impactado positivamente com os altos preços obtidos até dois anos atrás e também com uma demanda internacional e, principalmente, do nosso cliente chinês. Então soja segue crescendo.

O milho vai para 138 milhões de toneladas, com a expectativa muito grande na safrinha, que nem pode mais chamar safrinha.

Importante também quando falamos de previsão de safra é olharmos sempre o ano agrícola, de agosto a julho, então é 2025/2026. Quando olhamos no calendário padrão não conseguimos ter as expectativas porque a safra brasileira começa em agosto e vai até julho, envolvendo inclusive a safrinha, que é plantada a partir de janeiro/fevereiro, e também a safras de inverno, com trigo e outras culturas. Então essa previsão que a Marisete me passa é 2025/2026.

E aí quem está sofrendo nesse instante é o pessoal do arroz porque os preços caíram muito e tem um assunto que é complicado para o produtor rural que são os custos que cresceram: preço de fertilizantes, insumos, máquinas agrícolas, e o crédito, juro. Então o produtor rural tem neste instante uma pressão de custos, porém está aí, cresceu a área agrícola porque têm as iniciativas voltadas à utilização de áreas de pastagens degradadas, 40 milhões de hectares à disposição, então tem crescido a área.

Porém esse é o cenário: uma safra de 354,8 milhões de toneladas, é uma safra no histórico brasileiro grande, porém com pressão de custos para os produtores rurais.

José TejonJosé Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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como os Schommer construíram uma suinocultura premiada



Há quase três décadas, a Família Schommer escreve sua história na suinocultura em Salvador do Sul (RS) — e cresce junto com a comunidade. O trabalho começou pequeno, com 200 matrizes, e hoje soma 5.000 entre as unidades do grupo. A casa fica ao lado da lida, a rotina é de família unida e o resultado aparece em desempenho, qualidade e prêmios.

Nascido e criado na região, Marco Schommer passou a infância na pequena propriedade dos pais, entre leite, hortaliças e poucos suínos. A virada veio após um estágio na Alemanha, que mostrou processos, foco e escala. De volta ao Brasil, uma intempérie nas estufas abriu espaço para uma proposta de integração na suinocultura.

Em 1998, Marco iniciou uma unidade de produção de leitões (UPL) com 260 matrizes; a boa resposta levou à expansão contínua.

Hoje o grupo opera três núcleos: uma UPL em São José do Sul (1.200 matrizes), outra em Pouso Novo (2.400) e a base em Salvador do Sul. A família também mantém avicultura de corte. O crescimento veio com gestão e divisão de responsabilidades: “Trabalho perto de casa, escala bem planejada e gente certa no lugar certo”.

Entre 37 e 38 colaboradores integram o time. Em cada granja há um responsável: em Salvador do Sul, a Magali lidera 11 funcionários; em Pouso Novo, a gestão fica com Rosa e Sérgio; nos frangos, dois casais integrados tocam a operação. A rotina começa cedo, com checagem de lotes, treinamento e metas simples, porém constantes: cuidar bem do animal, padronizar processos e não perder o detalhe.
A união familiar é o ponto mais visível — e decisivo — para atravessar crises de preço, mão de obra e ciclos de mercado. “Gostar do que faz, insistir no certo e aprender com cada desafio” virou método. O resultado é tempo otimizado, mais presença com as filhas e constância produtiva.

A granja atravessou a linha do tempo da suinocultura: da monta natural à inseminação intrauterina, de galpões rústicos à climatização completa, com ambiência, automação, alarmes e sensores. O salto técnico elevou bem-estar e desempenho: se antes 10 leitões/fêmea era excepcional, hoje a meta é ≈15 por parto e ≈35 leitões/fêmea/ano.
Os indicadores acompanham a modernização, e a família coleciona premiações: Granja Schommer 1, Schomer 2 e o núcleo de Pouso Novo já foram reconhecidos mais de uma vez — reflexo de processo, manejo e disciplina.

A integração viabiliza escala e suporte técnico diário (técnicos e veterinários à disposição), reduzem riscos e sustentam a expansão. Para os Schomer, a parceria ofereceu previsibilidade para investir, alojar e escoar — e a contrapartida é sanidade, bem-estar e performance.
O plano agora é seguir modernizando estruturas, adequar bem-estar e manter o foco em gente e gestão. Na sucessão, o desejo é que as filhas tenham liberdade para escolher — com a certeza de que há um negócio sólido, profissional e sustentável esperando por elas.

Mensagem aos jovens do campo
“Tem espaço para quem se profissionaliza”, diz Marco. A receita é direta: conhecer a lida de perto, estudar, padronizar rotinas, respeitar o checklist e cuidar do animal todos os dias. O campo devolve em qualidade de vida, renda e propósito — especialmente para quem encara a suinocultura com simplicidade, técnica e coração.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo


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Frente fria traz dia crítico, com chuva de 100 mm, ventania e risco de danos



O avanço de uma frente fria pelo litoral do Rio Grande do Sul, combinado ao centro de um ciclone extratropical em alto-mar e ao fluxo de ar quente e úmido vindo da Amazônia, deve trazer um domingo (16) de instabilidade intensa para parte do país. Segundo a Climatempo, esses sistemas interagem com um cavado atmosférico no oeste da Região Sul e favorecem a formação de nuvens carregadas, tempestades e rajadas fortes de vento.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

A meteorologia aponta que há risco de chuva forte ao longo do dia, com acumulados que podem chegar a 100 milímetros, especialmente no Sul. As rajadas de vento também chamam atenção: podem variar entre 70 e 90 km/h, com picos acima desse limite no oeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul.

O cenário ainda inclui descargas elétricas frequentes e possibilidade de granizo isolado.

Regiões mais afetadas

De acordo com a Climatempo, os maiores riscos se concentram nos três estados do Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná —, principalmente em áreas do interior e zonas de transição entre o ar quente e o ar mais frio. No Centro-Oeste, o alerta se estende ao sul de Mato Grosso do Sul.

A Climatempo enfatiza que as condições podem mudar rapidamente, com períodos curtos de tempo firme intercalados por pancadas intensas.

Evento diferente do registrado no dia 7/11

Apesar do alerta para chuva forte e ventania, a Climatempo destaca que o cenário meteorológico não é o mesmo do dia 7 de novembro, quando tornados intensos atingiram o Paraná. O ciclone atual permanece distante da costa, reduzindo a organização de bandas convectivas muito severas sobre o continente.

Assim, o potencial para tornados é menor, embora se mantenha o risco de danos estruturais, enxurradas e quedas de árvores.

Riscos e impactos esperados

Os principais transtornos previstos incluem:

  • Destelhamentos e danos a estruturas frágeis
  • Quedas de árvores e postes
  • Alagamentos, enxurradas e transbordamentos de rios
  • Interrupções no fornecimento de energia

Recomendações de segurança

A Climatempo reforça orientações práticas para minimizar riscos:

  • Antes da chuva: fixe ou guarde objetos soltos e confira calhas e ralos.
  • Durante as tempestades: procure abrigo seguro, evite árvores e estruturas metálicas e desligue aparelhos eletrônicos.
  • No trânsito: não atravesse áreas alagadas.
  • Após o evento: fique atento a rachaduras em muros e encostas e acione a Defesa Civil em caso de risco.

Mesmo com diferenças em relação ao evento severo de 7/11, os impactos podem se prolongar até segunda-feira (17), com potencial para novos alagamentos e transtornos diversos.



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AgroNewsPolítica & Agro

La Niña deve mexer com oferta agrícola, aponta análise


A previsão de um ciclo de La Niña entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 deve alterar padrões climáticos em várias regiões produtoras, com impactos diretos sobre oferta, produtividade e fluxo de exportação de diversas commodities agrícolas. Consultorias avaliam que o fenômeno tende a se manter ativo ao longo do verão no Hemisfério Sul, elevando a atenção do mercado.

Segundo análises da Hedgepoint, o efeito pode ser amplo e variar conforme a intensidade. Para soja e milho, há risco de chuvas abaixo da média no sul da América do Sul, enquanto o centro-norte brasileiro deve registrar condições mais favoráveis. Há relatos de perdas expressivas em ciclos anteriores, apontadas em contexto de declarações técnicas.

“Nossas análises mostram que há riscos e oportunidades importantes para produtores e exportadores. Especialmente para commodities como soja, milho, trigo, óleo de palma, cacau, açúcar e café, há pontos que precisam ser monitorados com mais atenção ao longo dos meses”, alerta Thais Italiani, Gerente de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

No açúcar, a projeção indica possíveis desafios ao desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil e interrupções de moagem no Sudeste Asiático, caso o fenômeno ganhe força. No café, o cenário é misto: o Brasil pode ser beneficiado, enquanto Vietnã, Colômbia e países da América Central enfrentam risco de excesso de chuvas.

O cacau tende a responder de forma desigual, com melhora das condições na África Ocidental e possibilidade de perdas no Equador por redução das chuvas. Para o trigo, o alerta recai sobre a combinação de menor umidade e temperaturas mais altas no Hemisfério Norte, que pode afetar o início das lavouras de inverno. Já no óleo de palma, o principal entrave previsto é logístico, com inundações dificultando o transporte em países do Sudeste Asiático.

 





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